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domingo, 8 de junho de 2025

6 Ways Trees Benefit All of Us




Trees have been with us throughout our whole lives. They’re the background of a favorite memory and that welcome patch of green our eyes seek as we gaze out our windows.

While they are silent and stationary, trees hold tremendous powers, including the power to make all our lives better and healthier.

1: Trees help fight climate change.
Through photosynthesis, trees absorb carbon dioxide from the air and store it in its wood. Trees and plants will store this carbon dioxide throughout their lives, helping slow the gas’s buildup in our atmosphere that has been rapidly warming our planet.

In the U.S., forests are one of the most promising natural climate solutions—that is actions to protect, better manage or restore nature to store more carbon. Trees are looking out for us, so we have to look out for them. Older, larger trees store a lot more carbon than young trees, so it’s important that in addition to planting new trees, we conserve and protect ancient giants of old growth forests.

2: Trees boost our mental and physical health.
A healthy tree can lead to a healthy you and me. A study by a TNC scientist shows that time in nature—like a walk among the trees in a city park—correlates with a drop in anxiety and depression. In Louisville, Kentucky, researchers have found that planting 9,000 trees improved neighbors' health conditions that are linked to heart disease, stroke and some types of cancer.

The good news: it doesn’t take a lot of time in nature for these soothing powers to kick in. You may have felt the benefits from a short walk or hike in your neighborhood. We’re drawn to green spaces, and for good reason.

Access to nearby green space also contributes to better physical health by encouraging us to move around and exercise. Because we move around more when we have access to trees and parks, nature can help lower rates of obesity.

How does nature improve your health? (2:04) Spending more time around nature can do amazing things for your health. In fact, taking care of the planet is one of the best things we can do to take care of ourselves.

3: Trees clean the air so we can breathe more easily.
Leave it to leaves. Trees remove the kind of air pollution that is most dangerous to our lungs: particulate matter. This pollution arises from the burning of fossil fuels and can reach dangerous concentrations in the largest cities as well as in neighborhoods near highways and factories.

Trees’ leaves will filter this dangerous pollution, but only if they’re planted near the people who need them; most of the filtration occurs within 100 feet of a tree. More trees in cities, especially in lower-income neighborhoods close to highways and factories, can reduce ailments like asthma and heart disease that cause 5% of deaths worldwide.

4: Trees and forests provide habitat for a diversity of life.
A forest is more than a collection of trees. It is a complex ecosystem of diverse plants and animals. And this interconnected relationship of all forest species ensures the whole forest thrives—from soil to canopy. Old-growth forests, the forests that we need to protect most urgently, create habitats at the ground level, at the top of their tree canopies, and everywhere in between. All of these different habitats in a single area allow so many diverse species to thrive.

5: Trees cool down your life, and could even save it.
Trees give us all shade—and that’s a good thing! Temperatures are rising and heatwaves are getting longer due to climate change. Some places feel the heat more than others. Neighborhoods with lots of pavement absorb more heat and can be five to eight degrees hotter than surrounding areas. These areas also stay hotter later into the night, which is detrimental to our health.

Enter our branchy, leafy neighbors. A tree’s shade acts like a natural air conditioning and can even keep down the energy costs of our actual air conditioning systems, which are increasingly working overtime.

6: Trees and forests filter your water, making your drinking supply cleaner and more reliable.
Raise a glass to a tree near you! Actually, raise your glass to trees far from you, as your water has traveled on a long journey to your faucet. Trees store and filter more than half of the water supply in the United States.

Forests do this by removing pollutants and sediments from rainfall and then slowly releasing the water back into waterways and underground aquifers. Thanks to trees, this naturally cleaner water is easier and cheaper to treat before it ends up in your tap. The water supply is also steadier because all of the rainwater didn’t end up in a river right away; it seeped through these natural filters over time.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Prioridades ambientais para as Legislativas 2025

Os efeitos das alterações climáticas já são sentidos em todo o mundo e constituem ameaças reais à segurança e bem-estar das pessoas. A perda de biodiversidade e a degradação ambiental, que seguem a um ritmo acelerado, agravam ainda mais esta realidade. Para garantir que os líderes que estarão à frente das decisões em Portugal estejam comprometidos em reverter este cenário, a Coligação C7 destaca as seguintes medidas prioritárias que devem ser incluídas nos programas das Eleições Legislativas que se aproximam:

