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sábado, 4 de julho de 2026

A Filantropia enganadora e porque é importante taxar os bilionários

Durante anos venderam a ideia de que a luta de classes era uma invenção da esquerda. Conversa de comunistas. Teorias de ressabiados. Inveja de quem teve sucesso. Uma fantasia repetida sempre que alguém ousava falar de desigualdade ou da concentração da riqueza.
Depois aparece Warren Buffett. Sim, Warren Buffett. Esse conhecido marxista. Admirador de Che Guevara. Frequentador assíduo da Festa do Avante. Praticamente um bolchevique de Wall Street.
E diz isto:
De repente, a teoria da conspiração da esquerda passou a ser uma confissão de um dos homens mais ricos do planeta. Buffett não disse que a luta de classes existiu. Disse que existe. Não disse que a sua classe ganhou. Disse que está a ganhar. [New York Times, 2006]
Durante décadas, convenceram milhões de pessoas de que falar em luta de classes era coisa de comunistas, sindicalistas e ressabiados. Entretanto, a guerra continuou a ser travada. E, segundo um dos seus principais protagonistas, está a correr bastante bem para um dos lados.

"Regra Buffett" nunca chegou a ser implementada.
Apesar de ter tido uma enorme tração mediática e o apoio explícito do então presidente Barack Obama, a proposta falhou o seu caminho legislativo no Congresso dos Estados Unidos.

Em 2012, o projeto de lei (batizado formalmente como Paying a Fair Share Act) foi levado a votação no Senado norte-americano. Embora tenha conseguido uma maioria simples de votos a favor (51 contra 45), a proposta foi travada pela oposição do Partido Republicano através de uma manobra de bloqueio parlamentar (o chamado filibuster), que exigia uma maioria qualificada de 60 votos para que o debate e a votação final pudessem avançar.

Os opositores da medida argumentaram na altura que aumentar os impostos sobre os mais ricos equivalia a uma "guerra de classes" e que a introdução desta taxa iria prejudicar o investimento privado, travar a criação de emprego e desacelerar a economia.

Assim, o sistema fiscal norte-americano manteve-se estruturalmente idêntico no que toca à proteção dos rendimentos de capital. Até hoje, os ganhos derivados de investimentos financeiros e ações continuam a ser taxados a taxas significativamente mais baixas do que os salários do trabalho, permitindo que a assimetria denunciada por Warren Buffett continue a ser uma realidade.

O outro lado da Filantropia
A generosidade proclamada pelos super-ricos através de iniciativas como o The Giving Pledge costuma recolher aplausos unânimes, mas, quando se vira a moeda, a filantropia dos multimilionários revela uma face muito mais cinzenta e amplamente criticada por economistas e sociólogos. Longe de ser um ato puramente altruísta, a transferência de fortunas para fundações privadas funciona, em grande parte, como um mecanismo altamente eficaz de evasão ou otimização fiscal. Ao canalizarem o seu dinheiro para estas estruturas, os bilionários obtêm deduções de impostos massivas, o que significa que o Estado — e, por arrastamento, os cidadãos comuns — deixa de arrecadar receitas que poderiam ser aplicadas em serviços públicos essenciais, como o SNS, a escola pública ou as infraestruturas.

Além da questão financeira, há um profundo défice democrático neste modelo. Quando a riqueza é transferida para fundações geridas pelos próprios magnatas ou pelas suas famílias, o poder de decisão sobre o que é prioritário para a sociedade passa das mãos de governos eleitos para as mãos de elites privadas. São os multimilionários que passam a ditar, segundo as suas convicções pessoais ou interesses de mercado, se o dinheiro deve ir para a cura de uma doença específica, para a exploração espacial ou para reformas educativas que nem sempre são testadas ou validadas. Este fenómeno cria uma espécie de plutocracia disfarçada de caridade, onde o destino do bem-estar social fica sujeito aos caprichos de um punhado de indivíduos que não respondem perante nenhum eleitorado. Ler como os ricos se tornaram mesquinhos

Por fim, não se pode ignorar o tremendo ganho de reputação e a lavagem de imagem, muitas vezes apelidada de philanthro-washing. Muitas destas fortunas colossais foram erguidas com base em práticas laborais controversas, salários baixos, lóbis políticos para travar direitos sociais ou modelos de negócio que aceleraram a crise climática. Ao doarem uma percentagem vistosa do que acumularam, estes empresários conseguem desviar as atenções do escrutínio público e das críticas à forma como geraram a sua riqueza, transformando-se de predadores económicos em benfeitores da humanidade, enquanto mantêm intacto o sistema económico que perpetua as desigualdades que eles próprios dizem combater.

A forma mais democrática é exigir regulação e taxação dos bilionários. 
A exigência de uma maior taxação sobre os bilionários tem deixado de ser um debate puramente académico para se tornar uma pressão política concreta, movida pela necessidade de corrigir o que muitos consideram ser uma falha estrutural do capitalismo moderno. A estratégia para viabilizar esta mudança assenta, primordialmente, na cooperação internacional, dado que os super-ricos operam numa economia globalizada que lhes permite deslocar o património para jurisdições com tributação mais favorável. Projetos como a proposta de um imposto global sobre a riqueza, que visa estabelecer uma taxa mínima anual sobre as maiores fortunas, são fundamentais para evitar a concorrência fiscal entre Estados e impedir a existência de paraísos fiscais que servem de refúgio ao capital.
A nível nacional, a luta pela justiça fiscal passa por reformas legislativas que alterem a forma como a riqueza é tributada, centrando-se na taxação de mais-valias não realizadas - o património latente que cresce sem ser tributado enquanto não é vendido - e no encerramento de lacunas que permitem aos multimilionários viver através de empréstimos garantidos pelas suas próprias ações, escapando assim ao imposto sobre o rendimento das pessoas singulares. Paralelamente, o reforço dos impostos sobre heranças é defendido como uma medida essencial para prevenir a cristalização de dinastias financeiras que exercem um poder desproporcional sobre a democracia. 
Esta causa tem vindo a ganhar força através da pressão cívica, com movimentos de cidadãos e até de investidores consciencializados a sublinharem que a filantropia voluntária é um paliativo insuficiente perante a necessidade urgente de um sistema redistributivo robusto, transparente e democrático, que reponha o equilíbrio entre a acumulação de capital privado e o financiamento dos bens e serviços públicos que sustentam a coesão social.

Saber mais:

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O legado ambiental de Ted Turner


Ted Turner é frequentemente recordado como o magnata da comunicação que fundou a CNN, mas o seu impacto mais duradouro reside na escala colossal da sua filantropia e conservação ambiental. Ele não se limitou a doar dinheiro; transformou a forma como os grandes detentores de capital (bilionários) encaram a responsabilidade ecológica, integrando a preservação da natureza na gestão de grandes ativos.
Um dos pilares centrais do seu legado foi a histórica promessa, em 1997, de doar mil milhões de dólares para criar a Fundação das Nações Unidas. Esta iniciativa foi pioneira ao direcionar recursos privados para causas globais, com um foco acentuado na mitigação das alterações climáticas, na promoção de energias limpas e na proteção da biodiversidade, forçando a filantropia internacional a pensar de forma sistémica e transfronteiriça.
No terreno, Turner utilizou a sua vasta propriedade de terras — chegou a ser o maior latifundiário privado dos Estados Unidos — para implementar o que designou como "capitalismo sustentável". O exemplo mais emblemático deste esforço é a recuperação do bisão americano. Através das suas herdades, Turner geriu o maior rebanho privado do mundo, retirando a espécie do limiar da extinção e restaurando o equilíbrio ecológico das Grandes Planícies. Através do Turner Endangered Species Fund, financiou também a reintrodução de predadores e espécies nativas, provando que a exploração económica da terra pode coexistir com a conservação rigorosa.
Além da ação direta, Turner compreendeu o poder da narrativa. Ao co-criar a série de animação Capitão Planeta, educou uma geração sobre a importância da ecologia. Utilizou ainda o seu império mediático para dar palco a documentários e debates ambientais numa época em que o tema era ignorado pelo grande público. Para Ted Turner, a proteção do meio ambiente sempre esteve ligada à segurança global, levando-o a investir também no desarmamento nuclear como forma de prevenir o desastre ecológico definitivo. O seu legado é o de um visionário que transformou a figura do empresário na de um guardião do ecossistema.

sábado, 21 de março de 2026

O bom exemplo do bilionário Tim Sweeney, que trocou os iates pela Floresta


Tim Sweeney - O exemplo raro de Capitalismo de Conservação  

Enquanto a maioria dos bilionários gasta fortunas em iates de luxo, ilhas privadas ou na corrida ao espaço, Tim Sweeney, o CEO da Epic Games (criador do Fortnite e do Unreal Engine), está a trilhar um caminho solitário e admirável: a proteção permanente da biodiversidade.

