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domingo, 22 de março de 2026

Pobreza de mobilidade: o que significa e como Portugal a quer eliminar. Não é aceitável uma pessoa ter cinco apps para andar de transportes públicos, é desmotivador


Com apenas 14% dos portugueses a usar transporte público e 66% dependentes do automóvel, Cristina Pinto Dias, Secretária de Estado da Mobilidade, alerta para desigualdades profundas entre litoral e interior, onde há crianças que “não podem ficar à tarde para jogar futebol ou aprender piano porque depois não têm transporte para voltar para casa”.

A resposta passa por reforçar a ferrovia, expandir metros, renovar material circulante e avançar com a alta velocidade, mas também por soluções flexíveis como transporte a pedido e tarifários sociais.

“O transporte público está a perder cota modal e o transporte individual a aumentar. Ou seja, 14% das nossas pessoas anda de transporte público, mas 66% das nossas pessoas anda em transporte individual. O ideal seria o contrário. 88% das nossas pessoas estão concentradas em 40% do nosso território e 12% das nossas pessoas dispersas em 60% do nosso território, o que significa que a política pública de mobilidade não é uma receita única que se aplica a todo o país”, explica a governante.

Cristina Pinto Dias sublinha que o país vive uma “revolução” no investimento público, mas que o grande salto depende da integração tecnológica: “Não é aceitável que uma pessoa tenha cinco apps, uma para andar de comboio, outra de metro, outra de Transtejo.” E acrescenta: “Se eu quero trazer pessoas para o transporte público, tenho que convidar de tapete vermelho: ‘Venha para o transporte público, vai ser bem servido.’

A secretária de estado sublinha mesmo a existência de uma revolução dentro do transporte público, “com metas muito concretas”. E detalha: “Estamos a fazer uma expansão das redes de metro, estamos a comprar comboios novos para o próprio metro. Já aqui foi dito neste podcast também pelo presidente da Transtejo, fizemos uma aquisição de 10 navios 100% elétricos para nos fazer a travessia do Tejo. E sim, nós estamos a fazer um investimento, como não há memória, na ferrovia, resultado de longos e prolongados anos de desinvestimento. Estamos a fazer um investimento só para material circulante, incluindo já a alta velocidade de 1,8 mil milhões de euros.”

A integração da bilhética e da informação em tempo real é, para a Secretária de Estado, o passo decisivo para atrair mais pessoas para o transporte público e garantir equidade territorial. Só depois disso será possível pensar num tarifário verdadeiramente nacional.

domingo, 15 de março de 2026

Biomimética - uma ciência amiga da sustentabilidade?



O pensamento base da biomimética é o Ecologically Sustainable Design (ESD)

"Does it run on sunlight? 
Does it use only the energy it needs? 
Does it fit form to function? 
Does it recycle everything? 
Does it reward cooperation? 
Does it bank on diversity? 
Does it utilize local expertise? 
Does it curb excess from within? 
Does it tap the power of limits? 
Is it beautiful?" 
(Benyus 1997:291)

Porém, com os avanços e progressos obtidos pela biomimética, ela ainda apresenta problemas em termos de economia circular e casos de lavagem verde.


O risco de Greenwashing ou Lavagem Verde
Muitas vezes, empresas utilizam a biomimética apenas para melhorar a performance (vender mais ou ser mais rápido) sem olhar para o impacto ambiental do ciclo de vida do produto. Se o objetivo for apenas lucro e extração, a biomimética torna-se apenas uma ferramenta de engenharia avançada ("genialidade da natureza") como uma estratégia de marketing para esconder um ciclo de produção poluente, extrativista ou socialmente injusto.

Exemplos:
1. A Pintura "Sharklet" da Airbus
A Airbus desenvolveu extremidades de asas (winglets) inspiradas na forma das barbatanas de tubarão para reduzir o arrasto e poupar combustível. Chamaram-lhes, apropriadamente, "Sharklets".
O marketing: a empresa promoveu estes dispositivos como uma "revolução verde" na aviação, destacando a redução de 4% nas emissões de CO2
O greenwashing: embora a melhoria técnica seja real, usar a imagem do tubarão e da natureza para vender aviões é contraditório. O setor da aviação continua a ser um dos maiores emissores globais e o crescimento do número de voos anula completamente o ganho de 4%. 

2. A Sapatilha "Biosteel" da Adidas
Em 2016, a Adidas apresentou o protótipo Futurecraft Biofabric, uma sapatilha feita de Biosteel, uma fibra que imita a seda da aranha, desenvolvida pela empresa AMSilk.
O marketing: foi vendida como "100% biodegradável" e um exemplo de como a biotecnologia biomimética iria acabar com os resíduos têxteis.
O greenwashing: a sapatilha nunca chegou a ser produzida em massa de forma acessível. Funcionou como um objeto de relações públicas para posicionar a Adidas como líder em sustentabilidade, enquanto a marca continuava a inundar o mercado com milhões de toneladas de plástico virgem e sapatilhas de difícil reciclagem produzidas em cadeias de montagem globais com pegadas de carbono gigantescas.

