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domingo, 27 de setembro de 2026

Por que Portugal é mais seguro que Espanha no Global Peace Index?


A diferença de posicionamento entre Portugal, em sexto lugar no ranking europeu e sétimo a nível mundial, e Espanha, em décimo nono lugar no ranking europeu e vigésimo quinto a nível mundial, no Global Peace Index deve-se principalmente à forma como os vinte e três indicadores do índice são calculados e ponderados. Embora ambos os países partilhem elevados padrões de segurança e qualidade de vida na Europa do Sul, Portugal supera Espanha no índice por três fatores estruturais.

O primeiro fator reside na instabilidade e tensão política interna. O Global Peace Index avalia fortemente a coesão e a estabilidade política de cada nação. Espanha perde pontos devido a tensões regionais históricas, como os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco, além de um ambiente de maior polarização partidária e manifestações políticas de grande dimensão. Em contrapartida, Portugal mantém indicadores de estabilidade política interna muito elevados, com ausência de movimentos separatistas e um clima de paz social contínuo.

O segundo fator prende-se com a militarização e os gastos com defesa. Sendo uma das maiores economias da União Europeia e um membro com capacidades militares significativas, Espanha apresenta gastos absolutos mais elevados em defesa, um maior volume de forças armadas e exportações de armamento e equipamento militar superiores às de Portugal. Já Portugal regista um perfil militar significativamente mais reduzido em termos absolutos e de exportação de equipamento de defesa, o que lhe permite pontuar substancialmente melhor nos indicadores do domínio de militarização do índice.

Por fim, o terceiro fator envolve a criminalidade percebida e os fatores de segurança societal. Apesar de Espanha ser um país muito seguro para o turismo e para o quotidiano, as suas cidades de grande dimensão registam taxas absolutas mais elevadas de furtos e pequenas infrações em pontos turísticos, além de uma perceção ligeiramente superior de risco em áreas urbanas de grande densidade. Por outro lado, Portugal apresenta taxas baixíssimas de crimes violentos, uma legislação sobre armas bastante rigorosa e níveis muito reduzidos de perceção de insegurança por parte da população no dia a dia.

A ausência da Noruega e da Suécia no Top 20 europeu explica-se pelos critérios específicos do Global Peace Index (GPI), um índice que mede o nível de paz global através de métricas amplas e não apenas com base na criminalidade do dia a dia.

No caso da Suécia, a queda no ranking deve-se ao crescimento da violência associada a gangues organizados, com um aumento notório de tiroteios e explosões, o que elevou a perceção de insegurança e o impacto do mercado ilegal de armas.

Já a Noruega, apesar de manter níveis altíssimos de segurança no quotidiano e taxas residuais de crimes violentos, acaba por ser penalizada no pilar da militarização. O país regista um volume considerável de exportação de material militar por habitante e assume despesas significativas em defesa e missões internacionais, fatores que influenciam negativamente a sua pontuação final no índice.

Fontes


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os principais CEO das empresas de IA pedem uma lei que proteja contra as armas biológicas

A urgência desta carta foi motivada pela revogação recente, por parte da administração Trump, de uma ordem executiva da era Biden que criava uma estrutura de triagem para a síntese de genes. Como o governo atual ainda não publicou uma política de substituição, este grupo de CEOs e cientistas uniu-se para pedir que o Congresso norte-americano crie uma lei federal definitiva.

A principal preocupação é que, embora criar um vírus funcional ainda exija perícia prática de laboratório, os novos modelos de IA conseguem apontar falhas em sistemas de segurança, sugerir mutações perigosas ou ensinar passo a passo como contornar os filtros das empresas que vendem DNA sintético.

Em Apoio ao Rastreio Obrigatório e Registo da Síntese de Ácidos Nucleicos
"Como investigadores em ciências da vida, criadores de IA e biotecnologia, e especialistas com uma vasta gama de visões sobre como abordar a política de IA, apelamos aos legisladores para que tornem obrigatória a triagem de encomendas de ácidos nucleicos sintéticos — e do equipamento necessário para os fabricar.

A capacidade de encomendar DNA sintético online acelerou o desenvolvimento de vacinas, impulsionou a investigação básica e permitiu que pequenas equipas acedessem a capacidades que antes estavam confinadas a grandes instituições. Desde a publicação de protocolos para reconstruir vírus a partir de filamentos de DNA, há mais de duas décadas, isto também tem sido reconhecido como um ponto crucial na cadeia de abastecimento biotecnológico onde um ator mal-intencionado pode causar danos desproporcionais. Reconhecendo esta vulnerabilidade, as empresas de síntese formaram o International Gene Synthesis Consortium em 2009 para desenvolver e implementar salvaguardas voluntárias contra a utilização indevida.

Embora o problema não seja novo, o ritmo de progresso na inteligência artificial é. Os sistemas de IA superam agora virologistas com nível de doutoramento em questões sobre procedimentos laboratoriais altamente técnicos nos seus próprios domínios de especialização. As evidências sobre o que isto significa para as ameaças atuais à biossegurança são genuinamente mistas, mas a tendência é difícil de contestar. Os sistemas de IA estão a melhorar rapidamente e, a par de benefícios incríveis para a ciência e a medicina, existe a possibilidade real de que as barreiras de conhecimento que historicamente impediram atores mal-intencionados de obter armas biológicas venham a erodir significativamente.

O apoio à triagem não depende de uma visão específica sobre a IA; o caso da biossegurança tem sido reconhecido por cientistas e governos há décadas. A triagem é também uma das medidas de biossegurança mais bem compreendidas e menos disruptivas disponíveis. Ela solicita aos fornecedores de DNA sintetizado e aos fabricantes de máquinas de síntese que verifiquem se os pedidos de síntese contêm sequências preocupantes e que validem a legitimidade do cliente antes de enviarem as encomendas. Os fornecedores devem também registar as encomendas de síntese e os dados de sequenciação para apoiar investigações legítimas de biossegurança, de modo a que qualquer ameaça que consiga escapar à triagem inicial possa ser rastreada até à sua origem - inclusive quando sequências individuais não levantariam preocupações de forma isolada. A própria consciência da rastreabilidade dissente o uso indevido.

