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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Alterações climáticas e ignorância, ou pior, agnotologia

Índice de Risco Climático,2025 [fonte]

Estamos a atravessar uma onda de calor. O tema das alterações climáticas está na ordem do dia. Por bons motivos? Depende. Como a ignorância é muita, tropeço a cada passo por esses murais fora numa notícia antiga (1930) em como a temperatura em Lisboa subiu a 38° e numa outra de 1944 também indicava Lisboa com 39º C à sombra. Os "doutores" das redes sociais já decidiram: é tudo uma aldrabice, "verão sempre houve", estão a ver como sempre ocorreram temperaturas altas? E a felicidade desta ignorância "moderna" logo se apoia nas mensagens políticas dos novos arautos da negação científica, das teorias da conspiração e do populismo que se alimenta de desinformação como pão para a boca.

Isso são notícias de Agosto, habitualmente mais quente no Verão e relacionadas com o anticiclone dos Açores. Ora  o Anticiclone dos Açores tem sofrido alterações profundas no seu comportamento e na sua "morada" habitual devido ao aquecimento global. Historicamente, a sua dinâmica sempre oscilou entre as estações: no verão, expande-se e move-se para nordeste, fixando-se mais perto da Península Ibérica e do Golfo da Biscaia, onde funciona como um "escudo" que afasta as tempestades atlânticas para norte e garante dias secos e frentes quentes em Portugal. Já no inverno, contrai-se e recua para sul ou sudoeste, mais perto das latitudes subtropicais e das Caraíbas, abrindo a "porta" para que as frentes chuvosas cheguem à costa ibérica.

No entanto, estudos climatológicos recentes demonstram que, devido às alterações climáticas, este sistema de altas pressões está a expandir-se substancialmente e a cobrir uma área muito maior no Atlântico Norte. Esta expansão faz com que o "escudo" de alta pressão empurre a precipitação de inverno cada vez mais para norte, em direção ao Reino Unido e à Escandinávia, tornando os outonos e invernos na Península Ibérica anormalmente secos e prolongando as dinâmicas de seca crónica. Por outro lado, em períodos específicos de desregulação climática recente, o anticiclone tem sofrido desvios anómalos para sul ou sudoeste, mesmo em épocas em que deveria estar robusto a norte, deixando a Península Ibérica vulnerável a frentes muito cavadas e a rios atmosféricos severos.

Resumindo, embora geograficamente continue a ter o seu centro de ação no Atlântico Norte subtropical - na região que se estende dos Açores até às Bermudas -, a sua área de influência cresceu significativamente. O resultado prático desta transformação é a persistência de secas mais severas e a ocorrência de verões mais propensos a bloqueios atmosféricos, que arrastam o ar quente do Norte de África diretamente para Portugal. 

Relembro também que agora as ondas de calor são cada mais cedo, mais prolongadas, ano atrás de ano. O climatologista e professor Carlos da Câmara tem sido uma das vozes mais contundentes ao analisar a gravidade das recentes ondas de calor de junho, alertando repetidamente que a situação atual é muito pior e muitíssimo mais complicada do que os registos históricos sugeriam para esta época do ano. O especialista enfatiza que o grande perigo destes episódios precoces já não reside apenas nas temperaturas máximas extremas atingidas durante o dia, mas sim no fenómeno das noites tropicais consecutivas, onde os termómetros teimam em não baixar dos trinta graus em algumas regiões. Esta ausência de arrefecimento noturno impede que o corpo humano recupere do esforço térmico diário, gerando um impacto direto e severo na saúde pública e no aumento da mortalidade. Para explicar a frequência destes extremos, Carlos da Câmara recorre frequentemente à metáfora estatística da curva de distribuição do clima, demonstrando que um pequeno desvio na temperatura média global provocado pelas alterações climáticas é suficiente para multiplicar drasticamente a probabilidade de ocorrência de fenómenos que antes eram considerados virtualmente impossíveis. O investigador deixa claro que olhar para estes eventos como mero calor normal de verão é um erro perigoso, sublinhando a urgência de encarar estas dinâmicas como um problema estrutural profundo que exige uma adaptação imediata da sociedade.

O aquecimento é global, existe e a tendência é para uma real crise climática, não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. . A recente agitação política, em meados de Maio, que causou satisfação em setores alinhados com Donald Trump e com a indústria dos combustíveis fósseis deveu-se, na verdade, às intensas batalhas diplomáticas na aprovação do calendário e do âmbito do futuro Sétimo Relatório de Avaliação (AR7). Nestas reuniões, países produtores de petróleo e alas políticas conservadoras pressionam frequentemente para atrasar os prazos de entrega dos estudos ou para suavizar a linguagem nos resumos executivos destinados aos decisores políticos, tentando evitar metas explícitas de eliminação de energias fósseis. Contudo, os cientistas do IPCC sublinham que estas negociações políticas em nada alteram os factos físicos já demonstrados no AR6. Os dados empíricos recolhidos continuam a provar que a temperatura global está a subir de forma acelerada, e as projeções mais severas continuam válidas, independentemente das tentativas de desaceleração diplomática que ocorrem nos bastidores das Nações Unidas. 

