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terça-feira, 9 de junho de 2026

Serra da Estrela ganha novo selo da UNESCO e passa a ter dupla proteção internacional


A Serra da Estrela foi integrada esta sexta-feira, dia 3 de junho, na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma distinção internacional que premeia territórios que conciliam a conservação da natureza com o desenvolvimento sustentável

A Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, distinção atribuída pela UNESCO a territórios que conciliam "a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável", foi divulgado esta sexta-feira.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 3 de junho.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.

Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera.

"Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais", referiu o ICNF.

De acordo com o instituto, a nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 quilómetros quadrados (km²), distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

A Reserva da Biosfera da Estrela está estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

O ICNF realçou que a iniciativa resultou "de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024".

"Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental", salientou ainda o ICNF.

Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é "uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras".

Numa nota divulgada pelo ministério, Maria da Graça Carvalho destacou "o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica".

Ler mais:
Serra da Estrela: Quo vadis biodiversidade?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Motor de desenvolvimento ou de danos irreparáveis? Parque solar planeado para Portugal abre polémica


Após a leitura deste artigo, apelo que assinem e partilhem esta petição que ainda só tem cerca de 4.200 Faça-o agora e partilhe com os vossos contactos. Precisamos de 7.500 assinaturas! As petições com mais de 7.500 assinaturas podem ser discutidas em plenário na Assembleia da República [consultar o guia]

Um novo projeto solar, que será sediado no distrito português de Castelo Branco, está a ser amplamente contestado tanto pelas associações ambientalistas como pelos próprios municípios. Chama-se Parque Solar Fotovoltaico Sophia e, segundo anunciado no site da empresa por detrás da iniciativa, a Lightsource bp, o seu objetivo passa por "conciliar a produção de energia renovável com a valorização ambiental do território e benefícios duradouros para as comunidades locais".

Tratar-se-á de um parque solar que deverá ser um dos maiores do país, com um total de 867 MWp de potência e que envolverá, de acordo com a Lightsource bp, um investimento de cerca de 590 milhões de euros. A empresa estima que o mesmo será capaz, no futuro, de "abastecer mais de 370 mil habitações e evitar a emissão de cerca de 24,5 mil toneladas de CO₂ por ano", com vista a contribuir "para as metas do Plano Nacional Energia e Clima 2030".

O projeto, que abrangerá os municípios do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, esteve em fase de consulta pública até ao passado dia 20 de novembro, durante mais de um mês, tendo angariado mais de 10 mil contribuições. Foi a consulta pública mais participada de sempre, com críticas a surgirem de várias partes, apesar de a empresa assumir, publicamente, que o projeto "integra um conjunto robusto de medidas de proteção ambiental e valorização da paisagem".

O que está, então, previsto no projeto, que impactos se espera que o parque solar tenha na região e de que modo a Lightsource bp está a encarar toda a polémica?

O que motivou a escolha do local e quando se prevê que esteja operacional
"A escolha do local de implantação de qualquer projeto de energia renovável, seja ele solar ou eólico, é a proximidade ao ponto de ligação à rede elétrica." A explicação é dada, em esclarecimento enviado à Euronews, pela própria Lightsource bp. "No caso do parque solar Sophia o ponto de ligação é a Subestação da REN do Fundão, vinculado através de um Acordo de Título de Reserva de Capacidade (TRC)", tendo a área selecionada para a sua implantação resultado de uma "análise técnica ambiental que confirmou esta opção como a de menor impacte num raio de 30 km ao redor da Subestação do Fundão".

A empresa refere ainda que, para elaborar o "Estudo Prévio que esteve em consulta pública", foi realizado "um trabalho exaustivo de recolha de informações ambientais refletindo um projeto em desenvolvimento há seis anos".

Neste momento, elabora a Lightsource bp, "o projeto Sophia está numa fase inicial de licenciamento, com entrada em operação prevista para 2030".

O que diz o Estudo de Impacte Ambiental
O documento, datado de setembro de 2025, detalha, entre tantos outros pontos, que esta central solar será "constituída por 1.365.588 módulos fotovoltaicos, que ocuparão uma área total, dividida em setores, de cerca de 390 hectares".

No Estudo de Impacte Ambiental, destaca-se ainda que o "modelo selecionado", neste caso, para a conversão da energia solar em elétrica, tem como "vantagens" uma elevada "eficiência", "fiabilidade" e "rendimento energético".