(...) Dado o ritmo a que a tecnologia subjacente está a mudar, acreditamos que a necessidade é urgente. O Congresso deve agir nesta sessão, e aplaudimos os esforços legislativos atualmente em curso. Para garantir um padrão nacional consistente, em vez de uma manta de retalhos de leis estaduais conflituosas, os estados devem também considerar a implementação de requisitos baseados nas diretrizes federais e da indústria já existentes."

terça-feira, 31 de março de 2026

Parlamento israelita aprova projeto de lei que prevê pena de morte para palestinianos


À esquerda, a deputada israelita, vice-presidente do Parlamento, que redigiu a lei da pena de morte para palestinianos aprovada ontem, e que elogiou um assassino (há vídeo) que queimou vivos um bebé palestiniano e seus pais enquanto os seus camaradas cantavam "Ali está na grelha". O nome dela é Limor Son-Har Melech e o dele é Amiram Ben-Uliel. 
Aqui está ela com uma corda de forca na mão direita e uma seringa na esquerda. Ao lado, o seu marido segura uma arma com a etiqueta "ocupação", um avião com a etiqueta "expulsão" e uma casa com a etiqueta "colonização".  Esta gente integra o poder e o governo de Israel.

Saiba mais:

sexta-feira, 6 de março de 2026

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PJ desmantela grupo neonazi "Grupo 1143" responsável por crimes de ódio e detém 37 suspeitos


A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou hoje uma associação criminosa que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”.

Em comunicado, a PJ adianta que, no âmbito da operação “Irmandade”, foram constituídos “mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias”.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.

São suspeitos de terem fundado a organização criminosa, com uma estrutura hierárquica e distribuição de funções, “com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial”.

A organização é “responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.

Na operação, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, participaram cerca de 300 elementos da PJ.

Segundo a CNN Portugal, o líder do grupo é Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia, e as vítimas eram imigrantes de países islâmicos.

Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos têm marcado o primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação, na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Há dois elementos "não civis" entre os 37 detidos do Grupo 1143 durante a Operação Irmandade, esta terça-feira. A PJ não quis explicitar se se tratam de elementos das forças e serviços de segurança, na conferência de imprensa realizada poucas horas após as buscas. Mas o Expresso apurou que um destes dois elementos é um militar e o outro polícia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Trump não queria que Machado se tornasse presidente porque ela aceitou o Prémio Nobel da Paz — o "pecado supremo"


Segundo fontes próximas da Casa Branca, o presidente Trump estaria insatisfeito com a vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, porque esta não lhe entregou o prémio.
A informação foi inicialmente divulgada pelo Washington Post, que falou com duas fontes que afirmaram que Trump perdeu o interesse em apoiar a líder da oposição venezuelana, que governou o país, porque esta aceitou o Prémio Nobel da Paz, o que, aos olhos do presidente, foi o "pecado supremo".
Embora Machado tenha lançado recentemente uma ofensiva para conquistar a simpatia de Trump, o presidente parece tê-la rejeitado, principalmente num discurso televisivo no fim de semana.
Durante a conferência de imprensa, Trump disse: "Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Não tem o apoio interno nem o respeito do país"

Trump novamente a mostrar o que é: um corrupto, homem de negócios polémico e várias vezes falido, um ditador e um cérebro de miúdo com birras. E o mundo treme todo...

sábado, 15 de novembro de 2025

OpenAI investe em startup que combate armas biológicas criadas por IA



A OpenAI anunciou um novo movimento estratégico para reforçar a segurança no desenvolvimento de tecnologias avançadas. A criadora do ChatGPT confirmou que será a principal investidora do aporte de US$ 15 milhões na Red Queen Bio, uma startup voltada a impedir que atores mal-intencionados usem inteligência artificial para criar armas biológicas – um tema que tem ganho importância à medida que modelos avançados ampliam suas capacidades. As informações são da Reuters.

OpenAI amplia foco em segurança biológica
Segundo Hannu Rajaniemi, cofundador da Red Queen Bio, o objetivo é garantir que as defesas da indústria de IA evoluam na mesma velocidade dos riscos. A iniciativa faz parte de um esforço maior da OpenAI para apoiar empresas que lidam diretamente com ameaças emergentes no uso da tecnologia.

Num movimento semelhante no mês anterior, a companhia já havia investido na Valthos, uma startup de biosegurança baseada em Nova York.

Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, explicou que a organização pretende fortalecer o ecossistema como um todo. Para ele, a melhor forma de mitigar riscos é com mais tecnologia, ampliando a capacidade de identificar e neutralizar potenciais ameaças biológicas antes que elas se tornem reais.

Listas de preocupações levantadas por pesquisadores sobre o uso da IA:
  1. aceleração no desenvolvimento de medicamentos;
  2. criação de novas vacinas em menos tempo;
  3. possibilidade de uso indevido dessas capacidades para projetar armas biológicas;
  4. necessidade de sistemas de defesa proporcionais ao avanço da tecnologia.
Startup usará IA e experimentos laboratoriais
A Red Queen Bio nasceu a partir da Helix Nano, uma empresa de terapias baseadas em mRNA em estágio clínico que já utiliza IA no design de medicamentos. A Helix Nano também colaborou com a OpenAI na criação de testes para identificar riscos biológicos associados a modelos de inteligência artificial.

Como parte da transação, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e a membro do conselho, Nicole Seligman – ambos investidores anteriores da Helix Nano – receberão ações da Red Queen Bio. Kwon também possui participação indireta, avaliada em menos de US$ 2.500 por meio da aceleradora Y Combinator.

Ainda assim, a OpenAI afirma que nenhum desses executivos participou da aprovação do investimento, que foi revisado por membros sem conflitos de interesse e pela equipe de compliance da empresa.

