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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sobre este Inverno chuvoso - não aprendemos nada com as ideias de Gonçalo Ribeiro Telles


Este comboio de tempestades não é único. Muitas destas tempestades em sucessão são alimentadas por rios atmosféricos. São faixas estreitas de humidade tropical concentrada que atravessam o Atlântico. Quando o "corredor" se abre em direção à Península Ibérica, as tempestades seguem esse rasto como se estivessem em carris. Tudo depende de um "braço de ferro" de pressão entre os Açores e a Islândia. Quando esta oscilação está numa determinada fase, o jet stream (uma corrente de ar a grande altitude) empurra todas as tempestades diretamente para nós, em vez de as desviar para o Reino Unido ou Escandinávia. Antigamente não dávamos nomes às tempestades (como Joseph, Leonardo e Kristin), o que dava a ideia de que era apenas "um inverno chuvoso". Hoje, ao darmos nomes individuais a cada depressão, temos muito mais consciência de quantas estão a passar por nós seguidas. A perceção de excecionalidade resulta, em grande parte, da forma como os fenómenos recentes são lembrados. A nossa memória meteorológica é curta e estamos mais marcados pelos episódios de secas severas que têm sido a marca dos últimos ano. 𝐃𝐞𝐯𝐢́𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐯𝐞𝐧𝐭𝐢𝐯𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬. Aprender a não voltar a repetir a tragédia de 1967 (25 para 26 de novembro) em que choveu num só dia o equivalente a um quinto de todo o ano. A região da Grande Lisboa e do Vale do Tejo foi devastada. O regime de Salazar tentou "abafar" a dimensão da tragédia. Oficialmente falou-se em cerca de 460 mortos, mas estimativas reais apontam para mais de 700 vítimas.
𝐆𝐨𝐧𝐜̧𝐚𝐥𝐨 𝐑𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐓𝐞𝐥𝐥𝐞𝐬 𝐚𝐥𝐞𝐫𝐭𝐨𝐮-𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐞𝐯𝐢𝐭𝐚𝐫 𝐝𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐬 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐬𝐨𝐥𝐮𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐚𝐬 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐦𝐨𝐬. 𝐈𝐧𝐬𝐢𝐬𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐢𝐫 𝐞𝐦 𝐥𝐞𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐡𝐞𝐢𝐚, 𝐞𝐧𝐭𝐮𝐛𝐚𝐫 𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐞 𝐫𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬𝐟𝐚𝐥𝐭𝐨 𝐞 𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨.
𝐎 𝐂𝐨𝐫𝐫𝐞𝐝𝐨𝐫 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐌𝐨𝐧𝐬𝐚𝐧𝐭𝐨, 𝐞𝐦 𝐋𝐢𝐬𝐛𝐨𝐚 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐱𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐝𝐢𝐠𝐦𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐨: 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐫𝐨𝐮 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟑𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢́𝐝𝐨 𝐞𝐱𝐚𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐥𝐞 𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐝𝐞 𝐥𝐮𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐢𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐚́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 "𝐞𝐬𝐜𝐨𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨" 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Urbanidade - Guia de A a Z da Resiliência Urbana


«As cidades não são apenas tijolos e esgotos. São organismos vivos — testados diariamente por ondas de calor, inundações, secas e perturbações.
A questão não é apenas como sobrevivemos, mas como prosperamos de forma diferente após cada choque.
Este guia de A a Z explora os princípios, as práticas e as provocações que fazem com que as cidades não só recuperem, mas também avancem.

Resiliência em 4 Movimentos:
Antecipação e Adaptação — Não espere pelo desastre. Planeie-se para ele.
Inclusão e Justiça — Proteja primeiro aqueles que estão em maior risco.
Natureza e Pensamento Sistémico — As cidades prosperam quando trabalham com a natureza, e não contra ela.
Força Institucional — Os governos locais precisam de autoridade, não apenas de conselhos.»

Fonte: UN Habitat

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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Place de Catalogne


A  Place de Catalogne , localizada no 14º arrondissement de Paris, sofreu uma transformação impressionante. Outrora uma praça circular pavimentada em pedras, projetada pelo arquiteto catalão Ricardo Bofill na década de 1980, foi reinventada como uma exuberante floresta urbana. Até 2024, mais de 470 árvores transformaram o espaço num próspero oásis verde no coração da cidade.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Mentor das cidades esponja critica o plano municipal de Lisboa


Kongjian Yu quer transformar as cidades em esponjas contra cheias e secas. Cidades devem absorver e libertar água para enfrentar alterações climáticas, defende arquiteto paisagista. Planos de drenagem como o de Lisboa vão falhar a longo prazo, diz. 

Quando a pergunta é sobre o plano de drenagem de Lisboa, que implica um investimento de 250 milhões de euros e, entre outros pontos, a abertura de dois grandes túneis, o arquiteto paisagista ri-se abertamente. “Esse é o modelo business as usual. Não vai resolver o problema”, diz. Além do gigante esforço financeiro, as grandes infra-estruturas — sejam túneis, diques ou outras soluções — são construídas em betão, material que tem um determinado tempo útil até que o desgaste provoque os seus danos. Depois disso, precisa de manutenção, o que implica novo e generoso investimento. Acresce que os episódios de cheia são cada vez mais extremos e, mesmo que os sistemas estejam dimensionados para volumes que consideramos hoje históricos, é uma questão de tempo até que estes sejam superados.

“Do ponto de vista económico, não é sustentável. É absurdo. A longo prazo, é estúpido pensar que a tecnologia vai resolver o problema”, entende. Reter a água na sua “esponja” significa que se pode fazer uso dela durante o outro extremo, nos períodos de seca, ajudando também a arrefecer a cidade em ondas de calor. “Se tiveres água, tens tudo. Se te livrares da água, terás problemas durante os períodos de seca. É uma oportunidade perdida”, nota. Público 10jun2024

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terça-feira, 21 de maio de 2024

Como conter enchentes, segundo criador das 'cidades-esponja': 'Barragens estão fadadas ao fracasso'

Eventos atmosféricos extremos com períodos prolongados de fortes chuvas e inundações, como as ocorridas no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, se tornarão cada vez mais comuns e intensos, segundo os cientistas.

Mas o que as cidades podem fazer para evitar ou mitigar esse tipo de tragédia?

Para o criador do conceito de cidades-esponja, o arquiteto chinês Kongjian Yu, a resposta está em parar de "lutar contra a água" e investir em soluções duradouras e baseadas na natureza.

