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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Presidente do Botsuana ameaça enviar 20.000 elefantes para a Alemanha


O Presidente do Botsuana ameaçou ontem a Alemanha com o envio de 20.000 elefantes, devido às críticas de Berlim à caça de paquidermes e à exportação de troféus, que o país utiliza para regular o número de animais.

Os alemães devem “viver com os animais que nos tentam ditar”, afirmou o Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, em declarações ao diário alemão Bild, hoje publicadas.

“Não se trata de uma brincadeira”, esclareceu em relação à sua proposta de transferir 20.000 paquidermes para a nação europeia, acrescentando que “não aceitaria um não como resposta” a este “presente”.

O Botsuana, um país sem litoral na África Austral, alberga a maior população de elefantes do mundo, com cerca de 130.000 exemplares, com os quais é muitas vezes difícil coabitar, segundo o Presidente, que referiu os ataques a seres humanos, aldeias e culturas.

As críticas do Ministério do Ambiente alemão, que é dirigido por ambientalistas, têm sido dirigidas aos troféus de caça de elefantes comprados por clientes ocidentais abastados.

No início deste ano, o Ministério levantou a possibilidade de impor limites mais rigorosos à importação destes troféus devido aos problemas de caça furtiva.

“No seio da União Europeia (UE), estamos a discutir a possibilidade de alargar a exigência de autorização de importação (…) a outros troféus de caça de animais protegidos”, disse hoje uma porta-voz do Ministério à agência noticiosa France Presse (AFP).

A Alemanha é um dos maiores importadores de troféus de caça da UE, pelo que tem “uma responsabilidade especial” nesta matéria, acrescentou a porta-voz.

Quanto ao “presente” anunciado por Masisi, o Ministério do Ambiente alemão disse que “o Botsuana ainda não entrou em contacto” sobre o assunto.

Em 2019, o Botsuana levantou uma proibição total da caça, introduzida cinco anos antes para inverter o declínio das populações de elefantes e outras espécies.

Desde então, o Botsuana tem decidido todos os anos uma quota de animais que podem ser caçados, sendo a caça comercial também uma importante fonte de receitas locais.

O levantamento da proibição mereceu as críticas dos conservacionistas.

No ano passado, o país ofereceu 8.000 elefantes a Angola.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Os 10 abusos escondidos contra as comunidades tribais


Young girl of the Kayapo tribe
Todos os dias são Dia dos Direitos Humanos.

Para justificar que, apesar da declaração de 1948, há ainda muito por lutar, a Survival International elaborou a lista dos 10 abusos escondidos contra as comunidades tribais, durante estas seis décadas. Muitos deles, aliás, continuam a ocorrer longe dos olhos das populações e governantes. Veja a lista: 

1. Os aborígenes australianos apenas conseguiram o direito de voto em 1965. E passaram a ser incluídos nos censos nacionais apenas em 1967.

2. Em 2010, os turistas do Botswana relaxavam calmamente junto à piscina, no meio do deserto Kalahari, enquanto às tribos Bushmen era recusado o acesso a água, apesar dos seus direitos históricos. Muitos destes Bushmen morreram à sede.

3. Os pigmeus Batwa, do Uganda, nunca foram caçadores de gorilas. Mas foram expulsos da sua floresta em 1991, supostamente para proteger estes primatas. Hoje, continuam a ter o estatuto de refugiados.

4. O corpo embalsamado de um Bushman, conhecido como El Negro de Banyoles, foi mostrado num museu espanhol (a Survival International não avança qual) até 1991. Depois de vários protestos, ele foi finalmente enterrado no Botswana, em 2000.

5. As doenças e massacres mataram um em cada cinco Yanomani, no Brasil, durante os anos 80, até que a pressão internacional levou o País a expulsar os mineiros.

6. Nos chamados Safaris Humanos, os turistas tratam os Jarawa, na Índia, como animais, atirando-lhes comida.

7. Vários rancheiros brasileiros impedem, consecutivamente, os Guarani de regressar às suas terras.

8. O Potlatch, um ritual de renúncia de bens materiais – e respectiva oferta a familiares e amigos – foi proibido nos Estados Unidos e Canadá em 1884, por ser contrário aos “valores civilizacionais”. Foi reinstituído em 1951.

9. Durante a era de Estaline, os shamans siberianos foram perseguidos. Muitos pensam que terão todos desaparecido nos anos 80.

10. As crianças de algumas tribos aborígenes australianas, como as Torres Strait Islander, foram várias vezes retiradas das suas famílias, até perto dos anos 70.
Tradução por GreenSavers