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terça-feira, 5 de maio de 2026
Philip Pilkington - O colapso do liberalismo global e ideias um pouco polémicas
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
A Iniciativa Liberal (IL) apresentou uma proposta para dinamitar a Lei de Bases do Clima
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Inicitiva Liberal - um partido extremista e misógino
"Sobre Bernardo Blanco diretor de campanha de Cotrim de Figueiredo e mencionado lateralmente na história de assédio da alegada vítima de Cotrim de Figueiredo. Uma vez convidou-me para uma palestra sobre liberalismo e feminismo. Eu aceitei e escreveu-me, como que a sugerir, de como afinal tinha sido o capitalismo a libertar as mulheres, com a invenção dos eletrodomésticos que facilitavam a vida às mulheres. Portanto para ele a libertação feminina tinha sido as mulheres deixarem de lavar a roupa num tanque à mão para passarem a pôr tudo numa máquina de lavar e, quiçá, não estragarem tanto a manicure. Disse-lhe que se fosse para propalar tão estúpida teoria eu não era a pessoa certa. Disse-me que não, para ficar, e eu já com má impressão lá fui para o IEP na Católica para a dita palestra. Foi uma coisa tenebrosa. Estava lá a palestrar também a Ana Vasconcelos, eurodeputada, que também já veio defender o seu colega do Parlamento Europeu. É uma daquelas mulheres que considero como idiota útil do patriarcado. Não sabia nada do assunto feminismo, dizia que o feminismo certo era o de John Stuart Mill (homem moderno para o fim do século XIX e agora completamente ultrapassado e que, como sabe quem já leu The Subjection of Women, com uma visão confrangedoramente conservadora sobre mulheres), negava que existisse qualquer preconceito que prejudicasse mulheres (donde, se enfrentam discriminação é porque são, coitadas, mázitas), até brincou que se calhar sofria de machismo intrínseco (no kidding), como se tal coisa não existisse. Ah, e não entendia por que carga de água as mulheres não formavam partidos se não estavam bem representadas nos existentes. A estupidez vinda desta senhora foi avassaladora.
A grunhice da conferência foi de tal ordem que houve quem sugerisse que se deviam diminuir os direitos das mulheres para não incomodar os imigrantes que chegavam de sítios mais conservadores. Bernardo Blanco e uma outra criatura da assistência puseram em causa a existência da licença de maternidade porque, afinal, é um direito que discrimina positivamente as mulheres e, portanto, não é justo para os homens; também argumentavam que não era o estado que tinha de suportar a escolha individual das mulheres terem filhos. Sim, foi a este nível e foi este Bernardo Blanco que Cotrim de Figueiredo escolheu para diretor de campanha. (Até a IL no parlamento já se conseguiu livrar de Bernardo Blanco, mas Cotrim reciclou-o).
Bernardo Blanco fez parte de uma coisa tenebrosa que era o Instituto Mises Portugal, grupo de gente anarco capitalista que gozava (gulosamente) com os assassinatos de Pinochet dos comunistas que eram atirados de helicópteros. Que debatiam, como se fosse debatível, a ‘remoção física’ de comunistas e - tcharan - democratas. Bernardo Blanco é um extremista e um fanático que faz António Filipe parecer moderado. E, na minha humilde opinião, capaz de tudo.
Outra pessoa que é mencionada nas alegações de assédio a Cotrim de Figueiredo é Ricardo Pais Oliveira. Não o conheço pessoalmente, mas foi a pessoa que organizou no twitter, nos primórdios da IL, a campanha mais nojenta de ódio online aos opositores que eu jamais vi. Não pode ser pessoa decente.
Isto para dizer o quê? Alguém que desgosta destas duas personalidades é uma pessoa com valores no sítio certo e que me merece, pelo menos, o benefício da dúvida. Mais do que quem escolhe rodear-se destas pessoas."
sábado, 20 de dezembro de 2025
Sim, André Ventura admitiu que já votou em José Sócrates

Foi um dos momento mais tensos da noite. No fim do debate presidencial entre João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal, e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, ambos trocaram uma série de farpas.
João Cotrim Figueiredo: Fala tanto das elites, mas não fui eu que fui inspetor tributário a dar conselho a milionários de como fugir aos impostos. Isso é que é trabalhar com as elites. Não fui eu que fui chamado, via minha atividade, a testemunhar em tribunal sobre um caso de vistos Gold em tinha dado um parecer positivo à isenção de IVA - e do outro lado estava quem? Lalanda de Castro, grande amigo de José Sócrates. Mas isto não é surpresa: tu já confessaste que votaste no José Sócrates.
André Ventura: Isso é falso. Nunca confessei, isso é falso, é mais notícias falsas que andam a espalhar.
JCF: A sério? Saiu num livro e num jornal.
AV: De livros, a maior parte sobre o Chega são falsos.
O líder do Chega mente. O caso tem origem no livro Dias de Raiva - Os Segredos da Ascensão de André Ventura (2024, Manuscrito). Na página 33, no capítulo dedicado às origens do líder político, o candidato do Chega explica como viu com entusiasmo a maioria absoluta de José Sócrates, um homem que via com "firmeza, coragem", ocasião em que diz ter votado nele.
A primeira vez que Ventura revelou o sentido de voto foi ainda em 2017, enquanto candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures. Em conversa com o jornalista da SÁBADO (e autor deste livro), afirmou: "Era jovem e parecia uma voz do povo. Aqui entre nós, fui um dos muitos que votou nele." Volvidos quatro anos, em entrevista dedicado para o livro, o tema surgiu novamente:
Alexandre Malhado: Havia dentro do PS um discurso populista, na medida em que tivemos o líder José Sócrates.