Além do mais, a análise realizada indica que a proposta "não abrange áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas ou Sítios da Rede Natura 2000", destinadas a garantir a proteção de zonas naturais reconhecidas e a conservação da biodiversidade, respetivamente. Ainda que "a área de implantação" da central se sobreponha "ao Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO, reconhecido pelo Programa Internacional de Geociências e Geoparques da UNESCO".

Outra das principais conclusões prende-se com o facto de a fase de construção do parque solar constituir "o período mais crítico ao nível dos impactes negativos, nomeadamente sobre os descritores usos do solo, flora, vegetação, habitats, fauna e paisagem". Alerta-se, inclusive, que os maiores riscos estão associados "à desmatação, abertura de caminhos e à construção da subestação" da própria central.

Afirma-se, no entanto, que nessa mesma fase de construção, "as comunidades vegetais afetadas pela implementação dos projetos apresentam predominantemente reduzido valor conservacionista e/ou ecológico". Ainda que se reconheça que será necessário "abater ou afetar indivíduos de azinheiras ou de sobreiros isolados" - 1.120 e 421 de cada, respetivamente.

Já relativamente à fauna, "durante a fase de construção prevê-se a ocorrência de diversas ações que poderão conduzir a efeitos negativos para os diferentes grupos faunísticos".

Entre outros tantos pontos dignos de consideração nesta análise, recorda-se que a implantação da central "dará origem a impactes paisagísticos" num local que fica nas proximidades de "três aldeias históricas, nomeadamente, Castelo Novo, Idanha-A-Velha e Monsanto".

Salienta-se ainda, ao "nível do património", que a fase de construção "comporta um conjunto de intervenções e obras potencialmente geradoras de impactes genericamente negativos, definitivos e irreversíveis". Mas também a existência de "um impacte económico extremamente importante e significativo" por via do "arrendamento das terras" por um período de "40 anos", mas igualmente de "um investimento de cerca de 590 milhões de euros, fundamentalmente, através da captação de capitais externos".

Conclui-se também que "a conceção do projeto garantiu a não colocação de painéis fotovoltaicos em solos agrícolas integrados na RAN [Reserva Agrícola Nacional]", que, fruto das suas características, apresentam maior aptidão para a atividade agrícola. E que "para além de reuniões mantidas com os municípios e com a [rede] Aldeias Históricas, foram também tidas reuniões setoriais e de trabalho com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], em fase precoce de desenvolvimento, para apresentação e discussão do projeto".

terça-feira, 9 de abril de 2024

Petição Criação da Ordem dos Geólogos (2024)

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Os geólogos são profissionais com formação superior específica no vasto domínio da geologia, debruçando-se, nomeadamente, no estudo do solo, do subsolo, dos processos geológicos ativos e daqueles que ocorreram ao longo da história da Terra. Atuam, igualmente, no âmbito do ordenamento e planeamento do território, na exploração e gestão sustentável dos recursos naturais, e na prevenção e mitigação dos riscos geológicos. O desempenho da profissão de geólogo está dependente do conhecimento geológico do território, sendo este de importância estratégica para o desenvolvimento socioeconómico do país. Estes profissionais contribuem para a obtenção de soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas sociais, económicos e ambientais que a Sociedade enfrenta, tais como as mudanças climáticas, a transição energética, a escassez hídrica e o declínio dos ecossistemas.

A profissão de geólogo tornou-se, nas últimas décadas, complexa e muito diversificada devido à sua ligação com outras profissões numa grande variedade de domínios de atividade, nomeadamente, nos sectores das indústrias de construção, extrativa e energética, do ordenamento do território, da gestão ambiental, bem como da prestação de serviços especializados ao Estado e às empresas. Atua, ainda, nos setores da proteção ambiental e societal. Ou seja, o geólogo é um especialista com um olhar único na proteção e gestão sustentável do nexo solo-água-energia-alimentos-património, tão destacado, por exemplo, pela ONU – Organização das Nações Unidas, FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Tem, também, um papel determinante na dinamização da geologia espacial dos programas da AEP - Agência Espacial Portuguesa, ESA – Agência Espacial Europeia e NASA - Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Estados Unidos da América).

