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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Alerta Verão : “A falsa “química” que faz de ti a vítima da festa



Festivaleiro que és, já andas a preparar o teu roteiro de festas de verão?
Não percas a melhor música nem o maior cartaz de Prevenção!
As noites de verão são feitas para te divertires e viveres momentos únicos. Nunca para seres vítima de um crime circunstancial ou, até, premeditado.
A Polícia Judiciária alerta para uma realidade da qual Portugal não é exceção.
Existe um novo mercado de drogas sintéticas que circula de festa em festa, de mão em mão. Visível ou invisível, emerge.
 “Sabes mesmo o que estás a consumir?” ou “Se te colocaram algo na bebida?”
As novas drogas psicoativas são manipuladas e adulteradas, através de processos químicos, nalguns casos realizados em “laboratórios caseiros”.
Crescem os “produtores” clandestinos e criminosos destes booms explosivos. A venda online, ao desbarato, alicia compradores e condena cada vez mais jovens. 
Com a aproximação do verão, investe num verdadeiro Kit de Prevenção:
- Compra e consome exclusivamente a tua bebida;
- Não percas o copo do teu raio de visão;
- Recusa bebidas oferecidas, as quais podem ter substâncias psicoativas inodoras, translúcidas, líquidas e facilmente misturadas;
- Não acredites nem compres drogas fake, aparentemente “milagrosas”, a preços de “saldo”. Podem provocar, numa única 1ª toma, um efeito letal;
- Lembra-te: se a droga tem um formato criativo, só serve para te enganar! Atrás de uma imagem apelativa, está uma droga com consequências para a tua vida.
- Podes ficar com efeitos colaterais severos, ser vítima de um crime de abuso sexual ou até mesmo morrer.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Catfish: descubra o que é o golpe com perfis digitais

Por mais que as camadas de proteção, dicas de precaução e os sistemas de segurança nos ambientes online estejam disponíveis em maior número, os novos golpes digitais continuam sendo criados, ou adaptados, por pessoas mal-intencionadas e que sabem como utilizar a engenharia social para atingir o elo mais fraco: o ser humano. O chamado Catfish é um dos tipos de armadilhas que estão sendo aplicadas atualmente.

Talvez você já tenha visto casos de pessoas dizendo que alguém está usando a sua foto para entrar em contato, principalmente por WhatsApp ou via uma conta falsa nas redes sociais. Ao se passarem por outra pessoa, como alguém conhecido, os criminosos fazem novas vítimas com o objetivo de capturar dados, receber dinheiro, até instalar vírus no celular de quem foi pego neste golpe.

Esse é o cenário em que o Catfish acontece. Quer compreender mais sobre o assunto? Então, continue a leitura e veja quais são as dicas de segurança que os especialistas do Santander indicam para você.

O que é o golpe Catfish?
Apesar de ter um nome em inglês, o golpe Catfish é aplicado em diferentes regiões do Brasil e do mundo, já que se refere a uma armadilha digital capaz de alcançar as vítimas de onde elas estiverem, e que os criminosos conseguem operar igualmente de qualquer lugar.

Ele ocorre quando uma pessoa mal-intencionada cria uma identidade falsa nas redes sociais para enganar e atrair pessoas para o golpe. Geralmente, o criminoso por trás do perfil falso busca estabelecer um relacionamento online com a vítima, muitas vezes românticos e fingindo ser alguém que não é.

Para você saber: o termo Catfish remete a “peixe-gato”, como uma espécie de tradução para essa prática em que há uma pessoa mal-intencionada fazendo uma pessoa comum como “presa” e vítima.

Em quais contextos o golpe Catfish acontece?
Os ambientes online são propícios a serem cenários de golpes porque em determinadas situações é difícil distinguir o que é real daquilo que não é.

Por exemplo, ao trocar mensagens em redes sociais, você poderá estar conversando com um perfil falso sem saber, basta que esteja usando a imagem de alguém que você conhece ou algo semelhante a isso.

Dessa forma, o golpe Catfish ocorre em contextos como os exemplos a seguir:
- Está interessado de forma romântica e passa a manter uma conversa diária por dias seguidos, perguntando assuntos pessoais, relatando o dia a dia e demais pontos de uma troca de mensagens comum;
- Encontrou o número em algum grupo em comum e mantém o bate-papo como se quisesse se tornar um amigo virtual da vítima, mostrando um perfil que utiliza fotos de outras pessoas para passar confiança;
- Entram em contato com familiares e amigos, e dizem ser um novo número de contato (o telefone de trabalho, por exemplo). Com a vítima aceitando tal mensagem como verdadeira e dando abertura, os criminosos alegam situações em que precisam de dinheiro ou de algum dado sigiloso;
- Afirmam que querem muito encontrar você pessoalmente, mas sempre apresentam algum motivo, como um imprevisto, para evitar que isso aconteça.

