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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Falta regularizar apenas três Zonas Especiais de Conservação para Portugal cumprir as obrigações europeias da Directiva Habitats. A multa é de 2250 euros por dia


Falta regularizar os processos relativos às áreas da Serra da Estrela, do Sado e de Alvito/Cuba, para que fiquem concluídas as 61 ZEC e respetivos planos de gestão. Governo prevê concluir todo o processo ainda este ano.

Portugal está a suportar uma penalização de cerca de 750 euros por dia por cada Zona Especial de Conservação (ZEC) ainda em atraso, estando ainda por concluir três das 61 ZEC abrangidas pelo processo de regularização das áreas protegidas exigido pela União Europeia.

Segundo avançou o Ministério do Ambiente e Energia (MAEn) ao Público, falta finalizar a regularização das ZEC da Serra da Estrela, do Sado e de Alvito/Cuba. Nomeadamente, o diploma relativo à ZEC do Sado já concluiu o circuito governamental e foi remetido ao Presidente da República para promulgação; o plano de gestão da ZEC de Alvito/Cuva deverá ser submetido a Conselho de Ministros no início de setembro; e o plano de gestão da ZEC da Serra da Estrela encontra-se atualmente em circuito legislativo, na sequência da consulta pública recentemente concluída.

Recorde-se que, em março passado, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) condenou Portugal a pagar 10 milhões de euros por não ter executado um acórdão sobre a violação da Diretiva ‘Habitats’, relativa à preservação de habitats naturais, e 750 euros diários por cada um dos sítios que ainda não estão protegidos. Na altura, o TJUE referiu que Portugal não adotou medidas de conservação adequadas, considerando que estavam em causa infrações particularmente graves ao direito do ambiente da União, “nas quais Portugal persistiu ao longo do tempo”.

Tendo em conta que o território português abriga uma biodiversidade significativa - incluindo 99 tipos de habitats e 335 espécies abrangidas pela Diretiva Habitats- , “os riscos para o património natural comum da União são especialmente relevantes”, destacava o Tribunal, que impôs sanções financeiras até que todas as 61 zonas especiais de conservação em causa dispusessem “de proteção adequada”.

Desde então, o Governo diz ter acelerado significativamente o processo, com o MAEn a salientar que “o trabalho desenvolvido pelo Ministério do Ambiente e Energia permitiu acelerar de forma muito significativa a aprovação das designações e dos respetivos instrumentos de gestão”, colocando Portugal “numa trajetória de cumprimento integral” das obrigações europeias.

Fonte oficial do MAEn acrescenta que o trabalho iniciado pelo XXIV Governo, em 2024, deverá terminar este ano, sublinhando que este “veio corrigir um atraso acumulado ao longo de sucessivos governos, que manteve Portugal em incumprimento em matéria de obrigações europeias durante vários anos e deu origem a um processo de infração por parte da Comissão Europeia”.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já tinha, entretanto, confirmado ao Jornal PT Green que entregou à tutela todos os planos de gestão das ZEC, ressalvando que “eventuais alterações ao calendário previsto poderão decorrer das diligências subsequentes ao processo, que poderão incluir pedidos de esclarecimento ou consultas ao ICNF”.

As ZEC integram a Rede Natura 2000, uma rede europeia de áreas destinadas à conservação de habitats e espécies ameaçados ou representativos da biodiversidade europeia.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África



Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O resultado representa a principal conquista da iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos e teve o relatório apresentado esta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Outros números em destaque do balanço incluem 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.

Segundo a UNCCD, o esforço envolve um conjunto de paisagens restauradas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades. O objetivo é combinar a recuperação de terras com a segurança alimentar, a geração de oportunidades económicas, o acesso a energia limpa e o aumento da resiliência perante as alterações climáticas e a seca.

Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD e reúne atualmente 11 países fundadores, numa área de 156 milhões de hectares, do oeste do Senegal ao Corno de África. Já o "Acelerador" foi criado em 2021 para melhorar a coordenação da iniciativa, acompanhar os recursos financeiros e ajudar os países a medir os resultados das ações de restauração.

Resultados parciais
Apesar dos avanços, o próprio relatório alerta que ainda há limitações importantes no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitoriza mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam atualmente dados de acordo com os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa.

A UNCCD considera os resultados, portanto, iniciais. Além dos 1,66 milhão de hectares em restauração, os dados disponíveis apontam para a criação de 4,6 milhões de empregos, contra uma meta de 10 milhões até 2030, e a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa. A entidade ressalta que os processos de restauração de terras podem levar anos ou décadas para produzir resultados completos e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em curso.

Para tentar superar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burquina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais. Segundo a UNCCD, o sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Também foram criadas coligações nacionais em nove dos 11 países, reunindo ministérios, sociedade civil, universidades, setor privado e meios de comunicação. A intenção é melhorar a coordenação das ações e transformar os compromissos financeiros em resultados verificáveis nos territórios.

Desafio do financiamento
O Acelerador foi lançado após a Cimeira One Planet, em 2021, quando parceiros técnicos e financeiros anunciaram mais de US$ 19 mil milhões em compromissos para a Grande Muralha Verde. A iniciativa passou a funcionar como uma estrutura para coordenar os esforços, acompanhar os recursos e fortalecer a capacidade dos países de demonstrar os resultados obtidos.

O relatório, porém, aponta que a distância entre compromissos e resultados continua a ser um desafio. Além da falta de dados completos, a UNCCD cita dificuldades de coordenação entre diferentes atores e o tempo necessário para que os recursos financeiros se transformem em ações no território.

A próxima etapa deve dar maior peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça de terras e águas. Entre as possibilidades mencionadas estão obrigações verdes, créditos de carbono e mecanismos de financiamento combinado.

A experiência também procura ampliar a dimensão social da restauração. O relatório destaca iniciativas de geração de rendimento para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais. Num dos exemplos citados pela UNCCD, mulheres do Mali receberam equipamentos e formação e ampliaram uma cooperativa de transformação de produtos agrícolas. No Chade, mulheres foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando o acesso à energia em fonte de rendimento.

COP17
Seca, degradação da terra e restauração dos solos serão temas centrais na 17.ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação, que decorre entre os dias 17 e 28 de agosto em Ulan Bator, capital da Mongólia. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Portugueses lideram estudo para descobrir como a poluição atmosférica castiga os mais pobres


Viver numa rua onde o ar carrega o peso de milhares de escapes diários ou o fumo constante de uma fábrica não é, para muitas famílias, uma escolha. É a única opção compatível com o seu orçamento.

A comunidade científica internacional já classifica a poluição atmosférica como o maior perigo ambiental para a sobrevivência humana, mas o risco não é igual para todos. As populações mais vulneráveis enfrentam níveis de exposição muito superiores.