Além disso, o consenso científico de que a Terra está a aquecer e que essa mudança é principalmente causada por actividades humanas é esmagador. Este consenso é apoiado por vários estudos de milhares de cientistas em todo o mundo e por declarações de posicionamento de organizações científicas, muitas das quais explicitamente concordam com os relatórios de síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Quase todos os cientistas de clima com obra publicada (97–98%) apoiam o consenso sobre mudança climática antropogénica e os 3% restantes de estudos contrários ou não podem ser replicados ou contêm erros. Um estudo de novembro de 2019 mostrou que o consenso entre cientistas de investigação cresceu para 100%, baseado numa revisão de 11.602 artigos revistos por pares publicados nos primeiros sete meses de 2019! Cf. Powell, James (20.11.2019). «Scientists Reach 100% Consensus on Anthropogenic Global Warming». Bulletin of Science, Technology & Society.
A medida das alterações climáticas não é a olhómetro. São décadas de estudo, observações, medições. E uma onda de calor anual é diferente de duas, três, quatro, cinco, etc. E é diferente um pico máximo de temperatura a cada três ou cinco anos, ou uma frequência mais curta. É a intensidade, frequência e duração dos fenómenos meteorológicos que contam para avaliar as mudanças climáticas. A meteorologia é outra coisa.

A meteorologia é a ciência que estuda o estado da atmosfera e os seus fenómenos no curto prazo (o tempo que está a fazer agora ou que fará nos próximos dias). O clima representa o padrão e a condição média da atmosfera observados ao longo de longos períodos, geralmente entre 10 e 30 anos. Enquanto pessoas comuns falam de meteorologia, cientistas falam de clima.

E convém ter presente! Apesar da forte evidência, o negacionismo climático persiste frequentemente através da desinformação alimentada por grupos com interesses económicos focados em atrasar transições energéticas e políticas de mitigação. Ou seja, há muitos palermas que, inocentemente, vão na conversa para papalvos. À custa disso, outros vão ganhando milhões e batem palmas. Também é sabido que agentes políticos e influenciadores são pagos ao serviço desses interesses económico- financeiros para espalhar desinformação.
Ouçamos a ciência! Não os vendedores de banha da cobra

Saber mais:

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Espere "fenómenos extremos" na sua vida daqui em diante


Eventos extremos mais frequentes e mais intensos - prepara-se para isso. A Natureza está à procura de "um novo equilíbrio" - e quem vive em Portugal e Espanha está mesmo a viver a metáfora da "Jangada de Pedra" do Nobel português

Ondas de calor, incêndios e inundações: várias cidades europeias passaram por vários e diferentes fenómenos climáticos extremos nos últimos dias. Foi o que aconteceu em Londres ou Paris, capitais europeias que ainda há pouco tempo assinalavam recordes de temperatura e que esta semana foram surpreendidas com fortes chuvadas. Em Portugal a água ainda não chegou, mas o decorrer da situação aponta que isso possa acontecer, nomeadamente com o aproximar do inverno.

Os especialistas admitem esse cenário, sendo certo que o futuro se fará de mais fenómenos extremos. Os níveis de precipitação até podem vir a diminuir, mas a intensidade dos mesmos deverá aumentar, como aconteceu em França ou Inglaterra: mesmo com as chuvas que atingiram as capitais daqueles países, o ano continuará a ser de seca extrema para ambos.

Filipe Duarte Santos, um dos primeiros investigadores que estudaram as alterações climáticas em Portugal, aponta à CNN Portugal que esse é o futuro: “Há uma maior probabilidade de termos eventos extremos mais frequentes e mais intensos. Esses eventos podem ser ondas de calor, secas e períodos de precipitação intensa”.

O especialista, que lecionou vários anos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, afirma que essa é uma consequência clara das alterações climáticas, apontando mesmo que há vários anos que identificou este tipo de problema, que só agora começa a ter maior atenção. É natural, por isso, que os anos venham a ser cada vez mais secos, trazendo consigo fenómenos extremos.