3. O Edifício "The Gherkin" em Londres (Foster + Partners)
Este icónico arranha-céus foi desenhado com um sistema de ventilação inspirado na estrutura das esponjas-do-mar e das anémonas, que filtram a água para se alimentar e respirar.
O marketing: foi apresentado como o "primeiro arranha-céus ecológico de Londres", prometendo poupanças de energia de até 50% através da ventilação natural inspirada na biologia.
O greenwashing: na prática, o sistema de ventilação natural raramente é usado devido a restrições de segurança e conforto dos escritórios de luxo (os inquilinos preferem o ar condicionado controlado). Além disso, a construção de um gigante de vidro e aço no centro financeiro de Londres tem uma energia incorporada (custo de fabrico dos materiais) imensa. Usar a biologia marinha como metáfora para um centro do capitalismo financeiro é visto como um uso puramente estético e ideológico da natureza.

Outros casos e reflexões 

Conclusão
A biomimética é um caminho para a sustentabilidade porque nos ensina a produzir "como a vida produz". Mas, para ser sustentável na prática, a tecnologia inspirada na natureza tem de ser acompanhada por uma mudança no modelo económico: passar da extração para a regeneração. Isto é, todo o ciclo de produção integrado nos princípios da economia circular. 

Referências bibliográficas

domingo, 27 de julho de 2025

Calor à porta: 3 estratégias para um verão mais amigo do ambiente



Com o verão a começar, são muitos os que decidem aproveitar os longos dias de calor para tirar férias e recarregar baterias. Embora a descontração seja sempre bem-vinda, é importante não deixar de estar atento a comportamentos que, apesar de comuns, podem ser prejudiciais para o meio ambiente.

Para ajudar todos os que procuram reduzir a sua pegada individual e sensibilizar família, amigos e colegas durante esta época do ano, a Goparity, plataforma de finanças de impacto, reuniu três dicas para ter em conta:

1. Escolher protetores solares menos prejudiciais para o ambiente: um primeiro passo consciente pode ser a verificação dos rótulos e escolha de produtos que contenham o menor número de químicos. Vários protetores solares têm na sua composição partículas de microplástico que contribuem para aumentar a sua espessura ou melhorar a sua aparência, funcionando ainda como filtros UV mais acessíveis. Ao mergulhar no mar após ter aplicado estes protetores no corpo, os microplásticos acabam por ser libertados diretamente no oceano, prejudicando o equilíbrio do ecossistema. Além disso, sabe-se que mais de 3.500 produtos populares de proteção solar contêm ainda substâncias químicas, como oxibenzona e octinoxato, altamente nocivas para ecossistemas como os recifes de coral.

2. Optar por uma alimentação consciente, local e da época: desde os alimentos consumidos à forma como são transportados, podem ser feitas escolhas mais sustentáveis. É importante escolher garrafas ou recipientes térmicos e reutilizáveis sempre que possível. Estes são mais eficientes em termos financeiros, na preservação da temperatura da água e melhores para o ambiente; o mesmo pode ser dito relativamente à forma como se transportam e conservam os alimentos consumidos na praia, como as sandes ou a fruta – a comida levada de casa em recipientes que possam ser lavados e usados novamente é preferível ao recurso a comida pré-feita, embalada em recipientes de utilização única. A acrescentar, optar por alimentos da época produzidos em Portugal, como por exemplo as laranjas do Algarve ou cerejas do Fundão, não só contribuirá para a economia local como evitará as emissões de carbono do transporte de alimentos de outros países e continentes e os gastos energéticos da conservação em arcas de congelação.

3. Procurar reduzir a pegada ecológica individual: o transporte escolhido e a forma como se arrefecem as casas são dois bons pontos de partida. A climatização da casa pode pesar muito na pegada ambiental de cada um. Apesar das melhorias em anos recentes, Portugal continua atrás em relação à média europeia no que toca à eficiência energética dos edifícios, pelo que poderá dar-se primazia à ventilação natural e a equipamentos de melhor classificação energética, como as ventoinhas. No que toca a deslocações para os destinos de férias, é sempre bom tentar evitar aviões e se possível optar por transportes coletivos, como comboios, ou partilhar boleias, de modo a fazer escolhas mais amigas do ambiente (e em muitos casos da carteira). Segundo dados da ZERO, um comboio intercidades ou autocarro entre Lisboa e Porto tem uma pegada de 3,8 e 4,6kg de CO2 por pessoa, respetivamente, ao passo que fazer uma viagem sozinho num carro a gasóleo para o mesmo trajeto terá um peso de 50,2kg em emissões de CO2.