Saiba como se proteger do golpe Catfish
Quer redobrar os seus cuidados para se proteger online? Então, confira quais são as medidas de segurança para não ser vítima do golpe Catfish.

Para começar, nunca transfira dinheiro nem faça pagamentos para pessoas, por mais que esteja com a foto de algum conhecido seu, sem verificar antes se são elas mesmas que estão solicitando essa ajuda financeira. Ou seja, converse pessoalmente ou por chamada de vídeo com o seu contato, e confirme a mensagem.

Caso tenha conhecido alguém pela internet, como em aplicativos de relacionamento, busque maneiras de confirmar que essa pessoa existe mesmo. Por exemplo, investigue as fotos nas redes sociais, publicações com família e amigos, faça chamadas de vídeo e faça uma busca do nome completo em sites de pesquisa.

Sempre que possível marque um encontro presencial, em locais públicos e seguros, e leve alguém de confiança para acompanhá-lo(a), e desconfie de determinados assuntos, como os que envolvem dinheiro, e demais apelos emocionais.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Dia Europeu das Vítimas de Crime



O Dia Europeu das Vítimas de Crime assinala‑se a 22 de fevereiro e constitui um momento fundamental para reconhecer todas as pessoas que sofrem ou sofreram crimes, dar visibilidade às suas experiências e reforçar a importância das políticas públicas destinadas ao seu apoio, proteção e garantia dos seus direitos, bem como à prevenção e combate à criminalidade, designadamente à violenta e à especialmente violenta.

Entre os crimes que mais atentam contra a dignidade humana destaca‑se o Tráfico de Seres Humanos (TSH), uma grave violação dos direitos humanos e um fenómeno marcado pela grande invisibilidade das suas vítimas.

Trata‑se de um crime potenciado pelo aumento da mobilidade, pela utilização da internet como meio de aliciamento e controlo e pelo facto de envolver, na generalidade, baixos riscos e elevados lucros para as redes criminosas.

A verdadeira dimensão do tráfico de seres humanos é difícil de determinar, ainda assim, a informação existente permite perceber que o sexo, o género das vítimas e a idade influenciam a probabilidade, as formas e os objetivos da exploração. A nível internacional a maioria das vítimas identificadas são mulheres e raparigas, embora o tráfico afete também homens e rapazes, bem como pessoas trans.

Apesar de em Portugal e em alguns outros países europeus predominarem as situações reportadas de tráfico para fins de exploração laboral (com vítimas masculinas) não podemos esquecer a realidade do tráfico para fins de exploração sexual e que esta realidade se encontra especialmente ocultada.

A exploração sexual continua a ser o principal fim do tráfico de mulheres e raparigas. Entre os fatores que contribuem para este fenómeno destacam‑se as situações de vulnerabilidade, frequentemente associadas a contextos de violência, discriminação e pobreza, bem como a persistente procura de serviços sexuais. Os traficantes exploram, muitas vezes, a condição económica precária de pessoas que procuram uma vida melhor, recorrendo ao tráfico de migrantes e ao uso da internet como instrumento central de aliciamento.

A União Europeia tem vindo a adotar instrumentos fundamentais para prevenir e combater o tráfico de seres humanos, alinhados com os padrões internacionais e assentes numa abordagem centrada na vítima, que reconhece a necessidade de apoio, proteção e acesso efetivo aos direitos, bem como a importância de integrar uma perspetiva de género nas políticas de prevenção.

Em Portugal, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2024, foram constituídos 43 arguidos por tráfico de seres humanos, mais 13 do que no ano anterior, e detidas 12 pessoas. O Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH) registou a sinalização de 355 presumíveis vítimas, mantendo‑se Portugal sobretudo como país de destino. Na exploração sexual, as presumíveis vítimas são maioritariamente mulheres adultas, de nacionalidade estrangeira, com destaque para as nacionais de São Tomé e Príncipe.