Carlos da Câmara concorda que será cada vez mais normal assistirmos a fenómenos extremos, apontando a expressão "extremos compostos" para definir o caso. O climatologista, um dos mais experientes em Portugal, lembra que 14 dos últimos 20 anos foram de seca em Portugal, mais extrema ou mais moderada, mas há algo que está a mudar: num mesmo ano estão a aparecer vários fenómenos extremos que se verifiquem de forma seguida - em 2003, por exemplo, houve uma forte onda de calor mas não houve seca, já em 2005 aconteceu o contrário, uma das piores secas de sempre mas que não foi acompanhada de qualquer onda de calor. "Em 2017 conjugaram-se os dois fenómenos e este ano há uma seca e já existiram três ondas de calor", nota o também professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explicando assim que se deverão verificar mais fenómenos extremos num mesmo ano.
Variação de temperatura e precipitação em Portugal (APA)


Por isso mesmo se torna normal que num ano de seca possam aparecer fenómenos como cheias e inundações. Apesar disso, segundo Carlos da Câmara, não é possível estabelecer uma relação causa-efeito entre o aparecimento de secas ou ondas de calor e cheias. Por isso, e mesmo sabendo que, mais tarde ou mais cedo, Portugal vai voltar a ser fustigado por violentas inundações, não é possível prever quando isso vai acontecer.

"Era raro fenómenos como estes encontrarem-se mas a probabilidade de ter os dois está a aumentar muito", vinca, referindo que esta é a forma que a Natureza encontra para procurar "um novo equilíbrio". É como se a Terra tivesse de encontrar forma de se "refrescar", o que leva a que uma atmosfera mais quente resulte em mais vapor de água, o que também vai levar a maior precipitação.

Filipe Duarte Santos também não consegue apontar uma altura exata para um fenómeno de cheias e inundações em Portugal, afirmando que essa é uma tarefa que é difícil para qualquer meteorologista ou climatologista: “Não é seguro que logo após uma seca existam eventos de precipitação muito violentos. Pode acontecer ou não. Aquilo que se está a observar é que há mais movimentos convectivos na atmosfera, há mais movimentos ascensionais do ar que aquece junto à superfície”, afirma, vincando que, embora o ar suba, isso não quer dizer que consigo leve humidade, precisamente por causa da seca que atravessa o território.

O especialista refere ainda que, apesar de não ser possível prever quando vão acontecer, os fenómenos como cheias vão ser "muito mais frequentes e variáveis".

Devemos preparar-nos: como?
O presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil afirma que todos os sistemas de Proteção Civil se devem adaptar aos desafios e ameaças que se colocam nos diferentes tempos. Para Duarte Caldeira, o mais importante é ouvir a Ciência, afirmando que "temos um longo caminho a percorrer na adaptação" a essas novas ameaças.

Para o investigador na área da Proteção Civil, esse caminho é particularmente difícil nos instrumentos jurídicos, havendo já uma noção daquilo que é preciso fazer, mas não existindo ainda forma de o aplicar ao nível legal. Será também necessária uma melhor formação da sociedade, através dos vários intervenientes, começando logo pela escola, e progredindo nos restantes níveis.

"Temos um longo caminho a percorrer, precisamos de dotar os serviços de Proteção Civil de massa critica, é necessário que os serviços ao nível local, nacional e regional estudem estas matérias para terem informação científica sustentada para que os decisores políticos possam tomar as suas decisões", refere, vincando que Portugal "é uma das zonas mais vulneráveis" aos efeitos das alterações climáticas.

Falando especificamente sobre os perigos de inundações, e mencionando os exemplos de Lisboa ou do Porto, Duarte Caldeira lembra que as autarquias há muito que desenvolvem planos específicos contra as alterações climáticas, englobando neles a prevenção necessária para combater fenómenos novos e mais agressivos. Mas também nestas zonas "falta transpor as medidas identificadas para atos de natureza jurídica e decisão política", algo de que ainda "estamos distantes", em especial na questão do ordenamento territorial mas também no comportamento dos cidadãos.

"As cheias são uma caraterística do disparate do planeamento adotado, como zonas de construção em zonas de permeabilização do solo", afirma, falando mesmo em "erros de anos". Agora, diz Duarte Caldeira, não se pode simplesmente destruir as zonas já edificadas, passando a solução por uma "palavra mágica": adaptação, que servirá para a correção dos erros cometidos.

O especialista em Proteção Civil aponta algumas soluções, como a criação de esgotos pluviais, que permitiriam escoar a água da chuva em momentos mais críticos: todos nos lembramos como fica a zona dos Restauradores ou da Praça de Espanha, em Lisboa, quando chove torrencialmente - esse é precisamente o efeito da ausência de esgotos pluviais.

Filipe Duarte Santos não tem dúvidas: "É importante que Portugal e Espanha, os países mais afetados da Europa, se preparem para estes fenómenos extremos". O especialista diz que essa preparação deve acontecer já tendo em vista este outono e inverno, que vão ser marcados pela continuação da seca mas que podem trazer as tais chuvadas, o que "não são boas notícias".

