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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Trentemøller: In The Gloaming

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Letra
[Chorus]
You draw me in
You pull me down
A rose behind all those many thorns

[Verse 1]
Tears of a silent rain falling
Leading me back to you
Through the dusk, into the dark night

[Chorus]
You draw me in
You pull me down
A rose behind all those many thorns

[Bridge]
In the gloaming
All the shadows, they fall
In the moonlight
All the stars are aligned
For you
For me
For us to see

[Chorus]
You draw me in
You pull me down
A rose behind all those many thorns

[Verse 2]
In the gloaming
In the twilight
Will I find a way?

[Chorus]
You draw me in
You pull me down
A rose behind all those many thorns

Em relação à nacionalidade, o projeto é dinamarquês, já que Anders Trentemøller nasceu em Copenhague, na Dinamarca, e toda a produção e base do seu selo independente, In My Room, estão sediadas lá. Quanto às colaborações, a grande parceira desta faixa e de boa parte do álbum é a cantora e guitarrista dinamarquesa Lisbet Fritze, ex-membro da banda Giana Factory, que assume a responsabilidade pela voz etérea e flutuante que guia a melodia da canção, além de colaborar de perto nos arranjos de guitarra com Trentemøller. 
No estilo musical, a música marca uma consolidação da transição do artista, que começou na música eletrônica minimalista e no techno, migrando para sonoridades mais orgânicas e analógicas. Dessa forma, o estilo de "In The Gloaming" pode ser classificado como Dream Pop ou Space Pop, devido às linhas de sintetizadores brilhantes e vocais enevoados que remetem a bandas clássicas como Cocteau Twins, e também como Shoegaze ou Post-Punk, pelo uso de guitarras marcantes com muito reverb e linhas de baixo melódicas e proeminentes, com forte influência de bandas dos anos 80 e início dos 90, como The Cure e o selo 4AD. 
Sobre o significado da canção, o termo "Gloaming" significa o crepúsculo ou a hora do lusco-fusco, que é aquele momento de transição exato entre o fim do dia e o início da noite. Liricamente, a canção usa essa metáfora do entardecer para falar sobre transição, impermanência e o esmaecer de um relacionamento. Segundo o próprio Trentemøller, a letra é aberta e abstrata, funcionando quase como uma pintura para complementar a música, retratando a ambiguidade de um amor que está esfriando, como uma rosa por trás de tantos espinhos, a sensação de perda iminente, mas também a busca por uma luz ou guia para atravessar esse momento de escuridão, equilibrando melancolia e um romantismo sombrio. 
Por fim, a mensagem do vídeo mostra que o videoclipe oficial captura perfeitamente essa estética alucinógena e melancólica do crepúsculo, brincando visualmente com o conceito de liminaridade, que é o espaço entre dois estados, como a vigília e o sonho, ou a luz e a sombra. A mensagem do vídeo gira em torno do isolamento e da introspecção, de modo que, através de imagens granuladas, contrastes de luz desfocada e cores frias intercaladas com lampejos de luz quente, o clipe transmite a sensação de que o tempo está desacelerando, espelhando visualmente a jornada emocional da música e o sentimento de estar perdido nos seus próprios pensamentos, olhando para o espaço, enquanto o mundo ao redor mergulha na noite para simbolizar o fim de um ciclo ou o momento exato em que aceitamos que algo chegou ao fim.

Embora o videoclipe de "In The Gloaming" não seja um documentário sobre a natureza ou mostre florestas tropicais exuberantes, a biofilia faz-se presente de forma subtil, poética e melancólica. Trentemøller usa a relação com os elementos naturais para traduzir o estado psicológico das personagens, surgindo no vídeo através de três aspetos principais.

Primeiramente, o crepúsculo surge como um elemento vital, associado à hora do lusco-fusco, visto que a biofilia dita que respondemos biologicamente aos ciclos da Terra e ao ritmo circadiano. O teledisco é inteiramente focado na transição da luz do dia para a escuridão da noite, pelo que o ambiente natural do entardecer, com o sol a sumir no horizonte e a mudar a tonalidade do céu, não é apenas um fundo fotográfico, mas sim algo que dita o ritmo desacelerado, a introspecção e o sentimento de recolhimento das personagens, retratando o ser humano a reagir emocionalmente a um fenómeno natural.

Em segundo lugar, destacam-se os ambientes naturais nórdicos e o isolamento, dado que o vídeo se passa em grande parte ao ar livre, mostrando paisagens típicas da Escandinávia, como praias desertas, o mar cinzento, campos abertos e o vento constante. Existe aqui um contraste biofílico muito claro, pois as personagens parecem perdidas ou distantes quando estão em espaços fechados, sendo precisamente quando vão para a natureza, como a praia e o campo aberto, que parecem processar os seus sentimentos de forma mais profunda, funcionando a imensidão do mar e do céu como um espelho para o vazio ou a melancolia que sentem por dentro.

Por último, verifica-se o embate entre a luz orgânica e a luz artificial, com o teledisco a abusar de texturas visuais e a focar-se imenso na forma como a luz natural, vinda do sol poente e dos reflexos na água, bate na lente da câmara, gerando feixes de luz desfocados, conhecidos como lens flares. Esta busca por texturas orgânicas e imperfeitas da luz natural constitui uma forma de design biofílico visual que gera uma sensação de calor, presença e nostalgia que a luz artificial e fria de um estúdio jamais conseguiria replicar.