O principal instrumento nacional de prevenção e combate ao TSH é o V Plano Nacional para o período 2025‑2027, que visa consolidar o conhecimento sobre o fenómeno, reforçar a informação e sensibilização, assegurar um melhor acesso das vítimas aos seus direitos e intensificar o combate às redes de criminalidade organizada.

Contudo, o Dia Europeu das Vítimas de Crime não se limita ao tráfico de seres humanos. Esta data relembra também todas as pessoas afetadas por outros crimes, como a violência doméstica, a violência sexual, os crimes de ódio, o abuso de menores, , a fraude ou o cibercrime. Independentemente do tipo de crime, todas as vítimas têm direito a ser reconhecidas, protegidas e apoiadas, sem discriminação.

Conforme divulgado, o Conselho de Ministros aprovou no passado dia 20 de fevereiro a versão final da Lei-Quadro de Política Criminal, que define os objetivos, as prioridades e as orientações da política criminal para o biénio de 2025-2027, e entre os crimes de prevenção e investigação prioritária constam, nomeadamente a violência doméstica, o tráfico de pessoas, os crimes sexuais, o cibercrime e os crimes de ódio.

A resposta às necessidades das vítimas exige um esforço contínuo, tanto a nível nacional como europeu, baseado na cooperação entre autoridades, no trabalho integrado e articulado entre as entidades intervenientes, na , partilha de boas práticas e na formação contínua de profissionais.

Assinalar este dia é, acima de tudo, reafirmar o compromisso coletivo com uma Europa mais justa, segura e solidária, onde os direitos das vítimas ocupam um lugar central.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Inicitiva Liberal - um partido extremista e misógino


"Sobre Bernardo Blanco diretor de campanha de Cotrim de Figueiredo e mencionado lateralmente na história de assédio da alegada vítima de Cotrim de Figueiredo. Uma vez convidou-me para uma palestra sobre liberalismo e feminismo. Eu aceitei e escreveu-me, como que a sugerir, de como afinal tinha sido o capitalismo a libertar as mulheres, com a invenção dos eletrodomésticos que facilitavam a vida às mulheres. Portanto para ele a libertação feminina tinha sido as mulheres deixarem de lavar a roupa num tanque à mão para passarem a pôr tudo numa máquina de lavar e, quiçá, não estragarem tanto a manicure. Disse-lhe que se fosse para propalar tão estúpida teoria eu não era a pessoa certa. Disse-me que não, para ficar, e eu já com má impressão lá fui para o IEP na Católica para a dita palestra. Foi uma coisa tenebrosa. Estava lá a palestrar também a Ana Vasconcelos, eurodeputada, que também já veio defender o seu colega do Parlamento Europeu. É uma daquelas mulheres que considero como idiota útil do patriarcado. Não sabia nada do assunto feminismo, dizia que o feminismo certo era o de John Stuart Mill (homem moderno para o fim do século XIX e agora completamente ultrapassado e que, como sabe quem já leu The Subjection of Women, com uma visão confrangedoramente conservadora sobre mulheres), negava que existisse qualquer preconceito que prejudicasse mulheres (donde, se enfrentam discriminação é porque são, coitadas, mázitas), até brincou que se calhar sofria de machismo intrínseco (no kidding), como se tal coisa não existisse. Ah, e não entendia por que carga de água as mulheres não formavam partidos se não estavam bem representadas nos existentes. A estupidez vinda desta senhora foi avassaladora.
A grunhice da conferência foi de tal ordem que houve quem sugerisse que se deviam diminuir os direitos das mulheres para não incomodar os imigrantes que chegavam de sítios mais conservadores. Bernardo Blanco e uma outra criatura da assistência puseram em causa a existência da licença de maternidade porque, afinal, é um direito que discrimina positivamente as mulheres e, portanto, não é justo para os homens; também argumentavam que não era o estado que tinha de suportar a escolha individual das mulheres terem filhos. Sim, foi a este nível e foi este Bernardo Blanco que Cotrim de Figueiredo escolheu para diretor de campanha. (Até a IL no parlamento já se conseguiu livrar de Bernardo Blanco, mas Cotrim reciclou-o).
Bernardo Blanco fez parte de uma coisa tenebrosa que era o Instituto Mises Portugal, grupo de gente anarco capitalista que gozava (gulosamente) com os assassinatos de Pinochet dos comunistas que eram atirados de helicópteros. Que debatiam, como se fosse debatível, a ‘remoção física’ de comunistas e - tcharan - democratas. Bernardo Blanco é um extremista e um fanático que faz António Filipe parecer moderado. E, na minha humilde opinião, capaz de tudo.
Outra pessoa que é mencionada nas alegações de assédio a Cotrim de Figueiredo é Ricardo Pais Oliveira. Não o conheço pessoalmente, mas foi a pessoa que organizou no twitter, nos primórdios da IL, a campanha mais nojenta de ódio online aos opositores que eu jamais vi. Não pode ser pessoa decente.
Isto para dizer o quê? Alguém que desgosta destas duas personalidades é uma pessoa com valores no sítio certo e que me merece, pelo menos, o benefício da dúvida. Mais do que quem escolhe rodear-se destas pessoas."