Carlos da Câmara afirma que Portugal, tal como o resto da Europa, "acordou demasiado tarde" para o problema, insistindo na ideia de que a Ciência não foi ouvida atempadamente: "Se acham que está a doer agora, pergunto: de que precisam mais para agir?".

O climatologista não se foca apenas em Portugal, apontando as graves cheias que devastaram a Alemanha em 2021, provocando vários mortos e vários milhões de euros em prejuízos. Por isso, diz o professor, "tem de haver ao nível europeu uma política comum para nos adaptarmos a uma nova ordem do clima". "Já estamos atrasados mas a Ciência já está habituada. Os apelos científicos só têm repercussão muito mais tarde."

No caso português, refere ainda Carlos da Câmara, deve haver uma melhor política hidrológica, até porque uma das grandes consequências das alterações climáticas tem que ver com a escassez de água, que não vai ficar resolvida pelo aparecimento de grandes chuvas, uma vez que a erosão dos solos torna-os mais impenetráveis, contribuindo como mais um fator para o aumento da seca.

Isso quer dizer melhor armazenamento e gestão da água, nomeadamente através das barragens, instrumentos essenciais no racionamento e na reciclagem da água, dois processos que Carlos da Câmara diz serem essenciais para fazer face às alterações climáticas.

Mais frio mas sem chuva: uma projeção
O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla original) faz uma projeção para o próximo inverno que anuncia a continuação de uma seca em Portugal. Trata-se de uma projeção e não de uma previsão, como nota Filipe Duarte Santos, uma vez que “uma previsão eficaz só se pode fazer com uma semana de antecedência”.

Para aquele organismo europeu, e segundo a sua projeção a longo prazo, Portugal deverá continuar em valores “anómalos” de temperatura e precipitação. Essa anomalia acontece quando os valores verificados num determinado período estão acima ou abaixo do considerado normal para o período entre 1971 e 2000.

Esses valores vão estar abaixo do normal para a precipitação até fevereiro de 2023, segundo a projeção, algo que não se deve verificar na temperatura, que também terá uma anomalia mas neste caso negativa, nomeadamente para a faixa litoral compreendida entre Porto e Beja. Um vídeo divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente mostra também como o clima está a mudar, ilustrando o que significa as anomalias de temperatura superiores aos valores de referência.

Mas o facto de o país continuar em seca não quer dizer que não chova. Filipe Duarte Santos explica que essas anomalias podem existir e, ainda assim, verificarem-se fenómenos extremos de precipitação que podem levar a cheias um pouco por todo o país. “É possível termos uma anomalia negativa [valores abaixo do normal] na precipitação e ainda assim termos trovoadas fortes.”

Sobre essas anomalias, Carlos da Câmara explica que se têm verificado valores bem acima do esperado. Os cientistas que estudam o clima pensavam em ondas de calor com valores 1 ou 2 graus acima da referência 1971-2000, mas o que têm verificado é que esses valores ficam 3 a 4 graus acima, o dobro do esperado. "A realidade é que as ondas de calor estão a ser mais intensas do que se previa", diz, reforçando que isso vai piorar com o passar dos anos.

Saramago, uma metáfora
Se as alterações climáticas podem vir a mudar a forma de viver na Europa, certamente que a Península Ibérica será um dos primeiros locais a sentir o efeito. Filipe Duarte Santos recorda o livro "A Jangada de Pedra", de José Saramago, que idealiza uma separação daquele território do resto do continente, algo que também acontece ao nível do clima.

"A Península Ibérica funciona como uma frigideira, a terra aquece mais do que o mar. A frigideira aquece, o ar sobe e é substituído pelo que vem do Mar Mediterrâneo ou do Oceano Atlântico, tornando-se húmido e formando depressões, as tais trovoadas", aponta.

O professor refere que isso pode tornar-se mais frequente, até porque se espera um aumento das temperaturas em Portugal e Espanha, que estão numa transição para ficarem com um clima cada vez mais parecido com o do norte de África: "O que se observa é uma deslocação dos climas para norte. Por isso, Portugal e Espanha vão transitar para um clima como o de Marrocos".

E isso vai originar um solo ainda mais seco na Península Ibérica, o que, aliado a ondas de calor, pode resultar em situações muito graves. Carlos da Câmara refere que isso vai acontecer com maior relevância em zonas como Portugal ou Espanha, que vão ser alvos de uma "reação violenta" da Terra, que procurará o tal "equilíbrio".

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Seca: Climatólogo Carlos da Câmara diz que vão ser necessárias paciência e imaginação



Algures sobre o Mediterrâneo paira a razão para a seca que Portugal atravessa e que, para o climatólogo Carlos da Câmara, vai exigir paciência e imaginação, porque faz parte do futuro.

