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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Como o Presidente Trump está a influenciar as ações climáticas globais?


Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, tornando ainda mais urgente a necessidade de ações climáticas globais rápidas e coordenadas.

Em vez de apoiar uma eliminação rápida e justa dos combustíveis fósseis, o presidente dos EUA, Donald Trump, está a atacar de forma imprudente os esforços globais para combater as alterações climáticas de cinco formas:
  1. Retirando os EUA dos organismos climáticos globais;
  2. Promovendo uma campanha de desinformação contra a ciência climática;
  3. Recorrendo a medidas intimidadoras e coercivas para promover políticas pró-combustíveis fósseis;
  4. Enfraquecendo as proteções climáticas internas e cortando o financiamento da ciência climática;
  5. Restringindo o espaço cívico, o que prejudica o ativismo climático.
De que organismos climáticos globais os EUA se retiraram e qual o impacto?
A retirada dos EUA do histórico Acordo de Paris entrou em vigor a 27 de janeiro de 2026. Esta é a segunda vez que os EUA se retiram do acordo e vem na sequência da intenção declarada de se retirarem da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e do Fundo Verde para o Clima (GCF). Trump também pediu a saída dos EUA de mais de 60 outras organizações internacionais, incluindo várias relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e as energias renováveis, apelidando-as de “desperdiçadoras, ineficazes ou prejudiciais”.

Esses anúncios provavelmente acelerarão o corte de financiamento dos EUA a instituições e programas multilaterais e bilaterais importantes relacionados com o clima. O financiamento dos EUA a essas agências da ONU e ao seu trabalho deve terminar em breve. A ONU já enfrentava uma crise financeira, agravada no último ano pela recusa dos EUA em pagar a sua contribuição para o orçamento regular.

Trump também se recusou a gastar a verba aprovada pelo Congresso norte-americano para assistência externa – incluindo para agências da ONU -; desmantelou a Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e outras agências americanas que fornecem apoio direto a comunidades prejudicadas pelas alterações climáticas e atacou programas que abordam as alterações climáticas.

O que é o Acordo de Paris e por que é importante?
A 12 de dezembro de 2015, os países adotaram o quadro mais ambicioso do mundo para combater as alterações climáticas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Paris (COP21). No âmbito do Acordo de Paris, os governos concordaram, pela primeira vez, em tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais para evitar os efeitos mais catastróficos das alterações climáticas. O acordo exige que todos os Estados estabeleçam metas atualizadas regularmente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, tanto a longo como a curto prazo, e partilhem os seus planos para as alcançar.

Qual será o impacto para perdas e danos?
Os EUA também se retiraram do conselho do Fundo das Nações Unidas para Responder a Perdas e Danos (FRLD). Criado após difíceis negociações na COP27 em 2022, o Fundo dedica-se a ajudar nações e comunidades de baixos rendimentos e vulneráveis às mudanças climáticas a recuperarem de desastres “não naturais” relacionados com as alterações climáticas. A 19 de novembro de 2025, um total de cerca de 684 milhões de euros tinha sido prometido ao FRLD, incluindo 14,5 milhões dos EUA. No entanto, não está claro se agora essa promessa modesta será sequer honrada.

A reunião do conselho do FRLD em julho de 2026 deverá concentrar-se na finalização da operacionalização do fundo. Cabe a todos os países que podem, especialmente aqueles mais responsáveis pelas alterações climáticas, dar um passo à frente e garantir que o fundo tenha recursos adequados. Quanto menos os países contribuírem, especialmente os países historicamente com altas emissões, incluindo os EUA, mais custará, a longo prazo, aos países na linha de frente dos danos climáticos lidar com as perdas e prejuízos relacionados com as alterações climáticas.

Qual a posição de Trump sobre as alterações climáticas e como está a incentivar a desinformação sobre a ciência climática?
Trump apelidou as alterações climáticas de “fraude” quando discursou na Assembleia Geral da ONU em 2025. Também chamou as políticas de energia sustentável de “a maior farsa da história” no Fórum Económico Mundial em Davos, em 2026.

Um novo relatório do Departamento de Energia dos EUA afirma que as projeções do aquecimento global futuro são exageradas. Isso faz parte de um esforço da campanha de desinformação do governo Trump para produzir uma narrativa falsa contrária à ciência climática global e ao consenso, e usar essa ciência sem fundamento como justificativa para revogar a regulamentação climática.

Os EUA também cancelaram um relatório histórico sobre as alterações climáticas – a sexta Avaliação Nacional do Clima – e retiraram inúmeras páginas sobre ciência climática de sites oficiais. A eliminação destes e de outros programas e instituições de ciência climática significa que há menos informações fiáveis disponíveis ao público e torna mais difícil aos cientistas de todo o mundo verificar informações enganosas sobre as alterações climáticas.

Como os EUA usaram táticas de intimidação para minar a cooperação global sobre o clima e o meio ambiente?
Mais de 430 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos, a maior parte feita a partir de combustíveis fósseis. Esse plástico rapidamente se transforma em resíduos que entopem aterros sanitários ou acabam nos oceanos. No entanto, as negociações para um histórico Tratado Global sobre Plásticos não chegaram a um consenso no ano passado, pois os EUA, juntamente com outros países produtores de combustíveis fósseis, deixaram claro que se opunham a cortes na produção de plástico.

A administração Trump também conseguiu arquivar uma taxa global sobre as emissões de carbono do transporte marítimo, que estava quase finalizada, ameaçando diplomatas envolvidos nas negociações e usando ameaças sobre o aumento das tarifas de importação para pressionar as nações.

Noutros fóruns, a pressão do lobby dos EUA prejudicou muito a diretiva de due diligence de sustentabilidade corporativa (CSDDD) da União Europeia, que exige que as empresas resolvam questões de direitos humanos e ambientais nas suas cadeias de abastecimento. Os EUA também procuraram ativamente alianças com partidos políticos na Europa que são contra a ação climática.

A compra do chamado gás “natural” produzido nos EUA tem sido usada como moeda de troca nas negociações tarifárias. Por outro lado, os bancos americanos retiraram-se das alianças de ação climática.

Qual tem sido o impacto das políticas anticlimáticas de Trump a nível interno?
A administração Trump desmantelou os esforços domésticos de ação climática e envolveu-se numa reversão sem precedentes das regulamentações que protegem as pessoas nos EUA da poluição por combustíveis fósseis e das alterações climáticas.

Destruiu agências governamentais que prestam assistência de emergência às pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, que se tornaram mais prováveis e intensos devido às alterações climáticas; cortou o financiamento de programas de diversidade e clima em agências governamentais e universidades dos EUA, o que originou demissões em massa, congelamento de subsídios e ataques; aumentou os subsídios financiados pelos contribuintes à indústria de combustíveis fósseis; e ameaçou — em alguns casos com sucesso — os estados dos EUA com planos para reduzir as emissões de carbono para acabar com essas políticas.

A abordagem “perfura, baby, perfura” de Trump aumentou a produção de petróleo e gás e acelerou a mineração em águas profundas.

