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domingo, 7 de junho de 2026

Vergonha do Dia D! Pete, do Pentágono, envergonha os nossos heróis caídos da Segunda Guerra Mundial na cerimónia da Normandia ao comparar os barcos dos migrantes à invasão aliada contra os nazis!


O secretário para os Crimes de Guerra, Pete Hegseth, teve um comportamento extremamente desrespeitoso na comemoração do Dia D, hoje, na Normandia, aproveitando o evento solene para promover uma retórica anti-imigrante.

Enquanto se encontrava nas praias sagradas onde as forças aliadas lançaram a maior invasão da história para libertar a Europa da ocupação nazi, Hegseth afirmou:

«Hoje, diferentes praias europeias são invadidas por diferentes ideologias perigosas. Em Espanha, Itália, Grécia e Bulgária, chegam barcos e homens. Quando é que as capitais europeias farão algo em relação a essa invasão? Ou será que já é tarde demais?» [aqui]

Meu Deus. O Dia D foi o momento em que as tropas americanas, britânicas, canadianas e outras forças aliadas arriscaram tudo para invadir aquelas praias e derrotar o fascismo. Um dia em que parecia realmente que o futuro do mundo estava por um fio.

Desvalorizar a 82.ª comemoração desse dia com posturas políticas xenófobas e sem sentido sobre a migração é simplesmente inconcebível.

Em nome do punhado de jovens heróis que ainda estão entre nós com 100 anos ou mais, pedimos desculpa em nome do povo americano.

Num dos locais mais sagrados e históricos do mundo, o trumpista Hegseth nem sequer conseguiu mostrar algum respeito básico pelos que morreram, deixando a política de fora, por uma vez.

Que vergonha, Pete. Cala-te, porco.

Testemunho de Robert Reich
Toda Verdade aqui

sábado, 25 de abril de 2026

25 Abril: Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene


O porta-voz do Livre Rui Tavares acusou hoje o presidente do Chega de ter citado Adolf Hitler e um mito nazi no discurso da sessão solene do 25 de Abril quando repetiu diversas vezes a expressão “apunhalado pelas costas”.

Em declarações aos jornalistas durante a tradicional descida da Avenida da Liberdade, em Lisboa, para celebrar a Revolução dos Cravos, Rui Tavares afirmou que Ventura, na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, no parlamento, repetiu “quatro ou cinco vezes uma frase de Hitler, como se não fosse nada”.

“A famosa frase ‘apunhalada nas costas’, que é uma frase que vem dos nazis, e que se referia à Primeira Guerra Mundial e que ele hoje usou para a Guerra Colonial, como se não fosse nada”, sustentou.

Em causa está a crítica feita por André Ventura na intervenção desta manhã no parlamento, em que criticou aqueles que “exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo” e afirmou, repetindo a expressão três vezes, que estes portugueses foram “apunhalados pelas costas”.

A “lenda da punhalada nas costas” foi um mito político difundido na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, segundo o qual o exército alemão não teria sido vencido no campo de batalha, mas sim traído internamente por, entre outros, socialistas, bolcheviques e judeus alemães, tendo contribuído para a ascensão de Hitler do Partido Nazi.

Rui Tavares considerou que há uma escalada no discurso político que está a ser ignorada: “Hoje cita Hitler e os nazis, toda a gente faz de conta que não ouviu, e amanhã diz ou faz qualquer coisa ainda mais terrível, e toda a gente faz de conta que não é consigo”.

Também a deputada do PS Eva Cruzeiro criticou a expressão utilizada por André Ventura, considerando, numa publicação feita na rede social ‘X’, que não se trata de uma “frase qualquer”.

“Remete diretamente para a Dolchstoßlegende [Lenda da Punhalada pelas Costas], um dos pilares da propaganda que abriu caminho ao nazismo. Foi usada sistematicamente para alimentar ressentimento, fabricar inimigos internos e justificar a erosão da democracia da República de Weimar. Foi central na narrativa que Adolf Hitler explorou para chegar ao poder”, criticou.

Para a socialista, o líder do Chega não estava a fazer “um desabafo inocente”, mas sim a “convocar um imaginário político perigoso, assente na divisão, na desconfiança e na distorção da história”.

E conclui: “Quem conhece a história reconhece estes sinais e sabe que a democracia não se perde de um dia para o outro, desgasta-se quando se normalizam discursos que já provaram, no passado, aonde conduzem. André Ventura mostra abertamente o seu plano. É inaceitável”.

A tentativa de André Ventura em adaptar a "Lenda da Punhalada pelas Costas" (Dolchstoßlegende) ao contexto da Descolonização (1974-1975)

Essa narrativa de que Portugal foi "apunhalado pelas costas" durante o processo de descolonização é um exemplo flagrante de pós-verdade, pois ignora os factos históricos em favor de um revisionismo emocional que serve interesses políticos atuais. Ao transpor o mito alemão da Dolchstoßlegende para a realidade portuguesa de 1974, André Ventura e a direita radical operam uma inversão da causalidade: tentam convencer o público de que o 25 de Abril "causou" a derrota em África, quando, na verdade, foi a exaustão de uma guerra impossível de vencer que causou o 25 de Abril. Esta construção ignora que o exército português enfrentava um impasse militar absoluto, um isolamento diplomático total perante a ONU e uma economia asfixiada que consumia cerca de 40% do orçamento do Estado na defesa do Ultramar.