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O que é o patriarcado? O que significa e porque é que toda a gente fala dele?

Amazona - Afro-Brasileira

O que é o patriarcado?
Derivado da palavra grega patriarkhēs, patriarcado significa literalmente “a regra do pai” e é usado para se referir a um sistema social em que os homens controlam uma parte desproporcionalmente grande do poder social, económico, político e religioso, com a herança geralmente a passar pela linha masculina.

Definindo o patriarcado, o famoso sociólogo americano Allan Johnson escreveu: “O patriarcado não se refere a qualquer homem ou conjunto de homens, mas a um tipo de sociedade em que participam homens e mulheres... Uma sociedade é patriarcal na medida em que promove o privilégio masculino ao ser dominada por homens, identificada por homens e centrada em homens. Está também organizada em torno de uma obsessão pelo controlo e envolve como um dos seus aspetos-chave a opressão das mulheres.”

Quais são as características de uma sociedade patriarcal?
Não existem duas sociedades patriarcais exatamente iguais, uma vez que as culturas e as normas são moldadas por diferentes fatores, tais como a geografia, a língua e a religião - e também porque as exigências e os avanços dos movimentos feministas em todo o mundo não são idênticos. No entanto, a principal caraterística de uma sociedade patriarcal é o facto de os homens deterem mais poder e autoridade, o que conduz subsequentemente ao privilégio masculino.

Os preconceitos profundamente enraizados fazem com que os homens ocupem a maioria das posições de liderança e controlem os recursos, tanto na esfera pública como na privada, enquanto as mulheres desempenham um papel secundário e são vistas como mais fracas e mais adequadas ao trabalho doméstico. Como tal, o lugar da mulher numa sociedade patriarcal é principalmente o de dona de casa, procriadora ou cuidadora.

Esta dominação masculina perpetua crenças e práticas (normas culturais) que - consciente ou inconscientemente - favorecem os homens em detrimento das mulheres, e estas crenças não são apenas defendidas pelos homens, mas pela maioria das pessoas nessa sociedade, independentemente do seu género.

Dados recentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento revelaram, em junho, que os preconceitos de género contra as mulheres “permanecem enraizados”, concluindo que “quase 9 em cada 10 homens e mulheres em todo o mundo continuam atualmente a ter esses preconceitos”. O relatório do Índice de Normas Sociais de Género da organização concluiu que “metade das pessoas em todo o mundo ainda acredita que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres e mais de 40% acredita que os homens são melhores gestores de negócios do que as mulheres”.

Em muitas partes do mundo, as normas patriarcais significam que as raparigas recebem pouca ou nenhuma educação, podem casar-se jovens, têm pouco ou nenhum controlo sobre o seu corpo (através do acesso a contracetivos ou abortos) ou sobre o rendimento familiar, e têm menos acesso digital do que os rapazes.

Mesmo quando os resultados escolares são comparáveis ou as raparigas têm melhores resultados escolares, as expectativas patriarcais moldam as trajetórias profissionais, estando as mulheres sub-representadas nas áreas STEM [acrónimo inglês para Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas] e sobre-representadas por exemplo na enfermagem. Os patriarcados também se caracterizam por salários desiguais para o mesmo trabalho; menos investigação sobre doenças que afetam desproporcionadamente alguns géneros mais do que outros (por exemplo endometriose ou enxaquecas); um sentimento de direito ao sexo e ao prazer por parte daqueles que encarnam géneros mais masculinos; a existência de pobreza menstrual, que pode afetar todas as pessoas que menstruam, e o imposto cor-de-rosa - em que os bens de consumo destinados às mulheres são mais caros; encargos desiguais com os cuidados; invisibilidade das mulheres na velhice e estereótipos sobre a menopausa; e a prevalência e aceitação da violência cometida por homens: abuso doméstico, assédio sexual e feminicídio.