"Temos uma escolha a fazer: investir em grandes barragens e diques que estão fadados a fracassar ou apostar em algo que é duradouro, sustentável e ainda bonito e produtivo", questionou o decano da faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim em entrevista à BBC News Brasil.

Para Yu, as soluções tradicionais baseadas em barragens de cimento e tubulações impermeáveis já se mostraram incapazes de acompanhar os efeitos das mudanças climáticas, já que as chuvas são cada vez mais intensas e o nível da água de rios e mares não para de subir.

Como alternativa, o arquiteto propõe adotar uma infraestrutura verde, baseada em um balanço hídrico artificial que seja o mais parecido possível com o natural e dê espaço e tempo para que a água seja absorvida pelo solo.

Em outras palavras, criar espaços e infraestruturas capazes de absorver, reter e liberar a chuva de forma que ela retorne ao ciclo natural da água sem causar estragos.

O conceito já foi aplicado pela equipe de Yu em diversas cidades na China e também na Tailândia, Indonésia e Rússia — e por outros arquitetos em todo o mundo.

Segundo o chinês, ele pode ser reproduzido em qualquer lugar, inclusive no Brasil.

"Funciona em qualquer lugar. As cidades-esponja são uma solução para climas extremos, onde quer que eles estejam", diz.

"E o Brasil pode se dar muito bem com elas, porque tem muitas áreas naturais, o que dá mais espaço para a água escoar."

De acordo com o arquiteto, além de impedir inundações, o modelo também pode ser útil durante os períodos de seca, já que a água armazenada pode ser utilizada para irrigação e para manter as árvores e plantas da cidade em boas condições.

Além das fortes chuvas, períodos mais prolongados de seca também são efeitos das mudanças climáticas.

Antes de sofrerem com as inundações, muitos produtores gaúchos já haviam sido castigados pela falta de água no ano safra de 2021/22.

Mas para que o conceito das cidades-esponja funcione, ele deve se basear em três grandes estratégias, segundo Kongjian Yu.

1. Contenção da água
O primeiro princípio adotado nos projetos do chinês é reter a água assim que ela toca o solo. Segundo Yu, isso pode ser alcançado por meio de grandes áreas permeáveis e porosas, não pavimentadas.

Da mesma forma que uma esponja com muitos orifícios, a cidade deve conter a chuva com lagos artificiais e áreas de açude alimentados naturalmente ou por canos que ajudam a escoar a água de rios e represas.

Telhados e fachadas verdes, assim como valas com áreas verdes com camadas de solo permeáveis ​​por baixo também são usadas para esse propósito.

Kongjian Yu explica que, em áreas cultiváveis, reservar 20% do terreno para operar como um sistema de açude é suficiente para impedir que o restante do lote seja inundado. Essa área pode ainda ser adaptada para colheitas resistentes à umidade e para posteriormente abastecer o restante das plantações em épocas de seca.

Apesar de ser algo recente, a base teórica na qual as cidades-esponja resgata as antigas tradições chinesas da agricultura e da gestão da água.

"Temos que aprender com a aquacultura como fazer essa terra fértil, quais culturas podem sobreviver e usar essas áreas para isso", diz. "O arroz é um exemplo de uma plantação que pode funcionar."

2. Redução da velocidade
Em seguida, o arquiteto aconselha pensar no manejo da água coletada. Isto é, desacelerar o fluxo d'água.

Em vez de tentar canalizar a água rapidamente para longe em linhas retas, rios tortuosos com vegetação ou várzeas reduzem a velocidade da água.

Eles oferecem mais um benefício, que é a criação de áreas verdes, parques e habitats para animais, purificando a água escoada na superfície com plantas que removem toxinas poluentes e nutrientes.

Yu conta que se interessou pelo tema da urbanização e da contenção das águas após vivenciar uma experiência com inundações durante a infância.

Na época com apenas 10 anos, o chinês vivia em uma fazenda na Província de Zhejiang, perto de Hangzhou. Durante um período de fortes chuvas, o córrego da região inundou os campos de arroz da comunidade agrícola e Yu foi pego pelas águas, carregado pela enchente.

Mas as plantas, troncos e salgueiros ao longo do córrego reduziram a velocidade do fluxo do rio, permitindo que ele se agarrasse à vegetação e saísse das águas.

"Se o rio fosse como muitos são hoje, nivelados com paredes de concreto, certamente eu teria me afogado", contou Yu à BBC.

As técnicas usadas pelo arquiteto em seus projetos atuam da mesma forma que a vegetação no córrego na fazenda de Yu, desacelerando a água.

3. Escoamento e absorção
A terceira estratégia é adaptar as cidades para que elas tenham áreas alagáveis, para onde a água possa escorrer sem causar destruição.

"Em vez de construir barragens e ir acumulando a água em áreas de cimento, precisamos nos adaptar à água, deixa a cidade lidar com a água de forma saudável", diz Yu.

A principal forma de fazer isso é criar grandes estruturas naturais alagáveis para que a água possa ser contida por um tempo e, depois, absorvida pelo lençol freático.

Yu defende que essas áreas alagáveis permaneçam desocupadas, evitando-se construções nas áreas baixas.

Nos casos de infiltração, podem ser feitas caixas infiltrantes, que facilitam a entrada da água no solo.

Algumas cidades usam "jardins de chuva" que armazenam o excesso de chuva em tanques subterrâneos e túneis. A água só é descartada nos rios depois que os níveis diminuem.

Plantas que absorvem água também podem ser usadas para dar conta do alto volume de chuvas.

"A natureza se adapta. O conceito de cidade-esponja é baseado no princípio de que a natureza regula a água", diz o arquiteto. "Não é apenas a natureza em si. Sistemas feitos pelo homem devem ser certamente usados, mas a natureza deve ser dominante."

Yu afirma ainda que, para conter as grandes inundações previstas para os próximos anos, é preciso expandir essa estratégia por várias regiões e criar um "planeta-esponja" onde a força das águas possa ser dissipada e desacelerada aos poucos.