Ao utilizar esta retórica, Ventura não está a fazer uma análise histórica, mas sim a praticar uma "pesca de arrasto" no ressentimento de antigos combatentes e retornados, oferecendo-lhes um culpado conveniente — a "elite de Abril" — para um trauma coletivo que é muito mais profundo e complexo. A pós-verdade reside precisamente nesta simplificação: transforma-se uma transição histórica inevitável e tardia numa traição planeada, substituindo a complexidade do fim dos impérios coloniais europeus por uma fábula de "bons patriotas" contra "traidores entreguistas". No fundo, é a utilização de uma mentira histórica confortável para atacar a legitimidade da democracia portuguesa e reabilitar um passado autoritário sob a capa de um orgulho nacional ferido.

Historiografia
Museu Histórico Alemão - Dolchstoßlegende

O mito da punhalada pelas costas (em alemão: Dolchstoßlegende, pronuncia-se Lenda da Punhalada pelas Costas) é uma teoria da conspiração anti-semita e anticomunista, promovida por Adolf Hitler.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Adiado o Doutoramento Honoris Causa de Rosa Mota


A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto a Rosa Mota, que estava agendada para dia 19 de fevereiro, foi adiada para “data a anunciar oportunamente” por decisão da homenageada, na sequência do “difícil e doloroso contexto que o nosso País atravessa na sequência das recentes tempestades”.

“Vivemos um momento que exige a mobilização plena de todas as instituições públicas e privadas, bem como dos seus representantes, num esforço de todos no auxílio às populações afetadas. (…) Não me sentiria bem, que uma iniciativa que me envolve, por muito honrosa e simbólica que seja, pudesse de alguma forma desfocar ou desviar atenções daquilo que é hoje verdadeiramente urgente”, lê-se no comunicado assinado pela atleta.

Na mesma nota, Rota Mota agradece “profundamente à Universidade do Porto, e em particular à Faculdade de Desporto, a compreensão, a sensibilidade e a solidariedade demonstradas, bem como a enorme honra que me foi concedida”.

O comunicado termina referindo que “a cerimónia será realizada em data a anunciar oportunamente, quando o País reunir condições para, com serenidade, podermos celebrar tão importante momento”.

Recorde-se que a atribuição do Doutoramento Honoris Causa à primeira campeã olímpica portuguesa estava prevista para as 11h00 da próxima quinta-feira, dia 19 de fevereiro. A decorrer na Faculdade de Desporto da U.Porto (FADEUP), a cerimónia contaria com a participação do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, na qualidade de padrinho de Rosa Mota.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Jornalismo Florestal - Prémios PINUS distinguem reportagens da RTP e da Antena 1


O prémio pretende distinguir o trabalho jornalístico que, pela qualidade e originalidade, contribua para um maior conhecimento sobre a importância ambiental, económica e social das florestas.

Assim, o Primeiro Prémio de Reportagem Diária foi para um trabalho de Daniela Santiago, Manuel dos Santos, Fábio Siquenique e Joana Melo, sobre o valor da Floresta e o Circuito do Carbono

O Primeiro Prémio de Grande Reportagem foi para um investigação do programa A Prova dos Factos, de Emanuel Boavista, com Paulo Maio Gomes e Guilherme Terra, sobre o facto de as verbas europeias para a floresta não chegarem ao terreno.

A RTP recebeu ainda uma Menção Honrosa para outra peça do programa A Prova dos Factos sobre o abandono do Pinhal de Leiria, também de Daniela Santiago.

A reportagem da Antena 1 sobre as Florestas Miyawaki recebeu igualmente uma Menção Honrosa. Esta distinção foi atribuída à jornalista Arlinda Brandão.

Esta é considerada "uma oportunidade para reforçar o reconhecimento do jornalismo como serviço público e celebrar a importância da floresta", segundo o promotor da iniciativa.A cerimónia da 7ª edição do Prémio Centro PINUS - Jornalismo Florestal teve lugar no Clube de Jornalistas, em Lisboa.

O Prémio Centro PINUS de Jornalismo Florestal é atribuído bianualmente e, segundo a organização, "pretende homenagear os jornalistas e as peças que aproximem a floresta do cidadão através do rigor e da informação.

Paralelamente, reconhece o papel do jornalista na sua missão de serviço público e valoriza o jornalismo livre, independente e de qualidade".

Ver as reportagens aqui


sexta-feira, 13 de junho de 2025

Compromisso de Nice declara "vitória" mesmo sem Tratado fechado sobre águas internacionais


A maior conferência de sempre sobre Oceanos não teve uma declaração vinculativa, dando força à necessidade de aprovar compromissos em diversas políticas oceânicas. O Tratado do Alto Mar está mais próximo da entrada em vigor, em janeiro, e há um grupo de 20 países que também fazem pausa na mineração do mar profundo.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, começou a gritar "vitória" ainda a Conferência dos Oceanos estava a começar. Com a presença de 64 chefes de Estado e de Governo, 115 ministros e 12 mil delegados, a organização partilhada entre França e Costa Rica esperava dar um impulso a diversas frentes negociais na diplomacia dos oceanos. Mas apesar da mobilização, a declaração de Nice não tem metas nem é vinculativa e a reunião não foi suficiente para chegar às 60 ratificações do Tratado do Alto Mar, que deve regular 64% do oceano global.