Para além dos comportamentos individuais que têm um impacto significativo quando reproduzidos em massa, a Goparity apela a que todas as empresas e organizações, tendo em conta o seu impacto coletivo, tenham em conta como podem minimizar a sua pegada ambiental. A principal missão da Goparity é a democratização do acesso às finanças sustentáveis, ligando empresas e indivíduos que querem investir em projetos com impacto positivo nas pessoas e no planeta.

A Goparity já permitiu mais de 35 milhões de euros investidos por mais de 45.000 membros registados. Os projetos financiados através da plataforma permitiram impactar positivamente cerca de 89.000 pessoas, criar quase 5.000 postos de trabalho e contribuir para evitar a emissão de 25.000 toneladas de emissões de CO2 para a atmosfera todos os anos.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Of The Wand And The Moon - Lets Take A Ride (My Love)


Oh, my love, help me through the city
It's coming down again, oh Lord, have pity
Oh, my love, let's take a ride
Or wait for me on the other side
I got nothing more to lose
As you know, the harder you struggle, the tighter the noose

And people, they shy away
But we are lost in time anyway, babe
So take my hand and don't let go
Time left behind, it only goes to show
Let's drink up and leave this town
All this emptiness just brings me down
Let's break from path, head out to sea
Leave this place, just you and me
Please


Esta canção faz parte do ábum Your Love Can't Hold This Wreath Of Sorrow (2021)

domingo, 22 de junho de 2025

A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência


A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência, impulsionando sua vasta rede ferroviária, uma das maiores e mais modernas do mundo. Equipamentos como as máquinas de colocação de trilhos, tuneladoras de grande porte e guindastes especializados permitem a construção rápida de linhas de alta velocidade em terrenos desafiadores, como montanhas e desertos.
Essas máquinas, muitas vezes automatizadas e equipadas com tecnologia de ponta, como sistemas de posicionamento a laser e controle por satélite, reduzem significativamente o tempo de construção e os custos, enquanto garantem precisão milimétrica.
Projetos como a ferrovia de alta velocidade Pequim-Xangai e a expansão da Rede Ferroviária Transasiática demonstram o papel crucial dessas máquinas no desenvolvimento da infraestrutura chinesa.


Críticas:
1. Pois o carvão quando e triturado com a extração fica os pó preso nas pedras e o trem em movimento esses pós começam a se desprender das pedras de carvão e com ventos da alta velocidade do trem vão se espalhando ao longo dos trilhos do trem ou espalhando se no ar por que os trilhos foram construídos nas alturas , isso gera a poluição do pó de carvão, pois já vi muitos camiões que descarregam e trajetória curta e o basculante joga o carvão sai um fumaça preta que é o pó do carvão, já pensou na quantidade de centenas de vagões, a quantidade desse pó, a China faz as obras, mas não vê a consequência que pode gerar no futuro,  por isso as extração de carvão tem séculos no mundo todo, mas ninguém construíu ferroviária aérea por motivo de espalhar esse pó de carvão que faz mal à saúde , só a China para gastar dinheiro em obras que vai prejudicar a população e nunca melhorar o nível de bem estar da saúde da população!

2. As obras na Chinas são grandiosas, mas ele não calcula as consequências da obra, por exemplo a hidroelétrica, a maior da China a hidroelétrica Três Garganta, quando abrem às comportas ao máximo, os rios abaixo não comportam o volume de água e provocando as enchentes em várias cidades , pois não fizeram rios que comportassem o volumes de águas em grandes quantidades, fizeram estrada em cima do mar lingando uma região a outra região, e o pior que ninguém usa essa estrada, pois viaja vários kms sem ver uma paisagem só água, uma viagem monótona que da até sono, e no temporada de sol fica horrível dirigir batendo no rosto do motorista, então veja o desperdício de dinheiro para grandes obras que não ajuda em nada à população da China, na verdade só atrapalha ou faz mal à população!


terça-feira, 27 de maio de 2025

Sobre o ataque à facada por uma mulher alemã

Syrian Citizen Muhammad Al Muhammad

Na semana passada, uma mulher alemã com problemas psiquiátricos graves desatou à facada na estação de caminho de ferro de Hamburgo, ferindo dezoito pessoas. A boa notícia: já nenhum dos feridos se encontra em risco de vida.

Muhammad Al Muhammad também estava nesse cais. Quando viu todas as pessoas a correr numa direcção, o refugiado sírio, de 19 anos, decidiu correr na direcção oposta, para travar a mulher. Quando chegou, viu que outro homem já estava a oferecer-lhe resistência. Era um tchetcheno.

