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terça-feira, 21 de julho de 2026

Três dezenas de países oferecem agora uma maior liberdade de circulação aos seus cidadãos do que os Estados Unidos


Como já tinha referido aqui, novo estudo mostra que há um declínio do passaporte Norte-Americano, devido à falta de reciprocidade. A perda de posição dos EUA é impulsionada pela falta de abertura do próprio país. Enquanto os americanos viajam sem visto para 180 destinos, os EUA só permitem a entrada sem visto para 46 nacionalidades (ficando em 73º lugar no índice de abertura). Essa rigidez faz com que outros países - como a China - continuem a exigir visto dos cidadãos americanos. Além disso este estudo concluí que os EUA ultrapassaram a China e tornaram-se o maior mercado mundial de pessoas à procura de dupla/tripla cidadania ou residência noutros países. 61% dos americanos com rendimento anual superior a US$ 200.000 consideram mudar-se de país nos próximos 5 anos. O conceito de «riqueza» entre famílias de elevado poder de compra mudou: já não se resume ao capital financeiro, mas sim à liberdade geopolítica de escolher onde viver, trabalhar e investir.

Key Facts
  1. Americans can travel visa-free to 180 countries around the world - putting the U.S. at No. 10 in the Henley Passport Index, on par with Iceland.
  2. Since multiple countries can be tied in the rankings, the U.S. sits behind 36 other countries that offer greater visa-free mobility.
  3. Singapore, at No. 1, offers visa-free access to 12 more countries than America.
  4. In 2006, the U.S. jointly held the No. 1 position along with Finland and Denmark, with each country able to access 130 destinations without a visa.
  5. By 2016, the U.S. blue book had slid to No. 4; by 2021, it had fallen to No. 7.

What Makes Some Passports More Powerful Than Others?
The Henley Passport Index monitors the number of destinations that can be visited visa-free or visa-on-demand. Global freedom of movement is a key measure of soft power for citizens when they travel abroad. Citizens of Singapore- the No. 1 passport in the ranking - enjoy access to 192 travel destinations out of 227 around the world visa-free. In a three-way tie for the No. 2 spot, South Korea, Japan and the United Arab Emirates each provides access to 188 destinations without a visa. The U.S. passport comes in just behind Lithuania and Liechtenstein in the ranking.

Why Has The U.S. Passport Lost Power Over The Past Two Decades?
The United States’ ranking on the Henley index is also suppressed by the country’s lack of reciprocity. While American passport holders can access 180 out of 227 destinations visa-free, the U.S. itself allows only 46 other nationalities to enter visa-free, putting it in 73rd place on the Henley Openness Index, where it barely outpaces Uganda. The lack of openness cuts both ways, and the United States “is now one of the few top-ranked passports whose citizens still require a visa to visit China,” the report notes.

Affluent Americans Want Second And Third Passports
For many global investment migration and citizenship planning consulting firms, the largest source market is rich Americans who not only want to travel but to potentially live elsewhere. Henley & Partners’ client data suggests geopolitical trends are increasingly shaping the decision-making of wealthy families seeking “Plan B” contingencies. Henley reported inquiries from U.S. nationals seeking alternative residence or citizenship increased 183% year-over-year in the first quarter of 2025, after President Trump was elected to a second term. Other prominent investment migration advisory firms see the same trend. The U.S. has replaced China as the largest market for clients seeking secondary or tertiary citizenships, Eric Major, CEO and chairman of Latitude World, told Forbes in May. More than six in 10 Americans (61%) earning over $200,000 annually are considering moving to another country within five years, according to a study released last month from Apex Capital Partners, another advisory firm that helps people secure foreign residency and citizenship. Just as there has been a shift in how nations prioritize freedom of movement, “we are witnessing the same shift in how families think about their future,” Dr. Christian Kaelin, chairman of Henley & Partners and creator of the Henley Passport Index, said. “True wealth is no longer defined solely by financial capital, but by the freedom to choose where they and future generations can live, work, study, invest and belong.”

The World’s Top 10 Most Powerful Passports (According To Visa-Free Access)
Singapore (192)
Japan, South Korea, United Arab Emirates (188)
Sweden (187)
Belgium, Denmark, Finland, France, Germany, Ireland, Italy, Luxembourg, Netherlands, Norway, Spain (186)
Austria, Greece, Malta, Portugal, Switzerland (185)
Hungary, Poland, United Kingdom (184)
Australia, Canada, Czechia, Latvia, Malaysia, New Zealand, Slovakia, Slovenia (183)
Croatia, Estonia (182)
Liechtenstein, Lithuania (181)
Iceland, United States (180)

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terça-feira, 14 de julho de 2026

A inteligência artificial pode provocar um colapso no mercado de ações?

