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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Fez a pesquisa certa, mas acabou a seguir o link errado. O que é o ‘malvertising’ e como o evitar

A maioria de nós sabe que deve evitar clicar em links estranhos em e-mails ou mensagens de texto. Mas e quanto à publicidade online chamativa exibida em um site em que você confia? 

Esse é o perigo do malvertising, uma tática de cibercrime que usa anúncios online para espalhar malware, roubar informações ou redirecionar usuários para sites maliciosos. O malvertising frequentemente se esconde dentro de redes de publicidade legítimas e pode aparecer em sites confiáveis, tornando difícil a detecção tanto para os proprietários do site quanto para os visitantes. 

O que é malvertising? 
O malvertising, uma junção de "malicious advertising" (publicidade maliciosa), ocorre quando cibercriminosos usam anúncios online para enviar malware ou direcionar usuários para sites fraudulentos. 

Estes anúncios geralmente parecem totalmente legítimos. Em muitos casos, os invasores enviam anúncios limpos para redes de publicidade confiáveis durante um tempo para construir uma reputação positiva antes de, mais tarde, modificar o anúncio para incluir código malicioso. Como resultado, anúncios prejudiciais podem aparecer ao lado de conteúdo legítimo em sites populares, canais de notícias ou plataformas de compras. Eles podem até aparecer como anúncios de pesquisas no Google! 

O objetivo do malvertising pode variar. Alguns hackers visam instalar malware no dispositivo de uma vítima, enquanto outros buscam roubar credenciais de login, enganar os usuários para que baixem softwares falsos ou redirecioná-los para sites de golpes. 

Como funciona o malvertising? 
Os ataques de malvertising exploram o complexo ecossistema da publicidade online. Os editores de sites frequentemente exibem anúncios de uma rede de publicidade de terceiros sem analisar diretamente os anúncios. Se um criminoso conseguir colocar um anúncio malicioso dentro dessa rede, os visitantes do site podem ser expostos. 

Às vezes, os usuários são infectados após clicar no anúncio. Em outros casos, o simples carregamento do anúncio pode acionar um "drive-by download" – o usuário nem perceberá que algo incomum aconteceu até que o malware já esteja instalado em seu dispositivo. Como esses anúncios podem aparecer em sites que, de outra forma, seriam confiáveis, as vítimas podem baixar a guarda e presumir que o anúncio é seguro.

Identificando o malvertising 
O malvertising pode ser difícil de detectar, mas existem alguns sinais de alerta aos quais se deve prestar atenção. 
  1. Anúncios pop-up inesperados 
  2. Páginas da web que redirecionam repentinamente para outro site 
  3. Anúncios que promovem atualizações de software urgentes 
  4. Avisos de vírus ou alertas de segurança pop-up repentinos 
  5. Anúncios no meio do texto que parecem suspeitos ou não relacionados ao conteúdo 
  6. Downloads que começam automaticamente sem a sua permissão 
  7. Se um anúncio parecer bom demais para ser verdade ou criar um senso de urgência, nunca clique.
Como se proteger do malvertising 
Embora não exista uma fórmula mágica de segurança cibernética, algumas práticas recomendadas podem reduzir o seu risco. Para começar, ter senhas longas e fortes e sempre ativar o MFA pode ajudar a frustrar um ataque de malvertising.  

Mantenha seu software atualizado 
Os cibercriminosos exploram vulnerabilidades de software conhecidas. Instalar atualizações para o seu sistema operacional, navegador e aplicativos ajuda a fechar brechas de segurança que os invasores podem visar. Ative as atualizações automáticas para simplificar esse processo. Vale a pena os poucos minutos que leva. Manter as atualizações de software em dia ajuda a prevenir o tipo de ataque "drive-by-download".  

Use software de segurança 
Ferramentas antivírus e anti-malware confiáveis podem ajudar a detectar e bloquear downloads maliciosos antes que infectem seu dispositivo. Verifique se o software de segurança já vem com o sistema operacional do seu dispositivo.  

Pense duas vezes antes de clicar num anúncio 
Com o malvertising, mesmo os anúncios que aparecem em sites confiáveis podem não ser seguros. Você não precisa clicar nos anúncios – você pode pesquisar sobre a empresa ou o produto para ter uma ideia se é legítimo e encontrar uma maneira de acessar o site confiável de forma independente do anúncio. Solicitações repentinas para baixar extensões de navegador também podem ser malvertising – recomendamos simplesmente não baixar nenhuma extensão que lhe seja solicitada.   

