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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Relembrar o pensamento de Charles Chaplin


"Em termos políticos, sou anarquista. Odeio governos, regras e grilhões. Não suporto animais enjaulados. As pessoas têm de ser livres." - Charles Chaplin
Esta frase foi dita pelo lendário cineasta e ator Charles Chaplin e reflete profundamente a postura humanista e anti-autoritária que marcou toda a sua vida e obra. Embora não pertença a um discurso oficial, a declaração resume a sua revolta contra as amarras institucionais, algo que ele expressava frequentemente em entrevistas e na sua própria arte. A personagem do Charlot era, na sua essência, a personificação do homem livre e marginal que desafiava constantemente as convenções sociais e a autoridade policial. Ao longo das décadas de 1930 e 1940, com o lançamento de obras primas como Tempos Modernos e O Grande Ditador, Chaplin usou o cinema para criticar ferozmente a desumanização industrial, o fascismo e o nacionalismo cego, o que acabou por atrair a atenção do governo dos Estados Unidos. Durante a era do Macarthismo, o FBI passou a vigiá-lo de perto, acusando-o falsamente de simpatias comunistas. O culminar deste sufoco político aconteceu em 1952, quando Chaplin viajou para Londres e o governo americano aproveitou a ocasião para lhe revogar o visto de reentrada no país. Revoltado com a perseguição e com o controlo estatal, o cineasta recusou-se a implorar o regresso e exilou-se na Suíça. Assim, quando Chaplin afirmava que odiava governos e não suportava ver pessoas como animais enjaulados, falava com o conhecimento de causa de quem sentiu na pele o peso do autoritarismo e da censura de um Estado que tentou travar a sua liberdade.
Este excerto pertence ao filme "O Grande Ditador" (The Great Dictator), lançado em 1940.
Esta cena, em específico, é o lendário discurso final do filme, amplamente considerado um dos momentos mais marcantes e emocionantes da história do cinema. No filme, Chaplin interpreta dois papéis: um ditador implacável chamado Adenoid Hynkel (uma sátira direta a Adolf Hitler) e um humilde barbeiro judeu. No final, o barbeiro é confundido com o ditador e é obrigado a discursar perante uma enorme multidão; em vez de propagar o ódio, ele quebra a personagem e faz este apelo universal à paz, à humanidade, à união e à liberdade.

domingo, 7 de junho de 2026

Vergonha do Dia D! Pete, do Pentágono, envergonha os nossos heróis caídos da Segunda Guerra Mundial na cerimónia da Normandia ao comparar os barcos dos migrantes à invasão aliada contra os nazis!


O secretário para os Crimes de Guerra, Pete Hegseth, teve um comportamento extremamente desrespeitoso na comemoração do Dia D, hoje, na Normandia, aproveitando o evento solene para promover uma retórica anti-imigrante.

Enquanto se encontrava nas praias sagradas onde as forças aliadas lançaram a maior invasão da história para libertar a Europa da ocupação nazi, Hegseth afirmou:

«Hoje, diferentes praias europeias são invadidas por diferentes ideologias perigosas. Em Espanha, Itália, Grécia e Bulgária, chegam barcos e homens. Quando é que as capitais europeias farão algo em relação a essa invasão? Ou será que já é tarde demais?» [aqui]

Meu Deus. O Dia D foi o momento em que as tropas americanas, britânicas, canadianas e outras forças aliadas arriscaram tudo para invadir aquelas praias e derrotar o fascismo. Um dia em que parecia realmente que o futuro do mundo estava por um fio.

Desvalorizar a 82.ª comemoração desse dia com posturas políticas xenófobas e sem sentido sobre a migração é simplesmente inconcebível.

Em nome do punhado de jovens heróis que ainda estão entre nós com 100 anos ou mais, pedimos desculpa em nome do povo americano.

Num dos locais mais sagrados e históricos do mundo, o trumpista Hegseth nem sequer conseguiu mostrar algum respeito básico pelos que morreram, deixando a política de fora, por uma vez.

Que vergonha, Pete. Cala-te, porco.

Testemunho de Robert Reich
Toda Verdade aqui

terça-feira, 2 de junho de 2026

Secos & Molhados - Sangue Latino


Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

A música "Sangue latino", dos Secos & Molhados, destaca a resistência e a afirmação da identidade latino-americana diante de influências externas e opressão. O verso “Os ventos do norte não movem moínhos” sugere que soluções vindas de fora não resolvem os problemas internos do povo latino, reforçando a necessidade de buscar força e respostas dentro da própria cultura. Ao repetir “meu sangue latino, minh'alma cativa”, a canção expressa o orgulho de pertencer a esse povo, mas também reconhece a condição de opressão e luta constante.

Lançada durante a ditadura militar no Brasil, a música ganha ainda mais força como símbolo de resistência. Versos como “rompi tratados, traí os ritos” e “o que me importa é não estar vencido” mostram a coragem de desafiar tradições e enfrentar a repressão, mesmo que isso traga sofrimento ou isolamento. A letra mistura sentimentos pessoais e coletivos, abordando culpa, luta e pertença. O “grito, um desabafo” representa a necessidade de se expressar diante da opressão. Assim, "Sangue latino" consolida-se como um hino de resistência cultural e celebração da identidade dos povos latino-americanos, refletindo a sua trajetória de superação.