Sweeney tem investido silenciosamente centenas de milhões de dólares na compra de vastas áreas de floresta na Carolina do Norte. O seu objetivo? Impedir o betão. Ao contrário de outros investidores, Sweeney utiliza mecanismos legais conhecidos como conservation easements (servidões de conservação) para garantir que estas terras nunca sejam alvo de construção ou exploração madeireira, protegendo-as para as gerações vindouras.

O que torna esta estratégia única?
Proteção contra infraestruturas: em 2016, Sweeney comprou a área de Box Creek Wilderness (cerca de 2.800 hectares) apenas para impedir que uma empresa de energia passasse uma linha de alta tensão através de um ecossistema sensível.

Doação histórica: em 2021, realizou uma das maiores doações de terra privada na história dos EUA, transferindo cerca de 3.000 hectares em Roan Highlands para uma organização de conservação, garantindo que o público possa usufruir da natureza intocada.

Filantropia de legado: com mais de 20.000 hectares já protegidos sob a sua influência direta, Sweeney é hoje um dos maiores conservacionistas privados do mundo.

Numa era em que o impacto ambiental é tantas vezes ignorado pelo lucro imediato, Sweeney demonstra que o verdadeiro poder da tecnologia pode — e deve — ser usado para salvar o mundo biológico. Como ele próprio afirmou, a terra protegida durará muito mais do que qualquer código de programação.

Fontes e leitura adicional (em inglês):

quarta-feira, 11 de março de 2026

MacKenzie Scott gave away more than $7 billion last year—but her secretive style got her snubbed from a top donors list


Thanks to multiple historic donations last year and an eye-popping volume of philanthropic gifts, MacKenzie Scott has etched her way to becoming one of the world’s most generous philanthropists.

But the Chronicle of Philanthropy doesn’t see it that way.

Although Scott donated more than $7 billion to more than 120 organizations last year through her philanthropic organization, Yield Giving, the Chronicle didn’t recognize her on its list of the top 50 donors this year.

Scott’s donations in 2025 alone eclipsed that of her ex-husband Jeff Bezos’ lifetime giving, but the billionaire philanthropist’s playbook got in the way of her being recognized on the list. Scott is notoriously secretive and under-the-radar with her donations, never seeking press coverage for her gifts and rarely offering insights into the donations she’s made. 

“MacKenzie Scott is among the notable absences on the Philanthropy 50 list,” according to the Chronicle. “While it is possible she made gifts to her donor-advised funds that would have earned her a spot on the Philanthropy 50, she and her representatives declined to provide such information to the Chronicle.”

It’s essentially impossible to contact Yield Giving (Fortune has tried and failed innumerable times to receive more information about donations she’s made in the past). So, confirming donations for a list like the Chronicle compiles wasn’t possible. Still, Scott has appeared on other generous donor lists, including Forbes, which recognized her for the speed at which she gives and the amount of her net worth she’s donated (at least 40%).

Since 2020, Scott has donated $26 billion, while Forbes currently estimates that Bezos and his wife, Lauren Sánchez Bezos, have given about $4.7 billion to charity over their lifetimes. That’s just about one-fifth of what Scott has donated since her 2019 divorce from Bezos, when she received about 4% of Amazon stock, amounting to roughly $36 billion to $38 billion at the time. Scott’s net worth (currently $38.9 billion) continues to be buoyed by the ever-increasing upward trajectory of Amazon shares, though.

“Scott awarded grants totaling about $7 billion to at least 120 charities last year through her Yield Giving fund, but she continues to decline to provide details about how much money she is funneling into the grant maker,” the Chronicle continued.

Scott has donated 40% of her net worth, while Bezos has donated less than 2% of his.

Still, critics find the Chronicle’s exclusion bizarre.
“I find it odd that MacKenzie Scott isn’t on this list,” Hans Peter Schmitz, the Bob and Carol Mattocks distinguished professor in nonprofit leadership at North Carolina State University, told The Conversation. “She says she gave $7.1 billion in 2025. If she had met the Chronicle of Philanthropy’s criteria, that would have landed her in first place by far.”

Schmitz recognizes, though, the Chronicle’s methodology knocked Scott from the list since she’s “never provided sufficient information about her generosity since becoming a major donor on her own, following her 2019 divorce from Amazon founder Jeff Bezos.”

“And that leaves her off the list year after year,” Schmitz said.

How MacKenzie Scott makes donations
Scott can be considered one of the most generous philanthropists in the world, but she’s also the most mysterious—so much so, some donors have even thought donation emails were spam. That has to do with the fact that Yield Giving typically contacts organizations to offer a donation rather than the other way around. Still, her process for sussing out organizations is extensive, sources have told Fortune.

The hallmark of Scott’s giving style is making unrestricted gifts, meaning organizations can use the donations however they choose. That comes after a thorough due diligence process, though, Anne Marie Dougherty, CEO of the Bob Woodruff Foundation, told Fortune. Scott donated $15 million to the veteran-focused nonprofit organization in 2022 and made a subsequent $20 million donation in fall 2025. The $15 million gift was the largest in history at the organization, which was founded in 2006—the same year military reporter Bob Woodruff was severely injured by a roadside bomb in Iraq.

The due diligence process for Scott included sharing information such as the organization’s strategic plan, audited financials, business plans, organization chart, and grant-making process, Dougherty said. But after the donation was made, Yield Giving was very hands-off, she added.

“Unlike traditional funding processes that often involve lengthy applications, specific restrictions, and reporting requirements, her style empowers organizations like ours to determine how best to direct funds quickly and innovatively to address pressing issues,” Noni Ramos, CEO of Housing Trust Silicon Valley, told Fortune in late 2024, when her organization received a $30 million gift from Scott.

The fact that Scott doesn’t make a big to-do about her donations and largely allows organizations to use gifts however they see fit goes back to her overall philanthropic philosophy: She’s just one cog of a generosity wheel, and works to inspire others as others have inspired her.

“[The] dollar total [I’ve donated] will likely be reported in the news, but any dollar amount is a vanishingly tiny fraction of the personal expressions of care being shared into communities this year,” Scott wrote in a December 2025 essay. “It is these ripple effects that make imagining the power of any of our own acts of kindness impossible.”

Indeed, every time she’s made a donation, she’s thought about the generosity from others she’s experienced in her life, including free dental work from a local dentist in college when she was using denture glue to get by—and her college roommate who loaned her $1,000 so she wouldn’t have to drop out during her sophomore year at Princeton University.

“The potential of peaceful, non-transactional contribution has long been underestimated, often on the basis that it is not financially self-sustaining, or that some of its benefits are hard to track,” Scott wrote. “But what if these imagined liabilities are actually assets?”At the Fortune Workplace Innovation Summit, Fortune 500 leaders will convene to explore the defining questions shaping the workforce of the future—delivering bold ideas, powerful connections, and actionable insights for building resilient organizations for the decade ahead.


