Mostrar mensagens com a etiqueta Especismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Especismo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de abril de 2026

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

Porky (2021) por Andrea Lavery
Sobre a Pintora e o quadro
Andrea Lavery é uma conceituada artista que cresceu no ambiente rural de Newtown, Connecticut, EUA residindo e trabalha atualmente na zona costeira do mesmo estado. A sua trajetória artística é marcada por uma evolução orgânica e apaixonada; embora os seus registos biográficos privilegiem a experiência prática, a sua técnica revela um domínio consolidado dos meios tradicionais, fruto da sua formação académica com um Bacharelato em Belas Artes (BFA) pelo Paier College of Art, concluído em 1985.

O seu trabalho é amplamente classificado como Impressionismo Contemporâneo, um estilo que a própria define como "Happy Colorful Art". A temática da sua obra é profundamente inspirada pela natureza e pela vida selvagem, destacando-se as suas representações vibrantes de pássaros, abelhas, coelhos e flores. Através de pinceladas fluidas e expressivas, Lavery cria texturas ricas que privilegiam uma interpretação emocional e luminosa do objeto em detrimento de um realismo rígido.

Do ponto de vista técnico, a artista utiliza predominantemente óleos solúveis em água, recorrendo ao óleo de linhaça com a mesma propriedade para conferir transparência e fluidez às composições. Andrea Lavery é particularmente reconhecida por trabalhar em painéis de pequeno formato, nos quais consegue concentrar uma enorme densidade de cor e energia. O sucesso do seu estilo reflete-se não só em galerias, mas também no mercado de licenciamento, com as suas criações a serem aplicadas em tecidos (notavelmente para a QT Fabrics), impressões artísticas e diversos objetos de decoração.

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

O que diz a Ciência 
Apesar dos estereótipos de serem animais simplórios e desleixados, os porcos/suínos são animais extremamente inteligentes, limpos, emotivos e sociais.

A investigação contemporânea no domínio da etologia e da neurociência cognitiva tem demonstrado que os suínos (Sus scrofa domesticus) possuem uma complexidade neurocognitiva que rivaliza com a de primatas não humanos e cetáceos, destacando-se como uma das espécies mais inteligentes do reino animal. No estudo fundamental "Thinking Pigs: A Comparative Review of Cognition, Emotion, and Personality in Sus scrofa domesticus" (Marino & Colvin, 2015), os investigadores compilam evidências de que os porcos exibem uma memória a longo prazo notável e uma capacidade avançada de resolução de problemas. Um dos marcos desta inteligência é a compreensão da perspetiva espacial, demonstrada no estudo "Pigs learn what a mirror image represents and use it to obtain information" (Broom et al., 2009), onde os animais conseguiram utilizar espelhos para localizar alimento escondido, um indicador de processamento visual sofisticado.

Para além da inteligência lógica, os porcos manifestam uma vida social e emocional extremamente rica. A existência de empatia e contágio emocional foi documentada em "Indicators of positive and negative emotions and emotional contagion in pigs" (Reimert et al., 2013), revelando que estes animais não só sentem emoções complexas, como estas são influenciadas pelo estado de ânimo dos seus pares. Esta sensibilidade estende-se à interação com humanos e à capacidade de aprendizagem tecnológica, como comprovado pela recente investigação "Investigation of Video Game Play in Pigs" (Croney & Boysen, 2021), onde os suínos demonstraram competência na manipulação de joysticks para atingir objetivos num ecrã.

Contrariamente ao estigma popular, o porco é um animal instintivamente limpo; quando dispõem de espaço adequado, estabelecem áreas rigorosas para alimentação e repouso, mantendo-as afastadas das zonas de excreção. O comportamento de se refrescarem na lama é, na verdade, uma solução biológica engenhosa para a termorregulação e proteção dérmica, uma vez que a sua anatomia possui um número reduzido de glândulas sudoríparas. Em suma, a ciência moderna reitera que os porcos são seres sencientes, dotados de consciência social, capacidades cognitivas superiores e uma higiene comportamental que desafia preconceitos históricos.

Saber mais:

1. Pig Intelligence

2. From snout to tail, there’s more to pigs than meets the eye

3. No, Pigs Aren't Dirty

4. Eight Things You Probably Didn’t Know About Pigs

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Craig, elefante ícone de Conservação da Natureza, morreu este fim-de-semana


Craig, o velho elefante que vivia no parque nacional de Amboseli, Quénia, morreu este fim-de-semana aos 54 anos de idade, aparentemente de velhice e devido ao desgaste da sua última série de molares. Este indivíduo era um símbolo, conhecido de muita gente

Apesar deste desfecho triste é positivo que Craig tenha conseguido ter uma vida longeva, a salvo das ameaças que continuam a pairar sobre esta espécie. As autoridades de conservação quenianas acompanharam a situação e tomaram as medidas para garantir que as presas deste magnífico animal, com 45 kg cada, não foram desviadas para fins ilícitos.

Fonte: Amboseli Trust for Elephants

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Peter Singer- Libertação Animal

E-livro aqui

Como muitos dos debates internacionais que animam a opinião pública, as universidades e os intelectuais dos países mais desenvolvidos, o problema dos direitos dos animais tem passado despercebido em Portugal. Temos até o caso de Barrancos a lembrar-nos até onde a crueldade portuguesa pode ir em nome da tradição (como se qualquer tradição, só por ser uma tradição, devesse ser respeitada — afinal, também a escravatura era uma tradição milenar e foi abandonada). Com a publicação em Portugal da obra Libertação Animal, de Peter Singer, a Via Óptima vem dar aos portugueses a possibilidade de participar no debate internacional de ideias e de repensar algumas das suas convicções mais enraizadas. Esta obra foi originalmente publicada em 1975 e foi responsável pela vitalidade dos mais importantes movimentos em prol dos direitos dos animais. A edição a que agora temos acesso em português, traduzida por Maria de Fátima St. Aubyn, é a edição revista de 1990.

