Mostrar mensagens com a etiqueta Refugiados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Refugiados. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de julho de 2026

Xénia - A regra de Zeus

Zeus Xenios-Philoxenon
A Odisseia de Christopher Nolan pode não ser totalmente fiel ao poema épico de Homero mas tem o dom de por toda a gente a falar desta obra fundamental que, com a Ilíada, fundou a chamada civilização ocidental. Interessa pouco a escolha dos intérpretes  de alguns personagens, pois no fundo todos eles são inadequados já que não há gregos entre o cast, o que até é bastante insultuoso para a Grécia. 

Adiante. O que mais importa na Odisseia é que se tornou numa obra universal e ainda hoje pode ser entendida por todos, desde japoneses a congoleses: é um épico de provação e superação das dificuldades que podia ocorrer em qualquer civilização. E está tão bem relatado, que se torna no primeiro livro de aventuras digno desse nome. E a regra de Zeus (xénia), da hospitalidade obrigatória aos que chegam, de dar comida, bebida e abrigo sem perguntar nada e a gratidão intrínseca que os migrantes devem ter aos seus hospitaleiros ainda hoje tem eco nos migrantes actuais. 

Essa regra foi quebrada por Ulisses e também por alguns dos hospitaleiros, como Polifemo, e isso levou às desgraças que cada um teve de sofrer. E esta regra de Zeus não podia ser mais actual, pois ainda hoje a quebramos constantemente com os emigrantes, sejam os desgraçados africanos que atravessam o Mediterrâneo, sejam os hindus que povoam Lisboa que são rejeitados pela extrema-direita, sejam os latinos expulsos pelo ICE nos EUA. 

Daí o termo xenófobo, que é o contrário de bem-receber e à regra de Zeus, que podia ser de Deus, o tal que unificou o Olimpo num só omnipotente ser divino, que com todos os seus poderes não consegue aplacar as atrocidades que se cometem todos os dias contra emigrantes e não só.

Ler mais:
Deconstruction in a nutshell : a conversation with Jacques Derrida

terça-feira, 2 de junho de 2026

Ouçam o discurso de Noah Eckstein: O fim da escuta - porque já não sabemos debater? Um manifesto anti-polarização


Noah Eckstein inicia o seu discurso de forma descontraída, recorrendo à estrutura de uma piada tradicional: um cristão, um muçulmano e um judeu entram num bar. Contudo, contextualiza que, na sua própria família, essa união resultou no casamento dos seus avós e, gerações mais tarde, no seu próprio nascimento como um judeu orgulhoso que também celebra as heranças cristã e muçulmana da sua família.

O ponto central da mensagem de Eckstein baseia-se na lição que aprendeu com os seus avós (um muçulmano paquistanês que cresceu durante a guerra de 1947 e um refugiado judeu do Holocausto): o oposto da divisão não é o acordo, mas sim a compreensão. Ele destaca que o mundo atual nos empurra constantemente para binários e visões polarizadas (esquerda vs. direita, progressista vs. conservador, nós vs. eles), exigindo sempre que escolhamos um lado.

Os seus avós discordavam em inúmeros temas morais e ideológicos, mas mantinham o hábito de se sentar à mesa a debater e a demonstrar preocupação mútua. Eckstein lamenta que a sociedade atual tenha perdido essa capacidade; os debates tornaram-se mais barulhentos, as pessoas discutem apenas para vencer ou humilhar o adversário, e o indivíduo do outro lado deixou de ser visto como uma pessoa para passar a ser visto como um obstáculo.

O orador salienta que tentar compreender quem pensa de forma diferente não significa desculpar atos monstruosos ou abdicar dos próprios ideais. Pelo contrário, compreender o percurso e as motivações do outro é uma ferramenta crucial, aplicável tanto aos grandes conflitos geopolíticos como às pequenas interações do dia a dia — seja com um familiar no jantar de Ação de Graças ou com um colega de turma na faculdade.

Ao concluir, Eckstein deixa um desafio aos recém-graduados de Harvard: quando encontrarem alguém com quem discordam, devem defender as suas convicções, mas também devem colocar-se no lugar do outro e escutar como se pudessem estar errados. Lembra que os seus avós morreram fiéis às suas próprias crenças e tradições, sem nunca cederem nos seus ideais, mas mantiveram sempre o respeito mútuo. Num mundo profundamente fraturado, a verdadeira mudança e a cura das divisões só serão possíveis através de um esforço genuíno para compreender a humanidade do próximo.