Cinquenta Estados já depositaram os seus instrumentos de ratificação e mais seis países terminaram os seus processos nacionais nesse sentido. O comunicado final revela que 12 Estados adicionais "comprometeram-se a depositar os seus instrumentos de ratificação" do Acordo sobre Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional até à Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2025. A cerimónia que marca a concretização das ratificações tem até data marcada: 23 de setembro em Nova Iorque.

A entrada em vigor deve acontecer 120 dias depois, ou seja, no final de janeiro. Com este Tratado, arranca um processo vinculativo de decisão com as COP (Conferências das Partes) semelhantes às mediáticas Conferências do Clima, ambas no domínio das Nações Unidas. A COP 1 do Alto Mar poderá ser organizada em Setembro de 2026.

Campeões dos Oceanos
No final da Conferência de Nice, contabilizam-se 37 países que aprovaram uma pausa preventiva à mineração no fundo do mar, defendendo que é preciso investigar, em primeiro lugar, os ecossistemas antes de explorar os seus recursos. Portugal foi o primeiro país a transformar esta moratória numa lei aprovada na Assembleia da República, com os votos contra do Chega e abstenção da Iniciativa Liberal.

Vinte e três países publicaram uma declaração conjunta para mobilizar a comunidade internacional neste sentido, contando também com o apoio de alguns bancos que anunciaram que não deverão financiar mais projetos de mineração nessa área.

No total, foram identificados 20 Estados-membros considerados "campeões dos oceanos" por terem ratificado o Acordo BBNJ e apoiado a moratória sobre a mineração no fundo do mar. Este grupo de países pretende mobilizar a comunidade internacional para uma governança ambiciosa dos oceanos.

Portugal está entre os 20 países deste grupo, a par do Chile, Chipre, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Fiji, Finlândia, França, Grécia, Ilhas Marshall, Letónia, Malta, Micronésia, Mónaco, Palao, Panamá, Eslovénia, Tuvalu e Vanuatu.

Plásticos e Áreas Protegidas
O combate à poluição registou diversos compromissos, sobretudo uma declaração subscrita por 96 países de apoio ao tratado global para combater a poluição por plástico, a negociar em Agosto. 19 Estados anunciaram planos nacionais para proteger e restaurar ecossistemas oceânicos e gerir os resíduos costeiros, incluindo os plásticos. Menos significativo foi o avanço em relação a métodos de pesca destrutivos, com a Dinamarca e França a assumirem liderança da proibição da pesca de arrasto de fundo.

Nice trouxe também uma muito ligeira aproximação ao objetivo de proteger 30% das terras e mares até 2030. Passou de 8,4% para mais de 10% de áreas protegidas, embora muitos careçam de planos de gestão para evitar que sejam apenas "áreas de papel".

A nível científico, Nice assistiu à assinatura de uma declaração para a criação do Centro Internacional Mercator para o Oceano, com 12 Estados europeus, incluindo Portugal. Haverá um segundo congresso "One Ocean Science" em 2028 para avaliar o cumprimento das recomendações transmitidas no congresso que se realizou em Nice nos dias que antecederam a Conferência da ONU, com dois mil cientistas de todo o mundo.

Pescas e Portos
Nice permitiu ainda aumentar o número de ratificações do acordo "Fish 1" da Organização Mundial do Comércio, que limita os subsídios à pesca ilegal, à pesca de espécies esgotadas e às embarcações que pescam sem regulação no alto mar. São agora 103, incluindo 14 ratificações este ano, ainda curto para chegar às 111 necessárias para a entrada em vigor do acordo.

O objetivo de melhorar a segurança a bordo dos navios de pesca está também mais próximo. 23 países já ratificaram o "Acordo da Cidade do Cabo" da Organização Marítima Internacional, com 2.935 navios elegíveis, ainda longe das 3600 embarcações necessárias para entrar em vigor, previsivelmente no final do ano.

A China ratificou também o Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA) da FAO, que conta agora com 82 partes, de acordo com o chamado Compromisso de Nice. Costa do Marfim e Bélgica juntaram-se a outros 22 países que se comprometem-se a garantir condições de trabalho dignas aos trabalhadores do setor das pescas, aprovando a Convenção de 2007 da Organização Internacional do Trabalho.

Falta dinheiro para o Mar
Vários acordos regionais foram apresentados, destacando-se o primeiro Pacto Europeu para o Oceano, com cerca de mil milhões de euros investidos em diversas facetas desta Pacto. Ao nível dos Parlamentos, foi criada a Coligação Interparlamentar para a Proteção dos Oceanos (ICOP), anunciando um "pacote legislativo para o oceano" que cada membro se compromete a levar ao seu próprio parlamento.

Ao contrário da expressão popular, falta "atirar" bastante dinheiro ao mar. No plano do financiamento, a presidência francesa da Conferência reconhece que há sub-financiamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 para a defesa da vida marinha. Apenas 10 mil milhões de dólares foram investidos quando as necessidades para a sustentabilidade dos oceanos situavam-se em 175 mil milhões de dólares entre 2015 e 2019. Por isso, foi criado o programa One Ocean Finance, plataforma que junta governos, instituições financeiras, Nações Unidas e sociedade civil para dar um novo impulso no financiamento azul.

