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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Bruce Springsteen ontem em Manchester fez um discurso prévio e lançou farpas à administração de Trump. Formidável ouvi-lo!


Citou James Baldwin, dizendo : "Ignorance allied with power is the most ferocious enemy justice can have."
Que estas palavras ressoem em todas as nações, em todas as ruas, em todos os lares, em todo o mundo! Não podemos sucumbir ao autoritarismo, ódio, segregação racial e fascismo! ... Obrigado, Bruce!

Em Português 

quarta-feira, 7 de maio de 2025

O fim da sociedade aberta - a LER antes das eleições


O golpe de estado corporativo e o colapso da democracia americana começaram muito antes de Trump. Ele está simplesmente a extinguir o que resta.
Chris Hedges, jornalista, Prémio Pulitzer. Por quase duas décadas foi correspondente na América Central, Oriente Médio, África e Bálcãs.

"Os fascistas cristãos e os oligarcas que entregam alegremente a Donald Trump a sua caneta afiada e as suas ordens executivas não estão a fazer guerra ao Estado profundo, à esquerda radical ou a proteger-nos dos “anti-semitas”. Estão a fazer guerra a factos verificáveis, ao Estado de direito e à transparência e responsabilidade que só é possível com uma imprensa livre, o direito à dissidência, uma cultura vibrante e uma separação de poderes, incluindo um poder judicial independente.

Todos estes pilares de uma sociedade aberta, como detalho no meu livro “Death of the Liberal Class”, foram degradados muito antes de Trump. A imprensa, incluindo a radiodifusão pública, a academia, o Partido Democrata, uma cultura corporativa e banal, um sistema judicial que serve a classe bilionária e um Congresso comprado por lobistas, foram estirpados. São facilmente eliminados. Poucos querem levantar-se para os defender. Eles venderam-nos. Deixem-nos morrer.

“A perda da classe liberal cria um vazio de poder preenchido por especuladores, especuladores de guerra, gangsters e assassinos, muitas vezes liderados por demagogos carismáticos”, escrevi em “Death of the Liberal Class”, em 2010. "Abre a porta a movimentos totalitários que se tornam proeminentes ridicularizando e ridicularizando a classe liberal e os valores que ela afirma defender. As promessas destes movimentos totalitários são fantásticas e irrealistas, mas as suas críticas à classe liberal são baseadas na verdade."

O fascismo nasce de um liberalismo falido que renunciou ao seu papel tradicional numa democracia capitalista. Já não melhora os piores excessos da classe dominante e do império, instituindo reformas graduais e fragmentadas. Repreende e moraliza os trabalhadores destituídos de direitos que traiu.

Os meios de comunicação social dão mais prioridade ao acesso aos poderosos do que à verdade. Amplificaram as mentiras e a propaganda para nos empurrarem para uma guerra contra o Iraque. Enalteceram Wall Street e garantiram-nos que era prudente confiar as nossas poupanças a um sistema financeiro gerido por especuladores e ladrões. As poupanças foram destruídas. Alimentaram-nos com as mentiras do Russiagate. Servem servilmente o lobby de Israel, distorcendo a cobertura do genocídio e dos protestos nas universidades para demonizar os palestinianos, os muçulmanos e os estudantes que protestam. Dançam ao som da música dos seus anunciantes e patrocinadores empresariais. Tornam invisíveis sectores inteiros da população, cuja miséria, pobreza e queixas deveriam ser o principal foco do jornalismo.

As universidades transformaram-se em empresas. Os administradores de topo, que muitas vezes têm um Master of Business Administration (MBA), com pouca ou nenhuma experiência no ensino superior, juntamente com os treinadores desportivos que têm potencial para ganhar dinheiro para a universidade, são altamente compensados com salários na ordem das centenas de milhares de dólares, com treinadores premiados e presidentes de faculdades a ganharem milhões.

Atualmente, pouco mais de 10% dos postos de trabalho do corpo docente são ocupados por professores titulares. Cerca de 45% são empregados contingentes a tempo parcial ou adjuntos. Um em cada cinco é a tempo inteiro e não é titular. As universidades, ao reduzirem radicalmente os postos de trabalho com direitos adquiridos e adequadamente remunerados, tornaram-se extensões da economia informal. Os professores adjuntos e os trabalhadores licenciados são muitas vezes obrigados a candidatar-se ao Medicaid, a aceitar segundos empregos a dar aulas noutras faculdades, a conduzir para a Uber ou para a Lyft, a trabalhar como caixas, a entregar comida para a Grubhub ou para a DoorDash, a passear cães, a tomar conta de casas, a servir à mesa e a viver quatro ou seis pessoas num apartamento ou a acampar no sofá de um amigo.