Uma pequena bio aqui

Fez-me relembrar uma citação famosa "O oposto da guerra não é a paz... É a criação!" que consta numa obra de teatro musical, "Rent" (1996) composta por Jonathan Larson.

Em 2005 estreou a adaptação para o cinema de Rent, sob a direção de Chris Columbus.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Quase metade de imigrantes recentes em Portugal sobrequalificados para trabalho que fazem


Foi divulgado esta segunda-feira o relatório da OCDE International Migration Outlook 2025. Entre vários dados apresentados relativamente ao fenómeno migratório em Portugal consta o cálculo de que 41% dos imigrantes recentes em Portugal são sobrequalificados para o trabalho que estão a fazer. Esta percentagem nos trabalhadores portugueses situa-se nos 12%, sendo assim um dos maiores fossos dos países analisados.

O nosso país é assim um dos destaques por ter uma taxa de sobrequalificação dos imigrantes “particularmente elevada” junto com a Itália, Noruega e Suécia. Isto contrasta com baixas taxas na Áustria e Alemanha e com uma taxa “praticamente nula no Canadá e nos Estados Unidos”.

Elencam-se explicações gerais para o desfasamento entre qualificações e emprego como os obstáculos no reconhecimento de qualificações e licenças profissionais, barreiras linguísticas e desajuste entre mercado de trabalho e qualificações.

No caso português salienta-se que 57% dos imigrantes são remetidos para a economia dos baixos salários dos setores do turismo, restauração e construção.

O estudo qualifica como imigrantes recentes” os que chegaram entre 2006 e 2015 e define sobrequalificação como o facto de o trabalhador deter um diploma de ensino superior e ter um trabalho que apenas exige qualificações médias ou baixas.

Portugal tem ainda uma das mais altas taxas de imigrantes empregados, 76%. E estes, quando entram no “mercado de trabalho” nacional ganham em média menos 28% do que os trabalhadores portugueses da mesma idade e sexo.

No país, o número de entradas de imigrantes de longa duração está a baixar. Entre 2023 e 2024 desceu 1,9%, sendo no total de 138.000. Neles se incluem 28% de imigrantes beneficiários de livre circulação, 44% de migrantes laborais e 14% de familiares, para além de estudantes internacionais do ensino superior que terão sido pelo menos 9.000.

Em termos gerais, a migração no espaço da OCDE desceu 4% em 2024, com um total de 6,2 milhões de novos migrantes de longa duração. No espaço da União Europeia este decréscimo é mais acentuado, nos EUA a tendência é de crescimento.

No conjunto dos países analisados, as razões familiares continuam a ser a maior causa, tendo a imigração laboral caído 21% e a humanitária aumentado 23%. Já a migração laboral estabilizou em 2,3 milhões e os estudantes do ensino superior foram 1,8 milhões, menos 13%.

O número de requerentes de asilo aumentou 13%. Na maior parte dos países até caiu, mas isso foi mais do que compensado por aumentos nos EUA, Canadá e Reino Unido. Na União Europeia, o número de deteções de passagens ilegais de fronteiras desceu 37% e nos EUA 48%. A percentagem de pessoas nascidas no estrangeiro nos países da OCDE situa-se nos 11.5%.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A Rita Cyyd Matias voltou a publicar a "lista" das crianças, agora brincando com a situação FALSA


Não, os estrangeiros não têm prioridade nas creches em Portugal.
As vagas nas creches (públicas, IPSS ou com acordo com a Segurança Social) são atribuídas com base em critérios sociais e familiares, e não na nacionalidade.

Os critérios mais comuns incluem:
1.Situação profissional dos pais (por exemplo, ambos a trabalhar ou a estudar).
2.Situação económica do agregado familiar.
3.Existência de irmãos já inscritos na mesma instituição.
4.Proximidade da residência ou do local de trabalho dos pais.
5.Situações de risco ou vulnerabilidade social (por exemplo, famílias monoparentais, crianças sinalizadas pela CPCJ, etc.).

Fonte: Portaria n.º 198/2022 - Artigo 9.º 
Importante destacar que são critérios objetivos, e não há referência a nacionalidade.
Em nenhum dos pontos prioritários, tanto no Despacho Normativo n.º 10-B/2021 como na Portaria n.º 198/2022, está expresso que os alunos vindos do exterior têm prioridade sobre os restantes.


USA - Land of the free?

