Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de outubro de 2026

Melhor destino de reforma no estrangeiro já não é na Europa, mas seis dos dez primeiros são europeus


Uruguai lidera um novo ranking global de destinos de reforma, destronando o líder do ano passado, Portugal. Ainda assim, a Europa continua a ser a região mais representada, com seis países no top 10. As Américas ocupam três lugares, enquanto Maurícia fica em segundo lugar.

O índice de reforma de 2026 da Global Citizen Solutions compara 46 programas de residência para reformados e titulares de rendimentos passivos, avaliando qualidade de vida, liberdade de viagem e vias de acesso à cidadania, fiscalidade, processos de candidatura e custos.

Na Europa, os pontos fortes são os elevados padrões de vida, a força dos passaportes e as vias para obter cidadania, embora a carga fiscal mais elevada penalize as pontuações. Espanha, Portugal, Letónia, Andorra, Itália e Grécia entram todas no top 10, com Portugal a descer este ano para o quinto lugar.

Uruguai lidera graças a resultados sólidos nas cinco categorias, em vez de ficar em primeiro lugar numa só. Maurícia surge logo depois, ao combinar um quadro fiscal favorável com bons resultados nos restantes critérios.

O relatório sublinha que o destino ideal depende das prioridades de cada reformado. Menos de quatro pontos separam o primeiro do décimo lugar, o que torna os líderes muito próximos entre si.

Quais são as principais prioridades de quem se reforma no estrangeiro?
A qualidade de vida é o fator com maior peso no índice, seguida da mobilidade e da cidadania, depois da fiscalidade, dos processos de candidatura e dos custos. Esta ponderação reflete, segundo o relatório, as prioridades de uma pessoa típica que se reforma fora do seu país.

A Europa destaca-se na qualidade de vida e na mobilidade, mas obtém classificações mais baixas em matéria de impostos, com grandes diferenças entre programas. As Américas distinguem-se pela acessibilidade e pela fiscalidade favorável, enquanto Maurícia lidera o desempenho africano. No Médio Oriente, os principais atrativos são os baixos impostos e a rapidez de processamento. Os Emirados Árabes Unidos, 19.º no conjunto, ocupam o primeiro lugar nos regimes fiscais preferenciais. Espanha, terceira a nível global, regista também pontuações elevadas em mobilidade e na possibilidade de se mudar com familiares.

Passaportes fortes e vias claras para a cidadania ajudam muitos programas europeus e latino-americanos a obter pontuações elevadas. Os destinos do Golfo oferecem fiscalidade favorável e processos rápidos, mas os respetivos programas de reforma não incluem uma via padrão para a cidadania.

Programas europeus com melhor desempenho no índice de 2026
Os dez programas internacionais de reforma melhor classificados na Europa são os de Espanha, Portugal, Letónia, Andorra, Itália, Grécia, Áustria, Albânia, Chipre e Malta. Todos figuram na metade superior do índice.

Os programas europeus destacam-se sobretudo na qualidade de vida e na mobilidade. A contrapartida está nos impostos. Espanha, considerada o melhor país europeu para viver a reforma no estrangeiro, ocupa o quinto lugar mundial em qualidade de vida e oferece um processo de candidatura relativamente simples, que pode demorar até oito meses. Porém, o país surge em último lugar entre os 46 em matéria fiscal, com tributação mundial, impostos regionais sobre o património e sem regime especial para titulares de vistos.

Portugal surge em segundo lugar na Europa. O país, que liderou a lista global em 2025, caiu este ano para a quinta posição. A descida acompanha o aumento dos anos exigidos para aceder à cidadania. Em maio, o requisito passou de cinco para dez anos para a maioria dos candidatos de fora da UE.
Related


Ainda assim, o país mantém uma classificação global muito elevada, beneficiando de ser uma das principais vias europeias mais acessíveis, com o requisito de rendimento fixado em 920 euros mensais. Portugal regista também boas pontuações em mobilidade, mas o processamento pode demorar até dois anos e a sua posição 41.ª em fiscalidade pode tornar o destino menos atrativo para reformados que privilegiam impostos mais baixos.

Os programas com melhor desempenho fiscal, nomeadamente Malta, Andorra e Chipre, tendem a impor outros requisitos exigentes, como limiares de rendimento elevados, grandes investimentos ou processos lentos. Vários países oferecem ainda regimes opcionais, como a taxa fixa de 7% sobre pensões estrangeiras na Grécia e no sul de Itália.

Os prazos de processamento e os custos variam bastante: a Letónia, terceiro melhor programa europeu, oferece tempos de decisão entre dois e quatro meses e é um dos regimes de menor custo. Em contraste, o processo em Chipre pode ultrapassar dois anos, embora o país aplique uma taxa de 5%, sujeita a condições específicas.

A Irlanda ocupa o primeiro lugar em qualidade de vida no índice. Combina um ambiente de língua inglesa com algumas das classificações mais fortes em segurança e ambiente.

Andorra apresenta as melhores pontuações do índice em segurança e ambiente; ocupa o terceiro lugar mundial em qualidade de vida e oferece impostos baixos, com o imposto sobre o rendimento limitado a 10% e sem tributação sobre o património ou heranças. É também o programa mais caro de todo o índice, ao exigir um investimento local de 1 milhão de euros, além de um rendimento substancial.

Itália e Grécia ocupam, respetivamente, o primeiro e o segundo lugares a nível mundial em mobilidade e cidadania. São também o quinto e o sexto destinos europeus de reforma mais bem classificados. Ambos oferecem opções para reduzir a carga fiscal, mas o requisito de rendimento mensal da Grécia, fixado em 3 500 euros, é um dos mais elevados.

Quanto rendimento mensal é necessário para se qualificar?
Os requisitos de rendimento mensal diferem muito, desde menos de 600 euros na Nicarágua até mais de 9.000 euros no Bahrein. Na Europa, um rendimento inferior a 800 euros mensais pode ser suficiente em Chipre, se outros critérios forem cumpridos, enquanto em Andorra o rendimento mensal tem de ultrapassar 4.500 euros. Para efeitos de comparação, os valores apresentados no gráfico foram convertidos em euros, pelo que podem variar com as taxas de câmbio.

Também é relevante a origem do rendimento. Em alguns casos, os candidatos têm de provar rendimentos passivos obtidos no estrangeiro ou uma pensão; noutros, aceitam-se poupanças ou dividendos. E, mesmo quando o limiar de rendimento é relativamente baixo, alguns regimes exigem igualmente poupanças, depósitos, investimentos ou outros pagamentos iniciais significativos.

Cabo Verde, Namíbia, Chile, Zâmbia e Marrocos ficam fora do gráfico porque o relatório não esclarece se os requisitos de rendimento são mensais. El Salvador também é excluído, já que apresenta limiares distintos para pensionistas e para pessoas que vivem de rendimentos passivos. Nestes países, os requisitos de rendimento situam-se entre 825 e 1 800 dólares.
Em quanto tempo se pode obter um passaporte?

Uma via para a cidadania é comum, mas não está garantida. Segundo o relatório, 24 programas oferecem naturalização em até cinco anos e 17 entre seis e dez anos. Andorra exige 20 anos. Quatro — Malta, Emirados Árabes Unidos, Irlanda e Bahrein — não preveem via padrão através de vistos de reforma ou de rendimentos passivos.