De acordo com a startup, a combinação de modelos de IA e métodos tradicionais de laboratório será essencial para identificar novos riscos e desenvolver contramedidas. Rajaniemi ressalta que o avanço biotecnológico, impulsionado pela IA, está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto, tornando urgente a criação de novas camadas de defesa. Além da OpenAI, outros investidores incluem Cerberus Ventures, Fifty Years e Halcyon Futures.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Ecologia e Democracia: antídotos contra o extremismo


Vivemos um tempo de incerteza, ansiedade e fragmentação. As crises ecológicas, sociais e políticas cruzam-se e alimentam-se mutuamente. A destruição ambiental gera desigualdades, as desigualdades corroem a confiança, e a falta de confiança abre espaço ao medo — o terreno fértil onde a extrema-direita e a extrema-esquerda florescerem.

O extremismo cresce sempre que as pessoas se sentem ameaçadas ou abandonadas. Oferece respostas simples a problemas complexos, alimenta-se de desinformação e promete segurança através da exclusão. Mas o que realmente sustenta uma sociedade saudável não é o medo — é a empatia, a solidariedade e a participação democrática.

A ecologia como cultura da interdependência
A ecologia ensina-nos que tudo está ligado: solo, água, ar, plantas, animais e seres humanos formam uma teia viva. Quando um elo é destruído, todo o sistema sofre. Essa visão interdependente é, também, uma lição política. Numa sociedade fragmentada, o pensamento ecológico recorda-nos que não há bem-estar individual possível sem bem comum.

Adoptar uma ética ecológica é, portanto, adoptar uma ética democrática. Significa ouvir, cuidar e cooperar. É aprender com os ritmos da natureza, com a diversidade e com a ideia de limite — algo que o extremismo rejeita, ao avançar para acções terroristas.

A democracia como espaço de cuidado
A democracia não é apenas um regime político; é uma prática quotidiana de diálogo e responsabilidade. Exige cidadãos informados, críticos e solidários. A sua força reside na capacidade de incluir e de equilibrar diferenças.

Para resistir à extrema-direita e à extrema-esquerda , precisamos de reforçar a literacia mediática e o pensamento crítico, especialmente entre os mais jovens. Ensinar a reconhecer manipulações, questionar fontes e compreender os contextos históricos é uma forma de empoderamento colectivo.

Ao mesmo tempo, é urgente reconstruir a confiança nas instituições e valorizar o trabalho comunitário, as cooperativas, as associações locais e todos os espaços onde as pessoas se sentem úteis e ouvidas. Quando a democracia se aproxima das pessoas, o extremismo perde terreno.

Comunicação e cultura contra o ódio
Combater o extremismo também passa por mudar a forma como comunicamos. A resposta não deve ser o silêncio nem o insulto, mas a firmeza com empatia. É preciso desmontar a mentira sem amplificar o ódio.

A cultura — arte, literatura, música, educação ambiental — tem aqui um papel essencial. É através da imaginação que se constroem alternativas, que se amplia o horizonte e se recupera a esperança. A cultura ecológica é, por natureza, inclusiva e criativa: mostra que o mundo pode ser regenerado, não apenas explorado.

Uma aliança necessária
Ecologia e democracia são irmãs na mesma luta: ambas defendem a vida, a diversidade e o equilíbrio. Onde há democracia, há espaço para cuidar da Terra; onde há ecologia, há espaço para cuidar das pessoas.

Num tempo em que a desinformação e o ódio se espalham com a velocidade das redes sociais, é vital semear consciência, diálogo e solidariedade. Cada gesto de participação — uma aula, uma horta comunitária, um projeto artístico, um texto — é um acto de resistência e reconstrução.
O futuro depende da nossa capacidade de unir justiça social e justiça ecológica.
Defender a Terra é defender a Democracia.

domingo, 26 de outubro de 2025

Ecologia, Democracia Participativa e Cultura: antídotos contra o extremismo



Sim, existe extrema-esquerda violenta na Europa, com grupos anarquistas e de esquerda radical envolvidos em ataques (principalmente sabotagem, incêndio) em vários países.

Na história recente da Europa, a maioria dos grupos terroristas, da Irlanda à Espanha, da Alemanha à Itália foram todos de extrema-esquerda. E continua viva e activa. Pelo que também têm de ser combatida com a mesma força e veemência que a extrema-direita.

Muitos ataques atribuídos à extrema-esquerda não visam necessariamente vítimas humanas ou grandes danos, mas sim alvos simbólicos (infraestruturas, empresas) — o que dificulta comparações directas com terrorismo de outra natureza. Dizem-se anti-capitalistas, anti-globalização, anti- indústria fóssil.

Os dados mais robustos sobre “crimes de ideologia” (fora da classificação de terrorismo) são menos sistematicamente agregados a nível europeu para extrema-esquerda.

No entanto, em termos de terrorismo global ou ataques massivos, nem sempre esses grupos têm a mesma escala de operação que outras ameaças extremistas (como jihadistas).

As instituições europeias (como a RAN, Europol e o Conselho da Europa) já reconhecem esse risco e trabalham para monitorá-lo e combatê-lo.

Existiram muitos grupos de extrema-esquerda radical também na América do Sul. Contudo foram extintos e alguns formaram partido democrático, como o Movimento de Participação Popular ( MPP ), que é um partido político de esquerda uruguaio , fundado por ex-guerrilheiros do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros . O MPP faz parte da Frente Ampla , seu líder é Yamandú Orsi e, antes de sua morte, José Mujica . O MPP hoje em dia concorre às eleições com o nome Espacio 609.

Porém e centrando em Portugal, a extrema-esquerda terrorista não existe. A violência política mais grave (bombas, atentados) foi, na verdade, de origem de extrema-direita, como as FP-25 (Forças Populares 25 de Abril) nos anos 1980 — embora estas misturassem retórica de esquerda revolucionária com práticas paramilitares, e sejam frequentemente classificadas como um grupo terrorista de matriz “nacional-revolucionária”. 