Um corpo docente mal pago e sem segurança no emprego não levanta questões que desafiem a narrativa dominante, seja sobre a desigualdade social, as corporações predadoras, os crimes do império, o genocídio israelita ou o nosso estado de guerra permanente. Se o fizerem, são despedidos. Entretanto, os administradores superiores das universidades recebem bónus por “reduzirem as despesas”, aumentando as propinas e as taxas, cortando pessoal e suprimindo salários. Esta instabilidade garante aos doadores ricos que a ideologia neoliberal que está a devastar o país, para além de permitir o genocídio em Gaza, não será questionada pelos académicos que temem perder os seus cargos. Os ricos e os poderosos são louvados. Os trabalhadores pobres, incluindo os empregados pela universidade, são esquecidos.

Como Irving Howe assinalou no seu ensaio de 1954 “This Age of Conformity”, a "ideia da vocação intelectual - a ideia de uma vida dedicada a valores que não podem ser realizados por uma civilização comercial - perdeu gradualmente o seu encanto. E é isso, mais do que o abandono de um programa particular, que constitui a nossa derrota". A crença de que o capitalismo é o motor inatacável do progresso humano, escreve Howe, “é apregoada através de todos os meios de comunicação: propaganda oficial, publicidade institucional e escritos académicos de pessoas que, até há poucos anos, eram os seus principais opositores”.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Sobre a Igreja Católica, a ordenação e papel das Mulheres, o casamento entre padres, a homofobia e a pedofilia



Castidade e Homossexualidade

2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.

2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Mesmo a célebre intervenção do Papa Francisco em que pergunta, de fato: "Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar?" Mas, depois, continua: "O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem".

Referindo-se ao papel das mulheres, Francisco afirmou que não é possível "imaginar uma Igreja sem mulheres ativas", mas mantendo que a instituição disse "não à ordenação de mulheres".

"Esta porta foi fechada" por João Paulo II, a respeito deste pedido (da ordenação), referiu o papa.

Francisco declarou que "a Igreja é feminina, mãe, e a mulher não é somente a maternidade, a mãe de família" e afirmou desejar "uma teologia aprofundada da mulher" que ainda não foi realizada.
 
O sexo e amor não têm que ter o fim único da procriação. A sexualidade entre casais deve ser vivida em pleno. Ao longo da sua história, a Igreja Católica desenvolveu uma doutrina em matéria de sexualidade retrógrada e muito traumática , refletida nas encíclicas Casti Connubii , Humanae Vitae e Evangelium vitae, bem como na exortação apostólica Familiaris Consortio e nos ensinamentos do Papa João Paulo II sobre a teologia do corpo . Essa doutrina evoluiu ou foi esclarecida ao longo dos séculos. Desde 1992, a doutrina está resumida no Catecismo da Igreja Católica (CCC).

Para a Igreja Católica, a sexualidade e o prazer sexual são aspectos do amor conjugal, um meio de aperfeiçoar a união física e espiritual entre o homem e a mulher. Para respeitar o desígnio divino e a dignidade humana, a sexualidade deve ser uma dádiva total no quadro indissolúvel do matrimónio (quer seja o matrimónio sacramental, entre dois batizados, quer seja natural) e, em particular, deve permanecer aberta à procriação. Contudo existem casais estéreis. Para esse efeito foi elaborado a instrução Donum Vitae.

Ora há uma obra pioneira "O quarto de Giovanni" que eu adoro e explora com sageza e intensidade estes temas, a bissexualidade e a atração e os tabús. Ao publicá-la em 1956, James Baldwin quebrou mais do que um tabu: era um escritor negro a escrever sobre o amor entre dois homens brancos. O seu editor aconselhou-o a queimar o manuscrito. Um verdadeiro hino ao Amor.