Ainda na visão do chinês, além de parques adaptados e áreas cultiváveis capazes de absorver mais água, lagoas e pântanos podem coexistir com rodovias e arranha-céus.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Cidades esponjas e telhados verdes: as cidades incorporam a natureza para mitigar e criar empregos

Cidade de Medellín (Colômbia) criou um corredor verde de 1,3 Km 

As cidades abrigam mais de metade da população mundial e são responsáveis ​​por mais de 70% das emissões de gases com efeito de estufa . Portanto, têm um papel fundamental a desempenhar na travagem e na adaptação à dupla crise da perda de biodiversidade e das alterações climáticas. Chegamos a tempo de atingir as metas do Acordo de Paris, mas isso só será possível se reduzirmos as nossas emissões atmosféricas em 43% nos próximos sete anos. Caso contrário, enfrentaremos as consequências das inundações e das secas, que são cada vez mais frequentes e fazem-se sentir em todo o mundo.

Uma forma de tornar as cidades mais sustentáveis ​​e resilientes é incorporar a natureza na sua gestão e design. Estas soluções protegem, restauram e gerem o ecossistema de forma sustentável, garantindo a biodiversidade, melhorando a qualidade do ar e garantindo maior segurança alimentar e hídrica. As soluções baseadas na natureza são diversas e vão desde a ecologização das cidades até à restauração de zonas húmidas e recifes e à melhoria da gestão das águas pluviais. Não são apenas positivos para o ambiente, mas também para o bem-estar e a economia. Na verdade, têm potencial para gerar mais de 59 milhões de empregos em todo o mundo .

Um grande número de cidades está a adotar soluções inovadoras baseadas na natureza. Por exemplo, Guangzhou (China) embarcou numa viagem em 2017 para se tornar uma cidade esponja com o objetivo de combater a degradação ambiental. Ao aplicar este conceito, Guangzhou e muitas outras metrópoles chinesas reduziram o risco de inundações e melhoraram a gestão da água. Outras cidades, como Toronto (Canadá), implantaram uma política que exige que os novos edifícios tenham telhados verdes, o que pode reduzir a temperatura e o consumo energético dos edifícios, além disso, de proporcionar um habitat para a fauna urbana e melhorar a qualidade do ar. Por sua vez, Medellín (Colômbia) criou um corredor verde de 1,3 quilómetros que oferece ao bairro fácil acesso a áreas verdes.

As soluções baseadas na natureza podem proporcionar mais de um terço da mitigação climática necessária até 2030 . No entanto, apenas 0,3% dos gastos em infra-estruturas urbanas são atribuídos a isto.

Este ano, o Dia Mundial do Metropolitano , comemorado todo dia 7 de outubro, focou no “poder da natureza”. Com este tema, foi feito um apelo aos governos para que trabalhem para além dos limites administrativos das suas cidades e coloquem a natureza no centro da ação local. Mais de 240 pessoas, incluindo representantes políticos, reuniram-se em Istambul (Turquia) para trocar experiências sobre como melhorar a resiliência das suas áreas metropolitanas. Este evento global , organizado pela MARUF, Metropolis e ONU-Habitat, foi seguido por eventos noutras cidades como Kinshasa, Austin, Barcelona, ​​​​Vale de Aburrá e Cidade do México.

Uma das grandes conclusões dos debates é que os desafios que as cidades enfrentam não podem ser resolvidos apenas a nível municipal. Os limites de uma cidade já não reflectem a realidade quotidiana dos seus habitantes, pelo que os governos precisam de olhar para além das divisões geográficas e institucionais tradicionais. A vida é construída em escala metropolitana. Consequentemente, deve ser governado na mesma escala em que é vivido: é um exercício de corresponsabilidade que permite reduzir a desigualdade territorial, superando assim a narrativa binária de ganhar e perder territórios.

Além disso, a perspectiva metropolitana reconhece que as cidades não são fundamentalmente diferentes dos seus arredores. Nem são contrários à natureza. As grandes cidades dependem do seu entorno para aceder a recursos naturais como água, energia ou alimentos e, ao mesmo tempo, têm um grande impacto no seu ecossistema. No cenário global, as cidades são atores-chave nos assuntos mundiais devido ao seu âmbito, tamanho e importância cultural.

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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Paisagista Kongjian Yu, pioneiro do conceito de "cidade esponja", recebe o Prémio Oberlander 2023


O arquiteto paisagista de Pequim, Kongjian Yu, foi anunciado pela Cultural Landscape Foundation como o vencedor do Prêmio Internacional de Arquitetura Paisagística Cornelia Hahn Oberlander Cornelia Hahn Oberlander 2023 (Prêmio Oberlander). Kongjian Yu ganhou reconhecimento internacional por seu conceito de "cidades esponja", uma medida para lidar e prevenir inundações urbanas no contexto das mudanças climáticas aceleradas. O conceito foi adotado como política nacional na China em 2013, priorizando infraestruturas de grande escala baseadas na natureza, como zonas úmidas, corredores verdes, parques, proteção de árvores e bosques, jardins de chuva, telhados verdes, pavimentos permeáveis e biovaletas.

Yu foi selecionado pelo júri internacional do Prêmio Oberlander, que o reconheceu como "uma força para mudanças progressivas na arquitetura paisagística ao redor do mundo". Organizado bienalmente, o prêmio tem como objetivo reconhecer e dar visibilidade à arquitetura paisagística e às formas como ela pode abordar questões relacionadas às mudanças climáticas e à sustentabilidade.

Yu fundou e continua liderando a Escola de Pós-Graduação em Arquitetura Paisagística e a Faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim. Ele também é o fundador e diretor do escritório de arquitetura paisagística Turenscape, fundado com base no princípio de criar "harmonia entre a terra e as pessoas e ambientes sustentáveis para o futuro". Yu possui doutorado pela Escola de Pós-Graduação em Arquitetura de Harvard e é autor de mais de vinte livros, tendo também estabelecido a premiada revista Landscape Architecture Frontier.

Apesar do reconhecimento internacional, Yu se descreve como "filho de camponês", nascido em 1963 em uma pequena vila na Província de Zhejiang. A vida na vila e o ambiente natural foram influências importantes para Yu, posteriormente prejudicados pela poluição e desmatamento. De acordo com William Saunders, autor do livro "Designed Ecologies: The Landscape Architecture of Kongjian Yu", isso nos ajuda a entender o compromisso de Yu em recriar e proteger a abundância natural. Também enfatiza a repulsa de Yu por paisagens "ornamentais" em favor de parques produtivos e de baixa manutenção.