Use um navegador seguro 
A maioria dos navegadores modernos (Chrome, Safari, Firefox) inclui recursos de segurança que podem identificar sites potencialmente perigosos e bloquear conteúdo malicioso conhecido. 

Evite sites suspeitos 
O malware e o malvertising prosperam no lado mais obscuro da internet – é por isso que é uma boa ideia evitar sites de pirataria ou de compartilhamento de arquivos, por exemplo. Os golpistas também tentarão se envolver em malvertising por meio de "typosquatting" (erros de digitação) nos resultados de pesquisa, especialmente em lojas de aplicativos ou mercados de extensões de navegador. Leia com atenção e observe as avaliações quando estiver à procura de um aplicativo. Caso contrário, você pode obter um aplicativo malicioso ou, na melhor das hipóteses, inseguro, quando pensava que estava a obter algo legítimo.

Fique de olho nos anúncios 
O malvertising mostra como as ameaças podem aparecer em locais inesperados, até mesmo em sites em que você confia. Mas, ao seguir algumas práticas recomendadas, você pode reduzir as suas hipóteses de sofrer um incidente. 

Perguntas Frequentes 
O que é malvertising? 
O malvertising é um ataque cibernético que usa anúncios online maliciosos para espalhar malware, redirecionar usuários para sites de golpes ou roubar informações confidenciais. 

É possível contrair malware sem clicar num anúncio? 
Sim. Algumas campanhas de malvertising usam "drive-by downloads", onde o código malicioso é executado automaticamente quando um anúncio é carregado no seu navegador, mesmo que você não clique nele. 

Sites confiáveis podem exibir anúncios maliciosos? 
Sim.  

Como posso me proteger do malvertising? 
Mantenha o seu software atualizado, use um software antivírus confiável, ative os recursos de segurança do navegador e evite clicar em anúncios online. 

Saber mais:

domingo, 9 de agosto de 2026

A IA não é o maior problema de cibersegurança. São as pessoas

Os casos de Inteligência Artificial (IA) a escapar dos laboratórios, a infiltrar-se noutras empresas e a tentar enganar pessoas têm sido notícia nas últimas semanas. E, num desses casos, modelos de IA chegaram mesmo a trabalhar em conjunto para escapar dos seus ambientes de teste.

Significa isto que as máquinas estão a tomar conta de tudo? Não propriamente.
A IA não é a mente por detrás das ameaças cibernéticas mais disseminadas atualmente; são as pessoas que podem utilizar a IA de forma maliciosa - e para fins maliciosos. A IA deu aos agentes mal-intencionados um poder enorme, permitindo-lhes criar software malicioso, investigar alvos, elaborar esquemas convincentes e automatizar ataques a uma velocidade sem precedentes.

Um em cada quatro ataques que resultaram em violações de dados foi impulsionado por IA entre fevereiro de 2025 e março de 2026, segundo um relatório da IBM. E os norte-americanos perderam mais de 893 milhões de dólares (cerca de 775 milhões de euros) em burlas relacionadas com IA no ano passado, segundo o FBI.

Mas os especialistas dizem que os agentes de ameaça do mundo real - isto é, as pessoas - continuam a ser quem controla tais acontecimentos. Os agentes de IA apenas têm perpetuado métodos de ataque já existentes, como o phishing e as burlas com malware, em vez de criarem métodos totalmente novos.

“São os seres humanos que temos de vigiar”, alerta Oren Etzioni, professor emérito da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e antigo CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence. “A IA é apenas a ferramenta.”

A IA a agir de forma descontrolada
Alguns incidentes recentes mostraram aquilo de que a IA é capaz no mundo real, e não apenas em teoria, alimentando receios de que a tecnologia esteja a avançar demasiado depressa.

Em julho, modelos de teste da OpenAI (criadora do ChatGPT) ultrapassaram as suas limitações e invadiram os sistemas de outras empresas durante uma avaliação interna.