Neste quadro complexo, mas desafiante, os geólogos defendem a necessidade da criação de uma associação pública profissional, assentando esta aspiração em quatro pontos fundamentais:

1) A necessidade de uma cabal regulação da profissão, visando definir os requisitos e as qualificações profissionais, o âmbito da profissão e a exigência dos respetivos atos profissionais, levando à atribuição de uma certificação através de uma cédula profissional, elevando assim os mais exigentes padrões na prática do geólogo profissional englobando todos os princípios éticos e de probidade técnica que acarretam;

2) A necessidade de dispor de um código de princípios deontológicos e de dispositivos jurídico-disciplinares adequados à defesa da independência do julgamento profissional;

3) A necessidade de criar condições que permitam o reconhecimento das qualificações e requisitos profissionais em condições de reciprocidade com instituições homólogas nacionais e estrangeiras, visando garantir o exercício da atividade profissional dos geólogos portugueses dentro e fora do espaço europeu;

4) A verificação do cumprimento de requisitos profissionais deve ser confiada aos próprios geólogos constituídos em associação pública profissional, dado que, face à atual complexidade desta atividade profissional, estão mais bem apetrechados para a realizar, compatibilizando a liberdade de acesso e de exercício da profissão, e a ponderação do interesse público.

A estreita relação entre a natureza da profissão e o interesse público emerge com clareza do simples enunciado de algumas das áreas mais paradigmáticas da intervenção profissional dos geólogos:

a) Planeamento territorial e georrecursos: estudos de cartografia geológica sistemática do país, realizada a várias escalas, implementação e gestão de bases de dados digitais da cartografia geológica, dos recursos geológicos, hidrogeológicos e geotérmicos, entre outros. Apoio à execução de cartografia temática e com fins diversos que incluem uma perspetiva agronómica, agrícola, geotécnica, hidrológica, territorial e de risco natural/geológico. De facto, o território é um agente de transformação a ser conhecido e gerido de uma forma ambientalmente sustentável e de interligação com todos os agentes envolvidos, incluindo as comunidades e os ecossistemas;

b) Riscos naturais, segurança e proteção civil: previsão e prevenção de riscos naturais visando a minimização dos desastres, a proteção da vida humana e a limitação de danos (identificação das falhas sísmicas e zonamento do perigo sísmico das regiões e dos sítios, contribuição na engenharia sísmica geotécnica, monitorização da atividade vulcânica, controlo da erosão, da estabilidade de taludes, das encostas e das arribas de praia ou adjacentes a outros espaços públicos, entre outros);

c) Análise de riscos na construção e economia das grandes obras: estudo e avaliação das condições geológico-geotécnicas para o projeto e construção das grandes obras de engenharia e identificação dos riscos financeiros, bem como de problemas de desempenho induzidos por causas geológicas (a derrapagem do custo final das grandes obras está frequentemente relacionada com a falta ou com a insuficiência de estudos de geologia de engenharia);

d) Ambiente, água, território e adaptação às mudanças climáticas: prospeção, pesquisa, captação e proteção de águas subterrâneas; contributo para a avaliação, proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos e recursos hidrominerais, a várias escalas; avaliação da radioatividade natural; estudos sobre o uso sustentável do solo; prevenção e mitigação de riscos naturais ou tecnológicos; remediação de solos e águas contaminadas, monitorização da erosão costeira, restauro da natureza, gestão da geodiversidade, entre outros;

e) Gestão sustentável e proteção dos recursos naturais: prospeção, avaliação e extração dos recursos minerais numa base eco-eficiente (metálicos estratégicos e não-metálicos); estudo, caracterização e gestão de geomateriais; colaboração na exploração e gestão dos recursos energéticos (como a geotermia); conservação do património geológico e valorização do geoturismo;

f) Saúde pública e geologia: prevenção dos riscos de contaminação dos solos e das águas subterrâneas, com base no estudo dos sistemas aquíferos, da sua vulnerabilidade e dos processos de propagação dos contaminantes; estudo da contaminação dos solos e dos métodos de descontaminação; avaliação do risco de exposição da radioatividade natural; estudos e o papel da geologia médica nos solos-alimentos-água; o papel terapêutico e de bem-estar dos recursos hidrominerais; contributos dos recursos hidrominerais em produtos farmacêuticos e dermocosméticos, entre outros temas;

g) Geologia marinha e reconhecimento dos fundos oceânicos da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal: o nosso país detém a maior ZEE da Europa, revestindo-se esta de grande valor estratégico e potencial base de um novo paradigma do desenvolvimento económico do país ligado à Economia do Mar e Oceanografia Geológica. Os geólogos têm um papel preponderante no estudo da geologia dos fundos marinhos, e no estudo, exploração e gestão dos valiosos recursos naturais localizados na ZEE. A geologia costeira é, igualmente, importante na gestão, valorização da zona costeira continental e insular, bem como para a valorização deste fantástico e frágil território de interface com o oceano;

h) Investigação, ensino e cultura: os geólogos têm um papel extremamente relevante quer nas atividades de investigação, desenvolvimento e inovação em equipas inter, multi e transdisciplinares, quer no ensino básico, secundário e superior, bem como na formação de cidadãos cultos e informados. É, igualmente, relevante a sua participação em programas de astrogeologia para a difusão da geologia planetária, promovidos pela AEP e ESA. Os geólogos têm, também, um papel pertinente na difusão e disseminação de uma literacia e cultura geocientífica esclarecida direcionada aos cidadãos, através de programas e iniciativas de divulgação científica.