O livro tem 6 capítulos, dois prefácios (referentes às edições de 1975 e de 1990), três apêndices e várias fotografias ilustrativas do modo como os animais são tratados. Os apêndices apresentam uma útil bibliografia comentada, indicações que ajudam a viver sem pactuar com a crueldade para com os animais, e ainda uma listagem de organizações que, um pouco por todo o mundo, lutam contra o modo como tratamos os animais. O editor português incluiu nesta lista, e bem, referências a organizações congéneres portuguesas.

O primeiro capítulo é semelhante ao capítulo 2 da obra Ética Prática e tem por título "Todos os animais são iguais". Trata-se de discutir a ideia de igualdade e de mostrar que restringir esta ideia aos seres humanos é uma forma de "especismo" — um preconceito indefensável e semelhante em tudo ao racismo. A ideia de igualdade é muitas vezes mal compreendida pelo grande público. Pensa-se que as mulheres e os negros ou os ciganos têm os mesmos direitos que as outras pessoas por serem iguais às outras pessoas. Mas isto esconde ainda uma forma de racismo e de sexismo. Em primeiro lugar, os homens são muito diferentes das mulheres: têm sexos diferentes. Mas daí não se segue que os direitos das mulheres se subordinem aos direitos dos homens. Em segundo lugar, é óbvio que há pessoas mais inteligentes que outras. Newton ou Einstein ou Descartes foram mais inteligentes do que a maior parte de nós; mas daí não se segue que tenham mais direitos do que nós. Em conclusão: não é por os ciganos, negros, etc. serem iguais aos outros seres humanos que têm os mesmos direitos. É verdade que são realmente iguais, em termos genéricos, nomeadamente quanto à inteligência; mas mesmo que não fossem, isso não determinaria que tivessem menos direitos. Afinal, um deficiente mental não tem a mesma inteligência de uma pessoa normal, mas não deve ser discriminada por isso.

Quando compreendemos a igualdade correctamente, compreendemos que é difícil não a alargar aos outros animais; discriminar com base na espécie é tão aleatório como discriminar com base na etnia ou no sexo. O que é moralmente relevante para ter direitos é a possibilidade de sofrer. Dado que os animais podem sofrer, têm direitos. No primeiro capítulo, Singer procura mostrar que a correcta compreensão da noção de igualdade implica que os animais têm direitos, respondendo a muitas das objecções que é comum levantar neste ponto do debate: será que os animais sofrem realmente, ou serão meros autómatos incapazes de sentir dor por não terem alma, como defendia Descartes? Será que faz sentido falar de direitos dos animais quando eles não têm sequer a noção do que é um direito? Singer responde com imparcialidade, rigor e bonomia a estas e outras objecções.

O segundo capítulo, intitulado "Instrumentos para a investigação" apresenta a realidade das experiências científicas com animais. Tanto este capítulo como o seguinte baseiam-se em ampla documentação. O autor conduziu uma investigação sobre o modo como os animais são usados na investigação científica — e os resultados são surpreendentes. A ideia que se tem geralmente é que as experiências com animais permitem avanços importantes em medicina, o que ajuda a salvar vidas humanas. Isto é falso. Grande parte das experiências científicas com animais são levadas a cabo por psicólogos que estudam o comportamento dos animais em situações anormais. Por exemplo: colocam um cão vivo numa espécie de forno, o qual aquecem lentamente até o cão morrer por ser incapaz de suportar o calor. Dão choques eléctricos a ratos e cães, para determinar como reagem a situações de dor permanente. Grande parte deste capítulo consiste em descrever experiências deste género, com base nos relatórios publicados nas revistas da especialidade.

Além de grande parte das experiências com animais levadas a cabo pelos cientistas ser perfeitamente irrelevante para o progresso do conhecimento, não é também verdade que algumas experiências sejam determinantes para salvar vidas humanas. Na verdade, nunca tal coisa aconteceu; e o contrário está mais próximo da verdade. Alguns avanços médicos cruciais que salvaram milhares de vidas jamais teriam sido alcançados caso se baseassem em experiências com animais: "a insulina pode provocar deformações em coelhos e ratos pequenos, mas não nos seres humanos. A morfina, que actua como calmante nos seres humanos, provoca delírios em ratos" (p. 53). E a penicilina é tóxica para os porquinhos-da-índia.

A maior parte das pessoas que defendem os direitos dos animais estarão dispostas a concordar com os argumentos do autor até chegarem ao capítulo 3, intitulado "Visita a uma unidade de criação intensiva". Neste capítulo descreve-se a forma como os animais que comemos são tratados pelas modernas unidades de criação intensiva e o sofrimento a que são sujeitos. E é aqui que começam as dificuldades para o defensor dos animais, pois agora não se trata só de uma opinião sobre coisas que não o afectam; para ser consequente, o defensor dos direitos dos animais terá de deixar de comer animais, dado que é o nosso gosto por carne e peixe que determina o modo como os animais são tratados. O modo como as galinhas, os porcos e as vacas são tratados nas unidades de criação intensiva é descrito de forma imparcial, com base nas revistas da especialidade.