Juntos, conseguiram dominar a mulher.

Já não é a primeira vez que acontece algo deste género. Há alguns anos, refugiados sírios deram-se conta de que havia entre eles um a preparar um ataque na Alemanha. Foram a casa dele, dominaram-no, e entregaram-no à polícia, bem atado e tudo.

O que mais me impressiona no caso de Muhammad Al Muhammad é ele ter fugido da Síria com 16 anos para salvar a vida, e escolheu pô-la em perigo para salvar os outros.

Mas claro que nada disto tem algum valor para pessoas que decidiram adoptar o ódio e o preconceito como estratégia de afirmação e valorização pessoal. E os partidos oportunistas escolhem dizer-lhes o que elas querem ouvir. Por muito mentira que seja.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

A greve histórica da CP e a ferrovia em Portugal


Os comboios estão totalmente parados porque o Governo negociou com os sindicatos e dois dias depois disse que não ia cumprir nada do que negociou. Mais transparente não há. Montenegro conseguiu o pleno, juntar todos os sindicatos, todas as profissões da ferrovia porque andou a gozar com quem trabalha. O Governo diz que a culpa é de estar em gestão, mas os governos podem legislar em gestão e este legislou. Montenegro aprovou, já em gestão, investimento em milhões, nomeadamente no Plano Nacional Ferroviário, nomeou novos dirigentes, anunciou a deportação - palavra impronunciável - de trabalhadores. Os trabalhadores da ferrovia não aceitaram a imposição de um aumento inferior ao salário mínimo, depois houve nova negociação, chegaram a um acordo, e dois dias depois o Governo diz que não aceita o que tinha assinado. A greve geral da ferrovia foi a resposta, mostrando quem é essencial ao país - quem trabalha. Um dos escribas do status quo, João Miguel Tavares, deixou uma ideia no Público, da Sonae, proibir a greve no sector público. Este é o calibre democrático deste projecto político - ganhem mal, mentimos, e logo a seguir proibimos que se manifestem. Eis o projecto político das classes dirigentes portuguesas.

A ferrovia em Portugal foi preterida às PPPs nas auto-estradas, o comboio - o meio mais seguro, confortável e ecológico - é desprezado, a CP abre concursos e não consegue ter trabalhadores, até o anúncio da alta velocidade é uma incógnita para financiar a Banca porque o PRR só dá uma ínfima parte - e é com dívida; nem de Lisboa a Caldas da Rainha se consegue ir em menos de 2 horas; os trabalhadores fazem turnos atrás de turnos, adoecem a trabalhar e trazem para casa pouco mais do que o salário mínimo.

Disseram e bem que não aceitam aumentos inferiores ao salário mínimo. Todo o jogo deste e dos Governos desde a Troika é aumentar o salário mínimo e não aumentar o médio, de tal forma que dentro de pouco tempo - se não se seguir o exemplo destas greves sérias - todos estaremos a ganhar o salário mínimo. Por isso, estes trabalhadores hoje representam-nos a todos. Contra viver com o mínimo, por uma ferrovia decente, que nos transporte com conforto. Um país que pensa nas pessoas.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Travessas de plástico reciclado poderão tornar os caminhos-de-ferro ainda mais ecológicos


Parte das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) dos caminhos-de-ferro reside na energia utilizada para produzir e manter as infraestruturas necessárias. Investigadores finlandeses demonstraram a viabilidade da utilização de travessas de comboio mais ecológicas a partir de dois tipos de plástico reciclado, o cartão para embalagem de líquidos e o acrilonitrilo butadieno estireno. As emissões de carbono poupadas anualmente com a eliminação progressiva das travessas de betão e a sua substituição por este tipo de plástico reciclado poderiam equivaler ao aquecimento de 1200 habitações finlandesas.

Os caminhos-de-ferro, o meio de transporte mais amigo do ambiente a seguir aos autocarros de longo curso, vão desempenhar um papel importante na luta pelo zero líquido. Atualmente, as emissões totais do transporte ferroviário são de 31 gramas de equivalente de CO2 (CO2e) por passageiro-quilómetro, metade do valor dos veículos elétricos mais económicos.

Mas as emissões de carbono do tráfego ferroviário podem ser ainda mais reduzidas, revela um novo estudo publicado na revista Frontiers in Sustainability por autores finlandeses. Isto porque os materiais de construção típicos, como o aço e o betão, são energeticamente dispendiosos de produzir, transportar, manusear e manter. Mesmo nas linhas de comboio mais movimentadas, estes custos ascendem a 30% das emissões totais e esta percentagem aumenta acentuadamente à medida que o volume de tráfego diminui.

