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domingo, 16 de novembro de 2025

Miguel Real - A Morte de Portugal

Um livro muito interessante e peculiar e actual. Já é de 2007. Mas recuperei a leitura e identifico-me com este ensaio. Este pequeno ensaio diligencia desenhar os quatro complexos culturais por que Portugal se foi concebendo a si próprio ao longo de 800 anos de História: ora um país gerado exemplarmente no mais remoto dos tempos e contra as mais difíceis circunstâncias (Viriato); ora um país que, durante e após os Descobrimentos, se vê a si próprio como nação superior às demais, sintetizada na majestática arquitectónica do Quinto Império de padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva; ora um país que, fracassado o sonho grandiloquente do Império, se lastima e se penitencia, considerando-se nação inferior, passível de máxima humilhação (Marquês de Pombal); ora, finalmente, país mesquinho, venenoso e bárbaro, permanentemente ansioso de purificação ortodoxa, no qual cada corrente política e intelectual tem sobrevivido da canibalização das correntes adversárias, negando-as e humilhando-as. Por efeito do ambiente educacional e social, cada português percorre na sua vida, recorrente e ciclicamente, estas quatro figurações da sua história e da sua cultura.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Filme: "Non" ou a Vã Glória de Mandar


Non, ou a Vã Glória de Mandar é um filme português de longa-metragem realizado em 1990 por Manoel de Oliveira. Trata da história de Portugal tal como contada pelo alferes Cabrita aos homens da sua companhia em plena guerra colonial. Recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes.
A palavra "Non" foi resgatada dos escritos do Padre António Vieira, que a definia como uma "terrível palavra" associada à impossibilidade de expansão ou ao limite do poder humano.
A narrativa decorre maioritariamente em África, no ano de 1974, em plena Guerra Colonial. Enquanto um contingente de soldados portugueses avança por um território em conflito, o Alferes Cabrita (interpretado por Luís Miguel Cintra) relata aos seus camaradas diversos momentos marcantes da história militar do país. Através de sucessivos flashbacks e saltos temporais, a longa-metragem retrata a identidade nacional sob a perspetiva de grandes reveses históricos, tais como:
  • A resistência de Viriato face à invasão do Império Romano.
  • A Batalha de Alcácer-Quibir e o fatídico desaparecimento de D. Sebastião.
  • A queda do império e o fim dos mitos de expansão territorial.
O filme culmina de forma simbólica com a morte do Alferes Cabrita exatamente no dia 25 de abril de 1974, data da Revolução dos Cravos que marcou o fim da ditadura e da própria guerra em África.