Related

Os prazos mais curtos registam-se na América do Sul: cerca de dois anos na Argentina e aproximadamente três no Uruguai, Paraguai e alguns outros países.

No entanto, 11 países, entre os quais Áustria, Andorra, Emirados Árabes Unidos e Malásia, não permitem dupla nacionalidade, segundo o relatório. Os candidatos podem ter de renunciar à cidadania de origem e, para quem não estiver disposto a fazê-lo, a residência permanente pode ser o limite.
O que oferecem outras regiões

As Américas distinguem-se pela acessibilidade e pela fiscalidade favorável. Brasil, Argentina e Chile oferecem também passaportes fortes e vias relativamente curtas para a cidadania, o que aumenta o apelo da região.

Maurícia é o país africano com melhor desempenho. No Médio Oriente, os principais atrativos são os baixos impostos e o processamento rápido, embora os regimes de reforma não incluam uma via padrão para a cidadania.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A reação do continente: enquanto a Europa trava o turismo especulativo, Portugal fica para trás e entra em autodestruição?

Manifestação "Barcelona no esta en venda" (29/01/2017)
Várias cidades europeias estão a responder à crise da habitação e ao turismo de massa através de intervenções diretas na propriedade, restrições ao alojamento local e estratégias de gestão de fluxos de visitantes, variando entre proibições drásticas, limites de utilização e forte investimento público em habitação. Barcelona anunciou a caducidade de todas as licenças de alojamento turístico em edifícios residenciais até novembro de 2028, com o objetivo de devolver cerca de 10.000 frações habitacionais ao mercado de arrendamento de longa duração. No mesmo sentido, Madrid aprovou o Plan RESIDE, que proíbe apartamentos turísticos individuais em prédios habitacionais no centro histórico, permitindo a atividade apenas a edifícios inteiros dedicados exclusivamente ao turismo.

Outras capitais optaram por impor limites temporais severos para travar a conversão de casas em hotéis informais. Amesterdão restringiu o arrendamento de habitações por particulares a um máximo de 30 dias por ano, reduzindo para 15 dias nas zonas de maior pressão urbana, além de ter congelado a abertura de novos hotéis e limitado o número total de pernoitas anuais na cidade. Paris estabeleceu um teto máximo de 90 dias por ano para o arrendamento da residência principal, associado a exigências estritas de eficiência energética, enquanto Viena aplica um limite idêntico de 90 dias e exige a autorização explícita de todos os condóminos do prédio para qualquer exploração turística.

Paralelamente, cidades históricas recorrem a ferramentas financeiras e regulatórias para combater a sobrelotação do espaço público. Veneza implementou uma taxa de entrada para visitantes de um dia durante as épocas de pico para conter o turismo de passagem sem consumo local, e Florença proibiu a instalação de cofres de chaves nas fachadas do centro histórico por razões de decoro urbano, travando em simultâneo a emissão de novas licenças.

Como alternativa à especulação pura do mercado livre, Viena e Berlim aplicam leis rigorosas contra o uso indevido de habitação para fins não residenciais, sendo que Viena destaca-se por manter mais de 60% da sua população a residir em habitação pública ou cooperativa subsidiada, um modelo que protege o parque habitacional da pressão turística. Em termos comunitários, o novo quadro regulatório europeu obriga as plataformas digitais a partilharem dados mensais com os municípios, simplificando a fiscalização direta do alojamento ilegal.

Na Grécia, na Croácia, na Irlanda e na Chéquia, a resposta ao turismo intensivo assenta igualmente na limitação do alojamento local e na introdução de restrições territoriais severas. A Grécia aplicou um travão total à emissão de novas licenças nos três distritos mais centrais de Atenas e impôs restrições rigorosas à densidade de alojamentos e à construção em ilhas saturadas como Santorini e Mykonos. Para redirecionar o edificado para a população local, o governo grego criou uma isenção total do imposto sobre rendimentos de arrendamento durante três anos para os proprietários que convertam imóveis turísticos em habitação de longa duração.

Na Croácia, a cidade de Dubrovnik proibiu novas licenças de alojamento local no centro histórico e limitou a operação de navios de cruzeiro a um máximo simultâneo de dois barcos e 4.000 passageiros em doca. Além disso, a Lei do Turismo croata exige que a conversão de qualquer apartamento em alojamento turístico seja aprovada por pelo menos 80% dos condóminos do prédio.

A Irlanda focou a sua intervenção em Dublin e nas restantes áreas de elevada pressão habitacional (Rent Pressure Zones), onde passou a ser apenas permitido o arrendamento da residência própria principal. O arrendamento da habitação inteira está sujeito a um teto máximo de 90 dias por ano, sendo que ultrapassar este limite exige uma autorização de alteração de uso do solo (planning permission) que é sistematicamente recusada em áreas urbanas com escassez de casas.

Por fim, a Chéquia aprovou legislação que confere autonomia aos municípios, permitindo que cidades como Praga fixem limites máximos ao número de alojamentos locais por zona e imponham tetos anuais aos dias de exploração, sob a obrigação de registo prévio e identificação transparente dos imóveis em todas as plataformas digitais.

Em França, a resposta ao turismo de massa e à crise habitacional combina legislação nacional estrita, poderes reforçados para os municípios e medidas de justiça fiscal orientadas para travar a rentabilidade da especulação imobiliária. O enquadramento legal francês impõe um teto máximo de 120 dias por ano para o arrendamento da residência principal como alojamento turístico em cidades com mais de 200.000 habitantes ou em zonas de forte pressão habitacional (zones tendues). Para as residências secundárias, a lei exige uma licença especial de alteração de uso emitida pelas câmaras municipais. Em grandes centros como Paris, Bordéus e Nice, esta autorização está sujeita a um rigoroso sistema de compensação: o proprietário que pretenda transformar um imóvel habitacional em alojamento turístico é obrigado a adquirir um espaço comercial no mesmo bairro e convertê-lo em habitação de longa duração, frequentemente com o dobro da área original, o que inviabiliza financeiramente o negócio na maioria dos casos.

Para combater a desigualdade no tratamento do mercado, o parlamento francês aprovou a chamada "Lei Le Meur", que pôs fim às vantagens fiscais historicamente concedidas ao setor. Com esta reforma, o abatimento fiscal aplicado aos rendimentos de alojamentos turísticos não classificados caiu de 71% para 30%, igualando as regras do arrendamento tradicional de longa duração. Adicionalmente, esta legislação conferiu nova autonomia aos municípios, permitindo-lhes reduzir o limite máximo de arrendamento de residências principais de 120 para 90 dias por ano.