Desde que Trump voltou ao cargo, o governo dos EUA reduziu a disponibilidade e a recolha de dados sobre poluição atmosférica, clima e uma série de outros dados ambientais e climáticos que são usados nos EUA e em todo o mundo. A administração Trump também ameaçou diretamente a liberdade académica e o direito de acesso à informação, incluindo sobre as alterações climáticas, como parte de um padrão consistente com práticas autoritárias crescentes.

Os EUA também aumentaram as suas atividades militares, particularmente na América Latina e no Médio Oriente, que têm uma pegada de carbono pesada, sem mencionar os danos ultrajantes causados aos direitos humanos. No caso da Venezuela, o presidente Trump citou a indústria de combustíveis fósseis como parte da sua decisão de tomar medidas ilegais para destituir Nicolás Maduro.

Como a repressão de Trump ao espaço cívico prejudicou o ativismo climático?
O governo dos EUA reprimiu protestos e dissidências, incluindo a limitação da capacidade dos ativistas climáticos de exercerem os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica através de intimidação, demonização e ameaças de mudanças nas leis.

O Departamento de Energia terá adicionado “alterações climáticas”, “verde” e “descarbonização” à sua crescente “lista de palavras a evitar”.[Guardian]

Os ativistas climáticos têm sido descritos como “ecoterroristas”, entre outros ataques públicos por parte das autoridades. Isso encorajou as empresas de combustíveis fósseis e outros intervenientes anti ação climática e levou a uma crescente ameaça de litígios judiciais contra ativistas climáticos.

A administração Trump também demonizou populações marginalizadas, usando retórica racial de formas que corroem o apoio público a serviços públicos essenciais — incluindo aqueles críticos para ajudar os americanos a prepararem-se e resistirem aos impactos das alterações climáticas.

O que deve ser feito?
As alterações climáticas transcendem fronteiras e afetam todas as pessoas, em todos os locais. Muitas vezes, são os menos responsáveis que são mais afetados. A cooperação global é essencial para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de forma equitativa, apoiar uma transição justa para os trabalhadores afetados, proteger as comunidades vulneráveis e financiar a recuperação de perdas e danos. Uma abordagem fragmentada aprofundará os danos climáticos, como o aumento do nível do mar, a escassez de alimentos, incêndios florestais, tempestades e inundações extremas e a falta de acesso a água potável.

As pessoas e os governos em todo o mundo devem resistir a todos os esforços coercivos da administração Trump. Ceder terreno agora coloca em risco o nosso futuro coletivo. A humanidade deve vencer.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Por uma Economia da Felicidade e dizer não ao regresso do Fascismo



Podemos ser o país da Europa como o Butão e apostar na Felicidade Interna Bruta. As semelhanças connosco estão na difícil orografia do País, mas Butão é um País muito interior, sem oceano. E nós temos a vantagem de uma ZEE por explorar. O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que se pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. 

