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domingo, 11 de outubro de 2026

No seu pequeno-almoço, comeu um pão de alfarroba? A história do superalimento português votado ao esquecimento

No seu pequeno-almoço de hoje, comeu um pão de alfarroba? Se a resposta foi afirmativa, pertence a um número diminuto - e não crescente - de portugueses que consome e valoriza esta iguaria. A grande ironia é que, enquanto esse pão é comercializado quase como um produto de nicho ou exclusivo, toneladas do mesmo fruto apodrecem pelos campos do nosso país por falta de valorização no mercado nacional.

Quem percorre o barrocal algarvio ou as paisagens secas do Alentejo está habituado à silhueta imponente da alfarrobeira (Ceratonia siliqua). Durante séculos, a alfarroba fez parte do quotidiano rural do Sul de Portugal. Fruto escuro, rijo e de aroma adocicado, foi durante muito tempo visto como uma cultura de subsistência - alimento para os animais de tração, recurso em tempos de escassez e uma modesta fonte de rendimento complementar para as famílias agrícolas.

Contudo, nas últimas décadas, a perceção sobre este fruto sofreu uma transformação radical. A alfarroba passou de "comida de animais" a "ouro negro da agricultura portuguesa". O seu preço por quilo atingiu máximos históricos e a expetativa em redor desta cultura parecia ilimitada. Hoje, porém, assistimos ao colapso dessa ilusão. O mercado ruiu, o preço pago ao produtor desabou e toneladas de alfarroba ficam a apodrecer debaixo das árvores ou acabam utilizadas como simples estrume. Como é que um fruto com um valor nutricional excecional e um potencial económico gigante foi, em tão pouco tempo, votado ao quase esquecimento?

Sob o ponto de vista nutricional, a alfarroba é uma verdadeira preciosidade vegetal e apresenta-se como a alternativa ecológica perfeita ao cacau. A polpa da alfarroba contém entre 40% a 50% de açúcares naturais (frutose, glicose e sacarose), o que permite a sua utilização na doçaria e na panificação sem a necessidade de adicionar açúcares refinados em excesso. Ao contrário do cacau, não contém teobromina nem cafeína, sendo uma opção ideal para crianças, grávidas ou pessoas sensíveis a estimulantes. Além disso, é uma fonte extraordinária de fibra solúvel e insolúvel, auxilia na regulação intestinal e contém elevados níveis de polifenóis antioxidantes, apresentando simultaneamente um teor de gordura naturalmente muito baixo. A juntar a isto, a pegada ecológica da alfarrobeira é incomparavelmente menor que a do cacaueiro, tratando-se de uma árvore extremamente resistente à seca e perfeitamente adaptada ao clima mediterrânico.

Para compreender o colapso do mercado, é preciso desmistificar o valor económico da alfarroba. A grande tragédia deste fruto reside no facto de a indústria nunca ter estado verdadeiramente interessada na sua deliciosa polpa - que representa cerca de 85% a 90% do peso do fruto -, mas sim no seu caroço. As sementes representam apenas uma pequena fração do peso total, mas é delas que se extrai a goma de alfarroba, identificada na indústria alimentar com o código de aditivo E-410. Este ingrediente é um dos espessantes, emulsionantes e estabilizadores naturais mais valiosos do mundo, estando presente numa infinidade de produtos como gelados, molhos, iogurtes, comida para bebés, produtos farmacêuticos e cosméticos. Aqui instala-se a grande ironia: enquanto as multinacionais disputavam o caroço a peso de ouro para garantir o E-410, toneladas de polpa rica em nutrientes ficavam sem destino comercial claro, sendo desvalorizadas ou simplesmente desperdiçadas.

O auge desta instabilidade socioeconómica registou-se no contexto da pandemia de COVID-19. A crise sanitária internacional provocou ruturas graves nas cadeias globais de abastecimento e na logística marítima, levando a indústria agroalimentar a procurar assegurar agressivamente stocks de aditivos e estabilizadores cruciais. Esta escassez conjuntural gerou um pico especulativo no mercado da alfarroba em Portugal, onde o valor pago ao produtor atingiu patamares históricos - superando, em determinados momentos, os 2,50€ a 3,00€ por quilo -, o que motivou corridas à apanha e uma expetativa irrealista sobre a rentabilidade futura do setor.

Contudo, tratou-se de um fenómeno puramente conjuntural e desprovido de sustentabilidade estrutural. Com a normalização das rotas comerciais pós-pandemia, a pressão sobre os stocks de matérias-primas cedeu e a procura industrial regressou a níveis padronizados. Pressionada pelos custos elevados do aditivo E-410 durante a fase de escassez, a própria indústria alimentar reformulou vários dos seus produtos, substituindo a goma de alfarroba por alternativas sintéticas ou hidrocoloides mais económicos, como a goma de guar, a xantana ou amidos modificados. Sem a procura inflacionada pelo E-410, a cotação da alfarroba entrou em queda livre e a margem paga ao produtor desceu para patamares que inviabilizam financeiramente o custo da mão de obra necessária para a apanha manual.

Hoje, a realidade no campo é desalentadora. Em muitas explorações agrícolas do Sul do país, os agricultores optam por nem sequer colher o fruto. A alfarroba fica a apodrecer no chão ou é triturada para servir de fertilizante e estrume para o solo. É o fecho de um ciclo doloroso: um superalimento de valor inestimável reduzido a composto orgânico por incapacidade de valorização do mercado nacional. A história da alfarroba em Portugal é o reflexo de um modelo agrícola e industrial cego ao valor real dos seus recursos. Enquanto continuarmos a olhar para a alfarroba apenas como um fornecedor de aditivos químicos para a indústria transformadora estrangeira, ficaremos sempre reféns das oscilações dos mercados internacionais.

O futuro da alfarroba passa, inevitavelmente, pelo investimento na valorização da polpa: na criação de farinhas de alta qualidade, no desenvolvimento da panificação e doçaria saudável, na indústria de bebidas e na afirmação da alfarroba como uma alternativa ecológica e ética ao cacau. Até lá, continuaremos a assistir ao triste espetáculo de ver o nosso "ouro negro" a decompor-se na terra, à espera que a indústria se lembre, uma vez mais, de como ele é valioso.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Programa Nacional de Vacinação: as assimetrias regionais e o refúgio das redes antivacinas em Portugal

O Relatório Anual da Direção Geral de Saúde mostra que a maioria das vacinas infantis tem uma taxa de cobertura superior a 95% em Portugal, mas há concelhos que ficam abaixo dos 60%.A região algarvia mantem baixas taxas de vacinação Desigualdades persistem nas vacinas do HPV, gripe e covid-19.