Dada a forma como os animais são tratados para produzirem carne, ovos e leite, que pode o defensor dos direitos dos animais fazer para ajudar a resolver a situação? O tema do capítulo 4, "Ser vegetariano", defende um estilo de vida vegetariano como resposta a esta questão, para que o defensor dos direitos dos animais não seja hipócrita e inconsequente, defendendo com palavras o que contraria nos seus actos: "É fácil tomar posição acerca de uma questão remota, mas os especistas, como os racistas, revelam a sua verdadeira natureza quando a questão se torna mais próxima. Protestar contra as touradas em Espanha, o consumo de cães na Coreia do Sul ou o abate de focas bebés no Canadá enquanto se continua a comer ovos de galinhas que passam as suas vidas amontoadas em gaiolas, ou carne de vitelas que foram privadas das mães, do seu alimento natural e da liberdade de se deitarem com os membros estendidos, é como denunciar o apartheid na África do Sul enquanto se pede aos vizinhos para não venderem a casa a negros" (p. 152).

Surpreendentemente, há ainda outras razões para abandonar o consumo de carne. A produção intensiva de animais para abate é, em termos ecológicos, um disparate. "São necessários cerca de 11 kg de proteínas em ração para produzir o 1/2 kg de proteína que chega aos seres humanos. Recuperamos menos de 5 % daquilo que investimos" (p. 155). As fezes dos animais que são produzidos para abate contribuem em larga medida para o efeito de estufa; as urinas contaminam os solos e os lençóis subterrâneos de água. A água é consumida em grandes quantidades pelos animais para abate, contribuindo assim para o esgotamento progressivo das reservas de água potável. "A água necessária a um boi de 500 kg faria flutuar um contratorpedeiro" (p. 157). Os animais para abate são alimentados com rações que são produzidas a partir de cereais que os seres humanos podem consumir directamente, de forma muito mais vantajosa. "Se os americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10 % durante um ano, libertariam pelo menos 12 milhões de toneladas de cereal, que […] seria suficiente para alimentar 60 milhões de pessoas" (p. 156).

O capítulo 5, intitulado "O domínio do Homem" procura dar conta das origens históricas do especismo. O pensamento grego, romano, islâmico e cristão é profundamente especista — coloca os animais fora da consideração moral, tratando-os como meros objectos inanimados. A ideia de ver um animal a sofrer e de explorar o seu comportamento nessa situação tem raízes antigas, subsistindo ainda nos dias de hoje em espectáculos como a tourada. Peter Singer acompanha a história do especismo, que começa a tornar-se cada vez mais difícil de sustentar, sobretudo depois de Darwin. Mas trata-se de um preconceito de tal modo enraizado que mesmo T. H. Huxley, um dos maiores defensores do darwinismo, compreendendo que não há um fosso biológico entre nós e os outros animais, continua a acreditar nele, resistindo à refutação do especismo. Mas "a resistência à refutação é uma característica distintiva de uma ideologia. Se os fundamentos de uma posição ideológica lhe forem retirados, encontrar-se-ão novas construções ou, então, a posição ideológica permanecerá suspensa, desafiando o equivalente lógico da lei da gravidade" (p. 197).

O capítulo final do livro, "O especismo hoje", apresenta objecções e respostas à causa dos direitos dos animais e alguns dos resultados prometedores a que já se chegou. Diz-se por vezes que os animais não podem ter direitos porque não têm deveres nem entendem o que é ter direitos. Mas os deficientes mentais e os bebés também não têm deveres nem compreendem o que é ter direitos — e no entanto têm direitos. Afirma-se também por vezes que os seres humanos não podem passar sem comer carne; mas isto é pura e simplesmente falso, como o atestam os milhões de vegetarianos saudáveis em todo o mundo. Também se coloca por vezes a questão de saber por que motivo nos devemos coibir de matar os animais para comer, se os animais se matam uns aos outros com o mesmo fim. Mas ninguém acha que podemos matar outros seres humanos para comer, apesar de sabermos que os animais matam seres humanos para comer se tiverem oportunidade de o fazer.

Libertação Animal é uma obra de leitura obrigatória. Pela clareza, seriedade e honestidade. Pelo rigor lógico. Pela inteligência dos seus argumentos. Está de parabéns a Via Optima. E quando uma editora está de parabéns, somos todos nós que ganhamos.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

A beleza da Perdiz-Vermelha e o dilema invisível nos nossos campos

A natureza tem uma forma única de nos desarmar. Recentemente, cruzei-me com uma imagem que me fez parar: uma perdiz-vermelha (Alectoris rufa), com o seu colar preto bem marcado e o bico de um vermelho vivo, a caminhar livremente pelo campo. Completamente selvagem e alheia ao mundo dos humanos. É uma imagem pacífica, mas para quem conhece a realidade do nosso mundo rural, ela traz consigo um dilema profundo. À medida que as temperaturas descem e o mês de outubro avança, os campos portugueses ganham uma nova dinâmica com a abertura da época venatória. É o momento em que a tradição e a conservação colidem.

A caça à perdiz-vermelha é considerada por muitos o pináculo da caça menor em Portugal. O "arranque" - o voo súbito, ruidoso e extremamente rápido da ave quando se sente encurralada - exige reflexos rápidos e perícia por parte do caçador. Nesta atividade, o papel dos cães é absolutamente central. Raças excecionais como o nosso autóctone Perdigueiro Português ou o ágil Epagneul Breton são fundamentais no terreno através de duas funções principais: a parada, onde o cão deteta o odor da ave e paralisa no terreno, apontando a sua direção; e o cobro, que acontece após o disparo, quando o cão localiza e traz a ave de volta, evitando que esta se perca inutilmente no mato.

Por trás da perícia da caça esconde-se, contudo, uma ameaça invisível: as munições de chumbo. Durante décadas, toneladas de pequenos bagos de chumbo foram acumulando-se nos solos, gerando um impacto ambiental devastador. Este problema manifesta-se sobretudo através do saturnismo, que ocorre quando as aves confundem o chumbo com pequenas pedras necessárias para moer o alimento no moageiro e o ingerem, sofrendo uma morte lenta por envenenamento. Além disso, assiste-se à contaminação da cadeia alimentar, dado que os predadores que consomem estas aves, bem como os humanos que comem a sua carne, acabam por acumular este metal pesado no organismo.