The New Colossus
By Emma Lazarus
November 2, 1883

"Not like the brazen giant of Greek fame,
With conquering limbs astride from land to land;
Here at our sea-washed, sunset gates shall stand
A mighty woman with a torch, whose flame
Is the imprisoned lightning, and her name
Mother of Exiles. From her beacon-hand
Glows world-wide welcome; her mild eyes command
The air-bridged harbor that twin cities frame.
"Keep, ancient lands, your storied pomp!" cries she
With silent lips. "Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free,
The wretched refuse of your teeming shore.
Send these, the homeless, tempest-tost to me,
I lift my lamp beside the golden door!"

Cartoon por Mike Luckovich

Nota: The New Colossus é um soneto escrito pela poetisa norte-americana Emma Lazarus. Ele foi escrito em 1883 com o propósito de angariar fundos para o pedestal da Estátua da Liberdade. O soneto está embutido numa placa de bronze dentro da estátua.

domingo, 21 de setembro de 2025

Antes do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023

1.⁠ ⁠Haifa Massacre 1937
2.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1937
3.⁠ ⁠Haifa Massacre 1938
4.⁠ ⁠Balad al-Sheikh Massacre 1939
5.⁠ ⁠Haifa Massacre 1939
6.⁠ ⁠Haifa Massacre 1947
7.⁠ ⁠Abbasiya Massacre 1947
8.⁠ ⁠Al-Khisas Massacre 1947
9.⁠ ⁠Bab al-Amud Massacre 1947
10.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1947
11.⁠ ⁠Sheikh Bureik Massacre 1947
12.⁠ ⁠Jaffa Massacre 1948
13.⁠ ⁠Deir Yassin Massacre 1948
14.⁠ ⁠Tantura Massacre 1948
15.⁠ ⁠Qibya Massacre 1953
16.⁠ ⁠Khan Yunis Massacre 1956
17.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1967
18.⁠ ⁠Sabra and Shatila Massacre 1982
19.⁠ ⁠Al-Aqsa Massacre 1990
20.⁠ ⁠Ibrahimi Mosque Massacre 1994
21.⁠ ⁠Jenin Refugee Camp April 2002
22.⁠ ⁠Gaza Massacre 2008-09
23.⁠ ⁠Gaza Massacre 2012
24.⁠ ⁠Gaza Massacre 2014
25.⁠ ⁠Gaza Massacre 2018-19
26.⁠ ⁠Gaza Massacre 2021
27.⁠ ⁠Gaza Genocide 2023 is still ongoing.
The world didn’t start on October 7!

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Dia Mundial do Refugiado - Ahmad Joudeh Dance


Ahmad Joudeh é um bailarino e coreógrafo holandês. Ele nasceu e foi criado como refugiado apátrida na Síria. Mudou-se para a Holanda com a ajuda da Companhia Nacional Holandesa de Ballet em 2016. Atualmente atua internacionalmente como artista. Em 2021, obteve a cidadania holandesa.

É importante celebrarmos o Dia Mundial do Refugiado porque as pessoas precisam de perceber o que os outros estão a passar e parar de tratar mal as pessoas consideradas refugiadas. Guerras, conflitos e outras dificuldades podem destruir a realidade de uma criança nos dias de hoje. Podemos ajudá-las a salvar o seu futuro.

Gostava que não ouvíssemos a palavra "refugiado" o tempo todo. A rotulagem tem um impacto enorme. Eu cresci a ser chamado de "refugiado" o tempo todo. O que é um "refugiado"? Como pode uma criança pequena compreender o conceito de "refugiado"?

As crianças não compreendem o que está a acontecer se elas e as suas famílias precisam de fugir e estão em constante movimento. E não conseguem perceber se vivem noutro país e continuam a ser chamadas de "refugiadas". Até quando uma pessoa pode ser considerada "refugiada"?

É a complexidade da pertença. As pessoas apoiam-se em rótulos para criar uma divisão, para fazer com que os outros pareçam inferiores e excluí-los sistematicamente.

Como podemos ser tão cruéis e deixar uma criança crescer sentindo que nunca pertence a lado nenhum? Que nunca se sentirá em casa e que não se poderá sentir segura.
Uma mudança não pode começar com ações de sistemas ou governos, mas precisa de começar na mente das pessoas.

As pessoas devem começar a reparar na forma como se olham e se tratam. Para isso, cada pessoa precisa de começar por si própria.
Entrevista aqui

Dia Mundial dos Refugiados - cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência

UN High Commissioner for Refugees Filippo Grandi greets women and children returning to Syria from Lebanon on a bus at the Jdeidat-Yabous border crossing.