Assim, tendo em conta a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a salvaguarda do interesse público e a correlativa necessidade de autorregulação da profissão de Geólogo, assinamos esta petição solicitando à Assembleia da República a criação da Ordem dos Geólogos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

O Estado da Arte dos Povos Aborígens da Austrália


Os Nativos Australianos (aborígines)
supostamente tinham o status de flora e fauna (vida vegetal e animal) até 1967 em sua terra natal ...
Acredita-se que a Lei da Flora e da Fauna seja um mito.
Esta foto de 1902 confirma que não era apenas um mito.

Os Aborígenes foram os primeiros povos habitantes do território australiano.

Os territórios que formariam a nação independente da Austrália já tinham população humana há pelo menos 50.000 anos. De acordo com a teoria mais predominante, os primeiros habitantes teriam vindo do sudeste asiático durante a ocorrência da última Era Glacial, espalhando-se eventualmente por todo o continente. Divididos em centenas de clãs, que tinham um modo de vida caçador-coletor, eles são melhor conhecidos hoje como os aborígenes e permaneceriam culturalmente isolados do restante do mundo por dezenas de milhares de anos.

Apesar de menções à região australiana ocorrerem em documentos portugueses e espanhóis da Era Medieval e início da Era Moderna, o contato mais conhecido dos aborígenes com o mundo exterior veio já quase na Era Contemporânea, quando o capitão James Cook foi encarregado de realizar uma expedição exploratória na região. Em 28 de abril de 1770, ocorreu o primeiro desembarque de Cook e sua tripulação na costa australiana. Pouco depois, em 22 de agosto, ocorreu a posse oficial das novas terras pela Coroa britânica, nomeadas em seu conjunto como Nova Gales do Sul (New South Wales).

De início, a nova possessão foi basicamente utilizada como uma colónia penal. Em paralelo ao domínio brutal exercido sobre a população nativa aborígene, os ingleses expandiam possíveis benefícios económicos sobre Nova Gales do Sul ao doar terras para plantio aos milhares de prisioneiros que conseguiram terminar de cumprir as suas penas durante o século XIX. Eventualmente, seis estados ficariam estabelecidos: Nova Gales do Sul, Austrália Meridional, Austrália Ocidental, Queensland, Victoria, e Tasmânia, mais alguns territórios, sendo o Território do Norte o maior deles.

A Austrália é um país mundialmente conhecido por suas belezas naturais, pelo seu desenvolvimento económico e pela qualidade de vida da população (atualmente apresenta o quarto maior Índice de Desenvolvimento Humano do planeta). No entanto, pouco se comenta da história dos primeiros povos habitantes do território australiano, os Aborígenes.

Os Aborígenes são a população nativa da Austrália, habitavam a maior parte do território australiano, totalizavam aproximadamente 750.000 indivíduos, subdivididos em 500 grupos e com cerca de 300 dialetos diferentes. Esses grupos possuíam estilos de vida distintos e tradições culturais e religiosas próprias em cada região.

Com a chegada dos colonizadores ingleses em 1758, deu-se início aos massacres das comunidades Aborígenes. Soldados ingleses visitavam as aldeias fingindo uma aproximação amigável, oferecendo presentes. Porém, outros soldados envenenavam com arsénio a água e os alimentos dos Aborígenes; várias pessoas, inclusive crianças, morreram em consequência do envenenamento.

Os soldados ingleses destruíram locais considerados sagrados pelos Aborígenes. Também ofereciam bebida alcoólica à população local, e se aproveitavam do estado de embriaguez para instigar confrontos entre as diferentes aldeias, fazendo com que eles mesmos se aniquilassem.

Após proclamada a independência australiana, os Aborígenes passaram a sofrer com a discriminação da população de seu próprio país. Parte da população australiana considerava os Aborígenes como sendo parte da fauna e da flora, não havendo o devido respeito por esses indivíduos.

