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sábado, 15 de agosto de 2026

A comida que compras no supermercado vai mudar (e não é no preço)


Primeiro foi a reciclagem de embalagens através do sistema Volta. Agora, a preocupação está literalmente à volta daquilo que comemos.

A União Europeia está a apertar as regras para as embalagens e os resíduos de embalagens e a primeira mudança com impacto direto na saúde dos consumidores começa já a aplicar-se: novos limites para os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”.

Os PFAS são um grupo de milhares de substâncias químicas utilizadas para conferir resistência à gordura, à humidade e ao calor, contudo, algumas destas substâncias são extremamente persistentes no ambiente e podem acumular-se no organismo humano.

É por isso que a União Europeia decidiu limitar a sua presença nas embalagens destinadas a entrar em contacto com alimentos, como, por exemplo, uma embalagem de queijo, de pizza ou de comida pronta em take away.

A partir de 12 de agosto de 2026, não podem ser colocadas no mercado embalagens que ultrapassem os valores definidos para estas substâncias. E a regra não se limita ao material de que é feita a embalagem que reveste comida ou bebidas quentes. Abrange também tintas, revestimentos e adesivos.

O que acontece aos alimentos que já estão nas prateleiras?
A recente mudança não significa que, de um dia para o outro, todas as embalagens dos supermercados tenham de ser substituídas.

As novas obrigações entram em vigor de forma faseada e existem períodos de adaptação previstos no novo enquadramento europeu. Para além disso, a partir de agora, as informações sobre o fabricante das embalagens terão de estar visíveis, permitindo identificar e contactar quem as colocou no mercado.

Mas as mudanças não ficam por aqui. A partir de 2028, deverá começar a aplicar-se em toda a União Europeia um sistema de rotulagem harmonizado para as embalagens. A ideia é tornar mais simples perceber como devem ser separadas e encaminhadas para reciclagem ou compostagem.

Já em 2030, a ideia é introduzir novas regras sobre a quantidade de espaço vazio nas embalagens, metas de reutilização e restrições a determinados formatos de plástico descartável de pequena dimensão, utilizados, por exemplo, no setor da hotelaria e restauração.

Segundo a Comissão Europeia, cada cidadão europeu deita fora, em média, cerca de meio quilo de embalagens por dia, isto entre copos de café, cápsulas de bebidas, películas aderentes, folhas de alumínio, caixas e embalagens de compras online.

Sem novas medidas, Bruxelas estima que o desperdício de embalagens na União Europeia poderia aumentar 19% até 2030. No caso específico dos resíduos de embalagens de plástico, o crescimento poderia chegar aos 46%.

Ainda faltam alguns anos para que grande parte das novas regras esteja plenamente em vigor. Mas a direção está definida: no supermercado do futuro, não estará apenas em causa aquilo que compramos dentro da embalagem. Também contará, cada vez mais, aquilo de que a própria embalagem é feita.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Cientistas conseguem transformar plásticos em combustível: o sistema que os converte em energia

Este novo processo alcança três resultados de uma só vez: transforma o plástico mais comum em hidrogénio de alta pureza e, ao mesmo tempo, solidifica o CO2, evitando assim a sua libertação na atmosfera.

Quanto plástico existe realmente no planeta? É uma pergunta para a qual, quase certamente, nunca teremos uma resposta. Independentemente das estimativas que possamos fazer, a preocupação com a situação cresce — ainda que lentamente — em contraste com a rápida escalada do problema em si; a realidade é que, a cada minuto que passa, há mais plástico no planeta.

No meio de diversas iniciativas e campanhas voltadas para mitigar a questão, cientistas de todo o mundo continuam a procurar soluções eficazes para erradicar o problema rapidamente, sem causar mais danos ao planeta e às suas esferas (ou seja, sem criar novas fontes de poluição da água, do ar ou do solo).

Das profundezas dos oceanos às nuvens - e até mesmo no nosso sangue -, o plástico alcançou todos os espaços no nosso redor, persistindo no meio ambiente e permanecendo com as futuras gerações por séculos.

Um dos projetos de investigação mais interessantes a apresentar resultados promissores recentemente - em julho deste ano - foi publicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e pela Ewha Womans University, na Coreia do Sul.

Este estudo não apenas desenvolveu com sucesso um processo capaz de transformar a reciclagem de plásticos no futuro sem gerar poluição adicional, mas também oferece uma via nova e altamente eficiente para a geração de energia limpa.

Do plástico ao hidrogénio: uma transformação sem emissões
Misturar plásticos para transformá-los? O resultado desta nova proposta é nada menos que hidrogénio de alta pureza, obtido pela combinação de três tipos comuns de plástico: PET, polietileno e polipropileno.

Isto é alcançado através de um novo processo chamado tratamento térmico alcalino, que utiliza temperaturas até 400 °C mais baixas do que as empregadas em processos convencionais de gaseificação, permitindo que o dióxido de carbono libertado durante o processo seja capturado e transformado na sua forma sólida.

Ao utilizar hidróxido de sódio e uma diferença de temperatura tão significativa (este processo geralmente opera em temperaturas entre 700 °C e 1300 °C), esta técnica requer menos energia e, ao mesmo tempo, produz hidrogénio com pureza superior a 90% - um nível muito próximo do padrão exigido para aplicação em tecnologias de energia limpa.

Além disso, a capacidade de capturar o dióxido de carbono emitido durante o processo evita que o gás seja libertado na atmosfera e a polua, criando também a oportunidade de aproveitar o material sólido resultante; uma vez transformado, este material pode ser utilizado em setores como manufatura e construção civil, entre outros.

Segundo dados da UCLA, menos de 10% do plástico descartado é reciclado, quase 80% acaba em aterros sanitários e nos oceanos, enquanto cerca de 10% é incinerado, libertando gases poluentes na atmosfera durante o processo.

Embora este projeto ainda esteja em fase experimental e precise de passar por um processo de implementação industrial fora do laboratório, os resultados são promissores no que diz respeito à redução de custos na triagem e separação de materiais plásticos, à produção de hidrogénio de alta pureza e à gestão e aproveitamento dos resíduos remanescentes.

Um problema que tem uma janela de oportunidade
Desde 2020, diversas iniciativas de investigação e projetos surgiram na tentativa de mitigar este problema crescente, visto que a maioria dos bens essenciais atuais contém, infelizmente, algum tipo de plástico.

Em 2025, investigadores japoneses publicaram uma descoberta sobre o desenvolvimento de um plástico à base de celulose altamente durável, que se degrada completamente em água salgada; e, no início de 2026, foi anunciado um projeto que decompõe o plástico utilizando enzimas, degradando com sucesso até 90% das garrafas PET.

É importante realçar que a adoção de bioplásticos no quotidiano e a implementação de novas estratégias para mitigar o impacto deste material ainda podem levar muito tempo; portanto, a melhor oportunidade de promover mudanças nessa questão está na decisão de cada um de nós de gerar a menor quantidade possível de resíduos plásticos no nosso dia a dia.