André Ventura: Enganou-me a mim.
AM: Pois, exato. Chegaste a votar e lembro-me de teres dito que te enganou.
AV: Mas enganou mesmo. Foi o único líder socialista que me enganou. Porque na altura, de facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Mas depois com a questão da licenciatura e do caso Freeport, fiquei com um pé atrás. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais.
Pode ouvir o áudio deste trecho aqui:Reproduzir Vídeo
Entrevista a André Ventura em 2021 para o livro Dias de Raiva.
Em 2015, no seu próprio livro livro Justiça, Corrupção e Jornalismo — Os Desafios do Nosso Tempo, André Ventura classificou Sócrates como um homem "capaz de lutar contra os interesses instalados" e admite que chegou "a ser influenciado por este movimento" do antigo secretário-geral socialista. "José Sócrates foi um político que me convenceu no seu início, não tanto como secretário de Estado do Ambiente, uma vez que não tive tanto contacto com essa realidade, mas como líder do Partido Socialista. Primeiro, contra João Soares e Manuel Alegre e, depois, como candidato a primeiro-ministro nos seus primeiros anos, tendo-me aparecido como um homem íntegro, como um homem firma nalgumas decisões, capaz de lutar contra interesses instalados, mas o que é que se revelou no fim!?" Na mesma página, os elogios continuam: "José Sócrates era mestre nas encenações, todos os grandes congressos do Partido Socialista sobre José Sócrates continham uma ovação quase estalinista, em que estávamos perante grandiosos cenários, o hino nacional. José Sócrates apareceu quase como salvador da pátria." Há dez anos, concluía que "temos de ser mais exigentes com a democracia, mais exigentes com a verdade."
O debate entre o deputado André Ventura, candidato presidencial apoiado pelo Chega, e o eurodeputado João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), foi tenso e pessoal. Ambos eleitos deputados únicos ao mesmo tempo, em 2019, liderando partidos recém-criados a ganhar assento parlamentar, foi uma disputa entre velhos rivais. “Acho que o maior erro da vida do João foi ter deixado a liderança da IL para ir ter uma reforma dourada em Bruxelas", acusou Ventura. “Tenho uma reforma dourada tão boa que decidi candidatar-me a Presidente da República”, respondeu o liberal. Além da Lei da Nacionalidade e Ucrânia — “Não quero mandar para lá tropas como tu”, atirou Ventura —, discutiram com informalidade, num "tu cá, tu lá", a idade de Cotrim Figueiredo, pedofilia no Chega e o passado de André Ventura enquanto inspetor da autoridade tributária.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
A pobreza gera dinheiro para muitas pessoas e sectores, directa e indirectamente.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Num País de rastos e a exigir austeridade para todos, afinal há dinheiro - estudo de caso do Paulo Pedroso
Por muitas justificações que Paulo Pedroso invoque, 46.000 euros é muito dinheiro. Apesar de a decisão ter sido justificada com o “preço mais baixo”, a opção por uma empresa ligada a um ex-governante do PS é favorecimento político com impacto nos negócios com o Estado. Em 13 de Julho PP afirmava o seguinte: "A Iniciativa Liberal, na moção de Mariana Leitão, é um partido conservador liberal, encostado à direita, mas totalmente despido de consciência social. O elogio rasgado a Milei, sintetiza-o."
Coerência? Nenhuma! Não sei como quebrar este imbróglio, mas revolta-me.
Cai por terra o que aqui escreve: "Aos liberais que acreditam que a solução para as relações de trabalho é o regresso ao paradigma da igualdade entre as partes não podemos deixar de recordar que essa foi a base do desastre do capitalismo liberal da segunda metade do século XIX, com as insanáveis contradições da “questão social”, o empobrecimento generalizado dos trabalhadores numa sociedade que gerava cada vez mais riqueza. Esse foi o quadro social que gerou as reações críticas de setores tão dispares quanto os movimentos socialistas de vários matizes e a doutrina social da igreja."
Claro que é um pagamento abusivo. O orçamento de Estado para a Ciência, para a Educação e para a Saúde são miseráveis. O da Cultura e Ambiente (quase a zeros)!!! E agora que seja uma equipa que vai trabalhar por 2 meses e 3 semana pedir 46.000 euros é revoltante! Onde está a "consciência social" que ele escreve no artigo da Revista "Solidariedade"? E mais, o referido contrato foi assinado um dia após a data da nova lei do Código dos Contratos Públicos (CCP) - Decreto‑Lei n.º 112/2025, de 23 de outubro de 2025. Houve claramente um aproveitamento político e abuso.
Nesta nova Lei, os ajustes directos têm a seguinte redacção:
1.Procedimento de consulta prévia simplificada com convite a pelo menos cinco entidades: valor inferior a € 143.000 (quando adjudicante central/Estado) ou € 221.000 (outras entidades)
2. Procedimento de ajuste direto (regime geral): valor igual ou inferior a € 30.00 euros
3. Procedimento de ajuste direto simplificado: valor igual ou inferior a € 15.000
Preparemo-nos: vamos assistir nos próximos meses a situações muito escabrosas. E o nosso erário público e reserva do Banco de Portugal a saque!!!!
sábado, 1 de novembro de 2025
Principais Recursos dos Bilionários
1. Capital financeiro
Uma parte grande da riqueza deles está investida em ações, participações em empresas, títulos, fundos, e outros instrumentos financeiros.
Esse capital financeiro dá-lhes poder para influenciar mercados, fazer aquisições, e multiplicar a riqueza através de investimentos.