Dentre as diversas perseguições sofridas por essa comunidade, se destaca a “The Stolen Generations”, uma tentativa de “limpeza étnica”. Homens, a mando do governo, invadiram as tribos e raptaram crianças, inclusive bebés; muitas foram retiradas de suas famílias, pouco se sabe a respeito do verdadeiro paradeiro delas.

Atualmente os Aborígenes correspondem a apenas 1% da população australiana. Alguns vivem em aldeias no deserto, outros moram em bairros periféricos das grandes cidades. A maioria não consegue emprego formal e recebe auxílio do governo. Alguns conseguem contribuições da população, tocando nas ruas da cidade o didgeridoo, um instrumento de madeira que produz um som forte parecido com o apito de um navio. É comum encontrar pela cidade aborígenes embriagados, e muitas vezes envolvidos em confrontos com a polícia.

Com o intuito de minimizar essa triste história, o governo australiano está desenvolvendo políticas antidiscriminação, e preservando as tribos Aborígenes que restam, proporcionando a preservação das tradições deste povo.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Poesia é um clarão

Meteorito que causou clarão no céu de Pernambuco [Fonte]

Poesia é um clarão
É um clarão
De lucidez
Que ilumina os nossos corações
Um vulcão que expele pedras preciosas
De amor, sexo, paixão, humanidade e natureza
Um espanto de sensações
Um magma que liberta os nossos medos e erros
Ou um magma que derruba os preconceitos
Uma paleta de cinzas e nevoeiro
Ou uma paleta de cheiros de rosas e pinho
De algas, de ouriços-do-mar
Uma geografia de afectos
Aclara todos os nossos sentimentos
Por vezes o verbo da morte
Descrevendo a perda, a separação ou a fé
Uma ciência trabalhadora ou de nuvens ou das aves
Um clarão que sossega as nossas mágoas
Os poemas são livres de amarras
Têm luz
Perante a cegueira
O poema traz liberdade e esse clarão
É transportado por todos e cresceu
Foi ouvido
A poesia é um clarão
 
João Soares, 9 de Dezembro de 2020

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Estudo publicado na Nature alerta que os hotspots globais para a conservação da natureza do solo estão mal protegidos

Ilha Livingston, Antártida. Uma das áreas de amostragem incluídas no estudo


Um estudo internacional com a participação de Alexandra Rodríguez e Jorge Durán, investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), publicado hoje na prestigiada Nature, identifica as regiões do mundo que deveriam ter a maior prioridade para a conservação da natureza do solo. Estão localizadas nos trópicos, Ásia, América do Norte e Europa.

A investigação, que inclui mais de 10 mil observações de indicadores de biodiversidade (invertebrados, fungos, protistas, bactérias e arqueias) e serviços de ecossistemas em 615 amostras de solos de todos os continentes, conclui também que a maioria dos solos que mantêm os mais altos níveis de biodiversidade e serviços ecológicos não possui um nível adequado de proteção. Os cientistas combinaram essas observações para avaliar três dimensões ecológicas do solo: riqueza de espécies, a singularidade dessas espécies em cada região e vários serviços ecossistémicos, como regulação do ciclo da água ou armazenamento de carbono.

Os dados obtidos revelam que diferentes facetas da conservação do solo atingem o pico em diferentes partes do planeta, dificultando a proteção de todas simultaneamente. Ecossistemas temperados, por exemplo, mostram maior biodiversidade local (riqueza de espécies do solo), enquanto ecossistemas mais frios são identificados como hotspots de serviços do ecossistema do solo. Por sua vez, ecossistemas tropicais e áridos abrigam as comunidades mais singulares de organismos do solo.

«Os valores ecológicos do solo são frequentemente negligenciados nas decisões de gestão de políticas e conservação da natureza. Este estudo demonstra onde os esforços para protegê-los são mais urgentes», afirma Manuel Delgado Baquerizo, da Universidad Pablo de Olavide (Sevilha, Espanha), um dos líderes do estudo.

Os investigadores do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC, coautores do artigo científico e responsáveis pela recolha e análise de amostras em Portugal e na Antártida, defendem que a biodiversidade do solo tem de ser protegida. «O solo ainda é um recurso pouco reconhecido que, no entanto, abriga uma imensa biodiversidade e inclui elementos-chave para os ciclos básicos que sustentam a vida», afirma Alexandra Rodríguez. Portanto, salienta Jorge Durán, «para preservar os seus serviços do ecossistema, é necessário conservar a diversidade de cada tipo de solo, especialmente nas áreas mais vulneráveis às mudanças ambientais previsíveis. A proteção dessa diversidade é essencial para manter funções de vital importância para a nossa existência, como o sequestro de carbono, a degradação de poluentes, etc.».