“Mostramos aqui que os plásticos reciclados podem ser utilizados como material para as travessas de caminho de ferro e que as emissões globais seriam reduzidas. A pegada de carbono é menor quando os fluxos de resíduos atualmente incinerados são utilizados como material”, afirma Heikki Luomala, primeiro autor do estudo e gestor de projeto na Universidade de Tampere.

“Estimamos que a redução de CO2 através da repulsão do fluxo de resíduos disponível na Finlândia poderia corresponder às emissões de aquecimento de 1200 casas, ou seja, 3 610 tCO2e (toneladas de equivalente de CO2) por ano”, acrescenta.

Dois tipos de plástico testados
Luomala e colegas estudaram a viabilidade e a redução das emissões de gases com efeito de estufa resultantes da eliminação gradual das travessas de madeira e de betão na Finlândia e da sua substituição por plástico reciclado. A vida útil de uma travessa é de 10 a 60 anos e diminui com o aumento da intensidade do tráfego, devido a danos mecânicos.

Uma importante fonte de resíduos de plástico é o sector das embalagens, que consome cerca de 40% da produção total de plástico. Neste sector, o chamado cartão para embalagem de líquidos (LPB) – uma mistura de polietileno, polipropileno, álcool vinílico de etileno e tereftalato de polietileno – é o produto que regista o crescimento mais rápido. Outra fonte importante de resíduos de plástico é o equipamento eletrónico e elétrico, que representa aproximadamente 6% da utilização total de plástico. O seu principal componente plástico é o acrilonitrilo butadieno estireno (ABS).

No passado, os resíduos de plástico eram frequentemente exportados da Finlândia para o Extremo Oriente, mas nos últimos anos foi lançada a iniciativa “ALL-IN for Plastics Recycling” (PLASTin) para tornar a Finlândia um líder na reciclagem de plásticos.

Luomala et al. produziram amostras de travessas de comboio (0,15 m de espessura, 0,25 m de largura e 2,6 m de comprimento) feitas de LPB e ABS e submeteram-nas a uma bateria de testes mecânicos. A sua intenção era testar se os protótipos confirmavam as normas internacionais para as indústrias de plásticos e ferroviárias.

A implementação no mundo real está a decorrer
Os espécimes feitos com ambos os tipos de plástico passaram nos testes de resistência e de flexão. Mas apenas o ABS reciclado foi capaz de suportar a temperatura máxima testada de 55°C sem amolecimento significativo durante os verões quentes.

“O ABS reciclado é muito mais adequado como material para travessas de caminho de ferro do que o LPB reciclado: as propriedades de resistência e rigidez do ABS são aproximadamente três vezes superiores e mais próximas das das travessas de madeira”, afirma Luomala.

As travessas de plástico para caminhos-de-ferro oferecem várias vantagens, por exemplo, fácil conformação, baixo custo, peso reduzido e resistência às condições ambientais. A utilização de plástico reciclado também permite uma maior flexibilidade na conceção da forma das travessas.

A Agência Finlandesa de Infraestruturas de Transportes já demonstrou interesse nas conclusões do estudo.

“Quando se trata da implementação de ABS reciclado para utilização como travessas de caminho de ferro, devem primeiro ser realizados mais testes à escala real. O seu comportamento a longo prazo, por exemplo, em termos de resistência aos raios UV, também deve ser testado”, adverte Luomala.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Música do BioTerra: Love and Rockets - Express Kundalini


[Verse 1]
This is an announcement
For the transcendental run
The train now standing
Leaves for higher planes
Due to a derailment
There will be no other train
So why not hop on this one?
Hear the porter's glad refrain

Each carriage is connected
As is every single train
The rails all form a track
Which is a link within a chain
The chain's connected
To another chain now
You will need no ticket
If you wish to ride on this train

[Chorus]
Woot woo!
Woot woo!
Woot woo!
Woot woo! Woot woo!
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
You might also like

[Bridge]
The song is in your heart
Your heart is in the song
The song is of the earth
The song is of the sky

[Verse 2]
You are disintegrating
Into everything around
Reintegrating
The worm we dug from higher ground
You have let go of ego
Ego is no longer you
Closer to nirvana
Since the porter's whistle blew

[Chorus]
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
Woot woo!

A energia Kundalini, conhecida também como Shakti, é uma energia espiritual que está localizada na base da coluna. O conceito de energia Kundalini existe há séculos e foi mencionado em antigos textos védicos de 1.000 aC.
A Kundalini Shakti é considerada a consciência divina presente no corpo, dividida entre a parte superior e inferior do corpo, ao ativar a energia Kundalini de forma segura, ela ajuda a equilibrar os chakras, aumentar o nível de consciência e bem-estar.
Quando a energia Kundalini Shakti é despertada e se eleva dentro de nós, toda a nossa vida se torna uma dança de alegria e bem-aventurança.