2. Participações em empresas (empresas próprias ou holdings)
Muitos bilionários são fundadores ou detêm participações significativas em grandes empresas (tecnologia, indústria, energia, etc.).
Por exemplo, setores como finanças, bebidas e tecnologia são dominantes entre as origens da riqueza bilionária.
Esses ativos empresariais lhes dão controlo direto sobre cadeias produtivas, decisões estratégicas e inovação.
3. Propriedade imobiliária
Muitos bilionários investem em imóveis comerciais, terrenos, edifícios residenciais — uma parte importante do seu portfólio de riqueza é tangível.
A valorização das propriedades também contribui para o crescimento patrimonial.
4. Recursos naturais
Alguns controlam minas, terras agrícolas, reservas de petróleo ou outros recursos naturais, que são ativos físicos estratégicos.
Por exemplo, bilionários no setor energético ou de mineração tiram parte de sua fortuna da extração e gestão desses recursos. (No caso de Rinat Akhmetov, ele tem empresas em mineração e energia.)
5. Capital humano
Embora não seja “dono” de pessoas no sentido absoluto, muitos bilionários controlam grandes empresas que empregam dezenas de milhares de pessoas. Isso lhes dá poder sobre a direção estratégica, mas também sobre talento, inovação e produção.
Além disso, muitas das suas empresas dependem de capacidades técnicas, científicas e de gestão — ou seja, eles investem (e captam) talento.
6.Influência política e institucional
Bilionários muitas vezes têm ligações políticas, institucionais ou contato direto com decisores. Essa influência permite moldar políticas, regulamentos e leis que podem favorecer os seus negócios ou proteger o seu capital.
Também podem usar lobbies para manter vantagens competitivas ou para criar barreiras à entrada de novos concorrentes.
7. Acesso a infraestruturas críticas
Eles podem financiar ou controlar infraestruturas como data centers, redes de telecomunicação, energia, logística, etc. Esse é um recurso estratégico porque dá poder sobre recursos que sustentam a economia moderna.
No campo digital, por exemplo, gigantes tecnológicos (alguns bilionários) controlam plataformas, dados e serviços essenciais — o que lhes dá grande poder sobre a “economia da atenção” e dos dados.
8. Propriedade intelectual
Patentes, direitos de autor, marcas registradas são ativos intangíveis muito valiosos. Bilionários em tecnologia, farmacêutica ou biotecnologia frequentemente detêm patentes que lhes garantem receitas futuras e vantagem competitiva.
9. Redes de capital social
Além do capital formal (dinheiro, ativos), há recurso social: os bilionários geralmente têm redes poderosas de influenciadores, outros bilionários, políticos, investidores. Essas redes são um recurso estratégico porque permitem parcerias, financiamento, influência e acesso privilegiado a oportunidades.
10. Estruturas offshore e otimização fiscal
Muitos usam jurisdições fiscais favoráveis para armazenar parte de sua riqueza, o que lhes permite preservar capital, reduzir impostos e reinvestir de forma eficiente.
Isso também significa que parte da sua riqueza está “fora do radar” direto de muitos sistemas fiscais nacionais.
Fontes: Relatório Oxfam 2024 e Relatório Oxfam 2025
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Ninguém devia ter mil milhões de euros
Vamos começar por aqui. E não, isto não é inveja, é matemática. É uma quantia absurda. A maior parte destas fortunas gigantescas é herdada. E a outra parte? Foi acumulada à custa do que não foi pago a quem realmente ajudou a construí-la. Por outro lado a tecnologia permite lucros globais com poucos custos; o valor das ações aumenta fortunas rapidamente; os impostos baixos e influência política protegem os ricos e finalmente a globalização, que concentra lucros nas grandes empresas.
Antigamente, alguns magnatas construíam bibliotecas, ou fundavam universidades, pelo menos sentiam a obrigação de devolver algo estrutural à sociedade.
Hoje? A ambição é ir ao espaço, ter o iate maior, o relógio mais caro e 50 carros na garagem. Não se importam de pagar valores absurdos por caprichos, só lhes custa pagar pelo trabalho. E o trabalho, a produção, o esforço humano, é a única coisa que realmente gera riqueza.
Mas para perceber o quão doentio isto é, temos de sair dos milhões e ir para o tempo de vida.
A nossa medida vai ser o Salário Mínimo em Portugal, €870 por mês. Com subsídios, são €12.180 por ano. Este é o valor de um ano inteiro da nossa vida de trabalho.
À escala de Portugal, a Família Amorim tem €5,4 mil milhões.
Para eles gastarem isto, ao ritmo de um ano inteiro do nosso trabalho, demorariam 443 000 ANOS.
A nossa espécie, o Homo Sapiens, existe há 300 000 anos. A totalidade da nossa história não chega.
À escala do Mundo, o homem mais rico, Elon Musk, tem €426 mil milhões. Demoraria 35 MILHÕES DE ANOS a gastar tudo.
Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos. Isto não é tempo de vida. É tempo geológico.
Quem resumiu isto na perfeição foi a Billie Eilish esta semana.
Billie Eilish pertence à Geração Z.
Num evento com bilionários na audiência, depois de anunciar que ia doar 11.5 milhões de dólares, confrontou-os diretamente: "És bilionário, porquê?"
Ela não está a falar de culpa pessoal. Está a falar desta distorção completa da escala humana.
O problema é um sistema que permite que um indivíduo acumule o equivalente a 35 milhões de anos de trabalho de outra pessoa, enquanto essa outra pessoa mal consegue sobreviver com o salário de um ano.
domingo, 26 de outubro de 2025
A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?