As autoridades de saúde portuguesas estão a combater as baixas taxas de vacinação no Algarve através de uma estratégia focada na busca ativa de utentes e na proximidade comunitária Os centros de saúde realizam auditorias frequentes aos sistemas informáticos para identificar crianças e jovens com doses em atraso, avançando de imediato com contactos diretos através de telefonemas, SMS ou cartas registadas. Para mitigar o isolamento geográfico de concelhos como Aljezur e Vila do Bispo, equipas móveis de enfermagem deslocam-se às zonas rurais para administrar as vacinas localmente.Nas escolas da região, as autoridades cruzam os dados de matrícula com o registo vacinal para sinalizar alunos em falta e alertar os encarregados de educação. Paralelamente, os serviços de saúde pública trabalham com as autarquias locais para traduzir materiais informativos e integrar as comunidades estrangeiras residentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por fim, os profissionais de saúde desenvolvem ações de esclarecimento direcionadas para combater mitos e a hesitação vacinal junto de grupos específicos da população. Parece-me insuficiente. 

O debate em torno do movimento antivacinas e da proliferação de comunidades dogmáticas em Portugal exige uma análise objetiva das causas e uma revisão urgente do enquadramento legal. A experiência demonstra que o confronto direto com correntes New Age e determinadas comunidades de permacultura é ineficaz: nestes meios, o ceticismo em relação às vacinas e ao conhecimento científico assenta na construção de identidades, no sentimento de pertença e na rejeição do que consideram a "frieza" do sistema dominante. Esta mentalidade, contudo, gera consequências graves e conduz a mortes perfeitamente evitáveis.

A fixação destas famílias estrangeiras em Portugal - com particular incidência no interior (Beira Alta, região Centro) e no Algarve - resulta diretamente de um fenómeno de "fuga às regras". Países como a França e a Alemanha identificaram o risco do isolamento comunitário e do desrespeito pela saúde pública, endurecendo substancialmente os seus regimes jurídicos. Entre 2018 e 2020, tornaram a vacinação infantil obrigatória para o acesso ao ensino e erradicaram ou restringiram severamente o ensino doméstico (homeschooling).

Enquanto a Europa Central fechou as brechas legais, Portugal manteve-se como um dos países mais permissivos do continente, tornando-se um refúgio para quem procura educar os filhos fora do sistema oficial em redes locais sem controlo rigoroso. Embora a adesão da população nacional ao Programa Nacional de Vacinação seja massiva, a vacinação de menores não é juridicamente obrigatória, o que deixa uma margem de manobra perigosa. 

De salientar que há uma faixa social portuguesa em que a hesitação vacinal dos pais são na maioria da classe média-alta e alta. [artigo científico aqui]

Para proteger a saúde pública e a integração social das crianças, Portugal precisa de importar medidas coercivas inspiradas no modelo alemão, assegurando a devida conformidade constitucional:
  1. Condicionamento de acesso e sanções: nenhuma criança deve ser admitida em creches, escolas (públicas ou privadas), ATL ou colónias de férias sem o boletim de vacinação em dia. Caso seja detetada a ausência de vacinas, deve aplicar-se um prazo limite de três meses para regularização, sob pena de cancelamento da matrícula. Paralelamente, ao tornar o ensino presencial obrigatório e banir o ensino doméstico, os pais incumpridores devem ficar sujeitos a multas administrativas pesadas (a exemplo dos 2.500 euros aplicados na Alemanha).
  2. Abrangência a adultos e profissionais de risco: a obrigatoriedade vacinal deve estender-se a quem lida diretamente com populações vulneráveis - pessoal médico, trabalhadores de hospitais e lares, professores e funcionários de creches ou centros de acolhimento. A ausência de imunização deve proibir a contratação ou motivar a suspensão de funções.
Cabe ao Estado Português atuar legislativamente antes que a permissividade jurídica continue a expor a comunidade a riscos evitáveis.

Ler mais:

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Hinos de Pólen

Hinos de Pólen

"No coração do mundo, onde o vento aprende a falar,
erguem-se antigos guardiões em dança silenciosa:
abelhas douradas, aves de fogo e canto,
morcegos tecelões da noite,
borboletas que carregam o arco-íris nas asas.

Cada um, um verso vivo na respiração da Terra.

Abelhas — monjas do néctar —
trabalham com a precisão de quem sabe
que cada flor aberta é um pacto ancestral.
O seu zumbido é sutra e oração,
um lembrete de que o futuro se molda
no gesto minúsculo de tocar um estame.

As aves, mensageiras do céu,
bordam caminhos entre pétalas e horizontes,
levando consigo a memória dos ventos antigos.
No seu voo reside a ética de cuidado,
pois cada semente que dispersam
é promessa de continuidade.

Morcegos, arquitetos da noite,
pairam onde a luz não chega,
polinizando sombras com fidelidade cega,
recordando-nos de que até o invisível
sustenta a casa comum.

E as borboletas, frágeis na aparência,
mas titânicas na missão,
tocam o mundo com a suavidade
de quem compreende a delicadeza
da teia que nos une.

Todos eles, em co-evolução profunda,
esculpiram com as plantas um pacto milenar:
dar e receber, florir e nutrir,
reinventar a vida a cada estação.

Que saibamos aprender com estes mestres:
que a ética ambiental não é lei escrita,
mas um modo de respirar com o planeta;
que a ecologia profunda não é teoria,
mas pertença — radical e humilde —
ao grande tecido de relações
que nos sustém e ultrapassa.

Honremos os polinizadores,
tecelões de mundos,
pois neles a Terra encontra voz
e o futuro encontra raiz."

João Soares, 02.12.2025

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Método Miyawaki, Agricultura Sintrópica e a Biggest Mini Forest

O Método Miyawaki é uma técnica de reflorestação desenvolvida pelo botânico japonês Dr. Akira Miyawaki. Tem como objetivo criar florestas densas e nativas num curto espaço de tempo, promovendo a biodiversidade e benefícios ambientais. É especialmente focado na recuperação de terras e ecossistemas degradados.

O Método Miyawaki é uma técnica de reflorestação concebida para estabelecer rapidamente florestas nativas num curto espaço de tempo. Esta abordagem envolve um planeamento meticuloso, plantação densa e a inclusão de espécies vegetais diversas de diferentes estratos florestais, com o objetivo de imitar a estrutura e a biodiversidade das florestas naturais. Ao contrário da reflorestação tradicional, este método dá prioridade ao crescimento de árvores nativas, arbustos e outras plantas, promovendo a biodiversidade e a resiliência ecológica.

Os princípios fundamentais do Método Miyawaki incluem uma preparação rigorosa do solo, garantindo condições ideais para o crescimento das plantas, e um plantio de alta densidade com pelo menos três espécies por metro quadrado. A seleção das espécies vegetais concentra-se em espécies autóctones, específicas do ecossistema local, promovendo a adaptação e a resiliência. O método incentiva a aleatoriedade na plantação, permitindo que a natureza dite o desenvolvimento do ecossistema. Uma vez estabelecida, a floresta Miyawaki é projetada para ser autossustentável, exigindo um mínimo de insumos externos. O método visa criar ecossistemas vibrantes e multicamadas semelhantes às florestas naturais, contribuindo para a conservação ambiental e a mitigação das alterações climáticas. Os resultados de uma floresta Miyawaki incluem vários benefícios ecológicos, como maior biodiversidade, melhoria da saúde do solo e sequestro de carbono. Embora não se concentre principalmente na produção de alimentos, o Método Miyawaki desempenha um papel crucial na restauração do ecossistema, proporcionando benefícios a longo prazo tanto para a natureza como para as comunidades.

Agricultura Sintrópica e Agrofloresta


Sistema agroflorestal na Fazenda Mata do Lobo, Brazil.

A Agricultura Sintrópica, desenvolvida por Ernst Götsch, é uma abordagem revolucionária à agrofloresta que visa criar um ecossistema altamente produtivo e autossustentável, imitando a sucessão natural. Desenvolvido com um planeamento meticuloso, este método envolve a plantação de diferentes espécies organizadas em linhas, combinando estrategicamente elementos de várias camadas florestais, cada uma com requisitos específicos de luz solar. O projeto considera fatores como a vida útil de cada espécie, as necessidades de luz solar, os padrões de rebrota após a poda e o tamanho das plantas ao longo do tempo.

A plantação inclui uma variedade de espécies, desde «placenta» (espécies de crescimento rápido e vida curta) até arbustos, vegetação rasteira e árvores de copa, cuidadosamente selecionadas com base nas suas categorias de vida útil (espécie placenta, secundárias e clímax). As espécies «placenta» desempenham um papel crucial no estabelecimento de condições ideais para o crescimento de espécies mais exigentes. As linhas de plantio são orquestradas para garantir que cada planta receba a luz solar necessária, promovendo um ambiente equilibrado e produtivo.


A agricultura sintrópica foi concebida para ser um método versátil e orientado para a produção, que elimina a necessidade de fertilizantes externos. Oferece uma variedade de produtos, incluindo frutas, bagas, vegetais, madeira e fibras. Ao utilizar princípios derivados dos ecossistemas naturais, a agricultura sintrópica torna-se uma prática resiliente e regenerativa, contribuindo não só para a produção sustentável de alimentos, mas também para a restauração e enriquecimento do ambiente em geral.



Minifloresta Comestível 1 mês após a implementação no projeto Sintropia Temperada

Iremos agora ver como Método Miyawaki e a Agricultura Sintrópica se relacionam ou diferem da abordagem das Miniflorestas Comestíveis, seguindo o método da Biggest Mini Forest (Método BMF):

Preparação do Solo

Miyawaki: Criação de solo rico em nutrientes com uma mistura de diferentes fontes de matéria orgânica e de microorganismos para apoiar o rápido crescimento das plantas. A preparação inicial do solo requer a descompactação do solo até um metro de profundidade, com grande quantidade de materiais orgânicos (composto, estrume bem curtido ou outros materiais orgânicos).

Syntropic: A plantação é geralmente organizada em linhas e utiliza técnicas para melhorar a estrutura do solo, promovendo a fertilidade natural e a atividade microbiana. Normalmente, não é realizada nenhuma descompactação profunda.

Método BMF: Seguimos a mesma preparação do solo do Método Miyawaki. Em vez de linhas, trabalhamos em blocos de 3 m x 3 m, com uma área central de 4 m² (2 m x 2 m) para as plantas perenes, mais 0,5 m ao redor para as plantas anuais. A preparação do solo concentra-se em melhorar a fertilidade do solo, o que envolve uma descompactação inicial entre 0,5 m e 1 m de profundidade em toda a área para estimular o crescimento das raízes, o desenvolvimento de microrganismos e a retenção de água. No entanto, encorajamos qualquer pessoa a criar a sua Minifloresta, mesmo que não consiga atingir a profundidade desejada.



Preparação do solo para uma Minifloresta Comestível

Seleção de Espécies
Miyawaki: Este método concentra-se na utilização exclusiva de espécies autóctones bem adaptadas ao ambiente local, promovendo a biodiversidade, mas a seleção das espécies não tem como objetivo direto a produção de alimentos.

Syntropic: Enfatiza uma mistura de espécies anuais e perenes, juntas na mesma linha de plantação com culturas de cobertura de solo e plantas de produção de biomassa entre as linhas. Isso inclui espécies indígenas, exóticas e de produção alimentar de diferentes partes do mundo que se podem adaptar bem e que, combinadas num projeto agroflorestal, ajudam o sistema a se desenvolver. O objetivo é criar um sistema dinâmico, com produção constante de matéria orgânica e produção desde do primeiro mês e que se expande por muitos anos.

Método BMF: Devido às alterações climáticas e à degradação do solo, algumas das espécies autóctones, em certas áreas, não prosperam como antes. Por isso, não nos concentramos apenas na utilização de espécies indígenas, como faz Miyawaki. Utilizamos aquelas que funcionam melhor nas condições climáticas que temos hoje em dia, aquelas que nos podem fornecer alimentos e que podem criar mais rapidamente um ecossistema resiliente e biodiverso, trazendo de volta as condições de que as espécies autóctones precisam para prosperar novamente.

Em vez de misturar as espécies perenes com as anuais, como na agricultura sintrópica, nós mantemos-las separadas. Espécies usadas para cobertura de solo e adubação verde, como lentilhas ou favas, podem ser adicionadas à área das espécies perenes para fixar azoto e reduzir a germinação de plantas espontâneas. Quando as espécies anuais crescem ao redor das espécies perenes, elas criam um microclima e uma proteção contra o sol, o vento e o calor e o frio para as espécies perenes, o que pode ser benéfico para todo o sistema. Outra vantagem de as manter separadas é que podemos ter menos trabalho de manutenção.


Seleção de espécies para uma Minifloresta Comestível, em Traditional Dream Factory, Alentejo, Portugal.


Uma Seleção de Plantas Biodiversas
Miyawaki: Pelo menos 3 tipos de espécies de plantas autóctones que correspondem a 3 camadas florestais: copa, sub-bosque e arbustos.

Syntropic: Promove a biodiversidade através de uma ampla seleção de plantas, de diferentes camadas florestais e necessidades de exposição à luz solar, incluindo plantas autóctones e exóticas de diferentes partes do mundo.

Método BMF: Tal como no método Miyawaki, também tentamos ter pelo menos três camadas florestais diferentes, de uma forma ligeiramente diferente: camada de copa, camada de sub-bosque, camada baixa (arbustos, herbáceas, rizosfera e camadas de cobertura do solo). Nestas camadas, tentamos introduzir um número mais diversificado de espécies das camadas baixas da floresta.


Plantação em Alta Densidade:
Miyawaki: Plantar uma variedade de espécies nativas muito próximas umas das outras, criando uma floresta densa e com várias camadas. Pelo menos 3 por metro quadrado, o que significa uma árvore a cada 60 cm. Pode chegar a 12 espécies por metro quadrado. Desta forma elas competem pela luz, o que promove um crescimento rápido.

Syntropic: Dependendo do projeto agroflorestal, pode-se usar uma abordagem de plantação muito denso, nas linhas de implementação. Pode-se chegar até uma planta a cada 5 cm. Em muitos casos, também se usa sementes e estacas para aumentar a densidade e a biodiversidade do sistema. Na agricultura sintrópica, o sistema é projetado sempre com foco na cooperação entre as diferentes plantas.

Método BMF: Seguimos uma abordagem de densidade de plantas semelhante à agricultura sintrópica e gostamos de considerar o ponto de vista colaborativo, pois diferentes espécies de várias camadas florestais criam as melhores condições umas para as outras em termos de sombra/luz, proteção contra o vento e fornecimento de mais exsudatos (açúcares) para a microbiologia do solo - tudo isso promove o rápido crescimento do sistema.

Se todas as estacas e sementes se desenvolverem, pode-se transplantar algumas delas para a sua próxima Minifloresta Comestível. Além disso, pode fazer "chop and drop" sempre que o sistema ficar muito denso para alimentar o solo com materiais orgânicos, promover a ciclagem de nutrientes, aumentar a entrada de luz no sistema e priorizar as espécies que desejamos promover ainda mais, acelerando assim o desenvolvimento geral da Minifloresta Comestível.

Número de Espécies:
Miyawaki: De acordo com Miyawaki, 30 espécies é o número mínimo necessário para atingir um bom nível de biodiversidade e resiliência numa minifloresta.

Syntropic: Não existe uma regra definida para o número mínimo ou máximo de espécies que devem ser utilizadas. Defende-se apenas que quanto maior for o número de espécies, maior será a biodiversidade e a resiliência, mas também maior será a complexidade e a dificuldade de gestão.

Método BMF: 3 espécies por m² é o mínimo que usamos, o que dá um total mínimo de 12 espécies numa Minifloresta. No entanto, recomendamos que se use mais para diversificar as espécies em diferentes parcelas de 3 m x 3 m, a fim de aumentar a resiliência do sistema. Não nos podemos esquecer de usar pelo menos 2 espécies comestíveis por metro quadrado, a fim de criar a soberania alimentar que queremos alcançar com este modelo.

Tamanho da Plantação:
Miyawaki: 12 m² (4 m x 3 m) é o tamanho mínimo recomendado por Miyawaki para se ter um sistema mais resiliente e biodiverso.

Syntropic: Não há um tamanho mínimo definido, mas existem implementações de agricultura sintrópica que variam de apenas alguns metros quadrados a várias centenas de hectares.

Método BMF: Seguimos o nosso modelo de 9 m² (3 m x 3 m), com uma área central de 4 m² (2 m x 2 m) para as espécies perenes e uma faixa de 50 cm ao redor para o que chamamos de Parede de Vegetais. Isso significa que, depois de colher todas as plantas anuais, deixamos para trás 4 m² de floresta. A área implementada pode e deve ser ampliada, criando um sistema mais resiliente e biodiverso a cada novo 9 m² implementado ao lado dela.


4 Parcelas de Miniflorestas Comestíveis de 9m² cada

Desenho da Plantação:
Miyawaki: Miyawaki recomenda plantar pelo menos 30 espécies diferentes de 3 camadas florestais aleatoriamente e deixar a natureza decidir o que acontece no sistema.

Syntropic: Utiliza uma abordagem de desenho agroflorestal que imita a sucessão florestal natural, na qual espécies comestíveis são plantadas juntamente com espécies não comestíveis. Requer um desenho meticuloso, considerando fatores como o tempo de vida de cada espécie, necessidades de luz solar, padrões de rebrota após a poda e o tamanho das plantas ao longo do tempo. A seleção de plantas abrange o que é denominado «placenta» — espécies de crescimento rápido e vida curta, juntamente com arbustos, vegetação rasteira e árvores de copa, de diferentes categorias, dependendo da sua vida útil (espécies secundárias e clímax).

Método BMF: A posição de cada planta no bloco da Minifloresta é pensada tendo em consideração a acessibilidade para a colheita dos frutos, a manutenção e a poda, as necessidades de exposição solar, o vento e a tolerância ao frio e ao calor das plantas que utilizamos. Isto significa que as plantas que não toleram sombra, como o tomilho ou o orégão, serão colocadas na parte sul ou sudoeste da Minifloresta. A papaia, que é mais sensível ao vento e ao frio, será colocada no meio. Uma laranjeira, que gosta de receber mais sol pela manhã, será colocada no lado leste ou sudeste da Minifloresta, no caso de ser plantada no hemisfério norte.


Manutenção:
Miyawaki: O método Miyawaki defende que devemos permitir que os processos naturais assumam o controlo após o plantio inicial, promovendo um ecossistema autossustentável, sem qualquer intervenção, exceto irrigação e remoção de ervas e plantas espontâneas, até que a floresta esteja bem estabelecida, o que pode ocorrer durante os primeiros 2 a 3 anos.

Syntropic: A manutenção de um sistema de Agricultura Sintrópica pode incluir a colheita de plantas e frutos, poda cíclica em que toda a biomassa cortada é utilizada para alimentar o solo através de "chop and drop" no local, ou após trituração, incentivando a ciclagem de nutrientes, a retenção de água e uma maior exposição solar das camadas inferiores do sistema, aumentando a fotossíntese global. Também se faz «capina seletiva», removendo plantas que cumpriram a sua função no sistema. De acordo com o projeto e as condições climáticas e do solo, a irrigação pode ser aplicada ou não.

Método BMF: Tal como no Método Miyawaki, seguimos a mesma abordagem em termos de remoção de ervas daninhas e irrigação até que a floresta esteja bem estabelecida e resiliente, mas também fazemos "chop and drop" para acelerar todo o processo de construção do solo, criando um sistema resiliente e direcionando o sistema, dando prioridade às espécies que queremos manter nele a médio e longo prazo. A remoção seletiva de ervas e plantas espontâneas também é algo que pode ser realizado, removendo as espécies que cumpriram a sua função.



Manutenção de um sistema agroflorestal no Algarve, Portugal.

Juntos, estamos a construir um mundo onde cada planta tem um propósito — e cada pessoa pode plantar as sementes do futuro.

REFERÊNCIAS

O Método Miyawaki surgiu na década de 70 e é amplamente testado e documentado. Aqui está uma lista de links com mais informação sobre este método:

A Agricultura Sintrópica é mais recente, mas tem sido praticada em pequena e grande escala em muitos países diferentes. Aqui se podem encontrar mais referências sobre esta técnica de agricultura regenerativa:

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Solos que defendem: a importância da vida subterrânea na resiliência do montado


Quando se avalia a vitalidade de uma árvore, é natural começar pela observação da copa. A morfologia da ramagem, a coloração da folha, a densidade do rebentamento e a presença de necroses periféricas são sinais úteis de diagnóstico. No entanto, limitar a leitura à parte aérea é negligenciar aquilo que sustenta a árvore em permanência: o solo. Não como substrato físico, mas como sistema vivo. Um sistema onde coabitam milhares de organismos por grama, estruturados em cadeias tróficas subterrâneas que regulam a disponibilidade de água, a dinâmica nutricional, a estabilidade radicular e, num sentido mais profundo, a capacidade de resposta do ecossistema face ao stresse.
Falar em solo vivo implica reconhecer a sua função como interface biofísico entre a planta e o território. Implica também admitir que a saúde da árvore é inseparável da complexidade da microbiota edáfica que a rodeia.
Quando essa complexidade se degrada, por disrupção da estrutura física, mineralização excessiva da matéria orgânica, acidificação não compensada ou colapso da diversidade microbiana, o solo deixa de atuar como mediador ecológico e passa a funcionar como meio permissivo. É nesse contexto que as árvores se tornam vulneráveis ao avanço de agentes patogénicos radiculares e à instalação de pragas oportunistas. Não por causa da sua genética ou da idade, mas por perda de simbiose e de capacidade simbiótica.
A literatura científica designa por solos supressores aqueles que, pela ação combinada de fungos antagonistas, bactérias benéficas, nemátodes predadores, complexidade porosa e equilíbrio bioquímico, limitam ou inibem a expressão de organismos fitopatogénicos. Esta capacidade de supressão biológica não se refere a um efeito pontual, mas a uma propriedade emergente de um sistema que mantém relações de antagonismo funcional no plano microbiano. Microrganismos como Trichoderma spp., Gliocladium, Bacillus subtilis, Pseudomonas fluorescens, entre outros, competem com agentes como Phytophthora cinnamomi, Armillaria mellea ou Fusarium oxysporum por espaço, nutrientes e acessos à zona rizosférica. A sua presença ativa desencadeia mecanismos de resistência sistémica induzida na planta hospedeira, que se traduzem em maior resiliência aos fatores bióticos de pressão.
Nos montados do sul do país, onde predomina a azinheira e o sobreiro, os sistemas radiculares estabelecem simbioses ectomicorrízicas com fungos do género Tuber, Boletus, Scleroderma, entre outros. Estas associações expandem a área de absorção radicular, reforçam a tolerância hídrica, facilitam a disponibilização de macro e micronutrientes e ativam defesas endógenas contra agentes de apodrecimento e necrose radicular. A sua ausência, observada em muitos solos compactados ou sujeitos a práticas disruptivas de mobilização e aplicação excessiva de químicos de síntese, precede frequentemente os surtos de declínio e a colonização lenhosa por insectos xilófagos como Cerambyx cerdo, Platypus cylindrus ou os vectores de Biscogniauxia mediterranea.
A questão, portanto, não é apenas se o solo é fértil, mas se é funcionalmente simbiótico e defensivo. E isso exige outro tipo de leitura em campo. O cheiro húmico, a friabilidade da camada superior, a atividade de fauna edáfica (como colêmbolos, formigas estruturantes, minhocas), a presença de pastagens perenes com efeitos alelopáticos, a ausência de escorrência superficial e a presença de micorrizas aderentes às radículas finas são sinais que indicam um solo com capacidade suprimente. Em contrapartida, a crosta superficial após precipitação, a compactação à pressão manual, a ausência de macrofauna, a mineralização visível sem humificação e a presença crónica de árvores cloróticas, apontam para um ecossistema edáfico em perda de função.
Recuperar essa função não é uma questão de adubação. É um processo de regeneração sistémica. Começa pela compostagem localizada, pela inoculação direcionada de fungos simbióticos, pelo estabelecimento de coberturas vegetais biodiversas que respeitem as fases fenológicas da azinheira, pela eliminação de mobilizações e pela ativação dos ciclos de carbono a partir de matéria vegetal in situ. Ao fim de dois a três ciclos, é possível observar um reforço da rebentação vegetativa, um aumento da densidade foliar e, sobretudo, a redução da frequência e da intensidade dos surtos de pragas e doenças. Não por ausência de risco externo, mas por reconstituição da barreira subterrânea. A médio prazo, este tipo de abordagem reduz custos com fitossanidade, diminui a dependência de inputs externos e contribui diretamente para a recuperação produtiva dos povoamentos em declínio.
O solo pode não ser visível, mas é o elemento estrutural da resiliência. Um montado com solo vivo não é um sistema fechado. É um sistema adaptativo, capaz de modular as pressões a que está sujeito sem entrar em colapso. A árvore, nesse contexto, deixa de ser uma unidade isolada e passa a ser parte de um organismo mais vasto e interdependente. É esse organismo que importa restaurar.

Ricardo Dinis

Diretor de Projeto e Investigação nas Florestas de Iroko

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Documentário: História da Permacultura


After compiling a little film about Bill Mollison, there was a large call to expand on it and the origins of permaculture, giving some other pioneers their dues. So, here I have focused on some of the people who influenced me heavily when I first became interested in permaculture. It includes clips from David Holmgren, Masanobu Fukuoka, Sepp Holzer, Robert Hart, Emilia Hazelip, Allan Savory, Vandana Shiva, Dr. Elaine Ingham and Geoff Lawton. I realise that there are many more who could be listed but due to the nature of this being a video, I focused mostly on people who had amassed a large library of footage to choose from.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Dia Mundial da Jardinagem Nua 2024


Dia Mundial da Jardinagem a Nu 2024 (World Naked Gardening Day) decorre no primeiro sábado de Maio e incentiva as pessoas de todo o mundo a fazerem jardinagem sem roupas em locais, sejam em espaços públicos ou privados, apropriados para a prática naturista.

Assim, se és adepto da jardinagem, aproveita este dia e celebra praticando a nu as tuas tarefas.

Segundo o programa Today da NBC, o Dia Mundial da Jardinagem Nua (WNGD, na sigla em inglês) "tornou-se uma tradição anual que celebra a jardinagem, a plantação de flores e a poda de sebes em trajes de banho. Embora esteja ligado a um movimento de nudistas que promovem a aceitação saudável e despudorada do corpo humano, o dia pretende ser divertido, descontraído e apolítico, dizem os fundadores."

Os organizadores afirmam que "além de ser libertador, a jardinagem nua só perde para a natação como atividade que as pessoas estão mais dispostas a considerar fazer nuas".

Para além da positividade corporal, Corky Stanton, da Clothes Free International, uma organização que promove o lazer nu, afirmou que o evento oferece os "benefícios adicionais do lazer nu e sem pudor: a satisfação de fazer exercício ao ar livre; a beleza de um bronzeado uniforme; mais vitamina D em todo o corpo; a experiência incomparável de nadar nu se o evento naturista envolver uma praia ou um lago."

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Permaculture showed us how to farm the land more gently. Can we do the same as we farm the sea?



As wild fish and other marine species get scarcer from overfishing and demand for ‘blue foods’ grows around the world, farming of the ocean is growing rapidly. Fish, kelp, prawns, oysters and more are now widely farmed. The world now eats more farmed seafood than wild-caught.

These farms are springing up along coasts and in offshore waters worldwide. Australians will be familiar with Tasmania’s salmon industry, New South Wales’ oyster farms, and seaweed farms along the southern coastline. Aquaculture is already larger than fishing in Australia. Farming the sea is hailed as a vital source of food and biomass essential to reduce the damage we do to our oceans and help feed a growing population.

But the booming “blue economy” is no panacea. Fish farms can pollute the water. Mangroves are often felled to make way for prawn farms. The solutions of today could turn out to be problems of the future. We cannot simply shift from one form of environmental exploitation to another.

There is an alternative: permaculture. This approach has proven itself on land as a way to blend farming with healthy ecosystems. What if it could do the same on water?

Making aquaculture better
Many of today’s most pressing problems – from climate change to biodiversity loss to pollution – are linked to the way we produce food on land. To make new farmland often involves removing habitat, destroying trees and adding synthetic fertilisers and pesticides.

Since humans began farming about 12,000 years ago, we have expanded to the point where we now actively control about 70% of Earth’s ice-free land to make food, build cities, and many other uses.

On land, we are farmers, tending domesticated species. But at sea, we’ve been hunters, seeking wild populations. Now, the seas are to be farmed. We should farm in ways which do not damage these ecosystems.

We cannot afford to use the same intensive methods of farming in the oceans as we have been on land. Given how sick many of the world’s ocean systems are already from overfishing, algal blooms from nutrient overload, and habitat loss, there’s not much room for error.

What is marine permaculture?
Permaculture as we know it was developed in the 1960s by Australians Bill Mollison and David Holmgren. The latter is a co-author of the research forming the basis of this article.

The goal was simple: create ways of farming which give back to the soil and ecosystems, using tools like no-till farming, companion planting and food forests. Over the last 50 years, it has been adopted by farmers around the world.

Permaculture is framed around three ethics – care of Earth, care of people, and a fair share – aimed at producing benefits and distributing costs equitably between different people and nature.

So what would permaculture of the seas look like? While it hasn’t been fully articulated, many recent developments in ocean production and governance have strong parallels with the work permaculture practitioners have been doing for decades.

Aquaculture systems can, many now believe, not only be low-impact but work to restore lost or damaged ecosystems. Picture oyster farms slowly bringing back the natural oyster reefs which once carpeted shallow coastal waters, or prawn farms surrounded by regrowing mangroves to protect the coast from erosion.

There are strong parallels between the closed-loop approach taken by permaculture on land and an emerging sea farming approach called integrated multi-trophic aquaculture. Here, species with different ecological roles are grown together, producing more food from your farm – and strengthening natural ecosystem services.

In these systems, food waste from consumers is recycled by seaweeds and shellfish, which in turn provide food and habitat to farmed fish species. If well-designed, these benefits flow out from the farm.

Permaculture’s influence is also evident in nature-inspired design and biomimicry, using natural shapes to give nature a boost. Australian work here includes efforts to restore rocky reefs by creating structures with the nooks and crannies small sea creatures need.

From the grassroots
At present, a handful of corporations have disproportionately high levels of control over fisheries and aquaculture. In part, that’s because supertrawlers, motherships, and large blue-water fish farms are expensive.

If we instead took a marine permaculture approach to the blue economy, we would seek to return power back to the people who live and work at the water’s edge – a permaculture equivalent to artisanal fishing.

A localised approach to aquaculture has real benefit. Individuals and communities could develop their own versions of marine permaculture which work in their area, by adopting design solutions used elsewhere or just by tinkering and trialing.

If something isn’t working or it’s creating flow-on consequences, people can see what’s happening and respond quickly.

Small-scale sea farms are less likely to do damage, and should also boost resilience by investing in local social and environmental benefits.

How do we make this a reality?
For their part, governments can help by creating policy frameworks encouraging small-scale producers – especially those able to demonstrate positive social and ecological outcomes.

Governments have an essential role in creating comprehensive spatial plans to guide aquaculture in an area or region. This is important, as it removes uncertainty and avoids conflict between different uses.

Researchers can help by developing measures of success and testing new techniques to help guide the new communities which will form to farm the sea.

Over the past half-century, permaculture on land has grown into a diverse movement challenging conventional wisdom about how to produce food.

We’ll need that same intense creative energy to make marine permaculture a reality. It’s entirely possible to design food-producing seascapes which give back to the sea as well as take from it – while making it possible for smaller sea farmers to flourish.

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sábado, 23 de setembro de 2023

Documentário - Écovillages : Ils ont choisi de vivre autrement


Que vida estamos sendo forçados a fazer hoje? Se continuarmos assim, que futuro reservamos para o planeta?

Existem alternativas e alguns optaram por viver de forma diferente para serem menos dependentes de um sistema que consideram destrutivo. Nem ativistas marginais nem tacanhos, desejam desenvolver um vínculo com a sociedade para ajudá-la a evoluir e nos conscientizar de que é possível viver de forma diferente.

Matawan, Julia, Achim e Michel vivem por toda a Europa. Cada um deles decidiu, num momento chave das suas vidas, criar ou estabelecer-se numa ecoaldeia ou eco-sítio. Todos caminham para uma mesma filosofia de vida, mais próxima e mais respeitadora da natureza, dos outros e de si mesmos.

Documentário: Ecoaldeias, uma revolução diária (2014)
Diretor: Corrine Falhun
Produção: Produção Mona Lisa

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Curta-metragem - Um dia em 2030


Este vídeo é baseado em trechos de áudio dos episódios 1 a 9 do podcast 'From What If to What Next' de Rob Hopkins, gravado por Ben Addicott e depois lindamente animado por Temujen Gunawardena e Badj Whipple . O objetivo é dar vida ao 2030 que poderíamos criar se fizéssemos tudo o que poderíamos fazer, para definir e falar de um futuro pelo qual vale a pena desejar. Para assinar o podcast, visite From What If to What Next. Apresenta as vozes de Phil Teer, Kate Raworth, Ariane Conrad, Yannick Beaudoin, Marieke van Doorninck, Marie Godart, David Holmgren, Masum Momaya, Jane Myat, Sam Lee e Christian Jonet.

Entrevista interessante a Rob Hopkins

domingo, 7 de maio de 2023

Masanobu Fukuoka - Natural Life




Visto como o pai da agricultura natural moderna, Masanobu Fukuoka é autor de “A Revolução de uma Palha”, um livro fundamental para entender como os seres humanos podem viver juntos com o planeta Terra. Esta série de filmes em três partes apresenta entrevistas inéditas com Larry Korn, que em 1974 (depois de uma década estudando solo, plantas e cultura oriental) passou dois anos morando e estudando com Fukuoka.

Quando Larry deixou o Japão, ele levou consigo o manuscrito japonês do livro de Fukuoka para a Califórnia, determinado a publicar o livro em inglês. Seu trabalho ajudando a traduzir e editar este livro levaria as ideias de Fukuoka e da Agricultura Natural a milhões de pessoas em todo o mundo.

Estas entrevistas foram filmadas na casa de Larry Korn em Ashland, Oregon, em 2012, durante a produção do documentário Final Straw: Food, Earth, Happiness . Eles contam a história de Fukuoka da perspectiva de um homem que passou grande parte de sua vida dedicado a unir as ideias do Oriente e do Ocidente, encontrando a verdade no solo, nas plantas e, por sua vez, nos seres humanos.

É impossível subestimar o quão fundamental foi o trabalho de Larry para o estabelecimento e crescimento do movimento mundial de agricultura sustentável. Mais do que apenas um estudioso do solo, ele era um homem cheio de sabedoria, que exercia profundo cuidado, humildade e amor por esta Terra. O seu trabalho preparou o cenário para uma jornada que mudou o curso de nossas vidas de uma maneira linda.

Esperamos que os momentos com Larry nesses filmes simples possam ajudar a fazer o mesmo por outras pessoas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Um quarto de todas as espécies conhecidas de abelhas não é visto desde 1990


Os nossos polinizadores estão em crescente declínio. Cerca de um quarto das populações de abelhas desapareceram. Em algumas populações o declínio foi de 40% ou superior. As causas associadas ao seu desaparecimento são sobretudo duas: alguns parasitas, entre eles alguns vírus. Mas, sobretudo, a utilização indiscriminada de pesticidas na agricultura, entre eles os neonicotinóides e o glifosato. Já escrevi sobre assunto. Os herbicidas à base de glifosato actuam como antimicrobianos no tracto digestivo dos insectos, destruindo a sua população microbiana e provocando-lhes a morte. Contudo, em muitos municípios portugueses, Matosinhos incluído, usam o ácido pelargónico (herbicida) com a etiqueta de "ecológico" (como se algum herbicida sintético pudesse ser ecológico) sabendo que este herbicida é também insecticida, fundamentalmente porque está comprovado que mata as abelhas. Por favor, fiquem atentos aos herbicidas aplicados nas vossas áreas, e, se quiserem ter uma cidadania activa e lutarem para que sejam abolidos, podem pedir ajuda por aqui.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Escola elimina salas de aula e aproxima crianças da natureza


Espaços abertos, em meio a natureza e sem salas de aula, esse é o jardim de infância projetado por Gabriele Capobianco, Edoardo Capuzzo Dolcetta, Jonathan Lazar e Davide Troiani.

Nursery Fields Forever é o projeto vencedor do concurso internacional de ideias AWR que busca propostas originais em arquitetura, design de interiores, design industrial e planeaamento urbano.

O projeto propõe a combinação da educação com agricultura urbana, produção de orgânicos e permacultura para que as crianças compreendam de onde vem a comida e como cultivá-la.

A aprendizagem possui três abordagens: aprender com a natureza, aprender com a técnica e aprender com a prática.

O desenvolvimento das crianças é estimulado pela livre interação com as plantas e animais e pelo contato com energias renováveis. Além disso, o projeto ajuda as crianças a desenvolverem habilidades sociais por meio do trabalho em equipa, promoção de estilos de vida saudáveis e em comunidade e fortalecimento da autoestima e responsabilidade, estabelecendo uma relação respeitosa com todos a sua volta.