Dias depois, a Anthropic (criadora do Claude AI) afirmou ter descoberto que os seus modelos de IA tinham conseguido entrar nos sistemas de três empresas durante os testes.

Num teste separado, o modelo mais avançado da Anthropic utilizou identidades falsas para tentar enganar pessoas reais, segundo revelaram recentemente investigadores do AI Security Institute do Reino Unido.

Um dos modelos de IA da Meta (‘dona’ do Facebook, Instagram e WhatsApp) também conseguiu entrar numa empresa externa, informou a gigante das redes sociais.

Estas intrusões também demonstram como a IA pode ser imprevisível ao interpretar instruções. Os modelos da OpenAI, por exemplo, estavam a tentar realizar um teste de cibersegurança quando saíram do seu ambiente de teste e invadiram outra empresa, apesar de não terem recebido instruções para o fazer.

Patrick Fussell, responsável global pela simulação de adversários na IBM, comparou a IA a um génio.

“Queremos pedir-lhe um desejo, mas temos de ser muito, muito específicos quanto aos detalhes desse desejo”, diz à CNN. “Caso contrário, as coisas podem acabar por correr mal”, continua, em tom de aviso.

Mas estes casos também ocorreram em circunstâncias muito específicas.

A OpenAI desativou restrições que teriam impedido o seu modelo de “realizar atividades cibernéticas de alto risco”. A Anthropic realizou os seus testes sem as salvaguardas de segurança padrão presentes nos modelos disponibilizados ao público em geral. O AI Security Institute também desativou determinadas ferramentas que poderiam ter “reduzido o âmbito” das capacidades dos modelos.

Por norma, os investigadores fazem isto para avaliar plenamente as capacidades de um modelo.

“Eu não poderia entrar no ChatGPT ou no Claude, ou em algo semelhante, e isso, acidentalmente, invadir o FBI. Isso não vai acontecer”, adianta Adam Meyers, responsável pelas operações de combate a adversários na empresa de cibersegurança CrowdStrike. “O que estamos a ver é que estes testes são realizados em condições específicas, nas quais se monitoriza para perceber: ‘Será que isto faz algo que não era suposto fazer?’”

Como os hackers estão a utilizar a IA
Segundo os especialistas, a IA não está a agir de forma autónoma para conceber novos ataques. Em vez disso, está a ajudar os cibercriminosos a implementar técnicas já existentes muito mais rapidamente, tornando-as mais eficientes e eficazes.

Isto pode incluir a utilização de IA para analisar o site de uma empresa e descobrir quem deve ser visado, ou a utilização de um agente de IA para conduzir as primeiras negociações com uma vítima de extorsão informática. Os agentes de IA conseguem imitar conversas humanas, tanto através de texto como até de vozes específicas. Hackers com poucos conhecimentos técnicos podem agora recorrer à IA para executar esquemas sofisticados.

“Estão a utilizar a IA para melhorar a metodologia dos ciberataques, essencialmente, em todas as diferentes fases, mas continua, de certa forma, a ser uma atividade conduzida por seres humanos”, afirma Jud Dressler, responsável pelo centro de operações de risco da seguradora especializada em cibersegurança Resilience.

Segundo Meyers, antigamente os agentes mal-intencionados criavam à pressa scripts básicos - pequenos programas com instruções destinadas a automatizar tarefas - para atingir os seus objetivos. Agora, porém, conseguem produzir trabalho de maior qualidade que parece ter demorado três vezes mais tempo a desenvolver.

Também utilizam IA para tarefas que acontecem nos bastidores, como gerar a infraestrutura necessária para criar sites maliciosos.

“Com a IA, podem automatizar essa construção e, por isso, o custo de reconstrução tornou-se muito baixo. E isso muda as regras do jogo”, afirmou Rob Lefferts, vice-presidente corporativo de proteção contra ameaças da Microsoft.

A maior ameaça
Para Etzioni, os incidentes recentes são um momento de “canário na mina de carvão” para a IA e a cibersegurança - uma expressão que significa um importante sinal de alerta. E não é o único a pensar assim: Geoffrey Hinton, cientista informático galardoado com o Prémio Nobel e conhecido popularmente como o ‘padrinho da IA’, alertou recentemente para a probabilidade de surgirem mais ataques realizados por IA de forma descontrolada.