Nos últimos anos, os índices do mercado de ações internacional, particularmente os americanos, têm experimentado um ciclo ascendente acentuado, o que certamente agradou a um grande número de investidores.
De acordo com o consenso dos analistas, espera-se que as ações de tecnologia, assim como as ações de energia e industriais, que compõem o índice S&P 500 dos EUA, gerem lucros recordes novamente em 2026 e 2027.
No entanto, a valorização das ações se baseia quase que inteiramente num único fator: o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), que supostamente impulsionará a produtividade e os lucros das empresas.
Qual é o problema? As avaliações das empresas atingiram níveis muito elevados, observa Russ Mould, colunista económico do jornal britânico The Telegraph.
Segundo o jornalista, as ações de empresas americanas listadas em bolsa estão sendo negociadas, em média, a 41 vezes seus lucros anuais  - ou seja, cada dólar de lucro é avaliado pelo mercado em 41 dólares.
Para efeito de comparação, a relação preço/lucro é superior ao nível de 32,5 observado pouco antes da quebra da bolsa de valores de 1929 e da Grande Depressão dos anos seguintes.
Além disso, o Investing observa que o nível médio de avaliação das ações tem sido historicamente em torno de 17,3, o que é 2,5 vezes menor que a mínima atual.
Esses indicadores levam alguns analistas a crer que a atual euforia do mercado de ações poderá, como frequentemente ocorreu no passado, ser seguida por uma correção brutal.
"Com uma avaliação mais que o dobro da de seus pares britânicos e europeus, e a mais alta desde o auge da bolha da internet, as ações americanas estão prestes a enfrentar uma década turbulenta", afirma Russ Mould.
"Essa diferença entre o que os investidores aplicam e o que ganham é, de certa forma, o equivalente financeiro ao recuo repentino do mar antes de um tsunami", descreve a revista Slate.
Alguns analistas estão preocupados com a discrepância entre as promessas da IA e a possibilidade real de ganhos de produtividade.
"Uma contradição desta magnitude só pode ser resolvida de duas maneiras: ou os benefícios realmente alcançam as fantasias utópicas ligadas à IA, ou o mercado fecha a lacuna entre a avaliação financeira e a produtividade pelo caminho mais difícil", analisa a Futurism.
Como destaca o The Telegraph, os ganhos de produtividade associados à IA continuam, nesta fase, a justificar a hipótese de uma subida acentuada e sustentada dos mercados de ações.
No entanto, o desenvolvimento dessa tecnologia exige investimentos muito pesados, o que pode reduzir as margens e os lucros das empresas do setor.
Lucros decepcionantes em relação aos investimentos realizados podem gerar desconfiança entre os investidores e causar o estouro da bolha. Além disso há problemas geopolíticos.
A história do mercado de ações está repleta de exemplos de tecnologias, como a internet na década de 1990, que geraram um entusiasmo notável no mercado de ações antes de uma violenta reversão da tendência.
Em geral, a tecnologia acaba sendo adotada em larga escala no médio prazo. No entanto, as oscilações do mercado de ações costumam deixar um rasto de perdas para empresas e investidores.
A implementação da IA deve, de fato, impulsionar a produtividade da economia. No entanto, os níveis atuais de avaliação das ações também são motivo de preocupação. Especialistas sugerem cautela.

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Entrevista. Clara E. Mattei: “A austeridade é muito eficaz a produzir individualismo, alienação, ódio aos mais pobres, vergonha de ser pobre”


No imaginário comum, o economista é uma figura formal, absorvida por cálculos, gráficos e fórmulas, entregue a um labor inevitavelmente chato. Contudo, uma nova geração de profissionais tem desafiado este estereótipo: são um sucesso nas redes sociais, participam em debates que mobilizam grandes audiências, publicam em várias línguas. Thomas Piketty, Mariana Mazzucato, Gabriel Zucman [recorda a entrevista] ou Kate Raworth são alguns exemplos desta constelação. Mas Clara E. Mattei talvez seja a estrela que melhor desmonta o cliché do economista enfadonho. Além da sua simpatia, é divertida. Parece movida a pilhas, tal é a energia e a vitalidade que irradia.

Esta entrevista devia ter acontecido horas antes da conferência organizada pelo FREE - Forum for Real Economic Emancipation [Fórum para a Emancipação Económica Real, em tradução livre] - organização que Clara fundou e à qual preside -, numa escola secundária em Bishop’s Stortford, no leste de Inglaterra, a 50 minutos de comboio do centro de Londres. Ia debater-se o impacto das guerras no custo de vida e as alternativas económicas e políticas à austeridade. Mas, à última hora, os planos mudaram. Mattei tinha uma reunião na London School of Economics and Political Science (universidade londrina especializada em ciências sociais), e só seria possível conversar durante a viagem entre a capital britânica e o local do evento.

Uma entrevista on the road, dentro de um táxi, no para-arranca do trânsito. Entre perguntas e respostas, apartes para a comitiva que seguia connosco, a economista ainda recebia ou fazia chamadas com a equipa de voluntários que a estava a ajudar: “Salvatore, temos de comprar comida para o lanche. Qualquer coisa: uns snacks, fruta, legumes crus, húmus, queijos… Sim, vão ao supermercado mais próximo. Deixem lá panfletos!”

Chegámos à escola quinze minutos antes do início do debate. Clara saiu do carro à pressa e desapareceu por momentos. Tinha ido acertar os últimos detalhes com a organização, mas pouco depois já estava de volta: “Ainda temos dez minutos para recrutar pessoas. Venham!” E lá foi ela, de passo apressado, distribuir mais uns folhetos promocionais a quem passava. Para usar um termo do país onde vive e dá aulas, é uma mulher cheia de stamina.

Clara Elisabetta Mattei é professora de Economia na Universidade de Tulsa, no Oklahoma, Estados Unidos da América, e tem licenciatura e mestrado em Filosofia, antes de se doutorar em Economia. O seu livro mais conhecido, A Ordem do Capital - Como os economistas inventaram a austeridade e abriram o caminho ao fascismo (ed. Temas e Debates, 2024), nasceu de uma investigação nos arquivos do Banco de Itália e do Banco de Inglaterra sobre o período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial. Entre centenas de cartas, memorandos e textos técnicos, encontrou documentos, muitos deles traduzidos pela primeira vez e nunca antes divulgados, que sustentam a sua tese de que as políticas de austeridade do pós-guerra prepararam o terreno para a ascensão dos fascismos que conduziriam à Segunda Guerra Mundial.

Em janeiro, publicou Escape from Capitalism - Economics is Political, and Other Liberating Truths [ainda sem tradução em português], livro em que questiona a ideia de que a economia é uma ciência neutra e apolítica. Parte de conceitos como a austeridade, o desemprego ou a inflação para mostrar como são habitualmente mobilizados para preservar o status quo e apresentar o capitalismo como inevitável. É um manifesto contra a resignação: recusa tratar a pobreza e a desigualdade como acidentes, ou a ordem económica atual como algo natural ou eterno.

Clara acredita que essa ordem pode ser mudada. Uma convicção que lhe corre no sangue, como mostra a história dos seus tios-avós, Gianfranco e Teresa Mattei, duas figuras da resistência antifascista italiana a quem dedica os seus escritos. Gianfranco, químico e militante clandestino, suicidou-se em 1944, depois de ser preso e torturado, para não denunciar os companheiros. Teresa, conhecida como “Chicci”, foi eleita para a Assembleia Constituinte italiana, em 1946, e contribuiu para inscrever no artigo 3.º da Constituição uma ideia fundamental: não há igualdade efetiva enquanto obstáculos económicos e sociais continuarem a limitar a liberdade das pessoas.

