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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Suprema Corte do México ratifica proibição de cultivo de milho transgénico

Coletivos e organizações em defesa do milho comemoram a "decisão transcendental para a preservação"



A 1ª Turma da Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) do México negou por unanimidade, na quarta-feira (13), o amparo da revisão judicial promovido em 2016 pelas empresas Bayer-Monsanto, Syngenta, PHI México e outras, para suspender a medida cautelar que proíbe definitivamente o cultivo comercial de milho geneticamente modificado no país.

Elaborado pela ministra e juíza Norma Lucía Piña Hernández, o projeto de resolução estabelece que a sentença de 2016 não contrariou, em momento algum, os princípios da segurança jurídica e da proteção à confiança, argumentos que as empresas levantaram para derrubar a medida cautelar.

Os integrantes do grupo Coletividade Demandante em Defesa do Milho destacaram, num comunicado, que a resolução permite que os juízes ditem as medidas adequadas para proteger os direitos e interesses coletivos e qualificaram os 130 argumentos que a Corte rejeitou como "vazios e enganosos".

"Esta decisão é transcendental para a preservação dos milhos nativos e da milpa", diz o comunicado, referindo-se ao policultivo tradicional na América Central, "mas também para o setor de apicultura e para as próprias abelhas que, como parte da biodiversidade, foram severamente afetadas pela chegada dos transgénicos, assim como da soja e do milho, e do uso de agrotóxicos como o glifosato".

A decisão da Suprema Corte do país determina que o cultivo comercial de milho transgénico continuará proibido no México, enquanto permite o cultivo experimental sob determinadas condições, incluindo a notificação prévia a um juiz.

Embora a ratificação do SCJN implique um avanço nas restrições que, desde 2002, são promovidas por coletivos e organizações em defesa do milho para proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados no México, ainda existem na agenda temas pendentes relacionados a essa luta no país.

Uma longa luta inacabada
O cultivo experimental abriu as portas para que esse tipo de testes passassem a ser aplicados em outros cultivos, como o milho, a soja e o algodão.

Os efeitos da contaminação das plantações eram evidentes, particularmente nas de milho, onde a introdução acelerada dos transgênicos desde a assinatura, em 1994, do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) afetou variedades de milho nativas e também os solos e outras culturas associadas à milpa, como a abóbora.

Tudo isso levou a que, em 1998, a recém-formada Comissão Nacional de Biossegurança Agrícola (CNBA) estabelecesse uma moratória sobre o plantio de milho geneticamente modificado em todo o país, uma vez que, como em outras regiões da América Central, o México é considerado lugar de origem do cultivo.

Apesar disso, as relações comerciais derivadas do NAFTA introduziram sementes de milho transgênicas nos campos do país. Assim, até 2004, o México importava um terço do milho que consumia dos Estados Unidos, segundo a Revista Biodiversidad, Sustento y Cultura.

O desaparecimento da Conasupo, um sistema de distribuição e compra que incentivava a produção nacional e regulava os preços internos do país, fez com que, no início do século 21, a presença dos transgénicos colocasse em risco centenas de milhares de famílias de camponeses e indígenas que, durante séculos, viveram do cultivo de milho.

Os beneficiários desta nova modalidade comercial foram as empresas transnacionais que, desde 2008, controlam mais de 80% do mercado comercial de sementes através de patentes.

Essas empresas incluem gigantes globais da biotecnologia, como Bayer-Monsanto, Syngenta, DuPont e Bayer, todas com negócios nos campos de cultivo mexicanos e, atualmente, integrantes da mesa diretiva da Associação Mexicana de Produtores de Sementes.

Um estudo realizado em 2001 por Ignacio Chapela e David Quist, publicado na revista Nature, revela os altos níveis de contaminação do milho nativo nas regiões de Oaxaca e Puebla com a introdução dos cultivos transgénicos.

Isso fez com que, em 2002, centenas de comunidades camponesas e indígenas e organizações ambientalistas e da sociedade civil formassem a Rede em Defesa do Milho, que se comprometeu a realizar amostragens em outras regiões do país, bem como promover ações legais, políticas e sociais em prol do milho nativo.

Os fóruns e encontros que a Rede tem realizado desde 2002 ressaltam a importância de entender o milho como um eixo orientador da vida comum de milhares de povos e comunidades camponesas e indígenas no México, uma vez que os usos desse cultivo não só atendem à alimentação, como também implicam toda uma relação cultural, orgânica e política dos territórios.

O Estado mexicano, no entanto, não escutou as demandas e o eco internacional das exigências da Rede em Defesa do Milho e, em 2004, sob o mandato de Vicente Fox, aprovou a Lei de Biossegurança e Organismos Geneticamente Modificados, mais conhecida como "Lei Monsanto".

Em 2009, já no período de Felipe Calderón, foi eliminada a moratória estabelecida desde 1998 para impedir o plantio de milho transgénico no território mexicano e autorizado o plantio experimental de milho transgénico operado pelas empresas Bayer-Monsanto, Syngenta, PH México (uma fusão entre DuPont e Pioneer) e Dow.

A partir daí, após uma série de ações e apelos internacionais contra outros cultivos como a soja transgénica, em 2013, a Fundação Sementes de Vida, em conjunto com a Coletividade Demandante em Defesa do Milho Nativo, ganhou um processo judicial que proibia o plantio comercial do milho transgénico no México e regulamentava o cultivo experimental.