As Nações Unidas criticaram hoje, no Dia Mundial dos Refugiados, os cortes destinados à ajuda humanitária que põem em risco as 122 milhões de pessoas obrigadas a encontrar proteção longe dos locais de residência.

O responsável máximo pelo Alto Comissariado nas Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, lamentou em comunicado a incapacidade que se regista na solução dos conflitos e que provocou um aumento sem precedentes do número de refugiados de guerra em todo o mundo: 122 milhões.

Em concreto, Grandi referiu-se aos conflitos no Sudão, Ucrânia, República Democrática do Congo e Gaza. 

"Para piorar uma situação desesperada, os cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência, ameaçando a vida de milhões de pessoas que precisam desesperadamente de ajuda", alertou o responsável pelo ACNUR na mensagem que assinala o Dia Mundial dos Refugiados.

O alto-comissário disse ainda que é importante reafirmar a solidariedade para com os refugiados com ações urgentes.

Por outro lado, demonstrou esperança em exemplos que disse serem inspiradores - que não especificou - de países localizados nos limites de zonas de guerra que continuam a acolher e a proteger refugiados.

"Os inúmeros atos individuais de bondade e compaixão (...) revelam a humanidade comum", afirmou sem detalhar. 

No mesmo documento, Filippo Grandi referiu que se encontra na Síria, onde após 14 anos de "crise e desespero" (guerra civil), dois milhões de pessoas já decidiram regressar.

No caso da Síria, Grandi referiu que existe esperança em relação à situação dos refugiados, tratando-se de uma oportunidade que deve ser aproveitada.  

Segundo Grandi, trata-se de momentos que são apenas possíveis graças à solidariedade demonstrada pelos países vizinhos da Síria, que proporcionam refúgio às pessoas.

O responsável da agência das Nações Unidas elogiou as comunidades sírias que estão a acolher os compatriotas com o apoio de instituições como o ACNUR e "parceiros locais e internacionais".

"Neste Dia Mundial dos Refugiados e todos os dias, os governos, as instituições, as empresas e os indivíduos podem provar que, ao ajudar as pessoas apanhadas em conflitos sem sentido, podem vir a alcançar estabilidade, humanidade e justiça", disse Grandi. 

Marcelo alia-se à ONU e pede solidariedade para com refugiados em Portugal
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que "este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal", pedindo ações nesse sentido e rejeitando "visões egoístas da comunidade". 

Numa mensagem publicada no 'site' oficial da Presidência da República, a propósito do dia mundial do refugiado, o chefe de Estado salienta que "a persistência e o agravamento dos conflitos, a crise climática, as complexas e perigosas inter-relações entre estes problemas, bem como os recentes cortes na ajuda humanitária forçam, neste ano de 2025, mais de 122 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas em busca de segurança e proteção". 

Realçando que a Organização das Nações Unidas (ONU) pede solidariedade para com os refugiados, o Presidente da República português associa-se a este apelo. 

"Este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal, honrar as suas histórias e mostrar apoio inabalável à sua situação", lê-se na mensagem. 

O chefe de Estado português avisa que esta solidariedade expressa-se "por ações, entre as quais a criação de condições condignas de acolhimento e a promoção de políticas de proteção".

"Só assim se poderá priorizar um princípio de humanidade compartilhada, em detrimento de visões egoístas da comunidade", acrescenta. 

Ler mais:
«Não é para vocês»: abrigos israelitas excluem palestinianos enquanto as bombas caem

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Guerra e violência mantêm 122 milhões deslocados em todo o mundo


Cerca de 122,1 milhões de pessoas vivem longe de casa em todo o mundo devido a guerras, violência e perseguições, um recorde que quase dobra o número de 2015, indica um relatório publicado hoje pela ONU.

Conflitos como os de Myanmar (antiga Birmânia), Sudão e Ucrânia continuam a ser os principais responsáveis por esta deslocação forçada, que inclui mais de 42,7 milhões de refugiados em países que não o de origem e 73,5 milhões de deslocados internamente, de acordo com o relatório da agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Destes refugiados e deslocados internamente, 40% são menores de idade e 7% têm mais de 60 anos.

Os números recorde, atualizados até abril, surgem num contexto de "relações internacionais voláteis" e de conflitos marcados por um enorme sofrimento para os civis, afirmou o Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, no lançamento do relatório.