Portanto, se for entendimento profundo do Amor carnal/ espiritual os padres católicos também devem casar se são heterossexuais, assumirem a homossexualidade e vivê-la com toda liberdade ou que sejam assexuados e manter a Fé. Basta o número de filhos pais incógnitos, cujos pais eram/são padres católicos. Sim, à ordenação de mulheres celebrando a Missa. [ler: Júnia, a mulher que a Igreja quis esconder]

Não condenar o divórcio e novos casamentos, sejam hetero ou homossexuais. Faz parte da vida íntima a dois. Habitualmente, sucede que os ex-companheiros agridem violentamente as/os seus antigos(as) companheiras (os), por questões do catolicismo e fanatismo católicos. A pedofilia, a violência doméstica e os abusos sexuais têm que ter um fim na igreja Católica. Um BASTA.

Sejamos felizes com as nossas orientações sexuais.

Saber mais:

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Documentário: Eu Não Sou Seu Negro


A voz de Samuel L. Jackson carrega dor, revolta, injustiça, sofrimento, mas também esperança. No tom exacto das emoções que as palavras de James Baldwin transmitem, a narração de “I am not your Negro” transporta-nos para o turbilhão racial da América, na longa e sangrenta luta pelos direitos civis.

O documentário nasceu das páginas de “Remember This House”, romance que a morte de James  Baldwin, em 1987, interrompeu.

O livro, segundo nos conta a produção de Raoul Peck, parte do compromisso assumido pelo escritor de “contar a história da América, através das vidas de três dos seus amigos que foram assassinados: Medgar Evers, Martin Luther King Junior e Malcom X”.

Todos símbolos de um movimento que continua a pagar com a morte a luta pela igualdade racial.

A trajectória dos três ícones, indissociável da de Baldwin – e de tantos outros afroamericanos que marcharam e marcham contra a opressão, pela libertação negra –, começou a ser documentada pelo escritor em 1979, mas “nunca foi além das 30 páginas de anotações”, revela-nos o documentário.

Estava em curso uma “missão impossível”, conforme o romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social, acabaria por descrever.

O caminho de regresso a casa, para quem há muito se tinha mudado para França – numa fuga ao racismo e homofobia de que era alvo nos EUA -, acabou por se cumprir sob a direcção de Raoul Peck, a quem Gloria Karefa-Smart, irmã do escritor, confiou as notas de “Remember This House”.

“Aqui está Raoul. Saberás o que fazer com isto”.

Estava consumada a passagem do testemunho de Baldwin, já depois de uma batalha jurídica centrada no adiantamento de 200 mil dólares que o autor tinha recebido da editora.

“I am not your Negro”, estreou-se em 2016, e chegou a estar na corrida aos Óscares, na categoria de Melhor Documentário.

O prémio da Academia de Hollywood não veio, mas o contributo desta produção para o entendimento das tensões raciais que atravessam a América é inequívoco.

“Não somos os ‘vossos’ negros, somos seres humanos”

“O que as pessoas brancas devem tentar compreender, olhando para dentro dos seus corações, é, antes de mais, a razão de ter sido necessário criar a figura do ‘negro’”, defende Baldwin, apelando à reflexão sobre a origem de uma construção social que oprime e marginaliza cidadãos em função da cor da pele.

O escritor, cujo livro de estreia foi o aclamado “Go tell it on the Mountain” (“Se o disseres na montanha”) – que apenas chegou a Portugal no ano passado, 65 anos após a publicação –, coloca-nos perante uma evidência.

“Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”, observou Baldwin, acrescentando: “O confronto nem sempre traz uma solução para o problema, mas enquanto não enfrentarmos o problema, não teremos solução”.

O problema é o racismo, exposto nas imagens e mensagens que fazem de “I am not your negro” um documentário com relevância histórica. O problema é continuarmos sem reconhecer que as sociedades em que vivemos estão racialmente contaminadas por séculos de elevação do branco e opressão do negro. O problema é não aceitarmos que a estrutura social que herdámos está automatizada para favorecer brancos e subjugar negros. Ou, como escreveu, Baldwin: “A História não é o passado. É o presente. Carregamos a História connosco. Nós somos a nossa História. Se fingirmos que não, estaremos a ser criminosos, literalmente. Eu comprovo-o. O mundo não é branco. Nunca foi branco, nem pode ser branco. Branco é a metáfora do poder”.

Um poder que criou o negro para se perpetuar, que lhe retirou humanidade para o subjugar. Entenda-se de uma vez por todas, a necessidade de se enfrentar esses demónios. Porque, conforme sentenciou Baldwin, que parafraseamos no plural: “Não somos os ‘vossos’ negros. Somos seres humanos”.