Há mais de 25 anos, Kongjian Yu tem usado sua carreira para lutar contra a deterioração das ecologias urbanas. Sua pesquisa sobre Padrões de Segurança Ecológica (1995) e Infraestrutura Ecológica, Planejamento Negativo e Cidades-Esponja (2003) lançou as bases para a política da China liderar iniciativas nacionais de proteção e campanhas de restauração ecológica. A empresa de Yu, Turenscape, tem contribuído para essa abordagem com mais de 600 projetos construídos em mais de 200 cidades, principalmente na China, mas também na França, Indonésia, Rússia, Singapura, Tailândia e Estados Unidos. Projetos notáveis incluem o Red Ribbon Park na Província de Hebei, Shanghai Houtan Park, Qunli Stormwater Wetland Park na Província de Heilongjiang, China, o Benjakitti Forest Park na Tailândia e o Hing Hay Park em Seattle, Estados Unidos.

sábado, 7 de outubro de 2023

Uma conversa com Kongjian Yu, vencedor do prémio de Arquitetura Paisagista


Vencedor do Prémio Nacional de Design de Arquitetura Paisagista 2023, Kongjian Yu é um paisagista reconhecido mundialmente, fundador da Turenscape e da Faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim. Várias das ideias centrais de Yu para as adaptações climáticas baseadas na natureza, incluindo o conceito de cidade-esponja, foram implementadas em toda a China. Nesta palestra ilustrada, Yu irá discutir o seu trabalho e como os seus métodos e ideias de arquitetura paisagista podem ajudar a mitigar eventos climáticos como inundações repentinas, supertempestades e marés altas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Cidades-esponja. O que são e como podem ser resposta às cheias e secas em meio urbano

Parque Urbano da Várzea, Setúbal

Enquanto ainda se fazem contas ao prejuízo causado pelas duas vagas de cheias que afetaram várias zonas do país, com a Área Metropolitana de Lisboa à cabeça, há uma certeza de que ninguém duvida: o cenário de catástrofe provocado por fenómenos climáticos extremos vai repetir-se. E, apontam os especialistas, com uma intensidade e frequência cada vez maiores. Importa, por isso, alterar o comportamento reativo para uma atitude progressivamente mais preventiva. "Estamos num processo de perdas pós-enchentes, somos reativos. Há uma crise e reagimos, não fazemos planeamento", lamenta José Carlos Ferreira, doutorado em Ambiente e Sustentabilidade.

Ultrapassadas as dificuldades do momento, o professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-Nova) afirma que facilmente "nos esquecemos que estes fenómenos existem e que se estão a intensificar".

Responsável pela coordenação dos temas relacionados com a água na Associação Natureza Portugal (ANP/WWF), Ruben Rocha concorda com a ideia de que, ao nível da sociedade e dos decisores políticos, falta "capacidade de resposta a longo prazo", o que alimenta a continuação de um ciclo de eventos climáticos extremos, como os incêndios, a seca ou as chuvas intensas. "Falaremos novamente de seca quando começarmos a chegar a níveis muito baixos de água nas barragens", critica, enquanto pede uma mudança de paradigma no que à prevenção diz respeito.

Situações de inundações como as vividas nas últimas duas semanas "não são completamente novas", diz Pedro Nunes, que defende que "não podemos justificar tudo com base nas alterações climáticas". O ambientalista da Associação ZERO fala na necessidade de adotar uma visão holística dos desafios climáticos, que obrigam à implementação de políticas públicas desde o ordenamento do território à adaptação das infraestruturas urbanas para que se tornem mais resilientes.

Um dos fatores a considerar passa por incentivar uma ocupação mais equilibrada do país, revertendo os números anunciados pelo Censos 2021. De acordo com os dados definitivos divulgados em novembro, 20% da população portuguesa concentra-se em apenas 1,1% do território, sobretudo na zona litoral. "Isso acaba por ser um fator que contribui para que estas situações sejam mais graves, porque são, normalmente, zonas urbanas mais impermeabilizadas", justifica Pedro Nunes.

Os efeitos das alterações climáticas, que vêm agravar a intensidade e frequência de eventos extremos, não são facilmente reversíveis. Esses impactos podem ser mitigados através da descarbonização, mas os resultados só serão visíveis a longo prazo. "Mesmo que transformássemos a nossa vida de um dia para o outro, os efeitos continuariam cá. Mais do que mitigar, é preciso adaptar. Porque ou nos adaptamos ou sofremos", reforça João Carlos Ferreira.

O coordenador do mestrado em Urbanismo Sustentável e Ordenamento do Território da FCT-Nova acredita que a resposta está na alteração do modelo de desenvolvimento das cidades e na concretização de soluções que "transformem o território, ocupando-o de forma ecológica". Este caminho passa, sobretudo, pela alteração dos planos diretores municipais (PDM), para que evitem a construção em zonas de perigo, como em leito de cheias, mas também que integrem estratégias relacionadas com o conceito de cidade-esponja.

O termo foi cunhado pelo arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongjian Yu e refere-se, essencialmente, a cidades ambientalmente adaptáveis que apostam em planos de gestão integrada da água. As soluções adotadas variam consoante a realidade hidrográfica das zonas urbanas e a sua configuração, mas podem incluir pavimentos permeáveis, jardins biodiversos e edifícios com coberturas verdes. É uma forma de "incorporar, de forma plena e holística, o ciclo da água no ordenamento dos espaços urbanos", explica Rafael Marques Santos.

O professor e investigador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa detalha que o urbanismo sustentável permite "intervenções cirúrgicas" em áreas com "grandes erros estruturais", sempre com o objetivo de reduzir os impactos, por exemplo, em cheias. Umas são mais fáceis, outras mais complexas e dispendiosas, como demolições pontuais em zonas particularmente perigosas.

"Não vamos conseguir retirar toda a urbanização de Alcântara ou de Algés", aponta. Mas a criação de elementos de contenção é uma opção, desde logo com bacias de retenção nos pontos mais altos das cidades que "atrasem" a chegada da água, a grande velocidade, às partes baixas. O essencial, esclarece, é "olhar de forma muito atenta para a água numa perspetiva de todo o ciclo" e implementar medidas que cumpram dois objetivos de uma só vez - prevenir os riscos de momentos em que existe água em excesso, assim como atenuar situações de seca.

"Os edifícios podem ter espaços de cisterna para acumulação de água que podem ser úteis", afiança. Se em tempo de chuva intensa os edifícios conseguem guardar alguma dessa água e evitar que seja escoada para a rua, noutros momentos esse recurso pode ser usado para regas, lavagens e outros fins.