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segunda-feira, 31 de março de 2025

Peritos internacionais pedem moratória de 10 a 15 anos para mineração em mar profundo


Um grupo de especialistas mandatado pelo Presidente francês recomenda uma moratória de 10 a 15 anos para a exploração dos fundos marinhos, alertando que a incerteza sobre a mineração do mar profundo pode pôr em risco o planeta.

“Não é por ser um ecossistema remoto que [o fundo do oceano] não tem relação com o resto da Terra. Por isso concluímos por um princípio de precaução e recomendamos uma moratória de 10 a 15 anos como a única maneira de posteriormente tomar decisões informadas com base no conhecimento científico”, disse hoje o coordenador do grupo de trabalho.

Bruno David, ex-presidente do Museu Nacional de História Natural em França, apresentava as conclusões do trabalho que coordenou, a pedido do Presidente Emmanuel Macron, durante a iniciativa SOS Oceano, a decorrer em Paris até segunda-feira.

A comissão científica, co-coordenada pelo ex-ministro português Ricardo Serrão Santos, incluiu 18 membros de 15 países, de áreas científicas como história natural, geologia ou ciências naturais, mas também das ciências humanas.

Ao longo de oito meses, o grupo estudou o potencial da exploração dos fundos marinhos tendo em conta a necessidade de recorrer à extração mineral para promover a transição energética, como forma de combater as alterações climáticas.

“Estamos a tentar resolver um problema que conhecemos bem, as alterações climáticas, mas talvez estejamos a saltar para outro problema, que é a exploração do fundo do mar, (…) e talvez o segundo problema possa ser pior do que o primeiro”, disse Bruno David perante dezenas de personalidades ligadas ao oceano, incluindo cientistas, decisores políticos e ambientalistas.

A Comissão analisou questões económicas, relacionadas com a biodiversidade, com os equilíbrios bioquímicos do planeta, questões sociológicas, relacionadas com a lei internacional e com a redistribuição equitativa de benefícios.

“Todas essas questões têm de ser cuidadosamente consideradas no contexto da exploração dos recursos do mar profundo, porque até agora só temos exploração científica e não exploração económica”, afirmou.

A conclusão dos peritos é que “as incertezas sobre os potenciais efeitos colaterais da mineração em águas profundas podem levar-nos a territórios desconhecidos”, pelo que deve aplicar-se o princípio da precaução.

“Não é porque o mar profundo está longe de nós que não tem consequências sobre nós”, afirmou Bruno David, sublinhando que “a ciência é que deve guiar as escolhas, e não a pressa e a urgência”.

“O lucro imediato é sem dúvida importante, mas lançar ações sem considerar todas as consequências pode revelar-se desastroso”, acrescentou.

Bruno David apelou por isso à humildade de reconhecer que o ser humano não sabe tudo e a humanidade é muito pequena, quando comparada com o oceano, que evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos.

“A humanidade deve proteger e preservar o oceano profundo pelo seu valor intrínseco, só isso”, concluiu.

Organizado pela França e pela Fundação Oceano Azul, com a colaboração da Bloomberg Philantropies, o SOS Ocean pretende lançar a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, prevista para junho em Nice, e responde a um apelo do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que no verão passado, em Tonga, lançou um ‘SOS’ para os oceanos.

sábado, 4 de maio de 2024

Esopo e a Língua

Velázquez - Esopo (Museo del Prado, 1639-41)

Esopo, considerado o pai da fábula, era um escravo que viveu no século V a. C.
Um dos seus mestres, Xantus, ordenou-lhe que fosse ao mercado e lhe trouxesse o melhor alimento que encontrasse para receber convidados importantes. Esopo comprou apenas língua e a cozinhou de maneiras diferentes. Os convidados ficaram fartos de comer e saborearam como uma delícia.
Quando ficou sozinho, Xantus perguntou-lhe o que era tão delicioso.
— Você me pediu o melhor — disse Esopo — e eu trouxe língua. A língua é o fundamento da filosofia e das ciências, o órgão da verdade e da razão. Com a língua se instrui, se constroem as cidades e as civilizações, se persuade e dialoga. Com a língua se canta, com a língua se reza e se declara amor e paz. O que mais pode haver melhor do que a língua?
Poucos dias depois, Xantus disse-lhe que viriam visitantes desagradáveis que ele deveria atender por protocolo, mas queria manifestar-lhes o seu desgosto servindo-lhes uma má refeição.
—Traga do mercado o pior que encontrar — recomendou.
Esopo trouxe língua e a fez preparar com um sabor tão desagradável que repugnou os clientes.
— Que porcaria é essa que você serviu? — perguntou Xantus.
— Língua — Esopo respondeu. A língua é a mãe de todos os processos e discussões, a origem das separações e das guerras. Com a língua se mente, com a língua se calúnia, com a língua se insulta, com a língua se quebram as amizades. É o órgão da blasfêmia e da impiedade. Não há nada pior do que a língua.
- A língua é uma arma de dois gumes.
"O homem, tão indefeso por natureza, não tem presas, não tem garras, não cospe fogo, mas tem o dom da linguagem, e uma língua pode ser tão suave quanto o mel e tão afiada quanto uma faca".

sábado, 9 de dezembro de 2023

“Numa trajetória desastrosa”: Cientistas alertam para risco de cinco pontos de inflexão da Terra


O aquecimento médio do planeta continua a progredir, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas e pela degradação e destruição da Natureza. Em 2015, em Paris, os governos do mundo acordaram que era preciso agir para impedir que a Terra aqueça mais do que 1,5 graus até ao final do século.

De ano para ano, surgem alertas de novos recordes de temperaturas máximas, de secas intensas, de incêndios devastadores e de tempestades sem precedentes, e, com isso, multiplicam-se o alertas de que é preciso fazer mais, melhor e mais rapidamente.

Apesar de ainda se considerar que nem tudo está para já perdido e que há tempo, mesmo que pouco, e conhecimento suficiente para alcançar esse objetivo, a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente e as ações climáticas tardam em chegar.

De acordo com os mais de 200 investigadores do projeto internacional Global Tipping Points, se nada for feito para contrariar essa tendência, a Terra poderá ultrapassar, pelo menos, cinco limiares naturais, pontos de inflexão em que pequenas alterações podem resultar em transformações rápidas e profundas, e além dos quais consequências negativas para a humanidade e para a Natureza podem ser irreversíveis. E três deles podem ser cruzados já na próxima década.

Num comunicado divulgado pela Universidade de Exeter, que coordenou o trabalho, os cientistas dizem que esta é “a avaliação dos pontos de inflexão mais abrangente alguma vez feita” e explicam que “a humanidade está atualmente numa trajetória desastrosa”.

Entre os limiares que poderão ser ultrapassados nos próximos anos, os cientistas destacam o colapso de grandes mantos de gelo na Gronelândia e na Antártida ocidental, o derretimento do pergelissolo (ou permafrost), a mortalidade generalizada de recifes de corais de água quente e o colapso da circulação atmosférica no Atlântico Norte.

Para Tim Lenton, um dos investigadores, “os pontos de inflexão no sistema da Terra representam ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade” e “podem provocar efeitos em dominó devastadores, incluindo a perda de ecossistemas inteiros e a capacidade para fazer uma agricultura estável, com impactos sociais que incluem deslocações em massa, instabilidade política e colapso financeiro”.

A investigação analisou 26 “pontos de inflexão negativos do sistema da Terra” e concluiu que “a atual governança global não é adequada à escala do desafio”, e que a manutenção do estado de coisas “já não é possível”, visto que “rápidas alterações na natureza e nas sociedades estão já a acontecer, e mais estão para vir”.