Conservação e Restauro da Natureza, dentro e fora de Áreas Classificadas:
  1. Retorno da Secretaria de Estado de Conservação da Natureza, e da pasta das Florestas ao Ministério do Ambiente.
  2. Reverter a alteração à lei dos solos que veio permitir construção em solos rústicos.
  3. Garantir o cumprimento da meta de proteção de 30% do território terrestre e marinho até 2030, incluindo os 10% de proteção estrita, através de uma rede eficaz de Áreas Protegidas ecologicamente representativas, conectadas e bem geridas - necessidade de cumprir as metas definidas na Lei do Restauro;
  4. Garantir a implementação da Rede Natura 2000 (nomeadamente, a conclusão da elaboração dos planos de gestão e a ampliação desta rede ecológica em Portugal) e a efetiva aplicação da legislação, da regulamentação e de iniciativas de conservação, monitorização e fiscalização em todo o Sistema Nacional de Áreas Classificadas;
  5. Garantir financiamento para a elaboração e implementação do Plano Nacional de Restauro, para promover o restauro ecológico à escala da paisagem e dos ecossistemas degradados, reabilitar o equilíbrio ecossistémico e reverter a perda de biodiversidade;
  6. Promover o restauro dos rios através da remoção de barreiras fluviais obsoletas, em linha com o Regulamento do Restauro da Natureza e o objetivo do Pacto Ecológico Europeu de libertar 25 mil km de rios;
  7. Repensar a estratégia nacional para a gestão da água apostando em soluções baseadas na natureza, enquanto alternativas mais sustentáveis e de baixo custo, como o restauro de zonas húmidas, proteção de aquíferos e o uso de tecnologias de armazenamento alternativas, como reservatórios naturais ou infiltração de água no solo, em detrimento da construção de novas grandes barragens e transvases;
  8. Aumentar em pelo menos 50% o financiamento disponível (quer em Orçamento de Estado, quer no Fundo Ambiental quer no Fundo Azul) para ações de conservação da natureza, que deverá ser plurianual, de forma a garantir o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos, nomeadamente o Global Biodiversity Framework da Convenção da Diversidade Biológica;
  9. Reforçar a proteção do lobo ibérico ao nível nacional e estimular ativamente a adoção de medidas que promovam a coexistência harmónica, tendo em consideração que a proteção desta espécie será severamente reduzida ao nível europeu;
  10. Criar legislação para a conservação das árvores junto das estradas nacionais e municipais, obrigando as entidades gestoras a fundamentarem publicamente as decisões sobre abates.
Clima e energia:
  1. Garantir a implementação imediata do disposto na Lei de Bases do Clima, atendendo a que o seu calendário de implementação se encontra manifestamente atrasado;
  2. Concretizar a revisão do Roteiro Nacional de Baixo Carbono e a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas, previstos para 2025, garantindo a participação efetiva das ONGAs e tendo como ponto de partida uma avaliação completa dos resultados das estratégias anteriormente em vigor;
  3. Garantir a efetiva implementação do Plano Nacional de Energia e Clima 2030, tendo em consideração a necessidade de compatibilizar as suas ambições com outros objetivos ambientais, como a proteção da biodiversidade, e com a racionalidade económica;
  4. Promover a transição para uma economia de baixo carbono, incluindo a eliminação de todos os subsídios e apoios públicos aos combustíveis fósseis;
  5. Promover a eficiência energética, nomeadamente garantindo recursos para a implementação da Estratégia de Longo-Prazo para a Renovação dos Edifícios e da Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2023-2050, e apostar prioritariamente na descentralização e democratização da produção renovável, nomeadamente através do autoconsumo e das comunidades de energia;
  6. Concretizar o processo de seleção de áreas de aceleração de energias renováveis, através de uma Avaliação Ambiental Estratégica, e definir mecanismos para encorajar a localização de projetos de energias renováveis em áreas de menor sensibilidade ambiental (por exemplo, limitar a aplicação do princípio do “interesse público prevalecente” dos projetos de energias renováveis, previsto na REDIII, a estas áreas de aceleração);
  7. Incorporar critérios ecológicos e sociais (critérios não-preço) nos futuros leilões de renováveis (incluindo os leilões para a energia eólica offshore), bem como realizar um planeamento cuidadoso da instalação das infraestruturas de produção e de rede e uma monitorização rigorosa e contínua dos impactos ambientais e sociais dos mesmos;
  8. Maior integração dos aspetos da transição justa, nomeadamente com a elaboração participada do Plano Social Climático de Portugal;
  9. Garantir recursos para apoiar o desenvolvimento e implementação dos planos municipais e regionais de ação climática.
Agricultura e alimentação:
  1. Criar o Plano Nacional de Alimentação Sustentável, que defina de forma participada e transparente os princípios para a alimentação sustentável e os integre de forma sistémica nas políticas de produção, consumo e combate ao desperdício e perdas de alimentos, bem como nas políticas de saúde;
  2. Elaborar a Estratégia Nacional de Promoção do Consumo de Proteínas Vegetais, conforme disposto no PNEC 2030;
  3. Investir na agricultura de baixo impacto, que realiza práticas sustentáveis de uso do solo e da água, com reduzida emissão de gases de efeito de estufa e que beneficia a biodiversidade e que reduz o desperdício agro-alimentar, através de práticas agro-ecológicas;
  4. Promover o uso eficiente e contido da água na agricultura, diversificação e complementaridade entre origens de água nos diversos sistemas de abastecimento, e a regulação do uso de água em todos os sistemas, respeitando sempre os ecossistemas; Promover instrumentos que permitam acabar com a subsidiação pública da água na agricultura de forma a que os agricultores paguem o real custo da água.
  5. Inserir critérios ambientais obrigatórios para as compras públicas de alimentação escolar, garantindo uma alimentação saudável e sustentável nas cantinas, privilegiando cadeias de abastecimento mais sustentáveis e dando escala à implementação da Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas;
Oceanos e Pescas:
  1. Garantir financiamento estrutural que permita o adequado funcionamento dos comités de cogestão das pescarias e a realização de todas as suas funções, de maneira contínua e que dê resposta às singularidades deste modelo de gestão;
  2. Desenvolver de maneira colaborativa e implementar o Plano de Ação Nacional para a Gestão e Conservação de Tubarões e Raias, bem como o Plano de Ação para a Mitigação dos Impactos da Pesca sobre Cetáceos, Aves e Tartarugas;
  3. Criar o Fórum de Carbono Azul em Portugal;
  4. Apoiar a transição para práticas pesqueiras de baixo impacto, direcionando fundos públicos para avaliações que comprovem os impactos das pescarias e eliminando gradualmente os subsídios prejudiciais aos recursos pesqueiros;
  5. Assegurar a implementação eficaz da Diretiva-Quadro da Estratégia Marinha por meio de planos de monitorização assentes na ciência, com financiamento adequado;
  6. Garantir a implementação correta da Política Comum de Pescas, com destaque para o novo Regulamento de Controlo e o Plano de Ação Marinha.
  7. Assegurar a ratificação do Tratado de Alto Mar, para proteção da biodiversidade em áreas para além da jurisdição nacional.
Para além das prioridades temáticas mencionadas, é fundamental assegurar mais espaços formais de participação da sociedade civil no desenvolvimento das políticas públicas, abrangendo todas as suas fases, desde a concepção inicial até a implementação e monitorização. As consultas públicas podem ser agilizadas através da criação de uma plataforma única (semelhante à utilizada pela Comissão Europeia), seguindo enquanto padrão mínimo o disposto na legislação de Avaliação de Impacte Ambiental e garantindo o cumprimento da Convenção de Aarhus sobre o direito à participação. É essencial também salvaguardar e apoiar a ação das organizações da sociedade civil, pela sua importância democrática e papel na defesa da natureza e do bem-estar das pessoas, incluindo através da garantia da continuidade de instrumentos de financiamento centrais, como o programa LIFE.