“Nós vamos ter que nos preparar para mais anos como este, de seca, porque os cenários das alterações climáticas dizem de uma forma inquestionável que a probabilidade de haver anos secos como este, ou mais secos, é maior”, disse à Lusa o professor do Departamento e Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Embora reconheça que o clima mediterrânico em que Portugal se insere tem “grande variabilidade”, Carlos da Câmara referiu que só com sorte é que 2022 poderá ainda não vir a ser um dos anos mais secos.

“Em Portugal, a chuva que mais conta é a de dezembro, janeiro e fevereiro. Quando essa falha, talvez se possa colmatar o problema, mas eu não acredito que se possa recuperar. Pode acontecer, mas eu diria que é preciso que a sorte esteja do nosso lado”, comentou o climatólogo.

A “culpa” da falta de chuva está algures por cima do Mar Mediterrâneo, chama-se anticiclone de bloqueio e foi o tema de doutoramento de Carlos da Câmara na universidade norte-americana de Missouri-Columbia. O investigador descreve-o com “uma espécie de rotunda do Marquês de Pombal” que está constantemente a desviar pelos flancos os ventos que poderiam trazer chuva a Portugal.

“Estas estruturas são extremamente robustas e podem estar 10, 15, 20 dias mais ou menos no mesmo sítio, provocando ausência de precipitação e temperaturas muito superiores ao que é habitual. Não têm a ver só com fatores em Portugal, mas com um regime de eventos à escala mundial. São estruturas (climatéricas) muito condicionadas pela temperatura da água na superfície do mar e são compatíveis com o cenário de alterações climáticas, porque sabemos que com o modo como estamos a forçar a atmosfera, este tipo de fenómenos nos climas mediterrânicos e na região do Mediterrâneo em particular vai ser mais habitual”, disse.

Apoiando-se num estudo realizado pela sua faculdade e que abrange os anos entre 1901 e 2016, o também ex-vice-presidente do Instituto de Meteorologia disse que os cinco anos mais secos em mais de um século aconteceram todos entre 2005 e 2016.

“Em 116 anos de secas, os cinco primeiros lugares são 2005, ano de uma seca muito grande de que toda a gente volta agora a falar, em segundo lugar 2012, em terceiro 2009, em quarto 2015 e em quinto 2016. Só em sexto lugar é que aparece a também célebre seca de 1945”, indicou.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

O climatologista Carlos da Camara, em entrevista à VISÃO- "Vamos ter um clima no Sul de Portugal mais parecido com o de Marrocos? Sim, e temos de nos adaptar e mitigar os efeitos."


No final de junho, uma onda de calor nunca antes vista matou centenas (milhares?) de pessoas no Canadá e nos EUA. Duas semanas depois, um temporal de dimensões bíblicas abateu-se sobre a Europa Central, matando 200 pessoas e provocando prejuízos que podem chegar aos €3 mil milhões (há estimativas que apontam para €5 mil milhões).

Serão estes desastres causados pelas alterações climáticas? Quase certamente que sim, diz Carlos da Camara, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e um dos mais experientes climatologistas portugueses. Munido de um gráfico que se assemelha à bossa de um camelo, o também investigador do Instituto D. Luiz explica que uma pequena subida da temperatura média provoca um enorme aumento probabilístico de fenómenos extremos como estes. “Coisas que pareciam inacreditavelmente impossíveis começam a tornar-se possíveis. E às vezes nem é assim tão dramático: basta um deslocamento pequenino para que aquilo que dantes acontecia uma vez em cada 100 anos passe a acontecer quatro vezes em cada cem. Mas, como é isso que mata, é isso que tem impacto.”
E isto é só o princípio.

A tragédia no Centro da Europa é uma consequência das alterações climáticas ou do mau planeamento urbano?
As pessoas começam a dizer: “Ah, isto não é das alterações climáticas, é porque construíram coisas em leito de cheia.” Não! Um fenómeno extremo com consequências catastróficas nunca é de uma só causa. É como quando cai um avião: é um conjunto de fatores raros que se intercetam. Por exemplo, o 15 de outubro de 2017, aquele dia trágico em que ardeu o País como nunca, teve vários fatores que conduziram ao desastre. Ponto um, os ventos do Ofélia: não era nada habitual um furacão chegar aqui. Era uma coisa rara que, não sendo frequente, se tornou muito menos rara. Ponto 2: uma seca terrível, outro fenómeno que é cada vez menos raro. Ponto 3: os agricultores precisavam de fazer queimadas porque depois vinha a chuva e já não conseguiam (nunca houve tantas ignições como naquele dia). Claro que construir em leito de cheia é perigoso. Só que na Alemanha não era habitual haver coisas destas. E isto só aconteceu por causa das alterações climáticas.