“Sem ação urgente para travar as crises climática e ecológica, as sociedades serão assoberbadas, enquanto o mundo natural se degrada”, avisam.

Apesar do tom alarmista do relatório, os cientistas acreditam que é possível promover “pontos de inflexão positivos”, que permitam contrair os negativos e manter o planeta numa rota de sustentabilidade.

“Uma cascata de pontos de inflexão positivos salvaria milhões de vidas”, pouparia biliões de dólares em prejuízos provocados por eventos climáticos extremos e permitira “começar a restaurar o mundo natural do qual todos nós dependemos”.

Lenton afirma que ações positivas estão já a ser realizadas, como o fortalecimento da aposta nas energias renováveis, a expansão da mobilidade elétrica e a transição para dietas menos intensas em produtos de origem animal.

Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo e que esteve também envolvida no projeto, considera que ações concretas para evitar os piores cenários “deverá ser o principal objetivo da COP28”.

E os investigadores deixam algumas sugestões para os líderes mundiais: acabar com as emissões dos combustíveis fósseis até 2050, reforçar a adaptação e os mecanismos de financiamento de perdas e danos, coordenar esforços globais para promover pontos de inflexão positivos, criar “uma cimeira global urgente sobre pontos de inflexão” e aprofundar o conhecimento sobre esses fenómenos.

“Resolver as crises climática e da natureza exigirá grandes transições em muitos setores – de mudanças nas dietas ao restauro de florestas”, passando pelo “abandono progressivo do motor de combustão interna”, avisa Kelly Levin, do Bezos Earth Fund, instituição parceira do projeto.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Livro de Giorgos Kallis- O erro de Malthus (revisão)

Limits: Why Malthus Was Wrong and Why Environmentalists Should Care

Um dos conceitos básicos em Ecologia é o dos limites: qualquer população de seres vivos tem o potencial de crescer exponencialmente. Num modelo simples há uma altura que que começa a não haver recursos suficientes (alimento, espaço) para suportar este crescimento populacional. Num cenário otimista a taxa de reprodução diminui e a taxa de mortalidade aumenta, fazendo com que a população estabilize naquilo que se designa por “capacidade de sustento”. No cenário pessimista a taxa de crescimento mantém-se, a população excede a capacidade de sustento, os recursos esgotam-se ou degradam-se e os efetivos colapsam, para eventualmente retomar o ciclo mais tarde. No primeiro cenário colocam-se espécies como as baleias ou os elefantes (que se autolimitam), no segundo ratos, moscas ou baratas (que são limitadas catastroficamente pelos fatores externos).
Para alguém com um conhecimento básico de Ecologia, portanto, a existência de limites é um dado de partida, assim como o são os mecanismos que resultam desses mesmos limites. Deste ponto de vista, a insistência dos economistas num crescimento exponencial contínuo só pode ser entendida como irrealista, e o apoio político que ela recebe como irracional. Neste contexto as ideias de Thomas Malthus são muitas vezes citadas. Na interpretação vulgar existem limites maltusianos porque a população humana cresce muito mais depressa do que a produção de alimentos. O que acontece a seguir é menos claro, mas o adjetivo “malthusiano” continua a aplicar-se à perspetiva (e realidade) de guerras e fomes alegadamente causadas pelo excesso populacional.
É aqui que entra o último livro de Giorgos Kallis. O autor começa por clarificar que Malthus não fala de limites. A sua teoria da diferença entre os ritmos de crescimento da população humana e da capacidade de produção de alimento foi utilizada não só para justificar a existência da pobreza (os recursos não chegam para todos) mas também para justificar a eliminação da assistência aos pobres (o impulso de sair da pobreza cria o espírito empreendedor necessário para o progresso). De facto, Malthus advoga o crescimento contínuo quer da população quer da tecnologia.
GK parte desta incompreensão generalizada dos conceitos de Malthus para chamar a atenção do movimento ambiental para o problema de basear uma linha de ação política em limites externos, como os 2ºC do Acordo de Paris. O argumento não é intuitivo, mas o esforço de o compreender compensa, pela nova perspetiva que proporciona e pelas orientações políticas que dela emanam.
O argumento de GK é que os limites não são impostos pela natureza, são definidos por nós. Um limite implica um objetivo, um propósito. Queremos limitar o aquecimento global a 1,5ºC porque a ciência nos diz que acima disso o clima mudará de tal forma que o tipo de civilização que temos agora poderá deixar de ser possível. Mas não vai acontecer nada de particular no dia em que o planeta ultrapassar esse limite. Se o ultrapassarmos (quando o ultrapassarmos) teremos um clima diferente e uma civilização diferente porque foi essa a escolha que, coletivamente, fizemos ou deixámos que fizessem por nós.
Não há limites, a não ser os que nós colocamos. E é esse o segundo argumento de GK- que os ambientalistas e as forças políticas progressistas deviam intervir defendendo limites internos positivos em substituição das atuais bandeiras negativas, que os colocam como profetas da desgraça. GK constrói um argumento poderosíssimo em torno da auto-limitação, concebida em função dos objetivos que queremos atingir. A mensagem passa assim a ser positiva: isto é o que queremos e para isso estas são as medidas que precisamos de ser implementadas e estes os limites (agora sim!) que não podem ser excedidos.
Esta é uma chamada de atenção muito importante: chega de dissecar o que está mal, chega de gastar energias a criticar o crescimento ou o capitalismo. É difícil entusiasmar-se com o decrescimento, e a mobilização contra o capitalismo é impossível sem uma ideia clara de como o queremos substituir. Todas as forças progressistas deviam analisar esta mensagem e procurar nela os pontos de união que lhes conferirão o poder de mudar o mundo.

Saber mais:
Book review - Limits: Why Malthus Was Wrong and Why Environmentalists Should Care

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Documentário: Living Soil (Solo Vivo)


Os nossos solos sustentam 95% de toda a produção de alimentos e, até 2060, os nossos solos serão solicitados a nos fornecer a mesma quantidade de comida que consumimos nos últimos 500 anos. Eles filtram a nossa água. Eles são um dos nossos reservatórios mais económicos para sequestrar carbono. Eles são a nossa base para a biodiversidade. E eles estão vibrantemente vivos, repletos de 4.5 toneladas  de vida biológica em cada 4.046 m2. No entanto, nos últimos 150 anos, perdemos metade do alicerce básico que torna o solo produtivo. Estima-se que os custos sociais e ambientais da perda e degradação do solo apenas nos Estados Unidos cheguem a US$ 85 biliões a cada ano (valores de 2018). Como qualquer relacionamento, o nosso solo vivo precisa da nossa ternura. É hora de mudarmos tudo o que pensávamos que sabíamos sobre o solo. Vamos fazer deste o século do solo vivo.

Este documentário de 60 minutos apresenta agricultores inovadores e especialistas em saúde do solo de todos os EUA. Planos de aula de acompanhamento para estudantes universitários e do ensino médio também podem ser encontrados neste site. "Living Soil" foi dirigido por Chelsea Myers e Tiny Attic Productions com sede em Columbia, Missouri, e produzido pelo Soil Health Institute através do generoso apoio da The Samuel Roberts Noble Foundation.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Dia Mundial do Gótico


O Dia Mundial do Gótico é comemorado anualmente em 22 de maio. O site Official World Goth Day o define como "um dia em que a cena gótica celebra seu próprio ser e uma oportunidade de tornar sua presença conhecida no resto do mundo".

O Dia Mundial do Gótico originou-se no Reino Unido em 2009 inicialmente como Dia Gótico, uma celebração em menor escala da subcultura gótica inspirada na transmissão de um conjunto especial de programas na BBC Radio 6.