A minha intenção  da foto do Ventura vestido com fardamento militar era expor o rei "Vai Nú". Ventura na cabeça dele e de Nuno Melo sonham/deliram que se refaça o Golpe de 28 de Maio de 1926. O que aconteceu: militares liderados por Gomes da Costa derrubaram a Primeira República, iniciando a Ditadura Militar que evoluiu para o Estado Novo sob Salazar. O movimento partiu de Braga e espalhou-se pelo país, com adesão em massa das guarnições. 
A Ditadura Nacional e o Estado Novo totalizaram 48 anos de fascismo penosos, de graves atrasos científicos e de escolaridade. Um regime da bufaria e muito sangrento com a Guerra Colonial.                Durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974), cerca de 10 mil militares portugueses morreram nas frentes de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, com números oficiais revistos para cima de estimativas anteriores de 8 mil. 
Civis africanos sofreram perdas muito maiores, estimadas em mais de 100 mil, incluindo massacres como o da Baixa do Cassange (200-300 mortos) e Wiriyamu (385-450).
Repressão colonial e contra-ofensivas provocaram dezenas de milhares de civis africanos mortos. Marcelo Caetano, como muitos à primeira impressão pensam, não foi um ditador fofinho. Nos últimos anos do Salazarismo foi indecente e Marcelo perpetrou mais opressão sobre os países escravizados : 247 em Angola (1970), 128 em Moçambique (1971) e 123 na Guiné (1973).  
​Estimativas totais superam 100 mil, incluindo fuzilamentos, bombardeios e fome induzida.
O nosso País é muito seguro. Portugal manteve o 7º lugar no Global Peace Index (GPI) 2025 graças a um desempenho forte em baixa militarização e elevada segurança social. Indicadores positivos chave incluíram despesa militar mínima em percentagem do PIB, baixa participação em missões de paz da ONU e elevada sensação de segurança ao caminhar sozinho à noite.
A maior criminalidade apenas é de pequeno tráfico de droga, pequenos furtos e a violência doméstica. Não quero um País com estereótipos de machão. Quero um País que proteja e une. Um País que acolhe e integra. Um País para a frente, mais pragmático e com melhores salários. Há e é possível a criação de bons empregos em várias áreas, que não seja apenas o turismo e o beija-mão às Cimenteiras, às monoculturas, Navigator e o Grupo Amorim. Que faça urgentemente um TGV Porto-Vigo e outro entre Évora e Madrid. Um novo aeroporto em Lisboa. Um País com maior coesão territorial, sem recorrer apenas a auto-estradas. Isso não é "progresso". É uma medida de maior fuga do Interior para o Litoral. Há que respeitar e fortalecer as comunidades raianas e do interior. Têm direito a viver nesses locais. 
Os think tanks mais influentes e procurados a nível internacional em Portugal incluem o Institute of Public Policy (IPP), o Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS),  destacando-se pela produção de análise académica e debate público sobre políticas europeias e globais.
Avaliações dos think tank baseiam-se em citações académicas (Scimago), impacto mediático e eventos internacionais, onde Portugal tem presença modesta comparado a Bruegel ou Chatham House.
O IPP não figura em métricas científicas como Scopus/Web of Science, dada a natureza não peer-reviewed das publicações.
O IPRI publica em revistas académicas de RI (ex.: Janus), com alguma visibilidade em redes como TEPSA, mas o impacto científico é modesto comparado a universidades, sem posições destacadas em rankings bibliométricos.
Quanto à FFMS tem destaque em dados públicos (Pordata) e estudos sociais, com influência doméstica alta, mas publicações não científicas excluem-na de rankings como Scimago ou InCites, focados em artigos indexados.
A dinâmica migratória portuguesa mudou de forma significativa na última década e, pela primeira vez em várias décadas, há mais jovens portugueses a regressar do que a emigrar. A conclusão é de Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho e ex-ministro da Economia e Socialista que assinou um artigo no Expresso, em 3 de Dezembro do ano passado onde defende que Portugal entrou “numa nova realidade migratória”.  Segundo o economista, a emigração deixou de ser uma viagem sem regresso e passou a ser, para muitos jovens, uma experiência temporária. “Há sempre amigos que já viveram e trabalharam no estrangeiro e decidiram regressar”, observa.
Mas o fenómeno que destaca o ex-ministro da Economia é outro: Portugal tornou-se também um destino para jovens qualificados vindos de países ricos, como Alemanha, França, Itália, EUA ou Reino Unido. Desde 2019, afirma Caldeira Cabral, o número destes jovens que vêm trabalhar para Portugal supera o número de portugueses que emigram para os mesmos países.
Dados recentes mostram que entram anualmente no país cerca de 45 mil estrangeiros oriundos de economias com salários superiores aos portugueses, dos quais 33 mil são cidadãos da União Europeia. Só no último ano, cinco mil norte-americanos, seis mil italianos, quase quatro mil alemães e número semelhante de franceses pediram residência permanente em Portugal — a maioria com menos de 45 anos.
A ideia de que Portugal vive uma fuga de talentos não resiste aos números, argumenta Caldeira Cabral. O professor da UMinho sublinha que, embora tenham aumentado as qualificações dos jovens que emigraram, cresceram ainda mais as qualificações dos jovens que permaneceram no país.
Citando o Boletim Económico do Banco de Portugal, o autor explica que, entre os jovens que emigraram, 30% têm ensino superior, mas entre os que ficaram essa proporção chega aos 38,5%. “A propensão a emigrar é menor entre os mais qualificados, exatamente o contrário da fuga de cérebros”, afirma.
O saldo global também joga a favor de Portugal: nos últimos quatro anos, o emprego de licenciados cresceu 320 mil, enquanto o sistema de ensino superior formou apenas 230 mil. “A diferença — cerca de 90 mil — só pode ser explicada pela imigração qualificada”, sustenta. No mesmo período, terão saído entre 40 e 50 mil licenciados, mas entraram entre 150 e 160 mil.
Para Caldeira Cabral, estes dados demonstram que Portugal deixou de encaixar no modelo clássico de migração “Norte-Sul”, em que trabalhadores se deslocam apenas dos países mais pobres para os mais ricos. O país aproxima-se agora do padrão “Norte-Norte”, típico das migrações dentro da UE: fluxos nos dois sentidos, com saída e entrada de trabalhadores qualificados.
O professor afirma que esta mudança obriga a repensar o debate sobre a emigração jovem. “Se os jovens saem apenas porque os salários são maiores lá fora, como explicar que tantos estejam a voltar?”, questiona. E acrescenta: “Se Portugal não tivesse oportunidades interessantes, porque estaria a atrair jovens da Alemanha, França, Itália ou EUA?”
Entre 2020 e 2023, regressaram ao país mais portugueses do que aqueles que partiram. Só no último ano, 31 mil cidadãos nascidos em Portugal voltaram, a maioria jovens trabalhadores. Para o ex-ministro, esta tendência deve ser encarada como uma oportunidade: “Temos de olhar para os nossos jovens emigrantes não como uma perda, mas como uma força estratégica”, defende, sugerindo que o país os mobilize como “embaixadores” e valorize a experiência internacional que trazem.
Caldeira Cabral recorda ainda que países como Luxemburgo, Irlanda ou Suíça têm taxas de emigração jovem superiores à média europeia — e isso não significa decadência, mas abertura ao mundo. O mesmo, afirma, deve aplicar-se a Portugal.
Com o aumento do número de regressos e a capacidade de atrair talento estrangeiro, o autor defende que Portugal deve abandonar a visão fatalista sobre emigração. “Não devemos ficar a chorar o leite derramado dos que escolhem sair, porque muitos vão mais tarde escolher voltar”, escreve.
A prioridade, conclui, deve ser manter incentivos e criar condições para que regressar a Portugal se torne vantajoso — para os jovens e para o país.              
Há que fazer um esforço político e das instituições e autarquias para terminar em Portugal o que é designado por crony capitalism. Sistemas onde o sucesso empresarial depende mais de relações pessoais, familiares ou redes de proximidade (familiaridade) do que de mérito ou concorrência aberta, favorecendo "sempre os mesmos" grupos conectados por laços de confiança ou lobby. 
Implicações Económicas e Sociais
Esse modelo reduz a concorrência, eleva custos para consumidores e fomenta corrupção, contrastando com mercados meritocráticos.
As oportunidades de trabalho e transparência para atrair os jovens estão aí, sobretudo na área ambiental, numa boa transição verde, o País que exporte novas dinâmicas culturais, que aposte  num plano biocentrado nos oceanos do que apenas preocupado em segurança policial e controle, uma nova urbanidade (e há tanto a fazer e temos tão bons especialistas, idealizando a economia circular, a mobilidade suave, em cidades de 15 minutos, restauro dos serviços de saúde e continuar a investir na literacia digital e científica dos idosos) e na preservação da biodiversidade. 
O património biológico é fundamental neste séc XXI. As políticas globais e capitalistas infelizmente elevam o carbofascismo e exploração das terras raras. É um desafio gigante pois, a Saudi Aramco, empresa de petróleo e gás natural, é a empresa mais rentável do mundo, tendo facturado 105,37 mil milhões de dólares no último ano fiscal.
Contudo a preservação da nossa biodiversidade gera vantagens económicas directas e indiretas, sustentando ecossistemas essenciais para atividades humanas rentáveis. Há que renaturalizar Portugal.
Valores Directos
Recursos como madeira, peixes, plantas medicinais e produtos agrícolas derivados da biodiversidade geram PIB e emprego, com mercados globais de biotecnologia e farmacêuticos a valerem biliões de dólares anualmente. E um turismo diferente. Um turismo imersivo, já ouviram falar?

O Butão cobra uma taxa turística sustentável (Sustainable Development Fee, SDF) de 100 dólares americanos por dia para visitantes internacionais a partir de 2024, reduzida de valores anteriores mais altos como 200-250 USD. Essa taxa aplica-se por noite de estadia e inclui serviços como visto, tarifa mínima de hotel de categoria superior, refeições principais, guia licenciado, transporte interno e oxigénio de emergência quando necessário.
Valor Atual
Crianças de 2 a 11 anos pagam metade (50 USD/dia), menores de 2 anos estão isentos, e cidadãos de nações vizinhas como Índia e Bangladesh têm taxas simbólicas ou diferentes regras. Indianos, por exemplo, pagam cerca de 1.200 NPR (rupees nepaleses) por dia. A taxa financia 100% projetos de desenvolvimento sustentável e é obrigatória para todos os turistas, exceto residentes.
Vantagens para o Butão
A taxa preserva a felicidade nacional bruta (Gross National Happiness), limitando o overturismo e protegendo o meio ambiente frágil dos Himalaias. Gera receitas que financiam saúde, educação gratuita, conservação de 72% do território como floresta e infraestrutura rural, mantendo a cultura budista intacta. Isso equilibra economia (cerca de 45% do PIB turístico pré-pandemia) com bem-estar local, evitando massificação vista em vizinhos como Nepal.
Portugal devia fazer o mesmo. 
Valores Indirectos
Serviços ecossistémicos como polinização, regulação climática, proteção de solos e purificação de água e rios livres poupam custos em agricultura, seguros contra desastres e tratamento de água, estimados em 125-145 biliões de dólares por ano globalmente. A perda de biodiversidade aumenta riscos económicos, como colapsos de colheitas ou inundações mais frequentes.
A União Europeia definiu 5 objetivos estratégicos para o período 2021-2027, que serão as prioridades do Portugal 2030. Nesse sentido, temos que aproveitar eficientemente os fundos europeus destinados ao País, com transparência, sem capitalismo de cunhas ou clientelismo económico. São eles: 
1. Portugal + Inteligente, investindo na investigação e inovação, na digitalização, na competitividade e internacionalização das empresas, nas competências para a especialização inteligente, a transição industrial e o empreendedorismo.
2. Portugal + Verde, orientado para a transição verde, acompanhando a emergência climática e incorporando as metas da descarbonização, da eficiência energética e reforço das energias renováveis, e apoiando a inovação, a economia circular e a mobilidade sustentável.
3. Portugal + Conectado, com redes de transportes estratégicas, baseada numa forte aposta na ferrovia, potenciando a mobilidade de pessoas e bens, bem como a qualificação dos territórios, garantindo a sua atratividade, competitividade e inserção nos mercados nacional e internacional.
4. Portugal + Social, apoiando a melhoria das qualificações da população, a igualdade de acesso aos cuidados de saúde, promovendo o emprego de qualidade, a inclusão social, seguindo as prioridades estabelecidas no Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
5. Portugal + Próximo dos cidadãos, apoiando estratégias de desenvolvimento a nível local, promotoras de coesão social e territorial, e apoiando o desenvolvimento urbano sustentável, baseado no conceito de interligação de redes, centrada nas necessidades das pessoas.
6. Portugal + Transição justa, para assegurar que a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono se processo de forma justa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Acordo UE-Mercosul foi aprovado. Preocupações ambientais mantêm-se