A C7 considera que estas medidas representam o mínimo necessário para que Portugal possa enfrentar os desafios ambientais globais, cumprir os compromissos internacionais assumidos, e garantir a manutenção dos ecossistemas e a construção de uma sociedade resiliente.

A Coligação C7 é composta pelas seguintes organizações:
FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
LPN – Liga para a Protecção da Natureza
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
WWF Portugal
ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Captura de gases libertados por inaladores exige plantar 1,3 milhões de árvores em Portugal


Um artigo hoje divulgado estima que seria necessário plantar anualmente em Portugal mais de 1,3 milhões de árvores para capturar os gases libertados na atmosfera pelos inaladores pressurizados, usados no tratamento de doenças respiratórias como a asma.

O artigo, com coassinatura do Conselho Português para a Saúde e Ambiente, é divulgado na Acta Médica Portuguesa, publicação da Ordem dos Médicos, e refere que "com o aumento do volume de vendas dos inaladores pressurizados tradicionais", que utilizam gases fluorados com efeito de estufa, responsáveis pelo aquecimento global, "aumenta também o seu impacto ambiental".

Segundo o artigo, que tem como referência dados de 2022, a pegada carbónica dos inaladores pressurizados tradicionais prescritos em Portugal foi estimada em 30.236 toneladas de dióxido de carbono (CO2), o equivalente a cerca de 0,84% das emissões totais do setor da saúde no país e a aproximadamente 95% do total de emissões dos inaladores.

"O impacto carbónico destes dispositivos equivale à pegada de 150 viagens transatlânticas entre Londres e Nova Iorque, e seria necessário plantar anualmente mais de 1,3 milhões de árvores para capturar estes gases da atmosfera", salienta o texto.

Por definição, a pegada carbónica corresponde ao volume total de gases com efeito estufa gerado pelas atividades económicas e quotidianas, sendo expressa em toneladas de CO2 emitidas para a atmosfera.

No artigo, o Conselho Português para a Saúde e Ambiente e várias sociedades médicas listam uma série de recomendações para reduzir o impacto ambiental dos inaladores em Portugal, incluindo a prescrição de inaladores de pó seco, a aplicação de estratégias de incentivo à devolução de dispositivos usados nas farmácias e ao seu reaproveitamento e a introdução nas plataformas de prescrição de um mecanismo de alerta sobre a pegada ecológica de cada inalador, com um sistema de cores.
A lista de recomendações engloba também a promoção da literacia ecológica de doentes e público em geral, a divulgação de boas práticas de sustentabilidade ambiental na saúde e a aplicação de critérios de emissões líquidas de gases com efeito de estufa tendencialmente nulas nas compras, contratações e adjudicações públicas.

Um inquérito realizado para este artigo a 348 médicos revelou que mais de 70% não têm em conta os aspetos ambientais no ato da prescrição de inaladores, embora metade assuma conhecer a pegada ambiental dos dispositivos.

O texto sublinha, a este propósito, que "os profissionais de saúde têm o dever ético de participar ativamente na luta contra as alterações climáticas e a degradação ambiental, e pela redução da pegada ecológica do setor da saúde, não só como cuidadores, mas também como 'defensores' dos doentes".

O artigo teve o contributo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, da Sociedade Portuguesa de Pediatria, da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e da associação de doentes Respira.