Ler mais:

terça-feira, 30 de junho de 2026

Sabia que o seu protetor solar está a afetar os oceanos? Saiba como cuidar da sua saúde e proteger os oceanos

Com a chegada do verão e de mais temporadas passadas na praia ou na piscina, é muito importante manter a nossa pele protegida dos raios UV provenientes do sol, através do uso de protetor solar. No entanto, muitos dos filtros solares utilizados nestes produtos são prejudiciais à biodiversidade e aos ecossistemas marinhos.

Existem dois tipos principais de filtros solares: filtros minerais e filtros orgânicos (ou químicos). Estes últimos são os mais problemáticos para várias espécies marinhas, sendo um dos mais usados a oxibenzona. Este químico não se degrada facilmente e, por isso, pode persistir durante muito tempo quando introduzido na natureza. É também um dos mais encontrados em águas naturais.

Estes filtros solares químicos são introduzidos nos ecossistemas marinhos através do protetor solar que usamos na nossa pele e que depois se liberta quando entramos na água do mar, mas também podem ser descartados para a natureza através das estações de tratamento de águas residuais. Os efeitos negativos destes químicos são muito variados. Podem impedir o crescimento e a fotossíntese em algas marinhas, reduzir a fertilidade em peixes, causar danos nos sistemas imunitário e reprodutor de várias espécies de ouriços do mar e bivalves e também acumularem-se nos tecidos dos golfinhos. Um dos piores impactos verifica-se nos corais, nos quais estas substâncias se podem acumular e deformar o seu ADN, podendo levar ao seu branqueamento (uma das principais causas de morte nos corais, também provocada pelo aumento de temperatura da água do mar).

Existe uma lista de químicos potencialmente prejudiciais à vida marinha, publicada pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (conhecida pela sigla NOAA), na qual se incluem: oxibenzona, benzofenona-1, benzofenona-8, p-aminobenzoato de octilo dimetilo (OD-PABA), 4-metilbenzilideno cânfora, 3-benzilideno cânfora, dióxido de nano-titânio, óxido de nano-zinco, octinoxato e octocrileno. A utilização de alguns deles foi proibida na União Europeia, por poderem ser considerados prejudiciais ao ser humano e outros compostos, como a  oxibenzona e o octinoxato foram banidos em alguns locais com o intuito de proteger os corais, como o  Havai e o arquipélago de Palau, mas ainda continuam a ser muito comuns na maioria dos protetores solares.

Em Portugal, um projeto recente denominado Scree&Toxin (coordenado pela universidade de Aveiro) está a estudar de que forma a oxibenzona está a interferir na acumulação de biotoxinas marinhas em conquilhas da espécie Donax trunculus. 

O que podemos fazer?
Devemos por a nossa saúde em primeiro lugar, não dispensando o uso de proteção solar. No entanto, aquando da escolha de um protetor solar, podemos ter em atenção os ingredientes presentes e tentar evitar estas substâncias. Algumas marcas já apresentam na própria embalagem mensagens de alerta como “Reef Safe”, “Ocean friendly” ou “Respeita os oceanos”. No entanto, devemos ter atenção, pois alguns destes produtos poderão não estar livres de todos os filtros prejudiciais, sendo por isso importante rever a lista de ingredientes. Devemos igualmente adotar comportamentos que podem ser mais amigos do ambiente e também da nossa saúde como evitar a exposição solar nas horas de maior calor e usar roupa de e chapéu para prevenir as queimaduras solares.
Utilizar alguns aplicativos que nos ajudam a destrinçar os seus componentes, como a Yuka.
As marcas de protetores solares ecológicos dividem-se maioritariamente em fórmulas 100% minerais (filtros físicos de zinco ou titânio "não nano") que não prejudicam os corais e utilizam embalagens sustentáveis.
Para quem procura proteger a pele e o oceano, o mercado atual já oferece excelentes plataformas especializadas em cosmética sustentável com envio para Portugal. Se a preferência for explorar lojas multimarcas que fazem uma curadoria rigorosa, a My True Bio destaca-se a nível nacional por disponibilizar uma secção inteiramente dedicada a fórmulas minerais não-nano de marcas conceituadas. No mesmo alinhamento de desperdício zero, a pioneira Organii foca-se em opções biológicas certificadas e formatos inovadores, como os sticks solares sólidos. Já para quem valoriza a maior variedade possível de marcas europeias e quer comparar preços, a versão portuguesa da Ecco Verde oferece um catálogo vastíssimo com filtros estritamente seguros para os corais.

Por outro lado, se o objetivo for comprar diretamente aos fabricantes que lideram esta revolução ecológica, há marcas de referência com lojas online muito acessíveis. Fundada por surfistas, a sueca Suntribe é famosa pelas suas fórmulas ultra-minimalistas (com poucos ingredientes) em embalagens de cartão e alumínio. No campo da alta proteção aliada a uma textura mais fluida, os franceses dos Laboratoires de Biarritz criaram a aclamada gama Alga Maris, enriquecida com algas antioxidantes. Para o dia a dia e com texturas mais adaptadas à rotina urbana, a Freshly Cosmetics disponibiliza protetores físicos em alumínio reciclado que minimizam o habitual tom esbranquiçado na pele. Finalmente, focada na máxima biodegradabilidade para desportos aquáticos, a Amazinc! apresenta soluções líquidas e sólidas em latas totalmente reutilizáveis e livres de plástico

Para saber mais sobre este tema consulte:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A UE tem um novo grande plano: substituir combustíveis fósseis por árvores. Nem todos gostam


Substituir o petróleo e o gás por biomassa produzida internamente irá reforçar a autonomia estratégica e reduzir emissões, defende Bruxelas. A UE “agarra-se à ilusão” de que é possível fazê-lo sem causar “danos sérios e imediatos” que isso acabará por infligir às pessoas e à natureza, sustentam alguns críticos.

A Comissão Europeia apresentou um novo plano para pôr fim ao domínio na economia dos combustíveis fósseis que aquecem o planeta — e substituí-los por árvores.

A chamada Estratégia para a Bioeconomia, divulgada na passada quinta-feira, pretende substituir os combustíveis fósseis usados atualmente em produtos como plásticos, materiais de construção, químicos e fibras por materiais orgânicos que voltam a crescer, como árvores e culturas agrícolas.

“A bioeconomia encerra oportunidades enormes para a nossa sociedade, economia e indústria, para os nossos agricultores, silvicultores e pequenas empresas, e para o nosso ecossistema”, afirmou na quinta-feira a responsável máxima da UE para o Ambiente, Jessika Roswall, citada pelo Politico.

No centro da estratégia está o carbono, o bloco de construção fundamental de uma vasta gama de produtos manufaturados, e não apenas da energia. Quase todo o plástico, por exemplo, é feito de carbono, e atualmente a maior parte desse carbono provém do petróleo e do gás natural.

Mas os combustíveis fósseis têm duas grandes desvantagens: poluem a atmosfera com CO₂ que aquece o planeta e são, em grande medida, importados de fora da UE, comprometendo a autonomia estratégica do bloco europeu.

A estratégia para a bioeconomia pretende responder a ambas as desvantagens, recorrendo a biomassa rica em carbono produzida localmente ou reciclada, em vez de combustíveis fósseis importados.

O propõe-se fazê-lo através da fixação de metas em legislação relevante, como as leis europeias sobre resíduos de embalagens, facilitando o acesso das startups da bioeconomia ao financiamento, harmonizando o quadro regulatório e incentivando novas fontes de biomassa.