O DJ gótico baseado no Reino Unido 'Lee Meadows', também conhecido como DJ 'Cruel Britannia' (agora conhecido como 'BatBoy Slim') escreveu um blog no MySpace sugerindo a ideia de iniciar um 'Dia Gótico' para uma recepção muito positiva. Em 2010, ele e o DJ gótico residente em Londres 'martin oldgoth' (minúsculas no nome intencional) decidiram levar o conceito globalmente, tanto 'como um pouco de diversão' quanto para criar um ambiente de positividade e unidade dentro da comunidade gótica. Um site oficial e presença na mídia social foram consequentemente criados com o objetivo de promover a ideia de um 'Dia Mundial do Gótico' e também fornecer uma lista abrangente de eventos internacionais que ocorreriam na data escolhida de 22 de maio. Também neste ponto, John Holley interveio para empreender e continua a administrar a página oficial do Facebook para o Dia Mundial do Gótico.

O Dia Mundial do Gótico celebra os aspectos subculturais da subcultura gótica. Aspectos da cultura como moda, música e arte são celebrados por desfiles de moda, exposições de arte e apresentações musicais. Muitos dos eventos apresentam bandas góticas locais, e alguns assumiram um aspecto de caridade com eventos no Reino Unido e na Austrália apoiando instituições de caridade favorecidas como a Fundação Sophie Lancaster do Reino Unido, uma instituição de caridade que tenta conter o preconceito e o ódio contra as subculturas.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Música do BioTerra: Helen Ganya - Little Match Girl


Little Match Girl foi escrita para a instituição de caridade de mudança climática de Brian Eno, Earth Percent, como parte de sua recente campanha do Dia da Terra 2023. A Terra também é creditada como co-autora da faixa, que faz parte de outra campanha para centralizar e (literalmente) incluir a Terra na música que fazemos, com fundos destinados a organizações lideradas pelo clima.

Uma reviravolta no conto sombrio, LMG é reinterpretado para incluir a urgência do agora sem desespero total.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Socorro a bancos, IA e Apple: o que Buffett disse em reunião anual com acionistas

Berkshire Hathaway, empresa do megainvestidor, reportou salto nos lucros nos resultados do primeiro trimestre, divulgados pouco antes do encontro

Batizada de “Woodstock dos capitalistas”, a reunião anual com acionistas da Berkshire Hathaway, realizada neste sábado (6), contou com a presença do CEO do conglomerado de investimentos, Warren Buffett, hoje com 92 anos, e do vice-presidente, Charlie Munger, 99, que subiram ao palco para responder a perguntas dos investidores e discutir sobre os negócios e a economia em geral.
Os investidores esperavam ouvir os comentários do “oráculo de Omaha”, apelido de Buffett no mercado, a respeito das recentes falências de bancos nos Estados Unidos e o abalo na indústria, e, sem surpresas, o tema esteve entre os tópicos que ele abordou.
“Teria sido catastrófico”, disse Buffett, se os reguladores não tivessem apoiado os correntistas do Silicon Valley Bank.
Buffett também observou que o medo no setor bancário sempre foi contagioso, mas a criação do FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), agência federal que tem a função de garantir os depósitos dos bancos, foi “extremamente sensata”, de acordo com o megainvestidor, garantindo que o governo dos EUA não tem interesse em deixar os bancos quebrarem.
Em relação ao First Republic Bank, banco que quebrou há pouco mais de um mês, Buffett disse: “O CEO e o diretor devem sofrer. Os acionistas, no futuro, não; eles não fizeram nada.”
Os nonagenários foram céticos em relação ao falatório exagerado em torno da inteligência artificial, mas disseram que ela deve ser transformadora.
“Vamos ver muito mais robótica no mundo”, disse Munger. “Pessoalmente, sou cético em relação a parte do ‘hype’ em torno da inteligência artificial; acho que a inteligência à moda antiga funciona muito bem.”
Buffett também fez comentários sobre o mercado imobiliário corporativo norte-americano. Há uma abundância de espaços vazios em prédios de escritórios, e as taxas de juros mais altas também fizeram com que os desenvolvedores atrasassem novos projetos de construção.
“Estamos começando a ver as consequências de pessoas que conseguiam tomar empréstimos a 2,5% e descobrir que isso não funciona com as taxas atuais”, disse Buffett.
Buffett também revelou o melhor negócio no amplo portfólio da Berkshire: “A Apple é diferente das outras empresas que possuímos”, disse. “Simplesmente é um negócio melhor”. A Berkshire tinha, recentemente, uma participação de 5,6% na Apple, de acordo com a agência de notícia Reuters.

Salto nos lucros
Divulgados pouco antes do encontro, os resultados da Berkshire Hathaway mostraram um salto nos ganhos no primeiro trimestre de 2023.
Os ganhos operacionais aumentaram cerca de 12% em relação ao ano anterior, para US$ 8,065 biliões no primeiro trimestre, disse o comunicado de resultados no sábado.
O lucro operacional é o lucro que resta depois que os custos das operações principais de uma empresa são retirados.
O conglomerado registou lucro de US$ 35,5 biliões no primeiro trimestre. O salto é atribuído, em parte, ao retorno do império de seguros da Berkshire.
O negócio de subscrição de seguros da empresa teve um aumento claro, de ganhos de US$ 167 milhões no primeiro trimestre de 2022 para US$ 911 milhões agora.
A receita com investimentos em seguros aumentou de US$ 1,17 bilião para US$ 1,97 bilião.
A companhia de seguros Geico, controlada pela Berkshire, teve um prejuízo com as subscrições de US$ 1,9 bilião no final do ano passado, depois de perder participação de mercado para a concorrente Progressive.
Até aqui neste ano, porém, está se saindo melhor, registando um lucro de US$ 703 milhões no primeiro trimestre, graças a mensalidades médias mais altas e custos de publicidade mais baixos, mesmo com um número menor de sinistros.
Por outro lado, a empresa de energia e ferrovia de carga da Berkshire, BNSF, teve uma queda nos lucros em comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
A Berkshire também recomprou aproximadamente US$ 4,4 biliões em ações, e seu caixa aumentou para US$ 130,6 biliões, de US$ 128 biliões no quarto trimestre de 2022.

Original (EN) - aqui - here

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Financiamento para travar a desflorestação está muito aquém do que é preciso


Atualmente, estima-se que o financiamento, a nível mundial, para proteger as florestas da destruição é de entre dois e três mil milhões de dólares por ano. Mas um relatório da organização Energy Transitions Commission revela que, para proteger as florestas da destruição para fins económicos, reduzindo os incentivos à desflorestação, seriam precisos mais de 130 mil milhões de dólares ao ano.

Intitulado ‘Financiando a Transição: O custo de evitar a desflorestação’ (Financing the Transition: The Cost of Avoiding Deforestation, no original), o relatório, divulgado hoje, reconhece que é uma quantia “muito grande”, pelo que, além de ter de vir de pagamentos feitos pelas empresas no âmbito dos mercados voluntários de carbono, da filantropia e de um maior esforço por parte dos países mais ricos, proteger as florestas do mundo implicaria também uma série da ações não-financeiras.

Entre elas, reduzir a procura dos principais produtos que estão fortemente associados à desflorestação, e que a tornam atrativa, como o óleo de palma e a carne, criar modelos de negócio alternativos que permitam tornar lucrativa a conservação das florestas (como o ecoturismo e práticas sustentáveis que juntem a agricultura e a silvicultura), e também reforçar as medidas governamentais que travar a destruição das áreas florestais.

Contudo, os relatores reconhecem que implementar estas ações não-financeiras exige tempo, que podem ser apenas parte da solução e que podem não ser eficazes no curto prazo. Por isso, argumentam que, pelo menos para já, o pagamento de compensações às empresas e negócios que estão dependentes e beneficiam da desflorestação “desempenhará um papel importante” na proteção das florestas mais vulneráveis à destruição humana, pelo menos enquanto as ações não-financeiras não mostraram sinais de maturidade.