Hoje, a extrema-esquerda portuguesa manifesta-se de forma pacífica e democrática, através de partidos como: Bloco de Esquerda (BE) Partido Comunista Português (PCP). Ambos participam no sistema parlamentar e rejeitam a luta armada.

Recuando aos anos quentes do PREC falemos do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) essa sim foi uma organização terrorista de extrema-direita portuguesa ativa, cujos membros ainda estão vivos: José Miguel Júdice e Diogo Velez Mouta Pacheco de Amorim (actual vice-presidente da Assembleia da República e guru do Chega). Em 1962 Diogo Amorim centra a sua actividade política na teorização e combate em prol do integracionismo, insurgindo-se contra a política de autonomia, então protagonizada pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira. Distancia-se também da perspectiva adoptada por Cunha Leal. Em 1971 é um dos ferozes críticos da política assumida por Marcelo Caetano no plano das autonomias ultramarinas. A obra nesse ano editada, “Na Hora da Verdade”, ia-lhe valendo nova passagem pela prisão: em Conselho de Ministros, o então Ministro do Ultramar Silva Cunha, propôs a sua prisão. Os restantes ministros apoiaram. Opôs-se o ministro César Moreira Baptista por considerar que isso teria efeitos contraproducentes. Marcelo Caetano decidiu a favor de Moreira Batista. Fernando Amorim não desistiu e fundou o PND, populista de direita, eurocéptico e extremamente conservador.

O livro de Miguel Carvalho já em sexta edição "Quando Portugal ardeu" aborda as relações de parte da direita tradicional com o MDLP, Plano Maria da Fonte e quejandos.

Portanto, o balanço geral é que a extrema-direita é tão preocupante neste momento como a extrema-esquerda. Há os dois populismos, claro.

O avanço da extrema-direita é um sintoma de crises profundas — sociais, ecológicas e culturais. Quando as pessoas se sentem inseguras, isoladas ou sem futuro, crescem o medo e a desconfiança. É nesse terreno que o extremismo floresce.

A ecologia e a democracia oferecem caminhos opostos: cultivam empatia, interdependência e responsabilidade partilhada. Educar para o pensamento crítico, reforçar a solidariedade local e comunicar com clareza são formas de resistência cívica. Contra narrativas de extrema-direita e extrema-esquerda.

Proteger a Terra e cuidar das pessoas são faces da mesma luta. Só uma sociedade justa, informada e ambientalmente consciente poderá travar o ódio e reconstruir a confiança.

O Contexto actual
A extrema-direita em ascensão na América do Norte, na Europa, Rússia, China, em Israel e mais além encontra muito do seu apelo em histórias sobre o que está para vir. Os desejos nativistas de proteger o Ocidente do declínio cultural e da "substituição" demográfica, embora ostensivamente retrógrados, encontram a sua urgência na ansiedade de que em breve será demasiado tarde para mudar de rumo, misturada com a esperança de um confronto político. Para os verdadeiros crentes, o futuro é uma fonte de colapso iminente, que aguçará identidades, hierarquias e limites, algo para o qual se deve acelerar. A nova direita identitária de hoje está menos preocupada com o brilho caloroso do passado imaginado do que com as novas possibilidades que se reservam "no rescaldo do caos", como descreveu o activista francês da nova direita Guillaume Faye.

A direita radical e terrorista já existe. O terrorismo de direita moderno apareceu pela primeira vez na Europa Ocidental na década de 1980 após a dissolução da União Soviética. Os terroristas de direita pretendem derrubar governos e substituí-los por governos nacionalistas ou de orientação fascista. O núcleo desse movimento inclui skinheads neofascistas, hooligans de extrema-direita, e jovens simpatizantes que acreditam que o Estado deve se livrar de elementos estrangeiros para proteger os cidadãos ditos "legítimos". Senão travarmos a tempo, a cegueira destes novos extremistas de direita vai ser um luta armada para impôr o seu propósito fascista. 

O terrorismo de direita é terrorismo motivado por uma variedade de ideologias e crenças de extrema-direita, pós-apocalíptica (só a tecnologia supra-nacionalista "salvará" a humanidade) como já referi anteriormente em conluio com a os extremistas de direitas mais tradicionais como o anticomunismo, neofascismo, neonazismo, racismo, xenofobia, homofobia, transfobia, contra a "islamização" em curso e uma oposição clara à imigração. Esse tipo de terrorismo tem sido esporádico, com pouca ou nenhuma cooperação internacional. 

Contudo, em ambos movimentos o conceito de seita existe. Uma espécie de clã, de um primitivismo atroz, quase teológico. Que abala todos os nossos valores de humanismo, de ajuda mútua, valores democráticos e extinção da mesma. Realmente esta corja, com intentos irracionais e antidemocráticos, vai chegar o apelo à força, ao armamentismo. Esta mensagem está ganhar terreno desde inícios de Janeiro deste ano por fulanos como Elon Musk (o homem mais rico do mundo), que já chegou a dizer que empatia ameaça a civilização. Ele está errado. Ele é essa ameaça.

A confluência dos extremistas de direita tecno-futurista com o extremismo de direita mais tradicional são uma ameaça contemporânea mas evitável. Porém é urgente o seu combate e desejamos que voltem para as cavernas e ao seu silenciamento/cancelamento antes que seja demasiado tarde.

A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?


"Enquanto uma parte significativa da população (em todo o espectro político) vota, defende, ignora, minimiza, sente um medo paralizante, duvida do perigo ou amplifica o discurso da extrema-direita.
Enquanto os partidos (sobretudo de direita) continuam a pactuar, a normalizar e a aplicar as ideias e propostas da extrema-direita, desrespeitando totalmente o legado de Abril e todas as pessoas que deram a vida para que hoje tivéssemos uma democracia.