A estratégia, com 23 páginas, é parca em promessas legislativas ou de financiamento, apoiando-se sobretudo em leis e fundos já existentes. Ainda assim, foi saudada pelos setores que poderão beneficiar de um mercado mais alargado para materiais de origem biológica.

“A indústria florestal acolhe favoravelmente a abordagem da Comissão em matéria de bioeconomia orientada para o crescimento”, afirmou a diretora-geral da Swedish Forest Industries Federation, Viveka Beckeman.

A responsável sublinhou ainda a necessidade de “reforçar o uso da biomassa como um recurso estratégico que beneficia não só a transição ecológica e os nossos objetivos climáticos comuns, mas também a segurança económica no seu conjunto”.

Quão renovável é, afinal?
Mas os ambientalistas receiam que Bruxelas esteja entusiasmada demais com a motosserra. As árvores não crescem de um dia para o outro, e a pressão sobre os ecossistemas naturais já é insustentavelmente elevada.

Relatórios científicos mostram que a quantidade de carbono armazenada nas florestas e solos da UE está a diminuir, que os habitats naturais do bloco se encontram em mau estado e que a biodiversidade se está a perder a um ritmo sem precedentes.

A proteção das florestas europeias também deixou de ser prioridade para muitos legisladores da UE. A emblemática lei europeia contra a desflorestação enfrenta atualmente um segundo adiamento, de um ano, após uma votação no Parlamento Europeu esta semana.

Em outubro, o Parlamento votou ainda a favor da revogação de uma lei destinada a monitorizar o estado de saúde das florestas europeias, para reduzir a burocracia.

Os ambientalistas avisam que o bloco pode pura e simplesmente não dispor de biomassa suficiente para responder ao aumento da procura.

“Em vez de definir uma estratégia que confronte a excessiva procura de recursos da Europa, a Comissão agarra-se à ilusão de que podemos simplesmente substituir o nosso atual consumo por matérias-primas de base biológica, ignorando os danos sérios e imediatos que isso acabará por infligir às pessoas e à natureza”, afirmou Eva Bille, responsável pela economia circular no European Environmental Bureau (EBB), em comunicado citado pelo Politico.

Madeira a mais para ser verdade
Os grupos ambientalistas querem que a Comissão dê prioridade à utilização dos recursos biológicos em produtos de longa duração, como a construção, em vez de usos de menor valor ou de curta duração, como embalagens descartáveis ou combustíveis.

Uma primeira versão preliminar da proposta, obtida pelo Politico, alimentou alguma esperança entre as organizações ambientais.

O texto destacava novas oportunidades para materiais sustentáveis de base biológica, mas avisava também que as “fontes de biomassa primária devem ser sustentáveis e a pressão sobre os ecossistemas deve ser consideravelmente reduzida” — para garantir que essas oportunidades se mantêm a longo prazo.

Dizia ainda que a Comissão trabalharia na “desincentivação da combustão ineficiente de biomassa”, substituindo-a por outros tipos de energias renováveis.

Essa formulação desagradou aos lóbis industriais.
Craig Winneker, diretor de comunicação da ePURE, o lóbi do etanol, queixou-se de que a linguagem do documento “prossegue uma tradição infeliz, em alguns setores da Comissão, de ignorar completamente a forma como os biocombustíveis sustentáveis são produzidos na Europa”, argumentando que essa energia “é, na verdade, um coproduto, a par dos alimentos, das rações e do CO₂ biogénico“.

Agora, essas referências ao compromisso de reduzir a pressão ambiental e de desincentivar a combustão ineficiente de biomassa desapareceram.

“A bioenergia continua a desempenhar um papel na segurança energética, particularmente quando utiliza resíduos, não aumenta a poluição da água e do ar e complementa outras energias renováveis”, lê-se na versão final do texto.

“Esta é uma omissão crucial, dado que a produção e o consumo insustentáveis da UE já ultrapassam em muito os limites ecológicos, colocando em risco pessoas, natureza e empresas”, criticou o EEB.

Delara Burkhardt, eurodeputada do grupo dos Socialistas e Democratas, considerou “positivo que a estratégia reconheça a necessidade de abastecer a biomassa de forma sustentável”, mas acrescentou que a proposta não aborda a questão da suficiência.

“Limitar-se a substituir materiais fósseis por materiais de base biológica, mantendo os atuais níveis de consumo, corre o risco de aumentar a pressão sobre os ecossistemas. Isso desloca os problemas em vez de os resolver. Precisamos de reduzir o uso global de recursos, não apenas de mudar a sua origem”, afirmou.

Roswall recusou comentar o rascunho anterior na conferência de imprensa de quinta-feira. “Acho que precisamos de aumentar os recursos de que dispomos, e é isso que esta estratégia procura fazer”, disse.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Adeus às embalagens de plástico? Jovens portugueses criam cápsula de algas com gel de banho que se dissolve na água



Todos os anos, 120 mil milhões de embalagens de plástico são descartadas. Os produtos de higiene, por exemplo, são usados durante semanas, mas as embalagens têm vida longa e acabam muitas vezes nos oceanos ou em aterros.

Para reduzir a quantidade de plástico que é desperdiçada, quatro jovens da Maia criaram uma alternativa biodegradável que cabe na palma da mão: a Clea é uma cápsula com gel que se desfaz durante o banho.

Este novo tipo de embalagem para produtos de higiene, tem gel de banho no interior, mas poderá ter também champô ou amaciador. A cápsula é compatível com a pele e sustentável já que é feita a partir de uma substância extraída das algas.

Foi no ano passado, na Escola Secundária da Maia, que tudo começou. Numa disciplina de opção do 12º ano, os alunos foram desafiados a desenvolver um projeto inovador sobre sustentabilidade. Para isso, a secundária da Maia tem protocolos com vários parceiros científicos, como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde os alunos têm oportunidade de desenvolver produtos, testar soluções e criar protótipos.[vídeo]

O produto já foi até distinguido com vários prémios, incluindo uma bolsa da National Geographic Society. Mais difícil tem sido convencer as marcas a apostarem nesta inovação.

Isabel Oliveira, Nuno Aroso, Maria Toga e Vasco Cardoso sonharam, a escola secundária deu-lhes asas e a ideia ganhou forma nos laboratórios da FEUP. Agora, só o mercado pode fazer a diferença.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Cinzas de cremação: onde jogar e outras ideias


As cinzas de cremação são, na verdade, fragmentos ósseos pulverizados resultantes do processo de cremação. A cremação é um processo de redução do corpo de um ser vivo após o falecimento.

Ao longo do tempo, a cremação tornou-se uma das opções mais populares nas alternativas aos enterros convencionais. No entanto, o influxo de pessoas procurando eternizar um ente querido em cinzas também resultou em impactos consequentes do descarte incorreto desses fragmentos.

Em vez de urnas usadas para armazenar as cinzas, muitas pessoas optam por jogar os fragmentos em corpos d’água, como o mar, ou em locais significativos ao falecido. De fato, dados da Inglaterra comprovaram que na década de 70, cerca de 12% das cinzas foram retiradas do crematório – agora são quase dois terços.