"Enquanto uma parte significativa da população (em todo o espectro político) vota, defende, ignora, minimiza, sente um medo paralizante, duvida do perigo ou amplifica o discurso da extrema-direita.
Enquanto os partidos (sobretudo de direita) continuam a pactuar, a normalizar e a aplicar as ideias e propostas da extrema-direita, desrespeitando totalmente o legado de Abril e todas as pessoas que deram a vida para que hoje tivéssemos uma democracia.
Enquanto as esquerdas continuam divididas, presas a querelas internas e a jogos de poder, a considerar os partidos como um fim e não como um meio, incapazes de ver que já não se trata de ganhar eleições ou de lutar pela própria sobrevivência, mas de lutar pela própria existência da democracia.
A extrema-direita, em Portugal (mas também em França, e no mundo), avança. Avança sem freio, sem resistência, sem vergonha, incitando ao ódio e desafiando o Estado de direito. Diz, com todos os dentes, números e letras, ao que vem, o que faz e o que vai fazer. Ninguém pode dizer que não sabia.
A expressão dos "3 salazares" não foi utilizada de forma espontânea, mas de forma propositada e ensaiada. Os recentes cartazes absolutamente infames, racistas e ilegais contra as pessoas ciganas fazem parte da estratégia de testar os limites do "regime", de normalizar o inaceitável, de fazer prova de força através da impunidade.
Enquanto isso, nos coletivos das pessoas que já são atacadas, ciganas, negras, muçulmanas, mulheres, queer, imigrantes, não se debate se a extrema-direita é ou não fascista, nem como fazer para que não ganhem eleições, mas sim como nos vamos organizar e resistir enquanto “inimigos do interior”, a nível local, nacional e internacional. Não temos o privilégio nem da perplexidade, nem do desespero, nem da inação.
Não tenhamos dúvidas: quando a extrema-direita estiver no poder supremo, ninguém estará a salvo. Quanto mais o tempo passa, mais difícil será a luta, apesar de nunca ser impossível. A facharia não é uma inevitabilidade vitalícia. Mas quantas vidas vamos ter de perder por causa disso?" - Luísa Semedo
Estou de acordo. E o insucesso é global. Vejamos a entrevista assustadora de Steve Bannon E mais. A direita radical e terrorista já existe. Já não poderemos chamar extrema-direita. Vai ser um luta armada. E mais. O conceito de seita existe. Uma espécie de clã, de um primitivismo atroz, quase teológico. Que abala todos os nossos valores de humanismo, de ajuda mútua, valores democráticos e extinção da mesma. Realmente esta corja, com intentos irracionais e antidemocráticos, vai chegar o apelo à força, ao armamentismo. Esta mensagem está ganhar terreno desde inícios de Janeiro por fulanos como Elon Musk (o homem mais rico do mundo), que já chegou a dizer que empatia ameaça a civilização. Ele está errado. Ele é essa ameaça.
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sábado, 11 de outubro de 2025
La catastrophe d’un monde à +3°C : le rappel glaçant de Jean Jouzel, ancien vice-président du GIEC
- O papel fundamental das empresas no combate às alterações climáticas.
- Porque é que alcançar a neutralidade carbónica antes de 2050 é uma necessidade.
- Os limites do ultraliberalismo face aos desafios ambientais.
- Gerir as alterações climáticas perante as inverdades dos céticos do clima.
- Caminhos concretos, como um preço rigoroso do carbono ou a deslocalização.
- Os principais obstáculos a ultrapassar para atingir os objetivos do Acordo de Paris.
Raquel Varela silenciada pela estação pública RTP
Como é público, a nova Direção de Informação da RTP decidiu não continuar a contar comigo nos programas de debate semanal. Quero, ao final destes 11 anos, deixar aqui algumas notas que serão, espero, sinceras e delicadas.
Quero agradecer a quem me convidou, a quem esteve na organização e na produção, dos jornalistas aos técnicos de som, imagem, produção, realização, maquilhagem, cabeleireiro, um trabalho imenso e essencial. Fui acarinhada por tantos.
Quero agradecer aos amigos, colegas, com quem discuti semanalmente os temas, e a muitas outras dezenas de pessoas a quem, consoante os assuntos, telefonei, com quem me reuni para aprofundar saberes que nenhum indivíduo sozinho domina.
Vivi anos em países “nórdicos” onde a sinceridade não é vista como má educação. São países mais adultos e com uma esfera pública mais desenvolvida. Em Portugal, o desacordo frontal é mal visto (a não ser nos programas sobre futebol) e rapidamente se passa de debater ideias a acusar e insultar pessoas. Em suma, as pessoas fogem ao debate porque acham que assim evitam conflitos ou porque assim fomos habituados à força por décadas de ditadura. Mas o que acontece é que a violência verbal, a desconfiança, a coscuvilhice se instalam nessa ausência de debatermos frontalmente as divergências.
A minha saída do comentário semanal da RTP não se deve certamente a audiências, já que em todos os programas onde estive elas subiram. Há, porém, muitos programas sem grandes audiências que são excelentes, outros com grandes audiências que são uma desgraça para o nível geral de educação do país (desqualificam-no e embrutecem-no). Saio por uma escolha política – todas as escolhas são políticas, e devemos falar abertamente delas.
Há um quadro de mudança política no país. Está no poder um Governo da AD, com o apoio da IL, com influência crescente do partido fascista Chega. Há uma situação mundial de degradação do modo de vida e do debate de ideias. O Presidente dos EUA comunica por tweets e memes, e disse querer transformar Gaza num resort. Por cá, o presidente do Chega lidera uma organização racista que usa a mentira como arma política de eleição, e a internet está cheia de perfis falsos que reproduzem a propaganda do Chega. A União Europeia corta o orçamento para a saúde, para a educação, para a agricultura para produzir drones carros e aviões de combate, munições para matar, amputar e dizimar o género humano, a primeira pátria a que pertenço.