Os países que votaram contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul justificaram a sua posição sobretudo com preocupações económicas e ambientais, fortemente ligadas à agricultura. França, Irlanda, Polónia, Áustria e Hungria consideram que o acordo expõe os agricultores europeus a uma concorrência considerada desleal, em especial nos sectores da carne bovina, aves, açúcar e cereais, uma vez que os produtores do Mercosul operam com custos mais baixos e regras ambientais e sanitárias menos exigentes do que as da UE. Para estes países, isso pode provocar uma queda dos preços, perda de rendimentos e dificuldades acrescidas para a agricultura familiar. 

Além disso, França e Áustria têm sublinhado que as salvaguardas ambientais incluídas no acordo são insuficientes, nomeadamente no que diz respeito ao combate à desflorestação na Amazónia e ao cumprimento dos compromissos climáticos. Em vários destes Estados-membros, a oposição ao acordo é também alimentada por forte pressão política interna do sector agrícola e por posições já assumidas anteriormente pelos respetivos parlamentos ou governos, tornando o voto contra uma decisão tanto económica e ambiental como politicamente estratégica.

Os defensores do acordo afirmam que este ajudará a aprofundar a cooperação económica da UE com o Sul Global, onde a China já procura alianças em consequência da rutura provocada por Donald Trump na ordem comercial internacional.

O acordo ajudará também a UE a libertar-se da dependência da China em relação aos minerais críticos e às terras raras vitais para os sectores automóvel e tecnológico, uma vez que estes elementos são abundantes nos países do Mercosul.

O Brasil detém cerca de 20% das reservas mundiais de grafite, níquel, manganês e terras raras. Mas também detém 94% das reservas globais de nióbio, um metal utilizado na indústria aeroespacial, enquanto a Argentina é o terceiro maior produtor de lítio, um material utilizado nas baterias de veículos elétricos.

“O acordo não se resume apenas a questões económicas. A América Latina é uma região de intensa competição por influência entre os países ocidentais e a China. A não assinatura do acordo de comércio livre UE-Mercosul representava o risco de aproximar ainda mais as economias latino-americanas da órbita de Pequim.

“A conclusão do acordo sinaliza também que os europeus estão empenhados em diversificar os seus mercados de exportação, reduzindo a dependência dos EUA”, afirmou Agathe Demarais, investigadora sénior do Conselho Europeu dos Negócios Estrangeiros, um dos principais thinktank da UE.

Bélgica optou por abster-se na votação.

Preocupações ambientais mantêm-se

1.No final do ano passado, um conjunto de organizações agrícolas acusava o acordo de representar “graves riscos” para a segurança alimentar europeia, para os objetivos ambientais, para o bem-estar animal, para os padrões de condições de trabalho e para a subsistência dos agricultores.

2. Em abril passado, a organização não-governamental CAN Europe publicou uma análise na qual se dizia que o acordo UE-Mercosul provavelmente faria aumentar a contribuição do bloco para a crise climática, ao aumentar o comércio de produtos de elevada intensidade em termos de emissões. Na mesma análise, são levantadas preocupações relativamente à influência do acordo no aumento da desflorestação, com um aumento esperado nas importações europeias de carne de bovino e de soja, no enfraquecimento dos compromissos ambientais dos Estados-membros e no aumento do comércio de pesticidas proibidos no bloco europeu.

3. Mais de 450 organizações europeias e sul-americanas (incluindo redes ambientais, sindicatos, movimentos sociais e associações indígenas) têm criticado o acordo por “ser ruim para o planeta e para as pessoas”, denunciando negociações opacas e exclusão da sociedade civil.

4. Ambientalistas também criticam a falta de cláusulas vinculativas e mecanismos de sanção ambiental. As disposições actuais são vistas como insuficientes para garantir que padrões ambientais sejam realmente respeitados.

sábado, 17 de maio de 2025

Vandalism, with a plan

Figuring out what the thugs are up to so we can stand up to them



It would be tempting to dismiss Trump’s many functionaries as idiots, because many of them are. Here, for instance, is a transcript of leaked audio from a recent staff meeting led by acting FEMA director David Richardson, a man with no experience in disaster management (but who did write what the reliable Kate Aronoff described as a bad autobiographical novel with the inspired title War Story). Anyway, put yourself in the place of the FEMA staff hearing this highly relatable anecdote:

"The other day I was chatting with my girlfriend, she's from Texas. She's got like huge red hair. Like, she's from Texas. And I said something and she said, well, you know, oh, I know what it was. I said, how come it takes so long to drive 10 hours from Galveston to Amarillo? And she said, well, you know, Texas is bigger than Spain. I didn't know that. So I looked at the map. Texas is huge! I mean, if you put it in the middle of Europe, it takes up most of Europe up. However, they do disaster recovery very, very well, and so does Florida, okay. So, we should be able to take some lessons learned on how Florida and Texas do their disaster recovery, we’ve got to spread that around and get other folks do it some way. And there should be some budgeting things that they have, I bet. I bet Governor Abbott has a rainy day fund for fires and tornadoes and disasters such as hurricanes, and he doesn't spend it on something else"

But if there’s endless idiocy at work (some of it as cover—if I was taking flak for my $400 million flying bribe I’d start tweeting about Taylor Swift and Bruce Springsteen too), there’s also a kind of underlying feral cunning. All the stupid stuff heads in the same direction.

For example, the administration last week announced it would get rid of the Energy Star program, which rates various appliances by their efficiency so that consumers (and landlords and building owners) can make wise choices.


“The Energy Star program and all the other climate work, outside of what’s required by statute, is being de-prioritized and eliminated,” Paul Gunning, the director of the E.P.A. Office of Atmospheric Protection, told employees during the meeting, according to the recording obtained by The New York Times. Mr. Gunning’s office itself is also slated for elimination.