Ao nível local e regional, autarquias como a de Nice implementaram o registo obrigatório com código QR nos anúncios digitais, aplicaram quotas máximas de licenças por bairro no centro histórico e exigiram a aprovação expressa das assembleias de condóminos para o uso turístico de frações residenciais. Nas regiões de montanha, como a zona dos Alpes e Chamonix, foram criadas quotas territoriais que proíbem a conversão de novas construções em alojamento local, reservando o edificado para trabalhadores e residentes permanentes. Em paralelo, a regulamentação nacional proíbe progressivamente o arrendamento turístico de imóveis com fraco desempenho energético, forçando os proprietários a realizarem obras de reabilitação sob pena de exclusão do mercado.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Iamnoone - Into the Void (feat. Kay-Chi)


A própria banda descreve a música como uma espécie de "limiar" ou uma "anomalia gravitacional". O significado central gira em torno da desconexão entre a mente ou o espírito e o corpo físico, além da dolorosa perceção do envelhecimento e da perda de identidade. A letra e o conceito abordam os seguintes temas: "O que nos tornamos quando a âncora do nosso corpo é cortada? (...) Como nos tornamos fantasmas de nós mesmos quando éramos mais jovens?".

Em primeiro lugar, há uma crise de identidade, ou seja, a sensação de olhar para trás ou para o próprio corpo abaixo e já não se reconhecer, como se o indivíduo fosse um mero espetador da sua própria vida ("I see myself below / Still breathing, soft and slow"). Além disso, explora-se o vazio da nostalgia, visto que o "vazio" (void) ao qual o título se refere não é totalmente deserto, mas sim povoado por memórias. É aquele sentimento de nostalgia profunda em que se flutua pelo passado, percebendo que essa versão antiga já se transformou em poeira. Por fim, nota-se um desapego da matéria, com um tom esotérico e poético de quase-morte ou emancipação espiritual, onde a voz lírica flutua no silêncio do éter, deixando para trás as amarras do mundo físico. É uma música densa, introspetiva e que funciona quase como um espelho existencial envolvido por sintetizadores analógicos impecáveis.

Há aqui uma belíssima mistura dos dois mundos, mas a balança pende massivamente para a pura poesia e para a metáfora artística. No entanto, o que torna a letra e o conceito tão fascinantes é que a arte, muitas vezes, descreve de forma poética fenómenos reais que a ciência estuda em laboratório.

Se analisarmos o texto à luz da ciência atual, a "desconexão mente-corpo" descrita na letra, onde o indivíduo olha para o próprio corpo abaixo, corresponde muito de perto ao que a neurociência estuda como Experiências Fora do Corpo (Out-of-Body Experiences) ou Experiências de Quase-Morte (EQM). Para a ciência, isto não se trata de uma emancipação espiritual, mas sim de uma falha temporária na junção temporoparietal do cérebro - a região responsável por integrar os nossos sentidos e nos dar a perceção de que estamos dentro do nosso próprio corpo. Quando há falta de oxigénio, stress extremo ou trauma, o cérebro pode baralhar-se e criar a ilusão de que a consciência está a flutuar no éter.

Por outro lado, os conceitos de "anomalia gravitacional" e "vazio" têm, obviamente, uma base na astrofísica, que estuda buracos negros e o vazio cósmico. Contudo, a banda utiliza estes fenómenos físicos como metáforas psicológicas puras para ilustrar a força gravítica da nostalgia e o isolamento da mente. Da mesma forma, a crise de identidade e a dor de ver o próprio corpo envelhecer são temas amplamente documentados pela psicologia do desenvolvimento, que explica como a nossa autoimagem mental tende a ficar estagnada numa versão mais jovem, gerando um choque cognitivo quando nos olhamos ao espelho numa idade avançada.

Em resumo, os iamnoone e o Kay-Chi não escreveram um artigo científico, mas sim pura poesia existencial. O grande mérito deles, e do próprio género Darkwave, é precisamente utilizar a frieza de termos espaciais e científicos para dar forma e beleza às dores mais profundas, analógicas e abstratas da experiência humana.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Haunted House - Deep


Letra
In the corners, where the secrets creep,
You bury your lusts in the heart of sleep.
Whispers of sin that you can’t confess,
Locked in the dark, where the demons rest.

Eyes wide shut, but the visions burn,
Desires so deep, they twist and turn.
Tangled in chains of your own design,
Craving the edge where the darkness binds.

deep, so deep

Fetish of flesh, a forbidden rite,
A dance with the void in the dead of night.
You taste the taboo, it’s bittersweet,
The deeper you go, the more you’re complete.

You drown in the dark, where your fears reside,
No escape from the thrill, no place to hide.
Desire and dread in a twisted embrace,
In the deep, you’ve found your place.

deep so deep

O projeto musical Haunted House, lançado pela editora alemã Cold Transmission Music e concebido pelo músico Philippe Marlat (frequentemente associado à cena eletrónica e darkwave europeia, com fortes ramificações em Itália e França), destaca-se na cena vanguardista de horror abstrato e música eletrónica sombria. No que toca ao estilo musical e visual do tema "Deep", o som de fundo combina elementos de Witch House, Dark Ambient, Industrial e Glitchcore, resultando numa estética musical de vanguarda que recorre a ruídos, batidas distorcidas, sons de estática e frequências desconfortáveis propositadamente desenhadas para gerar ansiedade. Visualmente, o vídeo de animação digital adere à vertente do CGI Surrealista e Voidcore, utilizando uma modelagem 3D intencionalmente rudimentar — ao estilo low-poly ou de jogos de computador antigos — enriquecida com texturas fotorrealistas sobrepostas, como o sangue e os vermes, que visam causar um efeito imediato de asco, estranheza e transe hipnótico.

Relativamente ao significado do vídeo "Deep", e como sucede com a maioria das obras de arte surrealistas e abstratas, não existe uma resposta única ou de "manual", mas a comunidade de arte digital e de horror psicológico costuma interpretá-lo através de metáforas bastante pesadas sobre o subconsciente. Por um lado, a cruz a sangrar representa a espiritualidade corrompida, simbolizando a perda da fé, a culpa religiosa ou o peso do pecado, ao mesmo tempo que mostra o sagrado a ser violado pelo profano, servindo de representação visual de uma mente em sofrimento moral ou espiritual profundo. Por outro lado, a presença dos vermes remete para a decomposição em vida, representando a inevitabilidade da morte, a podridão e a decadência; no contexto do vídeo, estes sugerem que algo dentro da personagem, seja uma memória, um sentimento ou a própria sanidade, está a apodrecer enquanto esta permanece "viva" e se move naquele ritmo mecânico e inexplicável. Por fim, o próprio título "Deep" (Profundo) refere-se ao ato de mergulhar fundo na própria psique, acedendo às partes da mente que habitualmente tentamos esconder, tais como os nossos traumas, medos biológicos, como a aversão a vermes e o medo de sangue, e crises existenciais. Em resumo, o vídeo configura uma representação abstrata de uma mente em colapso ou num estado de depressão profunda, sendo como se o criador tivesse transformado a sensação de agonia interna e de culpa em imagens de um pesadelo computadorizado.

Este poema de Haunted House evoca uma atmosfera gótica, psicológica e intensamente visceral, transitando entre o terror psicológico, o existencialismo e o erotismo sombrio da transgressão. Na filosofia, a influência mais direta reside em Georges Bataille e a sua exploração da relação íntima entre o erotismo, o tabu e a morte, onde o fetiche da carne surge como uma tentativa de alcançar a totalidade existencial através do proibido. Este abismo dialoga com Friedrich Nietzsche e o confronto com a nossa própria escuridão interna, bem como com Sigmund Freud e o conceito de Id, onde os desejos reprimidos e os impulsos de morte e prazer se fundem no confessionário do sono.