Criado em 2022, o Conselho Português para a Saúde e Ambiente é uma organização não-governamental que visa, nomeadamente, "defender a necessidade do setor da saúde de reduzir a sua pegada ecológica".

sábado, 14 de outubro de 2023

Governo lança concurso para 6 centrais de biomassa


O Governo de António Costa aprovou um decreto-lei para a alteração do regime especial e extraordinário relativo à instalação e exploração de novas centrais de valorização de biomassa nos territórios mais vulneráveis ao risco de incêndios rurais, cuja delimitação foi aprovada pela Portaria n.º 301/2020, de 24 de dezembro. O diploma aprovado permite o lançamento de um concurso destinado à atribuição dos títulos de reserva de capacidade para a injeção na rede elétrica de serviço público, no total de 60 MW e com o limite de 10 MW por cada central.
O mapa dos territórios elegíveis pode ser consultado aqui. Fonte.


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A arquitectura paisagística está há 80 anos a pensar o futuro, mas ninguém a ouve

Francisco Caldeira Cabral foi o propulsor da arquitetura paisagista em Portugal

E se as cheias ou os incêndios não fossem uma tragédia anual? O cenário parece de sonho, mas é uma realidade possível aos olhos dos arquitetos paisagistas. Têm na sua génese muito mais do que a estética. Aprendem sobre anatomia, plantas, sociedade, cultura e tanto mais. A disciplina tem cerca de 80 anos de história e 50 de reconhecimento, apresentando soluções para a gestão equilibrada entre o ser humano e a natureza. O que falta para ser escutada?

Não fosse estar em causa o bem-estar (e até a vida) do ser humano e poderíamos considerar a história da arquitetura paisagista um autêntico filme. Um daqueles em que o “bom da fita” nunca é ouvido. Até ser tarde de mais. E, à imagem de muitos filmes, não falta neste um cliché: o do “eu avisei”. A expressão parece ser utilizada pelos arquitetos paisagistas para demonstrar que há algo com que todos se preocupam agora que, para estes profissionais, já é uma “cantiga antiga”. Mas do que se trata? Das alterações climáticas. Ou melhor, de como a atividade do ser humano exacerbou e acelerou alterações climáticas ao ponto de sofrermos atualmente com fenómenos climáticos extremos, diários, em torno de todo o Globo. Mas tudo poderia ser diferente. Como? Já lá vamos.

Primeiro, reforcemos o “eu avisei”. “O fenómeno parece novo. Fala-se em todo o lado. Faz capas de jornais quase todos os dias. Mas, para nós, arquitetos paisagistas, não é novidade nenhuma. Estavam à espera que acontecesse o quê?” Quem o questiona é Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, investigadora, docente e apaixonada por jardins, que realça que não foi apenas um alerta que a profissão deixou à sociedade, tendo também apontado soluções. “Todos os nossos projetos da altura, por volta dos anos 1980, procuravam dar respostas para que situações extremas com que nos deparamos anualmente hoje não ocorressem.”

Fala-se de cheias, incêndios, perda de biodiversidade, recuo da linha de costa, entre tantos outros assuntos que, hoje, são tema recorrente e catalogados como “nova crise”. Aurora Carapinha lamenta que muitos desses projetos inovadores e solucionadores “tenham sido metidos na gaveta”. Problemas que todos os anos são recorrentes poderiam ser mitigados se tivesse havido um trabalho real com a arquitetura paisagista nos últimos anos? “Sem dúvida alguma. E não o digo por arrogância”, remata.

Arquitetura sem teto
E como é que a arquitetura paisagista tem um poder tão grande perante as alterações climáticas e os fenómenos extremos? Porque tem capacidade de prever e gerir mudanças a longo prazo, indica Carapinha. “O Professor Nuno Portas chamava-nos, com muita graça, os arquitetos sem teto. E trabalhar sem teto é o maior desafio que existe, porque é uma arquitetura que está exposta à intempérie, à mudança das estações, à mudança da luminosidade, às diferentes temperaturas. Enquanto na ‘arquitetura com teto’ posso controlar essas variáveis, aqui não.”

E, por isso, o arquiteto paisagista tem de aprender, por exemplo, onde chove, quanto chove, de que forma se comporta e acumula a chuva. Entre outros dados. E, acima de tudo, completa a docente da Universidade de Évora, “o arquiteto paisagista tem de saber como aproveitar essa chuva”. Em suma, além de prever acontecimentos, a disciplina trabalha para que esses acontecimentos sejam aproveitados em benefício do bem-estar humano e do “bem-estar” da natureza. “Eu não trabalho contra a natureza. Trabalho com as dinâmicas dos sistemas naturais. E tenho de ter duas coisas: a ciência para os saber e a arte para os reinventar, criando novos lugares e oportunidades de vida.”

É no balanço entre ciência e arte que se baseia a definição da arquitetura paisagista, que, nas palavras de Caldeira Cabral, figura histórica da profissão, “é a ciência e a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem”. E os equilíbrios parecem ser o ex-líbris. “Equilíbrios que vão além do estético, mas que alcançam dimensões como o equilíbrio económico, ecológico ou social”, afirma Carapinha.

A primazia do económico
Nestes vários equilíbrios, João Ceregeiro, arquiteto paisagista e presidente da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas (APAP), acredita que se encontra a fórmula (ou fórmulas) que poderia solucionar diversos problemas da sociedade. Fórmulas essas que, tal como já frisado por Aurora Carapinha, não são novas para a profissão. “O que hoje se fala de conforto climático, de sequestro de carbono, da economia circular, da economia verde… tudo isso são temas que para os arquitetos paisagistas não são novos, porque estão implícitos na sua própria prática há muitas décadas”, esclarece o dirigente. E, agora, a pergunta de “milhões”.