Foi esta desigualdade que motivou uma equipa liderada pela Universidade de Aveiro a analisar exaustivamente a literatura científica global. Em colaboração com a Universidade de Coimbra, o Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes da Universidade do Minho e a University of the West of England, os investigadores examinaram 99 artigos internacionais para perceber até que ponto as avaliações de impacto sanitário incorporam justiça ambiental e desigualdades sociais.

Mapa geográfico das falhas
Os resultados, publicados na revista Heliyon, revelam um desequilíbrio geográfico na produção de conhecimento. Dos 21 países onde se realizaram os estudos analisados, os Estados Unidos representam 53 por cento da amostra. O Canadá surge muito atrás, com seis por cento, seguido pela China com cinco por cento.

A investigação sobre injustiça ambiental cresce, no entanto, a ritmo acelerado: mais de metade dos artigos selecionados foram publicados nos últimos cinco anos.

Segundo os autores portugueses, esta tendência mostra uma maior atenção às dimensões sociodemográficas da crise ambiental. Ainda assim, a maioria dos trabalhos concentra-se nos efeitos prolongados da exposição, deixando de fora análises mais imediatas ou de curta duração.

O peso das partículas finas
A quase totalidade dos estudos centra-se nas partículas finas em suspensão, conhecidas como PM2.5. Estas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas a doenças graves.

Apesar disso, apenas metade dos artigos cruza os dados de monitorização ambiental com os registos médicos ou com os níveis reais de exposição das populações. A análise estatística clássica domina as metodologias, estando presente em cerca de 71 por cento dos casos. Os restantes trabalhos dividem-se entre modelação de cenários futuros e inquéritos diretos às comunidades afetadas, revelando abordagens ainda pouco integradas.

Ar puro não é para todos
A justiça climática parte da premissa de que quem menos contribui para a poluição é, muitas vezes, quem mais sofre com os seus efeitos. Todos os artigos revistos adotam esta perspetiva, avaliando fatores como rendimento e etnia. Os dados financeiros são o indicador mais utilizado, presente em 99 por cento das investigações.

A Organização Mundial da Saúde e o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas confirmam esta realidade. Famílias com baixos rendimentos e minorias étnicas vivem frequentemente perto de vias rodoviárias saturadas ou complexos industriais. A consequência traduz-se numa maior incidência de asma, doenças cardíacas crónicas e complicações durante a gravidez.

Lacunas na Europa
Perante este diagnóstico, os investigadores portugueses defendem que é urgente alargar estes estudos ao continente europeu e a outras regiões pouco representadas. A equipa sublinha a necessidade de modelos de análise mais robustos e métodos mistos capazes de captar a complexidade das variáveis sociais.

Para além dos dados numéricos, os autores destacam a importância de ouvir as comunidades através de inquéritos de proximidade.

O estudo conclui que compreender as perceções sociais e envolver os cidadãos na monitorização do ar é essencial para que as futuras políticas ambientais e de saúde pública deixem de ignorar as desigualdades que afetam a vida de milhões de pessoas.

Referência da notícia

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ecoansiedade pode mobilizar comportamentos pró-ambientais


Publicado no Journal of Risk Research, o artigo “Turning eco-anxiety into pro-environmental behaviour: risk perception as mediator” conta com a coautoria de Francisco Sampaio, docente da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, juntamente com Sílvia Luís, Ana Loureiro, Jerônimo C. Soro, Catarina Possidónio e Rui Gaspar. A investigação analisou de que modo a ecoansiedade se relaciona com comportamentos pró-ambientais, considerando o papel da perceção de risco ambiental. A ecoansiedade refere-se à ansiedade perante problemas ambientais como as alterações climáticas, a poluição ou a degradação ecológica.

Com base em três estudos complementares, os autores recorreram a uma abordagem exploratória de métodos mistos, a um estudo transversal e a um estudo experimental. No primeiro estudo, refletir sobre emoções e pensamentos associados a problemas ambientais esteve associado a uma maior alocação de donativos a ONG ambientais. No segundo, os resultados apoiaram a hipótese de que a perceção de risco ambiental medeia a relação entre ecoansiedade e comportamentos pró-ambientais autorreportados.

No estudo experimental, a equipa induziu diferentes níveis de ecoansiedade de estado e avaliou a sua relação com a perceção de risco e com a distribuição de donativos por diferentes tipos de ONG. As análises de mediação sequencial sugeriram que níveis mais elevados de ecoansiedade de estado se associaram a maior perceção de risco ambiental e, por essa via, a maior disponibilidade para atribuir donativos a ONG ambientais.

Em termos práticos, o artigo sublinha que a ecoansiedade não deve ser simplesmente patologizada, nem amplificada como estratégia de comunicação. Os resultados apontam antes para a importância de apoiar as pessoas que já experienciam ecoansiedade, promovendo reflexão informada, compreensão clara dos riscos e formas concretas de participação pró-ambiental.

O trabalho conclui que a ecoansiedade pode contribuir para a mobilização pró-ambiental quando acompanhada por uma avaliação reflexiva dos riscos ambientais. Ainda assim, os autores salientam que são necessários estudos longitudinais e novas experiências que manipulem simultaneamente ecoansiedade e perceção de risco para clarificar melhor as relações causais entre estes processos.

Fontes:

domingo, 5 de julho de 2026

Just launched! A comprehensive new manual gives guidance on identifying, framing, and investigating international environmental crimes

This guide from UCLA Law's The Promise Institute for Human Rights (Europe) and Climate Counsel is a crucial resource for practitioners, investigators and civil society actors seeking accountability for environmental crimes.

It also provides the practical foundations for future implementation of an international crime of #ecocide.

The natural world is increasingly being placed at the heart of international criminal law, with the International Criminal Court’s Prosecutor last year announcing a major policy review that commits it to pursuing accountability for environmental harm. As international precedent develops, the prospect that ecocide (mass harm to nature) will be recognised by ICC member states as the fifth core atrocity crime grows stronger. Such a step would place it on the same legal footing as genocide, war crimes, crimes against humanity and the crime of aggression.

Access the manual here

The manual is compiled by Kate Mackintosh and Richard J. Rogers, with contributions from Maksym Popov,Donna Cline, Wayne Jordash KC, Dmytro Koval and Professor Darryl Robinson.

domingo, 21 de junho de 2026

Investigadores portugueses estudam ligação entre poluição do ar e desigualdades ambientais

A poluição do ar é considerada o maior risco ambiental para a saúde humana, segundo entidades internacionais como a Organização Mundial da Saúde, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e a Agência Europeia do Ambiente.

Contudo, persistem lacunas no conhecimento de como a poluição do ar se relacionada com outras dimensões centrais para a compreensão devida do problema, como o facto de nem todas as pessoas e comunidades são afetadas da mesma forma.

Grupos humanos mais vulneráveis podem estar mais expostos à poluição do ar do que outros, os impactos podem ser mais fortemente sentidos em certas áreas ou regiões e não tanto noutras, levantando questões relacionadas com desigualdades e justiça ambientais.