Os solos também são vulneráveis «às alterações climáticas e mudanças no uso da terra. Para conservar melhor os valores ecológicos do solo, devemos saber onde a sua proteção é mais necessária. No caso de plantas e animais acima do solo, os hotspots de biodiversidade foram identificados décadas atrás. No entanto, até agora nenhuma avaliação foi feita para obter os valores ecológicos do solo. A maioria dos alimentos que consumimos vem do solo direta ou indiretamente. Proteger esses solos é essencial para a nossa sobrevivência», notam os dois coautores do estudo.

Os padrões espaciais contrastantes para as três dimensões ecológicas do solo avaliadas demonstram como é complexo protegê-las todas ao mesmo tempo. «Quando se trata de proteger os solos, provavelmente não nos devemos focar em maximizar localmente todas as dimensões ecológicas do solo em simultâneo, mas sim em abordagens integradas que destacam o potencial local», enfatiza Carlos Guerra, investigador do Centro Alemão para a Pesquisa em Biodiversidade Integrativa e autor principal do artigo.

Os trópicos, a Ásia, a América do Norte e a Europa são as regiões onde foram identificados hotspots de ecossistemas que deveriam ter a mais alta prioridade para a conservação da natureza do solo. Os cientistas compararam esses hotspots prioritários com áreas que já estão protegidas e descobriram que metade deles não está atualmente sob nenhuma forma de conservação da natureza.

«As áreas protegidas são projetadas para preservar plantas, pássaros ou mamíferos. No entanto, não está claro para nós se essas áreas protegidas são eficientes na conservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas dos nossos solos. Este estudo sugere que não estamos a proteger de forma eficiente os hotspots de conservação do solo à escala global. Ao projetar áreas protegidas, precisamos considerar explicitamente os solos, a sua biodiversidade e os serviços que prestam, para que possamos proteger a sua capacidade de sequestro de carbono e biodiversidade», conclui Carlos Guerra.

Com o título “Global hotspots for soil nature conservation”, o artigo científico está disponível aqui.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Dia Internacional da Geodiversidade

O Dia Internacional da Geodiversidade foi instituído em 2021 pela UNESCO, a organização das Nações Unidas dedicada à educação, ciência e cultura. Comemora-se, hoje, pela primeira vez em todo o mundo e tem como objetivo principal alertar a sociedade para o papel que a geodiversidade desempenha para assegurar o bem-estar e prosperidade dos seres humanos e as condições necessárias para a preservação da biodiversidade.

O que é geodiversidade? Atualmente, conhecemos cerca de 5.000 minerais diferentes, um número com tendência para aumentar com o avanço da investigação científica feita pelos geólogos. Uma caracterização completa dos minerais permite saber como eles se formaram e se podem ser usados em nosso benefício, permitindo o desenvolvimento de produtos necessários à nossa sociedade.

Em média, um solo é constituído por minerais que resultam da meteorização das rochas subjacentes (50%), poros que podem estar preenchidos por água e/ou ar (45%) e matéria orgânica (5%). Os solos são excelentes exemplos da interligação entre geodiversidade e biodiversidade e desempenham um papel fundamental para garantir a nossa alimentação.

Muitos processos geológicos não são percetíveis pelos seres humanos, por serem muito lentos ou por decorrerem em ambientes inacessíveis. Porém, alguns processos podem ser presenciados e investigados diretamente pelos geólogos.
Para saber mais:





Site Oficial
International Geodiversity Day
Journée Internationale de la Géodiversité

sábado, 25 de junho de 2022

We are living in Iceland, after all



Birgitta Björg Jóns­dótt­ir, the directing manager of Into the Glacier, which is behind the ice tunnel in Langajökull, says that the earthquake last Thursday has not impacted their business in any way. A 4.6 M earthquake was detected 13.8 km south of Eiríksjökull glacier, under Langjökull last Thursday.

The earthquake was felt in all of the Western part of Iceland, north to Húnvatns county, in the Reykjavik area and all the way south to Rangárvallasýsla as well as a series of post earthquakes that followed.

Not worried about more earthquakes

"Thish has no effect on what we are doing. There are no signs of earthquakes on the glacier, even though we felt it in Húsafell and also some of the post earthquakes. After conculting with the police in the Western part of Iceland and The Icelandic Met Office and The Department of Civil Protection and Emergency Management we decided to operate as usual, like nothing had happened. We are in full swing and have not been impacted by this earthquake in any way."