Enquanto as esquerdas continuam divididas, presas a querelas internas e a jogos de poder, a considerar os partidos como um fim e não como um meio, incapazes de ver que já não se trata de ganhar eleições ou de lutar pela própria sobrevivência, mas de lutar pela própria existência da democracia.

A extrema-direita, em Portugal (mas também em França, e no mundo), avança. Avança sem freio, sem resistência, sem vergonha, incitando ao ódio e desafiando o Estado de direito. Diz, com todos os dentes, números e letras, ao que vem, o que faz e o que vai fazer. Ninguém pode dizer que não sabia.
A expressão dos "3 salazares" não foi utilizada de forma espontânea, mas de forma propositada e ensaiada. Os recentes cartazes absolutamente infames, racistas e ilegais contra as pessoas ciganas fazem parte da estratégia de testar os limites do "regime", de normalizar o inaceitável, de fazer prova de força através da impunidade.

Enquanto isso, nos coletivos das pessoas que já são atacadas, ciganas, negras, muçulmanas, mulheres, queer, imigrantes, não se debate se a extrema-direita é ou não fascista, nem como fazer para que não ganhem eleições, mas sim como nos vamos organizar e resistir enquanto “inimigos do interior”, a nível local, nacional e internacional. Não temos o privilégio nem da perplexidade, nem do desespero, nem da inação.

Não tenhamos dúvidas: quando a extrema-direita estiver no poder supremo, ninguém estará a salvo. Quanto mais o tempo passa, mais difícil será a luta, apesar de nunca ser impossível. A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?" - Luísa Semedo

Estou de acordo. E o insucesso é global. Vejamos a entrevista assustadora de Steve Bannon E mais. A direita radical e terrorista já existe. Já não poderemos chamar extrema-direita. Vai ser um luta armada. E mais. O conceito de seita existe. Uma espécie de clã, de um primitivismo atroz, quase teológico. Que abala todos os nossos valores de humanismo, de ajuda mútua, valores democráticos e extinção da mesma. Realmente esta corja, com intentos irracionais e antidemocráticos, vai chegar o apelo à força, ao armamentismo. Esta mensagem está ganhar terreno desde inícios de Janeiro por fulanos como Elon Musk (o homem mais rico do mundo), que já chegou a dizer que empatia ameaça a civilização. Ele está errado. Ele é essa ameaça.

Relembrar o legado de Nelson Mandela


"Damos dignidade às pessoas presumindo que são boas, que partilham as qualidades humanas que atribuímos a nós próprios." ~ Nelson Mandela

Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos — de 1962 a 1990.
Ele foi inicialmente condenado a cinco anos por incitar greves e sair ilegalmente do país, e depois, em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua no famoso Julgamento de Rivonia, acusado de sabotagem e conspiração contra o regime do apartheid.

Mandela passou a maior parte desse tempo na prisão de Robben Island, depois foi transferido para Pollsmoor e mais tarde para a prisão de Victor Verster, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.

Em março de 1980, o slogan "Mandela Livre!" foi desenvolvido pelo jornalista Percy Qoboza, desencadeando uma campanha internacional que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir sua libertação. Apesar do crescente isolamento do país, o governo recusou em ceder às pressões internacionais, confiando em seus aliados anticomunistas da Guerra Fria, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher; ambos consideravam o CNA de Mandela uma organização terrorista simpatizante do comunismo e apoiavam sua repressão.

Não guardou rancor. Nelson Mandela deixou um legado de coragem, perdão e esperança. Lutou contra o apartheid, defendeu a liberdade e guiou a África do Sul rumo à reconciliação e à democracia. O seu exemplo lembra-nos que a verdadeira liderança se mede pela capacidade de unir, servir e inspirar.

domingo, 21 de setembro de 2025

Antes do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023

1.⁠ ⁠Haifa Massacre 1937
2.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1937
3.⁠ ⁠Haifa Massacre 1938
4.⁠ ⁠Balad al-Sheikh Massacre 1939
5.⁠ ⁠Haifa Massacre 1939
6.⁠ ⁠Haifa Massacre 1947
7.⁠ ⁠Abbasiya Massacre 1947
8.⁠ ⁠Al-Khisas Massacre 1947
9.⁠ ⁠Bab al-Amud Massacre 1947
10.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1947
11.⁠ ⁠Sheikh Bureik Massacre 1947
12.⁠ ⁠Jaffa Massacre 1948
13.⁠ ⁠Deir Yassin Massacre 1948
14.⁠ ⁠Tantura Massacre 1948
15.⁠ ⁠Qibya Massacre 1953
16.⁠ ⁠Khan Yunis Massacre 1956
17.⁠ ⁠Jerusalem Massacre 1967
18.⁠ ⁠Sabra and Shatila Massacre 1982
19.⁠ ⁠Al-Aqsa Massacre 1990
20.⁠ ⁠Ibrahimi Mosque Massacre 1994
21.⁠ ⁠Jenin Refugee Camp April 2002
22.⁠ ⁠Gaza Massacre 2008-09
23.⁠ ⁠Gaza Massacre 2012
24.⁠ ⁠Gaza Massacre 2014
25.⁠ ⁠Gaza Massacre 2018-19
26.⁠ ⁠Gaza Massacre 2021
27.⁠ ⁠Gaza Genocide 2023 is still ongoing.
The world didn’t start on October 7!

terça-feira, 27 de maio de 2025

Sobre o ataque à facada por uma mulher alemã

Syrian Citizen Muhammad Al Muhammad

Na semana passada, uma mulher alemã com problemas psiquiátricos graves desatou à facada na estação de caminho de ferro de Hamburgo, ferindo dezoito pessoas. A boa notícia: já nenhum dos feridos se encontra em risco de vida.

Muhammad Al Muhammad também estava nesse cais. Quando viu todas as pessoas a correr numa direcção, o refugiado sírio, de 19 anos, decidiu correr na direcção oposta, para travar a mulher. Quando chegou, viu que outro homem já estava a oferecer-lhe resistência. Era um tchetcheno.

Juntos, conseguiram dominar a mulher.