Porém, por muitos anos, cemitérios têm enterrado cinzas apenas para descobrir que a vida vegetal circundante não prospera. Mas por que isso acontece?

Do que são compostas as cinzas de cremação?
Como já mencionado, as cinzas de cremação são restos de ossos pulverizados. Durante o processo de cremação, o fogo destrói todos os vestígios de matéria orgânica à base de carbono e todos os fluidos corporais evaporam e escapam pelo escapamento do cremador.

O esqueleto humano, em geral, é constituído, principalmente, de carbonatos e fosfatos de cálcio. Ambos esses elementos contribuem para a força e formação dos ossos — que consequentemente sobrevivem às altas temperaturas de câmaras de cremação. Adicionalmente, um baixo percentual de outros elementos, como metais, também pode ser encontrado nos restos humanos.

Em geral, não existem duas amostras de cinzas humanas exatamente iguais em termos de composição elementar, já que ela é influenciada por condições externas, além da dieta e outros fatores.

Por que não se pode enterrar as cinzas de cremação?
Segundo uma investigação realizada pelo site Let your love grow, o enterro de altas concentrações de cinzas de cremação pode ter impactos negativos no meio ambiente. Isso se dá pelo alto pH dos fragmentos, que interagem com o solo e não permitem a liberação natural dos bons nutrientes das cinzas cremadas.

Além disso, as cinzas de cremação também possuem concentrações de sódio em quantidades que variam de 200 a 2 mil vezes mais do que a vida vegetal pode tolerar.

Por outro lado, outros especialistas concluem que, como não resta nenhum material orgânico após a cremação, as cinzas humanas não apresentam nenhum tipo de risco à saúde dos seres vivos ou do meio ambiente.

É proibido jogar as cinzas de cremação no mar?
No Brasil, não há legislação específica sobre o que se pode ou não fazer com as cinzas de cremação. Portanto, jogar as cinzas no mar não é especificamente proibido.

Coincidentemente, algumas instituições realizam serviços memoriais em que as cinzas são espalhadas no mar após serem entregues à família. Entretanto, existem algumas “regras de etiqueta” a serem seguidas antes de espalhar as cinzas em um lugar específico.

Onde não se pode jogar cinzas de cremação?

Segundo à Cremation Society da Grã-Bretanha, a dispersão de cinzas é desencorajada em:
  1. Topos de montanhas, onde as cinzas podem afetar a vida das plantas;
  2. Rios, perto de locais onde as pessoas tomam banho ou pescam;
  3. Menos de um quilômetro a montante de onde a água é retirada para beber;
  4. Dias de vento, quando as cinzas afetam as pessoas que vivem e trabalham nas proximidades.
Além disso, a instituição alerta sobre a possível poluição de outros materiais durante a cerimônia. Por isso, é desencorajada a dispersão de flores de plástico e outros materiais possivelmente poluentes em combinação com as cinzas.

Outros locais

Em contrapartida a essas regras, existem locais em que as cinzas não devem ser descartadas, como propriedades privadas. De fato, alguns anos atrás, o Wall Street Journal postou uma matéria que viralizou nas redes sociais sobre o descarte ilegal de cinzas de cremação em parques da Disney.

“Os atuais e antigos zeladores dos Parques Disney dizem que identificar e aspirar cinzas humanas é uma parte secreta e exclusiva do trabalho [nos parques]. É um trabalho terrível para eles, mas uma libertação catártica para os enlutados, que dizem que tratar os Parques Disney como um local de descanso final é o maior tributo aos fãs fervorosos.

Cinzas humanas foram espalhadas em canteiros de flores, arbustos e gramados do Magic Kingdom; fora dos portões do parque e durante os fogos de artifício; em Piratas do Caribe e no fosso sob os elefantes voadores do passeio Dumbo. Na maioria das vezes, de acordo com os zeladores e funcionários do parque, eles foram dispersos pela Haunted Mansion, a atração [com mais de 50 anos] que apresenta uma misteriosa propriedade antiga cheia de fantasmas imaginários”, diz o autor.

O ato de espalhar cinzas nos parques é estritamente proibido e ilegal, podendo resultar na expulsão e banimento de visitantes.

O que fazer com as cinzas de cremação?
Felizmente, existem diversas maneiras de eternizar as cinzas. Muitas instituições oferecem serviços em que as cinzas de cremação são transformadas em relicários e outros artefatos que podem ser guardados para sempre em memória da pessoa que faleceu.

Veja algumas dessas opções:
  1. Joias memoriais: Algumas joalherias transformam as cinzas em diamantes após a purificação do carbono dos fragmentos. Então, são transformadas em anéis, colares e outras joias;
  2. Tatuagem: Parece macabro, mas alguns tatuadores oferecem a imortalização das cinzas de cremação em tatuagens. Durante esse processo, as cinzas são misturadas com a tinta e marcadas para sempre na pele do recipiente;
  3. Plante uma árvore: Embora as cinzas possam oferecer prejuízos ao meio ambiente ao serem enterradas, algumas instituições oferecem um serviço em que a mistura das cinzas é purificada e transformada em matéria orgânica. Você também pode escolher uma urna biodegradável e enterrá-la junto com as cinzas;
  4. Prensagem de vinil: É possível fazer a prensagem de discos de vinis com as cinzas;
  5. Guarde em um bichinho de pelúcia: Em vez de uma urna, é possível armazenar as cinzas de cremação dentro de bichos de pelúcia, permitindo que você se console ao saber que uma pequena lembrança de seu ente querido está perto de você;
  6. Arte: Faça você mesmo uma pintura memorial para a pessoa que perdeu. Misture um pouco das cinzas na tinta e deixe sua inspiração fluir.
Fontes

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Quais são as opções de enterros sustentáveis?


Os enterros sustentáveis foram criados com o objetivo de criar uma alternativa mais eco-friendly para os enterros convencionais. Existem diversos métodos que prometem serviços funerários menos agressivos ao meio ambiente, mas que nem sempre são considerados enterros, uma vez que não há um enterro de fato. Entretanto, ainda são chamados de enterros sustentáveis pelo que representam — serviços funerários com o propósito de dar uma finalidade ao corpo de um ente querido. 

Enterros tradicionais exercem muito do meio ambiente, juntando diversos tipos de problemas ambientais em um só. Seja pelo espaço das áreas para construção de cemitérios, o concreto utilizado em túmulos ou químicos usados no embalsamento dos corpos, as práticas utilizadas nos serviços funerários podem ser muito agressivas. 

Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério. 

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Já os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causar danos ao local, impulsionando a poluição do solo e a possível contaminação de lençóis freáticos em áreas circundantes.

Além disso, caixões e lápides ocupam espaço e levam até 20 anos para se decompor — é possível que os donos de cemitérios fiquem sem lugar para enterrar novos corpos. Reformas para a reorganização de túmulos podem ser constantes. Isso, infelizmente, pode resultar na abundância de áreas desmatadas e em um impacto ambiental maior ainda.

Concreto
Concreto: o que é, tipos e impactos ambientais
Desse modo, cada vez mais novos métodos são desenvolvidos para diminuir o impacto ambiental dos enterros. Conheça alguns tipos de enterros sustentáveis e outros serviços funerários. 