Para combater este cenário, a União Europeia implementou restrições severas. Atualmente, segundo as diretrizes da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), é totalmente proibido o uso de chumbo em zonas húmidas e num raio de 100 metros destas, forçando a transição para alternativas ecológicas como o aço ou o tungsténio. No entanto, a transição em Portugal ainda enfrenta resistência no terreno devido ao custo dos novos cartuchos, à incompatibilidade com espingardas mais antigas e à complexidade da fiscalização por parte das autoridades.

Perante este cenário, muitos ponderam a criação de perdiz-vermelha em cativeiro para consumo alimentar ou repovoamento. Embora seja uma atividade legal, o processo está longe de ser simples. Para avançar, o criador enfrenta um labirinto burocrático que exige licenciamento junto do ICNF para a detenção de espécies cinegéticas, além do cumprimento das estritas normas sanitárias,  e de bem-estar animal exigidas pela DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária). Esta enorme barreira burocrática e financeira muitas vezes afasta os pequenos produtores locais, que gostariam apenas de desenvolver um negócio artesanal.

Em meados de outubro, com a época de caça oficialmente aberta - cujos períodos regulamentares podem ser consultados em detalhe no Calendário Venatório do ICNF -, os nossos campos tornam-se o palco deste eterno braço de ferro entre a exploração dos recursos e a conservação da biodiversidade. Ao olhar para a perdiz selvagem da fotografia, o meu desejo imediato era que o mundo não olhasse para tudo o que é belo apenas como um recurso regulado, licenciado ou consumível. Proteger a natureza e garantir que estas aves continuem a voar livres e sem a ameaça de contaminação nos nossos campos não devia ser um dilema burocrático ou cultural - devia ser a nossa única escolha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Qual a diferença entre veganismo e vegetarianismo?


A principal diferença entre veganos e vegetarianos é que os veganos não consomem nada que tenha origem animal, seja em sua alimentação ou outros produtos, como artigos para higiene, limpeza, vestuário ou remédios. Já o vegetariano não come carne, peixe e aves, mas consome outros produtos de origem animal.

A principal motivação dos veganos e vegetarianos é ética, no entanto, o vegetarianismo também pode ser motivado por questões de saúde e religião.
VeganoVegetariano
AlimentaçãoRejeita qualquer alimento relacionado com animais, como carne, leite, mel, ovos, etc.Não consome peixe, carne e aves.
Produtos lácteos e derivadosNão consome.Pode consumir.
ProdutosNão usa produtos relacionados a animais.Usa produtos relacionados a animais.
O que éPode ser visto como um estilo de vida.É um tipo de dieta.
RazõesA principal razão é a questão ética, pela não exploração animal.Pode ser adotado por questões éticas, alimentares, de saúde ou religião.

O que é ser vegetariano?
É considerado vegetariano o indivíduo que exclui carne, aves e frutos do mar de sua dieta. Porém, existem diferentes tipos de vegetarianismo e alguns também excluem laticínios e ovos.

Os tipos mais comuns de vegetarianos incluem:
Ovo-lacto vegetarianos: vegetarianos que evitam carne de animais, mas consomem laticínios e produtos com ovos.
Lacto-vegetarianos: vegetarianos que evitam carne e ovos, mas consomem produtos lácteos, como leite, queijo, iogurte, manteiga, entre outros.
Ovo-vegetarianos: vegetarianos que evitam todos os produtos de origem animal, porém consomem ovos.

Ainda há a dieta flexitariana, feita por pessoas que estão cortando a ingestão de carne, mas ainda comem em alguns casos. Também é considerado aquele que não come outros tipos de carne, porém consome peixe.

Embora às vezes considerados vegetarianos, os flexitarianos comem carne animal ocasionalmente. Portanto, eles tecnicamente não se enquadram na definição de vegetarianismo.

O que é ser vegano?

O veganismo pode ser visto como a forma mais radical e estrita de vegetarianismo. Mais do que uma dieta, pode ser considerado um estilo de vida, que busca excluir todas as formas de exploração e crueldade animal.

Os veganos, além de não consumirem nenhum tipo de carne, dão um passo adiante eliminando todos os alimentos de origem animal de sua dieta, incluindo leite, mel e ovos.

Além disso, o veganismo não se limita à alimentação. O vegano não utiliza nenhum produto de origem animal, incluindo produtos de higiene, cosméticos, vestuário, medicinas, entre outros.

Razões do vegetarianismo e veganismo

As dietas vegetarianas já existem desde 700 a.C. Suas razões podem ser éticas, mas a dieta também pode ser adotadas por questões de saúde, ambientalismo e religião.

Já a razão para o veganismo é principalmente ética. A motivação é evitar todas as formas de exploração animal e, por isso, além da alimentação, os veganos abrem mão de qualquer produto de origem animal, seja para higiene, medicina, entre outros.

Em termos de ética, os vegetarianos se opõem a matar animais para alimentação, mas consideram aceitável o consumo de subprodutos de origem animal, como leite e ovos. Por outro lado, os veganos acreditam que os animais têm o direito de estar livres do uso humano, seja para alimentos, roupas, ciência ou entretenimento.