O mesmo poderá ser feito em estruturas municipais e há bons exemplos de como isso pode ser feito. Em Roterdão, nos Países Baixos, a Waterplein Benthemplein Waterplein Benthemplein é uma praça de betão usada durante todo o ano para atividades de lazer dos habitantes, mas é pensada para que em época de chuva intensa possa inundar e evitar a sobrecarga dos sistemas de escoamento da cidade.

Outra ferramenta complementar é a criação de jardins alagáveis, biodiversos e compostos por plantas com capacidade de absorção da água. Estes locais podem inundar e continuar a servir como espaço de recreio, bem como ajudar a refrescar as cidades durante o verão - exemplo disso são cidades como Taizhou, na China, ou Nova Iorque, nos EUA.

Em Setúbal, refere João Carlos Ferreira, o Parque Urbano da Várzea foi "muito eficaz nestas cheias", apesar de aquela cidade piscatória ter tido 30% mais chuva do que Lisboa. "Foi todo redesenhado para ser uma grande bacia de retenção e não inundar a Baixa de Setúbal. Esteve no limite, mas está a funcionar e a cumprir o seu propósito", atesta.

Ambientalistas, arquitetos e urbanistas concordam ser preciso agir, revendo os planos de ordenamento, criando estruturas verdes e multiusos nas cidades, mas, acima de tudo, implementando estratégias de longo prazo diversas e adaptadas à realidade de cada local. "Estes momentos de crise também servem para as adaptações necessárias", remata Rafael Marques Santos.

domingo, 9 de outubro de 2022

As incríveis cidades-esponja previnem cheias, mas “não são uma panaceia”


A China está a fazer uma forte aposta nas cidades-esponjas para evitar inundações, mas há um limite para a capacidade de absorção de fortes chuvas que, com a crise climática, tendem a ficar mais intensas. Um artigo publicado quarta-feira, na revista científica WIREs Water, argumenta que não basta tornar as zonas urbanas mais porosas e verdes – é preciso também envolver as pessoas.

As cidades-esponja constituem um modelo alternativo de concepção urbanística que recorre a soluções naturais para prevenir, ou mitigar, os efeitos adversos de chuvas intensas. São zonas urbanas com pavimentos permeáveis, edifícios com fachadas e tectos ajardinados e, por fim, muitos espaços verdes, preferencialmente interligados, com capacidade de absorver, armazenar e purificar água em lagos e reservatórios.

“Existem limites para a quantidade de precipitação uma cidade-esponja pode absorver, portanto, é improvável que sejam uma panaceia para os problemas de inundação nas zonas urbanas. Nós argumentamos que medidas que envolvam a comunidade, de baixo para cima, constituem uma parte essencial da intervenção necessária para transformar cidades-esponja em cidades com resiliência à inundação”, lê-se no artigo.

Fonte: Público


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

It’s Time to Make Cities More Rural

Fonte: Wired
Jennifer Busselot has had one hell of a summer harvest. On a 576-square-foot plot of land, she’s pulled up over 200 pounds of produce—cucumbers, peppers, tomatoes, and basil, among other goodies—and the growing season isn’t anywhere close to done. Despite that resounding success, Bousselot is no farmer; she’s a horticulturist at Colorado State University, and that plot of land is actually up in the sky. The garden, atop a building near the Denver Coliseum, was purpose-built for Bousselot’s brand of research in an up-and-coming scientific field: rooftop farming.

As more people pour into metropolises—urban populations are projected to double in the next three decades, according to the World Bank—scientists like Bousselot are investigating how designers and planners can ruralize cities, greening roofs, and empty lots. The concept is known as “rurbanization,” and it could have all kinds of knock-on benefits for ballooning populations, from beautifying blocks to producing food more locally. It dispenses with the “city versus country” binary and instead blends the two in deliberate, meaningful ways. “You don’t have to set this up as a dichotomy between urban and rural, really,” says Bousselot. “What we should probably focus on is resilience overall.”

“The rurbanization idea is: OK, if we mix this up a bit, maybe we can create benefits on both sides,” adds Jessica Davies, principal investigator of Lancaster University’s Rurban Revolution project, a scientific investigation of the concept. “So if we bring some of what we grow nearer to where we live, can we enhance our connection with food? Can we make food more accessible? Can we improve local ecosystems?”

Recent research has begun to provide data on how well urban agriculture actually works if you’re planning to, you know, eat. A review paper published last month by researchers working on the Rurban Revolution project surveyed previous studies and determined that on average, urban agricultural yields (including both outdoor and indoor growing operations) were on par or higher than those of typical farms. But certain crops, like lettuces, tubers, and cucumbers, had yields up to four times higher when grown in cities. A separate team of scientists in Australia looked at 13 urban community farms for a year and found their yields to be twice that of typical commercial vegetable farms.

The caveat, though, is that this productivity comes in part from intensive human labor. On a commercial farm, crops are usually grown one at a time and tended with specialized equipment—you can’t plant wheat and carrots in the same field because they’re harvested in totally different ways. Crops also have to be spaced out to make room for where the equipment drives, reducing the amount of land that’s actually producing food.

An urban farm, by contrast, can grow all kinds of crops packed closely together because they’re harvested by hand. That’s part of the reason why Bousselot’s tiny rooftop garden in Denver is so productive. That crop diversity also means you can harvest different plants at different times—tomatoes in August, pumpkins in October—so the supply of food is more broadly distributed. Even though Bousselot has already harvested over 200 pounds of food, she still has two months left to go.

That requires human labor instead of a machine. So while urban farming can have a higher yield than traditional agriculture, it’s not necessarily as efficient. “But that inefficiency could easily change,” says Robert McDougall, an agricultural scientist at the independent research company Cesar Australia, who led the Australia study. “The people I studied were people who carried out urban farming mostly for recreational purposes, and so weren’t really interested in working as efficiently as possible. And they weren’t necessarily using the most efficient sources of materials.”

Take water, for example. Cities are currently designed to be impervious to rain, quickly draining it off streets to keep roads and buildings from flooding. But some urban areas are now transitioning into “sponge cities,” designed to safely soak up rain and store it for later use. In Los Angeles, for instance, officials are experimenting with roadside green spaces, where water seeps underground and into storage tanks. Rurbanized cities of the future could tap into that water source to grow food, and the gardens themselves could act like sponges, collecting rainwater to prevent local flooding.

Better municipal composting programs could also provide urban farmers with mulch so they don’t have to rely on synthetic fertilizers, which are terrible for the environment. “Were the gardeners I studied more tapped into these various sources of materials that were available within the environment around them,” says McDougall, “they could have easily carried out their farming in a much more sustainable fashion.”