Clara Mattei estará em Lisboa, a 15 de julho, na Lisbon Praxis Summer School 2026, organizada pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, sob o tema “Teorias Críticas do Fascismo”.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IA pode superar a inteligência humana até 2030, dizem Altman e Musk

A possibilidade de a inteligência artificial (IA) ultrapassar a inteligência humana deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte das previsões feitas pelos principais nomes do setor. Nos últimos meses, os executivos que lideram o desenvolvimento da tecnologia passaram a defender publicamente que os sistemas de IA poderão atingir ou superar as capacidades intelectuais humanas ainda nesta década, num movimento que pode transformar a economia, o mercado de trabalho e a produção científica.

O mais recente a reforçar esta avaliação foi o CEO da OpenAI, Sam Altman. Numa entrevista concedida ao jornal alemão Die Welt no final de 2025, o executivo afirmou que ficaria “muito surpreendido” se, até 2030, não existissem modelos capazes de realizar tarefas que os seres humanos não conseguem executar de forma autónoma.

Segundo Altman, os avanços observados desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, aceleraram bastante o desenvolvimento da tecnologia. Para ele, os sistemas de IA já apresentam capacidades consideradas surpreendentes e tendem a evoluir rapidamente nos próximos anos.

O executivo afirmou ainda que consegue imaginar um cenário em que entre 30% e 40% das atividades atualmente realizadas na economia sejam executadas por sistemas de IA num futuro próximo.

A previsão do líder da OpenAI, porém, é considerada conservadora quando comparada com a de outros líderes do setor. Um dos exemplos é Dario Amodei, CEO da Anthropic e antigo executivo da OpenAI, que já declarou acreditar que a IA poderá superar os seres humanos em praticamente todas as atividades intelectuais até 2027.

Bilionários divergem sobre prazos, mas concordam sobre o impacto
Entre os defensores de uma evolução ainda mais acelerada está Elon Musk, fundador da xAI e CEO da Tesla. Numa publicação na rede social X, o empresário afirmou que a IA provavelmente ultrapassará a soma da inteligência de todos os seres humanos dentro de quatro ou cinco anos.

A declaração foi feita em resposta ao empreendedor Peter H. Diamandis, que discutia os limites da capacidade humana de inovação. Para Musk, o avanço dos sistemas de IA está a ocorrer a um ritmo tão acelerado que a tecnologia poderá atingir um nível de inteligência superior ao conjunto da humanidade antes do início da próxima década.

As projeções de Musk fazem parte de uma visão mais ampla sobre o futuro da IA e da robótica. O empresário defende que máquinas inteligentes e robôs humanoides poderão assumir grande parte das atividades produtivas atualmente realizadas por pessoas, aumentando drasticamente a oferta de bens e serviços.

Em diferentes ocasiões, ele chegou a afirmar que esta transformação poderia criar uma era de “abundância” económica sem precedentes.

No centro desta estratégia está o Optimus, o robô humanoide desenvolvido pela Tesla. A empresa aposta que a tecnologia poderá ser utilizada em fábricas, centros logísticos, escritórios e residências. Musk já declarou que os robôs se podem tornar mais importantes para os negócios da companhia do que os próprios veículos elétricos.

Apesar do entusiasmo, tanto Altman quanto Musk reconhecem que ainda existem obstáculos para o avanço da IA. Um deles é a infraestrutura necessária para operar modelos cada vez mais sofisticados. Altman afirmou recentemente que a procura por processamento já supera a capacidade disponível da OpenAI. Para ampliar essa estrutura, a empresa participa na construção de grandes centros de dados nos EUA, incluindo o projeto Stargate, desenvolvido em parceria com a Oracle e o SoftBank.

Mesmo com desafios técnicos e dúvidas sobre os impactos sociais da tecnologia, os líderes do setor concordam num ponto: a corrida rumo à chamada superinteligência artificial já está em andamento e pode redefinir a relação entre humanos e máquinas ao longo da próxima década.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

The Theory of the Vulgar Class


On Sunday Donald Trump celebrated his 80th birthday with a cage match on the White House lawn. The match and the events that surrounded it — especially the press conference with UFC fighters, shown above, held on the steps of the Lincoln Memorial — were a desecration of America’s capital, whose monuments and buildings have always endeavored to represent small-r republican virtues. The whole affair was an affront to the values on which this nation was founded and also unspeakably vulgar.

That last criticism may strike some readers as elitist and trivial. Yet the vulgarity that is the hallmark of Trump and his surrounding circle of oligarchs is a symptom of something not at all trivial: The collapse of social norms. As I argued yesterday, these norms historically played a key role in mitigating abuses of power and privilege during the Gilded Age, the last time America suffered from extreme income and wealth inequality (though not nearly as extreme as what we have now).

Norms matter. In his classic book The Theory of the Leisure Class — published in 1899, at the apogee of the Gilded Age — Thorstein Veblen famously argued that much of the behavior of his era’s elite was driven not by the desire to enjoy life but by the desire to impress others. Partly they did this through conspicuous consumption. Thus they built lavish mansions staffed by legions of servants.

However, members of the Gilded Age elite didn’t solely aim to display their wealth. They also tried to appear respectable. There were surely many private affairs and betrayals we will never know about. But the important point is that the super-wealthy of that era presented to the American public an image of being responsible members of society:

John D. Rockefeller and family

The contrast with the public behavior of Trump’s band of uber-wealthy is startling:


In addition to modeling upstanding behavior, the extremely rich of the Gilded Age were expected to have, or pretend to have, some virtues that were part of the aristocratic ideal, including a sense of noblesse oblige displayed by good works. Veblen was quite cynical about philanthropy, yet even he didn’t dismiss it completely, stating that:
The fact itself that distinction or a decent good fame is sought by this method [such as the endowment of a university, public library or museum] is evidence of a prevalent sense of the legitimacy, and of the presumptive effectual presence, of a non-emulative, non-invidious interest, as a consistent factor in the habits of thought of modern communities.
(Veblen’s lasting intellectual influence did not come from his sparkling prose style.)

Today’s oligarchs, by contrast, have largely given up on the old norms of social and individual responsibility. They give very little money to good causes and their vulgar taste reflects their in-your-face attitude towards the public. In our current hyper-Gilded Age, extreme vulgarity and the decline of philanthropy are really different aspects of the same phenomenon: the rise of an elite so disconnected from ordinary Americans that it feels no need to even appear to be honorable.