No entanto, a organização prefere sublinhar o compromisso de milhares de milhões de euros das empresas e fundações privadas, na ordem de 8,7 mil milhões de euros para os próximos 5 anos, metade dois quais com origem no setor filantrópico.

Os ativos sob gestão das instituições signatárias do Compromisso de Financiamento Oceânico "BackBlue "ultrapassam os 3 mil milhões de euros. 20 bancos públicos de desenvolvimento, representando 7,5 mil milhões de dólares por ano em investimentos em finanças azuis sustentáveis, uniram-se para formar a Coligação Oceânica das Finanças em Comum. 80 organizações de 25 países, representando um volume de negócios combinado de 600 mil milhões de euros e empregando 2 milhões de pessoas, aprovaram o apelo "Negócios no Oceano".

Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à descarbonização total do transporte marítimo até 2050. O acordo nesse sentido foi reafirmado pelos países e armadores presentes em Nice e deverá mobilizar 100 mil milhões de dólares nos próximos dez anos para combustíveis limpos, transição energética marítima nos países do Sul e desenvolvimento do transporte por propulsão a vela.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Patti Smith


Há norte-americanos fabulosos. Patti Smith é esse o exemplo. Tem poemas fabulosos e exploratórios. Apesar de Patti Smith nunca ter tido um disco certificado pela RIAA, apesar de ter lançado um único single que chegou ao Top 20, é reconhecida como uma das mais importantes e influentes artistas da história do rock. A revista Rolling Stone recentemente colocou-a no 47º lugar na sua lista dos cem maiores artistas de todos os tempos. 
Em 2012, Smith recebeu um doutorado honorário em belas artes do Pratt Institute.
Em 10 de Dezembro de 2016, Patti cantou "A Hard Rain's A-Gonna Fall" na cerimónia de entrega do Prémio Nobel a Bob Dylan (outro talentoso). 
Um novo festival em 2024 traz Patti Smith de volta a Portugal com Maria João e Camané e muitos outros ao CCB. Já está agendado.

domingo, 18 de junho de 2023

Memorial das Vítimas de Pedrógão - Parolo e com a água mais cara do País!

Memorial- foto de Franziska Schmidt, 11/02/2023

Quando o verdadeiro memorial seria um Projecto Piloto de Floresta em Pedrógão, o embuste político cumpriu mais uma vez este seu esperado papel, para agora, a mais pura incompetência se voltar a revelar, num simples obelisco parolo e caro.

Um pouco da "estória"
O memorial de homenagem às vítimas dos incêndios de 2017 só foi inaugurado, 45 meses depois do anúncio da sua construção.

A 17 de junho de 2019, perante as então três mais importantes figuras do Estado - Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Ferro Rodrigues e António Costa -, Nádia Piazza, presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), anunciava a construção de um memorial de homenagem às vítimas dos incêndios que, precisamente dois anos antes, tinham provocado 66 mortos e cerca de 250 feridos. Na mesma sessão de evocação da tragédia e tributo às vítimas, realizado em Castanheira de Pera (um dos três concelhos mais atingidos pelas chamas), Nádia Piazza explicou em que é que consistia o projeto do memorial, concebido gratuitamente pelo arquitecto Eduardo Souto de Moura.

O concurso público foi lançado em 10 de fevereiro de 2021. Orçada em 1.794.761,91 euros, a obra foi iniciada em 13 de setembro do mesmo ano e tinha um prazo de execução de 300 dias, que terminava no dia 10 de junho de 2022.

Em junho do ano passado, a Infraestruturas de Portugal justificou o atraso da conclusão da empreitada com a falta de materiais.

Já em fevereiro último, a empresa esclareceu que as últimas tarefas a realizar, que incluíam plantações e sementeiras, só podiam ser realizadas na primavera, pelo que à data os trabalhos estavam suspensos, indicando-se a conclusão dos trabalhos neste segundo trimestre.

Concluindo
O memorial de homenagem às vítimas dos incêndios de 2017, relembro, da autoria do arquiteto Souto Moura, foi aberto ao público na quinta-feira (15.06.2023), sem cerimónia oficial de inauguração.

Além disso parece-me de uma coisa mórbida o memorial estar rodeado por um eucaliptal! O mesmo tipo de árvore que causou e potenciou toda aquela desgraça.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Município de Gouveia foi distinguido como “Município Parceiro Eco-Escolas 2022”


O Município de Gouveia foi distinguido como “Município Parceiro Eco-Escolas 2022” pela Associação Bandeira Azul da Europa, secção portuguesa da Foundation for Environmental Education (ABAE/FEE P).
A cerimónia do Dia das Bandeiras Verdes Eco-Escolas 2022 teve lugar, no dia 9 de Outubro, no Pavilhão Municipal de Valongo, e contou com a presença de todos os municípios do país que colaboraram com a implementação do Programa Eco-Escolas durante o Ano Lectivo 2021/2022.

No município de Gouveia foi atribuída Bandeira Verde Eco-Escolas aos seguintes estabelecimentos: Jardim de Infância da Associação de Beneficência Popular de Gouveia; Jardim de Infância da Fundação “A Nossa Casa”; Casa do Povo de Vila Nova de Tazem; Escola E.B. 2,3 de Vila Nova de Tazem; Jardim de Infância de Gouveia.