Já não é a primeira vez que acontece algo deste género. Há alguns anos, refugiados sírios deram-se conta de que havia entre eles um a preparar um ataque na Alemanha. Foram a casa dele, dominaram-no, e entregaram-no à polícia, bem atado e tudo.

O que mais me impressiona no caso de Muhammad Al Muhammad é ele ter fugido da Síria com 16 anos para salvar a vida, e escolheu pô-la em perigo para salvar os outros.

Mas claro que nada disto tem algum valor para pessoas que decidiram adoptar o ódio e o preconceito como estratégia de afirmação e valorização pessoal. E os partidos oportunistas escolhem dizer-lhes o que elas querem ouvir. Por muito mentira que seja.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

A Palestina e o colapso da ordem mundial baseada em regras

A realidade no terreno - Em Abril de 2025, a catástrofe humanitária em Gaza atingiu proporções catastróficas.

Por Peiman Salehi

Introdução
Em Maio de 2025, a catástrofe humanitária em Gaza atingiu um nível sem precedentes. Mais de 50.000 palestinianos foram mortos desde outubro de 2023, a grande maioria deles civis, incluindo milhares de crianças. No entanto, as potências ocidentais — particularmente os Estados Unidos e os seus aliados — continuam a defender a chamada “ordem internacional baseada em regras”. Esta frase, frequentemente invocada para justificar sanções, intervenções e pressões diplomáticas noutros locais, soa vazia quando aplicada à difícil situação do povo palestiniano, que dura há décadas. A ocupação contínua, as políticas de apartheid e os repetidos crimes de guerra cometidos por Israel — apoiados incondicionalmente pelo Ocidente — expõem uma profunda hipocrisia no cerne desta ordem dita global.

Apesar de mais de 100 resoluções da ONU condenarem os colonatos israelitas, a deslocação forçada e os ataques indiscriminados contra civis, continua ausente uma responsabilização significativa. Israel não enfrenta sanções, embargo de armas ou isolamento internacional. Em vez disso, continua a receber milhares de milhões de dólares em ajuda militar, acordos comerciais preferenciais e cobertura política das potências ocidentais. Gaza, entretanto, continua cercada. Os hospitais são bombardeados, os comboios de ajuda são bloqueados e as necessidades básicas como água, combustível e electricidade são deliberadamente retidas. Esta não é uma resposta de segurança — é uma punição coletiva em grande escala.

Aplicação Selectiva do Direito Internacional
A abordagem do Ocidente ao direito internacional é tudo menos consistente. Quando a Rússia anexou a Crimeia ou quando países como o Irão e a Venezuela foram acusados ​​de violações de direitos, seguiram-se sanções rápidas e condenação global. No entanto, quando Israel viola abertamente as Convenções de Genebra, ataca as infraestruturas civis e desafia o Tribunal Internacional de Justiça, é recompensado com acordos de normalização, investimentos em tecnologia e parcerias de defesa. Este flagrante duplo critério destruiu a credibilidade de qualquer narrativa “baseada em regras”. É claro que as “regras” se aplicam apenas aos adversários do Ocidente — não aos seus aliados.

A armamentização da narrativa
Igualmente preocupante é o papel dos media ocidentais em moldar a perceção pública. A resistência palestiniana é rotulada como “terrorismo”, enquanto a agressão israelita é enquadrada como “autodefesa”. Termos como “confrontos” são utilizados para obscurecer a realidade dos ataques militares unilaterais. A desumanização dos palestinianos e a eliminação do seu sofrimento são componentes essenciais para manter esta ilusão de superioridade moral. O jornalismo que desafia esta narrativa é frequentemente silenciado, censurado ou descartado como tendencioso.

Conclusão
A Palestina já não é apenas uma crise humanitária — é um espelho que reflecte a falência moral do sistema global. A ordem mundial baseada em regras, promovida pelo Ocidente, entrou em colapso sob o peso das suas próprias contradições. Quando o direito internacional é aplicado seletivamente, quando algumas vidas são consideradas dispensáveis ​​e quando a justiça é sacrificada por interesses geopolíticos, o que resta não é a ordem, mas a dominação. A justiça para a Palestina já não é uma preferência política; é um imperativo moral global. Até que o mundo enfrente esta hipocrisia, a paz permanecerá fora de alcance — não apenas para os palestinianos, mas para a humanidade como um todo.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Pela autodeterminação da Palestina - reportagem isenta


Enquanto o mundo se vira, a Palestina chora. As crianças fecham os olhos pela última vez — não para dormir, mas para passar fome. As mães embalam corpos sem vida em vez de sonhos. Os pais cavam covas com as próprias mãos porque ninguém parou as bombas. Isto não é apenas uma tragédia — é um colapso moral da humanidade. Quando a história julgar este silêncio, o que diremos? Que assistimos ao genocídio e lhe chamamos "conflito"? Que deixamos os bebés morrer à fome e chamamos a isso "política"? Vergonha de cada líder, de cada nação, de cada voz que se calou. O sangue da Palestina mancha não só a terra, mas a nossa consciência para sempre.

Estima-se que  ainda existem dois milhões de árabes em Israel. Se todos em peso tivessem votado no seus próprios partidos árabes no Knesset, o Parlamento israelita, o Bibi nunca teria ganho as últimas eleições, mas sim a coligação de esquerda coligada com os todos partidos árabes Balad, Hadash, Ta'al e Lista Árabe Unida.