Na poesia, o texto ressoa fortemente com as visões de Charles Baudelaire em As Flores do Mal, onde o pecado, a carne e o bizarro se transformam em arte, encontrando eco também no surrealismo violento de Conde de Lautréamont e na obsessão de Edgar Allan Poe pela culpa autoimposta e pelo confinamento da mente.

Esta herança literária e filosófica ganha uma tradução visual e interativa marcante no cinema e nos videojogos. A nível cinematográfico, a referência a "olhos bem fechados" remete imediatamente a Eyes Wide Shut, de Stanley Kubrick, com os seus rituais secretos e desejos reprimidos, cruzando-se com o universo de Hellraiser, de Clive Barker, onde o prazer extremo e a dor se abraçam na escuridão, e com o body horror de David Cronenberg, que explora a fusão entre a carne e a obsessão psicológica. Já no panorama dos videojogos, o paralelo perfeito encontra-se em Silent Hill 2, uma obra-prima sobre a punição autoimposta e monstros que materializam fetiches e traumas reprimidos. A estética gótica e industrial de Vampire: The Masquerade – Bloodlines e a descida literal e metafórica às profundezas da mente em Amnesia e SOMA completam este mosaico de referências, onde o medo e o desejo se tornam uma coisa só.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Silentways - Aeon


Letra
Leave your lips
On my neck
Utterly sweet
Tempting taste
Your honey
Give me
Leave your hands
On my back
Touching me
Thoroughly
So smoothly
Give me
Captivating invitation

Pull me towards you
Dominating exploration
Pull me towards you
Stimulating timeless pacing
Pull me towards you
Fascinating liberation
Pull me towards you

Significado da canção
O significado da canção "Aeon" (termo que remete para um éon, um período de tempo imensurável ou eterno) reside na exploração da dualidade entre o desejo físico e a transcendência temporal. Numa primeira fase, a composição descreve uma entrega e uma intimidade pautadas por uma atração física quase magnética, focando-se explicitamente no toque e no magnetismo dos corpos através de versos como "Leave your lips on my neck" e "Leave your hands on my back". Posteriormente, surge o efeito do tempo através da expressão "timeless pacing", momento em que o refrão transforma essa urgência carnal numa experiência hipnótica e espiritual. O uso da palavra "Aeon" e a alusão a um ritmo estimulante que desafia o tempo sugerem que, perante uma conexão profunda com o outro, a perceção temporal simplesmente desaparece. Deste modo, o plano físico transmuta-se em algo eterno, criando um espaço abstrato onde o tempo exterior deixa de importar e os indivíduos se fundem por completo na melancolia e no transe da música.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

The Theory of the Vulgar Class


On Sunday Donald Trump celebrated his 80th birthday with a cage match on the White House lawn. The match and the events that surrounded it — especially the press conference with UFC fighters, shown above, held on the steps of the Lincoln Memorial — were a desecration of America’s capital, whose monuments and buildings have always endeavored to represent small-r republican virtues. The whole affair was an affront to the values on which this nation was founded and also unspeakably vulgar.

That last criticism may strike some readers as elitist and trivial. Yet the vulgarity that is the hallmark of Trump and his surrounding circle of oligarchs is a symptom of something not at all trivial: The collapse of social norms. As I argued yesterday, these norms historically played a key role in mitigating abuses of power and privilege during the Gilded Age, the last time America suffered from extreme income and wealth inequality (though not nearly as extreme as what we have now).

Norms matter. In his classic book The Theory of the Leisure Class — published in 1899, at the apogee of the Gilded Age — Thorstein Veblen famously argued that much of the behavior of his era’s elite was driven not by the desire to enjoy life but by the desire to impress others. Partly they did this through conspicuous consumption. Thus they built lavish mansions staffed by legions of servants.

However, members of the Gilded Age elite didn’t solely aim to display their wealth. They also tried to appear respectable. There were surely many private affairs and betrayals we will never know about. But the important point is that the super-wealthy of that era presented to the American public an image of being responsible members of society:

John D. Rockefeller and family

The contrast with the public behavior of Trump’s band of uber-wealthy is startling:


In addition to modeling upstanding behavior, the extremely rich of the Gilded Age were expected to have, or pretend to have, some virtues that were part of the aristocratic ideal, including a sense of noblesse oblige displayed by good works. Veblen was quite cynical about philanthropy, yet even he didn’t dismiss it completely, stating that:
The fact itself that distinction or a decent good fame is sought by this method [such as the endowment of a university, public library or museum] is evidence of a prevalent sense of the legitimacy, and of the presumptive effectual presence, of a non-emulative, non-invidious interest, as a consistent factor in the habits of thought of modern communities.
(Veblen’s lasting intellectual influence did not come from his sparkling prose style.)

Today’s oligarchs, by contrast, have largely given up on the old norms of social and individual responsibility. They give very little money to good causes and their vulgar taste reflects their in-your-face attitude towards the public. In our current hyper-Gilded Age, extreme vulgarity and the decline of philanthropy are really different aspects of the same phenomenon: the rise of an elite so disconnected from ordinary Americans that it feels no need to even appear to be honorable.

So in a real sense we are living in the midst of a reenactment of the decline and fall of the Roman Republic, not a second American Gilded Age. No, I’m not one of those men who thinks about ancient Rome all the time. But there are some obvious parallels.

While the causes of the decline of republican government and Rome’s eventual transition to one-man rule were doubtless complex, there is broad consensus among historians that a key factor was the emergence of extreme inequality. A handful of men became incredibly wealthy from the spoils of Rome’s eastern conquests, and their wealth and power eventually became too great for the rules of constitutional, republican government to contain. Sound uncomfortably familiar?

The death throes of the Republic went on for many years. Politicians declared their rivals enemies of the state, deployed violent gangs to disrupt the rule of law, established temporary dictatorships, and more. The installation of Augustus as emperor in 27 BC was just the final act.

And during this long twilight of constitutional government, one of the ways the extremely wealthy and powerful sought both to demonstrate their wealth and to curry favor with the mob was by sponsoring gladiatorial games.

The vulgarity of the Trumpian elite isn’t in itself that important. But it’s a symptom of a collapse in values and norms that, unless confronted and reversed, may herald the end of the American experiment. We should heed the words of the Stoic philosopher Seneca about the rise and fall of the Roman Republic: “Increases are of sluggish growth, but the way to ruin is rapid.”

sábado, 6 de junho de 2026

Evangelina Mascardi baroque lute: Preludio e Fuga de Sylvius Leopold Weiss

Tenho tido a incrível sorte de assistir a inúmeros concertos ao vivo ao longo dos anos, desfrutando tanto de ambientes íntimos em recintos fechados como de atuações ao ar livre, rodeadas pela natureza. Há uma alquimia única quando música bela é tocada com tanta naturalidade por um verdadeiro mestre e, para mim, Evangelina Mascardi personifica essa perfeição. O seu domínio do alaúde é absolutamente hipnotizante.