Cremação
Embora não seja inteiramente sustentável, a cremação é uma opção mais viável que o enterro tradicional. É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono, que comparado aos 39 kg derivados do enterro convencional parece ser grande. Entretanto, ao avaliar os efeitos em longo prazo, é possível dizer que a cremação é mais sustentável, uma vez que o enterro convencional possui 10% mais impactos negativos no meio ambiente.

Outro ponto positivo da cremação é a sua disponibilidade. Além do enterro convencional, a cremação é uma opção popular para serviços funerários e altamente disponível no Brasil. 

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe. 

Em vez de ser desperdiçada, a água da ressomação possui nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimônias e sete vezes menos energia que o enterro. 

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil. 

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 nos Estados Unidos e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.  

Caixão de cogumelo
Bob Hendrikx, um inventor holandês criou um novo tipo de caixão a partir de cogumelos. Inspirado pela falta de alternativas sustentáveis de serviços pós-morte, Hendrikx investiu na criação de um caixão feito de micélio.

O caixão de Hendrikx leva apenas seis semanas para se decompor. Uma de suas preocupações diante dos serviços funerais comuns é de como eles transformam um processo natural em um industrial. De acordo com ele, sem os químicos usados no embalsamento, o corpo vira composto naturalmente, então por que não usar os cogumelos? Esses organismos são, muitas vezes, chamados de “os maiores recicladores”, então conseguem auxiliar na decomposição da matéria orgânica. 

Adicionalmente, o cogumelo é capaz de neutralizar substâncias tóxicas e fornecer nutrição para as plantas que crescem ao seu redor.

Bola de recife
Enterro em bolas de recife é um método desenvolvido pela empresa Eternal Reefs em conjunto com a Reef Ball Foundation e Reef Innovations. A técnica consiste na mistura de concreto com cinzas humanas para a formação de bolas perfuradas que são instaladas em ecossistemas marinhos para a restauração de corais. O método promete a reconstrução de ambientes aquáticos degradados, a partir da criação de novos recifes que podem abrigar diversas espécies marinhas. 

Por outro lado, esse processo contribui um pouco para as emissões de carbono. As bolas de corais são feitas a partir de uma mistura de cinzas resultantes da cremação e cimento — que é responsável por 4-8% de todas as emissões de CO2 do mundo. 

Enterro no céu
O enterro no céu é um método usado, principalmente, no Tibete e foi criado por budistas. Entre as opções de enterro sustentável, essa talvez seja a mais brutal entre elas. 

Esse tipo de serviço envolve o transporte do corpo para os cemitérios onde os abutres locais vêm se alimentar. O processo permite que os restos mortais sejam reaproveitados de volta à cadeia alimentar e, em algumas culturas, é conhecido por impulsionar o karma bom. 

Quintas de corpos
As quintas de corpos foram criadas com base nos trabalhos do antropólogo William Bass. Durante a década de 70, o especialista queria estudar como os corpos se decompõem naturalmente. 

Ele fez isso usando cadáveres, que foram colocados numa “quinta” numa ampla variedade de cenários de decomposição.

Atualmente, o serviço é oferecido no Rancho Freeman na Texas State University, onde estudantes, cientistas e aspirantes a detetives usam cadáveres para estudar ciência criminal, micróbios e tanatologia, o estudo da morte.

Enterro verde 
Entre as alternativas, o enterro verde é o que mais pode ser considerado um enterro sustentável, uma vez que é feito abaixo da terra. Em vez de ser um método a parte, ele é similar ao enterro convencional, mas com algumas práticas menos agressivas que podem efetivamente diminuir os impactos ambientais do serviço funerário. 

A maioria dos enterros feitos antes do século XIX eram feitos desse modo e permanecem sendo feitos por algumas religiões, como o judaísmo e o islamismo.

Algumas práticas do enterro verde incluem: 
  1. Não embalsamar o corpo;
  2. Cova rasa; 
  3. Caixões biodegradáveis, como o de papelão e caixões de madeira; 
  4. Enterro sem túmulos de concreto. 
  5. O embalsamento, por exemplo, não é necessário e é considerado como um procedimento cosmético para a conservação do corpo. Entretanto, alguns cemitérios podem não aceitar esse método de enterro, o que pode ser um obstáculo.
Conclusão 
Muitos dos enterros sustentáveis ainda são métodos recentes, sem muitas práticas disponíveis no Brasil. O enterro verde, por exemplo, é um dos métodos mais fáceis, mas depende dos cemitérios. Para se certificar de que serviço pode ser realizado, pesquise as opções de cemitérios da sua região e pergunte sobre a disponibilidade da prática. 

Até então, a cremação é um dos métodos mais viáveis de serviço funerário.

Fontes: CNN, Funerals.org, The New York Times, Eirene Blog, The Guardian (1 e 2), Green Matters e National Geographic (1 e 2), Guia Funerária

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Embalagens descartáveis de papel têm forte impacto na biodiversidade e em futuros incêndios florestais em Portugal


A União Europeia (UE) está a rever o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR). Neste contexto, as embalagens de papel e cartão têm um forte destaque, sendo de prever um aumento da procura, alicerçada na urgente necessidade de redução do uso do plástico e associado às características de renovação e biodegradação da madeira.

A revisão dessas regras pela UE é encarada pela indústria de celulose como uma oportunidade de expansão da sua área de negócio, associada às fibras da madeira, aos “biomateriais”. Em Portugal, essa oportunidade tem suscitado um aumento da pressão das celuloses sobre a governação para o aumento das áreas de plantações de eucalipto.

As embalagens de papel e cartão estão associadas à produção de madeira para triturar. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), na publicação das Contas Económicas da Silvicultura de 2021, em junho deste ano, a produção de madeira para triturar triturada representou em 2021 (dados provisórios) 41,4% da produção de madeira, cortiça e outros bens silvícolas, o vlor mais alto desde 2015. Já a produção de cortiça e de madeira para serração representaram apenas 24,4% e 20,2%, respetivamente. Face a 2020, em 2021 a produção de madeira para triturar aumentou 2,5%, ao contrário da produção de cortiça que contraiu 6,0%. Em 2021, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura registou uma contração de 1,8%, mantendo a tendência decrescente registada desde 2015. O VAB da silvicultura representa atualmente menos de metade do peso registado em 2000. Ou seja, o aumento na produção de madeira para triturar ao longo deste período de tempo não tem peso económico significativo para a silvicultura nacional. Os reflexos fazem-se sentir não só na economia, mas têm impacto social, no emprego, e ambiental, na perda de biodiversidade e em emissões de gases de efeito estufa decorrentes da tendência crescente dos incêndios, sobretudo em áreas de “povoamento florestal”.

A produção de madeira para triturar, essencial para a produção de embalagens, de papel de escritório e de “bio”energia, está associada em Portugal, sobretudo, às plantações de eucalipto, a extensas áreas de monocultura, a modelos de silvicultura intensiva, a crescente risco de incêndio. A expansão da área destas plantações, pelo peso crescente da área sob gestão de abandono nas últimas décadas em Portugal, acarretará significativos problemas sociais e ambientais no futuro, entre os quais os associados aos incêndios florestais e emissões decorrentes, como assistimos recentemente em Odemira, em Ourém/Leiria e em Coimbra.

