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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Sabe o que está a comer numa lata de atum? Investigadores revelam as espécies mais usadas na indústria de conservas portuguesa



Uma equipa de cientistas dos centros de investigação MARE e CE3C descobriram quais as espécies de atum mais usadas pela indústria das conservas em Portugal. Isso, apesar de Portugal ser um dos maiores consumidores de atum enlatado per capita na Europa.

Num artigo divulgado recentemente na revista ‘Scientific Reports’, a equipa revela que, através de métodos de sequenciação molecular capazes de identificar com precisão as espécies presentes nos produtos enlatados , o atum-bonito (Katsuwonus pelamis) é a espécie predominante em todas as sete marcas portuguesas (não reveladas) e tipos de conservas analisadas.

Além dessa, foram também detetadas outras espécies, como o atum-patudo (Thunnus obesus), o atum-albacora (Thunnus albacares) e espécies do género Auxis que os autores dizem não ser “atum verdadeiro”.

Outro resultado relevante foi a deteção de múltiplas espécies dentro da mesma lata em quatro marcas distintas, uma prática que os investigadores dizem viola a legislação europeia em vigor.

“Este estudo representa o primeiro retrato molecular abrangente da indústria conserveira de atum em Portugal, revelando não apenas quais espécies chegam ao consumidor, mas também os riscos associados a uma rotulagem imprecisa”, detalha, no site do MARE, Ana Rita Vieira, primeira autora do artigo.

A investigadora acrescenta que “ao identificarmos espécies de atum com estatuto de conservação e de espécies que não são verdadeiros atuns, demonstramos a importância de reforçar mecanismos de controlo para uma rotulagem precisa, de forma a garantir que o consumidor sabe exatamente o que está a comprar e a consumir”.

E salienta que o facto de a equipa ter encontrado várias espécies na mesma lata “evidencia incumprimentos face à legislação europeia em vigor e reforça a urgência de mecanismos mais robustos de rastreabilidade”.

Ainda assim, Ana Rita Vieira dizem que o intento deste trabalho não é apontar falhas da indústria conserveira portuguesa, “uma referência histórica e económica”, mas sim fornecer informação científica sólida sobre a composição específica dos produtos disponíveis no mercado nacional, contribuindo para um debate mais informado sobre a utilização de recursos e práticas de rotulagem”.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

6 factos chocantes sobre a indústria pesqueira


Fonte: Steve Trewhella
Longe vão os dias em que se lançava o isco à água e se esperava que o peixe mordesse. Às vezes, o que o mar dava nem para uma refeição chegava. Contudo, o crescimento da indústria pesqueira trouxe uma nova realidade – viciosa e brutal, tanto para os animais como para os humanos.
Os peixes criados em aquaculturas são sujeitos a vidas pouco agradáveis e os peixes que vivem em liberdade são pescados em quantidades exorbitantes e enfrentam mortes inumanas. Até os humanos são escravizados para lhe pôr o camarão na mesa de jantar, refere o Tree Hugger. Conheça alguns dos factos chocantes sobre a indústria pesqueira.
1.       Os navios pesqueiros são essencialmente navios de guerra
Os navios de pesca estão actualmente equipados com radares, ecolocalizadores, GPS, sistemas de navegação electrónicos e imagens satélites da temperatura dos oceanos para identificar os cardumes de peixe. Com estes equipamentos de navio de guerra, os peixes não têm qualquer hipótese de sobreviver.
2.       A quantidade de peixe pescado em excesso é assustadora
Por cada quilo de camarão pescado, 25 quilos de outros animais são pescados desnecessariamente para que o camarão possa ser retirado das águas. Para pescar um animal marinho específico, é quase sempre obrigatório pescar outros animais, que vêm presos nas redes. Assim, a quantidade de peixe pescado em excesso é exorbitante. A pesca de camarão é das piores práticas, já que 80 a 90% do que vem nas redes não é camarão. Apesar de este tipo de marisco contabilizar apenas 2% do total da indústria por peso, a sua pesca é responsável por 33% da pesca global em excesso.
3.       Se comprar camarão da Tailândia está a suportar o trabalho escravo
Um relatório publicado recentemente no jornal britânico Guardian revela a extensão chocante do trabalho utilizado na produção de camarão tailandês. Seres humanos são comprados e vendidos, e mantidos em embarcações durante meses. Os relatos falam em turnos de 20 horas, torturas, espancamentos, mortes em estilo de execução e na ingestão forçada de metanfetaminas para combater o cansaço. Estes navios produzem refeições de peixe feitas de sobras, de peixes juvenis ou peixes não comestíveis, que são utilizados para alimentar os camarões de viveiro. Estes, posteriormente, são vendidos nas superfícies comerciais de todo o mundo.
4.       O atum é pescado através dos muito controversos “dispositivos flutuantes de agregação”
O atum vive em águas livres e, como tal, é atraído por grandes dispositivos flutuantes, já que os animais pensam que se trata de uma possível fonte de alimento. Contudo, estes dispositivos são utilizados pelas embarcações para atrair o atum e facilitar a sua pesca.
5.       Do oceano ou de viveiro? Nenhuma opção é a melhor
Os peixes de viveiro estão sujeitos a viver em águas poluídas, amontoados ao ponto da canibalização, a deficiências nutricionais e a piolhos do mar. Actualmente, não existem requisitos legais para o abate de peixe. Os peixes que vivem no alto mar são pescados com redes que podem ter quilómetros de extensão e onde ficam sempre presas outras espécies, além das pretendidas. A pesca de arrasto é o equivalente à desflorestação e as redes de cerco, que encurralam cardumes inteiros de peixe, estripam muitos no processo.
6.       A população de cavalos-marinhos diminuiu 50% em cinco anos
Os cavalos-marinhos são uma espécie de animal marinho que serve de indicador, representando a saúde geral dos ecossistemas dos oceanos. Contudo, a sua população foi reduzida a metade nos últimos cinco anos. Embora não sirvam de alimento para a maior parte dos países, os cavalos-marinhos ficam presos nas redes de arrastos e são assim pescados. Todos os anos, 150 milhões de cavalos-marinhos são pescados para serem utilizados na medicina tradicional chinesa. Outro milhão adicional é pescado e seco para servir de decoração. Outro milhão é ainda pescado para aquários, apesar da sua baixa taxa de sobrevivência – menos de 0,1% sobrevive às primeiras seis semanas de vida.
Fonte Greensavers, 21 de Julho de 2014