O meu profundo amor por este instrumento estende-se também à brilhante obra do alaúdista e compositor alemão Sylvius Leopold Weiss. As suas composições transmitem uma beleza profunda e intemporal que ressoa profundamente, especialmente quando trazidas à vida por artistas que compreendem a alma delicada do alaúde.

Ouvir esta música no seio da natureza é uma experiência sublime - onde o suave dedilhar das cordas se funde na perfeição com o farfalhar das folhas e o céu aberto. É uma lembrança de quão poderosa e reconfortante a arte pura pode ser.

Biografia de Evangelina Mascardi

Tocar um instrumento musical como o alaúde barroco em plena natureza é uma experiência que cruza de forma profunda a biologia, a cultura e a sensibilidade humana. Para compreender esta ação, podemos dividi-la em duas perspetivas fundamentais: a biofilia e a etnobiologia. A biofilia, um conceito popularizado pelo biólogo E. O. Wilson, sugere que os seres humanos possuem uma tendência inata para procurar conexões com o mundo natural e outras formas de vida. Ao levar um instrumento para um bosque, para uma praia ou para um jardim, o músico não está apenas a contemplar a paisagem, mas sim a interagir ativamente com ela. A música transforma-se num diálogo e numa busca por bem-estar, onde o ritmo do dedilhar e o timbre do instrumento se alinham instintivamente com o som do vento, das ondas ou do canto dos pássaros. No caso específico do alaúde barroco, esta ligação é ainda mais íntima devido à sua natureza inteiramente orgânica, construída com madeiras ressonantes leves e cordas delicadas, produzindo um som acústico e suave que não agride o ecossistema, mas funde-se perfeitamente com ele.

Por outro lado, embora o ato isolado de tocar não seja uma ciência, a relação humana e cultural que o sustenta é o objeto de estudo perfeito para a etnobiologia. Esta disciplina estuda as complexas interações entre as sociedades humanas e os ecossistemas ao seu redor. Quando analisamos o alaúde barroco sob esta lente, entramos no campo da etnobotânica aplicada à luthieria, que é a arte de construir instrumentos de corda. A própria existência do alaúde é o resultado de séculos de conhecimento acumulado por artesãos europeus sobre as propriedades físicas e acústicas das árvores. Para criar o tampo harmónico do instrumento, por exemplo, utiliza-se historicamente o abeto de ressonância, uma madeira proveniente de árvores que crescem em altitudes elevadas e em condições de frio extremo, como nos Alpes. Este crescimento lento gera anéis de madeira extremamente compactos e regulares, garantindo uma elasticidade e uma rigidez únicas que permitem ao instrumento vibrar com a máxima sensibilidade. Já para a construção da concha traseira do alaúde, recorre-se a madeiras como o ácer, que reflete o som rapidamente e confere brilho e clareza às notas, ou o teixo e as madeiras de árvores de fruto, como a ameixoeira, que trazem doçura e harmónicos calorosos à música.

Existe ainda uma ponte fascinante entre estes conceitos chamada biomúsica ou zoomusicologia, que estuda a música humana que incorpora ou responde diretamente aos sons do ambiente. No período Barroco, compositores como Sylvius Leopold Weiss criavam obras inspiradas na imitação da natureza, tentando traduzir paisagens e movimentos do mundo natural para as cordas do instrumento. Ao interpretar estas peças ao ar livre, o músico está, na verdade, a devolver essa matéria-prima florestal, agora transformada em património cultural, ao seu local de origem. Cria-se assim uma simbiose física e ambiental instantânea, uma vez que a madeira, sendo um material vivo e higroscópico, reage diretamente ao microclima, expandindo-se ou contraindo-se com a humidade e a temperatura do ar. Hoje em dia, esta relação enfrenta até desafios ecológicos modernos, pois as alterações climáticas e os invernos menos rigorosos na Europa fazem com que as árvores cresçam mais depressa, forçando os construtores de instrumentos a subir cada vez mais alto nas montanhas para encontrar a madeira ideal. Assim, tocar este instrumento na natureza manifesta o impulso biofílico de pertença ao mundo vivo e, em simultâneo, celebra o conhecimento etnobotânico que permitiu transformar a floresta em arte pura.

Finalmente, saber que o instrumento foi construído em 2024 pelo conceituado luthier Cezar Mateus, em Nova Jérsia, liga o passado histórico diretamente ao presente globalizado.

Do ponto de vista da etnobotânica moderna, a construção deste alaúde específico reflete a complexa jornada dos materiais na atualidade. Embora Cezar Mateus trabalhe nos Estados Unidos, um construtor desse nível mantém a tradição rigorosa de importar as madeiras europeias ideais, como o abeto dos Alpes para o tampo harmónico e o ácer ou o teixo para o corpo. Isto demonstra como o conhecimento tradicional sobre as árvores europeias cruzou o Atlântico, sendo aplicado por um mestre artesão nas Américas para criar um instrumento que, depois, viaja de volta à Europa para ser tocado na natureza pela alaudista Evangelina Mascardi. É a globalização ao serviço da preservação duma arte ecológica e histórica.

Além disso, o facto de ser um instrumento tão recente traz uma dinâmica física única para a biofilia e para a acústica ao ar livre. Um alaúde construído em 2024 é um instrumento "jovem". As suas madeiras ainda estão a aprender a vibrar juntas e são extremamente sensíveis às condições atmosféricas. Quando a artista o retira do ambiente controlado de um estúdio e o toca num espaço natural, o instrumento enfrenta o seu batismo de fogo ambiental, reagindo de forma muito viva à humidade e à temperatura daquele momento. Há uma beleza poética nisso: um instrumento feito recentemente com árvores antigas, esculpido do outro lado do oceano, a cantar e a vibrar pela primeira vez em plena sintonia com a natureza europeia.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Encontros Improváveis: John Melhuish Strudwick e Fortunato Chelleri (1690-1757)


La navicella
Che scorge il lido,
La rondinella
Che trova il nido
Non han più l’odio
Di quel destino
Che le turbò.

Ma questo core
Costante e fido
Al dio d’amore,
Tiranno infido,
Al suo dolore
Chiedendo pace,
Non la trovò.

TRANSLATION (by John Thornley):
The little ship
Sighting the shore,
The swallow
Finding its nest,
Both forget their hatred
Of the malign fate
That threatened them.

But my heart
Constant and faithful
To the god of love,
That faithless tyrant,
Pleads for its pain
To give way to peace,
Yet none do I find.


É profundamente entusiasmante testemunhar a nova vaga de talentos que está a surgir no panorama musical contemporâneo. Ao ouvirmos interpretações desta qualidade, torna-se evidente que o futuro da música antiga está em mãos absolutamente excecionais. Esta nova geração de artistas alia uma técnica irrepreensível, que desarma qualquer complexidade das partituras barrocas, a uma sensibilidade e expressividade vibrantes. Longe de uma abordagem puramente académica ou rígida, estes jovens músicos tecnicamente estelares conseguem injetar uma frescura e uma energia contagiantes em obras com séculos de história, elevando a música barroca a níveis verdadeiramente estratosféricos. É um privilégio ver o passado ser redefinido com tanta vitalidade, transcendência e mestria.

Significado da ária
A ária "La navicella" (que se traduz como "A pequena embarcação") funciona como uma clássica ária de metáfora, ou aria di paragone, um dos recursos poéticos e dramáticos mais apreciados na ópera barroca. Através deste dispositivo, o libreto utiliza a imagem de um pequeno barco à deriva num mar revolto, fustigado por ventos violentos e ondas ameaçadoras, para espelhar visual e emocionalmente o estado de espírito da personagem. A tempestade e as águas tumultuosas representam as grandes adversidades da vida, os dilemas morais ou os conflitos amorosos e políticos que a sufocam, enquanto o barquinho frágil simboliza a própria personagem, indefesa e à mercê de forças que a transcendem na sua busca desesperada por um porto seguro. Na partitura de Fortunato Chelleri, esta agonia ganha vida através de ritmos agitados e cordas velozes que imitam o turbulento balanço do mar, exigindo da interpretação vocal um virtuosismo técnico brilhante para traduzir o pânico e a paixão humana, transformando uma simples imagem marítima num momento de pura transcendência dramática.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Poluição do carvão limita produção de energia solar


A energia solar tem sido descrita como a “estrela brilhante” da transição limpa da UE, mas cientistas alertam que a poluição causada pelo carvão está a comprometer a capacidade das renováveis de reduzir emissões.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Oxford e pelo University College London (UCL), mapeou e avaliou mais de 140.000 instalações de energia solar fotovoltaica (solar PV) em todo o mundo.

O estudo, publicado na revista científica Nature Sustainability, recorre a dados de satélite e da atmosfera sobre poluição do ar para calcular quanta luz solar se perde e de que forma isso reduz a produção de eletricidade.

Os investigadores concluíram que a poluição das centrais elétricas a carvão “reduz de forma significativa” a produção de energia das instalações solares fotovoltaicas, em especial onde ambos os tipos de capacidade estão a crescer em paralelo.

Como a poluição do carvão está a prejudicar a produção solar
O estudo alerta que os aerossóis (minúsculas partículas suspensas no ar) reduziram em 5,8 % a eletricidade solar à escala global em 2023.

Isto equivale a 111 terawatts-hora de energia perdida - a quantidade gerada por 18 centrais a carvão de média dimensão. Para se ter uma ordem de grandeza, um terawatt-hora corresponde aproximadamente ao consumo anual de eletricidade de 150 000 cidadãos da UE, segundo o Our World in Data.

Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas acrescentaram, em média, 246,6 TWh de eletricidade por ano, enquanto as perdas relacionadas com aerossóis nos sistemas já existentes atingiram 74 TWh anuais - o equivalente a quase um terço dos ganhos com a nova capacidade, acrescenta o relatório.

Os investigadores defendem que isto evidencia uma “interação até agora não reconhecida” entre o uso de combustíveis fósseis e as energias renováveis, em que as emissões de um sistema afetam diretamente o desempenho do outro.

“Estamos a assistir a uma rápida expansão global das energias renováveis, mas a eficácia dessa transição é inferior ao que muitas vezes se supõe”, afirma o autor principal, Rui Song.

“À medida que o carvão e a energia solar crescem em paralelo, as emissões alteram o regime de radiação, comprometendo diretamente o desempenho da produção solar.”

Por que razão as centrais a carvão são más notícias para as renováveis?
O carvão é considerado a forma mais suja e poluente de produzir energia e é um dos principais motores do aquecimento global. Apesar de, no ano passado, as renováveis terem ultrapassado, pela primeira vez, a produção a partir de combustíveis fósseis, muitos países continuam dependentes das centrais a carvão, apesar dos seus impactos ambientais.

No mês passado, a Itália anunciou que adiava o encerramento definitivo das suas centrais a carvão até 2038, 13 anos além do prazo inicial. Organizações ambientalistas e a oposição de centro-esquerda criticaram a decisão, com o líder do partido ecologista Europa Verde, Angelo Bonelli, a acusar o governo de “negligência climática”.

As centrais a carvão emitem partículas poluentes finas que dispersam e absorvem a luz solar, reduzindo a quantidade que chega aos painéis solares nas proximidades. O Dr Song explica que a poluição atmosférica não se limita a bloquear a luz do sol, mas também altera as nuvens, o que pode reduzir ainda mais a produção solar.

“Isso significa que o impacto real é provavelmente maior do que o que medimos, pelo que podemos estar a sobrestimar o contributo da energia solar para a redução das emissões se não controlarmos a poluição das centrais a carvão”, acrescenta.

Este efeito foi particularmente evidente na China, onde a capacidade solar e a capacidade a carvão cresceram em paralelo e são muitas vezes implantadas na mesma zona. As regiões com elevada capacidade a carvão coincidiam em grande medida com as áreas que registaram as maiores perdas de produção solar fotovoltaica.

A China é o maior produtor solar do mundo e gerou 793,5 TWh de eletricidade solar fotovoltaica em 2023 (41,5 % do total global). Mas também registou as maiores perdas causadas por aerossóis, com a produção total reduzida em 7,7 %.

Os investigadores estimam que cerca de 29 % das perdas de solar fotovoltaica relacionadas com aerossóis na China se devam especificamente às centrais elétricas a carvão.

O coautor, Chenchen Huang, da Universidade de Bath, no Reino Unido, afirma que as conclusões do relatório constituem um “aviso claro” de que ignorar as perdas de energia solar causadas pela poluição pode levar a uma “sobreestimação sistemática da produção de energias renováveis por parte de governos, empresas e da sociedade em geral”.

“Para mantermos o rumo, as políticas têm de ter em conta este travão oculto e desviar os subsídios aos combustíveis fósseis do carvão”, acrescenta o Huang.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viva o 1º de Maio

Giuseppe Pellizza da Volpedo - "O Quarto Estado" (1901)

Giuseppe Pellizza dá este nome à sua obra porque os trabalhadores sentiam que não eram representados pelo sistema político da época, o chamado parlamentarismo burguês. Eles constituíam um "novo grupo" social que passava a exigir voz própria e participação ativa nas decisões da sociedade. Historicamente, essa nomenclatura marca uma evolução clara: se o Terceiro Estado, liderado pela burguesia, foi o responsável por derrubar o absolutismo do Clero e da Nobreza, o Quarto Estado surgia agora como o proletariado organizado para reivindicar direitos diante da exploração exercida por essa mesma burguesia.

Na representação visual da tela, nota-se que a multidão não está armada; pelo contrário, os trabalhadores avançam de forma pacífica, mas com uma determinação inabalável. Trata-se de uma marcha em direção à "luz" do progresso e da justiça social, um recurso artístico que indica que o futuro pertenceria a esse novo estrato social. Em resumo, o Quarto Estado retratado por Pellizza era a classe operária consciente de si mesma e do seu papel histórico, marchando para ocupar o seu lugar de direito ao lado — ou mesmo à frente - dos três grupos que tradicionalmente detinham o poder.

Saber mais:
  1. Primeiro de Maio de 2026: a remuneração dos CEO mais elevados aumentou 20 vezes mais rapidamente do que a remuneração dos trabalhadores em 2025, acusa a Confederação Sindical Internacional, num relatório devastador.
  2. Em 2024, a Oxfam apresentou uma queixa formal contra a Amazon e a Walmart às Nações Unidas. Leia mais sobre a vigilância e o sofrimento nos armazéns da Amazon e da Walmart.
  3. A 7ª edição do Inquérito Mundial de Valores revelou que metade das pessoas acredita que “os ricos compram frequentemente eleições” nos seus países.
  4. A Oxfam estima que os multimilionários têm 4.000 vezes mais probabilidades de ocupar cargos políticos do que as pessoas comuns.
  5. Descarregue o relatório da CSI “Corporações que Minam a Democracia 2025”.
  6. Mais de 840 mil mortes por ano ligadas a riscos psicossociais no trabalho, diz novo relatório da OIT 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vergonhoso. Itália visa Trump e recusa substituir Irão no Mundial


O Governo de Itália colocou, esta quinta-feira, totalmente de parte a possibilidade de a seleção nacional vir a substituir o Irão no Campeonato do Mundo, em resposta à proposta que Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos da América e 'braço direito' de Donald Trump, fez chegar ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.

"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não é oportuno. Não sei o que é que vem primeiro, mas a qualificação decide-se em campo", atirou o ministro do Desporto, Andrea Abodi, em declarações reproduzidas pelo jornal transalpino Il Giornale. Uma posição que mereceu o apoio por parte do responsável pela pasta da Economia, Giancarlo Giorgetti.

"Considero isso uma coisa vergonhosa. Eu ficaria envergonhado", atirou o responsável político, à margem de um evento que teve lugar no Palácio do Quirinal, em Roma. Isto, depois de a squadra azzurra ter falhado (surpreendentemente) o apuramento para um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva.

A hipótese foi veiculada pelo próprio Paolo Zampolli, em conversa com o jornal Financial Times, horas antes: "Eu confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irão, no Mundial. Eu sou nativo de Itália, e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o 'pedigree' para justificar a inclusão".

Seguiu-se, entretanto, uma notícia avançada pela estação televisiva britânica BBC Sport, dando conta de que o organismo que rege o futebol internacional não teria qualquer intenção de retirar o Irão do Mundial2026, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, que se prolonga já há mais de dois meses.

Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo do Irão, garantiu, de resto, que o país está "totalmente preparado" para disputar o torneio, no qual se encontra integrado no Grupo G, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.

EUA queriam 'redimir-se' após troca de galhardetes com o Papa Leão XIV
A publicação original citava fontes próximas do processo, que garantem que esta proposta não passou de uma tentativa de Donald Trump de remendar as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na sequência do 'bate-boca' público entre ambos, por conta da posição do Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente.

"Acho que ele não está a fazer um bom trabalho. Acho que ele gosta de criminalidade. Não gostamos de um Papa que diga que não há problema em ter armas nucleares", afirmou o líder máximo norte-americano, em abril, a propósito das intervenções públicas levadas a cabo pelo compatriota sobre este tema.

"Continuarei a manifestar-me abertamente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados, para encontrar soluções justas para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer no mundo de hoje. Há demasiadas pessoas inocentes a ser mortas", respondeu este.

"Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que peça a paz e condene todas as formas de guerra, interveio a transalpina, deixando Donald Trump "chocado": "Pensei que ela tinha coragem, enganei-me".

Leia Também: 
Transportes a 100 dólares geram revolta entre adeptos no Mundial

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Date at Midnight - Another Grace


"Another Grace" é um exercício magistral de equilíbrio entre o vigor do pós-punk e a melancolia solene do rock gótico contemporâneo. Musicalmente, a canção define-se por uma arquitetura sonora onde o baixo assume o papel de espinha dorsal, pulsando com uma urgência hipnótica que sustenta as guitarras carregadas de reverb e chorus. Esta combinação cria uma atmosfera densa e expansiva, típica da escola romana de que os Date at Midnight são protagonistas, elevando a composição acima do mero revivalismo ao conferir-lhe uma produção límpida e uma execução técnica rigorosa. A voz de Daniele De Angelis, num barítono profundo e austero, atua como um fio condutor que guia o ouvinte através de uma paisagem emocional cinzenta, evocando simultaneamente a autoridade de Andrew Eldritch e a fragilidade de Adrian Borland.

No plano lírico e semântico, a canção mergulha nas águas turvas do existencialismo e da busca espiritual falhada. O conceito de "outra graça" sugere uma procura cíclica por redenção ou por um novo começo num mundo que se revela persistentemente decadente e indiferente. Há uma sofisticação inerente na forma como a banda aborda a perda; não se trata apenas de tristeza, mas de uma aceitação elegante da inevitabilidade do fim. A letra explora a tensão entre o desejo de purificação e a sedução do abismo, tratando a "graça" como uma mercadoria escassa ou um fetiche emocional que se persegue para mascarar o vazio da existência urbana. É, em última análise, uma ode à beleza que reside na desilusão, transformando o pessimismo numa forma de arte altamente refinada e catártica.


Date at Midnight (página oficial)

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Depeche Mode - Behind The Wheel [Force Sonic RmX]



A canção original "Behind The Wheel" foi lançada a 28 de dezembro de 1987. Foi o terceiro single do icónico álbum Music for the Masses, que consolidou os Depeche Mode como gigantes da música eletrónica mundial.

O projeto TBBM [TheBlueBallMusic] é uma iniciativa de origem portuguesa que se destaca no panorama digital como um dos canais de curadoria musical mais respeitados no nicho da música eletrónica retro e alternativa. Focado essencialmente na preservação e reinvenção de sonoridades que marcaram as décadas de 80 e 90, o projeto funciona como uma montra para remixes exclusivos, versões estendidas e edições raras de géneros como o Synthpop, New Wave, Darkwave e EBM.

O canal apresenta versões raras, estendidas ou remisturadas (RmX, Edit) de clássicos de bandas como Depeche Mode, Tears For Fears, The Cure, entre outros ícones dos anos 80 e 90. 

Trabalha frequentemente com produtores e DJs (como TSF, Dominatrix RmX ou FDieu), muitos dos quais também têm ligações à cena eletrónica nacional e europeia.

Ao longo dos anos, o canal consolidou-se como uma referência mundial para os fãs de Depeche Mode, apresentando frequentemente trabalhos de produtores e DJs nacionais e internacionais que dão uma nova roupagem a clássicos imortais. 

Com uma estética visual cuidada e uma seleção rigorosa da qualidade de áudio, o TBBM não é apenas um repositório de vídeos, mas sim uma comunidade vibrante que celebra a nostalgia eletrónica a partir de Portugal para o resto do mundo.

sábado, 4 de abril de 2026

Miranda Sarmento quer taxar lucros extraordinários das empresas


Numa carta conjunta enviada este sábado à Comissão Europeia, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, defende a aplicação de uma taxa sobre os lucros extraordinários que as empresas de energia estão a ter com o conflito no Médio Oriente, também conhecidos como “lucros caídos do céu” (windfall profits).

De acordo com a Reuters, a carta é assinada pelos ministros das Finanças de Portugal, Itália, Espanha e Áustria e defende que “dadas as atuais distorções de mercado e restrições fiscais, a Comissão Europeia deve desenvolver rapidamente um instrumento de contribuição semelhante para toda a União Europeia, com uma base jurídica sólida.”

A guerra no Médio Oriente tem provocado um aumento significativo dos preços do petróleo e do gás e o grupo de responsáveis pela pasta das Finanças nos seus respetivos países considera que uma taxa “enviaria uma mensagem clara de que aqueles que lucram com as consequências da guerra devem fazer a sua parte para aliviar o fardo sobre o público em geral”.

A carta dirigida ao comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, não traz mais detalhes sobre a taxa que consideram ter de ser aplicada. Em setembro de 2022, para responder à crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia chegou a acordo sobre um novo pacote de emergência que incluiu um imposto de 33% sobre os lucros excessivos das empresas de energia, uma contribuição que os líderes europeus queriam usar para financiar medidas para as famílias mais vulneráveis atingidas pela crise.

O regulamento europeu cingia-se, na altura, ao setor energético, mas o Governo português, então liderado pelo socialista António Costa, acabou por estender a contribuição temporária também à grande distribuição alimentar. Costa referiu-se a esta medida como um “esforço de solidariedade adicional”, fazendo c0m que os “eventuais lucros excedentários possam ser canalizados para apoiar a população mais desfavorecida”.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Der Blaue Reiter - Words of Silence


O nome do grupo "O Cavaleiro Azul" é uma homenagem direta ao movimento expressionista alemão liderado por Wassily Kandinsky, procurando, tal como os pintores da época, traduzir verdades espirituais através de uma arte emocional e simbólica.
Esta faixa consta do álbum Le Paradise Funèbre: L'Envers du Miroir (2006)
As imagens deste vídeo pertencem a uma das obras mais aclamadas do cinema europeu: o filme "Paisagem no Nevoeiro" (Topio stin omichli), de 1988 do realizador: Theodoros Angelopoulos (um dos mestres do cinema grego).
Sinopse: o filme acompanha dois irmãos - uma rapariga de 12 anos chamada Voula e o seu irmão mais novo, Alexandre - que fogem de casa para tentar encontrar o pai, que eles acreditam viver na Alemanha. A viagem leva-os através de uma Grécia desolada, industrial e envolta em nevoeiro.
Estilo: é um filme profundamente poético, melancólico e visualmente deslumbrante, caraterístico do estilo de Angelopoulos, com planos longos e uma forte carga simbólica.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Roberta Mameli, Verso già l'alma col sangue


Verso già l'alma col sangue faz parte de Aci, Galatea e Polifemo uma serenata dramática (uma espécie de ópera curta ou cantata encenada) composta por Handel em 1708, durante sua estadia em Itália.

Letra
Aci:
Verso già l’alma col sangue, 
lento palpita il mio cor.
Già la vita manca e langue 
per trofeo d’empio rigor.

A ária "Verso già l'alma col sangue" é o momento clímax e trágico da obra. Ela é cantada por Aci (Ácis), um jovem pastor que está a morrer.

O triângulo amoroso: Aci e a ninfa marinha Galatea estão profundamente apaixonados. No entanto, o ciclope Polifemo também deseja Galatea e nutre um ciúme doentio pelo pastor.

A tragédia: em um acesso de fúria, Polifemo esmaga Aci com um enorme rochedo.

A despedida: enquanto a vida se esvai ("a alma se verte com o sangue"), Aci canta esta ária expressando o seu sofrimento e a injustiça da crueldade ("empio rigor") de Polifemo.

O desfecho: após a morte de Aci, Galatea usa os seus poderes divinos para transformar o sangue do seu amado numa fonte de água cristalina (o rio Ácis, na Sicília), para que ele possa correr eternamente até o mar e unir-se a ela.

Black Swan Lane - Slip

I’ll never forget. 
What’s in your mind. 
It makes me blind. 
It makes me high. 
An infinite love. 

I cannot change. 
An infinite life. 
It makes me blind. 
It gets me high. 

Filmed in Turin, Manchester and Atlanta
Terry McGarry é a personagem principal do vídeo.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia do Amor - Handel: Dove sei, amato bene (Rodelinda)



Sobre a Ópera Rodelinda

Dove sei, amato bene!
Vieni, l’alma a consolar

Sono oppresso da’ tormenti
ed i crudeli miei lamenti
sol con te posso bear.

Dove sei... 

Tradução
Onde estás, amado!
Vem, consola a minha alma.

Estou oprimido por tormentos,
e os meus cruéis lamentos
só contigo posso suportar.

Onde estás...

Esta é uma das árias mais belas e emocionantes de George Frideric Handel. Ela faz parte da ópera Rodelinda, estreada em 1725, em Londres.

Aqui está o contexto dramático e a tradução para ajudar você a sentir a profundidade da obra:

O Contexto na Ópera Rodelinda
A ária é cantada por Bertarido, o rei deposto de Milão. Todos acreditam que ele morreu no exílio, inclusive a sua esposa, a rainha Rodelinda.

Neste momento (Ato I, Cena VI), Bertarido retorna disfarçado e vê seu próprio monumento fúnebre erguido pela rainha. Ele está escondido, observando de longe o sofrimento da sua amada, sentindo a dor da separação e a solidão de ser um "fantasma" em seu próprio reino. É um momento de extrema vulnerabilidade e melancolia.

1. Mais sobre Georg Friedrich Händel
2. Cantada por Jakub Józef Orliński
3. Dia de S.Valentim. Dias dos Namorados. Dia do Amor

Feliz Dia do Amor - Jakub Józef Orliński sings "L'amante consolato"


Son tanto ito cercando
che pur alfin trovai
colei che desiai
duramente penando,
Oh questa volta sì ch'io non m'inganno,
s'io non godo mio danno!

Son tali quei contenti
che pur alfin io provo
che tutto mi rinovo
doppo lunghi tormenti.
Ma tutti com'io fo far non sapranno
chi non gode suo danno.


English
I searched for so long
that I finally found
the one that I desired,
after rigorous suffering.
Oh, this time let me not fool myself,
let me not be rejoicing in my own downfall.

The delights that I feel
at last are such
that everything renews me,
after prolonged agony.
But not everyone would be able to do as I do,
not being able to rejoice in their own downfall.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Bogdan Kuziv - "Manhã Quente", 2019


Bogdan Kuziv (pintor Ucraniano, nascido em 1965)
 
Estilo: 
A sua obra é frequentemente classificada como realismo crítico, embora apresente fortes influências do impressionismo, especialmente em sua abordagem da luz e na execução de pinturas ao ar livre (en plein air).

Temas:
  1. Paisagens: especialmente as montanhas Cárpatos e a natureza da Ucrânia.
  2. Marinas: pinturas que exploram o mar e temas costeiros.
  3. Natureza-morta: composições detalhadas de flores e objetos.
  4. Arquitetura e cenas urbanas: registos de cidades como Roma e Atenas.
Técnica: 
Trabalha predominantemente com pintura a óleo sobre tela e aquarela sobre papel. É conhecido pelo uso de cores vibrantes e texturas ricas que buscam capturar a "alma" da paisagem.
Formação e Carreira
Formação Académica: Graduou-se em 1994 na Faculdade de Artes e Gráficos da Universidade Nacional Vasyl Stefanyk.
Experiência Internacional: Trabalhou na Polónia (1995–1999) e viveu em Roma, Itália (2001), onde aprimorou seus estudos artísticos.