De acordo com o documento, a Síria deixou de ser o país com mais refugiados e deslocados em todo o mundo (13,5 milhões), tendo sido ultrapassada pelo Sudão, com 14,3 milhões de pessoas deslocadas pela guerra civil.

O Afeganistão ocupa o terceiro lugar, com 10,3 milhões de deslocados, e a Ucrânia a quarta posição, com 8,8 milhões.

Em termos de refugiados em outros países, as quatro nações mencionadas tenham cada uma um número semelhante, cerca de seis milhões.

Em termos de países de acolhimento, o Irão ocupa o primeiro lugar, com 3,8 milhões de refugiados, na maioria afegãos, seguindo-se a Turquia (3,1 milhões, na maioria sírios), Colômbia (2,8 milhões, principalmente da Venezuela), Alemanha (2,7 milhões) e Uganda (1,7 milhões).

Em termos relativos, o Líbano lidera a lista, com um refugiado em cada oito habitantes, seguido do Chade e da Jordânia, onde a proporção é de um refugiado em cada 16 pessoas.

O relatório do ACNUR inclui ainda estatísticas relativas aos países que recebem mais pedidos de asilo, uma lista encabeçada pelos Estados Unidos (729 mil só na primeira metade de 2024), seguidos do Egito (433 mil para todo o ano), Alemanha (229 mil), Canadá (174 mil) e Espanha (167 mil, muitos deles colombianos, venezuelanos e ucranianos).

Numa perspetiva positiva, 9,8 milhões de pessoas - um número notavelmente mais elevado do que noutros anos - regressaram a casa em 2024, incluindo dois milhões de sírios, um número que deverá aumentar acentuadamente em 2025, na sequência da queda do regime de Bashar al-Assad, no final do ano passado.

Embora o regresso de deslocados seja, em princípio, uma notícia positiva, o ACNUR observa que, em alguns casos, ocorreram num contexto adverso para estas populações, como é o caso do grande número de afegãos que estão a ser forçados a voltar ao país, ainda abalado pela violência, a partir dos vizinhos Irão e Paquistão.

O ACNUR recorda no relatório que, contrariamente à perceção em muitos países desenvolvidos, 60% das pessoas deslocadas à força não abandonam o país de origem e que, dos refugiados que o fazem, dois em cada três vivem em países vizinhos e três em cada quatro em economias em desenvolvimento.

A agência da ONU alertou ainda para o facto de que, embora o número de deslocados no mundo tenha quase duplicado em relação aos 65 milhões contabilizados em 2015, o financiamento da agência permanece quase ao mesmo nível, "num contexto de cortes brutais na ajuda humanitária".

Embora o relatório não detalhe esses cortes, fontes internas da agência indicaram nos últimos meses que, na sequência do congelamento das contribuições dos EUA, um dos seus principais contribuintes, a agência foi forçada a reduzir o pessoal em todo o mundo em cerca de 30%.

Perante este cenário, a agência para os refugiados insta os dadores a continuarem a financiar os programas de assistência aos refugiados e deslocados, "um investimento essencial para a segurança regional e mundial".

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Demography of Europe – 2025 edition

Discover interesting insights about how the population is developing, ageing and much more in this interactive publication.

The publication is divided into 4 sections: population structure, population change, population diversity and marital status.

Consulte o mapa interactivo aqui

domingo, 25 de maio de 2025

Papa Francisco disse


“Rejeitar um migrante em dificuldade, qualquer que seja a sua crença religiosa, por medo de diluir a cultura ‘cristã’ é distorcer o que é o cristianismo e a cultura."

terça-feira, 13 de maio de 2025

Todos pela Ucrânia, ninguém por Gaza

Ninguém pode alegar que não sabe o que se está a passar em Gaza. O plano aprovado pelo Governo israelita, perante a indiferença e passividade generalizada, mais não é do que a intenção assumida de anexar o território, de continuar a massacrar a população civil, seja através de bombardeamentos, seja através da fome, e de preparar a sua eventual deportação. Este plano só vai provocar mais mortes civis e não garante que a assistência humanitária seja retomada na devida quantidade e frequência.

O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse recentemente que “Gaza será totalmente destruída e que os civis serão enviados para sul do enclave e que daí serão deportados em “grande número” para outros países. O ultranacionalista Itamar Ben-Gvir defendeu a destruição total dos poucos armazéns de alimentos na Faixa de Gaza, em mais uma demonstração da sua desumanidade.