Porque é que essas tais soluções não foram aplicadas e esses tais alertas escutados? “Porque a prática da arquitetura paisagista não se compagina com aquilo que é a agenda dos decisores políticos e económicos, ela está sistematicamente a ser protelada em função de outras prioridades”, em especial, prioridades economicistas, que não têm uma visão complexa e de longo prazo como a profissão assim exige, denuncia Ceregeiro. Porque construir uma praça viável ou ordenar uma mata ou uma floresta poderá ter um custo no momento presente que só será “devolvido” dali a décadas, e nem sempre se trata de um retorno financeiro – o que parece ser difícil de aceitar para uma sociedade que vive em torno do lucro.

A visão exclusivamente economicista e de prazo limitado é também criticada por Aurora Carapinha. Passemos a um exemplo. E logo dos mais complexos. “O problema dos incêndios é muito mais do que dizermos que há árvores demasiado perto das casas. É uma consequência de anos de desertificação do interior. E se quem vive lá é constantemente colocado à margem da sociedade e vive na pobreza, tem de procurar forma de subsistência, para a qual a solução foi, muitas vezes, a exploração do pinhal. É um rendimento fixo e a curto prazo que, de três em três anos, serve para subsistir a família e para pagar as contas extra. Não podemos simplesmente chegar a um local e arrancar de lá as pessoas ou tirar-lhes a forma de sobrevivência.” Por muito prejudicial que essa forma seja para o ambiente.
Aurora Carapinha considera que o arquiteto paisagista pensa “na complexidade social, económica, cultural, simbólica e ecológica da paisagem”, sendo muito mais do que plantar “a árvore certa”.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Ortadas de freixo, Miranda do Douro


Quando pensamos em métodos de gestão tradicional, temos a tendência para pensar que todas as práticas são eficazes e permitem uma gestão sustentável do meio natural. Nada é mais errado e o mesmo pode ser aplicado às soluções baseada na natureza, um termo muito na moda, mas que é frequentemente pouco entendido. As práticas tradicionais também obedecem ao mesmo paradigma. As ortadas de freixo são um dos métodos de gestão tradicional da paisagem mais comuns no planalto de Miranda. 

Nessa gestão era frequente o corte de ramos de freixo com o objectivo de aproveitar a folhagem para a alimentação dos animais. No entanto, a poda das árvores nem sempre é a melhor e surgem frequentemente problemas de fitossanidade associados, tal como o desenvolvimento de codominâncias, cavidades e ramos epicórmicos de grande dimensão (ramos ladrões). 

Felizmente, é comum estes ramos persistirem durante bastante tempo em freixos com problemas de fitossanidade. Isto deve-se à elevada capacidade da madeira de freixo receber choques repetitivos sem quebrar, daí ser usada para produzir cabos e bastões de futebol. Apesar de a tenacidade não ser referida com uma propriedade da madeira, ao contrário de minerais e metais, é demais conhecido que a madeira de freixo é tenaz, devido à proporcionalidade entre a sua dureza, densidade e elasticidade. 

A tenacidade é um conceito oposto à fragilidade, pois denota a capacidade de um material resistir à aplicação de uma força externa sem quebrar. Mas mesmo a madeira mais resistente tem um limite, e aparecem frequentemente árvores caídas nestes sistemas de gestão tradicional mal geridos e envelhecidos. Afortunadamente para os insectos xilófagos, que assim tem acesso a uma refeição.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Webinar “Queimar árvores. Uma (falsa) solução climática?”


Num cenário de crise climática à qual se junta uma crise energética, a biomassa é uma aposta da UE, alegadamente porque é renovável e neutra em carbono. Mas a queima de árvores para energia prejudica o clima, a biodiversidade e a qualidade do ar, custando milhares de milhões de euros, e ameaça a indústria da madeira que é responsável por produtos de valor acrescentado que permitem o sequestro de carbono a longo prazo.
Se por um lado, é importante reduzir a utilização de combustíveis fósseis, também não deixa de ser verdade que a floresta é um dos principais aliados no combate às alterações climáticas com o sequestro de carbono. Desde 2002, quando a UE promoveu pela primeira vez a queima de madeira para produção de eletricidade “renovável”, perdeu 25% da sua capacidade de sumidouro de carbono.
Quando se fala em floresta, e na sua utilização para produção de energia, são muitas as interrogações e preocupações.

No passado dia 14 de dezembro, entre as 18h00 e as 19h30, no webinar “Queimar árvores. Uma (falsa) solução climática?” discutiu-se a temática, dando a conhecer um pouco do que se passa em Portugal. Como convidados:

Paulo Pimenta de Castro, Acréscimo
(In)sustentabilidade na floresta Portuguesa.

Oliver Munnion, Biofuelwatch
Troncos não são resíduos. Os números não mentem.

Fernanda Gonçalves, Associação de Moradores do Sítio da Gramenesa 
Viver ao lado de uma central de biomassa é um Inferno!

Esta iniciativa foi uma parceria entre a ZERO, a Acréscimo e a Biofuelwatch.

Ambientalistas exigem moratória “imediata” à produção elétrica a partir de biomassa e apontam impactos

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Inverno - A época das podas está a chegar


A época dos atentados ao património está a chegar, num ciclo de negligência anual de destruição. 

Pomposamente se apelidam estes atos de poda, limpeza, operação de segurança, mitigação de riscos e outros adjetivos para justificar os atos de quem não faz a mínima ideia do que é uma árvore nem para o que serve.

Há casos que até vão cortar as setas das árvores, a extremidade mais alta das árvores, algo que nunca se corta, pois destrói logo a silhueta natural da árvore.

Como reagiríamos se fizéssemos também o mesmo ao património cultural?


Podar no inverno: saiba como fazer, quando e o que podar 

O Inverno é a época do ano onde se realizam a maior parte das podas das árvores e outro tipo de plantas. É quase de facto imperativo que chegando esta estação do ano, é importante podar para garantir que as plantas fiquem assim prontas para a próxima estação, a Primavera.

Neste artigo, vai aprender algumas informações sobre como podar, qual a altura certa e quais as principais técnicas de poda que deve ter em conta.

segunda-feira, 21 de março de 2022

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Planta ávores (nativas, de preferência)


Se o calor te incomoda, planta uma árvore. Se a chuva te incomoda, planta uma árvore. Se gostas de fruta, planta uma árvore. Se gostas de pássaros, planta uma árvore. E se gostas da Vida, planta muitas Árvores. Por favor planta Árvores… (e não as cortes! - isto já sou eu a dizer…)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Arvoredo Urbano e Podas Radicais - Lei 59/2021 de 18 de Agosto: Uma inutilidade jurídica

Por Rui AmoresJan 30

Lei 59/2021 de 18 de Agosto

Portugal é pródigo em discussões inúteis, em não dar valor ao essencial e em valorizar o acessório. Também é pródigo em legislação mal feita, inútil e cínica, na exacta medida dos buracos que contém que servem todos aqueles que por eles se querem escapar.

A muito recente Lei 59/2021 de 18 de Agosto é um exemplo claríssimo de inutilidade jurídica, com uma pitada (grande) de cinismo.

Vamos ver onde acho encontrar-se a inutilidade e onde acho encontrar-se o cinismo. Desde logo e a bem da justiça, devo dizer que a intenção é boa. Num país em que a destruição de árvores é desporto nacional, faltava uma lei que enquadrasse a questão. Não devia ser necessário, bastando o bom senso e algum conhecimento técnico de como se fazem podas e de como as árvores são construções naturais, do melhor que há para, por exemplo baixar a temperatura das cidades, reter carbono, contribuir para a riqueza da paisagem, dar abrigo a outras espécies, ajudar à retenção de água…. etc…etc… Mas apesar de todas estas evidências, ainda assim temos que legislar sobre o óbvio. É o mundo em que vivemos.

Mas, dando de barato que se deve legislar sobre o óbvio, ainda assim, convinha que fosse uma legislação com um mínimo de eficácia e da qual se pudesse retirar algo de prático para o imediato. Sim, porque é no imediato que o problema se colocar, é no imediato que árvores estão a ser diariamente mutiladas à conta da ignorância dos (i)responsáveis camarários, é no imediato que se abatem árvores para dar lugar ao betão.

Lamento (ou não) dizer que desta Lei, tal como está redigida, não sai nada que possa ajudar as nossas árvores, pelo menos em tempo útil; nada sai de útil para evitar que sejam mutiladas e destruídas, arrancadas.

Vejamos a Lei:

Guia de boas práticas (artigo 6.º)

Só o nome causa calafrios. Quando não se quer fazer nada, faz-se um guia; quando não se quer legislar de forma efectiva, faz-se um guia e não um Código. 6 meses para o Governo elaborar este guia. Entretanto …

Regulamento municipal de gestão do arvoredo urbano (artigo 7.º, 8.º e 9.º )

A ser elaborado pelas Câmaras Municipais no prazo de um ano após a entrada em vigor do diploma. Mesmo sendo de 1 ano, quase de certeza que ele não será cumprido. Haverá coisas mais importantes na vida dos municípios…

Depois há o cinismo com que as Câmaras vão encarar este guia. Vão ver que enquanto o Governo não coloca cá fora o tal guia de boas práticas, os municípios ficam legitimados a fazer NADA.

Inventário municipal do arvoredo em meio urbano.

O mesmo do ponto anterior mas, desta feita, a ser feito em 2 anos. Mais uma forma de protelar quase ad aeternum O que pode, eventualmente, ter aplicação imediata são os artigos 15.º, 16.º e 17.º da dita lei. Em princípio e sem depender sequer de regulamentação – assim espero – a preservação do arvoredo face a uma operação urbanística, ou a justificação fundamentada para a sua não manutenção ou a aplicação de medidas de compensação, estão asseguradas para projectos posteriores à entrada em vigor deste diploma. No entanto, como eu sou um pessimista julgo que o que vai acontecer é estas normas apenas serem aplicadas quando existir o tal regulamento municipal. Se repararem no n.º 4 do artigo 16.º remete-se para o tal regulamento municipal, recorde-se, a ser feito no prazo de 1 ano.

Portanto, como está e para aquilo que seria necessário, ou seja, uma intervenção imediata em muitas situações que destruição de arvoredo em espaço urbano, a lei é de uma inutilidade absoluta.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Algumas informações que podem ajudar a esclarecer sobre as podas das árvores.

Poda severa na Graça (Público)

1. A poda drástica rejuvenesce a árvore?- NÃO! São as folhas a "fábrica" que produz o alimento da árvore. Uma poda que remova mais do que um terço dos ramos da árvore – e as "podas" radicais removem a copa na totalidade! - interfere muito com a sua capacidade de se auto-alimentar, destruindo o equilíbrio copa/tronco/raízes. O facto de, após uma operação traumática, as árvores apresentarem uma rebentação intensa – como tentativa "desesperada" de repor a copa inicial – não significa rejuvenescimento, mas sim um "canto-de-cisne", à custa da delapidação das suas reservas energéticas.

2. Fortalece-a? - NÃO! A poda radical é um acto traumatizante e debilitante, uma porta aberta às enfermidades. A copa das árvores funciona como um todo, sendo os ramos exteriores um escudo para os mais internos, evitando queimaduras solares. Se, subitamente, se alterar este equilíbrio, e todos os ramos ficarem expostos às condições climatéricas de forma igual, a árvore fica sem defesas. Para além disso, as pernadas duma árvore massacrada têm, pelo seu grande diâmetro, dificuldade em formar calo de "cicatrização". Os cortes nestas condições são muito vulneráveis a ataques de insectos e fungos que causam podridões.

3. Torna-a menos perigosa? -NÃO! Estas "podas" induzem a formação, nos bordos das zonas de corte, de rebentos de grande fragilidade mecânica, pois têm uma inserção anormal e superficial no tronco. Como se desenvolvem, ao longo dos anos, podridões junto às zonas de corte, esta ligação fica ainda mais fraca, tornando estes ramos instáveis e potencialmente perigosos a longo prazo.

4. É a única forma de a controlar em altura? - NÃO! A quebra da hierarquia – que estava estabelecida entre os ramos naturalmente formados – permite o desenvolvimento de novos ramos de forte crescimento vertical, mas agora de uma forma desorganizada e muito mais densa! Não se resolve, assim, o motivo porque geralmente se recorre a esta supressão da copa, pois em alguns anos a árvore retoma a altura que tinha, sem nunca mais voltar a ter a beleza e naturalidade características da espécie...

5. É mais barata? - NÃO, se a gestão do património arbóreo for pensada a médio e longo prazo! Aparentemente parece ser mais económico recorrer-se a uma rolagem única do que fazer pequenas intervenções anuais e utilizar os princípios correctos de poda e corte, investindo na formação do pessoal ou recorrendo a profissionais especializados nas situações mais complexas. No entanto, esta economia é de curto prazo, pois, se por um lado as árvores se desvalorizam a todos os níveis, por outro lado está-se a onerar o futuro, que terá que “remediar” uma decrepitude precoce ou resolver a instabilidade mecânica dos rebentos formados após os cortes. E a redução drástica da esperança de vida das árvores implementa custos acrescidos para sua remoção e substituição...
Autoria do Dr. Francisco Coimbra (ex- Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Arboricultura(SPA), e Consultor em Arboricultura Ornamental).

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Sobre o Arvoredo Urbano

Actualização: em 18 de Agosto de 2021 foi publicado o Regime jurídico de gestão do arvoredo urbano


A PSP e a GNR vão poder multar municípios e particulares que façam podas radicais ou abates de árvores sem justificação e contra as regras inscritas nos regulamentos municipais de arvoredo urbano, que passarão a ter de existir dentro de um ano, prevê o novo Regime Jurídico do Arvoredo Urbano, aprovado recentemente pelo Parlamento. O Governo tem agora meio ano para aprovar um guia de boas práticas, que será elaborado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas com apoio de entidades ligadas à gestão do arvoredo e em articulação com as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais. Este guia é crucial para ajudar os municípios a elaborarem, posteriormente, até de hoje a um ano, os seus regulamentos municipais de gestão do arvoredo urbano, com uma lista e planta de localização das árvores classificadas de interesse público e de interesse municipal existentes no seu território; a sua estratégia municipal para o arvoredo urbano; a identificação dos ciclos de manutenção e as normas técnicas para a implantação e manutenção de árvores. Este documento terá de passar pela votação nas assembleias municipais. O processo será, pelo meio, submetido ainda a consulta pública, com um mínimo de 30 dias. Cada município terá de, dentro de dois anos, criar e organizar um Inventário do Arvoredo em Meio Urbano.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Arvoredo Público

Actualização: em 18 de Agosto de 2021 foi publicado o Regime jurídico de gestão do arvoredo urbano