Os relatos sobre IA a agir de forma descontrolada reforçam a importância de implementar boas práticas de cibersegurança, como corrigir vulnerabilidades, monitorizar os agentes de IA no local de trabalho e estar atento a burlas de engenharia social e phishing, dizem os especialistas.

Mas, por mais avançada que a IA esteja a tornar-se, continua a ser um programa orquestrado por um ser humano. E são esses seres humanos que constituem a maior preocupação, porque são eles que tomam as decisões - como realizar operações de espionagem ou enganar utilizadores para lhes retirar enormes quantias de dinheiro - afirma Meyers.

As gigantes tecnológicas estão numa corrida para tornar a IA tão inteligente quanto os seres humanos, um marco teórico conhecido como “inteligência artificial geral” (AGI). Os incidentes recentes, contudo, intensificaram os apelos a um abrandamento do desenvolvimento.

Mais de 1200 trabalhadores de grandes empresas de IA, incluindo Dario Amodei, CEO da Anthropic, assinaram recentemente uma carta aberta a apelar ao governo norte-americano para ajudar a definir o ritmo do desenvolvimento da IA. A Casa Branca reuniu-se recentemente com grandes empresas de IA para discutir um quadro que permitiria ao governo analisar determinados modelos de IA antes de estes serem disponibilizados.

Muito provavelmente, os investigadores de cibersegurança já consideraram as ameaças associadas à AGI, porque as pessoas que trabalham nesta área tendem a ser paranoicas, adianta Fussell, da IBM. Mas ainda estamos muito longe de uma realidade em que os agentes de IA sejam tão inteligentes quanto os seres humanos, continua.

“É como perguntar a alguém: ‘Como seria viver noutro planeta?’”, exemplifica, continuando: “Conseguimos imaginar, de certa forma, mas está tão para além da nossa capacidade que é realmente difícil fazer um plano.”

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Investigação: como o algoritmo opera na mente de extremistas


O documentário produzido pelo portal Metrópoles aborda o avanço do extremismo violento e da radicalização no Brasil, destacando o papel central desempenhado pela internet, pelas redes sociais e pelos algoritmos das grandes empresas de tecnologia nesse processo. A produção utiliza acontecimentos reais do cenário nacional para demonstrar como cidadãos comuns passam por um processo gradual de doutrinação ideológica online. Entre os casos citados estão a ação de Francisco Vanderlei Luiz, conhecido como "Tio França", autor do ataque com explosivos na Praça dos Três Poderes em novembro de 2024, a Operação Hashtag da Polícia Federal em 2016, que prendeu apoiantes do Estado Islâmico no país, e a Operação Trapiche em 2023, voltada à investigação de brasileiros recrutados pelo grupo Hezbollah.

O enredo explica que o fenómeno da radicalização não ocorre do dia para a noite, mas sim por meio de uma escalada contínua dentro do ambiente digital. O documentário detalha como os algoritmos das plataformas, desenhados para maximizar o tempo de retenção do usuário e gerar engajamento para dar lucro às empresas, acabam promovendo conteúdos polarizadores, chocantes e de ódio. Os grupos extremistas, em particular neonazismo, eugenia e da machosfera aproveitam-se desse mecanismo usando estratégias como a disseminação de memes aparentando inocência, elementos de cultura pop e jogos electrónicos para atrair pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo-lhes um falso sentimento de pertencimento e propósito. Com o tempo, esses indivíduos são direcionados para canais fechados e aplicativos de mensagem criptografados, onde a visão de mundo se torna totalmente distorcida.

Para analisar esse cenário complexo, a reportagem conta com o depoimento de diversos especialistas, autoridades e representantes da sociedade. Agentes da Divisão Antiterrorismo e da Coordenação de Inteligência da Polícia Federal relatam as barreiras técnicas e burocráticas no combate aos crimes virtuais, como a falta de cooperação ágil das Big Techs na entrega de dados e o desafio de identificar potenciais atritos sem violar a liberdade de expressão ou monitorizar indevidamente o cidadão. Pesquisadores de tecnologia e comunicação examinam o funcionamento secreto dos softwares de recomendação e as dinâmicas sociais da polarização política. Representantes da comunidade islâmica no Brasil também são entrevistados e enfatizam de forma categórica que actos violentos e de terror não possuem relação com os ensinamentos do Islamismo. Por fim, depoimentos de familiares de investigados ilustram o impacto devastador que a transformação de um parente radicalizado provoca no núcleo familiar.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Catfish: descubra o que é o golpe com perfis digitais