Veganos também tendem a evitar circos, zoológicos, rodeios, corridas de cavalos e qualquer atividade envolvendo o uso de animais para entretenimento.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Isolation Room presents Jónsi & Alex Somers - ‘Riceboy Sleeps’ and 'All Animals’



All Animals 
Chapter One - 1:45 
Chapter Two - 17:15 
Chapter Three - 19:45 

Riceboy Sleeps 
1) Happiness - 28:05 
2) Atlas Song - 35:55 
3) Indian Summer - 43:25 
4) Stokkseyri - 53:08 
5) Boy 1904 - 58:17 
6) All The Big Trees - 1:03:13 
7) Daníell In The Sea - 1:06:00 
8) Howl - 1:12:54 
9) Sleeping Giant - 1:19:28

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Um dos maiores mercados negros de partes de animais selvagens está no Facebook

Fonte: Uniplanet

É a rede social mais popular do mundo, com mais de dois mil milhões de utilizadores mensais. Bem-vindos ao Facebook, a casa de um dos maiores mercados negros para a compra e venda de partes corporais de animais ameaçados.

A quantidade de vida selvagem a ser comercializada em grupos fechados e secretos no Facebook é arrepiante”, disse um representante da sociedade de advogados Kohn, Kohn & Colapinto, que apresentou uma queixa contra a rede social no mês passado.

Vimos diversos produtos: chifres de rinoceronte, patas de urso, peles de tigre, répteis e toneladas e toneladas de marfim. Numa altura em que o mundo está a perder 30 mil elefantes por ano, graças aos caçadores furtivos, a quantidade de marfim vendida no Facebook é particularmente chocante.” 
Segundo estimativas das Nações Unidas e da Interpol, o tráfico de produtos de espécies selvagens vale entre 6 e 20 mil milhões de euros por ano

“O que está a acontecer é um fenómeno muito assustador e preocupante”, afirmou Iris Ho, da organização Humane Society, citada pelo New York Post. “Os chifres de rinoceronte valem mais do que o ouro”, contou. “Se os comprarmos na Ásia, após camadas de intermediários, o preço final pode chegar aos 60 mil dólares por quilo, ou mais.”
No mês passado a Kohn, Kohn & Colapinto apresentou uma denúncia à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, na qual acusou a rede social de Mark Zuckerberg de lucrar conscientemente com este tráfico, através da colocação de anúncios nas páginas geridas por traficantes. 

O Facebook não é um espetador inocente destes crimes”, declarou Stephen Kohn. “Vendeu anúncios nas páginas em que o marfim ilegal estava a ser comercializado.” 

Entre os artigos à venda nos grupos públicos e privados, também se encontravam dentes de tigre (uma espécie em perigo de extinção, com apenas cerca de 2500 espécimes na natureza), peles de leopardo-nebuloso (espécie vulnerável) e chifres de rinoceronte-negro (espécie criticamente em perigo de extinção), entre outros produtos. Muitos dos grupos são de países do sudeste asiático, como o Vietname e o Laos.

A quantidade de marfim comercializada no Facebook é assombrosa”, disse Gretchen Peters, diretora executiva do Observatório das Redes Ilícitas e do Crime Transnacional Organizado. “Vi milhares de posts que continham marfim e estou convencida de que o Facebook está literalmente a ajudar a levar os elefantes à extinção.” 
Em resposta a estas acusações, o Facebook disse que estava a trabalhar no problema. “As nossas normas comunitárias não permitem a caça furtiva, a venda de vida selvagem, de espécies ameaçadas ou das suas partes, e removemos imediatamente este conteúdo assim que nos apercebemos dele”, respondeu a rede social num comunicado oficial.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Arte e Ecologia- Talking to the Animals


"Lots of people talk to animals; not very many listen, though. That's the problem" ~ Benjamin Hoff, Tao of Pooh

Escutemos "All Animals" de Jonsi e Alex. 22 minutos excelentes de enorme beleza e profundidade.
Consultar ainda o dossiê actualizado 

sábado, 5 de outubro de 2013

Jonathan Balcombe - Biólogo inglês revela seu estudo peculiar sobre as emoções dos animais

O biólogo Jonathan Balcombe nasceu na Inglaterra e cresceu na Nova Zelândia e Canadá, mas foi nos EUA que passou a viver desde 1987, onde conquistou seu PhD em Etologia pela University of Tennessee, em 1991.

Com uma visão ímpar e peculiar sobre as emoções dos animais, em específico a dos roedores, Balcombe já escreveu mais de 50 artigos científicos e contribuiu em muitos livros sobre comportamento animal e ética.

Autor de três obras importantes e conceituadas entre os defensores da causa animal -Pleasurable Kingdom: Animals and the Nature, traduzido no Brasil como “O Reino do Prazer: Saiba como os animais são felizes; The Inner Lives of Animals e The Exultant Ark: A Pictorial Tour of Animal Pleasure (Arca Exultante, em tradução literal) – o biólogo reuniu em seu último livro diversas imagens de fotógrafos quem captam as emoções de muitos animais em diferentes situações.

Presidente do Departamento de Estudos de Animais com a Humane Society University, Balcombe relata em conversa exclusiva com a repórter da ANDA, Maria Castellano, suas impressões sobre o relacionamento humano e animal, os testes de laboratório, suas obras e os desafios da sociedade em relação a libertação animal.

ANDA – Em sua pesquisa e nos seus textos, você tem dado foco às emoções positivas dos animais, como o prazer, ao invés das negativas, como a dor. Quais você considera as descobertas mais inovadoras nessa área e quais são suas implicações para as formas como nos relacionamos com os animais?