Foi essa constatação que levou um grupo de investigadores, liderado por membros de instituições académicas e centros de investigação portugueses, a rever o conhecimento existente para perceber se, e também como, conceitos relacionados com desigualdades e justiça ambientais são tidos em conta em avaliações dos impactos da poluição do ar na saúde.

O trabalho, liderado pela Universidade de Aveiro em colaboração com a Universidade de Coimbra, o Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes (LASI), sediado na Universidade do Minho, e também a University of the West of England (Reino Unido), analisou 99 artigos científicos. Nesse exame, foram tidos em conta diferentes aspetos como o enquadramento conceptual, a região estudada, a escala temporal, os dados e indicadores utilizados e os métodos de análise aplicados, sejam estatísticos, numéricos ou baseados em inquéritos.

Os resultados, revelados num artigo publicado na revista ‘Heliyon’, mostram que os estudos sobre justiça ambiental associados à poluição do ar foram realizados em 21 países, sendo os Estados Unidos da América responsáveis pela maioria das investigações (53%). Seguem-se Canadá (6%) e China (5%).

Em termos temporais, mais de metade dos estudos foram publicados nos últimos cinco anos, o que os investigadores dizem refletir “um crescimento recente do interesse científico neste tema”. A maioria das investigações analisa impactos de longo prazo da poluição atmosférica.

Relativamente aos dados que são utilizados, a maior parte dos trabalhos centra-se nas partículas finas PM2.5, um dos poluentes mais associados a riscos para a saúde. No entanto, apenas cerca de metade dos estudos inclui explicitamente dados sobre saúde ou níveis de exposição, avança esta equipa.

Todos os artigos analisados abordam questões de justiça ambiental relacionadas com estatuto socioeconómico ou raça/etnia. Entre os indicadores socioeconómicos mais utilizados, mostra este estudo, destacam-se os dados de rendimento (99%), seguidos de indicadores de caracterização populacional e de habitação.

O método de análise mais frequente é a análise estatística, utilizada em 71% dos estudos. Cerca de 14% recorrem a inquéritos e 15% utilizam modelos de simulação para explorar cenários.

Com base na revisão, os autores deste artigo consideram que ainda existe margem para o desenvolvimento de novos estudos, especialmente na Europa e noutras regiões menos representadas. Os investigadores, é avançado em comunicado da Universidade de Aveiro, defendem a utilização de modelos estatísticos “mais robustos e métodos mistos”, que sejam capazes de lidar com “a complexidade das múltiplas variáveis envolvidas neste tipo de investigação”.

Em escalas geográficas mais pequenas, os autores recomendam também a realização de estudos apoiados por inquéritos, que permitam “integrar indicadores socioeconómicos tanto individuais como contextuais”. A revisão destaca ainda que poucos estudos abordam perceções sociais ou o envolvimento dos cidadãos nas questões relacionadas com a poluição do ar.

A equipa conclui que é preciso aprofundar o conhecimento sobre as dimensões sociais da poluição atmosférica, algo que permitirá contribuir de forma importante para políticas ambientais e de saúde pública mais equitativas.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"Ilegal por Conceção" e Tóxica para o Planeta: A Amnistia Internacional Desmascara a IA

Global: Enormes pipelines de dados que alimentam os principais sistemas de IA generativa estão enraizados em invasões em massa da privacidade por conceção

As empresas estão a extrair vastas quantidades de dados online através de web scraping (extração de dados da web) ilegal para construir os seus produtos de inteligência artificial (IA) generativa, de uma forma que está a permitir uma invasão massiva da privacidade, tornando estes sistemas ilegais por conceção, afirmou hoje a Amnistia Internacional num novo relatório.

O relatório Unlawful by Design: Exposing the Human Rights Costs of Generative AI ("Ilegal por Conceção: Expondo os Custos dos Sistemas de IA Generativa para os Direitos Humanos") documenta riscos graves na extração e processamento de dados em grande escala utilizados para construir e treinar estes sistemas, incluindo violações do direito à privacidade por conceção e consequências adversas para o ambiente e para comunidades historicamente marginalizadas.

"Empresas em todo o mundo estão a fornecer produtos de IA generativa sob uma capa de eficiência e sofisticação, mas, na realidade, estes sistemas perpetuam invasões em massa da privacidade através de web scraping ilegal: um processo automatizado para extrair dados de websites, incluindo dados pessoais, como imagens e atividade em redes sociais, para treinar modelos de IA", afirmou Likhita Banerji, Diretora do Laboratório de Responsabilidade Algorítmica da Amnistia Internacional.

"O pipeline de dados extrativo, as escolhas inerentes de conceção feitas pelas empresas tecnológicas e as cadeias de abastecimento exploratórias para construir sistemas de IA generativa permitiram um paradigma de desenvolvimento tecnológico que abre caminho ao risco de abusos em massa dos direitos humanos."

A Amnistia Internacional investigou os modelos que alimentam algumas das ferramentas independentes de IA generativa mais populares e publicamente disponíveis, incluindo o GPT-3 da OpenAI, o Gemini da Google, o Llama da Meta, o DeepSeek e ferramentas da Midjourney.

Estes sistemas dependem da extração de informações de milhares de milhões de publicações e imagens públicas online, frequentemente sem o consentimento explícito dos indivíduos que nelas aparecem ou que as criaram. Isto não só infringe a privacidade por conceção, mas, à medida que as bases de dados que alimentam os modelos de IA aumentam, a presença de conteúdos de ódio e discriminatórios nos seus resultados também é amplificada, juntamente com estereótipos negativos e preconceitos, especialmente de cariz racial e de género.

"Estas escolhas não são inevitáveis. Devemos contestar as opções de conceção adotadas pelas empresas que constroem sistemas de IA generativa baseando-se em dados de treino, incluindo dados pessoais, que são extraídos sem consentimento e a uma escala monumental", disse Likhita Banerji.

Os preconceitos raciais, de género e culturais são características persistentes nos sistemas de IA generativa, um produto dos dados de treino que são maioritariamente retirados da web e, portanto, poluídos com os preconceitos do mundo real que prejudicam as comunidades historicamente marginalizadas. Adicionalmente, os sistemas de IA generativa representam riscos para o direito à liberdade de pensamento, uma vez que são capazes de influenciar os pensamentos dos utilizadores e moldar as suas crenças pessoais através de sugestões preditivas. Isto aplica-se especialmente a modelos maiores que dependem de dados de treino expansivos.

Elevados custos ambientais
À medida que a escala e a velocidade de desenvolvimento aumentaram nas empresas de IA generativa, aumentaram também os requisitos de infraestruturas e os custos ambientais associados.

As maiores necessidades de processamento dos modelos de maior dimensão exigem chips com maior consumo energético, centros de dados maiores e, consequentemente, mais energia e água para a sua operacionalização. A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo nas comunidades historicamente marginalizadas, uma vez que as terras e os recursos pertencentes a estas comunidades são explorados para construir centros de dados e satisfazer os requisitos de processamento.