Por mais que as camadas de proteção, dicas de precaução e os sistemas de segurança nos ambientes online estejam disponíveis em maior número, os novos golpes digitais continuam sendo criados, ou adaptados, por pessoas mal-intencionadas e que sabem como utilizar a engenharia social para atingir o elo mais fraco: o ser humano. O chamado Catfish é um dos tipos de armadilhas que estão sendo aplicadas atualmente.

Talvez você já tenha visto casos de pessoas dizendo que alguém está usando a sua foto para entrar em contato, principalmente por WhatsApp ou via uma conta falsa nas redes sociais. Ao se passarem por outra pessoa, como alguém conhecido, os criminosos fazem novas vítimas com o objetivo de capturar dados, receber dinheiro, até instalar vírus no celular de quem foi pego neste golpe.

Esse é o cenário em que o Catfish acontece. Quer compreender mais sobre o assunto? Então, continue a leitura e veja quais são as dicas de segurança que os especialistas do Santander indicam para você.

O que é o golpe Catfish?
Apesar de ter um nome em inglês, o golpe Catfish é aplicado em diferentes regiões do Brasil e do mundo, já que se refere a uma armadilha digital capaz de alcançar as vítimas de onde elas estiverem, e que os criminosos conseguem operar igualmente de qualquer lugar.

Ele ocorre quando uma pessoa mal-intencionada cria uma identidade falsa nas redes sociais para enganar e atrair pessoas para o golpe. Geralmente, o criminoso por trás do perfil falso busca estabelecer um relacionamento online com a vítima, muitas vezes românticos e fingindo ser alguém que não é.

Para você saber: o termo Catfish remete a “peixe-gato”, como uma espécie de tradução para essa prática em que há uma pessoa mal-intencionada fazendo uma pessoa comum como “presa” e vítima.

Em quais contextos o golpe Catfish acontece?
Os ambientes online são propícios a serem cenários de golpes porque em determinadas situações é difícil distinguir o que é real daquilo que não é.

Por exemplo, ao trocar mensagens em redes sociais, você poderá estar conversando com um perfil falso sem saber, basta que esteja usando a imagem de alguém que você conhece ou algo semelhante a isso.

Dessa forma, o golpe Catfish ocorre em contextos como os exemplos a seguir:
- Está interessado de forma romântica e passa a manter uma conversa diária por dias seguidos, perguntando assuntos pessoais, relatando o dia a dia e demais pontos de uma troca de mensagens comum;
- Encontrou o número em algum grupo em comum e mantém o bate-papo como se quisesse se tornar um amigo virtual da vítima, mostrando um perfil que utiliza fotos de outras pessoas para passar confiança;
- Entram em contato com familiares e amigos, e dizem ser um novo número de contato (o telefone de trabalho, por exemplo). Com a vítima aceitando tal mensagem como verdadeira e dando abertura, os criminosos alegam situações em que precisam de dinheiro ou de algum dado sigiloso;
- Afirmam que querem muito encontrar você pessoalmente, mas sempre apresentam algum motivo, como um imprevisto, para evitar que isso aconteça.

Saiba como se proteger do golpe Catfish
Quer redobrar os seus cuidados para se proteger online? Então, confira quais são as medidas de segurança para não ser vítima do golpe Catfish.

Para começar, nunca transfira dinheiro nem faça pagamentos para pessoas, por mais que esteja com a foto de algum conhecido seu, sem verificar antes se são elas mesmas que estão solicitando essa ajuda financeira. Ou seja, converse pessoalmente ou por chamada de vídeo com o seu contato, e confirme a mensagem.

Caso tenha conhecido alguém pela internet, como em aplicativos de relacionamento, busque maneiras de confirmar que essa pessoa existe mesmo. Por exemplo, investigue as fotos nas redes sociais, publicações com família e amigos, faça chamadas de vídeo e faça uma busca do nome completo em sites de pesquisa.