Destaque também para a menção honrosa recebida pelo Jardim de Infância da Associação de Beneficência Popular de Gouveia pelo 4º lugar no concurso nacional “Roupas usadas não estão acabadas” da empresa H. Sarah Trading e o 2º lugar conquistado pelo Jardim de Infância de Gouveia no concurso nacional “Recolha per capita de resíduos têxteis” também promovido pela empresa H. Sarah Trading e ambos integrados no Programa Eco Escolas.

Este evento, considerado o maior, a nível nacional, na área da educação ambiental, destinou-se a todas as Escolas Galardoadas com a Bandeira Verde 2022 e reuniu mais de 2000 crianças, jovens, professores e autarcas de todo o país.

Lista de Municípios Parceiros em 2022-2023

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Certificação da Camisola Poveira



O dia 9 de setembro de 2022 passou a fazer parte da História do nosso concelho porque, a partir desta data, a Camisola Poveira é oficialmente um produto certificado e com Indicação Geográfica Protegida!

Esta conquista ganha ainda mais importância, uma vez que se trata do primeiro produto com origem na Póvoa de Varzim a receber este reconhecimento com validade nacional, europeia e internacional.

“Chegou finalmente o momento em que, e após investimento da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim em preservar uma arte que tem mais de 150 anos, podemos dizer que este processo de certificação da Camisola Poveira chegou ao fim. E chegou ao fim com sucesso!”, frisou a Vereadora da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, que presidiu a Cerimónia de Certificação da Camisola Poveira realizada, ontem, no Largo do Passeio Alegre.

“Agora, aqui ou em qualquer parte do mundo, a Camisola Poveira está segura, o seu valor está preservado, a sua qualidade pode ser atestada e, mais importante ainda, a sua origem não pode ser contestada. É nossa!”

Foi uma noite histórica para a nossa comunidade, que se reuniu em massa junto ao Palco de Pedra para assistir à certificação da primeira Camisola Poveira. Esta peça foi simbolicamente oferecida ao Município da Póvoa de Varzim e, em breve, ficará em exposição no Centro Interpretativo e de Formação da Camisola Poveira.

Num dos momentos mais solenes da Cerimónia, Andrea Silva homenageou, em nome da autarquia, as primeiras quatro artesãs certificadas do concelho Ana Cândida Brito, Anabela (Aurora Luxury Handmade), Maria Fernanda Barbosa e Fernanda Costa.

A Vereadora da Câmara Municipal destacou, também, o papel desempenhado pelos elementos da Comissão de Acompanhamento, Teresa Costa, em representação do organismo de certificação (A.CERTIFICA), Fernando Gaspar, em representação do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), Ricardo Silva, em representação da União de Freguesias Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai e Mário Linhares, em representação da equipa responsável pelo caderno de especificações.


Centenas de poveiros aproveitaram esta noite calorosa de verão para cantar ao som dos clássicos do Rancho Poveiro e se emocionar com o poema declamado pela poveira Teresa Marafona, que envergou em palco um traje antigo de trabalho típico do nosso concelho.

Houve, ainda, momento para juntar à tradição um rasgo de modernidade, até porque a Certificação da Camisola Poveira comporta dois novos tipos de etiquetas – uma do Modelo Tradicional (lã grossa, base branca e bordado vermelho e preto) e outra do Modelo de Inovação (que abre caminho a peças mais criativas e a uma reinvenção da arte, sem desvirtuar as regras de confeção históricas da Camisola Poveira).

À atuação da fadista Adriana Paquete juntou-se o corpo de baile da AM Dance Studio. Os jovens bailarinos, coreografados por Francisca Marques, vestiram Camisolas Poveiras confecionadas por formandas dos Cursos Ocupacionais de Tempos Livres, promovidos pelo Município da Póvoa de Varzim.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Professor da UMinho premiado pelo edifício “Casa Rotativa”



Pedro Bandeira, arquiteto e professor da Universidade do Minho (UMinho) acaba de ser distinguido com o Prémio Arquitetura, Inovação e Sustentabilidade 2021, na categoria Obra, pelo seu edifício “Casa Rotativa”.

A cerimónia de entrega do prémio vai decorrer está quinta-feira, no Museu da Água, em Lisboa, e contará com a presença do Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, e do presidente da Ordem dos Arquitectos (OA), Gonçalo Byrne.

A Casa Rotativa é uma habitação unifamiliar situada na região de Coimbra que, tal como o nome sugere, gira em função do sol. O edifício gira até 300 graus em seis minutos, gastando quatro cêntimos de eletricidade.

O projeto surgiu quando o dono , Filipe Bandeira, engenheiro de estruturas especiais sensível a questões energéticas, desafiou o irmão Pedro Bandeira a contribuir no projeto experimental.

Para os promotores do prémio, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática e a OA, o edifício “evoca os faróis, os moinhos de vento e os engenhos solares de há um século; além disso, a sua invulgar motricidade abre territórios na arquitetura ao nível da legislação e da ligação ao contexto (solo, céu, pessoas), reinventando questões de sustentabilidade, ecologia, ambiente construído e quotidiano”.

Pedro Bandeira é natural da Figueira da Foz, e é atualmente presidente e professor da Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho, bem como investigador do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT)​. Além do prémio que recebe hoje, já foi distinguido com o Prémio SIM da Samsung, o Prémio de Crítica de Arquitetura da AICA/Fundação Carmona e Costa, e foi finalista do Prémio Europeu Mies van der Rohe. Teve ainda a oportunidade de representar Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza (2004) e de São Paulo (2005).


quinta-feira, 1 de abril de 2021

Elvira Fortunato ganha o maior prémio mundial de engenharia



Federação Mundial das Organizações de Engenharia reconhece "excelência profissional e impacto do trabalho" da cientista portuguesa, que há duas semanas ganhou o Prémio Pessoa 2020

A cientista Elvira Fortunato acaba de ganhar o WFEO GREE Award Women 2020, o maior prémio internacional de engenharia destinado a distinguir o trabalho desenvolvido por mulheres engenheiras em todo o mundo. A candidatura foi apresentada pela Ordem dos Engenheiros (OE) e a cerimónia online de entrega do prémio terá lugar a 8 abril. A investigadora é membro conselheiro desta associação profissional.

O galardão foi lançado em 2018 pela Federação Mundial das Organizações de Engenharia (WFEO na sigla inglesa), "para reconhecer e dar visibilidade a mulheres engenheiras excecionais", que tenham demonstrado "excelência profissional e impacto no seu trabalho, que sejam modelos a seguir e líderes na sua área". O objetivo global desta iniciativa é "promover a diversidade, a inclusão e a igualdade de género na engenharia". A WFEO reúne as instituições nacionais de engenharia de 100 países e representa mais de 30 milhões de engenheiros de todo o mundo, sendo membro do principal grupo da comunidade científica e tecnológica das Nações Unidas e associada da UNESCO.

Carlos Mineiro Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros (OE), afirma ao Expresso que "é um orgulho para Portugal" e para a Ordem a "atribuição do prémio a Elvira Fortunato, que traduz a excelência da engenharia e da ciência portuguesas, bem como a sua diversidade". E que "é a prova de que a competência técnica, o talento e a inovação não têm limitações de género ou geográficas, e que em Portugal existem profissionais de topo que competem e estão ao nível dos melhores em termos mundiais”.

"Inspiração para a Comunidade Científica Mundial"

"Para além da alegria por termos apostado numa candidatura vencedora, não posso ignorar que a concorrência era enorme, porque havia 22 candidatas de peso de todo o mundo, o que ainda mais a valoriza", recorda Carlos Mineiro Aires. Na candidatura submetida, a OE destacou "o caráter revolucionário das soluções científicas desenvolvidas pela engenheira portuguesa na área dos materiais e da eletrónica transparente, com a produção dos primeiros transístores de filme fino de óxido, utilizando materiais sustentáveis, totalmente processados à temperatura ambiente". O presidente da OE sublinha agora que o prémio "é também o reconhecimento do percurso técnico e científico ímpar de Elvira Fortunato, tornando-a numa inspiração para a comunidade técnico-científica mundial, em especial para as jovens e mulheres que ambicionam abraçar e progredir na engenharia e na ciência”.

Elvira Fortunato é engenheira de materiais, vice-reitora para a Investigação da Universidade Nova de Lisboa, professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da mesma universidade, diretora do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT) e do laboratório associado i3N - Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação. Há duas semanas ganhou o Prémio Pessoa 2020 e no ano passado recebeu vários galardões, como o Horizon Impact Award 2020 da Comissão Europeia, pelo seu projeto Invisible, ou o Prémio Estreito de Magalhães, do Governo do Chile. A cientista salienta ao Expresso "a importância internacional do prémio da WFEO, porque projeta Portugal a nível global na área da engenharia no feminino".

domingo, 20 de outubro de 2019

Portuguesa com missão de poupar água ganha prémio de inovação europeu

O prémio foi atribuído pelo trabalho na Trigger Systems, um sistema de rega inteligente que já ajudou a Câmara de Lisboa a poupar mais de 100 mil euros em água.



Aos 25 anos, a jovem agrónoma Sara Guimarães Gonçalves foi uma das vencedoras deste ano dos prémios do Instituto Europeu de Inovação em Tecnologia (EIT) pela sua missão de poupar água através de sistemas inteligentes. Ganhou na categoria EIT Woman, que se destina a destacar projectos desenvolvidos por mulheres na União Europeia.

A vitória foi-lhe atribuída pelo trabalho realizado nos últimos dois anos com a Trigger Systems, uma startup que ajudou a fundar em 2017 para automatizar sistemas de rega em parques, jardins e campos agrícolas, quando estava no último ano da faculdade. A cidade de Lisboa já tem o sistema instalado no Parque Eduardo VII, no Jardim da Estrela, nos Jardins do Campo Grande e na Quinta das Conchas.

“É sempre um pouco paradoxal ganhar numa categoria destinada a eleger mulheres. Por um lado, o reconhecimento é óptimo, mas, por outro, espero que daqui a uns anos este tipo de prémios deixem de ser necessários”, admite ao PÚBLICO Sara Gonçalves, pouco depois da cerimónia de entrega de prémios do EIT em Budapeste. Apesar da licenciatura em Agronomia, aprendeu a programar durante um projecto no último ano da faculdade e está agora a meio de um mestrado em Bioengenharia. “Ainda há muito preconceito em relação às mulheres nestas áreas, mas é preciso deixar de olhar para o género. É preciso existirem tantas mulheres como homens a trabalhar na área de inovação a tecnologia.” Além do reconhecimento, o prémio vem acompanhado de 20 mil euros que Sara Gonçalves diz que vão ser utilizados para continuar a desenvolver o produto.