Urban farms attract a host of pollinators like bees, McDougall has found. These insects, along with other pollinators like birds, could help boost biodiversity.

Cities also need all the green spaces they can get to counter the “urban heat island effect,” or the tendency for the built environment to absorb more of the sun’s energy than parks and forests do. Temperatures in urban areas can be 20 degrees Fahrenheit hotter than surrounding rural ones, where the plentiful vegetation releases water vapor—cooling the area as the plants essentially sweat. Bringing more plant life into cities will help cool things off and save lives during extreme heat events.

Urban agriculture can help insulate individual cities against food shocks, like if a particular mass-produced crop fails—which is increasingly likely as climate change spawns longer, more intense droughts. “You depend less on globalized supply chains,” says environmental scientist Florian Payen, who authored that review paper on yields. (He’s now at Scotland’s Rural College, but did the research while at Lancaster University.) “And so you are maybe less vulnerable to all of the different things like we’ve seen with Covid, or with climate change, that can impact the supply chain.”

Urban agriculture should also, in theory, reduce some of the emissions associated with conventional farming, which uses carbon-spewing machinery and requires shipping food vast distances to customers. But there isn’t much data to back that up yet, Payen says.

“The evidence so far is not really conclusive as to whether producing in urban areas for urban dwellers actually is associated with a lower carbon footprint than rural production,” says Payen. “And that is really based on the fact that there are lots of different ways of producing the food, and lots of different modes of transportation.” Wheat production, for example, is highly mechanized and relies on massive harvesting vehicles. And different crops travel different distances to get to market.

Those calculations focus primarily on the emissions from heavy machinery and long-distance trucking and shipping. But Elizabeth Sawin, founder and director of the Multisolving Institute, which promotes interventions that fix multiple problems at once, sees adding farms as a way to subtract a different source of emissions: cars. “Don't underestimate how much of the square footage of our cities is devoted to the automobile, like highways or parking,” she says. “As we open up more space for living with things like public transportation and dense housing, that could become space for growing food.” Obliterating asphalt and planting seeds would transform cities from car-centric to people-centric systems.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Bancos chineses podem perder até 348 mil milhões de euros com crise imobiliária


Os bancos da China enfrentam perdas hipotecárias de cerca de 348 mil milhões de euros no pior dos cenários, à medida que a confiança no mercado imobiliário do país se afunda com uma crise que parece não parar - ao contrário das construções imobiliárias, que viram os seus projetos paralisados -, noticia a "Bloomberg".

No pior cenário, a S&P Global Ratings estimou que 2,4 biliões de yuan (348 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), ou 6,4% das hipotecas, estão em risco, enquanto o Deutsche Bank é mais pessimista e diz que 7% dos empréstimos à habitação estão em perigo. Até agora, os bancos reportaram apenas 2,1 mil milhões de yuan (304 mil milhões de euros) em hipotecas afetadas pela crise.

Perante os casos covid-19, o desemprego jovem elevado e o abrandamento do crescimento económico, Pequim não quer ajudar a 100% os promotores imobiliários a acabar os seus projetos que estão suspensos, pois está a colocar a estabilidade financeira como prioridade. Até ao momento, as ajudas são: um período de carência no pagamento das hipotecas e um fundo, do banco central chinês, para ajudar estes promotores.

A "Bloomberg" escreve que o crescimento do rendimento disponível está a abrandar, prejudicando ainda mais a capacidade dos compradores de casas pagarem as suas dívidas.

Em junho, os investimentos imobiliários, que impulsionam a procura de bens e serviços que representam cerca de 20% do produto interno bruto (PIB) do país, caíram 9,4%. Tal traduz-se num aumento de 28 pontos base no total de empréstimos malparados, o que significa um declínio de 17% nos ganhos de 2022 dos bancos, indicam os analistas do Citigroup, num relatório de julho.

A exposição dos bancos chineses ao setor imobiliário é superior à de qualquer outra indústria. Os dados de março do Banco Popular da China, citados pela "Bloomberg", davam conta de 39 biliões de yuan (5,6 biliões de euros) de hipotecas pendentes e outros 13 biliões de yuan (1,9 biliões de euros) de empréstimos a promotores imobiliários.

Nesta conjuntura, os credores com elevada exposição podem vir a ser objeto de maior escrutínio. Por exemplo, as hipotecas representavam cerca de 34% do total de empréstimos no Postal Savings Bank of China e no China Construction Bank no final de 2021, quando o limite imposto por Pequim é 32,5%.

domingo, 17 de novembro de 2019

China cria "cidades-esponja" para evitar inundações



A escassez de água potável e o agravamento das inundações, estão já a afetar a China. A solução para uma melhor gestão dos recursos hídricos pode passar pela criação de cidades ecológicas que absorvem as águas das chuvas.

A sobrevivência e o desenvolvimento da sociedade humana dependem da água. Entre 1900 e 2010, a procura global de água aumentou quase oito vezes, como resultado de fatores como o crescimento populacional, o desenvolvimento económico e uma mudança na dieta alimentar.

Mas na China, onde a economia tem tido um dos crescimentos mais rápidos do mundo, a água está a esgotar-se. Com uma população de 1,4 mil milhões de habitantes, o país precisa de água para prosperar, mas esse recurso vital tornou-se limitado e é distribuído de forma desigual.

China: escassez de água e inundações
Hoje em dia, após décadas de urbanização e poluição, a China enfrenta, por um lado, a escassez de água, por outro, inundações, que têm vindo a ser agravadas pelos efeitos das alterações climáticas.



Também a qualidade da água tem vindo a piorar, devido à poluição e a uma má gestão dos recursos locais, o que significa que grande parte dos recursos hídricos disponíveis é inutilizável.

O Norte da China está a ser particularmente afetado pela escassez de água ao longo de todo o ano, enquanto no Sul da China, o problema é sazonal. Para esta situação contribui o facto de que 80% da água no país está concentrada no Sul, quando o Norte é o epicentro do desenvolvimento nacional.

As inundações são também um enorme problema. As alterações climáticas estão a gerar chuvas e tempestades mais fortes, afetando grandes áreas do sul da China, incluindo a bacia do Yangtze e os seus afluentes.

Em julho de 2021, a cidade chinesa de Zhengzhou, na província de Henan, lutou contra as chuvas mais fortes num milénio e inundações devastadoras que mataram pelo menos 300 pessoas e obrigaram à deslocação de mais de um milhão de habitantes.