Netanyahu sob pressão judicial e internacional enquanto Israel prepara nova ofensiva em Gaza

terça-feira, 7 de maio de 2024

A guerra nunca partiu, de Mia Couto


"A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda."- Mia Couto in "O Último Voo do Flamingo"

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Filme de culto - Decoder (1984)



Decoder é um filme dramático de vigilância burocrática, proto-cyberpunk e bizarro da Alemanha Ocidental, apresentando FM Einheit da banda industrial alemã Einstürzende Neubauten como um jovem fanático por barulho com ambições de hacker empregado numa lanchonete. Ele descobre que substituir o Muzak (música de fundo tocada em lojas e elevadores) imposto pelo governo por ruído industrial alterará o comportamento das pessoas. Inspirado por um encontro com um sumo sacerdote pirata barulhento (interpretado por Genesis P-Orridge dos pioneiros industriais Throbbing Gristle), ele se rebela contra o governo por usar a música como arma de controle mental corporativo e sedação ambiental levando ao consumismo e à massificação. Ele então toca sua mixagem parcialmente composta pelo balido distorcido de um sapo gritando, apenas para se transformar no terrorista barulhento mais procurado do país por incitar tumultos.

Decoder é inspirado na Revolução Eletrónica (1970) de William S. Burroughs, que aparece no filme, tem uma forte mensagem anticonsumista, citações sobre Lady Di (Diana), metáforas bíblicas usando sapos como símbolos para a vagina.

O filme também é notável por não estrelar atores reais: Bill Rice (artista de vanguarda do East Village) é Jaeger, um homem de empresa obcecado por peep-shows encarregado de estrelar monitores de vigilância nevados o dia todo, é designado para pôr fim ao F.M. operação. Christian F. interpreta a namorada de FM, uma funcionária punk de um peepshow que prefere a companhia de seus sapos de estimação aos humanos.

Decoder (Descodificador) de Muscha é um clássico cult e uma obra-prima criminosamente subestimada da estranheza alemã, antes da Internet e da guerra cibernética, filmada em 16 mm, salpicada de tons brilhantes de rosa, azul e verde com trabalho de câmera da vienense / nova-iorquina Hannah Heer. 

Deve ser considerado obrigatório para quem ama os clássicos cyberpunks de Shinya Tsukamoto, Electric Dragon 80.000 V de Sogo Ishii e filmes como They Live, Vortex (1982) e Liquid Sky.

O filme é retalhado e golpeado pela cultura industrial/eletrónica dos anos 80 com uma trilha sonora intensa de nomes como Einsturzende Neubauten, Soft Cell, The The e Psychic Tv.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O que se sabe sobre explosões de bombas no Irão que mataram 95 pessoas


Pelo menos 95 pessoas morreram após a explosão de duas bombas perto do túmulo do general iraniano Qasem Soleimani nesta quarta-feira (03/01) — quando a morte dele por um ataque de drones conduzido pelos Estados Unidos completou quatro anos.

Inicialmente, o número relatado oficialmente de mortes foi de 103. Posteriormente, no entanto, o ministro da Saúde do Irão retificou a informação, dizendo que alguns dos nomes haviam sido contados mais de uma vez.

As explosões atingiram uma procissão perto da mesquita Saheb al-Zaman, na cidade de Kerman, no sul do país. Soleimani nasceu na região.

Segundo dados citados pela emissora estatal Irib e atribuídos ao departamento local de serviços de emergência, outras 141 ficaram feridas nas explosões. Alguns dos feridos estão em estado crítico.

O vice-governador de Kerman afirmou que se trata de um "ataque terrorista".

Não está claro quem está por trás das explosões e não houve reivindicações imediatas de autoria por nenhum grupo.

Entretanto, nos últimos anos, separatistas árabes, o Estado Islâmico (EI) e outros grupos jihadistas sunitas reivindicaram a autoria de ataques mortais contra forças de segurança e santuários xiitas no Irão.

Depois do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, Soleimani era visto como a figura mais poderosa do Irão. Ele foi morto pelas forças americanas no vizinho Iraque, em 2020.

Homenagem ao quarto ano da morte de Soleimani em Teerão

Imagens transmitidas pela TV estatal mostraram que centenas de pessoas estavam reunidas na periferia leste de Kerman quando ocorreram as duas explosões.

A media iraniana informou que a primeira explosão ocorreu às 14h50 no horário local (8h20 em Brasília), a cerca de 700 m do cemitério do Jardim dos Mártires, ao redor da mesquita Saheb al-Zaman.

A segunda teria ocorrido cerca de 15 minutos depois, a cerca de 1 km do cemitério.

'Vimos pessoas caindo'
A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária do Irão, citou fontes que afirmaram que "dois sacos contendo bombas" foram aparentemente detonados "por controle remoto".

"Estávamos caminhando em direção ao cemitério quando de repente um carro parou atrás de nós e uma lata de lixo contendo uma bomba explodiu", afirmou uma testemunha citada pela agência Isna

"Só ouvimos o som da explosão e vimos pessoas caindo."
O Crescente Vermelho, organização de socorro, disse que entre os mortos está pelo menos um paramédico que foi enviado ao local da primeira explosão e foi atingido pela segunda.

Imagens parecem mostrar que o túmulo de Soleimani não foi danificado.

Como comandante do braço de operações externas da Guarda Revolucionária, a Força Quds, ele arquitetou a política iraniana em toda a região.

Ele foi responsável pelas missões clandestinas da Força Quds e pelo fornecimento de verbas, orientação, armas, inteligência e apoio logístico a governos aliados e grupos armados, incluindo o Hamas e o Hezbollah.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, que ordenou o assassinato em 2020, descreveu Soleimani como "o terrorista número um em qualquer lugar do mundo".

Reacções
A União Europeia declarou o ataque um "ato de terror", condenando-o. "Este ato de terror causou um número chocante de mortes e feridos civis. Os nossos pensamentos agora estão com as vítimas e as suas famílias. Os autores devem ser responsabilizados", lê-se num comunicado citado pela agência Al Jazeera.

Aliás, a mesma agência cita também o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que ofereceu as suas condolências às famílias das vítimas, "mártires da mesma causa, da mesma batalha que estava a ser travada pelo comandante Qassem Soleimani". A ele juntou-se o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, que prometeu "uma resposta dura", em comunicado.