O mito da aposta “verde” nos “biomateriais”, nas “forest fibers” tem consequências negativas, motivo pela qual a Acréscimo manifesta a sua preocupação face ao oportunismo associado à revisão do normativo da UE protagonizado por parte da indústria de celulose. No plano europeu, a Environmental Paper Network (EPN) e a Fern produziram e divulgaram um vídeo sobre os impactos do uso de embalagem descartáveis de papel e cartão, no caso, associados ao setor alimentar, nomeadamente ao “fast food” e ao “take away”.

O embalamento em papel tem algumas vantagens sobre o uso de plástico no que diz respeito à sustentabilidade. São mais fáceis de reciclar e, por serem biodegradáveis, podem ser utilizados para fins como compostagem. No entanto, a produção de papel exige muitos recursos: p.e., fabricar um saco de papel consome mais energia do que a produção de um saco de plástico, e os produtos químicos e fertilizantes utilizados na produção de sacos de papel criam danos adicionais para o ambiente. Estudos demonstraram que, para um saco de papel neutralizar o seu impacto ambiental em comparação com o plástico, teria de ser utilizado entre três e 43 vezes. Como os sacos de papel são os menos duráveis de todas as opções de ensacamento, é improvável que um consumidor aproveite o suficiente de qualquer saco de papel para equilibrar o impacto ambiental. O facto de o papel ser reciclável tem as suas limitações. Como as fibras do papel ficam mais curtas e mais fracas cada vez que ocorre o processo de reciclagem, existe um limite de quantas vezes o papel pode ser reciclado.

Se qualquer material de embalamento tem o seu impacte ambiental, seja papel, plástico, tecido, vidro ou outro, o fundamental é optar por aquele material que garanta maior capacidade de reutilização. O embalamento à base do corte de arvoredo tem, a este nível, enormes limitações. Por outro lado, o uso de madeira para embalamento descartável gera menos emprego, menor valor acrescentado na silvicultura, tem maior impacto na perda de biodiversidade e está associado a bens que rapidamente libertam para a atmosfera o carbono antes sequestrado pelo arvoredo, carbono esse que contribui para o aquecimento global, o que acarreta fortes consequências em futuros incêndios florestais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cartoon - Plastic



Pode haver menos plástico no oceano do que os cientistas pensavam anteriormente, mas o que existe pode persistir por muito tempo, de acordo com um novo estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda.

Cientistas baseados na Holanda e na Alemanha realizaram modelagem computacional 3D usando extensos dados observacionais e medições feitas em águas superficiais, praias e oceanos profundos de 1980 a 2020.

O estudo de modelagem estimou que pedaços de plástico com mais de 25 milímetros (uma polegada) representam mais de 95% do plástico flutuando no oceano. Embora a maioria das partículas de plástico no oceano seja muito pequena, a massa total desses microplásticos – definida como menos de cinco milímetros (0,2 polegadas) – é relativamente baixa.

“ A maior parte da massa plástica está contida nos grandes itens de plástico (>25 mm) ”, que flutuam com mais facilidade, disseram os autores do estudo .

Comentando os resultados, recentemente publicados na Nature Geoscience [ 1 ] , os pesquisadores disseram que a preponderância de pedaços flutuantes maiores sugere que a quantidade total de plástico no oceano é " muito menor " do que se pensava anteriormente. Mas o estudo também mostrou que a quantidade total de plástico na superfície do oceano – cerca de 3,2 milhões de toneladas – é muito maior do que inicialmente estimado.

No entanto, o modelo também descobriu que menos plástico novo chega ao oceano todos os anos do que se pensava anteriormente – cerca de meio milhão de toneladas em vez de quatro a 12 milhões de toneladas – decorrente principalmente das costas e da atividade pesqueira.
Uma situação de preocupação

O fato de o plástico estar flutuando em pedaços grandes pode ajudar nos esforços de limpeza. " Pedaços grandes e flutuantes na superfície são mais fáceis de limpar do que os microplásticos ", disse o coautor do estudo Erik van Sebille, da Universidade de Utrecht , na Holanda, em comunicado.

No entanto, a combinação de mais plástico de superfície e menos plástico novo sugere que " demorará mais tempo até que os efeitos das medidas para combater o desperdício de plástico sejam visíveis " , disse o líder do estudo , Mikael Kaandorp . " Se não agirmos agora, os efeitos serão sentidos por muito mais tempo ", acrescentou.

E a quantidade de poluição plástica nos oceanos do mundo ainda está crescendo. Sem mais mitigação e limpeza, o lixo plástico remanescente pode dobrar em duas décadas, de acordo com os autores do estudo.

Negociações internacionais
A preocupação com o impacto dos plásticos no meio ambiente e no bem-estar humano aumentou nos últimos anos. Estima-se que detritos de plástico matem mais de um milhão de aves marinhas e 100.000 mamíferos marinhos a cada ano, de acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O novo estudo surge enquanto o mundo aguarda o primeiro rascunho de um tratado internacional altamente antecipado da ONU para combater a poluição plástica , previsto para novembro.


[ 1 ] Kaandorp, MLA, Lobelle, D., Kehl, C. et al. "Massa global de plásticos marinhos flutuantes dominados por grandes detritos de vida longa", Nature Geoscience 16, 689-694 (2023). 

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Plásticos Recicláveis: Conheça os Tipos e Características



O plástico, como conhecemos hoje, foi criado em 1920 por um químico alemão que descobriu a estrutura molecular dos polímeros. Seu nome tem origem na palavra grega “plastikos”, que significa “que pode ser moldado”.

Porém, os estudos que levaram até essa descoberta começaram por volta de 1860, quando o químico e inventor britânico Alexander Parkes descobriu o nitrato de celulose, a chamada “parkesina”, um material altamente flexível, impermeável e com características de opacidade.

Ao longo dos anos, muita coisa mudou e esse material foi sendo aperfeiçoado. Pesquisadores identificaram possibilidades na variação das características de cada polímero, diversificando seus tipos. Assim surgiu a divisão dos plásticos em: termoplásticos (podem ser reciclado) e termorrígidos (não são recicláveis).

Tipos de plásticos recicláveis
Como nem todos os plásticos podem ser reciclados, aqueles que têm essa propriedade são representados por um triângulo formado por três setas e com um número de identificação para a classificação quando chegam ao centro de reciclagem.

O uso dessa simbologia nas embalagens não é necessariamente obrigatório, mas é amplamente utilizado pelos fabricantes, pois facilita o processo de separação e reciclagem dos materiais. A numeração vai de 1 a 7. Os plásticos representados pelos números de 1 a 6 são, geralmente, reciclados.
Tipos e características dos plásticos recicláveis
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1 – PET (Tereftalato de Polietileno)
O PET é um dos plásticos recicláveis mais comuns, formado pela reação entre o ácido tereftálico e o etileno glicol. Normalmente, usado na produção de frascos e garrafas para alimentos, como é o caso das garrafas de refrigerante e água, além de embalagens de medicamentos e cosméticos. Trata-se de material transparente, inquebrável, impermeável e leve.
Sua desvantagem é ser feito a partir do petróleo, uma fonte não renovável, e quando misturado a outros tipos de materiais, como fibras de algodão, torna-se inviável para reciclagem.