“O próximo passo é arranjar mais parceiros em Portugal e depois em Espanha, França e Brasil”, prevê Sara Gonçalves, que trabalha lado a lado com Francisco Manso, outro engenheiro agrónomo, mas com mais 20 anos de experiência na área.

A tecnologia depende de uma plataforma online em que são programados algoritmos que são capazes de prever a quantidade de água de que as plantas precisam – o resultado é enviado para o equipamento que está a ser instalado em jardins públicos, campos de golfe e quintas por todos o país.

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sábado, 6 de julho de 2019

“Novo” Jardim Botânico do Porto vence International Architecture Award 2019

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O projeto de requalificação do Jardim Botânico do Porto – Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) foi um dos dois vencedores na categoria “Parques e Jardins” dos International Architecture Awards 2019, a maior e mais antiga celebração pública anual da arquitetura à escala global.

Coordenada pela equipa de Nuno Valentim, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), a intervenção no conjunto de obras que integram o Jardim Botânico do Porto arrancou em 2010 e teve a sua última fase em 2017 com a abertura da Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva na Casa Andresen. O projeto integrou igualmente a reabilitação da Casa Salabert para acolher o E-learning Café – Botânico (inaugurado em 2015), bem como o restauro das estufas concebidas por Franz Koepp nos anos 60 do século XX.

No total, a intervenção implicou a requalificação de uma área bruta de construção de cerca de 4 800 m2, numa área de jardim com 48 500 m2.
Da empreitada fez também parte a recuperação das estufas de Franz Koepp. (Foto: DR)


Para Nuno Valentim, coordenador do projeto, “a atribuição deste prémio a este conjunto de obras é-nos particularmente querida pois vem gratificar um enorme trabalho e esforço do conjunto de autores [Nuno Valentim, Frederico Eça, Maria Ana S. Coutinho, Margarida Carvalho], colaboradores e equipas projetistas envolvidas nos vários projetos”. O docente da FAUP elogia ainda o “envolvimento do Diretor do MHNC-UP, Nuno Ferrand de Almeida, e do atual Diretor do Jardim Botânico do Porto, Paulo Farinha Marques, que, no âmbito da componente de espaços exteriores colaborou também como projetista”.

Recorde-se que o projeto de requalificação do Jardim Botânico do Porto já tinha sido nomeado para o conceituado European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies van der Rohe Award 2019. Já a obra de reabilitação da Casa Salabert, recebeu uma menção honrosa no Prémio João de Almada 2017 e conquistou o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2016.

A cerimónia de entrega dos International Architecture Awards 2019 terá lugar no próximo dia 13 de setembro, em Atenas, Grécia, e os projetos vencedores figurarão num catálogo – “Global Design + Urbanism XIX (“New International Architecture”) –, editado por Christian Narkiewicz-Laine e publicado pela Metropolitan Arts Press Ltd..
Sobre o prémio

Fundados em 2005, em resultado de uma iniciativa conjunta do The Chicago Athenaeum: Museum of Architecture and Design e do European Centre for Architecture Art Design and Urban Studies, os International Architecture Awards constituem a maior e mais antiga celebração pública anual da arquitetura à escala global, afirmando-se como o único programa de prémios públicos sem finalidades comerciais.

A edição deste ano premiou 350 projetos de 41 países, após uma avaliação que teve em conta critérios como a visão, inovação e originalidade, acessibilidade, sustentabilidade, sensação de conforto e usabilidade, adequação à finalidade e nível de satisfação dos clientes. Para além da equipa de Nuno Valentim, a lista de premiados inclui os também gabinetes portugueses PMC Arquitectos e Plano Humano Arquitectos.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Azinheira de Mértola ficou em 3.º lugar no concurso Árvore Europeia do Ano

É a segunda vez que uma árvore portuguesa fica no pódio deste concurso. A Árvore Europeia de 2019 é uma amendoeira da Hungria.
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Uma azinheira de Mértola com uma sombra majestosa ficou em terceiro lugar no concurso Árvore Europeia do Ano, anunciou-se ao final da tarde deste terça-feira numa cerimónia no Parlamento Europeu (Bruxelas), depois de uma votação online que decorreu em Fevereiro. Em primeiro lugar ficou uma amendoeira da Hungria e o segundo lugar foi para um carvalho russo. Participaram na 9.ª edição deste concurso 15 árvores de diferentes países da Europa.

Ao todo, foram contabilizados 311.772 votos. Quanto ao pódio, por ordem crescente, a azinheira de Mértola – chamada “Azinheira Secular do Monte Barbeiro” – teve 32.630​ votos, o carvalho russo teve 39.538 votos e a amendoeira húngara mais de 45.132 votos.

“Neste momento, é importantíssimo receber estes prémios: são reconhecimentos de uma floresta bem tratada pelos produtores florestais”, disse ao PÚBLICO Duarte Mira, representante da Confederação dos Agricultores de Portugal em Bruxelas, da qual a UNAC – União da Floresta Mediterrânea (organizadora do concurso nacional) é afiliada, e que esteve na cerimónia no Parlamento Europeu.

Duarte Mira destaca que, numa altura em que os incêndios têm sido recorrentes, esta é uma forma encorajar os produtores. Além disso, como a azinheira tem já 150 anos frisa: “É uma prova de que a nossa floresta tem resiliência e que as árvores autóctones passam de geração em geração e têm capacidade de ter um reconhecimento europeu.”