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Estudo alerta para os perigos da sobrepesca e aumento das marés de alforrecas



Ana Ganhão (02-09-11), Naturlink

Foi realizado um estudo pelo grupo de conservação marinha, a OCEAN2012 que alerta para os impactos da sobrepesca e o aumento das marés de alforrecas, muito prejudicial para a saúde  pública.
Esta colecção de relatórios publicada pela OCEAN2012 demonstra como a sobrepesca prejudica as comunidades costeiras da União Europeia e como afecta as vidas de incontáveis cidadãos europeus. Cada relatório ilustra um determinado efeito nos ecossistemas marinhos causado pela remoção excessiva de milhões de toneladas de organismos marinhos que ocorre em cada ano.
O número de marés de alforrecas nos oceanos está a aumentar e  os impactos causados pelas actividades humanas como a sobrepesca são apontados como os prováveis causadores deste fenómeno. Vários investigadores demonstraram que a sobrepesca é um elemento que contribui significativamente para a maioria das marés de alforrecas estudadas. De facto, alguns investigadores afirmam que a sobrepesca permite às populações de alforrecas aumentarem  exponencialmente.
A remoção sistemática de peixes predadores do topo de cadeia  alimentar, como o atum ou o bacalhau, pode levar a alterações  devastadoras. A remoção de demasiado peixe dos ecossistemas cria muito espaço para  as alforrecas poderem proliferar.
A reforma da Política Comum das Pescas é uma oportunidade crucial  para transformar este cenário de pesadelo num futuro seguro,  sustentável a longo prazo para os ecossistemas marinhos, stocks de  peixe, bem como a subsistência de milhões de cidadãos europeus.
Pode descarregar aqui o relatório da Ocean2012, OS IMPACTOS DA SOBREPESCA: A batalha pela supremacia no oceano: as conquistas das alforrecas
Fonte: www.ocean2012.eu
Leituras adicionais:
A maior raia do mundo pode extinguir-se devido à sobrepesca
Directrizes para uma pesca sustentável não são cumpridas
Pesca é responsável por alterações nos padrões de crescimento do peixe

terça-feira, 17 de maio de 2011

Animação da semana: A História do Atum (The Story of the Bluefin)


Curta-metragem de animação sobre uma das espécies mais ameaçadas do planeta: o atum rabilho. Este vídeo dá-lhe toda a história do Atum, com muita informação detalhada e alguns fatos chocantes.

No entanto a parte final que dita a extinção do atum para 2012, está longe da verdade. Posso desde já adiantar que já existe aquacultura do atum em Portugal para engorda e venda ao Japão (Tunipex, no Algarve). No caso de Portugal, a quota de pesca a que temos direito (267,66 Ton em 2010), tendo em conta as nossas capturas históricas, nem sequer tem sido utilizada pelas nossas frotas, mas sim trocada com outros estados membros, de modo a compensar as nossas capturas de outras espécies, como bacalhau, arinca.