Sempre que possível marque um encontro presencial, em locais públicos e seguros, e leve alguém de confiança para acompanhá-lo(a), e desconfie de determinados assuntos, como os que envolvem dinheiro, e demais apelos emocionais.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Da censura editorial à algorítmica: o legado de "A Manipulação do Público"


A obra "A Manipulação do Público" estabeleceu que a comunicação de massa não serve apenas para informar, mas para moldar o pensamento de acordo com os interesses das elites. Na era das redes sociais, os cinco filtros de Chomsky e Herman não desapareceram; tornaram-se mais rápidos, granulares e, acima de tudo, personalizados.

1. O Algoritmo como gestor de atenção
No modelo original de "A Manipulação do Público", a curadoria do que era "noticiável" residia nas mãos de editores humanos, cujas decisões eram balizadas por linhas editoriais e interesses corporativos claros. Hoje, esse papel de porteiro da realidade foi delegado ao código. O filtro algorítmico não opera com base em critérios de verdade ou interesse público, mas sim na metrificação da atenção.

Como o modelo de negócio das grandes plataformas depende do tempo de permanência do utilizador, o algoritmo privilegia conteúdos que geram conflito e indignação. Estas emoções, por serem neuroquimicamente mais viciantes, garantem que o utilizador se mantenha ligado à plataforma por mais tempo. O efeito secundário desta lógica é a criação de "bolhas" informativas: o sistema entrega a cada indivíduo uma versão da realidade que confirma os seus preconceitos, eliminando o contraditório e tornando o diálogo impossível.

O resultado é uma fragmentação social sem precedentes. A visão sistémica do poder -  necessária para compreender como as instituições funcionam e como podem ser questionadas - é substituída por narrativas polarizadas e personalizadas. Ao vivermos em realidades paralelas, perdemos a capacidade de alcançar um consenso social alargado sobre factos básicos, o que imobiliza qualquer tentativa de resistência coletiva. A "manipulação" moderna não consiste em dizer ao público o que pensar, mas em garantir que os diferentes segmentos do público nunca consigam pensar juntos.

2. A Publicidade de Precisão (Microtargeting): a engenharia das vulnerabilidades
A dependência da publicidade, que Chomsky e Herman identificaram como um filtro vital para a sobrevivência dos meios de comunicação tradicionais, atingiu um novo e inquietante patamar com o advento do Big Data. No modelo do século XX, a publicidade era uma "bomba de fragmentação": uma mensagem única lançada para uma massa uniforme, na esperança de capturar a atenção de uma percentagem do público. Hoje, a manipulação é cirúrgica e individualizada.

Através da recolha massiva de dados — que inclui desde o histórico de compras até padrões de sono e localização — o sistema já não comunica com um "público", mas com perfis psicológicos granulares. O consentimento é agora fabricado através de campanhas invisíveis de microtargeting. Isto significa que duas pessoas sentadas no mesmo sofá podem receber narrativas políticas ou corporativas opostas sobre o mesmo tema, cada uma desenhada para explorar as suas vulnerabilidades, medos ou desejos específicos.

Esta evolução altera a natureza da propaganda. Se antes a manipulação era visível e passível de ser debatida no espaço público, agora ela ocorre na esfera privada do ecrã individual. O perigo reside no facto de estas perceções serem moldadas de forma subliminar; o alvo raramente percebe que a informação que está a consumir foi otimizada para contornar as suas defesas racionais. Ao transformar o cidadão num conjunto de pontos de dados, o filtro da publicidade moderna consegue fabricar um consentimento que não nasce da argumentação, mas da estimulação psicológica pré-consciente, tornando a resistência intelectual muito mais difícil de exercer.

3. O Novo "Flak": o disciplinamento digital e o silenciamento invisível
No modelo original de "A Manipulação do Público", o Flak manifestava-se como uma resposta barulhenta e institucional: processos judiciais, cartas de protesto ou editoriais de ataque agressivo. Na era digital, este filtro tornou-se descentralizado e muito mais sofisticado. Hoje, o Flak opera em duas frentes complementares: o ataque público coordenado e o silenciamento algorítmico invisível.

A primeira frente é a da retaliação instantânea. O filtro da pressão deixou de ser exclusivo das elites para se tornar uma ferramenta de massa através do "cancelamento", de campanhas de difamação e do uso de exércitos de bots. Jornalistas ou figuras públicas que ousem desafiar as narrativas hegemónicas enfrentam uma avalanche de ataques que funciona como uma ferramenta de disciplina social, gerando um clima de autocensura digital permanente.