As imagens mais recentes de Rafah são bem exemplificativas: os edifícios em ruínas estão a ser demolidos por bulldozers israelitas. Há que terraplenar Gaza. Esta retórica da crueldade deveria envergonhar um povo perseguido ao longo de séculos, liderado por uma cúpula extremista, para qual a guerra é a única opção.

O que os países do bloco europeu estão dispostos a fazer pela Ucrânia não estão dispostos a fazer por Gaza e pela Cisjordânia, como se existisse alguma diferença entre o que Vladimir Putin e Benjamin Netanyhau têm vindo a fazer ou uma diferença de valor entre as vítimas de um e as vítimas do outro.

É compreensível que os países europeus tenham problemas de consciência pelo seu passado anti-semita. Mas essa má consciência não se pode sobrepor à anexação de território palestiniano, ao extermínio da população civil, com recurso à abominável arma da fome e ao desprezo mais absoluto por qualquer réstia de assistência humanitária, direitos humanos ou Justiça.

Este precedente será utilizado daqui em diante para reivindicar a mesma impunidade que é concedida a Israel. E quem se calar agora não terá legitimidade para se fazer ouvir no futuro.

A discrepância entre a veemência com que as principais potências europeias condenam Putin e bajulam Netanyahu — o novo chanceler alemão foi lesto a convidar o primeiro-ministro israelita para visitar a Alemanha — representa a falência moral das democracias ocidentais. A forma como proíbem o activismo pró-palestiniano não tem precedentes nem cabimento. É mais tolerável defender o III Reich do que a solução dos dois estados? Por vezes, parece que sim.

Apelar ao cessar-fogo, como têm feito Emmanuel Macron e Keir Starmer, é bem-intencionado, mas os apelos não passam disso mesmo. Imagine-se quais seriam as reacções de ambos se Putin tivesse como alvos funcionários das agências das Nações Unidas, se os soldados russos assassinassem socorristas e jornalistas, atacassem constantemente hospitais e escolas, e bombardeassem abrigos e campos de refugiados.

Os líderes europeus que foram a Kiev apoiar a proposta de cessar-fogo ucraniana garantiram a sua disposição em agravar as sanções económicas a Moscovo. Aproveitando a efeméride do 80.º aniversário do final da II Guerra Mundial, Starmer fez o paralelo entre a guerra do passado, sobre os “valores da liberdade e da democracia e pelo direito dos países de poderem tomar as suas próprias decisões, o seu direito soberano a fazê-lo”, e a guerra do presente. Mas a “coligação de vontades” contra Putin é dócil com Netanyhau e nem sequer pondera aplicar sanções ou até suspender venda de armamento a Israel. Os valores variam em função de a quem são aplicados.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) que se reuniram em Varsóvia, na última sexta-feira, usaram termos como inconcebível ou catastrófico para classificar o que se passa em Gaza, mas não foram capazes de chegar a um consenso sobre o repúdio que merece o massacre israelita.

No mínimo, como sugere o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, a decência deveria obrigar a UE a rever o acordo de associação com Israel, que obriga os signatários a respeitar os direitos humanos e os princípios democráticos.

A pressão interna sobre Netanyahu para um cessar-fogo, que permita o regresso dos reféns, tem vindo a aumentar, mas não é suficiente para o demover. Só a pressão externa dos EUA poderia convencer os extremistas de Israel a pararem o massacre, mas não é provável que isso aconteça em breve. Convencido da sua impunidade, Israel já ultrapassou todos os limites do bom senso e da legalidade. Este plano que acabou de aprovar tem um objectivo: a limpeza étnica. Tal como em 1945, ninguém pode dizer que não sabe o que se está a passar em Gaza. O silêncio europeu é o da cumplicidade.

domingo, 11 de maio de 2025

Marjan Farsad - Khooneye Ma

Devido às restrições ao canto feminino no Irão, a música alternativa tem sido tradicionalmente dominada por homens.No entanto, nos últimos dez anos, isso começou a mudar.
O disco de 2014 de Marjan Farsad foi considerado como um catalisador dessa mudança, pois foi um sucesso tão grande que influenciou muitas cantoras mais jovens, incluindo artistas como Golsa e Banu.
O tema 'Khooneye Ma' (O nosso lar/A nossa casa) é uma das músicas mais conhecidas e gravadas entre todos os iranianos, especialmente entre a diáspora.

sábado, 10 de maio de 2025

É português uma das pessoas que mais irrita Trump - chama-se Alberto M. Carvalho



1. Chama-se Alberto Carvalho o português que mais admiro entre todos os portugueses que considero admiráveis.
Quase ninguém o conhece aqui, mas o seu nome tem dividido as águas nos Estados Unidos – de um lado, tornou-se bandeira dos que consideram Trump um símbolo do mal; do outro, tornou-se um alvo para os que juram estar com Trump até à morte.