À lista de entidades que condenaram o ataque juntou-se, também, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, esperando que "Deus tenha misericórdia sobre aqueles que perderam as suas vidas nos ataques", numa mensagem no X (antigo Twitter), e o presidente russo, Vladimir Putin, que disse que "o homicídio de pessoas pacíficas que visitavam o cemitério é chocante pela sua crueldade e cinismo", citado pela Al Jazeera.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Escrito na pedra - Largo da Ramada Alta, Porto


Judeus e Palestinianos- vamos aos factos
A origem dos judeus é de uma região árabe do Iraque.
Judeus e árabes têm a mesma origem e tanto uns como outros são caraterizados por serem povos semitas, por terem a mesma origem linguística.
A Terra Prometida é o termo utilizado na Bíblia hebraica para descrever a terra dada por Deus aos israelitas
A promessa está contida em vários versículos de Génesis na Torá. Em Génesis 12:1 é dito:
Então o Senhor disse a Abrão: "Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei."
e em Gênesis 12:7:
E Abraão, o patriarca dos judeus, saiu da terra de onde os judeus são originários (Iraque) e foi com o seu povo para Canãa que corresponde hoje ao território da Palestina que é ocupado pelo Estado de Israel desde 1948.

Quem não quer a criação dos 2 Estados: Israel e Palestina?
Israel.O conflito no Médio Orente envolvendo palestinianos e israelitas tem entre as suas raízes a criação do Estado de Israel que - para os palestininanos – causou o que eles chamam de Nakba, que em árabe significa “catástrofe” ou “desastre”. Por isso, para compreender a guerra travada na região é preciso entender esse episódio que segue vivo na memória do povo palestino.  

A Nakba é lembrada todo 15 de maio, dia seguinte ao da Independência de Israel. O Estado de Israel foi declarado em 1948, a partir da Resolução 181 das Nações Unidas, que recomendou a partilha da Palestina entre árabes e judeus.

Em consequência, eclodiu o que ficou conhecida como a 1ª guerra “árabe-israelita”, quando Síria, Jordânia, Egito, Líbano e Iraque iniciaram uma ofensiva contra o novo país. Como resultado desse conflito, estima-se que de 700 mil a 800 mil palestinianos foram expulsos das suas terras e entre 400 e 500 vilas palestinianas foram destruídas, êxodo forçado que passou a ser conhecido como Nakba.

Por isso, seis meses depois, em dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 194, dando direito aos palestinianos refugiados voltarem paras suas terras se assim desejassem. Porém, essa resolução nunca foi cumprida.

Colonatos - um apartheid nazi e racista de Israel
Israel começou a ter colonatos em território ocupado depois da guerra dos Seis Dias (1967). 
Os colonatos judaicos são locais onde vivem civis israelitas em território ocupado (e alguns casos anexado). São ilegais à luz da lei internacional, mas Israel contesta e invoca laços históricos e bíblicos com a terra. Os colonatos israelitas são muito diferentes entre si. Israel distingue no entanto entre colonatos regulares (que a lei israelita permite) e “selvagens” (proibidos mesmo por Israel). Os colonatos podem ir desde um par de caravanas ou pré-fabricados no cimo de um monte (no caso dos “selvagens”) até autênticas cidades estabelecidas.

O assassinato pela extrema-direita de Israel de Yitzhak Rabin
Yitzhak Rabin foi um general e 1º ministro de Israel que queria a paz e preparava-se para assinar os Acordos de paz com os Palestinianos
Em 1995 numa manifestação pela Paz em Telavive foi assassinado por um obscuro membro da extrema-direita israelita que entretanto veio a tornar-se governo e hoje governa o Estado racista de Israel, um Estado que provavelmente mais violou todas as resoluções e decisões da ONU.

"Terrorismo" vs. Exército Israelita nazi bem organizado e financiado pelos EUA
O Hamas é uma ideia antes de ser uma organização. As ideias não se matam enquanto a injustiça se mantiver.

Saber mais:
1. The Jewish Museum of the Palestinian Experience was founded to provide a Jewish perspective on the Israel/Palestine conflict

2. Faixa de Gaza- antes e depois da Invasão (NY Times, 12.12.3023)

3. ACRI - Association for Civil Rights in Israel is the oldest and most influential civil and human rights organization in Israel. Founded in 1972, ACRI is the only NGO in Israel advocating across the broad spectrum of human rights and civil liberties for everyone living in Israel and in the Occupied Palestinian Territories.

4. Breaking the Silence is an organization of veteran soldiers who have served in the Israeli military since the start of the Second Intifada and have taken it upon themselves to expose the public to the reality of everyday life in the Occupied Territories

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Tel Aviv restringe ainda mais a liberdade de imprensa


Esta foto enviou-me um amigo meu Prof. Univ. em Tel Aviv. É o dia a dia. Constante presença militar. Diz ele que mesmo a alguns km, ouvem-se na capital os bombardeamentos dos sionistas na Cisjordânia. Os canais televisivos só passam o discurso de Netanyahu.
O governo israelita está a pressionar o jornal de esquerda Haaretz para apoiar o governo na sua condução da guerra na Faixa de Gaza. O ministro das comunicações, Shlomo Karhi, sugeriu a aplicação de multas ao jornal.
O Haaretz, que é um periódico independente (fundado em 1919) tem sido alvo frequente dos governos de direita em Israel. Em 20/10 , o governo promulgou regulamentações de emergência, permitindo o fecho temporário dos media estrangeiros considerados prejudiciais ao país.
O CPJ relata que 57 jornalistas e trabalhadores da mídia foram mortos desde o início do conflito. Isso inclui 50 palestinos, 4 israelitas e 3 libaneses. O Repórteres Sem Fronteiras posiciona Israel em 97º lugar em seu ranking de Liberdade de Imprensa de 180 países, acima da República Centro-Africana e abaixo da Albânia. E destaca: “Sob a censura militar de Israel, reportar sobre várias questões de segurança requer aprovação prévia das autoridades. Além da possibilidade de processos por difamação civil, os jornalistas também podem ser acusados de difamação criminal e "insultar um funcionário público".

Ler mais: