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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Eclipse Solar 2026 em Portugal: vale a pena Montesinho ou ir para Espanha?

Vale a pena milhares de pessoas no aeródromo de Bragança para ver o eclipse solar, durante uns meros 20s e apenas 90%? [É a "loucura": farmácias de Bragança em rutura de stock de óculos para o eclipse]

No dia 12 de agosto de 2026, a Península Ibérica será o palco principal de um dos eventos astronómicos mais aguardados do século: um eclipse solar total. Contudo, apesar do entusiasmo mediático e do orgulho nacional, a realidade geográfica e astronómica impõe uma conclusão inequívoca: tentar assistir ao eclipse em solo português é uma escolha errada e um investimento de tempo sem garantia de retorno. Se o objetivo é vivenciar o fenómeno em toda a sua plenitude - a descida abrupta da noite em pleno dia, a queda de temperatura e a visão a olho nu da coroa solar -, a decisão racional passa por cruzar a fronteira e rumar ao Norte de Espanha. Veja aqui o mapa real.

Em quase todo o território de Portugal Continental, do Porto a Lisboa e ao Algarve, o eclipse será apenas parcial, variando entre 92% e 99% de ocultação. Os pareceres divulgados pelo Planetário do Porto / Centro Ciência Viva e por diversos astrónomos são perentórios nesta distinção: um eclipse 99% parcial não oferece 99% da experiência de um eclipse total, oferece 0%. Enquanto restarem escassos raios solares desprotegidos, o céu não escurece totalmente, é estritamente proibido retirar os óculos de proteção certificados e a coroa solar permanece invisível. Para a maioria dos residentes em Portugal, a experiência resumir-se-á a olhar através de filtros escuros para um simples "crescente de Sol".

O único ponto de Portugal Continental rasgado pela faixa de totalidade é a extremidade nordeste do Parque Natural de Montesinho, na aldeia de Guadramil em Bragança, mas focar os planos nesta região ou no Aeródromo Municipal de Bragança revela-se um erro estratégico. De acordo com o mapeamento e as diretrizes disponibilizadas pela Comissão Nacional Eclipse 2026, a duração da totalidade na aldeia de Guadramil será de escassos 26 segundos, enquanto no aeródromo o tempo cai para míseros 15 a 18 segundos. Além desta duração ínfima - onde qualquer nuvem ou ajuste de câmara faz perder o momento -, o evento ocorre pelas 19h30 com o Sol a escassos 10° acima do horizonte, correndo o risco de ficar tapado pelo relevo ou pela bruma ao nível do solo. Soma-se a isto o alerta das autoridades para a falta de capacidade da rede viária de montanha em Montesinho e do próprio aeródromo para acolher milhares de visitantes, criando um risco real de bloqueio no trânsito na hora do fenómeno.

Enquanto Portugal hesita na preparação de infraestruturas, Espanha já percebeu o enorme potencial económico do astro-turismo e está a mobilizar-se em força. Em regiões do Norte de Espanha como Galiza, Astúrias e Castela e Leão, o impacto comercial já se faz sentir com grande intensidade: a procura disparou de tal forma que estadias de 3 noites em pontos estratégicos de montanha, como na zona de Riaño em Leão, chegam a atingir valores inflacionados de 850 euros, com muitos alojamentos esgotados com longa antecedência. A razão para esta corrida ao mercado espanhol é simples: ao avançar no interior do país vizinho, a duração da noite solar salta para valores entre 1 minuto e 30 segundos e quase 2 minutos, o Sol encontra-se numa posição mais favorável no céu e a rede de autoestradas e planaltos permite acolher o público com muito maior segurança. Faça bem a sua escolha: ficar em Portugal no dia 12 de agosto de 2026 é arriscar uma enorme frustração, pelo que atravessar a fronteira em direção ao Norte de Espanha é a única forma de garantir a experiência de uma vida. Ou ver, descansado e gratuito, ao vivo em live stream na página da ESA

Mais info:

NASA - Total Solar Eclipse 2026

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Earth Heat Inventory: O Estudo que Revela Para Onde Vai o Calor da Terra