So in a real sense we are living in the midst of a reenactment of the decline and fall of the Roman Republic, not a second American Gilded Age. No, I’m not one of those men who thinks about ancient Rome all the time. But there are some obvious parallels.

While the causes of the decline of republican government and Rome’s eventual transition to one-man rule were doubtless complex, there is broad consensus among historians that a key factor was the emergence of extreme inequality. A handful of men became incredibly wealthy from the spoils of Rome’s eastern conquests, and their wealth and power eventually became too great for the rules of constitutional, republican government to contain. Sound uncomfortably familiar?

The death throes of the Republic went on for many years. Politicians declared their rivals enemies of the state, deployed violent gangs to disrupt the rule of law, established temporary dictatorships, and more. The installation of Augustus as emperor in 27 BC was just the final act.

And during this long twilight of constitutional government, one of the ways the extremely wealthy and powerful sought both to demonstrate their wealth and to curry favor with the mob was by sponsoring gladiatorial games.

The vulgarity of the Trumpian elite isn’t in itself that important. But it’s a symptom of a collapse in values and norms that, unless confronted and reversed, may herald the end of the American experiment. We should heed the words of the Stoic philosopher Seneca about the rise and fall of the Roman Republic: “Increases are of sluggish growth, but the way to ruin is rapid.”

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dia Mundial do Ambiente - Relatório global oferece uma alternativa ao colapso climático, ao extremismo político e às tensões económicas

A humanidade pode elevar os padrões de vida, reduzir a desigualdade e manter o aquecimento global abaixo dos 2 °C, de acordo com uma visão abrangente para a sobrevivência do planeta.

O relatório do World Inequality Lab (WIL) pretende ser a tentativa mais detalhada até à data de navegar pela policrise que está a empurrar o mundo para o colapso climático, o extremismo político e tensões económicas e sociais cada vez maiores.

O documento oferece um conjunto de propostas políticas ousadas, incluindo impostos pesados sobre a riqueza dos multimilionários, reduções acentuadas no horário de trabalho, uma alteração nas dietas e uma transferência de investimento de setores materialmente intensivos, como a indústria e a mineração, para a educação e a saúde.

Se estas e outras medidas forem tomadas, diz o relatório, os rendimentos de 89% da população mundial duplicariam até 2100 e o aquecimento global seria mantido abaixo dos 2 °C em relação à média pré-industrial.

Os autores afirmam que a sua visão fornece uma alternativa positiva às projeções sombrias dos tecnoextrativistas de extrema-direita, nacionalistas e multimilionários que afirmam que o futuro trará inevitavelmente mais combustíveis fósseis, perturbação climática e desigualdade.

«Está a decorrer uma enorme batalha cultural, intelectual e política. E todos nós temos um papel a desempenhar», afirmou Thomas Piketty, codiretor do WIL e professor na Escola de Economia de Paris.

«A ideologia que vemos com [Donald] Trump e com todos os "pequenos Trumps" que temos por toda a Europa e por todo o mundo simplesmente não vai dar resultados. No final de contas, teremos de chegar a este tipo de redistribuição cooperativa de recursos e de poder, porque a alternativa levará simplesmente a resultados desastrosos, tanto no ambiente e no clima, como a nível social.»

O Global Justice Report (Relatório sobre a Justiça Global), publicado na quinta-feira, tenta superar as lacunas das abordagens tradicionais à policrise, incluindo a ênfase excessivamente materialista dos partidos tradicionais de esquerda, a eficácia questionável do decrescimento económico proposto por muitos ecologistas e a falta de estudos de impacto social por parte do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU.

O relatório visa retificar essas limitações incorporando estudos sobre a desigualdade, a ciência climática e propostas para a criação de uma coligação política capaz de reformar a arquitetura financeira mundial.

Este «plano para a igualdade e a prosperidade dentro dos limites planetários» é o produto de 45 autores, com base em bases de dados compiladas por mais de 200 investigadores de todo o mundo.

Na sua génese está o conceito de suficiência — a ideia de que as pessoas podem desfrutar de uma vida próspera e saudável sem procurarem constantemente consumir ou acumular mais bens materiais que degradam o mundo natural do qual depende toda a vida.

Para alcançar este objetivo, os autores preveem três etapas: reduzir para mais de metade o tempo médio de trabalho, passando de 2100 horas por ano para 1000 horas (o equivalente aproximado a uma semana de trabalho de dois dias e meio); incentivar as pessoas a comerem menos carne vermelha, que é o principal motor da desflorestação e da destruição ecológica; e redirecionar a economia para atividades de baixo consumo, duplicando o investimento na educação para 8400 € por pessoa e na saúde para 14 400 €.

Piketty explicou: «Um euro extra de PIB na educação e na saúde tem uma pegada material e um consumo de energia três a quatro vezes menor do que um euro extra de PIB no setor transformador. É por isso que as mudanças setoriais são imensamente importantes.»

Combater a desigualdade é um objetivo central. Segundo o plano, o rendimento nacional bruto médio per capita em todo o mundo seria de 5000 € por mês até ao final do século — um aumento para quase toda a gente, com os maiores ganhos no Sul Global. A exceção seriam os megarricos, que seriam fortemente tributados por serem os maiores responsáveis pela crise climática. A quota da riqueza global detida pelos multimilionários, que representam apenas 0,001% da população mundial, cairia de 6% para 0,05%, enquanto os 50% mais pobres veriam a sua quota de riqueza aumentar de 2% para 30%.

A outra prioridade é reduzir os riscos climáticos, cortando as emissões para o valor mais próximo possível de zero. O relatório analisa três cenários de descarbonização até meio do século delineados pela Agência Internacional da Energia (AIE) e projeta-os até 2100. Sob o seu plano mais ambicioso, o capital seria redirecionado dos indivíduos mais ricos do mundo e investido em tecnologia eólica, solar e outras energias renováveis para acelerar a descarbonização total e a eletrificação do abastecimento energético até 2050. Reduções adicionais de emissões viriam da redução do horário de trabalho e da mudança nas dietas e na atividade económica.

Prevê-se que isto mantenha o aumento da temperatura global nos 1,8 °C até ao final do século — consideravelmente abaixo das estimativas catastróficas de 4 °C a 4,5 °C em cenários de descarbonização lenta e de procura cada vez maior de bens materiais. É também um resultado melhor do que os 1,9 °C projetados num cenário de decrescimento económico generalizado.