Contudo, é no mundo dos algoritmos que o Flak assume a sua forma mais insidiosa através do Shadowbanning. Esta ferramenta permite que o sistema discipline vozes dissidentes sem necessidade de as banir formalmente. O utilizador continua a publicar, mas o seu alcance é artificialmente reduzido ou limitado apenas aos seus seguidores mais próximos. É a forma definitiva de censura na era da abundância: não se apaga a mensagem, mas garante-se que ela se perde na imensidão do ruído.

A grande eficácia desta mutação reside na sua invisibilidade. Enquanto o banimento direto gera revolta e cria "mártires" da liberdade de expressão, o shadowbanning neutraliza a influência do indivíduo de forma silenciosa. Ao não receber o retorno habitual, o produtor de conteúdos é levado a acreditar que o seu discurso perdeu interesse ou relevância, minando a sua vontade de persistir. Assim, o sistema não só pune a dissidência, como a torna irrelevante sem nunca ter de assumir o papel de censor.

4. A barreira do custo e as fontes
A observação de que a média depende de fontes oficiais por serem "baratas" ganhou um contorno irónico na Internet. Atualmente, a informação de qualidade está frequentemente protegida por paywalls (muros de pagamento), enquanto a desinformação e a propaganda estatal ou corporativa são gratuitas e de fácil acesso. Isto cria uma desigualdade informacional profunda: quem não pode pagar pelo jornalismo independente acaba por ser o alvo mais fácil para a manipulação através de conteúdos gratuitos de baixa qualidade.

Filtro de "A Manipulação do Público"Adaptação para a Era Digital
PropriedadeConcentração de poder nas Big Techs (Google, Meta, etc.).
PublicidadeEconomia da atenção e exploração de dados individuais.
FontesInfluenciadores, grupos de fachada e Astroturfing.
FlakLinchamento virtual, censura algorítmica e ataques de bots.
IdeologiaPolarização extrema e o "Nós contra Eles" das guerras culturais.
A grande ironia contemporânea reside no facto de termos a ilusão de uma escolha infinita quando, na verdade, os filtros digitais tornaram o comportamento humano mais previsível e manejável do que nunca. O "consentimento" de hoje não é imposto; é extraído através do nosso próprio envolvimento digital.

Esta evolução do modelo de "A Manipulação do Público" revela que a arquitetura do controlo social sofreu uma mutação: passámos de um sistema de exclusão para um de saturação. No paradigma de 1988, o poder exercia-se pela escassez; como o espaço nas colunas dos jornais e o tempo de antena televisivo eram recursos finitos, os filtros operavam decidindo o que era silenciado. No entanto, na era digital, o controlo é exercido pela abundância. O algoritmo raramente se dá ao trabalho de esconder a informação dissidente; em vez disso, soterra-a sob uma avalanche de entretenimento efémero, notícias irrelevantes e ruído constante. O consentimento já não nasce do silêncio imposto, mas de uma distração perpétua que impede a reflexão profunda.

Paralelamente, a dependência de fontes oficiais, que Chomsky identificou como um filtro vital, deu lugar ao fenómeno do Astroturfing. Esta é a versão digital da manipulação de base: criam-se movimentos que aparentam ser espontâneos e populares (grassroots), mas que são, na realidade, orquestrados e financiados por grandes corporações ou interesses políticos. Através de exércitos de perfis falsos e influenciadores contratados, gera-se a ilusão de um consenso esmagador. O efeito psicológico no indivíduo é devastador: ao sentir-se isolado na sua opinião, o cidadão tende a ceder à pressão da "maioria" artificial, um fenómeno conhecido como a espiral do silêncio, agora potenciado por algoritmos.