2. Em Portugal, poucos são os que o conhecem.
Só alguns amigos da sua juventude ainda se lembram de que morava numa casa miserável sem casa de banho, luz e água potável. No Bairro Alto dos marinheiros e fadistas, da gatunagem e dos jornalistas, das prostitutas e escritores, Alberto e os seus cinco irmãos faziam o que podiam para ajudar o pai e a mãe que costurava sem parar.
Foi o único a pedir ao pai para prosseguir os estudos, não queria desistir, tinha sonhos.
E assim foi: terminou o liceu em 1982 e tornou-se o orgulho da família.

3. Tinha 17 anos, mas o liceu não lhe bastava.
Juntara dinheiro em segredo e poucas semanas após o último exame já estava na América.
Ao desembarcar em Nova Iorque, com um visto para três meses e o deslumbre da Estátua da Liberdade, atacou o seu primeiro problema. Precisava de arranjar trabalho, fazer o que fosse preciso pois nem sequer tinha dinheiro para jantar nesse primeiro dia.
Quatro horas depois de ter chegado já estava a lavar pratos. Esteve na cozinha de um restaurante de vão de escada, mas arranjou um emprego infindavelmente melhor: acartar sacas de cimento e tijolos em obras.
Entretanto o visto caducou e Alberto ainda era menor.
Passou a dormir na rua, a dormir literalmente debaixo da ponte.
Foi sem-abrigo durante dois meses. E um dia, coisas de um destino que não se cansa de nos surpreender, um professor deu-lhe uma moeda e ficou um bocadinho à conversa.

4. Alberto maravilhou-o com os seus sonhos.
O professor americano ajudou-o a legalizar-se e o miúdo português voltou a estudar. Ao fim de um ano já recebia bolsas de mérito e licenciou-se com brilhantismo em Biologia. Tornou-se professor de Física num liceu em Miami.
A sua capacidade de fazer coisas encantou toda a gente e rapidamente o convidaram para vice-diretor da escola.
Imaginou projetos, escreveu livros sobre educação e somou diplomas e honrarias – durante mais de dez anos revolucionou o ensino na Florida e enquanto superintendente, com a tutela de 400 mil alunos, tornou-se icónico.
Durante a pandemia, muito influenciado pela família Obama, aceitou o convite para liderar todas as escolas de LA, o segundo maior distrito escolar americano, com a tutela de 660 mil alunos e de largas centenas de escolas.

5. Alberto Carvalho é o português que mais admiro.
Tem 60 anos e está nas bocas da América. Já há entre os fanáticos quem o ameace de deportação.
E sabes porquê?
Porque a polícia quis entrar pelas suas escolas para prender e deportar miúdos para El Salvador.
Alberto pôs-se à frente e moveu mundos e fundos para que tal não acontecesse. Na escola ou em casa.
A escola não podia ser um lugar de medo, a escola era um lugar de esperança, futuro e proteção. Por isso, se quisessem entrar e levar as suas crianças teriam de o levar a ele.
Alberto é uma lição de coragem.
Nascido num bairro de fadistas, ladrões, poetas, má fama e jornais, é um dos mais brilhantes soldados do Bem.
E é português a língua que fala dentro de si.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Deportações na campanha e o ar de um tempo trágico


As deportações também rendem votos por cá. São inevitáveis. Não há novidade nas ordens de saída voluntária. Existem desde 2007 e até são inferiores, em número, a vários anos dos governos do PS. Mais uma vez, o governo faz passar por ação política procedimentos quotidianos da administração pública. O que mudou é serem anunciadas, num arranque de campanha, como bandeira política e em celebração, contribuindo para a demonização dos imigrantes. Estamos próximos do pleno emprego, temos falta de mão de obra nos setores que estes imigrantes procuram, precisamos deles para garantir a sustentabilidade da segurança social, são responsáveis pelo repovoamento de várias zonas do interior e travaram a nossa gravíssima crise demográfica. No centrão, só o PR juntou à consciência dos evidentes erros administrativos do passado, em que se deixaram pendurados processos de milhares de imigrantes, a importância económica da imigração e de valores básicos de humanidade, não celebrando a expulsão de pessoas que, como fizemos no passado, procuram uma vida melhor. Não cumprir os requisitos não é sinónimo de ser criminoso. Em Portugal, se vier uma crise económica e com este ambiente político, os imigrantes serão o bode expiatório. Nesse campeonato, só ganhará quem se especializou no filão. Como os conservadores britânicos estão a aprender.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Notícia triste da madrugada: Papa Francisco morre aos 88 anos