2 – PEAD (Polietileno de Alta Densidade)
O PEAD é comumente utilizado para fabricação de tampas e embalagens, como é o caso dos frascos de amaciantes, alvejantes, shampoos, detergentes e óleos automotivos; bem como, sacolas de supermercados, potes e utilidades domésticas.

É muito utilizado por ser inquebrável, resistente a baixas temperaturas, leve, impermeável, rígido e com resistência química. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais. Nesse último caso, temos o chamado plástico verde.

3 – PVC (Policloreto de Vinila)
O PVC é formado por 57% de cloro e 43% de eteno (derivado do petróleo). Tem como característica ser mais rígido, transparente (quando desejável), impermeável, e inquebrável.

Popularmente conhecido por seu uso na construção civil, em tubulações de água e esgoto, é também comumente encontrado em embalagens como as de óleos comestíveis, água mineral e potes de maionese. Além disso, é bastante utilizado em produtos mais resistentes, como cones de sinalização, calhas e até mesmo brinquedos. Apesar da reciclagem do PVC ser possível quando o material é bem separado, esse tipo de plástico é um dos que apresenta maior dificuldade quando chega aos centros de triagem.

4 – PEBD (Polietileno de Baixa Densidade)
O PEBD, é um tipo de plástico muito utilizado por ser flexível, leve, transparente e impermeável. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais, neste último caso chamado de plástico verde.

Usado para fabricar sacolas para supermercados e lojas, embalagens de leite e outros alimentos, como pães, frios e embutidos, bem como sacos de lixo e materiais hospitalares.

5 – PP (Polipropileno)
O PP é um tipo de plástico reciclável produzido a partir do gás propeno. Tem como características ser inquebrável, transparente, brilhante, rígido e resistente a mudanças de temperatura, além de conservar bem aromas.

Muito utilizado em filmes para embalagens e alimentos, na fabricação de produtos industriais e da construção civil, como cordas, tubos para água quente, fios e cabos. Também tem sido utilizado em frascos, caixas de bebidas, autopeças, potes e utilidades domésticas. Possui propriedades semelhantes às do polietileno, mas com um ponto de amolecimento mais elevado.

6 – PS (Poliestireno)
O PS possui características como leveza, capacidade de isolamento térmico, baixo custo, flexibilidade e é moldável sob a ação do calor, o que o deixa em forma líquida ou pastosa.

Usado para fabricar potes para alimentos, como iogurtes, sorvetes e doces, frascos, em partes de eletrodomésticos, como a parte interna de portas de geladeiras, em brinquedos e em alguns produtos descartáveis, como copos plásticos e aparelhos de barbear.


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O processo de reciclagem do plástico pode ser realizado de três formas: a reciclagem física ou mecânica, a química ou de resina, e a energética. Cada um conta com características próprias e usos distintos:
1 – Reciclagem mecânica
É o tipo mais comum de reciclagem de plásticos. O processo começa com a coleta do material, tanto de resíduos industriais, como de coleta doméstica. Em seguida, o plástico passa por uma limpeza e triagem, para que seja analisado o que será aproveitado. Depois disso, o processo de reciclagem é iniciado. Todo o material é reduzido a pequenos grãos, sem que isso modifique suas propriedades físicas, que servirão como matéria-prima para a produção de outros produtos. Esse tipo de reciclagem é visto em cooperativas de coleta seletiva.

2 – Reciclagem química ou de resina
Trata-se de um processo mais complexo, já que o plástico passa por uma transformação química capaz de fazê-lo retroceder à sua condição anterior. Esse procedimento é conhecido como logística reversa. O objeto plástico retorna à sua condição inicial por meio de manipulações químicas, que envolvem a aplicação de solventes, ácidos, calor, entre outros processos químicos.

3 – Reciclagem energética
No caso da reciclagem energética, o material recolhido é transformado em energia termelétrica, em um processo em que o plástico reciclável é submetido a altas temperaturas, e o vapor que resulta dessa incineração é convertido em energia capaz de movimentar hélices conectadas a turbinas. Desse movimento, para cada 1.000 quilos de plástico reciclado, são produzidos 640 Kwh.

O processo ocorre devido à composição do plástico, que é derivado do petróleo, capaz de produzir energia suficiente para substituir o óleo diesel e demais combustíveis fósseis quando aquecido.

Documentário:

segunda-feira, 24 de abril de 2023

The U.N. is Negotiating a Treaty that Could Solve the Plastic Problem. Here's What You Need to Know. Sign and share the Petition


Atualmente, 175 países estão a negociar um tratado internacional juridicamente vinculativo sobre poluição plástica que pode mudar o mundo. É um grande acontecimento.

Mas, ao mesmo tempo, permanece a questão de saber se esse tratado será forte o suficiente ou se certos países ou empresas impedirão o progresso que poderia ser alcançado.

Alguns países e empresas dizem que querem um tratado ambicioso, mas quando você realmente olha para os detalhes, eles não estão pressionando por soluções significativas.

Por exemplo, os EUA querem que a parte “juridicamente vinculativa” do tratado seja que cada nação tenha um plano de ação. Mas isso é como permitir que os alunos escolham a sua própria lição de casa e a avaliem também.

Enquanto isso, as empresas químicas e de plásticos estão fazendo lobby ativamente por termos de tratados mais fracos. No início, eles se opuseram aos regulamentos de plástico. Mas isso prejudicou a sua reputação e os seus resultados. Então agora eles mostram-se pouco empenhadas, fazendo reivindicações de sustentabilidade e tentando enfraquecer as soluções por dentro. Elas continuam pressionando por termos de tratados mais fracos e flexíveis que se concentrem na gestão de resíduos em vez de reduzir o plástico na fonte.

Não podemos esperar que as empresas que criaram o problema ajudem a resolvê-lo. E não podemos deixar que este tratado deixe espaço para lavagem verde da indústria e falta de progresso real.

Sabemos que o problema dos plásticos é grande. Enfrentamos algo maior do que qualquer indivíduo, organização, legislador ou líder empresarial pode enfrentar sozinho.

Por isso, estamos nos unindo a aliados e organizações em todo o mundo para exigir um tratado forte que combata ambiciosamente a poluição plástica. Estaremos entregando esta petição aos líderes e delegados mundiais antes da próxima ronda de negociações no INC-2 (Comitê Intergovernamental de Negociação) no final de maio e início de junho.

Precisamos que os governos de todo o mundo aproveitem esta oportunidade histórica ouvindo as pessoas. Isso vai ser um levantamento pesado. O Big Oil e o Big Plastic não deverão manter-se tranquilos. Mas estamos prontos para nos reunirmos, ao lado de amigos de todo o mundo. Você está pronto?

Não importa como você está lidando com o problema dos plásticos, precisamos de você.

Assina e partilha a petição
Para: Líderes mundiais, delegados e representantes no INC-2

De: 

Como cidadãos globais de todo o mundo, pedimos a vocês que aprovem um forte tratado internacional sobre poluição plástica.