De que forma é que uma temperatura média mais alta pode levar a um aumento de fenómenos de precipitação intensa?
Os estados do tempo são determinados por coisas que se passam a muitos quilómetros de altitude. A corrente de jato é fundamental nisto. É uma espécie de tubos na atmosfera, com ventos de 400 ou 500 quilómetros por hora, que controlam o tráfego de sistemas meteorológicos que estão associados, por exemplo, à precipitação. A posição da corrente de jato está dependente do contraste térmico entre os trópicos e os polos. Ora, o Ártico e o Antártico estão a aquecer muito mais rapidamente do que os trópicos; esse contraste está a diminuir e a corrente de jato está a posicionar-se noutros sítios. Isso faz com que determinados sistemas meteorológicos que não eram habituais passem a ser menos raros.

Então a tragédia que aconteceu no Centro da Europa é o tipo de evento que podemos esperar que aconteça cada vez mais?
Inequivocamente, sim. E ainda há uma outra razão, além da questão da corrente de jato: a atmosfera, quanto mais quente está, maior capacidade tem de reter vapor de água e maior quantidade de água estará disponível para que, caso haja condições para precipitação, ela ocorra com maior intensidade. Portanto, o facto de estes fenómenos se tornarem mais prováveis tem que ver com as alterações climáticas de origem antropogénica.

Qual a probabilidade de cheias como estas ou ondas de calor como a do final de junho no Canadá e nos EUA acontecerem sem o efeito das alterações climáticas?
Seriam acontecimentos extremamente raros. Um recorde que sobe de 45ºC para quase 50ºC é, do ponto de vista probabilístico, pouquíssimo frequente, num cenário sem influência antropogénica. No caso da “cúpula de calor”, a corrente de jato levou à formação de uma região em que o ar não se renova durante muitos dias, como se estivesse em circuito fechado. E sobre essa região há altas pressões, que têm a particularidade de empurrar o ar para baixo, comprimindo-o, o que faz com que aqueça. Além disso, havia já no Canadá uma seca excecional. Se o ar e o solo estiverem secos, aquece ainda mais do que em condições normais. Foram então duas situações absolutamente anómalas que se juntaram.

Uma equipa de investigadores que analisou essa onda de calor disse que esta seria “virtualmente impossível” sem as alterações climáticas.
Não é nada inédito. Um artigo de um colega meu, o Ricardo Trigo, publicado na Science em 2011, na sequência da onda de calor na Rússia, acaba a dizer que a probabilidade de algo semelhante voltar a acontecer é extremamente baixa. Curiosamente, no mês passado, Moscovo teve a onda de calor mais séria dos últimos 120 anos. Isto é que me preocupa imenso. E as regiões do Mediterrâneo e do Nordeste europeu emergem como os hotspots primários. É onde vamos ter estes extremos.

A realidade está a ser mais drástica do que os modelos climáticos previam?
Está em linha com o que se previa, mas a uma taxa mais acelerada. Aquilo que eu achava que ia acontecer depois de eu morrer… Bom, estou a ficar preocupado, porque começa a haver fenómenos extremos que os modelos apontavam mais para a frente.

Como climatologista, estes fenómenos surpreendem-no? Ou olha para isto e pensa: “Há anos que andamos a avisar”?
Há anos que andamos a avisar. O problema é que um climatologista não é um catastrofista. A questão é que quando se transforma um resultado científico numa ideologia, caímos na controvérsia. Eu só digo: “Meus amigos, isto são os resultados. Agora façam o que quiserem.” O que temos de fazer é confiar na Ciência, olhar para os cenários e arranjar medidas para nos adaptarmos. Mitigar os impactos, porque eles estão aí e duvido de que possamos escapar.

Este mês, o Comité das Alterações Climáticas britânico avisou o governo de Boris Johnson de que o país está mais mal preparado para fenómenos extremos do que há cinco anos. Os governantes não estão a levar os alertas a sério?
É um facto que governos mais conservadores tendem a minimizar os impactos das alterações climáticas. Ao mesmo tempo, os de esquerda tendem a dar uma ideologia a uma coisa que não devia ser ideológica, mas sim técnico-científica.

Tivemos então a onda de calor na América do Norte, que matou centenas de pessoas…
Centenas, não. Vão chegar aos milhares. Vai ser essa a conclusão, quando se fizer a análise estatística da diferença de mortes para o mesmo período em condições normais.

… E agora as cheias na Europa, que provocaram pelo menos 200 mortes. Se isto acontece nos países mais ricos e com as melhores infraestruturas, o que podem esperar os países mais pobres do mundo? Nas metrópoles da Nigéria, do Bangladesh ou da América Latina…
Mas já acontece! De cada vez que um furacão assola o México ou a Nicarágua, os mortos são aos milhares. De facto, em países como os EUA reduz-se o número de vítimas, porque há uma capacidade de previsão e de mobilização. Essa é a vantagem das sociedades mais industrializadas. Mas também têm prejuízos económicos muito maiores. O furacão na Figueira da Foz causou uma enorme destruição na rede elétrica, por exemplo.