Entre os passos práticos fundamentais necessários para alcançar as metas do relatório estaria a criação de um fundo de justiça global para financiar a transição energética e supervisionar um aumento dos gastos em educação e saúde para 38% do PIB mundial (atualmente fixado nos 13%). Este trabalho seria apoiado por um fundo soberano mundial, que reequilibraria as detenções globais de riqueza pública e privada para proporções semelhantes às vistas pela última vez em 1970.

«Um século XXI habitável e igualitário é materialmente possível», conclui o relatório. «O que impede a sua concretização não é a impossibilidade técnica, mas sim a escolha política e o trabalho árduo, mas crucial, de construir uma coligação que a apoie.»

Cornelia Mohren, coautora e coordenadora ambiental do WIL, admitiu que o relatório era «visionário e talvez utópico», mas afirmou que isso era necessário para mostrar que outros caminhos são possíveis.

«É bom saber que podemos combinar um mundo igualitário com o cumprimento dos orçamentos de carbono», disse. «Esse é um resultado muito útil. Dá-me esperança. Vimos o que é possível e também vemos o quão difícil é com esta realidade política, o que pode ser deprimente.»

Piketty afirmou que a história recente mostra que os objetivos do relatório são plausíveis. Países como a Suécia e a Noruega já foram extremamente divididos do ponto de vista económico, mas fizeram progressos rápidos na redução da desigualdade graças a políticas governamentais e ao redirecionamento do investimento para a educação e a saúde. Além disso, o horário de trabalho na Europa reduziu-se para metade desde o século XIX, o que vai ao encontro do objetivo traçado no relatório.

A chave, acrescentou Piketty, é abordar a desigualdade e a habitabilidade do planeta em conjunto. Sem essa abordagem dupla, afirmou, os governos correm o risco de repetir os erros que causaram os protestos dos gilets jaunes (coletes amarelos) na França, contra um imposto sobre o carbono que teria afetado as classes trabalhadora e média muito mais do que os ricos.

«Se não colocarmos isto no centro da análise e se falarmos de políticas verdes e de ambiente de forma abstrata, isto simplesmente não vai funcionar», sublinhou.

O relatório será apresentado e debatido na Conferência Mundial sobre a Desigualdade, que decorre de 4 a 6 de junho em Paris, contando com oradores como Ha-Joon Chang, Jean Drèze, Jayati Ghosh, Mariana Mazzucato, Branko Milanović, Lea Ypi e Gabriel Zucman.

Jason Hickel, professor na Universidade Autónoma de Barcelona e membro sénior visitante na LSE (London School of Economics), afirmou: «É uma intervenção importante e oportuna. Tudo isto é tecnicamente viável de alcançar — podemos ter vidas boas para todos dentro dos limites planetários — mas exigirá uma luta política organizada para que aconteça.»

Toda a informação, com gráficos ilustrativos aqui

Página Oficial do Dia Mundial do Ambiente 2026

domingo, 17 de maio de 2026

Chegou a hora de uma revolução populista?


Um movimento populista económico pode unir o trabalhador, o agricultor e o pequeno empresário — de todas as etnias, religiões e filiações políticas — contra as elites ricas que manipularam o sistema contra eles.
Donald Trump quer que acredite que as pessoas menos poderosas deste país são as principais responsáveis ​​pelos seus problemas. Mas não se resolve uma economia manipulada deportando pessoas.

Antes de ser despedido por Trump por fazer o seu trabalho, o ex-comissário da FTC, Alvaro Bedoya, passou três anos a reunir-se com trabalhadores de toda a América.

Descobriu que todos tinham algo em comum: a elite corporativa estava a explorá-los até à exaustão. Bedoya explica como o populismo económico pode unir trabalhadores de todas as origens — e é o único antídoto real para o trumpismo.

E em Portugal? Marca na agenda: faz greve no dia 3 de Junho

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Nikolai Gogol - sobre a corrupção de uma classe decadente que domina o povo ignorante e escravo do Estado


Há momentos em que é impossível encaminhar a sociedade, ou mesmo uma geração inteira, para o belo sem revelar toda a profundidade da sua verdadeira abominação.

Esta frase de Nikolai Gogol carrega o peso do realismo fantástico e da sátira social que definiram a sua obra. Gogol não era apenas um contador de histórias; era um observador clínico das falhas humanas. Para compreender o que ele pretende dizer, precisamos de olhar para a ideia de choque de realidade.

Em primeiro lugar, surge a necessidade do espelho cruel. Gogol sugere que a sociedade vive frequentemente num estado de negação ou hipocrisia e, para ele, falar sobre beleza, virtude ou progresso moral é inútil se os alicerces da sociedade estiverem podres. O conceito é simples: não se pode curar uma doença se o paciente se recusa a admitir que está doente. Assim, a acção da arte ou da história deve ser a de actuar como um espelho que não embeleza, revelando a abominação — as injustiças, a corrupção e a mediocridade — para que o horror da própria imagem force a mudança.

Esta abordagem liga-se à catarse pelo grotesco, estilo pelo qual Gogol é famoso. Em obras como O Inspector Geral ou Almas Mortas, o autor retrata burocratas corruptos e proprietários de terras absurdos, não apenas para fazer rir, mas para causar um desconforto profundo. Ele acredita que a beleza não pode florescer em solo contaminado por mentiras não reveladas e que a sociedade só se sentirá motivada a procurar a beleza e a ordem moral quando o peso do seu próprio vazio se tornar insuportável. É a ideia de que é preciso chegar ao fundo do poço para, finalmente, olhar para cima.

Desta forma, o papel do artista é o de um revelador. Para Gogol, o escritor não deve apenas entreter, mas sim realizar uma espécie de exorcismo social. Ele afirma que é impossível conduzir uma geração pela lógica ou pelo incentivo gentil porque as pessoas estão anestesiadas. O choque provocado pela revelação da profundidade da verdadeira abominação é o que possui a energia cinética necessária para retirar uma sociedade da sua inércia moral.

Em resumo, Gogol defende que a regeneração moral exige honestidade brutal. Ele acredita que a luz só será valorizada e procurada quando todos compreenderem plenamente a extensão das trevas em que estão mergulhados. É uma visão pessimista no diagnóstico, mas esperançosa no objectivo final: a transformação através da verdade.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O legado ambiental de Ted Turner


Ted Turner é frequentemente recordado como o magnata da comunicação que fundou a CNN, mas o seu impacto mais duradouro reside na escala colossal da sua filantropia e conservação ambiental. Ele não se limitou a doar dinheiro; transformou a forma como os grandes detentores de capital (bilionários) encaram a responsabilidade ecológica, integrando a preservação da natureza na gestão de grandes ativos.
Um dos pilares centrais do seu legado foi a histórica promessa, em 1997, de doar mil milhões de dólares para criar a Fundação das Nações Unidas. Esta iniciativa foi pioneira ao direcionar recursos privados para causas globais, com um foco acentuado na mitigação das alterações climáticas, na promoção de energias limpas e na proteção da biodiversidade, forçando a filantropia internacional a pensar de forma sistémica e transfronteiriça.
No terreno, Turner utilizou a sua vasta propriedade de terras — chegou a ser o maior latifundiário privado dos Estados Unidos — para implementar o que designou como "capitalismo sustentável". O exemplo mais emblemático deste esforço é a recuperação do bisão americano. Através das suas herdades, Turner geriu o maior rebanho privado do mundo, retirando a espécie do limiar da extinção e restaurando o equilíbrio ecológico das Grandes Planícies. Através do Turner Endangered Species Fund, financiou também a reintrodução de predadores e espécies nativas, provando que a exploração económica da terra pode coexistir com a conservação rigorosa.
Além da ação direta, Turner compreendeu o poder da narrativa. Ao co-criar a série de animação Capitão Planeta, educou uma geração sobre a importância da ecologia. Utilizou ainda o seu império mediático para dar palco a documentários e debates ambientais numa época em que o tema era ignorado pelo grande público. Para Ted Turner, a proteção do meio ambiente sempre esteve ligada à segurança global, levando-o a investir também no desarmamento nuclear como forma de prevenir o desastre ecológico definitivo. O seu legado é o de um visionário que transformou a figura do empresário na de um guardião do ecossistema.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

Porky (2021) por Andrea Lavery
Sobre a Pintora e o quadro
Andrea Lavery é uma conceituada artista que cresceu no ambiente rural de Newtown, Connecticut, EUA residindo e trabalha atualmente na zona costeira do mesmo estado. A sua trajetória artística é marcada por uma evolução orgânica e apaixonada; embora os seus registos biográficos privilegiem a experiência prática, a sua técnica revela um domínio consolidado dos meios tradicionais, fruto da sua formação académica com um Bacharelato em Belas Artes (BFA) pelo Paier College of Art, concluído em 1985.

O seu trabalho é amplamente classificado como Impressionismo Contemporâneo, um estilo que a própria define como "Happy Colorful Art". A temática da sua obra é profundamente inspirada pela natureza e pela vida selvagem, destacando-se as suas representações vibrantes de pássaros, abelhas, coelhos e flores. Através de pinceladas fluidas e expressivas, Lavery cria texturas ricas que privilegiam uma interpretação emocional e luminosa do objeto em detrimento de um realismo rígido.

Do ponto de vista técnico, a artista utiliza predominantemente óleos solúveis em água, recorrendo ao óleo de linhaça com a mesma propriedade para conferir transparência e fluidez às composições. Andrea Lavery é particularmente reconhecida por trabalhar em painéis de pequeno formato, nos quais consegue concentrar uma enorme densidade de cor e energia. O sucesso do seu estilo reflete-se não só em galerias, mas também no mercado de licenciamento, com as suas criações a serem aplicadas em tecidos (notavelmente para a QT Fabrics), impressões artísticas e diversos objetos de decoração.

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

O que diz a Ciência 
Apesar dos estereótipos de serem animais simplórios e desleixados, os porcos/suínos são animais extremamente inteligentes, limpos, emotivos e sociais.

A investigação contemporânea no domínio da etologia e da neurociência cognitiva tem demonstrado que os suínos (Sus scrofa domesticus) possuem uma complexidade neurocognitiva que rivaliza com a de primatas não humanos e cetáceos, destacando-se como uma das espécies mais inteligentes do reino animal. No estudo fundamental "Thinking Pigs: A Comparative Review of Cognition, Emotion, and Personality in Sus scrofa domesticus" (Marino & Colvin, 2015), os investigadores compilam evidências de que os porcos exibem uma memória a longo prazo notável e uma capacidade avançada de resolução de problemas. Um dos marcos desta inteligência é a compreensão da perspetiva espacial, demonstrada no estudo "Pigs learn what a mirror image represents and use it to obtain information" (Broom et al., 2009), onde os animais conseguiram utilizar espelhos para localizar alimento escondido, um indicador de processamento visual sofisticado.

Para além da inteligência lógica, os porcos manifestam uma vida social e emocional extremamente rica. A existência de empatia e contágio emocional foi documentada em "Indicators of positive and negative emotions and emotional contagion in pigs" (Reimert et al., 2013), revelando que estes animais não só sentem emoções complexas, como estas são influenciadas pelo estado de ânimo dos seus pares. Esta sensibilidade estende-se à interação com humanos e à capacidade de aprendizagem tecnológica, como comprovado pela recente investigação "Investigation of Video Game Play in Pigs" (Croney & Boysen, 2021), onde os suínos demonstraram competência na manipulação de joysticks para atingir objetivos num ecrã.

Contrariamente ao estigma popular, o porco é um animal instintivamente limpo; quando dispõem de espaço adequado, estabelecem áreas rigorosas para alimentação e repouso, mantendo-as afastadas das zonas de excreção. O comportamento de se refrescarem na lama é, na verdade, uma solução biológica engenhosa para a termorregulação e proteção dérmica, uma vez que a sua anatomia possui um número reduzido de glândulas sudoríparas. Em suma, a ciência moderna reitera que os porcos são seres sencientes, dotados de consciência social, capacidades cognitivas superiores e uma higiene comportamental que desafia preconceitos históricos.

Saber mais:

1. Pig Intelligence

2. From snout to tail, there’s more to pigs than meets the eye

3. No, Pigs Aren't Dirty

4. Eight Things You Probably Didn’t Know About Pigs

Who's the Biggest Money Behind the Throne?

Para ver com mais detalhe e ampliação aqui

It’s important that we demonstrated against Trump’s assertion of royal powers.

It’s at least as important to follow the money — and learn the identities of America’s billionaire royalty who crowned Trump in the first place. They’re now spending another regal fortune to keep Congress under his control.

Today I’m going to name names.

As of March 1, according to a new report from Americans for Tax Fairness, the 50 biggest-spending billionaires in American politics had already contributed over $433 million to the upcoming midterm political campaigns.

Not surprisingly, 80 percent of this haul is in support of Republican candidates or conservative issue groups.

Given how early we are in the process, and how contributions tend to accelerate closer to Election Day, 2026 will almost surely set a new record for billionaire money in midterm elections. (Because of our current pathetically weak campaign finance laws, courtesy of the Supreme Court, fat-cat contributors are funneling huge sums through super PACs. While such spending is supposed to be independent of the campaign being supported, rules against coordination are now going largely unenforced.)

Who they are
1. Elon Musk
The single biggest contributor is, of course, Elon Musk — the world’s richest person — who has plunked down almost $71 million into Republican midterm campaigns so far.

Musk contributed a total of $278 million in the 2024 election cycle, mostly for getting Trump reelected. His “investment” has paid off nicely. Musk’s net worth has grown 220 percent since Trump won in 2024.

Musk’s latest cash infusion to Republicans came after his short destructive stint as head of the “Department of Government Efficiency,” where he helped place his cronies into high-level positions throughout the federal government.

Yes, I know. Musk and Trump had a falling out. But since then both have realized they have more to gain as political partners. And now that Musk’s SpaceX satellite system is integral to Pete Hegseth’s Department of “War,” Musk has filed for an initial public offering, seeking a valuation over $2 trillion and potentially raising $75 billion, which would make it the largest IPO in history.

The New York Times reports that Musk participated in a phone call on Tuesday with Trump and Prime Minister Narendra Modi of India. Musk’s companies have taken on significant investment from sovereign wealth funds from Middle Eastern countries, including Saudi Arabia and Qatar, and he has long coveted a greater commercial presence in India.

2. Jeff Yass
Musk is followed in the billionaire-spending-on-politics sweepstakes by Wall Street financier Jeff Yass, who has contributed more than $55 million so far in this midterm election cycle. He’s donated $16 million to MAGA, Inc., Trump’s super PAC, dedicated to supporting candidates he backs.

The Yass donations came as Trump was deciding whether to delay the forced sale of the social media app TikTok, in which Yass was a major investor. Trump repeatedly delayed the sale, saving Yass’s lucrative investment.

In addition, Yass has donated $10 million apiece to the anti-tax Club for Growth PAC; to another PAC that wants to drain funds from public schools to support private ones; and to a PAC that supports the political ambitions of former Republican presidential candidate Vivek Ramaswamy. Yass has also donated $7.5 million to a PAC dedicated to supporting House members of (and House candidates aspiring to belong to) the radical-right Freedom Caucus.

3.Greg Brockman
In third place is San Francisco AI tech mogul Greg Brockman, who has given $25 million in midterm money so far — mostly to Trump’s super PAC, presumably because Brockman wants to dismantle state-level AI regulations through federal preemptive action and thinks Trump will help him.

As president of OpenAI, Brockman recently agreed to let the Pentagon use his company’s AI technology — which his competitor Anthropic publicly refused to do over concerns about mass surveillance and autonomous weapons.

4. Dick Uihlein
Packaging titan Dick Uihlein has long been a major donor to right-wing candidates and causes. (Among the beneficiaries of his largesse have been many politicians who denied Donald Trump’s loss to Joe Biden in the 2020 presidential election.)

The biggest recipients of Uihlein midterm money so far are two super PACs for which Uihlein and his wife are the principal backers: $5 million to Restoration of America, supporting conservative political candidates; and $3.5 million to Fair Courts America, which the Uihleins founded to support conservative candidates for judicial office.

5. Stephen Schwarzman
Private equity mogul Stephen Schwarzman has long been a major Republican Party megadonor. As CEO of the giant investment management company Blackstone, Schwarzman has built a career on predatory business practices and disregard for the public good, while leveraging his immense wealth to rig the system in his favor.

So far in the midterms, Schwarzman has spent: $5 million for Trump’s super PAC; $5 million for the Republican Senate Leadership Fund; $1 million for the Republican Congressional Leadership Fund; and $1 million to a super PAC exclusively backing Republican Senate Whip John Cornyn.

***

As we approach the 250th anniversary of our independence from the British monarchy, it’s more important than ever to commit ourselves to getting big money out of American politics.

As I’ve noted, here’s a potential way to do this without waiting for the Supreme Court to reverse its Citizens United decision or amending the Constitution. Another is through small-donor financing. The two aren’t mutually exclusive; indeed, we should push for both.

Billionaires are not singularly responsible for corrupting our system of government, of course — and not all billionaires are doing this.

But as wealth continues to concentrate at the top, America finds itself in a doom loop in which giant campaign donations from the super-rich buy political decisions that make them even richer.

This doom loop is the power behind the throne on which Trump shits sits.

sábado, 4 de abril de 2026

Paraísos fiscais globais "alimentam a desigualdade" enquanto os países ricos bloqueiam reformas da ONU

Uma década depois do Panama Papers, os 0,1% mais ricos da Terra escondem mais de 2,8 biliões de dólares em contas offshore para evitar o pagamento de impostos, concluiu um relatório da Oxfam International. Só esse dinheiro representa mais riqueza do que a detida por toda a metade mais pobre da humanidade, ou seja, mais de 4,1 mil milhões de pessoas.

Ilhas Caimão

De acordo com o relatório publicado na terça-feira, a economia global continua a perder centenas de milhares de milhões de dólares todos os anos devido ao abuso fiscal transfronteiriço — uma perda de receitas que os especialistas afirmam estar a alimentar a desigualdade extrema e a privar os governos de recursos necessários para combater a crise climática e financiar serviços públicos.

Em conjunto com o relatório The State of Tax Justice 2024, publicado pela Tax Justice Network (TJN), estima que os países perderão 4,8 biliões de dólares em receitas fiscais nos próximos dez anos se as tendências atuais se mantiverem.

"O abuso fiscal global não é um desastre natural, mas uma escolha política", afirmou Liz Nelson, diretora da TJN. "Os governos têm o poder de acabar com esta injustiça, mas os países ricos continuam a proteger os interesses dos abusadores fiscais em vez dos seus próprios cidadãos."