O que é Kundalini
O termo Kundalini vem da palavra em sânscrito kundal, que significa circular. Também se refere a uma cobra enrolada. Essa energia se manifesta no corpo através dos chakras, subindo ou descendo, provocando diferentes emoções.
Quando a kundalini se move para o topo da cabeça, no chakra coronário, é possível experimentar o estado de plenitude e bem-aventurança. Sentimentos de conexão começam a surgir com tudo e todos. Os antigos Rishis retratam cada um dos sete Chakras na forma de uma lótus ou de diferentes pétalas de flores, representando a consciência sutil, fresca e delicada.

Kundalini e os Chakras
A energia kundalini flui através dos chakras, num movimento ascendente ou descendente, provocando diferentes emoções, sentimentos ou sensações. É uma energia que se manifesta de diferentes maneiras nas diferentes regiões do corpo.
Os sete chakras ou sete centros nervosos estão conectados com diferentes glândulas do corpo – glândula tiróide, glândulas adrenal, glândula pituitária, glândula pineal, etc.
A ciência prova o que os antigos Rishis, sábios espirituais, afirmavam nas escrituras sagradas há milhares de anos atrás – cada uma dessas glândulas são responsáveis ​​por diferentes tipos de emoções.
Quando a energia kundalini está adormecida nos chakras é comum sentir sensações como inércia, raiva, apego, preguiça, etc. Quando ela é ativada, a inércia se transforma em entusiasmo, depois em criatividade. Do sentimento criativo, surge a alegria, e quando estamos felizes naturalmente surge a generosidade.
Então a energia se move para o chakra do coração, onde é possível sentir amor por todos ao redor, desencadeando o sentimento de gratidão e logo após, o estado de alerta. Trazendo expansão da consciência e bem-aventurança.

O perigoso despertar de Kundalini
É importante salientar sobre a prática correta da meditação kundalini pois o uso de forças e técnicas erradas, podem causar inúmeras consequências. É como se o fusível da lâmpada explodisse, devido ao excesso e surto descontrolado de energia.
Somente com a orientação correta sobre as técnicas, dieta e descanso, o corpo se torna sintonizado e propício para vivenciar esse fenômeno sutil. É importante respeitar o tempo de cada um, pois ao tentar despertar a kundalini shakti pela força, há grandes chances de perder o equilíbrio mental. Só quem tem anos e anos de prática de yoga e profundo conhecimento sobre isso é capaz de realmente praticar essas técnicas de forma adequada sem nenhum efeito colateral.

Meditação Kundalini
Quando a energia sobe naturalmente e através da técnica adequada, experimenta-se tanto entusiasmo, alegria e pertencimento. Todos estes são sinais de um verdadeiro despertar de shakti (energia).
Só é possível meditar quando a kundalini está desperta. Sempre que acontece a meditação, toda essa energia cintilante flui por todo o seu ser. Isso é o que é Kundalini.
O despertar da energia acontece muito naturalmente durante o Sudarshan Kriya, técnica de respiração da Arte de Viver. Por ser uma prática segura é possível sentir, de forma muito natural, cada célula do corpo desperta e viva.
Não tente fazer tudo isso à força, caso contrário você perderá perder o sono.

Kundalini e a serpente – Compreensão mitológica
A energia kundalini foi simbolicamente comparada a uma serpente. Nas histórias mitológicas, diz-se que a Mãe Terra repousa sobre os capuzes da serpente – Shesha Naag, que simboliza a força centrípeta e a força centrífuga. O planeta Terra é sustentado por esses dois tipos de forças. Essas forças não atuam em uma direção linear. Essas forças atuam de forma circular. Uma cobra também nunca viaja em linha reta. Uma cobra se enrola de maneira quase circular à medida que avança. O movimento da serpente é impulsionado por forças centrípetas e centrífugas.
O Shesha Naag simboliza as duas forças – centrípeta e centrífuga, que sustentam a Terra em sua revolução ao sol, da mesma forma o simbolismo da serpente kundalini representa a força vital que nos sustenta. Isso não significa que você deve procurar uma cobra dentro do seu corpo ou nem que você precise procurar uma flor de lótus.

Kundalini Yoga
O kundalini yoga é praticado para ativar a energia shakti, o que permite que ela se mova para cima e através dos chakras ao longo da coluna. A prática de kundalini yoga combina canto, posturas de yoga e respiração:
Canto de abertura: Cada aula começa com um mantra de abertura.Pranayama ou aquecimento: É comum realizar exercícios de respiração, chamados pranayamas, e às vezes movimentos para alongar a coluna. O objetivo do pranayama é praticar o controle da respiração.Kriya: Palavra em sânscrito que significa purificação, é uma sequência de posturas, pranayama ou mudras – posições das mãos. A duração e intensidade do kriya depende do professor.Relaxamento: Permite que seu corpo e mente absorvam os efeitos de um kriya.Meditação: O professor pode guiar uma meditação para cultivar a expansão da consciência.Canto de encerramento: A aula termina com um mantra de encerramento.