Está cada vez mais evidente a importância da aproximação do aprendizado teórico da prática, da promoção do desenvolvimento das habilidades sociais e da re-significação da nossa interação com a natureza. Ideias como essa nos mostram que estamos iniciando nosso longo caminho em busca de um mundo ambiental e socialmente sustentável.

Traduzido de Mind Food

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Livro- Manual de Agricultura Biológica


Nos últimos anos, a procura por alimentos de origem biológica disparou e são muitos os que optam por cultivá-los, seja para consumo próprio em pequenos quintais ou mesmo nas varandas, seja mudando de vida e trocando o ritmo alucinante das cidades pelo campo e pela natureza. Mas para quem nunca mexeu na terra, por onde começar? O que devo cultivar? E como garantir uma horta 100% biológica, sem recorrer aos químicos prejudiciais para o nosso corpo e para o meio ambiente? Como assegurar uma produção sustentável de uma forma biológica, respeitando a natureza? Como eliminar as pragas sem recorrer a pesticidas de síntese química? E quem já cultiva, mas quer tornar a sua produção mais saudável e mais alinhada com os tempos que vivemos? Foi a pensar nestas perguntas que surgiu este "Manual de Agricultura Biológica — Crie uma Horta Saudável e Cultive os Seus Próprios Alimentos", da autoria de três destacados elementos da AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica. Neste livro prático, repleto de quadros, ilustrações e esquemas elucidativos, e quer seja um iniciante ou já possua experiência, poderá aprender a melhor maneira de organizar e cuidar de uma horta biológica, para poder ter sempre hortícolas saudáveis e amigos do ambiente.

sábado, 19 de novembro de 2022

Earth Restorer's Guide to Permaculture Release- Rosemary Morrow, David Holmgren & Delvin Solkinson


About the book: 

Earth Restorer's Guide to Permaculture is an informative and inspiring guide that shares the methods and mindsets needed for our future planetary health. It teachers us:
● The roles of permaculture principles, ethics and design philosophy 
● Ecological literacy for the current and future states of water, soil and climate
● Global insights in how to design for the (present and future) impacts of climate change
● The role of urban settings, and the path to eco-cities and neighbourhoods 
● The increasing importance of marine permaculture and social permaculture 
● How to move from ‘me’ to ‘we’ as we collectively restore and regenerate our Earth   

“This is a vital book for our times of climate catastrophe, biodiversity loss, species extinction, and food and water scarcity…it shines the light on another path.”
- Dr Vandana Shiva, Indian scholar, author and environmental activist.

sábado, 24 de setembro de 2022

Recreating Terra Preta: Good Soil for Centuries!


Séculos atrás, os nativos da Amazónia conseguiram transformar o terrível barro amarelo num solo tão rico que ainda é fértil cinco séculos depois. Agora é chamado de "terra preta", a terra escura da Amazónia. Como foi feito o terra preta? Qual é o segredo por trás da terra preta? Hoje começamos uma experiência para ver se podemos recriar a terra preta na horta usando o que já sabemos.

Estrume, cacos de cerâmica, arbustos queimados, algas marinhas, ossos, resíduos de cozinha, camadas de biochar carregado, além de micronutrientes como areia verde e azomita para um incremento extra. Será que vai dar certo?

Blog diário de jardinagem de David 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Sepp Holzer - living in harmony with nature


Como podemos viver em harmonia com a natureza? Como podemos co-criar abundância, diversidade e saúde? Para mim, ninguém respondeu a essas perguntas de forma mais definitiva e conclusiva do que Sepp Holzer com o trabalho de sua vida.

Sepp criou um paraíso na encosta da montanha na parte mais fria da Áustria, numa terra que se pensava ser útil apenas para a monocultura de coníferas, pastagem de animais e um pouco de grãos. Inúmeras vezes ao longo do caminho encontrou resistência das autoridades locais. Ele foi multado por plantar árvores frutíferas, multado por criar terraços, multado por reter água em suas terras.

No entanto, após uma vida inteira de comunicação com a natureza, ele sabia em seu coração que o que estava fazendo era certo. Ele sabia que estava seguindo as verdadeiras leis da paisagem, as leis da natureza e não as leis do homem. Por meio de tremenda coragem civil, tenacidade e toda a família ajudando a cada passo ao longo do caminho, ele persistiu.

Quanto à sua visão para a sua própria paisagem? Tornou-se a quinta mais notável que já experimentei. Uma enorme variedade de culturas cresce todos os anos com muito menos trabalho e esforço do que as abordagens mais convencionais. Eles são capazes de seguir as estações e os anos, usando essa diversidade a seu favor. Se for uma estação excepcionalmente quente ou fria, húmida ou seca, algumas coisas não vão bem, mas outras terão uma safra abundante. Há ampla produtividade ao longo do ano e entre anos pela diversidade natural.

72 lagoas e corpos d'água interconectados estão espalhados pelos 45 hectares, proporcionando água e vida em abundância. Essa produtividade não beneficia apenas os seus sistemas agrícolas, mas também seus semelhantes dentro de seu ecossistema. Há muito para a vida selvagem e insetos também, proporcionando um eco-oásis no que de outra forma seria um deserto de monocultura de pinheiros.

Este foi o primeiro projeto de Sepp, o Krameterhof. Tornou-se um lugar tão conhecido que algumas pessoas o chamam de jardim do Éden na Terra. Sepp também implementou essa visão em projetos ao redor do mundo. Por toda a Europa, Américas (Norte e Sul), Ásia e África, Sepp ajudou a orientar as pessoas através de projetos em suas próprias paisagens.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Documentário: Que Estranha Forma de Vida - What a Strange Way of Life


Documentário de Pedro Serra sobre formas alternativas de vida, paralelas à sociedade convencional e por tal apelidadas de estranhas.

Acompanha-se de perto a vivência na eco-aldeia de Cabrum, recente comunidade no norte de Portugal; a Cooperativa Integral Catalana, em Barcelona, que pratica a autogestão com moeda própria - o Eco; e a comunidade de Tamera, no Sudoeste de Portugal, com quase 20 anos de existência, centro de pesquisa para a paz, com filosofia de auto-suficiência. Todos estes projetos procuram uma vida em harmonia, uma visão do futuro baseada na sustentabilidade, nas soluções aos problemas globais através da ação local e na cooperação entre os seres humanos e com a natureza. Estas formas de vida alternativas ao sistema levantam a questão sobre qual o modelo de sociedade que realmente parece mais estranho e obsoleto...