This is a program begun by Republicans—former EPA administrator William K. Reilly wrote a fond reminiscence yesterday for the Washington Post, who pointed out that if you were actually worried about, say, waste, then this would be the last program to cut

The program costs $32 million in annual federal outlays to administer but has saved consumers $200 billion in utility bills since 1992 — $14 billion in 2024 alone. The averted air pollution, which was the EPA’s initial objective, has been considerable, equivalent to the emissions of hundreds of thousands of cars removed from the road.

But what if you wanted to burn more fossil fuel? What if you wanted to stretch out the transition to cheap, clean renewable energy? Well then it would make a lot of sense.

Or take yesterday’s news, from EPA administrator Lee Zeldin, vowed that he would eliminate the “start-stop” technology in cars because “everyone hates it.” This feature keeps your car from idling at stoplights—when you tap the accelerator the car turns back on. It’s not mandatory for carmakers, and drivers can turn it off with a button. But, as Fox News points out,

The feature can improve fuel economy by between 4% and 5%, previous EPA estimates showed. It also eliminated nearly 10 million tons of greenhouse gas emissions per year as of 2023

Meanwhile, energy secretary Chris Wright, according to excellent reporting in Heatmap News today, is taking federal money designed to convert a steel plant to electricity and hydrogen and instead using it to convert the steel plant to…the fossil fuel it’s already using. The company, its CEO explained, is working with the Department of Energy to “explore changes in scope to better align with the administration’s energy priorities,” and those priorities, of course, are to use more energy.

Occam’s Razor, I think, would lead us to say that many things the Trump administration does are simply designed to waste energy, because that is good for the incumbent producers, i.e. Big Oil. That’s not a particularly sophisticated rule for understanding their actions, but remember: Trump was bankrolled by the fossil fuel industry, and that industry has always wanted us to waste energy. Remember all that endless Trump nonsense about low-flow shower heads? They cut the use of hot water by about forty percent. Ditto incandescent bulbs, which use 75-90 percent more energy, and which Trump is trying to bring back. It’s strange to be pro-waste, but there you are. This administration is garbage in every way.

That all of this costs consumers money is obvious—but we don’t really pretend to care about consumers any more. Remember: two dolls and five pencils apiece. No, the ultimate customer for the Trump administration is the oil industry. And really for the GOP as a whole: it became increasingly clear this week that the Republican Congressional majority is all too willing to gut the IRA, even though that will come at a big price to consumers, in its effort to help Big Oil.

And Big Oil is in trouble. Power demand in New England hit an all time low in late April, because so many homes now have solar panels on top. In, um, Saudi Arabia solar arrays are springing up left and right. Bloomberg’s David Fickling chronicles the “relentless” switch towards spending on clean energuy, albeit too slowly to hit the most important climate targets. A new global poll of business executives found that 97 percent were eager to make the switch to renewable energy for their companies, on the grounds that

Electricity is the most efficient form of energy, and renewables-generated electricity a value-add to businesses and economies. In many countries, fossil fuels, with their exposure to imports and volatility to geopolitical shocks, are a liability. For business, this isn’t just inconvenient. It’s dangerous. Volatility drives up costs, turns strategic planning into guesswork and delays investment.

That’s how sensible people with sensible goals—like making their businesses work, think. But it’s exactly the opposite of how our government now imagines its role. The DOE put their strategy pretty plainly in a filing to the Federal Register yesterday: their goal, they said, was “bolstering American energy dominance by increasing exports and subsequently the reliance of foreign nations on American energy.” If you’re a foreign government, that about sums it up: either you can rely on the sun and wind which shine on your country, or you can rely on the incredibly unreliable U.S. China, meanwhile, is essentially exporting energy security, in the form of clean energy tech.

So the goal for the rest of us, as we resist Trump and resist climate change, is pretty clear: do everything we can to speed up this transition to clean energy, here and everywhere. Solar works, solar is cheap, and solar is liberating. Courtesy of Johann Saether in Norway, here’s the Sun of the Week, from the global gallery at Sunday.earth, where I hope you’re planning your event for September 21

In other energy and climate news:

+Well, we’re finding out what doesn’t work. The giant “direct air capture” plant in Iceland, designed to filter co2 out of the air, has always been hopelessly expensive. But it also is failing to capture enough carbon dioxide to cover its own emissions—that is, it’s making the problem worse. Reykjavik’s weekly newspaper Heimildin had the data and also the reactions from good people around the world who had signed up to reduce their carbon footprints

“I’m 65 years old and retired when I was 60. One of the things I wanted to do in my later years was reduce my carbon footprint,” says Michael de Podesta, who worked for the UK’s National Physical Laboratory for most of his life, where he studied cold fusion, including debunking it. Michael is one of 21,000 subscribers to Climeworks, but after paying his subscription dutifully for about two years, he began to have doubts. Finally, he wrote on his widely read blog and asked a simple question: Am I a gullible idiot?

“I paid £40 [around 7,000 ISK] a month for fifty kilograms of CO2. I was supposed to get around 600 kilograms a year. I paid them right up until October last year and by then I had paid them to dispose of almost 2.2 tonnes of CO2 and got the tonne for around £800 [135 thousand ISK],” says Michael. He says the project seemed promising at first. He saw coverage of the project in the scientific journal Nature, one of the most prestigious in the world. The science was certainly there: CO2 can be sucked out of the atmosphere and Climeworks’ plans were ambitious.

However, Michael quickly noticed that no matter how much he paid, no CO2 had been captured and disposed of in his name. The math didn’t add up when the energy requirements were examined more closely.

Meanwhile, the project’s Swiss sponsor, Climeworks, told Zurich media yesterday that they were laying off many of their employees, arguing that the problems in Iceland were due to “ice and snow causing certain mechanisms to freeze.”

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Jacques Delors: Mais do que Europa


Conheci Jacques Delors antes de se tornar mito. Foi a militância cristã que acompanhei desde os anos setenta. Conheci-o pessoalmente na passagem dos anos noventa para 2000. Falámos então sobre a herança de Emmanuel Mounier, sobre a Educação para o século XXI e sobre questões candentes na construção europeia, que muito o preocupavam, como o alargamento, o défice democrático e a perda na coesão económica e social. Em outubro de 2000, celebrámos na UNESCO em Paris, com Paul Ricoeur e Guy Coq os cinquenta anos da morte de Mounier.

Nascido em 20 de julho de 1925, era filho de um funcionário qualificado do Banco de França, com militância cristã e com enraizados valores liberais e democráticos. Aluno do Liceu Voltaire de Paris e do Liceu Blaise Pascal de Clermont Ferrand, ingressou cedo nos quadros do Banco de França, por conselho dos pais, a quem ficou eternamente agradecido, como diz nas suas “Memórias”. Aí forma-se no Centro de Estudos Superiores do próprio Banco com elevada classificação, passando a exercer funções de diretor geral dos títulos e mercado monetário. Contudo, mantém sempre uma intensa atividade de militância social e nos grupos de cristãos inconformistas, em especial na JOC – Juventude Operária Católica, fundada pelo futuro Cardeal Cardjin. Casa-se com Marie Lephaille, também militante cristã. Têm dois filhos Martine Aubry, Maire de Lille, e Jean-Paul, já falecido. Ambos têm uma ação marcante, em especial na “Vie Nouvelle”, nascida do movimento escutista e próxima do pensamento de Emmanuel Mounier.