Talvez por erro meu de perspectiva, talvez por azar, talvez por o meu gosto pelas árvores me tornar demasiado susceptível aos danos que se lhes causa, talvez por o meu ofício enviesar a minha percepção delas, sinto um grande abalo ao vê-las serem abatidas ou mutiladas sem razão atendível.
Compreendo sem rebuço o corte raso de plantações destinadas à produção de madeira, quando as plantas atingem a maturidade e o volume lenhoso era o pretendido. A sociedade precisa de madeira, de papel e de lenha.
Entendo a necessidade de se podarem árvores de fruto, com método cientificamente comprovado, de modo a aumentar a quantidade e a qualidade da colheita. Idem para certas árvores em exploração silvícola, quando se pretende minimizar o número de nós na madeira ou aprumar o fuste.
Percebo a inevitabilidade de se talharem alguns ramos ou pernadas quando se der o caso estarem doentes, atacados por uma praga, ou mortos e em risco de queda, seja em árvores agrícolas, silvícolas ou ornamentais.
Reconheço a vantagem de se fazerem algumas intervenções quase cirúrgicas, discretas e cuidadosas, nas árvores ornamentais de modo a melhorar a sua estética e os ângulos de visão ao seu redor.
Dou como certa a conveniência de desbastar e desramar certas matas, de modo a reduzir o perigo e o risco de incêndio.
Infelizmente, vejo o contrário disto acontecer um pouco por todo o país: deparo-me com incontáveis abates e mutilações (não encontro melhor termo) de árvores em espaço público, sem que se vislumbre qualquer justificação técnica, económica ou estética.
Nas nossas ruas, praças e parques, inúmeras autarquias abatem as árvores de alinhamento ao mínimo pretexto, sem nunca cuidarem de replantar novos exemplares. As que restam de pé são anualmente estropiadas por alegadamente necessitarem de ser podadas, mesmo sendo evidente que nem essa operação é necessária, nem o resultado é outro senão o desperdício de dinheiros públicos e a vandalização de património público.
Porque de património público se trata. Uma árvore de arruamento é um bem pertencente à Administração Pública. Observar funcionários públicos mutilarem ou abaterem árvores públicas sem justificação é tão perturbador quanto seria vê-los a usar o dinheiro dos contribuintes para destruir património desses mesmos contribuintes.
Tenho visto árvores públicas, algumas delas centenárias, serem abatidas por "as suas raízes levantarem a calçada" (como se não fosse mais sensato alargar a caldeira e subir o pavimento). Outras são abatidas por "largarem folhas sobre os telhados"; ainda outras por "lançarem sombra". E sob estes pretextos absurdos vão sendo perdidas árvores plantadas pelas gerações dos nossos avós e bisavós, quando ainda não havia uma Lei de Bases do Ambiente mas em contrapartida o senso comum sabia dar valor ao arvoredo urbano.
Pouco a pouco, naqueles municípios onde os autarcas negligenciam o arvoredo público o usufruto de um espaço arborizado se vai tornando privilégio possível apenas em prédios privados. Chegará o dia em que quem quiser sentar-se à sombra de uma árvore na cidade terá de plantar uma na varanda, como se pode apreciar neste edifício milanês.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Como proceder em caso de abate de árvores na sua rua, praça ou jardim

Fonte: aqui

Segundo o Despacho 60/P/2012 "o abate de árvores SÓ pode resultar de necessidade fitossanitária ou risco grave para a segurança por falta de resistência mecânica, determinadas por técnico competente, ou excepcionalmente, mediante autorização do Presidente da Câmara".

1. As árvores não podem ser abatidas sem relatório fitossanitário e sem aviso prévio aos moradores da zona com, pelo menos, duas semanas de antecedência. Qualquer abate conduzido sem estes dois procedimentos, é ILEGAL. Por isso, primeiramente, verifique a existência efectiva de:

a) Aviso prévio na(s) árvore(s) em causa ou nas caixas do correio da vizinhança;

b) Relatórios fitossanitários, que são públicos e, portanto, de livre-acesso. Esses relatórios estão, normalmente, no site da Câmara Municipal (CM) e/ou nas instalações da Junta de Freguesia (JF) da zona, que deverá dar acesso, sem restrições, aos mesmos ou colocá-los em lugar visível (em placards nas instalações da JF e/ou no seu próprio site).

2. Quem contactar para saber mais informações, denunciar uma situação irregular ou ilegal ou mesmo questionar sobre a justeza e necessidade de um abate legal? Conforme o caso e as circunstâncias, poderá e deverá contactar:

a) A Junta de Freguesia da zona;

b) O Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes

d) Pode ainda participar da situação através do número 808 20 32 32 .

3. Em caso de não resposta destas entidades e/ou atempadamente, resultando em prejuízo das árvores, sobretudo se não tiverem sido respeitados os procedimentos de aviso prévio e de relatórios fitossanitários, poderá apresentar a sua queixa junto do Provedor de Justiça (provedor@provedor-jus.pt), para que actue em conformidade. 

4. Mobilização no local dos abates é crucial. Os casos de sucesso de salvaguarda de árvores condenadas - inclusive daqueles casos que cumprem a lei mas que dela fazem mau uso, sendo claramente abusivos e desnecessários - devem-se sobretudo à mobilização dos moradores e cidadãos (às vezes basta a indignação de uma só pessoa!). Cidadãos que, chamando a atenção para a sua ligação afectiva com determinadas árvores, a sua história e a sua importância no quotidiano de certa rua, certo largo, certo jardim, conseguem fazer-se ouvir junto da CM. 

A Plataforma em Defesa das Árvores apoia, na medida das suas capacidades, a mobilização de qualquer cidadão ou conjunto de cidadãos na salvaguarda do património arbóreo de todos. Pode contactar-nos através do e-mail: emdefesadasarvores@gmail.com.

Consulte também o Regulamento Municipal do Arvoredo: https://dre.pt/home/-/dre/114290144/details/maximized