O objetivo do Acordo de Paris é limitar o aumento da temperatura a um máximo de 2ºC, mas preferencialmente não mais de 1,5ºC. Esses 0,5ºC podem efetivamente significar milhares de vidas salvas todos os anos? Meio grau faz a diferença?
Meio grau faz toda a diferença nos desvios-padrão. Uma coisa que tinha uma probabilidade de 0,13% de acontecer passa para 0,26% – duas vezes mais provável. O problema não é a média. Com essa eu vivo bem. É como com a subida do mar: a questão não são os 80 centímetros a mais até ao final do século, são as flutuações, com ondas e subidas de água capazes de destruir a baixa de uma cidade como Lisboa, que dantes eram raríssimas e passam a ser muito mais frequentes. A discussão do meio grau é fulcral, porque se traduz, em termos de extremos, em variações brutais de probabilidades.

Em Portugal, que consequências das alterações climáticas já se notam mais claramente?
Se analisarmos o perigo meteorológico de incêndio em Portugal dos últimos 40 anos, e o dividirmos num gráfico, vemos que todos os maiores extremos aconteceram nas últimas duas décadas, de 2000 para cá. Se cruzarmos com a área ardida oficial, vemos que acontece o mesmo. Depois podem dizer: “Ah, a paisagem está mais desordenada, ou há mais ignições”… Não estou a dizer que as alterações climáticas são o bode expiatório de tudo, mas, não havendo uma política de ordenamento do território nem de mitigação de ignições, o resultado estatístico está à vista. Outra coisa: entre 1980 e 1999, 89% dos fogos ocorriam de julho a setembro, e apenas 3% de outubro a dezembro; de 2000 a 2019, a proporção de fogos no verão baixou para 76% e de outubro a dezembro subiu para 13 por cento. Isto é um exemplo muito simples dos impactos. As alterações climáticas estão a fazer com que as consequências sejam muitíssimo piores. Tornam mais prováveis acontecimentos que eram raríssimos. Se juntarmos a isto outras condições, o impacto vai ser ainda maior.

Governos mais conservadores tendem a minimizar os impactos das alterações climáticas. Ao mesmo tempo, os de esquerda tendem a dar uma ideologia a uma coisa que não devia ser ideológica

Estamos preparados para o aumento desses riscos? Incêndios, ondas de calor, secas, inundações?
A seguir ao trauma de 2017, houve uma mudança de paradigma. As pessoas passaram a ter medo, o que às vezes é útil. Há uma muito maior colaboração entre as universidades e as instituições, por exemplo. A Proteção Civil está agora a usar conhecimento científico para o posicionamento das aeronaves. Isso nota-se, sim. Mas o problema é extremamente vasto. Além disso, transcende o ciclo governativo, aquela ideia de que o que interessa é ter resultados até às eleições, quando a questão dos fogos é muito mais complexa.

É um problema só nosso?
Não. Uma vez, em 2017, estava à conversa com um diplomata sueco que me dizia, com condescendência: “Vocês, portugueses, são muito indisciplinados. Nós, na Suécia, não temos o impacto dos fogos, porque há muitos anos que temos especialistas competentes.” E eu disse-lhe: “Prepare-se, porque vão ter problemas. As alterações climáticas estão a chegar lá.” No ano seguinte, ardeu a Suécia. Esta ideia de que os países nórdicos ou a Alemanha estão bem preparados… Não estão, porque isto ultrapassa os cenários menos usuais. Mas também lhe digo que os belgas e os alemães não brincam em serviço. Morrerem ou desaparecerem tantas pessoas é completamente inaceitável e vai haver uma mudança qualitativa na previsão e na resposta a este tipo de coisas.

Portugal devia também aprender com esta tragédia na Alemanha?
Há uma mentalidade que começa a mudar. Nos fogos, isso é óbvio: começou a perceber-se que um fogo vencido não é uma vitória, é uma derrota. Uma vitória é evitar o fogo. É como dizer: “O tipo espetou-se, mas a ambulância chegou em três minutos.” Não, vitória era não haver acidente. E isto é transposto para tudo, incluindo cheias.