É sindicalista na Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos (CFTC), onde integra o grupo “Reconstruction”, que se demarca de uma posição conservadora, militando a favor de uma perspetiva social-democrata sob a orientação de Paul Vignaux e próxima da independência política de Pierre Mendès France. Entretanto, segue os grupos próximos das revistas “Esprit”, após a morte de Mounier em 1950, e “Temoignage Chrétien”. O grupo “Reconstruction” na CFTC passa de minoritário a maioritário o que leva à transformação em 1964 da CFTC na atual Conféderation Française Democratique des Travailleurs (CFDT) , mercê da desconfessionalização, que Delors defende como modo de alargar a sua influência. Partidário do associativismo político, dirige de 1959 a 1965 a revista “Citoyens 60” do movimento “La Vie Nouvelle”. Continua próximo dos discípulos de Mounier e de Jean-Marie Domenach e trabalha com o Club Jean Moulin em defesa dos direitos fundamentais e da autodeterminação dos países africanos. Em 1974 criará no mesmo espírito o Club Échange et Projets, de relevante influência política e social. Em virtude do seu empenhamento solidário, foi membro da secção do Plano e Investimentos no Conselho Económico e Social.

Em 1962, entra no Comissariado Geral do Plano, como chefe de serviços na secção das questões sociais e culturais, onde permanecerá até 1969. A partir desta data colabora com Jacques Chaban-Delmas, primeiro-ministro até 1972, sendo um dos principais artífices no projeto “Nova Sociedade” – em especial na preparação dos Contratos de Progresso, sendo inspirador da Lei de Formação Profissional Contínua (1971). De 1969 a 1974, exerce funções na Administração Pública nos domínios da formação profissional e da promoção social. De 1973 a 1979, é membro do Conselho Geral do Banco de França. É docente de Gestão na Universidade Paris-Dauphiné (1974-79). É diretor do Centro de Investigação Trabalho e Sociedade (1975-79). Em 1974, tinha aderido ao Partido Socialista Francês, a convite de François Mitterrand, onde exerce funções de delegado para as relações económicas internacionais (até 1981).

Em 1979, é eleito deputado ao Parlamento Europeu, deixando o lugar em 1981 por ter sido nomeado Ministro da Economia e Finanças no governo presidido por Pierre Mauroy (até 1984). Defende então o equilíbrio entre o Estado e a sociedade civil, e uma pausa nas nacionalizações. É eleito Maire de Clichy (1983-84). É reconduzido como Ministro da Economia e Finanças no Governo de Laurent Fabius, mas em 1985 torna-se Presidente da Comissão Europeia sucedendo ao luxemburguês Gaston Thorn. É notável a sua ação desenvolvida na Presidência da Comissão Europeia, até 1994. É marcante o conjunto de avanços que conseguiu para a União Europeia, como: celebração do Ato Único Europeu, consagração da Coesão Económica e Social, criação do programa Erasmus de mobilidade de estudantes, Tratado de Maastricht, adoção do Euro como moeda europeia no âmbito do Sistema Europeu de Bancos Centrais. Tratou-se de cumprir: “a concorrência que estimula, a cooperação que reforça e a solidariedade que une”.
 
Em 2006, nas Semanas Sociais realizadas em Braga, afirmou estar demonstrado  “como o social se tornou, além das suas características intrínsecas um fator de desenvolvimento da economia”. E acrescentou: “Alguns querem, hoje, impor erradamente a tese contrária: o social seria um travão ao crescimento e à competitividade.” A responsabilidade do Estado nesta matéria deve ter correspondência no plano internacional, para permitir a regulação. Não é simples, admitia, mas importa experimentar um “mecanismo de reflexão em comum, não apenas no quadro da Organização Mundial do Comércio”, para ultrapassar os mais graves desequilíbrios e, em última análise, garantir a paz. A economia ao serviço da pessoa permanece “central” no pensamento social católico. Por isso, não podemos “aceitar que apenas os mecanismos do mercado determinem ao mesmo tempo o útil e o justo” – ou seja, a economia de mercado não pode transformar-se numa sociedade de mercado.

Além desta preocupação permanente, Jacques Delors coordenou para a UNESCO o relatório sobre a Educação para o século XXI, com a participação do português Roberto Carneiro. Aí se formula a necessidade de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser.

Com uma personalidade incansável, mantinha ainda uma atividade intensa, tendo escrito nos últimos dias uma mensagem entusiástica de elogio à democracia portuguesa e de saudação nos cinquenta anos da revolução portuguesa de 25 de abril de 1974.

Notre Europe – Instituto Jacques Delors”, dirigida por Enrico Letta, mantém o espírito de cidadania europeia ativa, em nome da paz e do desenvolvimento social. Uma Europa aberta e justa é mais necessária que nunca. O exemplo de Jacques Delors continua, assim, vivo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

The Cobalt Rush: the Future of Going Green


Cobalt Rush: O Futuro da Sustentabilidade
Realização: Arnaud Zajtman, Quentin Noirfalisse
Produção: Les Films du Tambour de Soie, Dancing Dog Productions, Esprit Libre Production, RTBF, France 24
Vendas internacionais: Terranoa
País: Bélgica

A electrificação é apresentada por políticos ansiosos por aderir à onda ambientalista em todo o mundo como uma solução fundamental para atingir as metas globais de neutralidade carbónica nos próximos anos.

Os carros elétricos e outros veículos prometem viagens tranquilas, sem poluição e sem culpa, que também manterão as indústrias automóveis nacionais em funcionamento.

A União Europeia aderiu a um futuro que promete ser «verde e digital», com benefícios para todos os seus quase 500 milhões de cidadãos nos 27 Estados-Membros.

Mas e se combater as alterações climáticas não fosse assim tão simples? E se não houvesse uma resposta fácil para viver em harmonia com o mundo natural enquanto tentamos baixar a temperatura da era do Antropoceno?

Os realizadores e produtores franceses Quentin Noirfalisse e Arnaud Zajtman abordam esta questão no seu envolvente documentário Cobalt Rush – The Future of Going Green.

Uma nova corrida ao ouro
Em francês, o título, «Cobalt, L’envers due Rêve Electrique’, traduz-se por – Cobalt, L’envers due Rêve Electrique – que, na verdade, seria um título internacional mais adequado. Talvez os produtores quisessem injetar alguma ideia de uma nova corrida ao ouro e do impacto mais abrangente do termo "sustentabilidade"? Deixando isso de lado, este documentário fascinante condensa muita informação nos seus 85 minutos.