Jonathan Balcombe – A descoberta que me vem primeiramente à cabeça e que acho que é a mais impressionante de todas sobre prazer refere-se aos estudos sobre cócegas e riso em ratos, e eu escrevi sobre isso diversas vezes. Esse estudo foi conduzido por um neurocientista americano chamado Jaak Panksepp. Após anos tendo ratos em cativeiro e fazendo experimentos com eles – dos quais alguns não muito agradáveis – ele percebeu que os ratos pareciam estar gostando de um tipo de brincadeira que faziam entre eles, e decidiu gravar os sons que eles emitiam durante essas atividades. É sabido que ratos emitem sons ultrassônicos, e nas gravações ele percebeu que eles faziam uma espécie de chiado enquanto brincavam. Ele então começou a fazer cócegas nos ratos, e eles passaram a seguir a sua mão para receber as cócegas. Ele descobriu que as áreas do cérebro dos ratos que ficavam ativas nesses momentos são as mesmas que as nossas quando estamos rindo, recebendo cócegas ou brincando. Então, o que ele tem argumentado em vários artigos científicos publicados é que a fisiologia, a anatomia e o comportamento dos ratos nessas situações são compatíveis com os nossos quando estamos em situações semelhantes. Eu acredito que essas pesquisas são altamente inovadoras, e tem legitimidade por ele ser um cientista de renome, muito meticuloso, e por ter publicado essas pesquisas em revistas muito respeitadas. Ele escreveu um livro chamado Affective neuroscience: The Foundations of Human and Animal Emotions, que é um livro texto muito usado agora no estudo da ciência das emoções dos animais.

ANDA – Você acredita que essas idéias sobre as experiências emocionais dos ratos – animais que têm sido historicamente estigmatizados – já estão tendo influência na reavaliação das formas como esses animais são frequentemente explorados (por exemplo, como modelos para experimentação científica)?

Jonathan Balcombe – Infelizmente eu acho que os cientistas que fazem esse tipo de experimento serão os últimos na sociedade a mudar, porque é isso o que eles fazem, é esse seu trabalho e é nisso que eles põem o seu tempo, a sua energia, e as suas mentes, e é disso que eles ganham seu dinheiro. Eu duvido que nessa área já encontremos mudanças. Entretanto, houve um estudo recente em um laboratório que usa ratos e camundongos para experimentos sobre analgésicos e mostraram que os ratos mudam de expressão quando sentem dor. Embora o experimento seja sobre dor e não sobre prazer, é um sinal dos tempos que esses cientistas estejam olhando para as expressões de roedores, porque pouco tempo atrás isso seria visto de maneira muito cética pela comunidade científica. Então, quem sabe, isso tenha algum efeito, e eu não sei se eles citam os estudos de Panksepp sobre o riso dos ratos, mas e não me surpreenderia se eles o citassem.

ANDA – Você ainda encontra resistência por parte de outros cientistas quando utiliza termos como alegria, prazer ou tédio para se referir a emoções de animais não-humanos?

Jonathan Balcombe – Certamente. O “pecado” do antropomorfismo está muito enraizado na comunidade científica. Os cientistas – eu inclusive – são muito relutantes em usar palavras para descrever um sentimento em um animal, já que nós não sabemos realmente quais são esses sentimentos, porque são experiências privadas. Eu tenho usado palavras como alegria, porque acho importante pressionar, provocar as pessoas… e a exigência de provas deveria ser para aqueles que negam que um animal possa ter esses sentimentos. Infelizmente a ciência funciona de acordo com o princípio oposto, ou seja, ela sempre assume que os animais não podem (ter esses sentimentos), a menos que se prove o contrário – o que, na verdade é praticamente impossível. Você não consegue ter uma prova com 100% de certeza sobre o sentimento de um animal porque ele não pode te dizer o que ele sente – bem, talvez um papagaio ou um chimpanzé consiga. É desafiador, mas minha posição é que devemos conceder-lhes o benefício da dúvida, não vamos lhes negar que eles podem sentir tudo isso enquanto não tivermos provas. Vamos assumir que eles podem, porque o custo para eles é muito mais alto se assumirmos que eles não podem, e os tratarmos mal, quando na verdade eles podem sentir. Inclusive, o custo para nós, como espécie, também é maior quando lhes negamos o benefício da dúvida. Por quê? Porque é karma! Se nós formos pessoas que temos compaixão pelos ratos, seremos pessoas que também tem mais compaixão pelos outros humanos. Estou terminando de ler um livro que se chama The better angels of our nature: why violence has declined, do psicólogo Steven Pinker, e ele fala do declínio da violência e de como estamos nos tornando mais razoáveis, mais racionais, nossos sistemas de comunicação estão muito melhores, estamos nos tornando mais femininos – e a feminilidade, o nutrir e o cuidar, estão se tornando proeminentes em nossa sociedade e as mulheres estão tendo mais poder (…) tem ocorrido uma série de mudanças nos últimos 50 anos, que indicam que estamos nos tornando uma espécie mais ética, essa é a mensagem geral. Apesar do terrorismo e, é claro, há ainda muitos problemas, (…) na redução do crime e violência, mas eu acho que está bastante bem documentado que a compaixão é indivisível, e a crueldade é indivisível. Se você é cruel você é cruel, não é só com pessoas; as pessoas que abusam animais têm muito mais chance de serem ruins com humanos, e vice-versa. De modo semelhante, as pessoas que têm mais compaixão para com animais também tendem a ter mais compaixão com as outras pessoas. Penso que ao menos nesse ponto as pessoas deveriam ter interesse em conceder aos animais o benefício da dúvida, porque formaríamos uma sociedade mais compassiva e solidária, e isso seria bom para nós também. Se eu tivesse que ficar num quarto por um ano, ou por uma semana, com uma pessoa que costuma bater em cachorros, eu ficaria muito mais preocupado com meu próprio bem-estar do que se eu tivesse que passar esse mesmo período com uma pessoa que trata bem os animais.

ANDA – Quais foram os processos que te conduziram desde a escrita de Pleasurable Kingdom para a de Second Nature e depois The Exultant Ark, quais novos insights surgiram em cada um dos livros?