Está otimista, então?
Como estes extremos vão continuar a ocorrer, as pessoas vão perceber que os climatologistas tinham razão. Agora, as alterações climáticas vão ser o Armagedão, o fim do mundo? Não. Vamos ter um clima no Sul de Portugal mais parecido com o de Marrocos? Sim, e temos de nos adaptar e mitigar os efeitos. Vão morrer uns milhares de quando em vez? Ah, pois vão, com certeza. Como se está a ver.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Relatório IPCC- a culpa humana


O planeta está a aquecer e a culpa, em grande parte, é do homem. Mesmo que hoje se reduzissem drasticamente as emissões de gases com efeito
de estufa, o aquecimento global é inevitável pelo menos nos próximos cem anos. São as conclusões de um relatório de referência que reúne
2500 cientistas de todo o mundo. O tom é de alerta. Os decisores políticos saberão lê-lo?
Por Kathleen Gomes

É uma verdade inconveniente: os efeitos do aquecimento global vão continuar a sentir-se nos próximos cem anos, mesmo que de hoje para amanhã se eliminem as emissões de gases com efeito de estufa. Ou seja, mesmo que você deixe o carro na garagem ou os países industrializados reduzam drasticamente as emissões de gases poluentes para a atmosfera, o aquecimento global não voltará atrás tão depressa.
E a culpa é sua. Já se desconfiava, as provas são cada vez mais irrefutáveis: o homem tem uma grande responsabilidade nas alterações climáticas registadas nos últimos anos.
Estas são as principais conclusões do novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que não é apenas mais um estudo académico sobre a matéria - é o documento de referência porque reúne 2500 cientistas de todo o mundo com produção relevante sobre mudanças climáticas. Como nota Francisco Ferreira, dirigente da organização ambiental Quercus que tem estudado as alterações climáticas, "este é o relatório científico mais extenso e rigoroso sobre as alterações climáticas à escala mundial". O relatório será apresentado no início de 2007 mas o seu esboço final foi ontem antecipado pelo diário espanhol El País.

A culpa humana
Os cientistas podem hoje afirmar com maior grau de certeza que o homem tem responsabilidade no aquecimento global. Esta é uma preocupação dos últimos dez anos que tem carecido de comprovação científica total, porque é impossível atribuir uma causa directa às alterações climáticas.
Como lembra o climatologista Ricardo Trigo, do Centro de Geofísica da Faculdade de Ciências de Lisboa, há várias causas naturais que contribuem para o aquecimento global, entre elas, a variação da intensidade de radiação de energia solar e as erupções vulcânicas. O El País propõe esta analogia: é tão impossível dizer que um cancro de pulmão de um fumador se deve ao tabaco quanto dizer, com 100 por cento de segurança, que uma onda de calor se deve à acção do homem.

O anterior relatório do IPCC, publicado em 2001, já avançava que o homem tinha responsabilidade nas mudanças climáticas verificadas nos últimos 50 anos. Mas o tom era mais cauteloso. O novo relatório vem reforçar essa conclusão com mais provas e precisão. O documento assinala que o aumento de fenómenos extremos - como secas e ondas de calor - "pode ser atribuído a mudanças climáticas antropogénicas", isto é, produzidas por acção humana.

Segundo o relatório, nunca os níveis de concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera (gases que impedem a saída do calor emitido pela superfície terrestre) foram tão elevados. Nunca quer dizer: nos últimos 650 mil anos. A par disso, o ritmo actual de aumento desses gases na atmosfera "não tem precedentes nos últimos 20 mil anos", cita o jornal El País.

O mal está feito
Há mais más notícias: mesmo que se conseguisse estabilizar a concentração desses gases - o que implicaria mudar drasticamente a actividade e economia mundiais -, o mal está feito e o planeta levaria tempo a reabilitar-se. Ou seja, o aumento da temperatura e do nível do mar vai continuar durante mais de 100 anos.
Nesse período, as projecções do IPCC apontam para um aumento de temperatura "entre 2 e 4,5 graus, sendo 3 graus o valor mais provável". Em todo o caso, valores superiores a 4,5 graus "não podem ser excluídos". Um aumento de dois graus, aponta Francisco Ferreira, já representa um aumento "de proporções catastróficas".

O novo relatório do IPCC vem "concretizar suspeições que existem há dez anos", nota Ricardo Trigo, e isso é importante porque "ajuda a tirar dúvidas a quem ainda as tivesse".
Se o mal está feito - se, mesmo que mudássemos a nossa forma de vida tal como a conhecemos, os efeitos vão continuar -, isso quer dizer que é tarde demais?

"É uma questão importante", sublinha Ricardo Trigo. "Muitos investigadores que trabalham nos melhores centros internacionais dizem que mesmo que no melhor dos cenários se conseguisse reduzir em 50 ou 60 por cento as emissões do gases com efeito de estufa é imprescindível gastar-se muito dinheiro em soluções tecnológicas que permitam aos países adaptar-se às novas condições. Se há um aumento do nível médio do mar, os países que têm costa precisam de pensar em medidas para enfrentar o problema."
O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

Currículo de Ricardo Trigo