Langjökull. Rax / Ragnar Axelsson

Asked if they had detected earthquakes in the area, she says they have felt a few earthquakes close to the glacier, but never in the ice tunnel. "There was one earthquake last April, but we have never had a staff memeber in the tunnel when this has happened so we have not experienced it."

She is not worried about future earthquakes in the area. "No I have no anxiety. We take one day at a time and we are living in Iceland, after all."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Petição: É Possível Impedir a Destruição do Geossítio do Paredão


O Curral das Freiras é conhecido pela sua paisagem, uma paisagem que marca a nossa identidade enquanto madeirenses, e que a distingue de muitos outros destinos turísticos. A Freguesia conhecida no exterior pela sua beleza quase intocada e movendo essencialmente turismo externo e interno de natureza, não pode ver destruído o seu bem mais precioso com uma plataforma suspensa que a atravessará de uma ponta a outra e a irá descaracterizar brutalmente. Para ver teleféricos bastará ir a tantos outros destinos que já os têm, mas a marca identitária do Curral das Freiras, apenas existe no Curral das Freiras, um dos espaços naturais mais privilegiados da nossa Região. Este projecto megalómano irá, não só destruir a identidade de um povo, mas destruir também património geológico inestimável que está inventariado pela “Estratégia de Conservação do Património Geológico da Região Autónoma da Madeira”, identificado na Carta de Património e que integra o Plano Director Municipal de Câmara de Lobos, o Miradouro do Paredão. Por isso, o Miradouro do Paredão está classificado como Geossítio.
No dia 3 de Dezembro, o Governo Regional publicou a resolução n.º 1261/2021, dando conta de que o processo de expropriação já está em curso e que, aliás, prevê-se a comparticipação financeira ainda para este ano de 3.419.831,13€. Um valor exorbitante para destruir o que de mais valioso temos.
Os cidadãos abaixo-assinados, vêm assim exigir que o processo de construção do Teleférico do Paredão não vá em frente e que seja preservada a identidade de um povo e de uma Região.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Parque do Barrocal de Castelo Branco vence Prémio Geoconservação 2021


O Parque Natural do Barrocal, em Castelo Branco, ganhou o Prémio Geoconservação 2021, que distingue os melhores exemplos de conservação e valorização do património geológico, anunciou o município local. “Este prémio é o reconhecimento de todo o trabalho realizado na valorização de Castelo Branco. O Parque do Barrocal é um símbolo da nossa cidade e tem enchido de orgulho toda a comunidade albicastrense”, refere, em comunicado, o presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves.

O parque constava de uma lista de sete projetos nacionais candidatados, num concurso organizado pelo Grupo Português da ProGEO – Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico. O objetivo deste prémio é distinguir uma autarquia que se destaque na implementação de estratégias de conservação e valorização do património geológico do seu concelho, além de sensibilizar o público em geral para o reconhecimento do valor deste património como parte integrante do património natural.

O Parque Natural do Barrocal tem 40 hectares

Barrocal é o nome dado a um terreno com várias barrocas ou penedos. 
Segundo a ProGeo, o júri constituído por elementos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), da Associação Portuguesa de Geólogos (APG) e da ProGEO decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio ao Barrocal, reconhecendo “a elevada qualidade da intervenção realizada no Parque do Barrocal”, além de o empenho e o investimento realizado pela autarquia de Castelo Branco”.

Este é já o terceiro prémio que o Parque Natural do Barrocal conquista, depois de, em outubro de 2020, ter vencido o “Architecture Master Prize”, na categoria de espaços públicos, e um mês depois, ter sido reconhecido com o prémio “World Architecture News Awards – Wan Awards”, na categoria paisagens urbanas.

O parque abriu ao público em novembro de 2020 e já recebeu mais de 17 mil visitantes. Localizado no coração da cidade de Castelo Branco, este parque de natureza está integrado nos territórios classificados do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO e da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo|Tajo Internacional. Tem 40 hectares, apresenta sete mirantes, diversas formações geológicas de interesse, passadiços, trilhos naturais, parque infantil, observatório de aves e muitas outras atrações naturais.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Dia Internacional da Geodiversidade reconhecido por unanimidade

A UNESCO anunciou hoje que se confirmou a proposta portuguesa que apadrinhou a campanha internacional do mundo científico para o reconhecimento formal desta data.



O Dia Internacional da Geodiversidade foi aprovado hoje na 211.ª sessão do conselho executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que decorre em Paris e por video-conferência, em respeito das regras sanitárias.