"Cidades-esponja" tentam resolver a crise da água
Uma "cidade-esponja" é uma solução baseada na natureza para manter as inundações à distância, através da utilização da paisagem para reter água na sua fonte, retardar o seu fluxo e limpá-la ao longo de todo o processo.

O objetivo é reter a água das chuvas em áreas urbanas, impermeabilizando o pavimento pavimentado, de modo a que parte da água evapore e o resto seja gradualmente drenado.

Além de se impermeabilizar as estradas e os pavimentos, são plantadas mais árvores e construídos edifícios inteligentes para se adaptarem à esponja da cidade. Isto implica a cobertura dos telhados com relva, para maior absorção da água, e pitar os edifícios com cores claras para refletirem mais calor, em vez de o absorverem.

No fundo, as "cidades-esponja" são cidades ecológicas que oferecem uma estratégia para incorporar o ciclo da água no planeamento urbano.

O conceito foi concebido por Kongjian Yu e proposto por investigadores chineses, em 2013.

Yu é um planeador urbano e arquiteto paisagista ecológico. É também professor de arquitetura paisagista na Universidade de Pequim e fundador do gabinete de planeamento e design Turenscape, em Pequim.

Parque pantanoso de Tianjin

Inspiradas em estratégias internacionais de gestão integrada da água urbana (IUWM), incluindo sistemas de drenagem sustentáveis (SuDS), usados no Reino Unido, ou de desenvolvimento de baixo impacto (LID), como nos Estados Unidos da América, as "cidades-esponja" de Yu têm como objetivo controlar as inundações urbanas, a poluição da água e a reciclagem das águas pluviais.

Do ponto de vista científico, uma "cidade-esponja" tem de ser:
  • Ambientalmente adaptável
  • Sistemática e abrangente
  • Amiga do ambiente
"Embora infraestruturas cinzentas de betão, aço, tubos e bombas, possam ser necessárias para resolver problemas individuais urgentes, consomem enormes quantidades de betão e energia, carecem de resiliência e muitas vezes acumulam um risco de desastre mais elevado. Quebram a ligação entre o homem e a natureza", diz o arquiteto paisagista à Euronews Green.

"Mais do que nunca, face às alterações climáticas globais e às tecnologias industriais destrutivas, temos de repensar a forma como construímos as nossas cidades, a forma como tratamos a água e a natureza, e mesmo a forma como definimos a civilização.

As "cidades-esponja" são inspiradas pela sabedoria antiga da agricultura e da gestão da água que usam ferramentas simples para transformar a superfície global a uma vasta escala e de uma forma sustentável".
Rio Haikou Meishe - antes e depois da "cidade-esponja"

Onde estão as "cidades-esponja" da China?
O parque de águas pluviais Qunli, de 34 hectares, na cidade de Harbin, no norte da China, é um exemplo de uma "cidade-esponja" com sucesso. Recolhe, limpa e armazena águas pluviais, ao mesmo tempo que protege o habitat natural nativo e proporciona um espaço público verde para uso recreativo.

O governo chinês já escolheu 16 cidades-piloto para a implementação de estratégias inovadoras de gestão da água. A lista inclui Wuhan, Chongqing e Xiamen. Cada uma das contempladas vai receber entre 400 e 600 milhões de yuan (cerca de 55 milhões de euros) para levar a cabo o projeto ambiental.

A procura de um modelo de "cidade-esponja" está a aumentar. De acordo com a empresa de  de arquitetura Turenscape, com a China a anunciar atingir o pico das emissões de carbono até 2030, 70% das cidades chinesas estão a esforçar-se por elaborar projetos ecológicos.

"A China está a implementar estes projetos à escala do distrito e da cidade, estamos a falar por exemplo, de zonas húmidas urbanas ou de corredores ecológicos", revela Nanco Dolman, especialista em cidades resilientes a inundações.

De acordo com o engenheiro civil a trabalhar na neerlandesa Royal Haskoning DHV, a transformação "está a mostrar que o design ecológico pode ser mais do que apenas telhados verdes e jardins pluviais, pode levar a um pensamento revolucionário da própria textura de uma cidade".

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Entenda como uma cidade-esponja é construída e como ela é capaz prevenir as enchentes decorrentes de eventos climáticos


Uma cidade-esponja é uma solução natural que usa a paisagem para reter a água da chuva, evitando enchentes e outros problemas resultantes da precipitação. Elas são comumente construídas em áreas urbanas com áreas naturais abundantes, como árvores, lagos e parques, que auxiliam na absorção da água.

O conceito de “cidade-esponja” foi popularizado em 2013 através da proposta do professor da Universidade de Arquitetura de Pequim e arquiteto chinês Kongjian Yu. A inspiração por trás do desenvolvimento dessas áreas deriva de estratégias internacionais de gestão integrada de águas urbanas, incluindo sistemas de drenagem sustentáveis e desenvolvimentos de baixo impacto.

Em 2015, o governo chinês lançou o The National Sponge City Pilot Program, apoiando 30 cidades chinesas e contribuindo para a redução dos riscos de inundação no país. Em todas as cidades, aproximadamente 56 mil quilómetros de vias verdes e cerca de 72 mil quilómetros quadrados de áreas verdes e parques foram construídos.

Segundo um relatório do Asian Development Bank, a implementação dessa solução resolveria os maiores problemas relacionados à água enfrentados em regiões urbanas do país: a escassez e excesso de água, a poluição e a água barrenta.

Por que as cidades-esponjas foram inventadas?

De acordo com um relatório do IPCC, cerca de 700 milhões de pessoas vivem em áreas de extrema precipitação. Assim, estima-se que a implementação de cidades-esponjas pode contribuir para o urbanismo sustentável, promovendo a resiliência e melhoria da habitabilidade dessas regiões.

Existem quatro problemas principais que as cidades-esponjas podem resolver: 
  • Menos água disponível nas áreas urbanas e periurbanas: através do desenvolvimento urbano, a maioria das cidades foi pavimentada — o que impediu a absorção natural de água do solo. A dificuldade de absorção dessas áreas impossibilita o abastecimento de aquedutos, criando a escassez da água.
  • Água poluída despejada em rios ou no mar: quando chove, muitas vezes as estações de tratamento de águas residuais não conseguem acomodar toda a água que os sistemas de drenagem transportam. Dessa forma, parte da água da chuva misturada com o esgoto é despejada sem tratamento nos rios, contribuindo para a poluição de corpos d’água.
  • Degradação de ecossistemas urbanos e áreas verdes: em decorrência da poluição, parte dos ecossistemas urbanos são afetados, contribuindo para a perda da biodiversidade.
  • Aumento da intensidade e frequência das inundações urbanas: uma das consequências das mudanças climáticas é o aumento de eventos climáticos extremos. À medida que a capacidade de absorção da superfície urbana diminui, o risco de inundações provocadas por tempestades aumenta.