O próprio relatório de sustentabilidade da Google de 2024 observou um aumento impressionante de 48% nas emissões de gases com efeito de estufa da empresa desde 2019, atribuível às emissões dos centros de dados e da cadeia de abastecimento. Da mesma forma, as emissões da Microsoft aumentaram 29% entre 2020 e 2024, atribuíveis aos centros de dados que realizam processos de suporte à IA.

A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo para as comunidades historicamente marginalizadas, visto que as terras e os recursos que pertencem a estas comunidades são explorados para construir centros de dados (data centres) e cumprir os requisitos de processamento.

O uso intensivo de recursos na produção de IA generativa levou a que comunidades desde Cerrillos, no Chile, e Querétaro, no México, até ao Arizona, nos Estados Unidos da América, resistissem à instalação de centros de dados em áreas que já são fortemente afetadas por secas e escassez de eletricidade.

Como parte do seu processo de investigação, a Amnistia Internacional contactou por escrito a Google, OpenAI, Meta, Stability AI, Midjourney e DeepSeek, dando-lhes a oportunidade de responder às conclusões do relatório, que afirma que os seus modelos dependem de web scraping ilegal, entre muitas outras preocupações relacionadas com direitos humanos.

A Amnistia Internacional apela aos Estados para que proíbam os sistemas independentes de IA generativa que foram construídos com recurso a web scraping ilegal, definido como a recolha massiva e em larga escala de dados de treino através da web. As empresas devem cessar imediatamente a prática de extração ilegal e não consensual de dados pessoais na web para fins de treino de IA, e os Estados devem responsabilizar as empresas pelo seu envolvimento em quaisquer abusos de direitos humanos ligados às suas escolhas comerciais e de conceção.

Contexto
O relatório fornece uma análise de direitos humanos sobre o 'pipeline de dados' que alimenta os produtos de IA generativa, incluindo as fases de captura, análise e processamento de dados que são críticas para o funcionamento geral destes sistemas. Especificamente, isto envolve focar a atenção nos parâmetros e nas implicações das escolhas de conceção feitas em relação aos dados de treino dos modelos de IA generativa, com especial incidência nos métodos e fontes de recolha de dados, processamento de dados, escala dos modelos e resultados de dados (outputs).

A Amnistia Internacional define ferramentas independentes de IA generativa como produtos que são desenvolvidos, implementados e comercializados única e especificamente pelas suas capacidades de IA generativa, tais como chatbots de IA, geradores de imagem/vídeo/áudio/texto, entre outros.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ilwad Elman - Foco e Filosofia

"O colapso ecológico e o colapso da governação estão intrinsecamente ligados. Eles reforçam-se mutuamente. E as consequências não são apenas locais. São globais." - Ilwad Elman

Ilwad Elman é uma das mais influentes ativistas somali-canadianas da atualidade, centrando a sua atuação na intersecção entre a paz, a segurança e os direitos humanos.  Filha de pais também eles ativistas, Ilwad, nascida em 1989, na Somália, viveu parte da sua juventude no Canadá, mas decidiu regressar à Somália em 2010 para se juntar à sua mãe, Fartuun Adan, na gestão do Elman Peace and Human Rights Centre. Este centro foi fundado em memória do seu pai, Elman Ali Ahmed, um pacifista assassinado em 1996 pelo seu trabalho de reabilitação de jovens afetados pela guerra.

Em 2010, quando regressaram, o conflito ainda era intenso e a maioria das regiões de Mogadíscio e do Centro-Sul da Somália haviam sido perdidas para o controle do grupo terrorista Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Gradualmente, a organização Elman Peace foi pioneira em toda a Somália nas prioridades temáticas sobrepostas de paz e justiça, clima e segurança, direitos humanos e proteção, questões de género e igualdade, educação, meios de subsistência e criação de empregos.

Em 20 de novembro de 2019, as autoridades locais confirmaram que uma de suas irmãs, Almaas Elman, que também havia retornado à Somália como trabalhadora humanitária, foi morta a tiros num carro, perto do Aeroporto Internacional Aden Adde, em Mogadíscio

Ao longo da sua carreira, Ilwad destacou-se pela implementação de programas inovadores de desarmamento e reintegração social, focando-se especialmente na recuperação de ex-crianças-soldado e na proteção de mulheres sobreviventes de violência sexual. O seu trabalho ganhou uma dimensão global através do seu envolvimento como conselheira das Nações Unidas, onde tem defendido que a estabilidade política não pode ser dissociada da justiça social e, cada vez mais, da sustentabilidade ambiental.

Como sugere a citação na imagem, Elman é uma das vozes líderes na sensibilização para a segurança climática. Ela argumenta que a degradação ambiental e a escassez de recursos provocada pelas alterações climáticas e desigualdade promovidas por políticas belicistas e de lavagem verde, exacerbam os conflitos armados, principalmente no Sul Global e alimentam a sua instabilidade política, tornando a justiça ecológica um pilar fundamental para uma paz duradoura.

Pelo seu impacto humanitário, foi já nomeada em várias ocasiões para o Prémio Nobel da Paz, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas na resolução de conflitos em contextos complexos.

Recentemente, o seu percurso académico e contributo para a paz foram reconhecidos com distinções honorárias, incluindo um Doutoramento Honoris Causa em Direito (LL.D.) pela Carleton University, em reconhecimento pelo seu trabalho humanitário e liderança global.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Razan Al Mubarak - Foco e Filosofia

"O futuro do nosso planeta — o nosso futuro — dependerá da nossa capacidade de trabalhar não apenas entre setores, mas também entre geografias e entre culturas." - Razan Al Mubarak

Razan Al Mubarak nasceu em 1979, nos Emirados Árabes Unidos. Razan Al Mubarak é uma líder ambiental e gestora pública reconhecida pelo seu papel fundamental na proteção da biodiversidade e na luta contra as alterações climáticas.
𝐀𝐥 𝐌𝐮𝐛𝐚𝐫𝐚𝐤 foi incluída na lista das 𝟏𝟎𝟎 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐈𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟒 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐢𝐦𝐞, consolidando o seu estatuto como uma voz essencial para o futuro do planeta.
Al Mubarak tem um mestrado em Compreensão Pública das Alterações Ambientais pela University College London e uma licenciatura em Estudos Ambientais e Relações Internacionais pela Tufts University.

Em setembro de 2021,fez história ao ser eleita Presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para um mandato de 4 anos tornando-se a segunda mulher a liderar a organização nos seus 75 anos de história e a primeira do mundo árabe 

Percurso Profissional e Liderança
O seu impacto é sentido tanto a nível nacional como internacional:
  1. Agência do Ambiente de Abu Dhabi (EAD): actuou como Diretora-Geral, sendo a pessoa mais jovem a assumir este cargo. Sob a sua liderança, a agência expandiu significativamente os seus esforços na proteção de espécies ameaçadas e na gestão de recursos naturais.
  2. Fundo Mohamed bin Zayed para a Conservação de Espécies: é  a Diretora Executiva desta fundação, que já apoiou milhares de projetos de conservação em mais de 160 países, focando-se em salvar espécies da extinção.
  3. COP28: em 2023, desempenhou o papel crucial de Campeã de Alto Nível das Nações Unidas para as Alterações Climáticas na COP28, que decorreu no Dubai. Nesta função, foi a ponte entre o governo e os intervenientes não estatais (cidades, empresas e sociedade civil).
Foco e Filosofia
Razan Al Mubarak é uma defensora acérrima de soluções baseadas na natureza. O seu trabalho destaca-se por:
  1. Inclusão: defende que a conservação deve incluir as comunidades locais e os povos indígenas como guardiões da biodiversidade.
  2. Multidisciplinaridade: combina a conservação científica com estratégias económicas e políticas públicas eficazes.
  3. Identidade de Género: É uma voz ativa no empoderamento feminino em cargos de decisão ambiental.
"A conservação não é apenas sobre proteger a natureza de nós próprios; é sobre proteger a natureza para nós próprios." — Razan Khalifa Al Mubarak

Reconhecimento
 Em 2018, o Fórum Económico Mundial nomeou-a Jovem Líder Global do Fórum. Em 2013, a Câmara de Comércio Americana de Abu Dhabi atribuiu a Al Mubarak o Prémio Mulheres nos Negócios.

Documentário - Leo from Chicago


1. Documentário do Vaticano
O documentário "Leo from Chicago", realizado pelo cineasta James Keach, é um retrato profundamente humanista e comovente que narra a extraordinária trajetória de Leo, um homem que viveu durante décadas nas ruas de Chicago. Longe de ser uma abordagem assistencialista, Keach utiliza a sua lente para capturar a essência de um indivíduo que, apesar de mergulhado na pobreza extrema e na invisibilidade social, nunca abandonou a sua dignidade ou a sua fé inabalável. Em Chicago, Leo era conhecido não apenas pela sua condição de sem-abrigo, mas pela sua inteligência, pela doçura do seu trato e por uma resiliência silenciosa que o tornava uma figura respeitada na sua comunidade urbana.

A narrativa ganha uma dimensão quase transcendente quando descreve como Leo chegou ao Vaticano. Através de uma rede de amizades e do apoio de pessoas que reconheceram nele uma luz espiritual invulgar, Leo foi convidado a viajar até Roma. Este percurso simboliza um contraste visual e emocional poderoso: a transição das calçadas frias e hostis do Midwest americano para a grandiosidade secular e o mármore dos palácios pontifícios. O documentário culmina no encontro simbólico entre Leo e a cúpula da Igreja Católica, personificando a visão de uma "Igreja para os pobres" e demonstrando que a verdadeira riqueza não se encontra na opulência dos edifícios, mas na pureza de coração de quem nada possui. É uma obra elegante que nos recorda que, independentemente das circunstâncias materiais, a essência humana permanece sagrada.

2. Outro Documentário: Robert Prevost - De Chicago ao Papa Leão XIV
Um Papa diferente de todos os outros. Na primavera de 2025, o mundo assistiu ao fumo branco a subir sobre a Basílica de São Pedro, assinalando um novo capítulo na história católica. O homem escolhido: Robert Prevost — um antigo coroinha de Chicago, missionário no Peru e humilde frade agostiniano. Agora, é o Papa Leão XIV, o primeiro norte-americano a liderar a Igreja Católica global.

Neste documentário aprofundado traça a vida extraordinária do Papa Leão XIV, desde a sua infância cheia de fé no coração da América até aos bairros poeirentos do Peru, aos corredores do Vaticano e, finalmente, à varanda papal. Testemunhe como um construtor de pontes moldado pela compaixão, justiça e humildade ascendeu para pastorear 1,4 mil milhões de almas.

Através de uma narrativa cinematográfica e de uma rica perceção histórica, exploramos o homem, a missão e a mensagem por detrás de Leão XIV — um Papa que convoca o mundo para a unidade, a paz e a renovação missionária.

Mais de 40 organizações pedem apoio do Brasil a resolução da ONU sobre clima


Mais de 40 organizações da sociedade civil, incluindo a Conectas Direitos Humanos, enviaram uma carta ao governo brasileiro pedindo apoio à resolução de acompanhamento da Opinião Consultiva do Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) sobre as obrigações dos Estados diante da crise climática. A proposta será discutida na Assembleia Geral das Nações Unidas em 22 de abril.

A iniciativa é liderada por Vanuatu, com apoio de um grupo inter-regional de países, e busca transformar o parecer jurídico da corte em ações concretas de cooperação internacional, incluindo transição justa para longe dos combustíveis fósseis, adaptação climática e respostas a perdas e danos.

A carta foi enviada ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. As organizações pedem que o país participe das negociações e apoie a adoção de uma resolução ambiciosa.

Link para o documento na íntegra (PDF): Carta à Missão Brasileira na ONU - TIJ e Crise Climática

terça-feira, 7 de abril de 2026

US is ‘using Mexico as a garbage sink’ leading to ‘toxic crisis’, UN expert says


Mexico is facing a “toxic crisis” and has become a “garbage sink” for the US, exposing Mexican communities to dangerous pollution, a UN expert has warned.

In an interview with the Guardian and Quinto Elemento Lab, an investigative outlet, Marcos Orellana, an environmental specialist, said pollutants ranging from imported waste to dangerous pesticides were affecting people’s right to live healthy lives.

Orellana, whose title is UN special rapporteur on toxics and human rights, conducted an 11-day investigative mission in Mexico last month to learn about toxic threats facing its population. He said he found lax environmental standards and a lack of oversight, which have allowed pollution to accumulate over the years.

“Where standards are weak, what you get is legalized pollution,” he said, adding that imports of hazardous and plastic waste from the United States were worsening the situation.

“US overconsumption and economic activity are using Mexico as a garbage sink.”

The rapporteur said there were more than 1,000 contaminated locations officially recorded in Mexico’s National Inventory of Contaminated Sites, many of which he said had become “sacrifice zones”, where diseases such as cancer, and medical events such as miscarriages, were normalized.

In a preliminary report summarizing his visit, he cited factories spewing hazardous waste into the Atoyac River in Puebla, huge industrial pig farms contaminating drinking water on the Yucatan peninsula and a decade-old mining chemical spill that continued to affect health in communities around the Sonora River.

He said many of these situations left residents struggling with dire health effects.

A resident collects water outside their home in the Arizpe community, Sonora state, Mexico, in 2014, when a copper mine leaked 40,000 cubic meters of sulfuric acid into the Sonora River, seriously polluting the water way. Photograph: Héctor Guerrero/AFP/Getty Images

“As I heard during one meeting: living in a sacrifice zone means losing the right to die of old age,” he wrote.

He cited one place he visited, the industrial corridor of Tula in the central Mexican state of Hidalgo, where steel plants, cement factories and petrochemical facilities operate near a river polluted by industrial waste and untreated sewage from Mexico City. He said proposals to bring in additional waste for recycling would only add to an already devastating environmental burden on communities there.

Meanwhile, companies are not held responsible for preventing, mitigating and repairing the damage, he said.

The result, he said, was the “legalized poisoning of people”.

The rapporteur highlighted the influx of plastic waste from the United States. He said once this waste crosses the border, there is often little clarity about its final destinations. In addition, he said he was concerned that microscopic plastic particles had been detected in rivers such as the Tecate in Baja California, the Atoyac in Puebla and the Jamapa in Veracruz.

This view shows a section of the Pemex thermoelectric plant and refinery in Tula de Allende, Hidalgo state, Mexico, in August 2024. 

Government records show the US ships hundreds of thousands of tons of hazardous waste to Mexico each year, including lead-acid car batteries, as well as common scrap such as plastic, paper and metal for recycling. Environmental groups have questioned whether the country is equipped to handle all this without it leading to pollution.

Residents in Monterrey, which serves as a US manufacturing hub and suffers some of the worst air pollution in North America, welcomed the rapporteur’s calls for more attention to the health of Mexico’s people.

María Enríquez, a mother and activist in Monterrey, who co-founded the environmental group Comité Ecológico Integral, warned that poor air quality has become part of daily life in the city, and residents suffer from rhinitis, eye irritation and asthma attacks.

“We have learned to live sick, especially with respiratory illnesses,” she said.

Guadalupe Rodríguez, director of a network of childcare centers in Monterrey, agreed, saying children in her nursery program were also affected.

“Families consider it normal for children to have constant coughing,” said Rodríguez. She called on the government to do more to enforce Mexico’s constitutional guarantee of a healthy living environment, especially for the most vulnerable. “If they are not protected, the right to health is not being guaranteed.”
People take part in a protest demanding the closure of the Pemex refinery, blaming it for polluting the air, in Monterrey, Mexico, in January 2024.

The rapporteur’s visit, at the invitation of the Mexican government, comes at a time when toxic and hazardous waste are coming under increasing scrutiny in the country.

In Monterrey, residents have been demanding government action to reduce heavy metal pollution, much of it emitted in the air by factories that are manufacturing goods for the US or recycling hazardous US waste.

Already, officials in President Claudia Sheinbaum’s administration have acknowledged that regulatory standards, such as rules for how much pollution factories can emit, are out of date, and have announced plans to strengthen them.

In an interview, Mariana Boy Tamborrell, Mexico’s federal attorney for environmental protection, said her agency had reached a regulatory “turning point”, and would start requiring industries to remediate environmental damage they caused. Her agency is rolling out a new air monitoring system to detect emissions coming from specific facilities, starting in an industrial corridor of Monterrey.

“Then there will be no room for ‘it wasn’t me,’” she said. “We will be able to clearly identify the source.”

The rapporteur said Mexico could adopt restrictions on the import of hazardous waste as a measure to address part of the crisis. He noted that some countries had chosen to ban such imports to avoid becoming destinations for international waste, without undermining their participation in global trade.

Waldo Fernández, a Mexican senator, has already introduced legislation to more strictly regulate imports of waste into Mexico for recycling. The law would prohibit importing waste if it has greater environmental impacts in Mexico than allowed in its country of origin.

Mexico “must not become a dumping ground for toxic waste or a recipient of pollution under commercial pressures”, said Fernández.

The rapporteur also said the upcoming review of the free trade agreement between Mexico, the US and Canada represented an opportunity to strengthen environmental standards and their enforcement.

If they did not, “economic pressure will worsen the toxic crisis”, he said.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Gigantes globais da carne são forçados a reduzir as alegações enganosas sobre o clima



No final de 2025, um acordo judicial histórico nos EUA colocou a gigante da carne Tyson Foods e as suas alegações climáticas exageradas sob um escrutínio sem precedentes.

O processo, interposto pelo Environmental Working Group (EWG) , representado pelo Animal Legal Defense Fund , Earthjustice, Edelson PC e FarmSTAND, questionou a promessa da Tyson de atingir emissões líquidas zero de gases com efeito de estufa até 2050 e o seu marketing de "carne de bovino climaticamente inteligente", incluindo a linha Brazen Beef, agora descontinuada, anunciada como "a primeira carne de bovino amiga do clima com uma redução de 10% nas emissões de gases com efeito de estufa". O cientista ambiental Matthew Hayek, da Universidade de Nova Iorque, questionou a credibilidade científica de alegações tão precisas sobre as emissões e se os consumidores poderiam realmente ter a certeza de que os seus bifes teriam emissões mais baixas em comparação com os produtos de carne de bovino convencionais. Como parte do acordo, a Tyson concordou em deixar de descrever a sua carne de bovino como "emissões líquidas zero" ou "climaticamente inteligente" durante cinco anos, a menos que estas alegações sejam comprovadas por provas verificadas por especialistas, embora a empresa ainda insista que a decisão "não representa qualquer admissão de culpa".

Os dados destacados pelo EWG pintam um quadro negro das prioridades dentro da corporação: segundo o relatório, a Tyson gasta menos de 0,1% da sua receita anual em esforços de redução de emissões, principalmente em investigação, o que equivale a cerca de 50 milhões de dólares de um total aproximado de 53 mil milhões de dólares, enquanto gasta cerca de três vezes mais em publicidade . Durante este período, o EWG estima que as emissões de gases com efeito de estufa da Tyson superam as de países inteiros como a Áustria ou a Grécia, sendo que a produção de carne de bovino é, por si só, responsável por 85% da sua pegada de carbono.

O setor da criação de animais em geral continua a ser um dos maiores poluidores climáticos, com uma estimativa de 12% a 19% de todos os gases com efeito de estufa causados ​​pela atividade humana ligados aos animais explorados para alimentação, sendo a carne de bovino apontada como particularmente prejudicial. Outras corporações têm-se apoiado na marca “carbono neutro”, frequentemente sustentada por compensações em vez de cortes profundos na produção, enquanto a JBS, outro gigante global da carne, foi recentemente pressionada pelo procurador-geral do estado de Nova Iorque a baixar a sua mensagem de “Emissões Líquidas Zero até 2040” para uma mera “meta” ou “ambição” e a investir 1,1 milhões de dólares em programas de agricultura climática inteligente. Matthew Hayek, da Universidade de Nova Iorque, que há muito critica as chamadas narrativas sobre carne amiga do clima, acolheu bem o escrutínio, dizendo à Corporate Knights : "10% parece uma redução de emissões tão pequena que está bem dentro da margem de erro.
Duvido que alguém tenha informações que possam 'provar' que, quando um consumidor vai ao supermercado, está realmente a consumir menos 10% de emissões do que o bife que está ao lado." 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Países em desenvolvimento lideram culturas geneticamente modificadas no mundo

Fonte: aqui

De 2012 a 2024, os países em desenvolvimento ultrapassaram os países industrializados em hectares de culturas biotecnológicas (OGM), segundo o relatório do ISAAA. A estratégia foca estabilidade económica, resiliência climática e segurança alimentar.

Entre 1996 e 2011, os países industrializados foram pioneiros na adoção de culturas GM (geneticamente modificadas). A partir de 2012, porém, o cenário global mudou: os 26 países em desenvolvimento passaram a deter a maioria da área plantada, com 57%, enquanto cinco países industrializados representaram 43%.

O relatório Global Status of Commercialized Biotech/GM Crops in 2024 (ISAAA Brief 57) destaca que esta mudança é motivada por políticas que privilegiam estabilidade económica, adaptação às alterações climáticas e segurança alimentar a longo prazo. Além disso, agricultores em países em desenvolvimento obtêm maior retorno financeiro por cada dólar investido do que os seus homólogos nos países industrializados.

Também há um artigo científico de livre acesso, que aborda a mesma problemática Global trends in the commercialization of genetically modified crops in 2024

O lado B da Agricultura Intensiva

quarta-feira, 25 de março de 2026

Melinda Janki: Como enfrentamos uma gigante petrolífera - e vencemos


As empresas petrolíferas podem parecer invencíveis, mas são mais vulneráveis ​​do que se imagina, afirma a advogada Melinda Janki, especialista em justiça climática e ambiental. Ela conta a história de como enfrentou a ExxonMobil no seu país natal, a Guiana, conquistando vitórias históricas contra a gigante petrolífera — e provando que podemos transformar as leis existentes em ferramentas poderosas para a mudança.

"Se intentar uma ação judicial por motivos ambientais e perder, não deverá suportar as custas da outra parte." - Melinda Janki

domingo, 22 de março de 2026

Pobreza de mobilidade: o que significa e como Portugal a quer eliminar. Não é aceitável uma pessoa ter cinco apps para andar de transportes públicos, é desmotivador


Com apenas 14% dos portugueses a usar transporte público e 66% dependentes do automóvel, Cristina Pinto Dias, Secretária de Estado da Mobilidade, alerta para desigualdades profundas entre litoral e interior, onde há crianças que “não podem ficar à tarde para jogar futebol ou aprender piano porque depois não têm transporte para voltar para casa”.

A resposta passa por reforçar a ferrovia, expandir metros, renovar material circulante e avançar com a alta velocidade, mas também por soluções flexíveis como transporte a pedido e tarifários sociais.

“O transporte público está a perder cota modal e o transporte individual a aumentar. Ou seja, 14% das nossas pessoas anda de transporte público, mas 66% das nossas pessoas anda em transporte individual. O ideal seria o contrário. 88% das nossas pessoas estão concentradas em 40% do nosso território e 12% das nossas pessoas dispersas em 60% do nosso território, o que significa que a política pública de mobilidade não é uma receita única que se aplica a todo o país”, explica a governante.

Cristina Pinto Dias sublinha que o país vive uma “revolução” no investimento público, mas que o grande salto depende da integração tecnológica: “Não é aceitável que uma pessoa tenha cinco apps, uma para andar de comboio, outra de metro, outra de Transtejo.” E acrescenta: “Se eu quero trazer pessoas para o transporte público, tenho que convidar de tapete vermelho: ‘Venha para o transporte público, vai ser bem servido.’

A secretária de estado sublinha mesmo a existência de uma revolução dentro do transporte público, “com metas muito concretas”. E detalha: “Estamos a fazer uma expansão das redes de metro, estamos a comprar comboios novos para o próprio metro. Já aqui foi dito neste podcast também pelo presidente da Transtejo, fizemos uma aquisição de 10 navios 100% elétricos para nos fazer a travessia do Tejo. E sim, nós estamos a fazer um investimento, como não há memória, na ferrovia, resultado de longos e prolongados anos de desinvestimento. Estamos a fazer um investimento só para material circulante, incluindo já a alta velocidade de 1,8 mil milhões de euros.”

A integração da bilhética e da informação em tempo real é, para a Secretária de Estado, o passo decisivo para atrair mais pessoas para o transporte público e garantir equidade territorial. Só depois disso será possível pensar num tarifário verdadeiramente nacional.

quarta-feira, 11 de março de 2026

MacKenzie Scott gave away more than $7 billion last year—but her secretive style got her snubbed from a top donors list


Thanks to multiple historic donations last year and an eye-popping volume of philanthropic gifts, MacKenzie Scott has etched her way to becoming one of the world’s most generous philanthropists.

But the Chronicle of Philanthropy doesn’t see it that way.

Although Scott donated more than $7 billion to more than 120 organizations last year through her philanthropic organization, Yield Giving, the Chronicle didn’t recognize her on its list of the top 50 donors this year.

Scott’s donations in 2025 alone eclipsed that of her ex-husband Jeff Bezos’ lifetime giving, but the billionaire philanthropist’s playbook got in the way of her being recognized on the list. Scott is notoriously secretive and under-the-radar with her donations, never seeking press coverage for her gifts and rarely offering insights into the donations she’s made. 

“MacKenzie Scott is among the notable absences on the Philanthropy 50 list,” according to the Chronicle. “While it is possible she made gifts to her donor-advised funds that would have earned her a spot on the Philanthropy 50, she and her representatives declined to provide such information to the Chronicle.”

It’s essentially impossible to contact Yield Giving (Fortune has tried and failed innumerable times to receive more information about donations she’s made in the past). So, confirming donations for a list like the Chronicle compiles wasn’t possible. Still, Scott has appeared on other generous donor lists, including Forbes, which recognized her for the speed at which she gives and the amount of her net worth she’s donated (at least 40%).

Since 2020, Scott has donated $26 billion, while Forbes currently estimates that Bezos and his wife, Lauren Sánchez Bezos, have given about $4.7 billion to charity over their lifetimes. That’s just about one-fifth of what Scott has donated since her 2019 divorce from Bezos, when she received about 4% of Amazon stock, amounting to roughly $36 billion to $38 billion at the time. Scott’s net worth (currently $38.9 billion) continues to be buoyed by the ever-increasing upward trajectory of Amazon shares, though.

“Scott awarded grants totaling about $7 billion to at least 120 charities last year through her Yield Giving fund, but she continues to decline to provide details about how much money she is funneling into the grant maker,” the Chronicle continued.

Scott has donated 40% of her net worth, while Bezos has donated less than 2% of his.

Still, critics find the Chronicle’s exclusion bizarre.
“I find it odd that MacKenzie Scott isn’t on this list,” Hans Peter Schmitz, the Bob and Carol Mattocks distinguished professor in nonprofit leadership at North Carolina State University, told The Conversation. “She says she gave $7.1 billion in 2025. If she had met the Chronicle of Philanthropy’s criteria, that would have landed her in first place by far.”