Precisamos de um tratado que:
  1. É juridicamente vinculativo e tem prazos para limitar e reduzir a produção de plástico, acelerando a transição dos plásticos descartáveis para a reutilização e recarga.
  2. Prioriza a saúde, os meios de subsistência e a experiência dos trabalhadores e comunidades da linha de frente em todo o ciclo de vida dos plásticos.
  3. Rejeita soluções falsas, como incineração de resíduos, “reciclagem” química, conversão de resíduos em energia, dumping internacional e outros esforços de lavagem verde apoiados pela indústria para continuar a produção de plástico como de costume.
  4. Inclua disposições que responsabilizem as corporações poluidoras e os países produtores de plástico.
  5. Por favor, proteja a saúde do nosso povo e do nosso planeta. Os cidadãos da terra exigem isso.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Mais de 170 triliões de partículas de plástico estão a flutuar nos nossos oceanos

Estes plásticos agora superam os peixes no mar.
O peso total destes plásticos representa 2,3 milhões de toneladas, realça o estudo.
A limpeza é inútil se a produção continuar à sua taxa atual.
Devemos abordar esta poluição na fonte e avançar para uma economia circular...agora.


An unprecedented rise in plastic pollution has been uncovered by scientists, who have calculated that more than 170tn plastic particles are afloat in the oceans.

They have called for a reduction in the production of plastics, warning that “cleanup is futile” if they continue to be pumped into the environment at the current rate.

The research, by the 5 Gyres Institute and published in the journal Plos One, evaluates trends of ocean plastic from 1979 to 2019. The authors noted a rapid increase of marine plastic pollution and blamed the plastics industry for failing to recycle or design for recyclability.

Dr Marcus Eriksen, the co-founder of the 5 Gyres Institute, said: “The exponential increase in microplastics across the world’s oceans is a stark warning that we must act now at a global scale, stop focusing on cleanup and recycling, and usher in an age of corporate responsibility for the entire life of the things they make.

“Cleanup is futile if we continue to produce plastic at the current rate, and we have heard about recycling for too long while the plastic industry simultaneously rejects any commitments to buy recycled material or design for recyclability. It’s time to address the plastic problem at the source.”


The researchers looked at 11,777 samples of floating ocean plastics to create a global time series that estimated the average counts and mass of microplastics in the ocean surface layer, lining up the data with international policy measures aimed at reducing plastic pollution to evaluate their effectiveness.

It found that from 2005, there had been a rapid increase in the mass and abundance of ocean plastic. This could reflect exponential increases in plastic production, fragmentation of existing plastic pollution or changes in terrestrial waste generation and management.

The scientists estimate at least 170tn plastic particles are present in the oceans, with a combined weight of about 2m tonnes.

They say without immediate global action on plastic production, the rate of plastic entering aquatic environments is expected to increase approximately 2.6-fold from 2016 to 2040.

quarta-feira, 8 de março de 2023

Recipientes de plástico podem conter PFAS e estão a entrar nos alimentos


Pesquisadores da Universidade de Notre Dame estão adicionando à sua lista de produtos de consumo que contêm PFAS (substâncias per e polifluoroalquil), uma classe tóxica de compostos de flúor conhecidos como "produtos químicos eternos".

Num novo estudo publicado na Environmental Science & Technology Letters , recipientes de plástico de polietileno fluorado de alta densidade (HDPE) - usados ​​para produtos de limpeza doméstica, pesticidas, produtos de higiene pessoal e, potencialmente, embalagens de alimentos - testaram positivo para PFAS.

Após um relatório conduzido pela EPA que demonstrou que esse tipo de recipiente contribuiu com altos níveis de PFAS para um pesticida, esta pesquisa demonstra a primeira medição da capacidade do PFAS de lixiviar dos recipientes para os alimentos, bem como o efeito da temperatura na lixiviação processo.

Os resultados também mostraram que os PFAS eram capazes de migrar dos recipientes fluorados para os alimentos, resultando numa rota direta de exposição significativa a produtos químicos perigosos , que têm sido associados a vários problemas de saúde , incluindo cancro de próstata, rim e testículo, baixo peso ao nascer, imunotoxicidade e doença da tiróide.

"Não apenas medimos concentrações significativas de PFAS nesses contentores, como também podemos estimar os PFAS que estavam vazando, criando um caminho direto de exposição", disse Graham Peaslee, professor de física no Departamento de Física e Astronomia da Notre Dame e um autor do estudo.

É importante observar que esses tipos de recipientes não são destinados ao armazenamento de alimentos , mas nada impede que sejam usados ​​para armazenamento de alimentos no momento. Embora nem todo plástico HDPE seja fluorado, observaram os pesquisadores, muitas vezes é impossível para um consumidor saber se um recipiente passou por esse tratamento. E, de fato, acrescentou Peaslee, se substâncias como pesticidas forem armazenadas nesses recipientes e depois usadas em plantações agrícolas , esses mesmos PFAS entrarão nas fontes de alimentação humana dessa maneira.

Em 2021, a EPA anunciou seu Roteiro Estratégico PFAS - prometendo agir sobre a exposição generalizada ao PFAS. O plano inclui o desenvolvimento de uma compreensão mais abrangente dos efeitos na saúde e no meio ambiente da exposição ao PFAS, evitando mais contaminação do ar, terra e água e abordando a necessidade de limpeza do PFAS já existente no meio ambiente.

O PFAS é frequentemente usado em associação com produtos resistentes a manchas ou à água. Para o estudo, Peaslee e a estudante de pós-graduação Heather Whitehead testaram recipientes de HDPE que foram tratados com flúor para criar uma camada fina de um fluoropolímero, como um meio de conferir resistência química e melhorar o desempenho do recipiente durante longos períodos de armazenamento.

Embora esses materiais geralmente permaneçam na parede do recipiente, o processo de fabricação pode gerar muitas moléculas menores de PFAS, que não são polímeros. Experimentos foram projetados para medir a capacidade desses produtos químicos de migrar do recipiente para amostras de diferentes alimentos e solventes.

A análise dos recipientes encontrou níveis de partes por bilião de PFAS que podem migrar para solventes e matrizes de alimentos em menos de uma semana.

“Medimos as concentrações de PFOA que excederam significativamente o limite estabelecido pelos Limites Consultivos de Saúde de 2022 da EPA”, disse Peaslee. "Agora, considere que não apenas sabemos que os produtos químicos estão migrando para as substâncias armazenadas neles, mas também que os próprios recipientes retornam ao meio ambiente por meio de aterros sanitários. O PFAS não é biodegradável. Ele não desaparece. Uma vez que esses produtos químicos são usados, eles chegam às águas subterrâneas, entram em nossos sistemas biológicos e causam problemas de saúde significativos”.

Peaslee e Whitehead mediram as concentrações de PFAS em azeite , ketchup e maionese que estiveram em contato com os recipientes fluorados por sete dias em várias temperaturas. Com base na quantidade encontrada nas diferentes amostras de alimentos, o estudo estima que PFAS suficiente pode ser ingerido por meio de alimentos armazenados nos recipientes para representar um risco significativo de exposição.

Os recipientes são os produtos mais recentes de uma longa lista daqueles testados por Peaslee e o seu laboratório em Notre Dame, incluindo cosméticos, equipamentos de combate a incêndios, uniformes escolares e embalagens de fast food.