E salientam que os incentivos financeiros à proteção das florestas devem andar lado a lado com medidas como a ilegalização da desflorestação e a redução da procura por produtos associados a essa destruição.

Adair Turner, presidente da Energy Transitions Commission e membro da Câmara dos Lordes do Reino Unido, considera que sem um “significativo fluxo” de incentivos financeiros “qualquer redução da desflorestação chegará demasiado tarde para ser possível manter o aquecimento global bem abaixo dos dois graus Celsius”, tal como plasmado no Acordo Climático de Paris de 2015.

O responsável alerta, porém, que os apoios financeiros “por si só não conseguirão travar a desflorestação”, e que para tal são precisas ações para reduzir a procura dos produtos dessa destruição, sendo que, nesse âmbito, os governos, as empresas e os consumidores são inevitavelmente chamados a agir e a fazerem as escolhas necessárias e que são urgentes para assegurar um planeta habitável por muitas mais gerações.

O relatório recorda que quase 15% do total das emissões de dióxido de carbono produzidas pelas ações humanas derivam da desflorestação, pelo que travar e transformar as atividades que dela dependem e beneficiam é fulcral para combater o aquecimento global e a degradação dos ecossistemas.

terça-feira, 11 de abril de 2023

Estes são os processos que Bolsonaro enfrenta na Justiça


Bolsonaro é alvo de vários processos
O ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), é alvo de diversos processos no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal Eleitoral (TSE) e também na Justiça Federal, em 1ª instância, já que perdeu o foro privilegiado.
Bolsonaro volta ao Brasil
Após hospedar-se durante 3 meses nos Estados Unidos, o político regressou ao Brasil no dia 30 de março de 2023. Ele havia deixado o país no dia 30 de dezembro de 2022, esquivando-se, assim, de fazer a passagem da faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva, seu sucessor, no dia 1 de janeiro de 2023.
O caso das joias na 1ª instância
O caso que ganhou atenção midiática mais recente está relacionado às investigações que envolvem um presente dado ao presidente por autoridades estrangeiras.
Um presente
Segundo grandes meios de comunicação como o jornal O Globo, trata-se de um conjunto de joias que ele recebeu, durante uma viagem oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019, e que seriam um presente para sua esposa, Michelle Bolsonaro.
Peças estavam com Bento Albuquerque
As joias, avaliadas em um total de R$ 16,5 milhões, incluíam um colar de diamantes, um anel, um relógio e um par de brincos, que entraram no Brasil na mochila do assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
Como as joias entraram no Brasil?
Os itens não teriam sido declarados devidamente e foram retidos pela Receita Federal, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no começo de 2021, segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo. Depois, Jair Bolsonaro teria mandado assessores tentarem recuperar as joias.
Joias retidas na Receita Federal
Além disso, desde 2016, presentes recebidos pelo presidente, no Brasil ou no exterior, devem ser incluídos no patrimônio da União, a não ser que sejam de uso personalíssimo (roupas, perfumes, comidas e bebidas, por exemplo).
Resposta de Bolsonaro
Em um pronunciamento, Bolsonaro disse que soube da retenção das joias pela imprensa e que o devido cadastro das peças havia sido feito conforme o protocolo.
Investigação solicitada
Em março de 2023, o Ministério da Justiça pediu que houvesse uma investigação para averiguar as circunstâncias em que as joias foram presenteadas, de acordo com a reportagem da BBC Brasil.
Possíveis crimes de Bolsonaro
O atual ministro da Justiça, Flávio Dino, citou possíveis crimes. O primeiro seria o descaminho, quando não há o pagamento dos devidos impostos, logo, o peculato, ou seja, a apropriação de um bem por meio do abuso de poder público e uso de tal bem em benefício próprio e, finalmente, a lavagem de dinheiro.
Depoimentos no dia 5 de abril
Assim, no dia 5 de abril de 2023, Jair Bolsonaro prestou seu depoimento na sede da Polícia Federal, em Brasília. Segundo o Jornal Nacional, os investigadores queriam saber se ele ordenou o recolhimento das joias apreendidas pela Receita Federal.
Outras ações no Poder Judiciário
O ex-presidente responde a, pelo menos, mais oito ações em primeira instância, depois que o STF as redirecionou ao Poder Judiciário, segundo informou a BBC Brasil.
O discurso de campanha no 7 de setembro
Uma destas oito ações refere-se ao pronunciamento feito por Bolsonaro na comemoração do dia 7 de Setembro, em 2021. No Dia da Independência, durante o ato oficial do governo, o ex-presidente aproveitou a ocasião para fazer um discurso de campanha, citando diretamente o dia das eleições e pedindo votos.
Ataques ao TSE
Já no STF, Bolsonaro é investigado por incitar ataques à segurança e confiabilidade das urnas eletrônicas, além de usar meios digitais para desestabilizar a democracia e difundir notícias falsas sobre o sistema eleitoral, segundo informou a BBC Brasil. O caso está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes.
A invasão da sede dos Três Poderes
Além disso, Alexandre de Moraes também é o relator do inquérito da invasão da sede dos Três Poderes por milhares de pessoas. Bolsonaro é um dos investigados por ser responsável a incitar tal ato, ocorrido no dia 8 de janeiro de 2023.
Interferência na PF
Outro processo que tramita no STF é uma possível interferência do, hoje, ex-presidente na Polícia Federal. Em 2020, aquele que foi seu ministro de Justiça, Sérgio Moro acusou Bolsonaro de trocar a chefia de superintendências da PF para proteger pessoas aliados e familiares, de acordo com a revista Isto É.
Bolsonaro divulgou notícias falsas durante a pandemia
Para piorar, Bolsonaro ainda é investigado por haver divulgado, em suas redes sociais, a falsa informação sobre uma possível relação entre a vacina contra a covid-19 e a propagação do vírus HIV. A investigação está sendo feita a pedido da CPI da Covid.
Atos ilegais durante campanha eleitoral
Além do STF, Bolsonaro ainda enfrenta a Justiça Eleitoral, com 16 processos, incluindo o risco de tornar-se inelegível. Ele teria cometido atos ilegais durante a campanha.
Disseminação de fake news contra adversários
Bolsonaro é investigado por abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, em campanha eleitoral. Uma das ações foi aberta pelo PT. Nela, procura-se apurar o envolvimento do ex-presidente em um grupo organizado que visava disseminar a desinformação e fortalecer a candidatura do candidato do PL, com fake news sobre seus adversários políticos, de acordo com a Isto É.
Bolsonaro questionou o sistema eleitoral
Outra ação movida no TSE é do PDT, partido de Ciro Gomes, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2022. Bolsonaro é acusado de cometer abuso de poder político, quando colocou em dúvida o sistema eleitoral.
PDT moveu a ação contra Bolsonaro
Para mover a ação, o PDT citou a reunião de Bolsonaro com embaixadores de outros países, ocorrida em julho de 2022, no Palácio da Alvorada, na qual discursou sobre as possíveis falhas do processo eleitoral brasileiro.
Minuta de "estado de defesa" é encontrada na casa de ex-ministro de Bolsonaro
Em 2023, foi encontrado um decreto na casa de Anderson Torres, ministro da Justiça durante a gestão Bolsonaro, que previa o estado de defesa e a suspensão das eleições de 2022. Então, o PDT pediu para que a minuta fosse incluída na ação contra o ex-presidente.
Corte eleitoral
O relator do caso, o ministro Benedito Gonçalves, concedeu o pedido do PDT e também ouviu Anderson Torres. O ministro deve liberar o caso para ser julgado na Corte eleitoral, segundo a CNN Brasil.
Bolsonaro e o abuso de poder político
O PT também moveu outro processo contra Bolsonaro, no qual cita benefícios concedidos por ele, durante o período eleitoral, configurando abuso de poder político e econômico.
"Pacote de bondades"
O ato eleitoreiro ilegal foi chamado de "pacote de bondades". Segundo a BBC Brasil, na época que precedia as eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro incluiu 500 mil famílias no programa Auxílio Brasil, concedeu crédito consignado para estas famílias e autorizou a renegociação de dívidas na Caixa Econômica Federal.
Bolsonaro ficará inelegível?
Se condenado por alguma destas ações, no TSE, Bolsonaro ficará inelegível para as eleições de 2026.
As investigações estão em andamento
Para a BBC Brasil, especialistas disseram que a ação movida pelo PT, na qual Bolsonaro fez uso do "pacote de bondades" é a que tem maiores chances de resultar em condenação e inelegibilidade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Filme: Filantropica (2002)