O cobalto é um mineral raro, um ingrediente essencial nas baterias, na sua maioria à base de níquel, que serão o principal componente energético de todos os automóveis novos vendidos na Europa a partir de 2030. Garantir um fornecimento fiável – e verificar as condições ambientais e de trabalho em que é produzido – será uma parte fundamental das estratégias políticas e ambientais nos próximos anos. A procura de políticas industriais que apoiem o crescimento económico e combatam as alterações climáticas está agora entre as principais prioridades da agenda política na Europa e em muitas outras partes do mundo. Tudo parece óptimo, mas há um problema: 70% do cobalto mundial é extraído na República Democrática do Congo em condições que estão longe de ser democráticas.

Os chineses são grandes investidores em enormes minas a céu aberto na República Democrática do Congo, que têm sido responsabilizadas pela poluição ambiental maciça, envenenamento de rios e terras agrícolas e quase certamente associadas a um aumento drástico de defeitos congénitos entre as pessoas que trabalham ou vivem perto das minas.

A escassa observância das leis ambientais e laborais – e a presença de um sector mineiro privado dito “artesanal” muito grande, que emprega até dois milhões de pessoas a trabalhar em poços profundos e extremamente perigosos para extrair o precioso mineral – complicam as leis de due diligence impostas aos compradores ocidentais de cobalto.

Noirfalisse traz para o projeto a sua vasta experiência como jornalista de importantes jornais belgas, garantindo que o filme explora o tema de forma profunda e abrangente. Combinada com a experiência de Zajtman como produtor de documentários, a obra sobre o cobalto oferece uma visão completa dos desafios da transição para uma indústria automóvel mais sustentável. Muitos documentários sobre o tema centram-se exclusivamente nas questões da extracção em regiões remotas da África Central. Noirfalisse e Zajtman alargam a perspectiva para incluir entrevistas com fabricantes de automóveis europeus, empresas mineiras na Finlândia, onde existem depósitos europeus de cobalto, e a nova geração de fabricantes de baterias para automóveis eléctricos que está a emergir.

Maroš Šefčovič, Comissário Europeu para as Interinstitutional Relations and Foresight – um título tão fácil de pronunciar como um automóvel eléctrico – entusiasma-se com o sonho da electricidade que ajudará a combater as alterações climáticas e a manter os empregos na Europa. Mas os activistas na República Democrática do Congo e a nível internacional apontam os perigos da extracção de cobalto e a poluição provocada pelas minas.

Nenhum detalhe é deixado de lado
Os mineiros que trabalham nas minas artesanais queixam-se de quanto pouco os compradores chineses pagam pelo minério e de como mal conseguem ganhar o suficiente para pôr o pão na mesa. Na Finlândia, onde o governo concede licenças a minas consideradas economicamente viáveis ​​mesmo com minério contendo apenas um por cento de cobalto, estão a surgir grupos ambientalistas com preocupações semelhantes às levantadas na República Democrática do Congo, embora num contexto de protecção ambiental substancialmente melhor.

Nenhuma destas preocupações parece incomodar o representante de lábia fácil.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Aliança da Índia com a Rússia beneficia o Ocidente, mas China complica a relação e os EUA não querem perder o passo


O elo entre Nova Deli e Moscovo é antigo, mas uma guerra como a da Ucrânia tem levado a relação a um teste crucial. A China e os EUA, e suas respetivas relações com a Rússia, juntam-se também, formando um quadrilátero difícil de compreender. Com o seu multilateralismo e a sua visão multipolar do mundo, que interesses guarda a Índia e para que lado vai pender?
A maior democracia do mundo rejubila com o seu notável crescimento no sudeste asiático, um contrapeso da influência chinesa na região. Mas os ventos da mudança não trazem necessariamente a renovação de velhas alianças. Defesa, comércio de combustíveis fósseis, energia nuclear e exploração espacial: a colaboração entre a Índia e a Rússia é histórica e remonta ao período da Guerra Fria, nos anos 1950. A então União Soviética chegou a mediar um cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão no território de Caxemira, nos Himalaias. Em 1971, a Índia e a antiga URSS assinaram um pacto de amizade, paz e cooperação que seria substituído, dois anos após a dissolução da União Soviética, em 1993, pelo Tratado de Amizade e Cooperação Indorrusso. Mas em que se baseia hoje essa relação de amizade? E foi ou não abalada pela invasão russa da Ucrânia?

“A era de hoje não é uma era de guerra”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a Vladimir Putin, em setembro. Contudo, nem a Índia censurou a invasão russa, nem se juntou aos aliados ocidentais nas sanções contra Moscovo. Ao Expresso, Nandan Unnikrishnan, investigador do programa de estudos da Eurásia, no Observer Research Foundation, ‘think tank’ de Nova Deli, garante que, “no estado atual da geopolítica, os laços com a Rússia não são a relação bilateral mais consequente”. Só que, ainda que a sua importância seja menor, face àqueles dias da União Soviética, “não significa que a aliança não seja importante”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

As alterações climáticas vão atuar como um multiplicador de ameaças

Serge Stroobants é o diretor para a Europa, Médio Oriente e Norte de África do Instituto de Economia e Paz, conhecido pelo seu Global Peace Index, e apresenta hoje em Lisboa o Relatório de Ameaças Ecológicas. Ao DN, por email, falou do aquecimento global e do aumento da violência no mundo.

                               

Normalmente quando pensamos em aquecimento global ou alterações climáticas não pensamos em conflitos ou guerra. Qual é a ligação entre os dois conceitos?
O Relatório de Ameaças Ecológicas [ETR, na sigla em inglês] mostra que estas e as alterações climáticas representam sérias ameaças ao desenvolvimento global e à paz. Os efeitos adversos vão afetar de forma desproporcional os países mais pobres e mais vulneráveis do mundo e criar pressões indiretas nos países vizinhos através do movimento em massa de pessoas e extração de recursos. Construir resiliência às ameaças ecológicas será cada vez mais importante e irá requerer já hoje um investimento substancial. Muitas ameaças ecológicas existem independentemente das alterações climáticas. Contudo, estas têm um efeito amplificador, causando mais degradação ecológica e empurrando alguns países para pontos de inflexão violentos. Olhando para o futuro, as alterações climáticas vão atuar como um multiplicador de ameaças, exacerbando potencialmente a concorrência e tensões entre os países com menos recursos e resiliência.

E que países são esses?
O relatório identificou 30 países que são hotspots [pontos quentes], sendo que 28 desses 30 estão também na metade inferior do Global Peace Index [GPI] do Instituto de Economia e Paz. Onze dos 15 países com maior impacto ecológico estão já em conflito e os outros quatro países estão a cair na armadilha da violência e estão à beira desse conflito. Os recursos vão continuar a esgotar-se e a luta para aceder e eventualmente gerir esses recursos vai continuar a intensificar-se. Por exemplo, notámos um aumento de 270% nas disputas relacionadas com água na última década, concentradas em países como o Iraque ou o Iémen, mas também vimos um aumento forte (250%) da violência para resolver essas disputas. Esta é uma tendência que irá continuar. Estes são os ciclos viciosos que o relatório
 menciona.