Efeitos do kundalini no corpo
À medida que a energia kundalini desperta, é muito comum se sentir mais conectado espiritualmente consigo mesmo e com os outros, e surgir sentimentos como:
  1. mais empatia
  2. aumento da criatividade
  3. carisma
  4. aumento de energia
  5. paz interior

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death in Rome - What Is Love (Haddaway - Cover)


Filme: Diamantes da Noite (1964)

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?

I don't know why you're not there
I give you my love, but you don't care
So what is right?
And what is wrong?
Give me a sign

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more
What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

Oh, I don't know, what can I do?
What else can I say, it's up to you
I know we're one
Just me and you
I can't go on

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?
What is love?

I want no other, no other lover
This is our life, our time
When we are together, I need you forever
Is it love?

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Acção Climática Já: mitigação e adptação


A mitigação refere-se aos esforços para reduzir ou prevenir a emissão de gases de efeito estufa. Adaptação é o processo de ajuste aos impactos atuais ou esperados das alterações climáticas. A necessidade de adaptação varia de um local para outro, dependendo do risco para os sistemas humanos ou ecológicos.

Mitigation refers to efforts to reduce or prevent emission of greenhouse gases. Adaptation is the process of adjusting to current or expected impacts of climate change. The need for adaptation varies from one location to another, depending on the risk to human or ecological systems.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Música do BioTerra: Tom Waits - Yesterday Is Here


If you want money in your pocket
And a top hat on your head
A hot meal on your table
And a blanket on your bed

Well today is grey skies
Tomorrow is tears
You'll have to wait til yesterday is here

Well, I'm going to New York City
And I'm leaving on a train
And if you want to stay behind
And wait til I come back again

Today's grey skies
Tomorrow is tears
You'll have to wait til yesterday's here

If you want to go
Where rainbows end
You'll have to say goodbye
All our dreams come true, baby up ahead
And it's out where your memories lie

Well, the road is out before me
And the moon is shining bright
What I want you to remember as I disappear tonight

Well, today's grey skies
Tomorrow's tears
You'll have to wait til yesterday is here

Well, today's grey skies
Tomorrow's tears
You'll have to wait til yesterday's here
You'll have to wait til yesterday's here
You'll have to wait til yesterday's here

sábado, 9 de dezembro de 2023

Manifestação este sábado em Lisboa por um "Plano de Desarmamento Climático"


O movimento Climáximo convocou uma manifestação com o título “Resistência Climática” para as 14h00 deste sábado, 9 de dezembro. O ponto de partida é no Saldanha, passando pelo Marquês de Pombal e descendo a Avenida da Liberdade.

Em comunicado e no site, o movimento explica que “a manifestação apela a uma Resistência Climática para reivindicar um Plano de Desarmamento Climático".

Partido às 14h00 do Saldanha, os ativistas descem até à rotunda do Marquês de Pombal “onde vai ser organizada uma Assembleia de Resistência para discutir as prioridades do movimento pela justiça climática para o ano de 2024”.

A manifestação conta com o apoio das seguintes organizações:
CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral
Greve Climática Estudantil – Lisboa
Habita
Partido Ecologista “Os Verdes”
PATAV – Plataforma Anti Transporte dos Animais Vivos
Quercus
Scientist Rebellion Portugal
Sirigaita
SOS Racismo
SPN - Sindicato dos Professores do Norte
STCC - Sindicatos dos Trabalhadores de Call Center
Stop Despejos

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Pobreza a aumentar em Portugal


Utopicamente sem crescimento não haverá saída para o empobrecimento. Só temos viabilidade em clima de paz se crescermos mais de modo a garantir níveis de solidariedade que permitam aos mais pobres viver melhor. Mas crescer onde? Como?
Insistimos numa agricultura intensiva, numa "floresta" distorcida (só eucaliptos, sobreiro e olival intensivos), sem ferrovia competitiva e virados para o turismo.
1. Como mudar um país com 96% de micro empresas em que o objeto social da maioria não permite escala?
2. Encapotados por 3 ou 4 multinacionais lusas, o resto das empresas têm residência fiscal na Holanda, Estónia, Dinamarca, etc? Como atraí-las outra vez para o País?
3. Muitos empregos estão ligados às autarquias. É um polvo enorme, que dificulta a transparência e competitividade.

sábado, 25 de novembro de 2023

Música do BioTerra: Escape with Romeo - Somebody

Versão 2022

Versão estúdio

Teledisco Original

Acoustic version

Yes you keep me in motion
Circling planets will never stop
I'm in the canalization and now
I'm coming to the top

There's a train that goes backwards
And a will to survive
I feel like walking on razorblades
Black spots (they) cover my life

[Refrão]
Feel the move
Start to groove
As I fade
You should know that I never wait
For somebody
Somebody [4x]

I fell in love with my killer
This is hijacked emotion
Throwing kisses with a machine gun
In the name of devotion
And you feel good in your prison
How long is that going fine
Out in the critical distance... I
Can make the rules of the game

[Refrão]

Feel the groove
Start to move
As I fade
You should know that I never wait
For somebody
Somebody [9x]

Página Oficial

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Olhos parados - Manoel de Barros


"Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.
Saber que a gente tem amigos de facto!
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas."

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Poesia da Semana : António Ramos Rosa - Poema dum Funcionário Cansado

Dia de Ramos Rosa que nasceste em Faro, neste mesmo dia de 17 de outubro de 1924 e feneceste a 23 de setembro de 2013, em Lisboa.

Poema dum Funcionário Cansado
"A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos,
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música

São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só"
António Ramos Rosa, in "O Grito Claro",1958

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Emissões geradas por transporte rodoviário em Portugal aumentaram 6,2%


As emissões de gases geradas pelo transporte rodoviário em Portugal aumentaram 6,2% em relação ao período pré-pandemia, estima a associação ambientalista Zero, alertando para a ameaça às metas climáticas e exigindo um “sinal vermelho”.

Em comunicado, a Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável destaca que “as emissões associadas ao consumo de gasóleo e gasolina no transporte rodoviário não param de aumentar”, de acordo com cálculos feitos a partir das Estatísticas Rápidas dos Combustíveis Fósseis, publicadas pela Direção-Geral de Energia e Geologia.

Considerando o período entre julho de 2022 e julho de 2023 (inclusive), as emissões totalizaram 18,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono, mais 6,2% do que em relação ao período entre julho de 2018 e julho de 2019, antes da pandemia de Covid-19.

Entre julho de 2022 e julho de 2023, o aumento foi de 5,4%, estima a associação, recordando que tal acontece “apesar de os preços dos combustíveis rodoviários se encontrarem a níveis historicamente elevados, de quase um milhão de pessoas ter adotado o regime de trabalho híbrido e da perda acentuada de poder de compra”.

Segundo as contas da Zero, o maior crescimento registou-se no consumo de gasolina 95 (12,9%), enquanto o gasóleo subiu 4,9%, o que permite aferir que a origem do aumento das emissões decorre mais de uma maior utilização de veículos ligeiros do que dos pesados de passageiros e mercadorias. A Zero atribui este aumento a “vários fenómenos”, nomeadamente ao recurso de antigos utilizadores de transportes públicos a automóveis particulares, “como forma de reduzir o risco de contágio” de Covid-19.

Simultaneamente, “a grande expansão dos regimes de trabalho parcial ou totalmente remotos pode ter reduzido o custo relativo do uso do transporte individual em relação aos passes sociais, aumentando a atratividade do automóvel”, aponta.

Além disso, “a saída de muitas dezenas de milhares de residentes dos municípios do Porto e Lisboa (cerca de 70 mil entre 2019 e 2022) face à acentuada subida dos preços da habitação” pode ter feito aumentar os movimentos pendulares com recurso ao automóvel.

Acresce ainda o aumento de turistas “que visitaram regiões mais afastadas dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro”, recorrendo ao automóvel.

A Zero analisou também as emissões da aviação, estimando que cresceram 4,7% entre os mesmos dois períodos de referência (2018-2019 e 2022-2023), valor que continua “a preocupar”.

A associação realça que é “absolutamente crítico” adequar as políticas públicas a este cenário e, para combater a “desoladora situação“, propõe melhores passes, mais apoios públicos a veículos elétricos e o “reforço substancial” da ferrovia. “É preciso rever fortemente os incentivos que as empresas ainda têm à aquisição de combustíveis e de veículos movidos a combustíveis fósseis”, bem como ao pagamento de portagens e estacionamento, defende ainda.

“É também urgente não só estancar a saída, como começar a fazer regressar residentes ao centro das maiores cidades portuguesas”, com melhores redes de transporte público e “em que mais facilmente se pode dispensar o uso de automóvel individual”, assinala.

Para a associação, 2024 tem que ser um ano “de viragem”, já que, para alcançar as metas climáticas para 2030, “as emissões do setor dos transportes têm que ser reduzidas 2% todos os anos, a partir do próximo ano”.

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