Schmitz recognizes, though, the Chronicle’s methodology knocked Scott from the list since she’s “never provided sufficient information about her generosity since becoming a major donor on her own, following her 2019 divorce from Amazon founder Jeff Bezos.”

“And that leaves her off the list year after year,” Schmitz said.

How MacKenzie Scott makes donations
Scott can be considered one of the most generous philanthropists in the world, but she’s also the most mysterious—so much so, some donors have even thought donation emails were spam. That has to do with the fact that Yield Giving typically contacts organizations to offer a donation rather than the other way around. Still, her process for sussing out organizations is extensive, sources have told Fortune.

The hallmark of Scott’s giving style is making unrestricted gifts, meaning organizations can use the donations however they choose. That comes after a thorough due diligence process, though, Anne Marie Dougherty, CEO of the Bob Woodruff Foundation, told Fortune. Scott donated $15 million to the veteran-focused nonprofit organization in 2022 and made a subsequent $20 million donation in fall 2025. The $15 million gift was the largest in history at the organization, which was founded in 2006—the same year military reporter Bob Woodruff was severely injured by a roadside bomb in Iraq.

The due diligence process for Scott included sharing information such as the organization’s strategic plan, audited financials, business plans, organization chart, and grant-making process, Dougherty said. But after the donation was made, Yield Giving was very hands-off, she added.

“Unlike traditional funding processes that often involve lengthy applications, specific restrictions, and reporting requirements, her style empowers organizations like ours to determine how best to direct funds quickly and innovatively to address pressing issues,” Noni Ramos, CEO of Housing Trust Silicon Valley, told Fortune in late 2024, when her organization received a $30 million gift from Scott.

The fact that Scott doesn’t make a big to-do about her donations and largely allows organizations to use gifts however they see fit goes back to her overall philanthropic philosophy: She’s just one cog of a generosity wheel, and works to inspire others as others have inspired her.

“[The] dollar total [I’ve donated] will likely be reported in the news, but any dollar amount is a vanishingly tiny fraction of the personal expressions of care being shared into communities this year,” Scott wrote in a December 2025 essay. “It is these ripple effects that make imagining the power of any of our own acts of kindness impossible.”

Indeed, every time she’s made a donation, she’s thought about the generosity from others she’s experienced in her life, including free dental work from a local dentist in college when she was using denture glue to get by—and her college roommate who loaned her $1,000 so she wouldn’t have to drop out during her sophomore year at Princeton University.

“The potential of peaceful, non-transactional contribution has long been underestimated, often on the basis that it is not financially self-sustaining, or that some of its benefits are hard to track,” Scott wrote. “But what if these imagined liabilities are actually assets?”At the Fortune Workplace Innovation Summit, Fortune 500 leaders will convene to explore the defining questions shaping the workforce of the future—delivering bold ideas, powerful connections, and actionable insights for building resilient organizations for the decade ahead.


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domingo, 8 de março de 2026

Sangue e Petróleo: A Ecologia Política do Fascismo Fóssil Contemporâneo

Robin Mackay (esquerda) e Mark Alizart (direita)

A emergência do conceito de carbofascismo (ou fascismo fóssil) marca uma rutura analítica necessária na compreensão das extremas-direitas contemporâneas. Ao contrário do ecofascismo tradicional, que instrumentaliza a preservação da natureza para justificar a exclusão xenófoba e o controlo populacional, o carbofascismo manifesta-se como uma defesa militante e autoritária da economia extrativista. Esta ideologia não é apenas um subproduto da ignorância científica; é uma reforma identitária que funde a supremacia branca e o destino das nações industrializadas ao consumo desenfreado de hidrocarbonetos. No centro desta tese, Andreas Malm e o Zetkin Collective argumentam que o investimento histórico no capital fóssil criou uma estrutura de dominação que as elites globais não estão dispostas a abandonar, mesmo perante o colapso biosférico.

O fenómeno assenta naquilo que a investigadora Cara Daggett denomina como petromasculinidade. Nesta ótica, a queima de combustíveis fósseis é interpretada como um símbolo de virilidade, autonomia e poder patriarcal. A transição para energias renováveis não é vista apenas como uma mudança técnica, mas como uma ameaça à própria identidade do "homem ocidental" e à sua posição de domínio sobre a natureza e os povos do Sul Global. Assim, o negacionismo climático deixa de ser um debate sobre factos para se tornar uma guerra cultural, onde o carro a gasóleo e a extração de carvão são elevados a totens de liberdade contra uma suposta "tirania ecológica" das instituições transnacionais.

Historicamente, o fascismo sempre teve uma relação ambivalente com a tecnologia e a natureza. No entanto, o fascismo fóssil do século XXI radicaliza esta ligação ao defender a continuidade do status quo energético através da repressão estatal e da violência contra os movimentos de justiça ambiental. À medida que os efeitos do aquecimento global intensificam as crises migratórias, o carbofascismo propõe uma solução de "fortaleza": garantir o acesso aos recursos energéticos para os grupos dominantes enquanto se militarizam as fronteiras contra as vítimas da degradação ambiental que o próprio sistema produz. 

Para Alizart, a negação das alterações climáticas por parte de certas elites não é ignorância, mas uma estratégia deliberada. O carbofascismo descreve um sistema onde o colapso ambiental é utilizado para justificar regimes autoritários, o fecho de fronteiras e a exclusão de populações inteiras "excedentes" que não caberão nos recursos escassos do futuro. Alizart utiliza o termo termoplítica para explicar como a gestão do calor e da energia se tornou a nova ferramenta de controle social. No cenário do carbofascismo, quem controla o carbono e a energia controla a vida e a morte.

Mackay tem um histórico ligado ao CCRU (Cybernetic Culture Research Unit). A sua visão sobre o carbofascismo é matizada pela ideia de que o sistema atual não está "quebrado", mas sim acelerando em direção a uma forma de controle autoritário baseada na escassez de recursos.

Em suma, o "Sangue e Petróleo" representa a fase final de um sistema que prefere o autoritarismo à descarbonização, transformando a geologia em ideologia de sobrevivência seletiva.

Referências Académicas
Alizart, M (2021). The Climate Coup
Daggett, C. (2018). Petro-masculinity: Fueling conspiracy theories and authoritarian desire. Millennium: Journal of International Studies, 47(1), 25-44.
Malm, A., & Zetkin Collective. (2021). White Skin, Black Fuel: On the Dangers of Fossil Fascism. Londres: Verso Books.
Moore, J. W. (2015). Capitalism in the Web of Life: Ecology and the Accumulation of Capital. Nova Iorque: Verso Books.
Staudenmaier, P. (2011). Ecofascism Revisited: Lessons from the German Experience. Porsgrunn: New Compass Press.
Turner, J., & Bailey, C. (2022). "Ecotype": Understanding the extremist environmental transitions. Studies in Conflict & Terrorism.