Como são construídas?
Uma cidade-esponja possui espaços que promovem a absorção de água, diferentemente de áreas asfaltadas. Portanto, ela necessita de:
  • Espaços verdes abertos, como cursos de água, canais e lagoas;
  • Telhados verdes que podem reter água naturalmente;
  • Intervenções de design poroso, como a construção de “biovalas” e sistemas de biorretenção para deter o escoamento e permitir a infiltração de águas subterrâneas;
  • Poupança e reciclagem de água, incluindo a extensão da reciclagem de água.
No entanto, a adição de espaços verdes, implementação de parques urbanos, plantações de árvores e outras soluções naturais também podem contribuir para o poder de absorção das cidades. Ou seja, existe a possibilidade da adaptação de cidades já existentes à cidades-esponjas.

De fato, dados da Arup comprovaram que as formas naturais de absorver a água urbana são cerca de 50% mais acessíveis do que as soluções artificiais e 28% mais eficazes.

“Normalmente, em ambientes urbanos, você tem telhados, áreas pavimentadas e tudo isso cobre sujeira e vegetação que costumavam agir como uma esponja. Telhados verdes, jardins de chuva e outras intervenções podem ajudar a desacelerar a água e começar a desfazer esta alteração em grande escala no ciclo hidrológico”, disse Michael Kiparsky, diretor do Wheeler Water Institute da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Características
As principais características de uma cidade-esponja incluem:
  • Ambientalmente adaptável
  • Sistemático e abrangente
  • Ambientalmente amigável
“Mais do que nunca, enfrentando as mudanças climáticas globais e as tecnologias industriais destrutivas, temos de repensar a forma como construímos as nossas cidades, a forma como tratamos a água e a natureza, e até mesmo a forma como definimos a civilização.”

“As cidades-esponjas são inspiradas na antiga sabedoria da agricultura e da gestão da água que utiliza ferramentas simples para transformar a superfície global em grande escala e de forma sustentável”, disse Yu ao portal Euronews.


Desafios da implementação de cidades-esponjas
Especialistas do Asian Development Bank identificaram três desafios principais para a implementação de cidades-esponjas. São eles: Baixa prioridade

Embora a agravação da crise climática e do aquecimento global, a prioridade dos governos locais se desvia do urbanismo sustentável cada vez mais. Em vez disso, boa parte dos investimentos na luta contra as mudanças climáticas é desviado para outras áreas.

Investimentos fragmentados e falta de sistematização em toda a cidade e implementação sistêmica

Uma cidade-esponja não pode ser a única arma na luta contra as enchentes decorrentes dos eventos climáticos. Isso é evidenciado através de algumas cidades pilotos do projeto, em que as inundações ocorreram como antes ou pioraram, deixando a percepção de que o conceito falhou.

Assim, é importante considerar que a cobertura da infraestrutura da cidade-esponja está longe de ser suficiente para reduzir significativamente o risco de inundações urbanas em uma cidade, destacando a necessidade de mais planejamentos sistemáticos. Falta de integração entre setores e departamentos:

O programa de implantação de cidades-esponjas não é capaz de superar a departamentalização de responsabilidades dos governos locais. Desse modo, a coordenação entre os departamentos de administração e especialistas é essencial para que o projeto funcione.

Fontes


terça-feira, 30 de outubro de 2018

5 Ways to Make Cities More Sustainable and Resilient


By 2050, more than two thirds of the world population are projected to live in urban areas, and most of this urban growth will take place in lower and lower-middle income countries. But densely built-up urban spaces tend to come with challenges of their own. Therefore, there is a need to start ensuring today that these urban areas will be inclusive, safe, sustainable and resilient.

But what does that mean? UNU-EHS Senior Scientist Simone Sandholz names five promising aspects how cities with their growing populations could develop to become more sustainable and resilient.
Urban transport systems need to become more sustainable

Sustainable urban transport can include giving priority to bicycles over cars as done for example in Copenhagen where a bridge exclusively for bikes has been constructed, by introducing bus rapid transit (BRT) with dedicated bus routes like in Johannesburg, or cable cars as part of urban public transport systems to link hilly and often low-income urban communities to the city like in Medellin or La Paz.

Nature-based solutions work for cities, too
Increasingly nature-based solutions are considered in urban climate change adaptation and disaster risk reduction. An example would be New York City’s greened rooftops and streets that can better manage storm water runoff and improve urban climate. China introduced the concept of ‘sponge cities’, cities with open spaces that can soak up floodwater and prevent disaster in ecologically friendly ways. A growing number of tools are supporting cities throughout the implementation phase, for example this one developed by UNU-EHS scientists.

Community networks can support urban disaster resilience
Impacts from disasters such as floods or storms are often worst in densely populated urban areas. While the role of proper building codes and land-use planning has been recognized in reducing disaster risks for a long time, increasingly social ties and community networks are on the agenda. When developing solutions for how to support the elderly during heatwaves, for example, finding help in the community is equally important to beneficial infrastructure.

Smart solutions can improve urban livelihoods
For poor urban dwellers access to even basic urban services can be a challenge. If you live in an informal settlement and you do not have a proper address and a bank account, it is often difficult to sign up for basic necessities such as water and energy services. Digital technologies such as mobile money can change that. In Kenya, smart metering enables payment for utilities and transportation by means of mobile money, thereby providing more equal access. Furthermore, the mobile money services facilitate transfers between urban and rural areas and are particularly helpful for female-headed households.

Cities, countries and international bodies need to collaborate
Urban sustainable development needs to be a top priority not only in cities but beyond urban boundaries. For this purpose Brazil enacted a City Statute and implemented a Ministry of Cities in 2003 to direct urban planning and to make it more sustainable and inclusive. Countries are also coming together on an international level, for example at the United Nations Conference on Housing and Sustainable Urban Development (Habitat III) in which 167 counties participated to focus on sustainable urban development and adopted the “New Urban Agenda”. While good ideas are getting implemented in different cities around the world, it is this kind of collaboration that can make a difference globally.