Pautei-me todos estes anos por uma defesa intransigente da liberdade de expressão. Mesmo contra um centro-esquerda que considero sem ânimo, moralista e descafeinado. Aquilo a que hoje se assiste é, porém, de enorme gravidade. Tenho vinte anos de carreira como historiadora e professora. Se afirmo que o Chega é fascista não é para produzir efeito mediático. Sou cuidadosa com os conceitos. Estamos a viver a legitimação do irracionalismo, do culto do Estado, da punição, da violência verbal (e física) contra os percebidos como mais fracos e da mentira como “opinião”. Que o Estado tenha legalizado isto é uma coisa, que eu como historiadora o aceitasse seria uma rutura ética com o meu trabalho.
A minha saída de comentadora da RTP fragiliza ainda mais a esfera pública. Não por mim, pois ninguém é insubstituível. Mas porque as vozes como a minha não representam mais uma “opinião”. Reflectem um modo de pensar a sociedade em que vivemos, com demonstração de argumentos e critério de verdade – errando, também -, que discorda abertamente dos grandes mantras da opinião publicada: a inevitabilidade do capitalismo, e da guerra, a naturalização do sofrimento e assédio contra quem trabalha. Defendi a Democracia sem adjetivos, que só pode ser de base, participativa, e a auto-organização dos cidadãos, plenos no uso da Razão, independente do Estado.
A voz pública é uma necessidade. Deve ser séria e diversa. É-o cada vez menos. E é isso que tem levado, também, à quebra de audiências – a repetição ad nauseam dos mesmos argumentos, da mesma falta de imaginação ou de vontade para repensar a sociedade. O que produzimos? Para quem produzimos? Como produzimos? Estas questões, que são centrais para a humanidade, quase nunca são feitas, fagocitadas por uma comunicação ligeira e ideologicamente homogénea.
Estive, por vezes sozinha como comentadora, ao lado das primeiras greves dos estivadores, da greve cirúrgica dos enfermeiros, da paralisação dos camionistas e da greve dos trabalhadores da AutoEuropa contra o trabalho ao domingo, todos alvo de campanhas mediáticas que pareciam verdades indiscutíveis na altura e mentiras descaradas dias depois. E estive, com poucos mais comentadores, ao lado das greves dos professores, médicos, maquinistas, transportes em geral, sustentando o que para mim é óbvio – se há alguém capaz de parar esta deriva para a guerra e para a morte são os trabalhadores organizados.
Nos últimos anos, nunca saí de casa sem que viessem ter comigo pessoas para falar, agradecer, apoiar, conversar. Recebi carinho e afeto, abraços, nos cafés, nos aviões, nas filas de serviços apinhados, nas escolas, entre as empregadas de limpeza de jardins e trabalhadores da ferrovia, motoristas e professores, enfermeiros e médicos. Tudo isso me ajudou a conhecer um país decente, que existe, embora muitas vezes sem voz. Muito obrigado a todas e a cada uma dessas pessoas. Ajudaram-me muito a crescer e a ter força para continuar.
Há um Portugal sentado e outro de pé. O de pé é quem vive do trabalho, e que todos os dias assegura a produção e a reprodução da nossa vida. É nesse país, dos que trabalham, que me revejo e ao qual procurei dar voz. Se fui um pouco voz desse Portugal ignorado, valeu a pena.
Continuarei a fazer ouvir a minha voz e ideias, a defender os trabalhadores e os seus direitos, a dar aulas públicas e conferências, cursos, documentários, livros, a lutar por um outro país assente no bem comum, na igualdade real, na democracia do povo e na liberdade.
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O Estrangeiro (1967)
Um filme marcante. O Estrangeiro (1967), baseado na obra homónima de Albert Camus, com Marcello Mastroianni e dirigido pelo mestre Luchino Visconti. O filme capta toda a atmosfera do seu livro.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2025
Iniquidade insustentável - mostra relatório recente no Reino-Unido
Isto vai chegar a nós.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2025
Relembrar a fascinante obra de Albert Camus - "O Estrangeiro"
O "estrangeiro" por vezes somos nós próprios!! É essa a grande lição deste livro. Não há fronteiras. Nesta obra profundamente simbólica e do absurdo, alerta-nos que a condição humana é sufocante e "estranha" a toda a gente. Há que alertar para a situação que as pessoas podem ser estrangeiras quando tu és estranho.
E no mundo actual o absurdo regressou. O absurdo é o discurso do ódio, levantar esqueletos do armário do imperialismo dos séculos atrás da nossa civilização, incluindo Portugal. Fazer basófia da barbárie contra os Palestinianos, denegrir a flotilha. Publicar um vídeo piroso do Ventura sobre Bangladesh. Por isso é importante RELER o "Estrangeiro" de Albert Camus.
O "Estrangeiro" é um dos livros da trilogia do absurdo, de Albert Camus. O livro conta a história de Meursault, um homem que vive completamente alheio à importância das coisas ao seu redor. O protagonista é indiferente a tudo, sendo que uma das palavras mais usadas por ele é: “tanto faz”. Albert Camus desenvolve uma história simples, escrita em frases curtas, evidenciando conceitos segundo o qual o homem é livre e seus atos são responsáveis por seu destino.
Meursault, é descrito como “um cidadão da França, homem do Mediterrâneo, um homem que dificilmente compartilha da cultura mediterrânea tradicional”. Semanas após o funeral de sua mãe, ele mata um homem árabe na Argélia francesa, que estava envolvido num conflito com um dos vizinhos de Meursault. Mersault é julgado e condenado à morte. A história é dividida em duas partes, apresentando a visão narrativa em primeira pessoa de Mersault antes e depois do assassinato, respectivamente.
Esta história, cuja narração me fez lembrar um conto ou um texto diarístico, deve ser encarada como uma reflexão acerca da existência humana. Através da indiferença extremada e quase absurda do Sr. Meursault, captamos uma perspetiva diferente da vida, alheia a sobressaltos, à importância das decisões, a questões filosóficas e a figuras transcendentes. Meursault limita-se a viver consoante o que lhe calha na sina, sem se entregar à extravagância das emoções ou à indignação contra o destino. Em vez disso, permanece apático e ultrapassa as reviravoltas da vida através do hábito.
Se há uma sensação que predomina, implacável, nesta obra, essa sensação é o calor. Um calor asfixiante, insuportável, captada pelo autor com tanta autenticidade e intensidade que o leitor se sente tentado a tirar o casaco. Essa impressão prolonga-se pela capa do livro, de um cor de laranja forte que me faz pensar nele como um deserto tórrido comprimido em menos de uma centena de folhas de papel.
Camus serve-se deste personagem principal para mergulhar no absurdo existencial. A vida banal de Mersault até ao momento em que ocorre um crime processa-se dentro do clima do absurdo da vida humana, que não pode ser logicamente explicado, mas simplesmente apreendido e vivido.
Para Camus, a vida é absurda e filosoficamente, isso quer dizer que a situação existencial humana é caracterizada essencialmente pela ausência de sentido e, dessa forma, não existem consistências, certezas e/ou garantias. Não há finalidade última e não há causas primeiras no mundo absurdo.
Para uma melhor compreensão do absurdo é necessário fazer uma análise do próprio quotidiano. As loucuras do dia-a-dia, o corre-corre e a busca do sentido para as coisas e acontecimentos já são indícios do absurdo. O homem cria uma rotina de vida, uma monotonia e acaba deixando levar-se pelo absurdo, perde o sentido da sua existência, passando a não dar mais importância aos factos e acontecimentos no seu trabalho, com os amigos, na família…tudo se torna comum, rotineiro.
Outro ponto que ilustra o absurdo é o facto do homem já não conseguir mais dar conta dos acontecimentos e tudo lhe foge da percepção e ele mesmo constata que o mundo não tem sentido nem razão, e que a vida é absurda e fantasiosa.
É necessário VER esta época, sair do absurdo e criar coragem e buscar inovações e outros caminhos para as atividades do dia-a-dia.
Albert Camus ele próprio dá pistas! Aconselho por isso a leitura "O Homem Revoltado", e em seguida "A Queda". E depois, "A Peste" que é um intermédio entre os dois temas.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2025
Demorar a chamar os fascistas pelo nome, custará a nossa democracia
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| Khan Younis, sul da Faixa de Gaza, 22 de novembro de 2023. Foto de Mohammed Dahman |
A esfera pública, tanto nas redes sociais quanto na diplomacia internacional, está dominada por uma novilíngua cautelosa, onde a precisão sucumbe ao medo da reação. Palavras como genocídio, racismo, xenofobia, e apartheid são substituídas por termos amenos, não porque perderam relevância, mas porque se tornaram mistificação e que ameaçam os ditadores e multinacionais.
Nas plataformas digitais, a autocensura é uma tática de sobrevivência e de submissão, à custa de desinformação massiva e de desgaste e até MEDO. Evitamos nomear o ódio e a violência com termos exatos para não sermos punidos por algoritmos ou pelo "cancelamento". O despeito pelas reivindicações dos sindicatos existe e os globocratas tudo estão a fazer (via controlo dos media, plataformas digitais, com desinformação e com posições abertamente desumanas e cheias de maldade) para os denegrir e isso é também uma ameaça à democracia. Acrescentaria arrivismo!
Essa moderação artificial impede que o público/ cidadão chame o que é sujo pelo seu nome, distorcendo a gravidade dos problemas sociais e ideológicos.
Há claramente uma lavagem do cidadão (citizen washing). A citizen washing refere-se a estratégias de empresas, governos ou organizações que usam uma retórica de cidadania, participação cívica ou empoderamento social para melhorar a sua imagem, sem realmente promoverem mudanças estruturais ou garantirem uma participação efetiva dos cidadãos. É, portanto, uma forma de “lavagem” comunicacional: aparentar compromisso democrático ou inclusivo sem o praticar de facto.
No palco global, essa mesma pressão se manifesta. O caso de Israel e o conflito em Gaza é o exemplo perfeito. A coragem da África do Sul de usar a palavra "genocídio" na Corte Internacional foi recebida com indignação por nações ocidentais, que preferiam a linguagem de "crise humanitária" ou "direito de defesa". Essa rejeição inicial serve para defender o status quo e evitar implicações políticas e jurídicas.
Estamos também mergulhados numa crise democrática com novos colonialismos: químicos (pesticidas e outros venenos) , lavagem verde, monoculturas intensivas e exóticas (eucalipto, soja, milho, etc), minerais raros, ouro, diamantes, Big Oil, Big Tech e Big Pharma. Onde vivem cá Elon Musk e os seus comparsas multibilionários, todos reconhecidamente de direita e por vezes com atitudes e compromissos da ultra-direita.
O Sul Global e a China perseguem os seus "activistas" ora ambientais ora dos direitos humanos e até os assassinam!