É importante a Administração de Joe Biden ter vindo dizer que as alterações climáticas representam uma ameaça crescente à segurança nacional dos EUA?
É importante porque sublinha a relação entre as ameaças ecológicas e a segurança. Chama a atenção para a luta por recursos e os seus efeitos nas migrações. Como disse, o relatório identificou 30 hotspots, países onde o impacto das ameaças é maior e a resiliência é menor. Estes países são a casa de 1,26 mil milhões de pessoas, que enfrentam o risco potencial de deslocamento. Ao todo, 3,3 mil milhões de pessoas vivem hoje em 47 países que enfrentam riscos ecológicos elevados ou extremos, sendo que o número irá aumentar 2% até 2050, quando 4,7 mil milhões de pessoas ou 48,7% da população mundial viverá nesses países. O relatório refere ainda que a evolução demográfica será mais forte nos países mais afetados ou onde a ameaça é maior, que são também países com níveis baixos ou muito baixos de paz.

Quais são as ameaças para Portugal?
Portugal tem uma pontuação de 1 no índice, o que revela uma ameaça muito baixa. Está em 28.º de 178 países, mas esta é uma classificação relativa. O maior risco prende-se com o indicador da água e das anomalias de temperatura. Mas Portugal é um país europeu e, como a maioria dos países da União Europeia, está exposto a um número reduzido de ameaças e desenvolveu altos níveis de resiliência. Daí o ranking muito bom. Os países onde a resiliência é alta não têm pontuações más, porque têm a adaptabilidade para tomar os passos necessários para evitar ou mitigar as ameaças.

Falou no GPI, pelo qual o instituto é mais conhecido. Este é o segundo relatório sobre ameaças ecológicas. Porque é que decidiram abordar este tema e qual é a correlação entre os dois relatórios?
Foi simplesmente por causa da forte relação entre a degradação ecológica e os conflitos. O instituto tem como objetivo uma mudança de paradigma de forma a que o mundo pense na paz, usando investigação baseada em dados para mostrar que a paz é uma medida positiva, tangível e alcançável do bem-estar humano e desenvolvimento. Fazemos isto desenvolvendo índices globais e nacionais, calculando os custos económicos da violência, analisando o risco dos países e as fragilidades e compreendendo a Paz Positiva. Ao todo, 19 dos 20 países com a maior pontuação no ETR estão entre os cem países menos pacíficos medidos pelo GPI. Estes países incluem o Afeganistão, o Iémen, a Somália, o Níger, o Burkina Faso e o Paquistão. À medida que a paz se deteriora, o nível do ETR tende a piorar. Como resultado, os países com alto ou muito alto índice de paz tendem a ter um ETR melhor do que os países com níveis de paz médios, baixos ou muito baixos.

Angola e Moçambique, dois dos membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, estão entre aqueles com o ETR mais elevado. Porquê?
As previsões apontam para que ambos dupliquem a sua população até 2050. No caso de Angola terá o segundo maior crescimento populacional a nível mundial. Ambos também têm alguns dos níveis mais elevados de malnutrição e insegurança alimentar. A relação entre a paz e a insegurança alimentar, a falta de água e o crescimento populacional é complexa. Mudanças adversas no ambiente natural podem levar ao aumento das tensões sociais e à agitação civil se as sociedades não tiverem os níveis necessários de resiliência para lidar com estas ameaças. Da mesma maneira, o conflito e o crescimento populacional descontrolado têm impactos bem documentados no ambiente. Estas duas dinâmicas - de aumento da escassez de recursos e conflito - podem criar um ciclo vicioso onde uma aumenta a possibilidade da outra, levando a sociedades falhadas.

O vosso relatório não mostra apenas o cenário negro, também oferece recomendações para tentar quebrar este ciclo. O que pode ser feito para impedir que a situação piore?
Em 2020, o instituto organizou uma série de seis seminários com 60 peritos de governos, think tanks, instituições militares e organizações de desenvolvimento para explorar opções políticas com base no relatório do ano passado. A principal contribuição desse relatório foi a identificação e análise do ciclo vicioso que existe entre os conflitos violentos e a degradação dos recursos. Países que sofrem a pior degradação ecológica também tendem a ser alguns dos mais violentos. Uma mensagem recorrente dos seminários foi que é pouco provável que a comunidade internacional consiga reverter os ciclos viciosos em algumas partes do mundo. É o caso em particular no Sahel ou no Corno de África, com os seus elevados níveis de degradação de recursos, crescimento populacional e correntes conflitos.
A recente queda do Afeganistão para os talibãs pôs em destaque a incapacidade de as grandes democracias ocidentais implementarem uma agenda de desenvolvimento para o país. O estudo da Universidade de Brown sobre os custos da guerra diz que o governo norte-americano gastou 2,261 biliões de dólares na guerra do Afeganistão. Isso não inclui os gastos das forças da coligação ou os gastos norte-americanos no vizinho Paquistão. Ou seja, o custo per capita da guerra é mais do que cem vezes o rendimento anual per capita do Afeganistão e dado que o estudo foi conservador, o verdadeiro custo pode ser muito maior. O exemplo afegão demonstra que o modelo para os programas de desenvolvimento e de construção de resiliência precisa de ser revisto para desenvolver um alinhamento mais próximo às necessidades das comunidades locais. Os desafios sistémicos requerem análises sistémicas que levam a soluções sistémicas. Aconselhamos o agilizar da revisão dos esforços de desenvolvimento com uma abordagem internacional compreensiva e concertada. Enfrentar a degradação ecológica reforçada pelas alterações climáticas está na casa dos mil milhões agora, mas irá ser de biliões nos próximos anos. Só os conflitos custam 600 mil milhões por ano, isto irá aumentar gradualmente até aos biliões se não for tratado de forma adequada e sistemática. O custo total da violência é estimado em 14,5 biliões. Imagine quanto dinheiro poderia ser redirecionado para a ajuda ao desenvolvimento e climática se mudássemos o paradigma existente! Apenas um ou dois por cento, sendo que 1% já representa o equivalente ao orçamento para a ajuda global ao desenvolvimento.

O que espera ver dos líderes mundiais na cimeira do clima em Glasgow (COP26) que começa no domingo? Acha que haverá algum avanço?
Eles precisam de concordar num investimento mais considerável do que o que está a ser feito hoje para responder a muitos dos temas e quebrar o ciclo vicioso de degradação ecológica e violência que muitos países sofrem e vão continuar a sofrer. O que devíamos esperar dos nossos líderes era uma mudança de paradigma e a concentração na natureza sistémica dos problemas em causa.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O TOP TEN da vergonha - gastos militares e em "defesa" 2011 (em biliões de dólares)



Tinha isto conservado há algum tempo. Mas não aguento mais. Tinha que colocar no Bioterra. Estes números metem-me NOJO e uma afronta a milhares de cidadãos que protestam nas ruas e nas redes sociais e em ONG e nas próprias instituições, pagando o preço por vezes alto de ser demitido ou perder o emprego para mudar ISTO- esta realidade da GUERRA, da traição federal/estatal/ privada de investir em armas e conflitos! Em pleno séc XXI ainda há tanto dinheiro investido em nome da "defesa"...QUEM TEM TELHADOS DE VIDRO NÃO ATIRA PEDRAS NO VIZINHO - os números são esclarecedores: EUA (na frente e a que distância- 46%) seguidos quase ex-aequo por França, Alemanha, Reino-Unido, Arábia Saudita, Brasil, China, Rússia e NATO.

Referências bibliográficas

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

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