O relatório destaca que os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) — frequentemente descrita como o "clube dos países ricos" — são responsáveis pela maior parte das perdas fiscais mundiais. Segundo a análise, os países da OCDE e as suas dependências facilitam a maioria do abuso fiscal corporativo global, enquanto os países de baixo rendimento continuam a ser os mais afetados proporcionalmente.

Durante décadas, a OCDE liderou as negociações sobre as regras fiscais globais. No entanto, o relatório da TJN argumenta que estas regras foram concebidas para beneficiar as multinacionais e os países ricos, deixando o resto do mundo de fora.

O relatório surge num momento em que cresce o impulso para a criação de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Cooperação Fiscal Internacional. No ano passado, os países votaram esmagadoramente a favor de levar as negociações fiscais para a ONU, desafiando a oposição de grandes economias como os EUA e o Reino Unido.

"A transferência da liderança das regras fiscais da OCDE para a ONU é o passo mais importante que podemos dar para acabar com a era dos paraísos fiscais", disse Alex Cobham, diretor executivo da Tax Justice Network.

A Common Dreams reportou que a erosão da base tributária obriga os governos a depender de impostos sobre o consumo, que prejudicam desproporcionalmente os pobres, enquanto as multinacionais ganham uma vantagem competitiva injusta sobre os negócios locais. O relatório conclui com um apelo urgente para que os países apoiem o processo da ONU para garantir que os impostos sejam pagos onde a atividade económica real ocorre.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Clara Mattei: capitalism is not natural - it’s enforced


Nascida em 1988, Clara Mattei é mestre em Filosofia e doutorada em Economia. Foi membro da School of Social Sciences no Institute for Advanced Studies de Princeton entre 2018 e 2019. Autora de artigos premiados pela History of Economics Society e pela European Society for History of Economic Thought, publica também artigos não académicos em publicações como The Guardian, Jacobin, The Nation e Il Fatto Quotidiano. Atualmente é professora auxiliar do Departamento de Economia da New School for Social Research em Nova Iorque.
É mentora do projecto FREE - Forum for  Real Economic Emancipation

Site: Clara Mattei

Pensamento de Clara Mattei
Clara Mattei defende uma visão provocadora e profundamente crítica sobre a relação entre o capitalismo e a geopolítica, argumentando que a economia não é uma ciência neutra, mas sim uma ferramenta de poder. No centro do seu pensamento está o conceito de austeridade, que ela não define como uma resposta técnica a crises de dívida, mas como um projeto político deliberado para salvaguardar a ordem capitalista. Segundo a economista, sempre que o sistema se sente ameaçado por movimentos sociais ou exigências democráticas que reivindicam uma maior partilha da riqueza, as elites políticas e financeiras accionam mecanismos de austeridade - como o corte em serviços públicos, a precarização do trabalho e o aumento das taxas de juro - para disciplinar a classe trabalhadora e reafirmar a primazia do capital sobre a vida humana.

No plano da geopolítica, Mattei observa que esta lógica de austeridade é exportada e imposta globalmente através de instituições tecnocráticas que operam fora do controlo democrático. Ela analisa como o sistema internacional está desenhado para isolar as decisões económicas da vontade popular, criando uma espécie de "blindagem" que impede os Estados de adoptarem políticas alternativas. Para a autora, a geopolítica contemporânea é marcada por uma competição constante entre nações para atrair investimento, o que resulta numa pressão descendente sobre os direitos sociais e salários, transformando governos em gestores de um mercado global em vez de representantes dos seus cidadãos. Mattei vai ainda mais longe ao traçar paralelos históricos, demonstrando como, no pós-Primeira Guerra Mundial, economistas liberais e regimes autoritários colaboraram para impor a austeridade, revelando que o capitalismo, quando em crise, prefere muitas vezes a estabilidade de mercados "disciplinados" em detrimento da verdadeira democracia. Em suma, para Clara Mattei, a geopolítica do capital é uma estratégia de manutenção de classe que utiliza a escassez artificial e a insegurança económica como formas de controlo social permanente.

Mattei defende que o maior sucesso do capitalismo moderno é convencer as populações de que "não há alternativa" (o famoso TINA de Margaret Thatcher). Em termos geopolíticos, isso se traduz  num mundo onde os Estados competem para ver quem oferece o ambiente mais "amigável" ao mercado, resultando em uma "corrida para o fundo" em termos de direitos sociais e salários.


Baseando-se em material de arquivos recém-descoberto na Grã-Bretanha e em Itália, grande parte dele traduzido pela primeira vez, A Ordem do Capital faz um relato novo, lúcido e muito crítico, da promoção da austeridade - e do sistema económico moderno - enquanto alavanca do poder político contemporâneo.

Ao longo de mais de um século, os governos que enfrentavam crises financeiras recorreram a políticas económicas de austeridade - cortes nos salários, nas despesas fiscais e nos benefícios públicos - para garantirem a solvência. Ainda que estas políticas tenham sido bem-sucedidas no apaziguamento dos interesses estrangeiros, tiveram impactes devastadores nas condições sociais e económicas de países de todo o mundo. Atualmente, embora a política da austeridade continue a ser favorecida pelos Estados em dificuldades, uma questão importante permanece sem resposta: e se a solvência nunca foi o verdadeiro objetivo da austeridade?

Em A Ordem do Capital, a economista política Clara E. Mattei investiga as origens intelectuais da austeridade e revela as razões da sua existência: a proteção do capital - e, na realidade, do capitalismo - em épocas de agitação social.

«Uma história fascinante da ascensão das políticas de austeridade no mundo do pós-Primeira Guerra Mundial e do modo como facilitaram o caminho para o fascismo – juntamente com muitas das políticas económicas atuais. Uma leitura obrigatória, com lições cruciais para o futuro. História da economia política no seu melhor.»
Thomas Piketty, economista, autor de O Capital no Século XXI

«Este livro de Clara Mattei é um contributo importante para a construção de uma nova narrativa económica. Num momento em que a inflação está em alta e os governos se inclinam para, uma vez mais, pedirem aos cidadãos “que apertem o cinto” este livro é mais relevante do que nunca.»
Mariana Mazzucato, economista, autora de O Valor de Tudo