A mudança mais radical, contudo, reside na transição de um sistema reativo para um sistema preditivo baseado na psicometria. Se a propaganda tradicional tentava convencer o público após o facto, o modelo atual antecipa-se. Através da análise minuciosa de cada like, do tempo de visualização e até da velocidade com que percorremos o ecrã (scroll), as plataformas constroem perfis psicológicos que nos conhecem melhor do que nós próprios. Este filtro invisível consegue prever quais as narrativas que nos farão mudar de opinião ou que gatilhos emocionais despertarão a nossa indignação. Assim, o consentimento é "fabricado" de forma preventiva, moldando a nossa perceção antes mesmo de termos consciência de que estamos a formar uma ideia sobre o assunto. No fim, a liberdade de escolha torna-se uma miragem dentro de um sistema que já calculou todas as nossas reações possíveis.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ataque informático expõe dados da Navigator na "darkweb"



A The Navigator Company foi alvo de um ataque informático, em março, que resultou na exposição de documentação sensível na "darkweb", escreve o jornal Expresso, esta quinta-feira. Em causa está um ataque de "ransomware" reivindicado pelo grupo Safepay, que terá acedido e divulgado dados de trabalhadores, atas de reuniões, informação sobre contraordenações ambientais, resultados de auditorias ou registos de custos operacionais.

Questionada, a empresa confirmou ter identificado "um incidente de cibersegurança", tendo ativado de imediato mecanismos de resposta e articulado o caso com as autoridades competentes, mas não revelou se houve pagamento de resgate ou quais os impactos financeiros, invocando razões de segurança e de proteção da investigação.

Segundo o Expresso, o ataque insere-se num contexto de aumento dos casos de "ransomware" na indústria transformadora, um sector particularmente exposto devido à dependência de operações contínuas e à interligação entre sistemas tecnológicos. A Navigator já tinha sido alvo de um ataque semelhante em 2020, num ano em que também a EDP foi atingida por um ciberataque com divulgação de dados.

27s: o tempo para comprometimento de e-crime mais rápido já registrado
89% de aumento nos ataques de adversários habilitados por IA
82% das detecções em 2025 estavam livres de malware

A empresa de cibersegurança Check Point Software Technologies publicou a décima quarta edição da sua análise anual sobre tendências de ataques informáticos, intitulada Security Report 2026. Os dados recolhidos mostram como as organizações espanholas e portuguesas sofreram, em 2025, uma média de quase dois mil ciberataques semanais. Representando um aumento de 70% em comparação com os registos de 2023. Este aumento generalizado reflete-se diretamente na quantidade de dados corporativos expostos a nível mundial, onde cerca de 8.000 organizações viram as suas informações divulgadas em portais geridos por grupos dedicados à dupla extorsão, o que representa um crescimento anual superior a 50%.

sábado, 14 de março de 2026

Soberania alimentar e autossuficiência em crise no Reino-Unido


O primeiro Relatório de Segurança Alimentar do Reino Unido, de dezembro de 2021, constatou que o país era 54% autossuficiente em termos alimentares. Outros países ricos, como os EUA, a França e a Austrália, são todos autossuficientes em termos alimentares, o que significa que produzem alimentos suficientes para alimentar as suas populações sem necessidade de importações.

O Reino Unido é um dos países menos autossuficientes em termos alimentares na Europa. A Holanda, por exemplo, que é densamente povoada, tem 80% de autossuficiência, e a Espanha, 75%.

“Não estamos a pensar nisso adequadamente. Estamos a fugir do problema”, disse Lang, falando na conferência da União Nacional dos Agricultores em Birmingham.

“A ideia de que os outros nos podem alimentar está enraizada no sistema estatal britânico e, de facto, na própria natureza do capitalismo agroalimentar na Grã-Bretanha. Outros países são mais sábios. Outros países estão a armazenar alimentos”, disse. “Os outros países têm muito mais flexibilidade nos seus sistemas do que nós. O que glorificamos como eficiência agora é a vulnerabilidade.”

Outros países possuem reservas de emergência para casos de guerra, contaminação alimentar ou choques climáticos. A Suíça ainda possui reservas suficientes para alimentar toda a sua população durante três meses e está a aumentá-las para um ano. A recomendação do governo do Reino Unido para as famílias é que mantenham nos seus armários alimentos suficientes para três dias.

Agora um novo relatório revela algo preocupante do Reino Unido, onde um painel de peritos concluiu que uma guerra, um choque climático ou uma combinação de ambos poderia desencadear uma verdadeira crise alimentar nas Ilhas Britânicas.

Notícia completa no Guardian

sexta-feira, 6 de março de 2026

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]