Por apresentar um ponto de vista que pode ser desconhecido ou difícil de captar para muitos espectadores não romenos, é recomendado conhecer algo da conjuntura histórica utilizada como pano de fundo do filme para uma melhor inteligibilidade. Trata-se do chamado “período de transição”, que foi um termo utilizado para descrever o período entre a Roménia comunista, do ditador Nicolae Ceausescu, e uma sociedade “normal”. Foi um período em que as pessoas teoricamente poderiam recuperar a dignidade, aprender a falar a verdade e confiar em seus semelhantes. A questão é que, na Roménia, como em todos os outros países ex-comunistas, esse período foi marcado por muitas desilusões, por muitos sonhos e destinos desfeitos, pois a recuperação não se mostrou fácil nem nos planos económicos, nem nos humanos. O lugar das relações humanas foi ocupado por artimanhas e roubos, o vazio dos slogans comunistas foi substituído pelo vazio da TV comercial. Sobreviver como ser humano era uma tarefa difícil. Outro ponto importante a se conhecer é que a literatura e o teatro romenos têm uma grande tradição satírica e isso é muito explorado na obra.

Contextualização histórica à parte, o filme é uma crítica à “nova ordem” instalada na Roménia após o fim do comunismo em 1989 com a Revolução Romena, e atribui ao novo regime a grande quantidade de mendigos, os golpes constantes, o sistema educacional deficitário, etc. Não vou me ater a estas peculiaridades, e sim ao roteiro, pois, dada a atual conjuntura brasileira, achamos tudo isso muito próximo de nossa realidade. Quem nunca se compadeceu por conta de algum pedinte com alguma história miserável? Quantas vezes ajudamos, mas ficamos desconfiados? Após assistirmos ao filme, é bastante natural que fiquemos pensando se isto realmente existe e quantas vezes já fomos enganados. Golpistas existem em todos os lugares do mundo, e ninguém esta imune às ações desse tipo de gente. Deve-se dar destaque, nesse contexto, às histórias inventadas por Don Pepe para seus “coletores de esmolas”, que são mirabolantes e espetaculares. No geral, porém, fica claro que a versão superficial e degenerada da nova ordem é o foco principal do filme.

Ovidiu é manipulado por Don Pepe e acaba até perdendo a sua própria identidade, ao entrar para esta orquestra de fraudes, em nome de sua condição de homem solitário e carente. É isso que Don Pepe procura: pessoas emocionalmente fragilizadas, necessitadas e ávidas por dinheiro fácil. Isso nada difere da situação de diversas pessoas utilizadas no tráfico de drogas, por exemplo. Nesse sentido, o filme acaba sendo bastante realista.

Temos atuações bem convincentes, por vezes até exageradas, mas é bom sempre ter em mente que estamos diante de uma sátira. Não há destaques absolutos, pois todos os artistas estão muito bem em tela, entretanto, os protagonistas Ovidiu, interpretado por um ator muito talentoso, diga-se de passagem, e o Sr. Puiutz realmente atraem os holofotes sempre que estão em cena através de um magnetismo impressionante.

As temáticas abordadas pelo filme, num primeiro olhar, nada combinam com uma comédia tão interessante, mas é para isso que temos bons diretores: para transformar temas pesados, como a miséria, em sorrisos. Mario Monicelli e seu fantástico “Feios, sujos e malvados” (1976) é um ótimo exemplo do tipo da manipulação da linguagem cinematográfica vista em “Filantrópica“, para que o leitor/espectador perceba que não estamos de algo originalíssimo, mas, de certo, muito especial. Abordar temáticas sociais de maneira leve é sempre uma boa estratégia para se transmitir a mensagem sem chocar. No fim das contas, vale muito a pena a audiência, pois proporciona boas gargalhadas e muitas reflexões. Rir e pensar andam de mãos dadas nessa grande obra da cinematografia romena. Mentiras podem ser vividas numa plena realidade!

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Documentário: África, engenharia genética e Fundação Gates


Lobistas, filantropos e empresários defendem o uso da engenharia genética em África. Eles garantem que é a solução no combate à fome e à malária, duas das maiores pragas do continente.

Entre os seus apoiantes está Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo e criador da mais influente fundação de caridade da história. O documentário mostra como a "Fundação Bill & Melinda Gates" se tornou uma das mais importantes financiadoras de experiências de engenharia genética em África. Com discrição e imunes a vozes críticas, os pesquisadores trabalham na modificação genética de plantas de mandioca ou mosquitos para solucionar o problema da malária O papel da União Europeia é ambíguo: a comunidade internacional era cética em relação à engenharia genética devido aos riscos potenciais para a saúde e o meio ambiente, mas agora realiza experiências com a Fundação Gates que seriam proibidos na Europa.

A aplicação da engenharia genética em África é uma questão de poder, mas também de dinheiro. E é por isso que a Fundação Gates é criticada: ao financiar a engenharia genética na África, ela está a praticar o jogo do grande agronegócio ocidental.

Este documentário abre as portas para o mundo feliz do filantrocapitalismo, em que caridade e especulação não são mais conceitos opostos, a engenharia genética se disfarça de mitigação da fome e o investimento público está a serviço de interesses privados.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Dia Mundial do Olá


Este dia surgiu em 1973 em resposta à guerra Yom Kippur (guerra árabe-israelita), por ação de dois professores universitários norte-americanos (Brian McCormack da Universidade do Arizona e Michael McCormack da Universidade de Harvard). 

O “olá” é uma palavra muito simples que muitas vezes faz toda a diferença, permitindo o contacto entre pessoas desconhecidas e o quebrar do gelo ou do silêncio numa sala.

O objetivo no Dia do Olá é dizer “olá” a 10 pessoas diferentes, promovendo o contacto entre as pessoas e a paz. Com este dia tenta-se mostrar aos líderes mundiais que os problemas resolvem-se pela comunicação e não pelo uso da força.

Se deixou de falar com alguém, também pode aproveitar para lhe dizer olá e para retomar o contacto nesta data.

Actualmente é celebrado em mais de 180 países do mundo, podendo-se até enviar cartões digitais online em sites específicos deste Dia do Olá.

Políticos, líderes religiosos, vencedores do Nobel da Paz e celebridades são alguns dos maiores promotores deste dia.

31 winners of the Nobel Peace Prize are among the people who have realized World Hello Day's value as an instrument for preserving peace and as an occasion that makes it possible for anyone in the world to contribute to the process of creating peace.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Solana, criptomoeda rival da Ether, é dano colateral do colapso da FTX



A criptomoeda Solana, uma das mais populares no ecossistema mundial dos ativos digitais criptográficos, e um protocolo considerado rival do Ethereum, o segundo mais popular do mundo, está a registar desvalorizações desde que começou a série de eventos que veio dar origem à insolvência da plataforma de corretagem FTX e do hedge fund associado, designado Alameda.