O patriarcado é outro termo para designar a desigualdade de género?
A desigualdade de género - o tratamento desigual de alguém com base apenas no seu género - é um resultado das sociedades patriarcais, mas os termos não significam a mesma coisa. A desigualdade de género refere-se às diferenças injustas no tratamento, oportunidades e direitos entre pessoas com base no género. Já o patriarcado é um sistema social e cultural em que o poder e a autoridade estão historicamente concentrados nos homens, o que cria e mantém essas desigualdades.

Os Estados Unidos são um patriarcado?
Apesar dos avanços no sentido da igualdade de género que têm vindo a ganhar força há mais de um século, os EUA continuam a ser uma sociedade patriarcal.

Até à data, por exemplo, nunca nenhuma mulher foi Presidente dos EUA, pelo que o poder supremo como comandante-chefe sempre coube a um homem.

Os dados mostram que os EUA ficam atrás de muitos dos seus aliados em todo o mundo no que diz respeito à licença parental remunerada, aos cuidados de saúde maternos, às taxas de fertilidade na adolescência e, cada vez mais, aos direitos reprodutivos. Também existe uma disparidade salarial persistente entre os géneros, com as mulheres a ganharem, em média, 82 cêntimos por cada dólar ganho por um homem em 2022, de acordo com uma análise do Pew Research Center. Os dados sublinham que esta diferença quase não se alterou em 20 anos e é pior para as mulheres indígenas, asiáticas, latinas e negras.

O progresso no sentido da igualdade de género não é linear nem garantido. Os ganhos no acesso ao aborto perderam-se no ano passado (com a revogação do acórdão Roe vs. Wade) e outros ganhos podem também perder-se, uma vez que a Constituição dos EUA não contém qualquer disposição que proteja explicitamente contra a discriminação com base no sexo. A Emenda dos Direitos Iguais, introduzida no Congresso em 1923, nunca foi ratificada por um número suficiente de estados, embora tenha havido esforços recentes para a reativar.

Todas as sociedades são patriarcais e sempre o foram?
Não. Nem sempre o foram.

Escrevendo para a BBC, a jornalista científica britânica Angela Saini explica que “quanto mais mergulhamos na pré-história, mais variadas são as formas de organização social que encontramos”. Referindo-se a dados arqueológicos de Çatalhöyük, na atual Turquia, descrita como uma das cidades mais antigas do mundo, Saini escreve que esta era “uma povoação em que o género fazia pouca diferença na forma como as pessoas viviam”.

Mas também existem sociedades deste género no mundo contemporâneo. Investigações anteriores identificaram pelo menos 160 populações matrilineares que existem atualmente. Trata-se de sociedades em que a linhagem é transmitida pela mãe. Isto não significa, porém, que os homens sejam discriminados nas matriarquias. Saini escreve: “Muitas vezes, nas comunidades matrilineares, o poder e a influência são partilhados entre mulheres e homens. Nas comunidades matrilineares Asante, no Gana, a liderança é dividida entre a rainha-mãe e um chefe masculino, que ela ajuda a selecionar.”

Que outras sociedades são matriarcais?
Eis apenas algumas das sociedades matriarcais que se sabe existirem em todo o mundo:

Os Minangkabau são a maior sociedade matriarcal conhecida do mundo, compreendendo milhões de pessoas que vivem na ilha de Sumatra, na Indonésia. São matrilineares, traçando a descendência e a herança através da linha feminina.

Os Bribri são uma das mais antigas comunidades matrilineares sobreviventes do mundo. Este grupo indígena vive principalmente na região montanhosa de Talamanca, na Costa Rica e, em 2015, estimava-se que existiam 11 500 pessoas nesta área, com uma população mais pequena no Panamá, mas diz-se que a sua cultura está ameaçada.

Há também os Mosuo na China, os Khasi na Índia, os Himba em Angola e na Namíbia e muitos outros. Mas mesmo as ordens sociais não existem numa escolha binária entre patriarcados e matriarcados. Das 1291 populações definidas no estudo de 2019, 590 eram patrilineares. Para além das matriarquias, tal como referido acima, o estudo também identificou cinco outras formas de as sociedades decidirem a linhagem.