“Para nós já foi muito importante o reconhecimento em Portugal e o facto de sermos o representante português”, diz Jorge Rosa, presidente da Câmara Municipal de Mértola – entidade responsável pela candidatura desta árvore no concurso nacional –, salientando que esta azinheira representa todo o subsistema do montado. Segundo o autarca, um dos objectivos era mesmo chegar ao pódio deste concurso. “É um terceiro lugar muito relevante até porque se fala sempre nas três primeiras [árvores]”, frisa.

A Azinheira Secular do Monte Barbeiro fica a cerca de sete quilómetros da aldeia de Alcaria Ruiva (concelho de Mértola) e permanece na ponta de um montado. “[A Azinheira Secular do Monte Barbeiro] é especial pela idade que conseguiu atingir e porque se desenvolveu de uma forma extraordinária”, dizia ao PÚBLICO Jorge Rosa, quando esta azinheira (Quercus rotundifólia) foi eleita a Árvore Portuguesa do Ano.

Uma das suas características é uma sombra majestosa que em dias de calor no Baixo Alentejo pode fazer toda a diferença. Afinal, tem uma copa de 23,28 metros de diâmetro e ocupa uma área com cerca de 487 metros quadrados.

Esta azinheira gigante tem uma forte ligação à comunidade. “Desde logo, há uma ligação sentimental das pessoas à volta daquela zona. Há uma série de pequenos povoados que conhecem a árvore há muito tempo”, referia Jorge Rosa. Há ainda uma ligação das novas gerações a esta árvore que visitam – por exemplo – durante o período escolar. Segundo o autarca, as visitas a esta azinheira aumentaram desde que ganhou o título de Árvore Portuguesa do Ano.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Estacionamento de bicicletas no Estádio do Dragão vence prémio Mobilidade em Bicicleta

[Fonte: Greensavers] O FC Porto venceu o Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” de 2013, distinção atribuída pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) devido aos três pontos de parqueamento para bicicletas instalados no Estádio do Dragão.

A cerimónia, que decorreu esta semana no MUDE - Museu do Design e da Moda, contou com a presença do Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro e integrou-se na Semana Europeia da Mobilidade de 2013.

Teresa Santos, representante do FC Porto na cerimónia, salientou a importância desta acção e do prémio para o Clube, “Esperamos com esta iniciativa que a bicicleta se torne num meio primordial para as deslocações ao Estádio do Dragão, pois é um meio ecológico, económico e saudável”.

De acordo com a política ambiental do FC Porto, desde final de Agosto que é possível deslocar-se para o Dragão de bicicleta. Existem três pontos de parqueamento, perto das portas 7, 12 e 21, com cerca de 150 lugares disponíveis, onde é possível deixar a bicicleta de forma simples e cómoda.

O galardão pretende reconhecer publicamente o contributo de entidades ou pessoas individuais que tenham promovido a utilização da bicicleta através da criação ou melhoria de condições e facilidades em Portugal e divulgação de iniciativas fomentadoras do uso deste veículo não motorizado.

Veja os restantes galardoados com o prémio Mobilidade em Bicicleta neste link.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Muhammad Yunus - o banqueiro dos pobres

Professor Muhammad Yunus, vencedor do 2006 Nobel Peace Prize. Dr. Yunus trabalha para retirar milhões de pessoas da pobreza. 


Discurso do Prof. Muhammad Yunus (extracto) Cerimónia de entrega do Prémio, 10 Dezembro 2006 
As empresas sociais serão um novo tipo de negócio introduzido no mercado com o objectivo mudar o Mundo. Os investidores de uma empresa social poderiam ver o retorno do seu investimento na empresa, mas não os dividendos. Os lucros seriam reinvestidos na empresa de forma a aumentar o seu raio de acção e melhorar a qualidade dos seus produtos ou serviços. A empresa social será uma empresa onde não haverá lugar a perdas ou ganhos. Uma vez feito o reconhecimento jurídico das empresas sociais, muitas das actuais empresas avançarão para a criação de empresas deste tipo, que se juntarão à sua actividade inicial. Muitos activistas do sector não lucrativo acharão também que esta é uma opção interessante. Contrariamente ao que acontece no sector não lucrativo onde é necessário angariar donativos para poder continuar a actividade, a empresa social é auto-suficiente e gera fundos para crescer, uma vez que é uma empresa onde não há perdas. A empresa social entrará num tipo próprio de mercado de capitais, para angariar capital. A juventude do Mundo inteiro, particularmente a de países ricos, achará atraente este conceito de empresa social, porque lhes dará a oportunidade de, usando o seu talento criativo, ser diferentes. Muitos jovens, hoje, sentem-se desmotivados, porque não encontram desafios que valham a pena, que os entusiasme dentro do actual Mundo capitalista. O socialismo deu-lhes um sonho por que lutar. Os jovens sonham em criar o seu próprio Mundo perfeito. Praticamente todos os problemas sociais e económicos do Mundo podem ser abordados por empresas sociais. O desafio está em inovar os modelos de negócio e aplicá-los para produzir os efeitos sociais desejados de forma rentável e eficiente. Saúde para os pobres, serviços financeiros para pobres, tecnologia de informação para pobres, educação e formação para pobres, marketing para pobres, energias renováveis – tudo isto são áreas interessantes para o negócio social. 

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