Essa decisão, que significou um avanço em relação às décadas e legislações anteriores, foi ratificada hoje pela SCJN.

No entanto, ainda está pendente a modificação da ordenança para garantir a proteção do milho nativo dos cultivos transgénicos e, além disso, garantir o acesso a uma reparação dos danos por parte das empresas que têm atentado contra a vida no campo mexicano com esses cultivos desde a década de 1980.

sábado, 16 de março de 2019

Documentário: Symphony of Soil (Sinfonia do Solo)


Drawing from ancient knowledge and cutting edge science, Symphony of the Soil is an artistic exploration of the miraculous substance soil. By understanding the elaborate relationships and mutuality between soil, water, the atmosphere, plants and animals, we come to appreciate the complex and dynamic nature of this precious resource. The film also examines our human relationship with soil, the use and misuse of soil in agriculture, deforestation and development, and the latest scientific research on soil’s key role in ameliorating the most challenging environmental issues of our time. Filmed on four continents, featuring esteemed scientists and working farmers and ranchers, Symphony of the Soil is an intriguing presentation that highlights possibilities of healthy soil creating healthy plants creating healthy humans living on a healthy planet.

Página Oficial
Symphony of the Soil

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Documentário da Semana: O Mundo Segundo a Monsanto - The World According to Monsanto


Este documentário é o resultado do trabalho de três anos de investigação da jornalista francesa Marie-Monique Robin. O livro "Le monde selon Monsanto" e o documentário homónimo são um libelo contra os produtos e o lobby da multinacional. A Monsanto produz 90% dos transgénicos plantados no mundo e é líder no mercado de sementes.

"Alimentação, Saúde, Esperança": no seu site, a empresa de St. Louis promete uma agricultura sustentável, rendimentos mais elevados, ambientalmente amigável. 
Experiente jornalista de investigação, tendo recebido o Premio Albert-Londres em 1995, a realizadora decidiu analisar de forma pormenorizada, inclusive, explorando o passado da empresa. O seu primeiro passo leva-a a Anniston, Alabama, onde 40% da população, na sua maioria negros, que estão a sofrer de cancro. Em 2002, a Monsanto foi condenada pelo tribunal a pagar 700 milhões de dólares por ter escondido durante décadas os perigos do PCB ... 

Para saber mais:
2. Arte 

terça-feira, 17 de junho de 2008

Documentário - Call of Life: Facing the Mass Extinction


Em todo o mundo, as espécies estão se extinguindo a uma taxa surpreendente, de 1.000 a 10.000 vezes mais rápido que o normal. A perda de biodiversidade tornou-se tão grave que os cientistas estão chamando isso de um evento de extinção em massa.

Call of Life: Facing the Mass Extinction é o primeiro documentário a investigar a crescente ameaça aos sistemas de suporte à vida da Terra por causa dessa perda sem precedentes de biodiversidade. Por meio de entrevistas com importantes cientistas, psicólogos, antropólogos, filósofos e líderes indígenas e religiosos, o filme explora as causas, o alcance e os efeitos potenciais da extinção em massa, mas também olha além das causas imediatas da crise para considerar como nossa sistemas culturais e econômicos, juntamente com padrões psicológicos e comportamentais arraigados, permitiram que essa situação se desenvolvesse, continuasse a reforçá-la e até mesmo determinar nossa resposta a ela.

Call of Life conta a história de uma crise não apenas na natureza, mas também na natureza humana, uma crise mais ameaçadora do que qualquer coisa que os seres humanos já enfrentaram antes.

Site Oficial:

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Documentário: The Future of food - O Futuro dos Alimentos


A partir da pradarias de Saskatchewan, Canadá para os campos de Oaxaca, México, este filme dá voz aos agricultores cujas vidas e meios de subsistência foram negativamente afectados por esta nova tecnologia. As implicações para a saúde, as políticas governamentais e impulso à globalização fazem parte da razão pela qual muitas pessoas estão alertadas com a introdução de culturas geneticamente modificadas no nosso abastecimento alimentar.

Com imagens dos E.U.A., Canadá e México, O FUTURO DA ALIMENTAÇÃO examina a complexa teia de mercado e as forças políticas que estão a mudar aquilo que comemos como grandes empresas multinacionais procuram controlar o sistema mundial de alimentos. O filme também explora as alternativas para a agricultura industrial em larga escala, colocando a agricultura biológica e sustentável como soluções reais para a crise agrícola de hoje.

Página oficial: The Future of Food
Em Inglês
There is a revolution happening in the farm fields and on the dinner tables of America - a revolution that is transforming the very nature of the food we eat.
The Future of Food offers an in-depth investigation into the disturbing truth behind the unlabeled, patented, genetically engineered foods that have quietly filled U.S. grocery store shelves for the past decade.
From the prairies of Saskatchewan, Canada to the fields of Oaxaca, Mexico, this film gives a voice to farmers whose lives and livelihoods have been negatively impacted by this new technology. The health implications, government policies and push towards globalization are all part of the reason why many people are alarmed by the introduction of genetically altered crops into our food supply. Shot on location in the U.S., Canada and Mexico, The Future of Food examines the complex web of market and political forces that are changing what we eat as huge multinational corporations seek to control the world's food system. The film also explores alternatives to large-scale industrial agriculture, placing organic and sustainable agriculture as real solutions to the farm crisis today.