O patriarcado é bom para os homens?
Sim e não. Embora tal não seja concedido de forma uniforme a todos os homens, ser designado à nascença como homem numa sociedade patriarcal traz privilégios. Mas também traz expectativas, e são essas expectativas - de que um “homem viril” é heterossexual, sempre forte, mostra pouca emoção, é o provedor e não o cuidador, domina sobre os outros, deve estar sempre no controlo - que levaram ao que é popularmente referido como masculinidade tóxica.

Estes ideais não são isentos de consequências, certamente para as mulheres (o facto de a violação conjugal não ser crime em muitos países e só ter passado a sê-lo em todos os estados dos EUA em 1993 é apenas um exemplo), mas também para os homens: estudos exploraram - e demonstraram - uma ligação entre o patriarcado e taxas de mortalidade mais elevadas nos homens.

No seu livro de 2004, “The Will to Change: Men, Masculinity and Love” [tradução à letra, “A Vontade de Mudar: Homens, Masculinidade e Amor”], a autora feminista negra Bell Hooks escreveu: “O primeiro ato de violência que o patriarcado exige aos homens não é a violência contra as mulheres. Em vez disso, o patriarcado exige de todos os homens que se envolvam em atos de automutilação psíquica, que matem as partes emocionais de si próprios."

O patriarcado pode ser desmantelado?
Qualquer sistema criado por pessoas pode ser alterado por pessoas.

O patriarcado é um sistema social que foi concebido por homens para favorecer os homens. Foi adotado ao longo dos tempos através de comportamentos aprendidos e normas culturais que colocam os homens no topo. Para desmantelar este ideal, temos de desafiar os preconceitos enraizados contra as mulheres.

Parece simples, mas há muito trabalho a fazer. Face ao “retrocesso dos direitos sexuais e reprodutivos” e aos “direitos das mulheres (...) a serem abusados, ameaçados e violados em todo o mundo”, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em março que a igualdade de género parecia estar “a 300 anos de distância”.

Enumerando várias áreas de desigualdade, Guterres foi explícito quanto às suas causas: “Séculos de patriarcado, discriminação e estereótipos prejudiciais criaram uma enorme lacuna de género na ciência e na tecnologia”, antes de acrescentar: “Sejamos claros: as estruturas globais não estão a funcionar para as mulheres e raparigas do mundo. Têm de mudar”.

São muitas as estratégias que podem conduzir à mudança que Guterres exige, desde os esforços para alterar as normas culturais, ao acesso das raparigas à educação, à capacitação económica das mulheres e à reforma institucional. Mas a principal delas é também o financiamento e o apoio às organizações de defesa dos direitos das mulheres.

Numa coluna para a CNN, a presidente da Democracy Alliance, Pamela Shifman, escreveu: “Para inverter os danos crescentes que estão a ser causados todos os dias aos direitos das mulheres e dos LGBTQ+, os movimentos feministas precisam de mais recursos. Precisam também de liberdade para responder a novas ameaças e oportunidades e para inovar com coragem. As ameaças, na sua origem e natureza, estão sempre a mudar e precisamos de organizações feministas que sejam resilientes e capazes de mudar também. Chegou o momento de financiar a criação dessas organizações”.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Dia Internacional da Língua Materna



A língua materna, também conhecida como idioma materno, língua nativa ou primeira língua, é a língua que cada pessoa começa a adquirir logo que nasce e cria o vínculo afetivo-linguístico.

Trata-se do primeiro idioma que uma pessoa aprende, aquele que se domina melhor. Sendo, também, a língua que se fala num determinado país ou região, é relativa a quem é natural desse espaço e que se adquire, portanto, de forma natural, através da interação com o meio envolvente e está relacionada com as primeiras lembranças que a pessoa possui da sua infância.

Assim, a língua não é um mero veículo de comunicação. Encerra em si uma carga afetiva e é, para cada pessoa, estruturante da sua identidade e pertença. A língua, a par da bandeira, da constituição e de outros símbolos identifica, também, as nações e os povos.

Por outro lado, as palavras de uma língua, além de serem elementos centrais da nossa comunicação, são uma ferramenta de poder, capazes de moldar pensamentos, atitudes e comportamentos.

As palavras que escolhemos têm um impacto significativo na sociedade, podendo ser utilizadas para enaltecer, dignificar e valorizar, mas também para oprimir, acentuar injustiças e promover desigualdades.

Comunicar usando linguagem inclusiva permite combater estereótipos, contribuindo, desta forma, para afirmar o princípio constitucional da igualdade.