No fim, a novilíngua não é sobre civilidade, é sobre controle. Ao nos impedir de usar as palavras mais quentes, ela nos impede de sentir a indignação e a urgência necessárias para exigir mudanças. É uma ferramenta de moderação que prioriza a ordem da narrativa em detrimento da verdade nua e crua.
Assim como não chamamos de genocidas, quem comete crimes contra a humanidade, também não chamamos de fascistas quem defende políticas fascistas! Chamamos de extrema direita, suavizando o que são realmente. Para os Palestinianos, demorar a chamar de genocídio apenas aumenta o número de mortos.
Demorar a chamar os fascistas pelo nome, custará a nossa democracia.
Referências bibliográficas
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domingo, 28 de setembro de 2025
Contra a vontade da direita, é aprovada a criação do Museu da Resistência do Porto
Com a abstenção do PSD/IL e os votos contra do Chega e CDS-PP, a Assembleia da República fez aprovar a proposta do PCP para a criação deste museu no edifício da Rua do Heroísmo, onde esteve instalada a delegação da PIDE.
Na delegação da PIDE/DGS no Porto (instalada na Rua do Heroísmo, ao lado do Cemitério do Prado do Repouso) estiveram presas, ao longo dos 40 anos em que esteve activa, mais de 7600 pessoas, mulheres e homens, que enfrentaram o fascismo. As torturas que eram reiteradamente praticadas no local provocaram a morte de dois resistentes antifascistas, ambos militantes do PCP: o barbeiro Joaquim Lemos de Oliveira, de Fafe, e o operário Manuel Fiúza da Silva Júnior, de Viana do Castelo, antigo editor d'A Voz dos Famintos (um quinzenário anarquista) que acabou por se juntar aos comunistas.
Ambos foram torturados até à morte em 1957, com 16 dias de diferença. Manuel Fiúza da Silva Júnior, de 69 anos, é preso pela PSP enquanto distribuía propaganda que denunciava o assassinato de Joaquim Lemos de Oliveira (de 48 anos) às mãos da PIDE. Depois do 25 de Abril, este edifício ficou sob a tutela do Ministério do Exército que, em 1977, e depois da demolição de parte das instalações prisionais, ali instalou o Museu Militar do Porto.
A proposta apresentada pelo PCP em 26 de Setembro, na Assembleia da República, pretende mudar as instalações do Museu Militar para outro local e criar o Museu da Resistência Antifascista no Porto, instituindo ao mesmo tempo a Rede Nacional de Museus da Resistência, permitindo a articulação entre o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, de Lisboa, o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, de Peniche, e este novo espaço. Em 2018, o Ministério da Defesa, em resposta aos deputados comunistas, assumiu a inteira disponibilidade para deslocalizar o seu museu, nomeando diversas infra-estruturas que poderiam receber o seu espólio.
O espaço é, desde 2015, partilhado pela URAP e o Museu Militar, estando patente uma exposição com o título Do Heroísmo à Firmeza - Percurso na memória da casa da Pide no Porto - 1934-1974, que não colide com o projecto do Museu Militar.
Direita continua com dificuldade em lidar com o seu passado
«Urge dar um novo passo na valorização deste espaço como local de memória e homenagem às vítimas do fascismo e à luta pela democracia», refere o documento apresentado pelo PCP. A proposta foi aprovada com o votos favoráveis do PS, BE, Livre e PCP, a abstenção do PSD e da Iniciativa Liberal, e os votos contra do Chega e do CDS-PP, incapazes de se libertarem das suas pesadas heranças.
«O edifício do Heroísmo é um símbolo do regime fascista e, como antiga sede da polícia política, é o local adequado e justo para documentar, musealizar e, dessa forma, homenagear a luta pela liberdade daqueles que lá estiveram detidos e ali resistiram para construir no nosso país o 25 de Abril e o seu projeto emancipador de liberdade, progresso e desenvolvimento social», afirmam os comunistas.
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
A Doutrina Invisível - A História Secreta do Neoliberalismo
O neoliberalismo (eu sugeria anarco-capitalismo) instalou-se nas nossas vidas como se fosse algo natural. Geralmente temos dificuldade em defini-lo e em perceber o mal que nos pode trazer. Este livro vem mudar isso.
Que somos nós? Éramos cidadãos, mas, hoje, parece que fomos reduzidos a consumidores. Da década de 1930 para cá, a ideia de que é a competição que nos define como espécie foi sendo adoptada e alimentada por elites, determinadas em preservar as suas fortunas e o seu poder. Think tanks, corporações, os media, as universidades e os políticos tornaram-se a força motriz para difundir e cristalizar uma ideologia que nos esvazia enquanto pessoas, que exclui direitos e promove o neoliberalismo como doutrina que regula, secreta e silenciosamente, a nossa existência. Mas o que é o neoliberalismo? Por que razão estamos subjugados a ele?
George Monbiot e Peter Hutchison traçam a história do nascimento e da ascensão do neoliberalismo. Os autores argumentam que o neoliberalismo está por trás de crises como as alterações climáticas, a precariedade dos serviços públicos, as catástrofes financeiras e a pobreza infantil, tudo isso enquanto enfraquece a democracia em favor do poder económico.
O livro também conecta o neoliberalismo ao ressurgimento de formas autoritárias de governo e propõe uma alternativa de democracia participativa baseada no conceito de "suficiência privada, luxo público".
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sábado, 26 de julho de 2025
“Tachos e tachinhos” atingem novo máximo em Portugal com Governo de Montenegro
O número de “tachos e tachinhos” no Governo de Luís Montenegro atingiu um novo máximo no terceiro trimestre de 2024, ao subir 48% face ao final de 2015, para 26,4 mil cargos, o que confirmou uma tendência que disparou durante a governação de António Costa.