Jonathan Balcombe – Para ser sincero, não foi uma coisa muito planejada. A questão do prazer resultou de uma epifania, foi um momento em que eu comecei a ver comportamentos em certos animais – por exemplo, esquilos interagindo – e o prazer por trás de alguns desses comportamentos estava muito claro. Percebi então que eu nunca havia lido nada a respeito disso, e que ninguém havia escrito sobre isso. Ao mesmo tempo, essa é uma voz muito forte, por ser esse um tema tão importante, por diversos motivos (não vou poder entrar nisso agora). Essa percepção foi muito importante para mim, e motivou o começo da jornada de começar a escrever sobre o tema (particularmente, escrever livros) e expandir os horizontes a esse respeito. No caso do Second Nature – que de modo geral trata da vida interior dos animais, suas capacidades emocionais e cognitivas – alguns dos materiais que usei para escrevê-lo vieram das pesquisas que fiz para escrever Pleasurable Kingdom, e outros, é claro, vieram de novos materiais que estavam sendo publicados. Paralelamente, eu vinha pensando havia tempos que a questão do prazer era um ótimo tema para um livro de fotografias, fotos de animais que pudessem demonstrar os conceitos de prazer nas brincadeiras, no toque, na comida, no sexo, talvez na estética, no companheirismo, etc. Assim surgiu a idéia para The Exultant Ark, portanto esse livro foi realmente uma extensão do Pleasurable Kingdom, porém com outra abordagem. O livro que estou escrevendo agora – cujo título provisório é The Inner Lives of Fishes (A vida interior dos peixes) – é uma continuação da tentativa de usar a ciência, ou o que os cientistas estão dizendo, para elevar o status dos animais, tentar rebater os estereótipos e os pressupostos que as pessoas normalmente têm sobre eles e avançar nesse aspecto. Os peixes são, coletivamente, o grupo de animais vertebrados mais explorado no mundo e a ciência agora está bastante convencida de que eles são sencientes, conscientes, complexos, e até mesmo afetivos. Eu acho, portanto, que é um bom momento para termos um livro que venha em sua defesa, não apenas dos peixes coletivamente, mas como indivíduos, como seres sencientes.

ANDA – De que forma a mídia e a sociedade em geral tem recebido suas idéias? Eles são céticos com relação a elas?

Jonathan Balcombe – A mídia tem recebido as coisas que escrevo bastante bem. Quando publiquei Pleasurable Kingdom fiz muitas entrevistas, fotos, etc. Embora nada muito grande, não para as principais TVs, mas em geral nos lugares onde eu ia para dar palestras os jornais locais me entrevistaram (como o Toronto Star, por exemplo), e dei muitas entrevistas para rádios, o que continuo fazendo de vez em quando. Não foi um enorme boom, mas gerou uma quantidade bem razoável de interesse, e eu acho que o fato de ser um tema positivo – o prazer, principalmente – tem ajudado nessa receptividade.

ANDA – Para além do seu trabalho como cientista, você é também um defensor da causa animal (animal advocate), e vegano. Conte-nos um pouco sobre esse lado das suas atividades e sua importância.

Jonathan Balcombe – Sim, no meu site acho que uso as palavras “cientista, autor, líder, defensor (advocate)”. Acho que me vejo como tudo isso, e como um etólogo aplicado (no sentido científico do termo), ou seja, tenho uma formação acadêmica como etólogo e especialista em comportamento animal, mas para mim não é simplesmente uma questão de descrever como os animais se comportam (que é do que a etologia trata), mas sim do que fazemos com essa informação, como a aplicamos a este mundo real, para as sociedades humanas e, logicamente, para a forma como tratamos os animais. Aí é onde entra a parte do “defensor” (advocacy), tudo o que eu faço em relação aos animais como acadêmico é no contexto de tentar ajudar a melhorar suas vidas, sua situação, há muito para ser feito nesse sentido. Minhas atividades incluem os cursos que desenvolvi e que ministro na universidade; as palestras e falas públicas que faço (incluindo entrevistas para a mídia); meu papel como “testemunha especializada”* para grupos como o Mercy for Animals; os textos que escrevo, tanto no meu blog como em revistas científicas e livros…estou escrevendo um artigo chamado “After meat” (depois da carne), que penso que depois poderia se transformar em livro, onde faço um exercício de projetar como seria o mundo se todos parassem de comer carne – o que aconteceria no próximo ano, nos próximos dez anos, no próximo século, e assim por diante. Seria uma forma interessante de abordar os problemas associados a esta cultura de se comer animais. Por fim, é claro, há a questão do estilo de vida. Ser vegano, “viver a mensagem” é muito importante, porque você mostra que não é apenas uma idéia, é algo que você realmente pode fazer pela causa na prática, todos os dias.
*Testemunha especializada significa que eles podem me pedir para assistir a uma compilação de vídeos de investigações sigilosas que eles fizeram, por exemplo, de uma fazenda industrial de porcos, ou do tratamento de perus a caminho do abatedouro, ou do tratamento de peixes numa fábrica de processamento, coisas assim. Eu assisto o vídeo e faço comentários especializados que eles podem usar para dar suporte à investigação.

ANDA – Quais você acha que são os maiores desafios para alcançarmos a libertação animal?