Esta forma de comunicação é um meio de reconhecimento de todos os membros da sociedade, legitimando, assim, a sua presença no meio linguístico.

O uso do masculino genérico, ou “falso neutro”, contribui para a perpetuação de estereótipos de género e para a invisibilizar pessoas e grupos de pessoas.

Usar uma linguagem inclusiva, que respeita o direito de todas as pessoas, é mais fácil do que pensa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres


O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, assinalado a 25 de novembro, constitui um marco no combate à violência exercidas contra as mulheres, alertando os decisores políticos bem como toda a sociedade para os vários casos de violência praticada contra mulheres, nomeadamente: casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos, e sensibilizando a sociedade para a importância da prevenção e combate de casos de violência doméstica.

📊 Assinalado este dia, a APAV divulga as suas estatísticas relativas às vítimas no feminino. Entre 2022-2023, a APAV apoiou 23.808 vítimas do sexo feminino, sendo:
👉 3.434 crianças e jovens;
👉 14.505 entre 18 e 64 anos de idade;
👉 2.446 eram pessoas idosas.
📉 Relativamente à caracterização do/a autor/a da vítima, dos 23.862 autores/as identificados, a maior parte era do sexo masculino (68,5%), com idades compreendidas entre os 36 e 55 anos, sendo que 47,3% dos/as autores/as estão ou estiveram numa relação de intimidade com a vítima. 
❗Das 22.808 vítimas do sexo feminino apoiadas pela APAV entre 2022-2023, no total, foram alvo de 45.787 crimes e outras formas de violência, com particular destaque para crimes como violência doméstica (37.153).

sábado, 4 de março de 2023

Who made you king of everything? Angela Saini on the origins of patriarchy


On the day Angela Saini talks to me from her book-lined study in New York, the patriarchy is hard at work all over the world. Anti-abortion protestors are getting ready to march on the Supreme Court in Washington, the Metropolitan police force is caught up in yet more accusations of rape, Jacinda Ardern has resigned as prime minister of New Zealand after years of misogynist abuse, and Iran is executing protestors after the death in custody of Mahsa Amini. In this context, it’s easy to see how patriarchy operates but harder to explain exactly what it is.

“Patriarchy is one of these words that has lost some of its meaning through overuse,” Saini says. “We rarely interrogate what we really think it means, and that’s part of what I was trying to do with The Patriarchs.” The subtitle of her new book, “How Men Came to Rule”, is a simple question with a fascinating and complicated answer, which boils down to: “In various ways, in different places, but not everywhere, not always and not necessarily.” Just as her 2017 book, Inferior, challenged the idea that gendered inequality is rooted in our biology, and Superior in 2019 exposed the lie of “race science” as it began to creep chillingly back into the mainstream, this book shows that the dominant system we have come to accept is neither natural nor inevitable.

This refusal to accept injustice has characterised Saini’s career. Her first book, Geek Nation: How Indian Science Is Taking Over the World, was published in 2011. She had recently left a reporting job at the BBC to go freelance shortly after her six-month investigation into bogus universities won a Prix Circom European television award. According to Saini, while she was working on that documentary, there were several attempts to give her story to other reporters in the newsroom. “Maybe it was because of my age, I really have no idea why … but those reporters were always white men.” She managed to keep the story by threatening to leave, she says, and then she did. “It’s one of my faults, maybe, that I have too much pride, and I make my career decisions based on things like that. I just couldn’t stay.”

Since then, Saini has made a name for herself with her series of books with short titles and massive subjects. These have tended to meet first with resistance among scientific communities, then with approbation and set-text status, and finally with attacks from the far right and white supremacists that have largely forced her off social media. Now The Patriarchs is calling into question the basic idea that men are in charge because they are stronger, smarter or better suited for it. Matrilineal, matrilocal societies, as the book shows, are “very much part of the fabric of human history and society … not these super rare, unusual worlds in which somehow the laws of nature have been overturned,” Saini says. “What is odder for me is that male-dominated societies are so common. When you think of all the different ways in which we could live, why is it that this one system has … spread so widely?”

In the course of writing, Saini looked at new genetic research and archaeological scholarship; visited Neolithic ruins in Çatalhöyük, Turkey; talked to Onondaga Nation people in Seneca Falls, New York state, and the Khasi community in Meghalaya, northeast India; and met women in Germany, Hungary and the Czech Republic. She found ancient societies that contradicted modern, binary ideas of gender; matrilineal systems that had been subverted by colonialism; and patriarchal rules that were ended at a stroke on the whim of governments.

When you think of all the ways in which we could live, why is it the patriarchal system that has spread so widely?
“For me, it seemed less obvious that there was this one monolithic, conspiratorial, overarching plan of male domination that somehow just swept the world in a very homogeneous way,” Saini says, “and it became clearer that there were different patriarchies that took different forms in different times and places around the world.”

Patriarchy is not something that men did to women at some point in history, but a fragile system whose perpetuation we all participate in every day. “I’m not saying that it’s patriarchal to take your husband’s name,” she offers as an example. “But that is one of the mundane ways in which these systems stay alive. And there are thousands, if not millions, of them in cultures all over the world.”

Saini grew up in southeast London, with parents who encouraged her and her two sisters to think about big ideas, and to ask: “Why is the world the way it is?” Her dad had been an engineer, and her parents “split everything down the middle. They still do. There was no sense for me and my sisters that there was men’s work and women’s work.” The area was not, she says, “the greatest place to be an ethnic minority in the 1990s.” (She remembers one day calling a friend, who was from a Chinese family, to ask if she fancied going to the shops. Her friend’s mum wouldn’t let her because fascists were marching through the town centre.) “I was made to be acutely aware of these things from a young age, and I think that is why, when I got to university, I became very involved in anti-racism activism.” She became a co-chair of the student union’s anti-racism committee, which led to writing for the student newspaper, and that sparked an interest in journalism and a traineeship at ITN. She also has a master’s in engineering from Oxford University, and another in science and security from King’s College London (which she took in her “spare time” while working at the BBC).

It seemed inevitable to Saini that she would return to the subject of race in her work, but at the time Superior was commissioned – before George Floyd’s murder and only just after the election of Donald Trump – the persistence of racist, eugenicist ideas was not a big part of public conversation. “There was this feeling that we were getting past this,” she recalls. “But for many of us, it’s obvious that these things are always lying under the surface. When politics shifts, these ideas come back into the mainstream – and that’s exactly what has happened.”

Saini brings her own background and experiences to her work, and that’s something she acknowledges repeatedly in The Patriarchs. Given how successfully she has exposed scientific bias, it is interesting to see her acknowledge her own. “Well, I think we can only see anything through our own cultural lens,” she laughs. “So either we can ignore it and pretend that we’re like gods, seeing it from a distance from some privileged point of view … Or we can acknowledge it, incorporate that into the way we look at our work, and have the humility to try and see it from other people’s point of view as well.”

Seeing things from other cultural perspectives is one of the best things about moving to live in the US, she says. British people tend to think that we know the country, but you don’t have to travel very far from her home in New York to find very different stories from the ones we see in the movies. At Seneca Falls, for example, she learned about indigenous American cultures, their approaches to gender and how those were changed as a result of colonialism. She has also found a different mode of discussion there. “I feel that the tone of the public, mainstream debate and what plays out in the newspapers around race and gender [in the UK] is sometimes so reactionary, so dehumanising ... I was finding it very difficult by the end.”

Though Saini, her husband and her nine-year-old son do plan to return to the UK eventually, it felt like a relief when her husband was offered a job in New York. In 2020, she had applied to be a commissioner for the UK’s Equality and Human Rights Commission and was disappointed not to make it to the first round. The subsequent appointment of the journalist David Goodhart, who had defended “hostile environment” immigration policies and “white self-interest”, came as a shock. Soon afterwards, the Sewell report was published “and I quickly realised that this government was doing things that were … running counter to what the equalities agenda had been for a very long time.” Then the culture secretary Oliver Dowden began a campaign against what he saw as “woke” policies in museums. At the time, Saini was sitting on the Natural History Museum’s board for naming and representation, and “I could see that affecting the conversations we were having. There was a kind of underlying anxiety or fear. And I think for many of us who work in academia or cultural institutions, there is no doubt that the Tory government’s policies over the last few years have had a really chilling effect on efforts to combat racism, and efforts to improve the safety and lives of transgender people, for instance. And in the UK they feel mainstream.”

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Obesidade Mental - Andrew Oitke - Aviso à Navegação


Não existe o tal Andrew Oitke nem a obra Mental Obesity. O artigo é de facto de João César das Neves, efabulação por ele criada e publicada no DN em 22.03.04

Portanto averiguem sempre as fontes. A pequena farsa da "Obesidade Mental"

Reproduzo o texto.

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.». Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.». O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.