A introdução deste dia nos calendários internacionais passa a assinalar-se a 6 de outubro.

«A UNESCO sempre foi muito conhecida pela protecção do património cultural e a ideia do património natural, ligado à geodiversidade, está a ganhar muita força», afirmou esta sexta-feira à Lusa o embaixador de Portugal, António Sampaio da Nóvoa.

A iniciativa que brotou do meio científico, tem tido liderança de José Brilha, professor da Universidade do Minho, e juntou várias organizações internacionais e 82 organizações ambientais de 40 países diferentes.

«É raro – porque devia ser mais habitual – que haja uma proposta que venha de fora da UNESCO. 99% das coisas são propostas por delegações ou comissões e não estamos suficientemente atentos ao que se passa fora», explicou o embaixador.

A celebração desta data, segundo António Sampaio da Nóvoa, vem no seguimento de outras iniciativas da UNESCO como o programa dos geo-parques, onde Portugal conta com cinco localizações, e as reservas da biosfera, que no País são já 11, e constitui uma homenagem pessoal ao professor Galopim de Carvalho.

Some of EFG’s actions in relation to this initiative
“From the soils we grow crops in, to the natural resources our society is built upon; from geology’s regulation of our environment, to the outdoor landscapes people visit for recreation – geodiversity underpins it all.” (Source: Geodiversity Day)

Why do we need an International Geodiversity Day?


Why Geodiversity is important tou us?

Visit Geoparks

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Música do BioTerra: Bruce Springsteen- This Land is Your Land


Well I rode that ribbon highway 
I saw above me the endless sky 
I saw below me the golden valley 
This land was made for you and me

I've roamed and rambled and followed my footsteps 
Through the sparkling sands of her diamond deserts 
And all around me a voice was calling 
This land was made for you and me

This land is your land 
This land is my land 

From California 
To the New York island 
From the Redwood Forest 
To the Gulf Stream waters 
This land was made for you and me

Well the sun came shining and I was strolling 
Through wheat fields waving and dust clouds rolling 
And a voice was sounding 
As the fog was lifting 

Saying this land was made for you and me
This land is your land 
This land is my land 

Original
Bruce Springsteen- This Land Is Yor Land (live at the Memorial Coliseum in Los Angeles, CA on September 30, 1985)

domingo, 19 de junho de 2016

Covão dos Conchos


Em Portugal, a mais de 1.500 metros de altitude, há uma lagoa cujas águas se precipitam num gigantesco funil, desaparecendo misteriosamente. Esse funil, conhecido como Covão dos Conchos, na realidade é um túnel (com 1.519 metros de comprimento) construído nos anos 50 com o objetivo de encaminhar as águas recolhidas da Ribeira das Naves para a Barragem da Lagoa Comprida, o maior reservatório da Serra da Estrela, onde é feito aproveitamento hidroelétrico.

Saber mais: Covão dos Conchos

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Notas de viagem pela Serra da Estrela: as águas de montanha e sua relevância ambiental


Encontrei no Youtube este vídeo de Paulo César Farjado e de Jorge Pelicano, este último o realizador do filme Ainda Há Pastores?.
Nesta minha recente visita à Serra da Estrela comprei este livro e que foi muito útil:

Barbosa, A., Correia,A.1998. À Descoberta da Estrela.Grandes Rotas Pedestres.ICN, Lisboa,120 pp.

Em complemento deixo-vos uma súmula de textos salientado a importância das águas de montanha da Serra da Estrela, sua origem e a biodiversidade que alberga.

A Estrela apresenta-se como um monólito visivelmente destacado das terras mais baixas que a rodeiam. As suas vertentes caem abruptamente sobre a Cova da Beira e vale do Mondego.
O rio, no seu curso superior, divide-a em dois ramos: um domina a bacia de Celorico; o outro, morre no promontório em que assenta a Guarda. A ocidente, o granito passa a xisto, dando lugar aos cimos boleados do Açor. Por toda a parte são visíveis os vestígios da última glaciação: blocos erráticos, covões, moreias, lagoas e vales glaciários como os do Zêzere e do Alforfa.(Fonte:ICNB)

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Leituras aconselhadas

O Guerreiro da Água . A capacidade de mergulhar, nadar e caminhar debaixo de água permite ao melro-d’água vencer as suas duras batalhas de procura de alimento, tornando este tímido habitante de rios e riachos de montanha um tesouro da avifauna Europeia. Por João Cosme.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

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