Primeiro pontífice latino-americano deixa legado de tolerância e diálogo. Promoveu reformas importantes, acolheu minorias e deu prioridade aos pobres.
O pontífice também ficou marcado por discursos políticos durantes sermões. Não poupou críticas a líderes de países em guerra, como o russo Vladimir Putin e o israelita Benjamin Netanyahu. Ele também apontou o dedo para a União Europeia ao citar a crise dos refugiados, que começou durante o seu papado, em 2015.
Numa das imagens mais impressionantes e sem precedentes na Igreja Católica, rezou sozinho na sempre lotada Praça São Pedro, no Vaticano, quando a Covid-19 se espalhou pelo mundo e fez vários países decretarem quarentena.
Mas o combate à pobreza sempre foi a sua prioridade. Ao ser apontado como o novo papa, ele escolheu o nome de seu novo título em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos pobres. O lema de seu papado foi "Miserando atque eligendo" — "Olhou-o com misericórdia e o escolheu", em português.
As reformas da Igreja Católica também foram outra marca do papado de Francisco. Ele iniciou um processo de reforma das estruturas da Cúria, que é o governo do Vaticano, com atenção especial para a parte económica e financeira.
A modernidade também levou Francisco a lidar com outros assuntos delicados para a Igreja, como os direitos LGBTQIA+ e o sexismo.
Ele foi elogiado por avanços como o de permitir bênçãos de padres a casais do mesmo sexo, colocar mulheres em cargos mais altos no Vaticano e permitir que elas votassem no Sínodo dos Bispos — a reunião em que os bispos debatem e decidem questões ideológicas e regimentos internos.
Mas também foi criticado por não avançar menos do que o esperado na questão feminina. Francisco terminou seu papado sem permitir sacerdotes do sexo feminino, reivindicação histórica de parte das católicas.
O papa defendia que apenas cristãos do sexo masculino poderiam ser ordenados para o sacerdócio, usando como base a premissa da Igreja Católica de que Jesus escolheu homens como apóstolos.
Em termos ecológicos, foi um Papa dinâmico e estimulou o movimento ambientalista global. Em 2015, lançou a encíclica Laudato si', um apelo a uma maior gestão ambiental que apelava a mudanças nos estilos de vida e nas políticas de combate às alterações climáticas.
DEP Papa Francisco, brincalhão, muito culto, de gestos e hábitos simples e que lutou para mudar a Igreja. Um excelente Papa!
Só temos de estar gratos pela sua passagem, a sua intervenção social e ecológica e o seu legado.
E há seres imortais, porque não se apagam da nossa memória.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Asimbonanga!

A fachosfera deve rever a pequenês e mesquinha "alma" e hipocrisia e ódio que instilam sem necessidade. Vejam este maravilhoso flashmob e pesquisem não só a vida de Mandela como a biografia de Johnny Clegg. Intolerância ao racismo e xenofobia.
 
Asimbonanga
Asimbonang' uMandela thina
Laph'ekhona
Laph'ehleli khona

Asimbonanga
Asimbonang' uMandela thina
Laph'ekhona
Laph'ehleli khona

Hey wena
Hey wena nawe
Siyofika nini la' siyakhona

sábado, 15 de junho de 2024

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Impeça a extrema direita de tomar o poder



Novas pesquisas assustadoras mostram que a extrema direita está a poucos dias de VENCER as eleições da UE em países de todo o bloco!

A vitória lhes dará um poder sem precedentes sobre nossas vidas. Os partidos europeus de extrema direita planeiam:
  1. Abolir as regras da UE sobre a proteção da natureza
  2. Privar as mulheres do direito ao aborto
  3. Fechar as fronteiras e deportar refugiados
  4. Acabar com as leis que protegem os direitos trabalhistas
Mas há um jeito de detê-los. O comparecimento às urnas é fundamental – se todos votarmos no domingo e partilharmos este alerta com pelo menos 3 outras pessoas, vamos conseguir alcançar milhões de eleitores antes das votações.

Clique aqui para assinar o apelo urgente para que as pessoas compareçam às urnas – juntos e juntas podemos salvar a Europa.