De acordo com dados do Instituto Mais Liberdade, nunca houve tantos empregos públicos com vínculo de comissão de serviço, cargo político ou mandato, que abrangem todos os níveis da Administração Pública: central, regional e local. No cargo político estão ainda assessores e pessoal de apoio aos gabinetes do Governo, grupos parlamentares e autarquias.
Entre 2015 e o terceiro trimestre de 2024, há mais 8.508 cargos, sendo que 2.731 dizem respeito à administração central e 5.449 no local. Desde a chegada de Luís Montenegro ao Governo, os números dispararam para 26.358 cargos, sendo que 13 mil são de dirigentes intermédios e mais de quatro mil são representantes do poder legislativo – os restantes são técnicos e dirigentes superiores.
André Pinção Lucas, diretor executivo do Instituto Mais Liberdade, salientou que “devíamos, como sociedade, fazer um escrutínio maior destes cargos e questionar os Governos sobre a desagregação destes números pelo tipo de funções e perceber os motivos destes aumentos”. De acordo com o responsável, “só assim conseguiremos caminhar para um Estado mais eficiente e com menos gorduras”.
“É um hábito muito português na nossa política: quando há um problema, cria-se um grupo de trabalho, uma comissão ou nomeia-se um líder. E envia-se um sinal à sociedade de que alguma coisa está a ser feita”, apontou, destacando que “na maioria dos casos, é um placebo, com pouca eficácia”.
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Acabar com os tachos
O Chega conquistou grande parte do seu eleitorado com a promessa que ia acabar com os tachos… ora, vamos perceber primeiro o que é um tacho.
É considerado um tacho político, ao cargo que é atribuído por lealdade partidária ou amizade, e não por mérito pessoal.
O Chega sempre teve esta como uma das suas maiores lutas. Acabar com os tachos que PS e PSD atribuíam aos seus próximos.
Entretanto, a assembleia da república tem sessenta deputados eleitos pelo chega, grande parte deles tinham rendimentos muito baixos, nalguns casos miseráveis, no ano anterior à sua entrada no parlamento.
A escolha destas pessoas é da exclusiva responsabilidade do presidente do partido, André Ventura.
Ventura já disse várias vezes que quando ganhar as eleições vai escolher os melhores para os ministérios, mas que credibilidade tem esta afirmação, quando escolheu os piores para a sua bancada parlamentar?
Ventura é uma pessoa com um ego imensurável, que precisa que os que estejam à sua volta o estejam consistentemente a bajular, a idolatrar.
Basta ver o que faz o líder da bancada parlamentar nas sessões plenárias, uma bajulação permanente e nalguns casos quase ao nível do endeusamento pacóvio.
Pedro Pinto era empresário na área da organização de eventos tauromáquicos, e é bom de ver pelos seus rendimentos, que era um dos piores na sua área, Ventura achou que era a pessoa ideal para ser líder da bancada parlamentar.
Declarou rendimentos de cerca de 16 mil euros anuais brutos, o que depois de impostos e segurança social lhe sobra menos que o salário mínimo nacional.
Das duas uma, ou é o pior na sua área, ou andou a fugir aos impostos de forma descarada.
Rita Matias, a menina dos olhos de Ventura é capaz de ser o caso mais anedótico da nossa democracia, senão vejamos.
A Rita nunca trabalhou na vida, pelo menos tendo em conta os rendimentos que declarou no ano anterior à sua entrada na AR, zero rendimentos.
A Rita tem voz todos os dias na casa da democracia, e nas televisões portuguesas.
A Rita nunca trabalhou, não faz a mínima ideia do que é procurar um emprego, não tem a mínima noção do que é começar uma carreira do zero, lutar pelo seu lugar laboral, ir a entrevistas de emprego, ser preterida em detrimento de outros. Zero.
O papá da Rita é amigo do Ventura, então falou com ele para arranjar um tacho para a sua rica filha.
Já houve muitos tachos em Portugal, mas arrisco-me a dizer que nenhum tão grande como o da Rita, que passou de zero euros de rendimento para sessenta mil por ano.
Esta gente convenceu mais de um milhão de portugueses que vai acabar com os tachos, e agora, enquanto alguns pobres que votaram neles contam os trocos para comer ao fim do mês, eles continuam a encher a conta pessoal, sem nunca se terem destacado em área nenhuma, apenas porque são amigos de Ventura, aquele que vai acabar com os tachos, enquanto enche as contas bancárias de quem o idolatra, com o dinheiro de todos nós.
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terça-feira, 22 de julho de 2025
Não existe um Partido Islâmico Português
Circula no TikTok um print screen de uma página de Facebook de um suposto partido chamado “Partido Islâmico Português”. “Estes já têm partido e aposto que não vão tentar ilegalizá-lo, como tentaram com o Chega”, diz um utilizador que partilhou a imagem na rede social.
No print screen da página de Facebook lê-se: “O Partido Islâmico Português tem como objetivo mostrar aos portugueses que a religião muçulmana é uma religião de paz.” Mas será que este partido existe mesmo?
Como o Polígrafo verificou em agosto de 2024, não. A página de Facebook mantém-se ativa, mas nem nos registos do Tribunal Constitucional nem dos da Comissão Nacional de Eleições (CNE) se encontra um Partido Islâmico Português. Nem na lista de partidos inscritos, nem na dos já extintos.
Desde a última verificação do Polígrafo sobre esta questão apenas um novo partido foi registado: o Partido Liberal Social, a 11 de março de 2025.
Tal como era em agosto de 2024, continua a ser falso que exista o Partido Islâmico Português. Não passa de uma página criada na rede social Facebook.
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