Jonathan Balcombe – Acho que os principais desafios referem-se a duas palavras com i: “ignorância” e “inércia”. No caso da ignorância, a questão é que as pessoas não sabem, não têm a informação, ainda não fazem idéia de como os animais são tratados na produção. Elas estão começando a ficar cientes, porque agora temos a internet e outros canais para disponibilizar essas informações – o que é muito animador, ter essas ferramentas à nossa disposição – mas ainda há uma grande ignorância sobre o tema e as pessoas querem ser ignorantes. Elas não querem saber, porque se souberem poderão ter que pensar duas vezes sobre o que estão fazendo, e ninguém gosta de mudar seu comportamento. A segunda questão, da inércia, é que a questão animal é um grande problema, e os grandes problemas não se resolvem facilmente. É como um grande navio. Se você tem um barco pequeno, um caiaque, é muito mais fácil você virar e mudar a direção. Mas com um navio enorme, a inércia é muito maior, você não consegue fazê-lo girar de uma vez, você tem que ir virando gradualmente. Porque estamos falando de mais de um trilhão de peixes, de cerca de dez bilhões de frangos mortos só nos Estados Unidos por ano (na verdade esse número está diminuindo!), eu acho que o navio está começando a mudar de direção, mas ele é enorme e, claro, se você pensar em termos globais, ainda não começamos a mudar de direção. Acho que o timão já foi girado porém o navio ainda não começou a virar, tem esse atraso na resposta. Mas eu acredito que vamos ver, na próxima década, essa tendência que estamos começando a ver nos Estados Unidos, que foi uma redução significativa do consumo de carne em 2012. Eu tenho esperanças – e muitos podem dizer que sou louco por dizer isto – mas eu tenho esperanças de que poderemos ver essa tendência acontecer globalmente. Por enquanto, é como se houvesse um furor por comer carne em outros países, o que é frustrante, porque finalmente os países “desenvolvidos” estão começando a entender que comer carne não é a melhor coisa a ser feita, enquanto outros ainda estão caminhando para esse modelo de vida Ocidental.

ANDA – Você é otimista em relação ao futuro, você vê coisas importantes acontecendo concretamente em favor dos animais?

Jonathan Balcombe – Nós podemos escolher ser pessimistas, mas o que ganhamos com isso? Não quero dizer que sou otimista apenas porque é a melhor opção, eu realmente acredito que há motivos para isso – acho que temos que ser otimistas para fazermos as coisas melhorarem. Nós temos que pensar positivamente, buscar soluções, ser criativos, e também atraentes. Eu acho que isso é muito importante, que o movimento vegano e o movimento pelos animais seja alegre, e seja algo ao qual as pessoas queiram se juntar. Porque mesmo se a nossa mensagem está certa – e isso ajuda muito – se parecermos infelizes com o que estamos fazendo, isso não é convidativo para as pessoas. Eu acho que um ótimo exemplo do que deveríamos estar fazendo – eu vi isso ontem à noite e postei no meu FB – é um novo site sobre veganismo, e foi feito de forma linda, com modelos e fotógrafos profissionais para as imagens das comidas, chama-se Choose Veg. A página é ótima, as comidas parecem deliciosas, as pessoas saudáveis, há algumas informações, enfim, é um exemplo. E agora com a internet pessoas de qualquer lugar do mundo podem acessar essas páginas. (…) eu acho que o Brasil vai ser o grande indicador dessas mudanças na América Latina, porque é um país tão grande e tão importante. Acho que tudo é uma questão de disseminação das informações e, claro, de mudança de mentalidade. A questão da carne é tão antiga e está tão enraizada nas pessoas – essa idéia de que você precisa comer produtos de origem animal para obter proteínas, e isso é tudo mentira, é cientificamente falso. Você não forma músculo comendo carne, você forma músculo comendo proteínas e as proteínas, ou os aminoácidos que as formam, estão em todos os lugares. (…) A comunidade médica é uma das menos informadas nesse sentido, eles continuam trabalhando com base no antigo paradigma. O lado bom dessa história é que atualmente há uma grande quantidade de informação que contradiz esse antigo paradigma, e ela está amplamente disponível.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia dos Animais - oração shin-budista


Oração Shin-Budista das Crianças
"Eu sou um elo na dourada corrente de amor do Buda Amida que se espalha pelo mundo.
Devo manter meu elo iluminado e forte.
Tentarei ser bondoso e gentil com cada ser vivo e proteger todos que são mais fracos do que eu.
Tentarei ter pensamentos puros e belos, dizer palavras puras e belas e agir com pureza e beleza, sabendo que daquilo que faço agora depende não só a minha felicidade ou infelicidade, mas também a dos outros.
Possa cada elo na dourada corrente de amor do Buda Amida se tornar iluminado e forte, e possamos todos nós alcançar a paz perfeita."

Texto completo aqui

Outras leituras
Para ainda comparar a legislação portuguesa com a existente noutros países consulte a página da Universidade Estadual de Michigan (2004)

Dossiê
Consciência Animal actualizado!

Biografia de Shinran Shonin

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Dossiê Consciência Animal e Senciência

ATENÇÃO © Copyleft - É permitida a partilha do dossiê exclusivamente para fins não comerciais e desde que o autor e o BioTerra sejam citados.



Não esqueças de visitar regularmente este espaço para manteres-te actualizado

Direito Animal
Animal Law Info
Charter of Compassion
Cruelty Free International
ECEAE- European Coalition to End Animal Experiments
Ética Animal
International Fund for Animal Welfare
LPDA- Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais
OIE- World Organization for Animal Health
Primate Freedom Project
Renctas
Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals
WSPA - World Society for Protection of Animals
Animais de Rua
APA - Ass. para a Protecção dos animais de Torres Vedras
APAAC - Ass. de Protecção aos Animais Abandonados do Cartaxo
APCA - Ass. de Protecção aos Cães Abandonados


Revistas || Academia

Youtube

Investigadores || Pensadores


NOVA ATENÇÃO  © Copyright-  Ao partilhar, agradeço atempadamente aindicação do autor e do meu blogue Bioterra. Estes dossiês resultam de um apurado trabalho de pesquisa, selecção de qualidade e organização. Obrigado.