O Earth Heat Inventory (Inventário do Calor da Terra), uma avaliação científica liderada por Karina von Schuckmann em cooperação com mais de 70 peritos internacionais, constitui a principal referência global para quantificar o Desequilíbrio Energético da Terra (Earth's Energy Imbalance - EEI). Devido à crescente concentração de gases de efeito de estufa resultantes das atividades humanas, o planeta retém atualmente mais energia solar do que aquela que consegue libertar de volta para o espaço. Para mapear com exatidão a trajetória desse excesso térmico, o inventário consolida dados empíricos obtidos através de quatro componentes fundamentais do sistema terrestre: a monitorização dos oceanos (recorrendo a mais de 3.800 boias Argo, sensores profundos e altimetria por satélite da NASA e ESA), o estudo da criosfera (fusão de glaciares, gelo marinho e mantos de gelo na Gronelândia e Antártida), a medição do aquecimento da superfície continental e perfurações profundas (boreholes), e a análise da atmosfera por meio de balões meteorológicos e satélites.

Os resultados do estudo revelam a magnitude do papel dos oceanos na regulação do clima global. Por absorverem entre 89% e 90% de todo o excesso de calor retido no planeta, as massas de água funcionam como um amortecedor vital que impede que as temperaturas à superfície terrestre atinjam níveis inabitáveis. A energia remanescente divide-se no aquecimento do solo e massas continentais (~6%), no derretimento do gelo e calotas polares (~4%), e no aquecimento direto da atmosfera (~1%).

No entanto, o relatório alerta para uma preocupante aceleração deste processo, mostrando que a taxa de acumulação térmica nos oceanos quase duplicou nas últimas décadas. Além disso, embora as camadas superficiais (até aos 700 metros) retenham a maior fatia de energia, a monitorização até aos 2.000 metros de profundidade confirma que o oceano profundo está a aquecer de forma contínua e irreversível à escala humana. Esta acumulação ininterrupta de calor tem consequências diretas severas, sendo a expansão térmica da água responsável por 30% a 40% da subida do nível do mar, além de intensificar a ocorrência de tempestades extremas e a frequência de ondas de calor marinhas.

Para consultar o estudo científico completo publicado na revista Earth System Science Data, aceda à hiperligação direta:

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Stefano Mancuso - Uma nova visão das plantas


Stefano Mancuso: Doutorado em Neurobiologia. Dirige o Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal e é o meu fundador da International Society for Plant Signaling and Behaviour. A sua linha de investigação centra-se no estudo da neurobiologia vegetal, que explora a sinalização e a comunicação a todos os níveis da organização biológica, desde a genética às moléculas, às células e às comunidades ecológicas. É professor associado na Universidade de Florença, editor-chefe da revista Internacional Plant Signaling and Behavior publicada nos Estados Unidos pela Landes Biosciences. É o investigador principal do programa “Perceção da gravidade, tradução de sinais e resposta de voz em plantas superiores” da ESA (Agência Espacial Europeia).

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Satélite japonês ajuda inspecção contra o desmatamento da Amazónia, pois os infractores antecipavam o corte para a época das chuvas....



O governo brasileiro lançou o Programa de Proteção e Combate de Desmatamento da Amazônia (PPCDAM), prevendo ações como presença mais constante na região, parceria da Polícia Federal, Ibama e demais instituições em operações de combate à exploração ilegal da floresta, monitoramento por satélite (o que inclui o acordo de cooperação com a Jaxa), entre outras.
Com o PPCDAM, os infratores mudaram a dinâmica. Deixaram de explorar grandes áreas de uma só vez, pulverizando os cortes (80% dos desmatamentos detectados em 2010 eram em áreas menores de 50 hectares).
Também anteciparam o corte da floresta para o início do ano, reduzindo a atividade na época seca (de julho e dezembro) para fugir ao olhar dos satélites ópticos que tinham a capacidade de detecção reduzida quando havia muitas nuvens. Esse problema pode ser contornado com o satélite ALOS. O diretor-executivo da Jaxa ficou impressionado com o aproveitamento das imagens do satélite japonês.
Por usar sistema de radar, o satélite japonês conseguia capturar imagens de áreas florestais devastadas, independente da quantidade de nuvens, complementando as informações obtidas por outros satélites empregados no monitoramento da Amazônia.
A partir das imagens do ALOS, técnicos do Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama identificaram mais de 2 mil polígonos de desmatamento em dois anos de análise de imagens de radar.