Concluindo, o veredicto aponta que, no vídeo, a biofilia não aparece como uma celebração alegre da vida selvagem, mas sim como uma ligação visceral e melancólica com a impermanência da natureza, onde as personagens procuram o isolamento no mundo natural para conseguirem digerir o fim de um ciclo afetivo.

sábado, 14 de março de 2026

White Hills - Spirit Of Exile


Spirit of Exile (Original)
Spirit of exile
Living in the shadows
A constant reminder
Of what used to be

The path is narrow
The journey is long
Searching for a reason
To carry on

Spirit of exile
Alone in the crowd
Voices are screaming
But never aloud

Espírito do Exílio (Tradução)
Espírito do exílio
Vivendo nas sombras
Uma lembrança constante
Do que costumava ser

O caminho é estreito
A jornada é longa
Procurando uma razão
Para continuar

Espírito do exílio
Sozinho na multidão
Vozes gritam
Mas nunca em voz alta

Em sintonia com o conceito do álbum H-p1 (2011), esta música explora o sentimento de ser um estrangeiro na própria sociedade. O "exílio" aqui não é geográfico, mas sim mental e espiritual — a sensação de estar desconectado de um mundo dominado pelo consumo e pela tecnologia fria.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Cult of Dom Keller - This is how it feels to live your life dead


Melhor som aqui

As letras de Cult of Dom Keller, especialmente no álbum This Is How It Feels to Live Your Life Dead, são o reflexo perfeito do título: niilistas, existenciais e profundamente obscuras.

A banda não costuma escrever letras narrativas (com princípio, meio e fim); eles focam-se em criar mantras e imagens fragmentadas que reforçam a sensação de desespero e desorientação.

Temas Recorrentes
A Morte em vida: como o título sugere, as letras exploram a apatia, o vazio emocional e a sensação de estar "morto por dentro" enquanto o corpo continua a funcionar.

Decadência mental: há referências constantes a estados de psicose, alucinações e o colapso da sanidade.

Consumo e vício: metáforas sobre substâncias e a necessidade de escapar da realidade através do ruído ou da alteração da consciência.

O "Vazio" (The Void): o conceito de nada absoluto é uma constante, tanto nas letras como na própria estrutura sonora repetitiva.

Sites
Bandcamp
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Spotify
Youtube

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Caroline Polachek - Total Euphoria


Significado de "Total Euphoria" 
A canção, que faz parte da versão deluxe do aclamado álbum Desire, I Want To Turn Into You, é uma colaboração com o produtor Oneohtrix Point Never. Como o título sugere, a música explora o estado de êxtase absoluto. Não é apenas uma alegria comum; é aquela sensação de estar "fora do corpo", onde o desejo e a realidade se fundem.
 Ela utiliza metáforas sensoriais e espaciais para descrever a perda de controle. É sobre o momento em que você para de lutar contra seus instintos e se entrega totalmente a uma experiência ou a alguém. 
 Conexão com o álbum: o disco inteiro fala sobre a natureza "indomável" do desejo humano, e esta faixa serve como o clímax sonoro desse conceito.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Música do BioTerra: This Will Destroy You - The Mighty Rio Grande e versão da mesma música pelos We Are All Astronauts


Já estive no Texas e Arizona. Gente sulista, q.b. Bem há de tudo. Outra constatação é a diáspora portuguesa. Há portugueses em todo o canto do mundo. Mesmo nos locais mais inesperados. Outro facto marcante foi saber que há estudantes texanos que gostam de aprender Português- Universidade do Texas, em Austin . Mas é a paisagem que me marcou muito (retirando as grandes urbes): é imensa, por vezes aterradora e apaixonante, as alterações climatéricas são uma constante, os canyons são fabulosos e moldam espíritos. Daí produzir músicos excepcionais. Entre muitos destaco This Will Destry You, Stars of the Lid e os Explosion in the Skies.
 

sábado, 5 de setembro de 2015

Música do BioTerra: God Is an Astronaut - Forever Lost


Com imagens dos filmes "Baraka" (1992) , de Ron Fricke e "Home" (2009), de Yann Arthus-Bertrand

Página Oficial

Curiosidade: O nome da banda  foi inspirado numa citação do filme Nightbreed (no Brasil, Raça das Trevas), de 1990, dirigido por Clive Barker. 

A frase completa, proferida pela personagem Peloquin no filme, é:
"All things are true. God's an Astronaut. Oz is Over the Rainbow, and Midian is where the monsters live."
(Tudo é verdade. Deus é um astronauta. Oz é além do arco-íris, e Midian é onde os monstros vivem.) 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Encontros Improváveis: Nelson Mandela e Cousin Silas- Flying Over Shepperton

Cousin Silas - Flying Over Shepperton

"Negar ao povo os seus direitos humanos é pôr em causa a sua humanidade. Impor-lhes uma vida miserável de fome e privação é desumanizá-lo."~ Nelson Mandela (discurso 1990)

O título do álbum é uma referência direta a Shepperton, uma cidade na Inglaterra famosa pelos seus estúdios de cinema e por ser a residência do escritor de ficção científica J.G. Ballard, cujas obras frequentemente servem de inspiração para a estética de Cousin Silas.

sábado, 24 de novembro de 2012

Combater a Opressão- como? por Agostinho da Silva


Combater a Opressão 

"É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão." 

Agostinho da Silva, in 'Considerações'



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O meu sentir é como Steve Roach - Destination Beyond


Uma só faixa-álbum por Steve Roach, "Destination Beyond", foi lançado em 2009. Perto de uma hora e 15 minutos de Música Espacial Ambiente Arquitectónica Sónica Electrónica Física!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Videopoema da Semana: Vinicius e Atomise



Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Vinicius de Moraes