Sangue Latino - Ney Matogrosso (Por Trás da Canção)
Secos & Molhados - Compilação dos anos 1973 e 1974

Ouçam o discurso de Noah Eckstein: O fim da escuta - porque já não sabemos debater? Um manifesto anti-polarização


Noah Eckstein inicia o seu discurso de forma descontraída, recorrendo à estrutura de uma piada tradicional: um cristão, um muçulmano e um judeu entram num bar. Contudo, contextualiza que, na sua própria família, essa união resultou no casamento dos seus avós e, gerações mais tarde, no seu próprio nascimento como um judeu orgulhoso que também celebra as heranças cristã e muçulmana da sua família.

O ponto central da mensagem de Eckstein baseia-se na lição que aprendeu com os seus avós (um muçulmano paquistanês que cresceu durante a guerra de 1947 e um refugiado judeu do Holocausto): o oposto da divisão não é o acordo, mas sim a compreensão. Ele destaca que o mundo atual nos empurra constantemente para binários e visões polarizadas (esquerda vs. direita, progressista vs. conservador, nós vs. eles), exigindo sempre que escolhamos um lado.

Os seus avós discordavam em inúmeros temas morais e ideológicos, mas mantinham o hábito de se sentar à mesa a debater e a demonstrar preocupação mútua. Eckstein lamenta que a sociedade atual tenha perdido essa capacidade; os debates tornaram-se mais barulhentos, as pessoas discutem apenas para vencer ou humilhar o adversário, e o indivíduo do outro lado deixou de ser visto como uma pessoa para passar a ser visto como um obstáculo.

O orador salienta que tentar compreender quem pensa de forma diferente não significa desculpar atos monstruosos ou abdicar dos próprios ideais. Pelo contrário, compreender o percurso e as motivações do outro é uma ferramenta crucial, aplicável tanto aos grandes conflitos geopolíticos como às pequenas interações do dia a dia — seja com um familiar no jantar de Ação de Graças ou com um colega de turma na faculdade.

Ao concluir, Eckstein deixa um desafio aos recém-graduados de Harvard: quando encontrarem alguém com quem discordam, devem defender as suas convicções, mas também devem colocar-se no lugar do outro e escutar como se pudessem estar errados. Lembra que os seus avós morreram fiéis às suas próprias crenças e tradições, sem nunca cederem nos seus ideais, mas mantiveram sempre o respeito mútuo. Num mundo profundamente fraturado, a verdadeira mudança e a cura das divisões só serão possíveis através de um esforço genuíno para compreender a humanidade do próximo.

Uma pequena bio aqui

Fez-me relembrar uma citação famosa "O oposto da guerra não é a paz... É a criação!" que consta numa obra de teatro musical, "Rent" (1996) composta por Jonathan Larson.

Em 2005 estreou a adaptação para o cinema de Rent, sob a direção de Chris Columbus.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Arnaud Rebotini - YOUTH! Take A Stand


Por restrições de idade o vídeo pode ser visto aqui


Melhor som aqui

Youth!
Take a stand
Youth!
Take a stand

It's time to rise up against your enemies
Murder and lies on TV
Time is running out for your future

Youth!
Take a stand
It's time to break down your walls

Youth!
Take a stand
Because the world is choked control
Manipulation of the canvas
It's time for you to refuse

Youth!
Take a stand
It's time to break down your walls

Youth!
Take a stand

Everything has to be erased and re-branded
Murder and lies on TV
We have to refuse
We have to fight for a new world
A new conception
High education
No more resignation
We have to refuse
Resist
Fight

We have to refuse
We have to fight for a new world
A new conception
High education
No more resignation
We have to refuse
Resist
Fight

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Steve Earle - City Of Immigrants (canção de intervenção, mais uma no seu currículo imaculado e coerente com princípios éticos e eco-pacifistas)


Veteran singer-songwriter-actor Steve Earle and veteran actor-director Steve Buscemi are two people who would seem to have known each other for ages. Their work, whether it’s Earle’s vast catalog of songs (“Copperhead Road,” “Guitar Town”) and acting roles (“The Wire,” “Treme,” “Leaves of Grass”), or Buscemi’s formidable history of acting and directing (“Fargo,” “Reservoir Dogs,” “The Big Lebowski,” “The Sopranos,” “Boardwalk Empire”), shares a certain humanity, sensitivity and sensibilities.

Yet the two actually met for the first time earlier this year, after Buscemi was suggested as a director for a new video for Earle’s 2007 song “City of Immigrants” from his New York-themed album “Washington Square Serenade.” The video is a heartfelt, lively celebration of the polyglot melting pot that New York City has always been, created by two longtime residents.

Earle and Buscemi, together with a small cast of extras and technicians, were together in the East Village one sunny spring afternoon in April to shoot footage for the clip, which features people from the city’s countless ethnic groups, along with shots of Earle walking the streets and singing the in several different neighborhoods — also including Jackson Heights in Queens, which the singer describes as “easily the most diverse neighborhood in the country” — and performing a concert at the Gramercy Theater.

Steve Earle has never been afraid to speak his mind even if it loses him fans. He was singing about gun violence and attacking the NRA back in the 80's when it was deeply unpopular. He made a whole album against the war in Iraq when most of the country, especially his Copperhead Road fans, were supporting it. He has sung about the children of Gaza long before anyone was talking about Palestine. Seeing him stand up for immigrants is not surprising. Beautiful song.

Letra
Livin' in a city of immigrants
I don't need to go travelin'
Open my door and the world walks in
Livin' in a city of immigrants
Livin' in a city that never sleeps
My heart keepin' time to a thousand beats
Singin' in languages I don't speak
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
City of innocents
City of sweat
City of tears
City of prayers
City of immigrants

Livin' in a city where the dreams of men
Reach up to touch the sky and then
Tumble back down to earth again
Livin' in a city that never quits
Livin' in a city where the streets are paved
With good intentions and a people's faith
In the sacred promise a statue made
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Constantly spinnin'
City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants

All of us are immigrants
Every daughter, every son
Everyone is everyone
All of us are immigrants - everyone
Livin' in a city of immigrants
River flows out and the sea rolls in
Washin' away nearly all of my sins
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
Livin' in a city of immigrants
City of sweat
City of tears
City of prayers
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Livin' in a city of immigrants

City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants
All of us are immigrants


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Documentário - Leo from Chicago


1. Documentário do Vaticano
O documentário "Leo from Chicago", realizado pelo cineasta James Keach, é um retrato profundamente humanista e comovente que narra a extraordinária trajetória de Leo, um homem que viveu durante décadas nas ruas de Chicago. Longe de ser uma abordagem assistencialista, Keach utiliza a sua lente para capturar a essência de um indivíduo que, apesar de mergulhado na pobreza extrema e na invisibilidade social, nunca abandonou a sua dignidade ou a sua fé inabalável. Em Chicago, Leo era conhecido não apenas pela sua condição de sem-abrigo, mas pela sua inteligência, pela doçura do seu trato e por uma resiliência silenciosa que o tornava uma figura respeitada na sua comunidade urbana.

A narrativa ganha uma dimensão quase transcendente quando descreve como Leo chegou ao Vaticano. Através de uma rede de amizades e do apoio de pessoas que reconheceram nele uma luz espiritual invulgar, Leo foi convidado a viajar até Roma. Este percurso simboliza um contraste visual e emocional poderoso: a transição das calçadas frias e hostis do Midwest americano para a grandiosidade secular e o mármore dos palácios pontifícios. O documentário culmina no encontro simbólico entre Leo e a cúpula da Igreja Católica, personificando a visão de uma "Igreja para os pobres" e demonstrando que a verdadeira riqueza não se encontra na opulência dos edifícios, mas na pureza de coração de quem nada possui. É uma obra elegante que nos recorda que, independentemente das circunstâncias materiais, a essência humana permanece sagrada.

2. Outro Documentário: Robert Prevost - De Chicago ao Papa Leão XIV
Um Papa diferente de todos os outros. Na primavera de 2025, o mundo assistiu ao fumo branco a subir sobre a Basílica de São Pedro, assinalando um novo capítulo na história católica. O homem escolhido: Robert Prevost — um antigo coroinha de Chicago, missionário no Peru e humilde frade agostiniano. Agora, é o Papa Leão XIV, o primeiro norte-americano a liderar a Igreja Católica global.

Neste documentário aprofundado traça a vida extraordinária do Papa Leão XIV, desde a sua infância cheia de fé no coração da América até aos bairros poeirentos do Peru, aos corredores do Vaticano e, finalmente, à varanda papal. Testemunhe como um construtor de pontes moldado pela compaixão, justiça e humildade ascendeu para pastorear 1,4 mil milhões de almas.

Através de uma narrativa cinematográfica e de uma rica perceção histórica, exploramos o homem, a missão e a mensagem por detrás de Leão XIV — um Papa que convoca o mundo para a unidade, a paz e a renovação missionária.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Governo paga 20 mil euros para ter SportTV em São Bento - uma atitude sem noção e insensível, típico de narcisistas


Ser confrontado com a notícia de que o Governo de Luís Montenegro decidiu gastar cerca de 20 mil euros para instalar o canal Sport TV na residência oficial do Primeiro Ministro e no Parlamento nesta altura do país é, no mínimo, um sinal de desfasamento profundo entre o que este executivo escolhe como prioridade e aquilo que os cidadãos realmente vivem.
Este contrato de três anos, celebrado por ajuste direto com a NOS, garante acesso ‘premium’ a canais desportivos que transmitem futebol, incluindo a liga portuguesa e competições europeias, e será pago com dinheiro público até 2028 — um montante que se justifica facilmente, mas que politicamente soa a falta de empatia e sentido de realidade face ao sofrimento de quem perdeu casa, energia ou meios de subsistência na sequência das tempestades. 
Não é a questão do valor — 20 mil euros não vão desestabilizar um Orçamento do Estado — é a hierarquia de prioridades que está em causa 
Quando o Governo admite défices para cobrir os apoios às vítimas das calamidades, quando milhares aguardam apoios urgentes e quando a própria resposta estatal foi lenta e insuficiente em muitas regiões, optar por gastar dinheiro dos contribuintes em canais desportivos para o Primeiro Ministro e para o Parlamento é uma demonstração flagrante de falta de noção sobre as expectativas e necessidades do país Esta decisão transmite uma mensagem implícita de desconexão social: enquanto cidadãos lutam com as consequências de uma catástrofe natural, o executivo parece mais preocupado com entretenimento institucional do que com a eficácia da resposta à crise. 
 A incapacidade de priorizar o essencial reflete, sobretudo, uma falta de empatia que não combina com responsabilidade governativa séria. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Funker Vogt - The Firm



"The Firm" é uma das músicas mais icónicas do Funker Vogt e encapsula perfeitamente o estilo "militaresco-irónico" da banda. A canção integra o álbum Survivor (2002)
Diferente de outras faixas que focam em campos de batalha físicos, esta música utiliza uma metáfora corporativa para descrever algo muito mais sombrio.
O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.
Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Letra
Our law is rough and hard
I carry the scars with (all my) pride
The years passed by
And I'm still standing here

Red drops on the cold asphalt
The taste of blood is bitter and sweet
I'm fighting for my firm
And take the power from the fire inside of me
Inside of me
Inside of me
And take the power from the fire inside of me

Chorus:
I'll go the way of the warrior
Every fight makes me stronger
Adrenalin pulsates within me
And I will never surrender

No one will ever convert me
I hang my flag in the wind
Giving up is no option
What counts is only victory or disgrace

Chorus (2x):

And I will never surrender
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Revolution

O Significado Central
A "empresa" (The Firm) mencionada na letra não é uma companhia de seguros ou uma fábrica de tecnologia; é uma metáfora para a máquina de guerra e para as organizações militares/mercenárias que tratam a violência como um negócio lucrativo.

Aqui estão os pontos principais da interpretação:
1. A Guerra como Negócio: A letra sugere que o conflito armado é uma corporação global. Os soldados são os "funcionários", as batalhas são as "tarefas" e o lucro é extraído através da conquista e do poder.

2. Desumanização: A música fala sobre ser "parte da máquina". O indivíduo perde sua identidade para se tornar um recurso descartável da "The Firm". Se você falha ou morre, você é simplesmente substituído, como uma peça de engrenagem quebrada em uma linha de montagem.

3. Controle e Recrutamento: O refrão e os versos passam a ideia de uma organização onipresente que recruta aqueles que buscam propósito ou que não têm para onde ir, oferecendo-lhes uma "carreira" baseada na destruição.

Contexto Estético
Na cultura britânica (e no contexto de subculturas europeias), o termo "The Firm" também é frequentemente usado para se referir a gangues de hooligans ou grupos de crime organizado. O Funker Vogt mistura essa ideia de "lealdade ao grupo/gangue" com a estrutura de um exército moderno.

Não, a banda não se identifica como neonazi. No entanto, a confusão é comum e compreensível por alguns motivos:
Estética Militarista: O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.

Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Controvérsia de 2013: A maior polémica ocorreu quando contrataram Sacha Korn como vocalista. Korn tinha associações conhecidas com a extrema-direita alemã. A reação dos fãs e dos selos musicais foi tão negativa que a banda o demitiu pouco tempo depois, afirmando que não apoiam ideologias de direita e que Funker Vogt é um projeto apolítico/antiguerra.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Brigade Internationale - Remember My Death


O nome Brigade Internationale (Brigada Internacional) é uma referência direta às unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que viajaram para a Espanha para lutar ao lado da Segunda República Espanhola contra as forças fascistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Ao escolherem este nome, a banda evoca uma estética de resistência antifascista, idealismo político e melancolia histórica, temas comuns na subcultura coldwave da época.

Regard Extrême é uma das músicas mais conhecidas da banda, presente no álbum/cassete Regard Extrême lançado em 1984 pela gravadora Wallenberg Produktion.

A canção: Mantém a sonoridade característica do género, com sintetizadores sombrios, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera minimalista e melancólica.

Significado da Letra: O título "Remember My Death" (Lembre-se da minha morte) reforça a temática existencialista e fúnebre do grupo, possivelmente ligando-se ao sacrifício dos voluntários das brigadas originais

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leonard Cohen - Democracy


A imagem do poderoso navio do Estado que deve passar pela tempestade do ódio, atravessar os recifes da ganância para chegar às praias da necessidade é a coisa mais linda que se pode ouvir numa canção!

"Democracy" é uma canção do Leonard Cohen com a participação de Jeff Fisher, originalmente lançada no álbum The Future, de Cohen, em 1992.  A letra aborda as falhas e as promessas da democracia nos Estados Unidos A canção foi escrita aproximadamente durante a queda do Muro de Berlim, o que levou Cohen a questionar a origem da democracia. Cohen afirmou que era "uma canção de profunda intimidade e afirmação da experiência democrática" nos Estados Unidos.

Democracy
Leonard Cohen

It's coming through a hole in the air
From those nights in Tiananmen Square
It's coming from the feel
That this ain't exactly real
Or it's real, but it ain't exactly there
From the wars against disorder
From the sirens night and day
From the fires of the homeless
From the ashes of the gay
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming through a crack in the wall
On a visionary flood of alcohol
From the staggering account
Of the Sermon on the Mount
Which I don't pretend to understand at all
It's coming from the silence
On the dock of the bay
From the brave, the bold, the battered
Heart of Chevrolet
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the sorrow in the street
The holy places where the races meet
From the homicidal bitchin'
That goes down in every kitchen
To determine who will serve and who will eat
From the wells of disappointment
Where the women kneel to pray
For the grace of God in the desert here
Snd the desert far away
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on
O mighty Ship of State!
To the Shores of Need
Past the Reefs of Greed
Through the Squalls of Hate
Sail on, sail on, sail on, sail on

It's coming to America first
The cradle of the best and of the worst
It's here they got the range
And the machinery for change
And it's here they got the spiritual thirst
It's here the family's broken
And it's here the lonely say
That the heart has got to open
In a fundamental way
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the women and the men
O baby, we'll be making love again
We'll be going down so deep
The river's going to weep
And the mountain's going to shout Amen!
It's coming like the tidal flood
Beneath the lunar sway
Imperial, mysterious
In amorous array
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on

I'm sentimental, if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight
Getting lost in that hopeless little screen
But I'm stubborn as those garbage bags
That Time cannot decay
I'm junk but I'm still holding up
This little wild bouquet
Democracy is coming to the U.S.A

Em "Democracy", Leonard Cohen apresenta uma análise irónica e crítica sobre o ideal democrático nos Estados Unidos. Ele deixa claro que a democracia não é um estado já alcançado, mas um processo contínuo, muitas vezes marcado por caos e sofrimento. Cohen faz referência a eventos como as "noites em Tiananmen Square" (noites na Praça da Paz Celestial) e menciona "as cinzas dos gays" e "os incêndios dos sem-teto", conectando lutas globais e marginalizações internas. Com isso, sugere que a verdadeira democracia nasce das experiências de dor, exclusão e resistência de grupos marginalizados. O verso "Democracy is coming to the U.S.A." (A democracia está chegando aos EUA) traz esperança, mas também ironia, indicando que, apesar do discurso oficial, a democracia plena ainda não foi alcançada no país.

A música foi composta durante a queda do Muro de Berlim, um momento de grandes mudanças políticas, o que reforça a visão de Cohen dos EUA como um laboratório imperfeito, onde a experiência democrática é testado entre extremos: "the cradle of the best and of the worst" (o berço do melhor e do pior). Ele também ironiza a espiritualidade e a busca por transformação, enquanto reconhece a solidão e a fragmentação social americana: "It's here the family's broken / And it's here the lonely say / That the heart has got to open / In a fundamental way" (É aqui que a família está desfeita / E é aqui que os solitários dizem / Que o coração precisa se abrir / De uma forma fundamental). O refrão, repetido como um mantra, funciona como desejo e alerta, mostrando que a democracia só se concretiza quando impulsionada "from the sorrow in the street" (a partir da dor nas ruas) e das vozes dos excluídos. No final, Cohen se mostra sentimental, mas desiludido, optando por observar à distância, mas mantendo uma esperança persistente, como "those garbage bags / That Time cannot decay" (aqueles sacos de lixo / Que o Tempo não consegue destruir). A canção segue atual ao abordar as contradições e desafios do sistema democrático, sem perder a fé em sua renovação.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Morreu Eurico Figueiredo, um resistente antifascista e histórico político de enorme relevo na nossa História e ambientalista.


Militante socialista desde 1974, académico e defensor das causas ambientais, deixa um legado marcado pela combatividade cívica e pela defesa de Trás‑os‑Montes. Tinha 86 anos.

Nascido em Vila Real, em 1939, Eurico Figueiredo entrou cedo na vida política. Aos 16 anos aderiu ao MUD Juvenil e, dois anos depois, participou na campanha presidencial de Humberto Delgado, assumindo riscos reais perante a vigilância da PIDE. Em Lisboa, destacou-se no movimento estudantil, presidindo à Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina e desempenhando um papel central na Crise Académica de 1962. Foi o primeiro secretário-geral do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses, estrutura que articulava a contestação académica ao regime. A repressão não tardou: foi expulso da Universidade de Lisboa por trinta meses e detido três vezes pela polícia política.

Transferido para Coimbra, ajudou a reorganizar a resistência estudantil e participou na criação do clandestino Movimento Sindical Estudantil. Em 1965, perante o agravamento da repressão, partiu para o exílio na Suíça, onde manteve ligações estreitas aos movimentos oposicionistas. Militante do PCP desde os 18 anos, rompeu com o partido em 1967, em protesto contra a invasão da Checoslováquia pela União Soviética.

Com o 25 de Abril, regressou a Portugal e integrou o Partido Socialista, onde militou desde 1974. Desempenhou vários cargos dirigentes e foi deputado à Assembleia da República nos anos 80 e ao longo da década de 90. Em 1999, afastou-se do PS, divergindo da linha política de António Guterres. Participou mais tarde na fundação do PDR e aproximou-se do MPT, pelo qual foi candidato a eleições legislativas e europeias.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu “com muita consternação” a notícia do falecimento, evocando Eurico Figueiredo como “um grande lutador pela Liberdade e pela Democracia, de uma verticalidade e de uma independência sem limite”. Numa nota divulgada este sábado, o chefe de Estado apresentou à família, aos amigos, correligionários e admiradores, bem como ao Partido Socialista, “o profundo pesar por uma perda de alcance nacional”.

Em reação à sua morte, o Partido Socialista lamentou a perda de um antigo deputado e ex-dirigente, recordando Eurico Figueiredo como “uma referência política incontornável para todos os socialistas”. Numa nota enviada às redações, o PS sublinhou a sua “tenacidade, combatividade e convicções”, mas também “uma imensa generosidade”, destacando ainda o seu papel como resistente antifascista, a participação ativa na campanha de Humberto Delgado e a intervenção nos movimentos estudantis de Lisboa e Coimbra.

O PS salientou igualmente o seu contributo pioneiro em áreas como a defesa do ambiente e a valorização de Trás-os-Montes e da identidade duriense, sublinhando que “a melhor homenagem” será a continuação do combate por “um país mais justo, mais coeso e solidário”.

Psiquiatra de formação, licenciado e doutorado em Medicina, Eurico Figueiredo foi professor catedrático e uma voz respeitada na área da saúde mental. A sua morte encerra o percurso de um resistente antifascista, académico e político que atravessou, com convicção e sentido cívico, algumas das páginas mais intensas da história contemporânea portuguesa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Max Richter e Mari Samuelsen - Mercy


Um filme de Yulia Mahr.
Violino solo: Mari Samuelsen
Piano: Max Richter

Mercy, composta em 2010 para Hilary Hahn e aqui interpretada com tanta beleza por Mari Samuelsen, foi o ponto de partida para todo o projeto VOICES. Ao longo dos anos de trabalho, a música assumiu muitas formas, quase todas postas de lado, mas a música de Mercy foi sempre uma espécie de estrela-guia, orientando o resto da obra. O belo filme de Yulia coloca a questão da misericórdia e da compaixão firmemente no nosso mundo quotidiano. Estamos todos juntos nisto.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O Chega e o Ódio - "Ódio é muitas vezes demasiada importância ao que é somente desprezível"


Já li o livro excelente de Miguel Carvalho- "𝐏𝐨𝐫 𝐃𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚 -𝐀 𝐟𝐚𝐜𝐞 𝐨𝐜𝐮𝐥𝐭𝐚 𝐝𝐚 𝐞𝐱𝐭𝐫𝐞𝐦𝐚-𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐚 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥".
A narrativa inflamada, os epítetos boçais, a opacidade das contas (afinal cai o pano de "Limpar Portugal" e financiamento deste "partido" (corrupto, quando acabamos de ler o livro) é também racista, fascista e xenófobo.
Outro aspecto que André Ventura e sua comandita proclamam é o candidato “do povo” contra as “elites. Nada mais falso. É alimentado por uma elite económica nacional e internacional que depois, caso chegue ao poder, vai cobrar e os portugueses ficam mais pobres e haverá austeridade.

Em junho de 2020 a Revista Visão já havia publicado extensa matéria sobre um banquete na luxuosa Quinta do Barruncho, nos arredores de Lisboa. O centro das atenções era André Ventura, que recém havia lançado o Chega (2019). Entre os convidados estava João Maria Bravo, dono da Sodarca, empresa com contratos milionários de fornecimento de armas às forças de segurança e ao exército.

Outro grande empresário presente era Miguel Félix da Costa, cuja família representou durante 75 anos a marca de lubrificantes Castrol em Portugal, atual homem forte da Slil, uma sociedade gestora de participações nas áreas do imobiliário e turismo, e que conta ainda com interesses na agricultura e na criação de cavalos. A eles se juntou Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro, então administrador acionista da TAP, e João Pedro Gomes, do grande escritório de advogados BSGG.

Também comensal da Quinta do Barruncho foi Francisco Cruz Martins, que administra as imobiliárias Mocaja e Xaroco, ambas pertencentes à Breteuil Strategies, sediada no Chipre, um dos mais importantes paraísos fiscais europeus. O nome do advogado foi amplamente citado no escândalo dos “Papéis do Panamá”, por causa das ligações a sociedades offshore.

𝗤𝘂𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗴𝗮 𝗼 𝗯𝗮𝗻𝗾𝘂𝗲𝘁𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲 𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘁𝗼
Além deles, outros 70 grandes empresários de diversos ramos económicos portugueses, como representantes do antigo Grupo Espírito Santo. Carlos Barbot, dono do império empresarial das Tintas Barbot, e Paulo Mirpuri, ex-dono da falida operadora de aviação Air Luxor, CEO da Mirpuri Investments e da Hi-Fly, também estiveram nos almoços do Chega.
Entre os doadores do Chega já foram detectados membros da família Champalimaud, que figuram como maiores acionistas da CTT (Correios e banco) e do hotel de luxo The Oitavos, em Cascais, onde o partido organiza encontros com financiadores, dentre outros ramos de negócios.
O episódio recente da CNN foi mais um acto de vitimização, próprio dos ditadores. Recordo que André Ventura num debate para as Legislativas de 2024 disse "𝗘𝘂 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗺𝗽𝗼 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗾𝘂𝗶𝘀𝗲𝗿”. Lembram-se? Um total de 1.661 interrupções e cerca de 30% das interrupções foram feitas pelo líder do Chega.

𝗢 𝗴𝗿𝘂𝗽𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗹𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗱𝗼 𝗖𝗵𝗲𝗴𝗮 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲𝗺𝗶𝗻𝗮 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗶𝗿𝗮𝘀
Obriga frequentemente ao uso de fact-checking. Agora aprimoraram-se na deepfake recorrendo à Inteligência Artificial.
A camada principal do Chega é polarizar a nossa sociedade e instrumentalizar e promover o ódio e a intolerância.
Já dizia Camilo Castelo Branco, um grande escritor e por vezes muito esquecido entre nós, tal como p.ex. Aquilino Ribeiro escreveu o seguinte - "Ó𝐝𝐢𝐨 é 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐚𝐬 𝐯𝐞𝐳𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐚𝐬𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐚𝐨 𝐪𝐮𝐞 é 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐫𝐞𝐳í𝐯𝐞𝐥"  (Trecho retirado do seu romance "A Neta do Arcediago")
"Somente desprezível" significa que algo ou alguém é digno de desprezo e nada mais. Refere-se a algo ou alguém que não merece consideração, que é vil, abjeto ou sem valor, não apresentando qualquer outra qualidade.
Que merece ser desprezado: A expressão destaca a falta de valor e a indignidade.
Que não merece respeito: Implica que a pessoa ou coisa em questão é de baixo caráter, abjeta ou sórdida.
Sem outras qualidades: Sugere que, além de desprezível, não há nada de positivo a ser dito sobre o assunto.
Uma situação e efeito do ódio é a nível psicológico e de abalos de valores pessoais e colectivos. Ver estudo académico "Why we hate". 
Porém o aspecto perigoso do ódio é quando ele está na política, num partido, num agregado social. O ódio deriva de uma mentalidade “nós contra eles”, ao mesmo tempo que é um método simplificado para a difícil tarefa de gerir a diferença.

𝐏𝐨𝐥𝐚𝐫𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐧ã𝐨 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐥𝐢𝐭𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐭𝐮𝐢𝐭𝐨 — 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐭𝐨𝐦𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨.
A política não se esgota no consenso, pelo que também é confronto quando o que está em jogo a dignidade de vidas inteiras. Polarizar não é rejeitar o diálogo, mas sim recusar a normalização da violência arbitrária. É traçar uma linha ética, mas não moralista, que diga que daqui não se ultrapassa. 

Afinal, existem momentos em que a empatia exige a tomada de posições e a capacidade de ouvir o outro cede lugar à resistência.

Contudo, o exercício da empatia não se restringe apenas aos opositores de opinião. Dentro dos nossos próprios espaços políticos, deve imperar a capacidade de ouvir o outro e de respeitar a sua humanidade, independentemente das diferenças. Na luta por um mundo mais justo, a empatia deve ser o alicerce de todas as nossas relações, não apenas com aqueles que pensam de forma diferente, mas também dentro dos espaços que ocupamos.

Em conclusão, é preciso mais do que nunca, resgatar a política como exercício de cuidado, como espaço de construção comum. Porque sem empatia, sem estratégia de educação ambiental e relações de proximidade a política perde o seu sentido.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Padre alemão descobre na internet que é neto de Heinrich Himmler, o 'arquiteto' do Holocausto


German pastor Henrik Lenkeit was shocked to discover his grandfather was top Nazi politician Heinrich Himmler through a World War II documentary. Himmler, Hitler’s deputy and a main architect of the Holocaust, was involved in an affair with Lenkeit’s grandmother that led to two children, one of whom was Lenkeit’s mother. He told 10 News+ the discovery was psychologically devastating, and he now speaks out against antisemitism, decrying everything his grandfather stood for.

Henrik Lenkeit viveu 47 anos sem saber que era familiar do braço direito de Hitler, um dos homens mais cruéis da Alemanha nazi.

Henrik Lenkeit, pastor evangélico alemão, descobriu no ano passado, aos 47 anos, que é neto de Heinrich Himmler, braço direito de Hitler e um dos arquitetos da 'Solução Final' do Terceiro Reich, que levou à morte de milhões de judeus, ciganos, homossexuais e dissidentes políticos durante a Segunda Guerra Mundial. Ficou em choque e ainda não acredita que a sua avó tenha sido amante de "um monstro assassino nazi", conforme contou numa recente entrevista à 'Sky News'.

Lenkeit viu um documentário sobre nazis e depois procurou mais informação online. Foi aí, na Internet, que se deparou com uma fotografia da avó materna, Hedwig Potthast, com a legenda "amante de Himmler".

Depois descobriu que Himmler era, nada mais, nada menos, que o pai biológico da sua mãe. E ficou em choque. "Como é que se processa que és familiar de um dos maiores criminosos da história? Não processas", admitiu. "Quem sou? Quem eu era? Por que não me disseram a verdade durante 47 anos? A minha vida foi uma mentira!"

Mais a frio, Lenkeit reconheceu que os pais quiseram na realidade protegê-lo da verdade. A avó tinha sido secretária pessoal de Himmler, acabando depois por se tornar sua amante. "Ela era uma pessoa muito carinhosa, nunca pensei que pudesse ter sido amante de um assassino."

O pastor evangélico acredita que a avó conhecia os crimes cometidos por Himmler. "Eles eram amantes. Amantes monstruosos", acrescenta, mostrando-se horrorizado com a sua herança genética. "Pergunto-me qual é a minha herança de tudo aquilo?"

Henrik não hesita em considerar o avô "um assassino em massa", "maléfico" e "demoníaco". "Todas as coisas más que se possa imaginar. Homem de confiança de Hitler... É meu avô e não há nada que eu possa fazer em relação a isso."

Alerta: Não Amplifiquem a Propaganda Chegana

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Lisa O'Neill - The Wind Doesn't Blow This Far Right


[Verse 1]
I've lately been thinking of an old friend
Who I haven't seen in a while
Last night I dreamed that the same friend
Passed without sayin' goodbye

[Verse 2]
Oh, to be wild like the roses
Oh, to be red with delight
My blood is red out of fury
The wind doesn't blow this far right

[Verse 3]
Some terrors are born out of nature
Some terrors are born overnight
Some terrors are born out of leaders
With their eye on a different prize

[Verse 4]
The thing is, some leaders are players
And players sometimes can be clowns
And clowns then sometimes can be dangerous
When they're there and yet they can't be found

[Verse 5]
The Big Mac, the big man, the big bomb
The power of money and lies
The power of fear in the people
The wind doesn't blow this far right

“The Wind Doesn’t Blow This Far Right”, de Lisa O’Neill, é uma canção profundamente simbólica e crítica, que aborda a indiferença, o isolamento e a desconexão humana perante o sofrimento e as injustiças do mundo.

O título — “O vento não sopra tão à direita” — sugere uma metáfora geográfica e política: há lugares (ou mentalidades) tão afastados da empatia e da consciência social que nem o vento — símbolo da mudança, da natureza ou da solidariedade — consegue lá chegar.

Na voz intensa e poética de O’Neill, a música denuncia a apatia de sociedades viradas “para o seu próprio lado”, insensíveis ao que acontece fora da sua bolha de conforto. A canção mistura dor, ironia e compaixão, evocando o poder da natureza e da humanidade esquecida.

Para o mim, esta canção pode ser lida como um apelo ecológico e ético: lembra-nos que a crise ambiental e social nasce da mesma raiz — a separação do humano em relação ao mundo natural e ao outro. O vento, que deveria unir e renovar, já não sopra onde reinam o egoísmo e a rigidez ideológica.

A leitura ecológica de “The Wind Doesn’t Blow This Far Right” permite reconhecer a ligação entre alienação social e degradação ambiental. A canção evidencia como a perda de empatia — tanto entre pessoas como entre humanos e natureza — conduz à estagnação ética e ecológica. Quando o “vento” da mudança deixa de soprar, o desequilíbrio instala-se: as comunidades tornam-se insensíveis ao sofrimento e às crises ambientais que as rodeiam. Lisa O’Neill, através da sua voz crua e simbólica, lembra que a reconstrução da harmonia exige reconectar o sentir humano à consciência planetária.


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os cartazes abjectos do Chega - como denunciar



Não partilho as fotos dos cartazes abjectos.
Partilho que já mandei queixa para CNE, PGR, Internet Segura e outros órgãos de soberania. Qualquer cidadão pode fazer. Não é preciso ser especialista em direito para perceber a violação do artigo 240 do código penal.
Aproveitem agora, porque se continuarmos muito por este caminho e voltarem novos salazares, piar é verbo que pode deixar de existir no dicionário.

"Venho por este meio denunciar e solicitar a atuação da Comissão Nacional de Eleições, Ministério Público e demais órgãos de soberania perante os cartazes colocados em locais públicos associados à candidatura presidencial de André Ventura.
Cartazes que têm por objetivo difamar e acicatar o ódio relativamente a comunidades imigrantes e à comunidade cigana. Tais mensagens, além de chocantes do ponto de vista social e humanitário, além de causarem alarme público e social, violam claramente a Constituição e em específico o Artigo 240 do Código Penal português, "Discriminação e incitamento ao ódio e à violência".
Para mim, enquanto cidadão, é inconcebível que num estado de Direito como é Portugal, cartazes daquele teor sejam expostos e mantidos no espaço público sem serem rapidamente retirados. Tal como não é compreensível que os continuados promotores destas mensagens, contrárias aos princípios da democracia, continuem impunes, apesar de o Artigo 240 prever até penas de prisão em diferentes alíneas."

Seguro diz que cartazes do Chega são inaceitáveis e violam valores constitucionais

domingo, 26 de outubro de 2025

Agostinho da Silva dixit


“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias. Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.” ~ Agostinho da Silva

Pensa nisto e agarra-te a este mantra, para não seres seduzido por André Ventura, facho, boçal e assim como atraído(a) pelos 60 acólitos (muitos com cadastro) na Assembleia da República. Dizem eles que querem limpar Portugal, mas são racistas e corruptos.
Parque de Serralves, Porto. Foto minha.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Pró - Democracia


Texto muito poderoso. Obrigado Helena Freitas. Já tinha abordado isto nesta postagem . Vivemos em tempos do absurdo, de grave iniquidade social, muita desinformação e estamos a sofrer das escolhas desumanas dos globocratas (para melhor perceberem, os multibilionários e bilionários, sejam eles russos, norte-americanos ou chineses ou de outra nacionalidade) . É necessário VER esta época, sair do absurdo e criar coragem e ver quem está a fazer boas práticas sócio-ambientais e travar a tempo, novo fascismo e desconstruir o patriotismo pacóvio. Também relembro outra reflexão que fiz aqui, com o título "Demorar a chamar os fascistas pelo nome, custará a nossa democracia". Varoufakis diz, e bem, que esta época é tecno-feudalista. Só um exemplo: porque não nos revoltamos contra McDonald´s, Burger Kings, Coca-Cola e aceitamos como "normalidade". Não é! Porque aceitamos a Temu, Shein, Shopee, AliExpress, Amazon como "normalidade"? Não é! Porque nos inscrevemos e pagamos para a Netflix, Prime Video, Disney+ ou Filmin que são "estrangeiras"? Porque não contestamos a Galp, a Navigator, a Altri? E por aí fora. Neste texto alerto para um problema existencial grave: a lavagem do cidadão (citizen washing). E, desculpem: porra, a culpa não é dos imigrantes "ilegais", a culpa não é do envelhecimento da população. Não gosto da palavra "estrangeiros" nem "povos indígenas", nem "idosos". Gosto da palavra "povos originários", "pessoas", "humanidade". Gosto também da palavra "urbanidade" . Gosto da palavra "Renaturalizar", "Regenerar" e "Prevenir". As causas são as nossas ESCOLHAS e atitudes e EXIGIR Sustentabilidade REAL e não lavagem verde!