Na terça-feira, dia 8, dia do anúncio da compra da plataforma pela Binance - cancelada um dia depois por diversas inconformidades na gestão dos fundos e pela iliquidez do balanço - o token SOL, do protocolo Solana, valia cerca de 30 dólares, cotando uma semana depois perto dos 15 dólares - isto é, 50% abaixo do valor de há sete dias, segundo a página especializada Coinmarketcap. O valor dos tokens em circulação ronda atualmente os 5 mil milhões de dólares.

Segundo a Reuters, uma das razões desta queda - que, salienta a agência, é muito superior à registada pela Bitcoin e pela Ether na última semana, tendo ambas perdido cerca de 20% do seu valor - deve-se ao facto de a Alameda e a FTX terem um grande número destes tokens como colateral.

Por serem dos criptoativos mais líquidos, as duas entidades terão vendido no mercado um montante significativo destes tokens para garantirem dinheiro fresco de que necessitavam na altura antes da insolvência. Contactadas pela Reuters, nenhuma das entidades confirmou esta possibilidade.

O criador da Solana, Anatoly Yakovenko, anunciou entretanto que tinha uma almofada financeira que permitia à entidade operar por dois anos e seis meses. E que não tinha nenhuns ativos da FTX, ou custodiados na FTX, segundo a Reuters.

Citados pela agência, analistas dizem que este “corte” abrupto com a FTX e com o seu fundador caído em desgraça, Sam Bankman-Fried, pode ser uma bênção, dado o manancial de problemas que a associação ao milionário fundador da FTX poderia significar.

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sábado, 5 de novembro de 2022

Livro - A Economia Social Numa Visão Plural


O setor da economia social está longe de ver a sua importância reconhecida pela sociedade portuguesa, tanto pelo seu papel decisivo na coesão social, como pelo seu contributo para o emprego e a geração de riqueza. 
As razões para esta desvalorização da economia social são múltiplas e diferenciadas, sendo umas referentes ao próprio setor e outras de origem externa. 
Nas causas externas, talvez a mais importante seja o conhecimento superficial do setor e da sua complexidade, o que provoca visões fortemente estereotipadas e preconceituosas na opinião pública e nos decisores políticos. 
Do lado dos estereótipos salienta-se a ideia de que o setor é apenas caritativo, não produz riqueza, vive de subsídios estatais, remetendo-o para uma identidade negativa – aquela parte da economia que não é pública nem privada com fins lucrativos. 
Ao nível do preconceito ideológico a direita conservadora mostra a sua desconfiança conotando a economia social com a ideologia “esquerdista”, já a direita neoliberal mostra uma visão mais pragmática, combatendo a economia social quando esta se centra em atividades suscetíveis de gerar lucros, ao mesmo tempo que acarinha a economia social quando esta se dedica a atividades pouco atrativas para o setor privado. 
Da parte dos setores de esquerda também podemos encontrar posições diversas: desconfiança pelo facto da economia social não ser anti-capitalista; ou encorajamento, por entenderem a economia social como algo com valores democráticos e de solidariedade, que prezam. 
Todos tenderão a concordar que há perigo de desvirtuar esses valores podendo a economia social ser apenas uma maneira encapotada do Estado se livrar de funções que lhe competiria desempenhar. As responsabilidades do setor por esta imagem distorcida prendem-se, essencialmente, com um enorme défice de comunicação e com a dificuldade de construir uma identidade forte e diferenciada a partir de um  conjunto muito heterogéneo de atividades e de tipos de organizações: cooperativas, associações, fundações, mutualidades, misericórdias, etc. 
Apesar de todas estas dificuldades o setor da economia social vive hoje, em Portugal e no mundo, um momento de crescente afirmação e expansão pela capacidade que tem demonstrado em dar resposta a problemas sociais complexos que nem os Estados nem as empresas privadas estão preparados para resolver. 
O setor constitui também uma alternativa de realização para um número crescente de pessoas que não se reveem numa economia estatizante ou no oposto, altamente competitiva e inigualitária. 
Esta afirmação do setor da economia social é bem visível no crescente número de entidades que vai agregando e na atenção legislativa que ultimamente lhe tem sido dispensada por vários países e por organizações internacionais, como o Parlamento Europeu e as Nações Unidas.

CPES- Confederação Portuguesa de Economia Social 

E-livro - aqui

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

What Is Davos? Here´s What You Need to Know


Fonte: Business Insider, 2020
The rich and powerful have postponed their annual descent on a small resort town in Switzerland.

They weren't going there to ski, but to attend the annual meeting of the World Economic Forum (WEF), typically held in January of each year. The exclusive four-day event — best known as Davos, after the name of its host city — is an opportunity for the world's most influential people to meld minds over the world's economic and political challenges, and, more importantly, to network.

But the 2021 meeting has been postponed to "early next summer" because of the coronavirus pandemic, WEF announced Tuesday.

What is Davos?

Davos is the informal name of the annual four-day conference held by The World Economic Forum in Davos-Klosters, Switzerland. The non-profit organization's aim is to "engage the foremost political, business, cultural and other leaders of society to shape global, regional and industry agendas," according to its website.

Each year, business leaders and heads of state give lectures and speak on panels about topics ranging from gender equality and venture capital to mental health and climate change. The real magic happens behind closed doors, however: The rich and powerful use the event as a chance to network and hash out their differences out of the public eye.

North and South Korean officials held their first ever ministerial-level meetings at Davos in 1989, while Greece and Macedonia settled their nearly three-decade-long conflict over Macedonia's name at the event in 2018, according to the BBC.

Who was at Davos in 2020?

German Chancellor Angela Merkel and US President Donald Trump were among the 53 heads of state who attended the 2020 event.

US Secretary of the Treasury Steven Mnuchin, Ivanka Trump, Jared Kushner, and Greta Thunberg also attended, according to Reuters. Priyanka Chopra Jonas spoke at a fireside chat about global poverty, CNBC reported.

Notably, the only Iranian on the guest list, Foreign Minister Mohammad Javad Zarif, canceled his trip amid tensions with the United States over the killing of top Iranian general Qassem Soleimani, Reuters reported.

About 3,000 business and political leaders were set to attend Davos in 2020, Reuters reported ahead of the January event. Past attendees have included Bill Gates, Prince William, Marc Benioff, and George Soros, according to the BBC. Global pop icon Shakira, actors Forest Whitaker and Matt Damon, JPMorgan Chase CEO Jamie Dimon, and former Alibaba chairman Jack Ma have also attended in the past, The New York Times reported.

How do people get access to Davos?

Attendance is by invitation only, according to CBS News. As a result, the conference has long faced criticism over a lack of diversity among attendees. Only 22% percent of Davos' 2019 attendees were women, the BBC reported. African and Asian markets are also underrepresented, former U.S. Deputy Under Secretary of Commerce for International Trade and Foreign Policy magazine editor David Rothkopf told CBS.

Without an invite, you weren't even able to access the resort. It turns into a "veritable fortress" during the event, according to The New York Times' Michael J. de la Merced and Russell Goldman.

How much does it cost to attend Davos?

The conference itself is free for most attendees, the BBC reported. However, anyone there to represent a company is charged 27,000 Swiss francs ($28,000) to attend.

Even those who don't pay for the conference are still on the hook for the WEF's membership fees, which start at 60,000 Swiss francs ($62,000) per year and can range up to 600,000 Swiss francs ($620,000) depending on the type of membership, according to the BBC.

Accommodations in Davos don't come cheap either. Hotels raise their prices to five times their normal rate during the conference, according to The New York Times. Rooms at two of the most popular hotels among attendees, the Belvedere and the InterContinental, rented for $231 and $392 on nights in January 2020, their websites show. Both hotels are sold out during the event. They also sell badges to allow access to common areas frequented by attendees, The Times reported.

Some attendees elect to rent chalets for themselves and their staff, which can cost up to $140,000 for the week, The Times reported.

Most attendees do save a bit of money by eating and drinking on someone else's dime, The Times reported.

Saber mais: