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sexta-feira, 10 de julho de 2026
Dennis Kelleher of Better Markets - How "termites" are undermining financial stability
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domingo, 7 de junho de 2026
Vergonha do Dia D! Pete, do Pentágono, envergonha os nossos heróis caídos da Segunda Guerra Mundial na cerimónia da Normandia ao comparar os barcos dos migrantes à invasão aliada contra os nazis!
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terça-feira, 2 de junho de 2026
Ouçam o discurso de Noah Eckstein: O fim da escuta - porque já não sabemos debater? Um manifesto anti-polarização
Noah Eckstein inicia o seu discurso de forma descontraída, recorrendo à estrutura de uma piada tradicional: um cristão, um muçulmano e um judeu entram num bar. Contudo, contextualiza que, na sua própria família, essa união resultou no casamento dos seus avós e, gerações mais tarde, no seu próprio nascimento como um judeu orgulhoso que também celebra as heranças cristã e muçulmana da sua família.
O ponto central da mensagem de Eckstein baseia-se na lição que aprendeu com os seus avós (um muçulmano paquistanês que cresceu durante a guerra de 1947 e um refugiado judeu do Holocausto): o oposto da divisão não é o acordo, mas sim a compreensão. Ele destaca que o mundo atual nos empurra constantemente para binários e visões polarizadas (esquerda vs. direita, progressista vs. conservador, nós vs. eles), exigindo sempre que escolhamos um lado.
Os seus avós discordavam em inúmeros temas morais e ideológicos, mas mantinham o hábito de se sentar à mesa a debater e a demonstrar preocupação mútua. Eckstein lamenta que a sociedade atual tenha perdido essa capacidade; os debates tornaram-se mais barulhentos, as pessoas discutem apenas para vencer ou humilhar o adversário, e o indivíduo do outro lado deixou de ser visto como uma pessoa para passar a ser visto como um obstáculo.
O orador salienta que tentar compreender quem pensa de forma diferente não significa desculpar atos monstruosos ou abdicar dos próprios ideais. Pelo contrário, compreender o percurso e as motivações do outro é uma ferramenta crucial, aplicável tanto aos grandes conflitos geopolíticos como às pequenas interações do dia a dia — seja com um familiar no jantar de Ação de Graças ou com um colega de turma na faculdade.
Ao concluir, Eckstein deixa um desafio aos recém-graduados de Harvard: quando encontrarem alguém com quem discordam, devem defender as suas convicções, mas também devem colocar-se no lugar do outro e escutar como se pudessem estar errados. Lembra que os seus avós morreram fiéis às suas próprias crenças e tradições, sem nunca cederem nos seus ideais, mas mantiveram sempre o respeito mútuo. Num mundo profundamente fraturado, a verdadeira mudança e a cura das divisões só serão possíveis através de um esforço genuíno para compreender a humanidade do próximo.
Uma pequena bio aqui
Fez-me relembrar uma citação famosa "O oposto da guerra não é a paz... É a criação!" que consta numa obra de teatro musical, "Rent" (1996) composta por Jonathan Larson.
Em 2005 estreou a adaptação para o cinema de Rent, sob a direção de Chris Columbus.
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terça-feira, 19 de maio de 2026
O declínio da ordem democrática e a emergência da Pós-Democracia
Hoje, parece que a democracia deixou de ser a força motriz do desenvolvimento político que foi durante o último meio século. Há sinais de que isso é evidente.
A ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial concebia a democracia como a forma ideal de governo, baseada em três ideias fundamentais: a eleição popular de autoridades através de sufrágios livres, competitivos, igualitários e secretos; a separação de poderes; e a expansão dos direitos humanos no âmbito do Estado de Direito. Tudo isto, além disso, ocorreu num contexto de crescente reconhecimento do pluralismo.
Este panorama consolidou-se no contexto da "terceira vaga" teorizada por Samuel Huntington, que abrange os processos democratizadores ocorridos nas duas décadas que separam os países do sul da Europa dos do leste. O fracasso do comunismo, do militarismo desenvolvimentista e de vários modelos de regimes sultanistas era evidente, e quase todos os países latino-americanos se viram imersos nesse movimento. Restaram apenas casos desviantes, como Cuba, mas a maioria aparentemente seguiu o caminho da chamada consolidação democrática.
O sucesso desta transformação no final do século passado traduziu-se num novo impulso na ciência política e numa agenda para a "qualidade da democracia", que consiste em mensurar o seu comportamento de acordo com abordagens teóricas pioneiras, desenvolvidas, entre outros, por Guillermo O'Donnell e Leonardo Morlino. Isto levou a avanços significativos na análise da democracia com base na avaliação dos seus componentes. A Freedom House, a The Economist Intelligence Unit, a Fundação Bertelsmann, a International IDEA e o Projeto V-DEM foram os agentes mais proeminentes na condução destes estudos.
Os Sintomas de Fadiga e a Revolução Digital
A reviravolta global provocada pela pandemia exacerbou os sintomas de fadiga que vários países, em diferentes níveis da estrutura democrática, vinham a experimentar. A desconfiança nas instituições, o desapego face à democracia e a crise de representação política — evidentes em partidos fragmentados e voláteis, com uma identidade reduzida e difusa — tornaram-se patentes. Isto foi também articulado pela centralidade de líderes inexperientes, empurrados para a arena política por consultores de comunicação especializados. Além disso, na maioria dos países latino-americanos, os fracos resultados no combate à insegurança pública e à corrupção desacreditaram ainda mais a política.
Este cenário completou-se com uma sociedade transformada pela revolução digital exponencial:
- O crescente individualismo e a articulação de diferentes identidades nas redes sociais emergentes (que romperam com as formas anteriores de interação social);
- Novos mecanismos de informação e comunicação que alcançavam as pessoas de forma personalizada, imediata e viral;
O domínio da pós-verdade, marcado por formas de manipulação da realidade.
Tratou-se, em suma, da consolidação de uma "sociedade do cansaço", segundo Byung-Chul Han, que explorou o estado da "sociedade líquida" descrita por Zygmunt Bauman ao teorizar sobre a sociedade de consumo.
Hoje, parece que a democracia deixou de ser a força motriz do desenvolvimento político que foi durante o último meio século. Nada sugere que o inegável consenso estabelecido se mantenha. Os sinais são claros.
O Cenário Pós-Democrático e as Três Ameaças
O mundo é atualmente movido por conglomerados tecnológicos em constante crescimento, com uma escala financeira sem precedentes. Estes agem em conjunto com a alienação dos seres humanos, desenvolvendo novas formas de ação coletiva incompatíveis com a forma como a democracia, agora desarticulada, evoluiu ao longo de décadas, abrindo caminho para um cenário pós-democrático invulgar e incerto, onde a polarização emocional se mostra um instrumento eficaz.
Dentro da ambiguidade do termo, e em meio ao desmantelamento do multilateralismo como caminho para uma ordem mundial minimamente operacional, emergem três fenómenos, aos quais se soma agora a disrupção provocada pela inteligência artificial (IA):
1. A capacidade autodestrutiva inerente: Há atores internos cujo comportamento é desleal, ou mesmo "semileal", como denunciou Juan Linz. Um exemplo é Vladimir Putin, que já foi presidente graças ao voto popular, mas iniciou de imediato a erosão do credo democrático, esmagando a oposição e controlando todas as alavancas do poder. O chavismo, Daniel Ortega e Nayib Bukele fizeram o mesmo, com resultados devastadores para os seus países.
2. A retórica populista e nacionalista: Diz respeito ao caminho perigoso trilhado por Donald Trump e os seus seguidores na Europa e na América Latina. O seu comportamento mina os direitos humanos ao bloquear políticas de inclusão, diversidade e igualdade, e ao criar bodes expiatórios para escoar a ira de uma população seduzida por múltiplas formas de manipulação da realidade. A retórica nacionalista, bem como os ataques aos meios de comunicação independentes, a intelectuais e a grupos de oposição, minam qualquer estrutura de consideração e respeito pelo pluralismo.
3. O modelo autoritário de sucesso: Refere-se ao modelo chinês de inegável sucesso económico e enorme transformação social, impulsionado pela urbanização e pela elevação dos padrões educativos e de saúde. Assim, o autoritarismo chinês tornou-se um estímulo à manutenção de formas antidemocráticas noutros países.
O Impacto da Inteligência Artificial
Por sua vez, a IA está a revelar-se uma ferramenta disruptiva que impacta drasticamente a desinformação e fomenta o conhecimento profundo das preferências das pessoas, tornando a participação política convencional obsoleta. Não será surpresa, portanto, que a forma como os eleitores se deslocam regularmente às urnas seja em breve substituída, tal como a forma como elegem os seus representantes.
A pós-democracia, em suma, representa um espaço incerto que responde aos desafios da sociedade digital, sendo, ao mesmo tempo, a consequência do cerco histórico sofrido pela democracia representativa e das suas falhas em enfrentar os problemas dos cidadãos e responder às suas exigências.
E em Portugal? Marca na agenda: faz greve no dia 3 de Junho
segunda-feira, 30 de março de 2026
EPA chief met with Bayer CEO over supreme court fight, agency records show
Top US regulators met with Bill Anderson, Bayer’s CEO, last year to discuss “litigation” issues – including “supreme court action” over its glyphosate weed killer – just months before the Trump administration took a series of steps to boost Bayer’s case at the high court, internal government records show.
The 17 June meeting, between officials at the Environmental Protection Agency (EPA), Anderson and two other top Bayer executives, came as the Germany-based company was working to quash costly US litigation brought by tens of thousands of people who allege they developed cancer from their use of the company’s glyphosate-based herbicides, such as Roundup.
At the core of those lawsuits are claims that the company failed to warn users of the risk of cancer, as shown in several research studies over many years.
One of Bayer’s stated key strategies to try to end the litigation, which has so far cost Bayer billions of dollars in settlements and jury verdict awards, is getting the supreme court to agree with Bayer’s argument that if the EPA does not require a cancer warning on its glyphosate products, the company cannot be held liable for failing to warn of a cancer risk.
While one appellate court has sided with Bayer, multiple other courts have rejected that preemption argument, as did the US solicitor general under the Biden administration. In contrast, the Trump administration has acted to defend and promote Bayer’s position and its glyphosate herbicides.
In a statement Bayer said the meeting at the EPA was a “normal part of the regulatory process” and that the company has been “transparent about our position” regarding glyphosate litigation.
The show of administration support has largely come after that 17 June meeting, which government email communications and visitor logs confirm took place with Anderson and the other Bayer executives arriving at the EPA on the appointed day a little before 1pm.
According to a 13 June internal EPA email planning for the meeting, Bayer’s team was “going to bring up some legal/judicial issues”, and discussion topics were to include “supreme court action”.
The company would “give an update to the administrator on where they stand in litigation and labeling options”, the planning email states.
The meeting came less than two weeks ahead of a request from the Supreme Court for the Trump administration’ Justice Department to weigh in on whether or not the court should agree to hear Bayer’s case.
The EPA officials attending the meeting with Bayer were to include Lee Zeldin, the agency’s administrator, along with Nancy Beck, formerly senior director at the American Chemistry Council who is now the EPA’s principal deputy assistant administrator in the Office of Chemical Safety and Pollution Prevention.
Sean Donahue, who was confirmed last May as the EPA’s general counsel, and Turner Bridgforth, senior adviser for Office of Agriculture and Rural Affairs at the EPA, were also to attend.
“It’s becoming abundantly clear that the political appointees at the EPA are more invested in protecting pesticide company profits than the health of Americans,” said Nathan Donley, environmental health science director for the Center for Biological Diversity, which obtained the email communications in a Freedom of Information Act request and provided them to the Guardian.
“When the CEO of one of the largest companies in the world is meeting with political appointees in a US regulatory office, it shows just how much power and influence these corporations have on decisions that can have very real consequences for the health of all Americans,” he said.
“The Trump EPA seeks input from a broad range of stakeholders, including MAHA advocates, doctors, scientists, farmers, and ranchers to ensure our policies are grounded in transparent, gold-standard science, and advance the Make America Healthy Again agenda,” Brigit Hirsh, the EPA press secretary, said in a statement. The meeting with Bayer was “a standard introductory meeting” and was not a meeting to discuss pending litigation, Hirsh said. She did not explain why the planning email for the meeting specifically said litigation would be discussed.
Multiple moves supporting Bayer
Since the meeting, the Trump administration’s support for Bayer has taken many forms.
In a 1 December filing with the US supreme court, D John Sauer, the solicitor general appointed by the Trump administration in April 2025, told the court that it should take up the Bayer case, and the supreme court subsequently agreed to do so, setting a hearing for 27 April.
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quinta-feira, 26 de março de 2026
Análise: como o capitalismo digital e o tecnofascismo estão a reproduzir antigas estruturas de dominação
Em parceria com a revista FCW Cultura Científica, da Fundação Conrado Wessel, o The Conversation Brasil publica uma série sobre os efeitos políticos, sociais e institucionais das redes digitais. Nesta edição, o investigador Vinício Carrilho Martinez, professor da UFSCar, analisa de que modo algoritmos, plataformas e a concentração de poder tecnológico reorganizam o espaço público, intensificam a polarização e abrem caminho para novas formas de autoritarismo. Para ele, o tecnofascismo é uma forma contemporânea de dominação em que a vigilância, o controlo e a indução de condutas passam a operar por meio de plataformas e algoritmos, sob a aparência de liberdade.
O momento global e, em especial, o brasileiro — num ano de eleições gerais no país —, não pode ser entendido apenas como um período de grande aceleração tecnológica, crise política conjuntural e geopolítica ou ainda como uma mutação do capitalismo. Há algo mais além do que a vista alcança: está em curso uma convergência entre o capitalismo digital, a reorganização das formas de controlo e a manutenção de estruturas históricas de dominação.
À escala mundial, as plataformas transformaram dados, atenção e comportamento em mercadoria e em instrumento de poder. No Brasil, este processo agrava-se porque encontra um terreno já marcado pelo racismo institucional, pelo patriarcalismo e pelo pensamento esclavagista. É desta articulação entre a hipermodernidade tecnológica e o passado que emerge a gramática do tecnofascismo.
Podemos considerar o capitalismo digital como uma atualização do próprio capitalismo. O centro da acumulação, porém, desloca-se da produção material para a produção de dados, da mercadoria física para a mercadoria informacional. O dado humano — ações, desejos, medos, rotinas, cliques, palavras digitadas — passa a ser o núcleo da valorização. O humano torna-se objeto de exploração total, já não apenas como força de trabalho, mas como fonte permanente de informação e vigilância.
A fórmula segundo a qual "o produto és tu" ajuda a descrever uma parte do problema, mas não o esgota. Mais do que mercadoria, o sujeito torna-se um trabalhador invisível deste sistema: produz circulação, gera envolvimento (engagement), alimenta plataformas, treina mecanismos, deixa rastos, sustenta cadeias inteiras de rentabilidade sem que essa produção apareça como trabalho. E sem qualquer remuneração.
Convém retomar o problema desde as suas bases. A neutralidade técnica, neste contexto, é uma ficção conveniente. A própria internet, de acordo com as suas origens, não nasceu isenta: surgiu como um projeto militar. A ARPANET (rede de computadores criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos no final dos anos 1960) é considerada a precursora da internet. A Guerra Fria (1947–1991), a ideia de vantagem estratégica no campo das comunicações e da guerra futura mostram que a técnica emergiu articulada com as necessidades do poder.
Houve processos de democratização, sem dúvida, mas ainda insuficientes para apagar a base originária de controlo. Esta associação entre técnica e política é antiga. O nazismo já o tinha demonstrado com a rádio, convertida em instrumento de difusão ideológica e de concentração do discurso autorizado. Hoje, o dispositivo mudou; a lógica autoritária de exclusão da crítica e de centralização da palavra não desapareceu. Apenas mudou de roupa.
Controlo por adesão
A compreensão dos algoritmos contém essa visão. Eles não são, obviamente, uma abstração neutra. Os algoritmos não se organizam sozinhos, não se responsabilizam, não se corrigem sozinhos e tendem a reproduzir e a aprofundar o imaginário social sedimentado. É o caso da IA (inteligência artificial) que reproduz uma reunião empresarial composta por homens brancos, regista a participação de mulheres apenas de forma subordinada e não consegue inserir a presença de uma mulher negra.
Pois bem: isto não é um erro lateral do sistema, é estrutura, uma codificação da exclusão. O mesmo vale para o regime de visibilidade: um vídeo vindo de uma comunidade indígena, ainda marcada pela sua ancestralidade, não circula; ao passo que a misoginia convertida em espetáculo e a brutalização transformada em recurso mediático encontram ampla difusão. O algoritmo organiza o visível e o invisível. Define o que aparece e o que desaparece.
É justamente aí que o tecnofascismo se diferencia do fascismo histórico e, ao mesmo tempo, o prolonga. O fascismo clássico dependia da coerção visível, da violência direta, da censura, da polícia, do aparato estatal ostensivo. No tecnofascismo, a dominação é internalizada. Torna-se difusa, invisível e quotidiana. O sujeito acredita estar a agir livremente, mas está dentro de uma arquitetura de controlo projetada por algoritmos e sistemas automatizados.
O tecnofascismo não precisa de calar, porque a própria lógica digital já define o que é visível e o que desaparece. O controlo não é imposto de fora; dá-se de dentro, pela adesão ao sistema. É por isso que pode ser definido como o fascismo do algoritmo, o fascismo do like, o fascismo do controlo sedutor. Disfarça-se de liberdade, mas opera como vigilância permanente e como colonização da subjetividade.
O eterno retorno
No plano global, as grandes plataformas (big techs) constituem o núcleo duro deste processo. Não são apenas empresas; configuram-se como novos impérios. Controlam a infraestrutura da comunicação global, privatizam a esfera pública, transformam a comunicação humana em negócio. O capital digital extrai valor do tempo, da atenção e da emoção. Trata-se, em sentido rigoroso, de um capitalismo da vigilância e da extração psíquica. O que se compra e se vende não é apenas consumo, mas comportamento.
Estas corporações não apenas registam o que fazemos; orientam o que devemos desejar, amar, temer ou odiar. O que antes aparecia como um poder mais difuso, hoje apresenta-se de forma ostensiva, mediática, visível. O Estado-plataforma deixou de ser uma hipótese e tornou-se uma realidade dominante.
No Brasil, porém, este processo encontra uma formação histórica específica. Quando se fala em modernidade tardia, não se trata apenas de um atraso cronológico em relação às economias centrais. Trata-se de um passado que está sempre presente, que não se descola. Patriarcalismo, patrimonialismo, nepotismo, racismo institucional, pensamento esclavagista: tudo isto se recompõe e reaparece. Muda de roupa, mas retorna.
O caso da professora negra aprovada em primeiro lugar para uma vaga em linguística africana e atingida pela anulação do concurso mostra exatamente isso: o passado a reaparecer por via do próprio Estado. O racismo institucional não é um acidente. É permanência histórica. É uma das formas pelas quais o passado continua a bater à porta.
A mesma lógica vale para a exploração do trabalho análogo à escravatura. A formação social brasileira entra na hipermodernidade sem ter rompido com formas económicas e mentais pré-capitalistas. A "uberização" talvez seja o exemplo mais evidente da atualização tecnológica da escravização.
O trabalhador sem garantias, sem proteção, sem estabilidade, sem direitos, submete-se ao ritmo de trabalho que conseguir suportar, ao bel-prazer da empresa a cada chamada, a cada serviço, a cada fatia retirada do seu trabalho, sem a contrapartida correspondente. Vale para o motorista, para o estafeta (motoboy), para o trabalhador da cultura, para o professor submetido à plataformização do ensino. Passado e presente, no caso brasileiro, estão absolutamente juntos.
Um passado que permanece presente
É baseado nesta junção entre capitalismo digital, pensamento esclavagista, regime algorítmico de visibilidade e mobilização política reacionária que o tecnofascismo ganha uma forma histórica concreta. A misoginia, o racismo, a adultização, a proliferação neonazi, os discursos anticientíficos e antivax (vacinas) não circulam apenas porque existem produtores desses conteúdos, mas porque há uma economia política da atenção que os favorece.
O envolvimento (engagement) do algoritmo premeia o extremismo. A lógica das plataformas amplia os conteúdos que melhor mobilizam o medo, o ódio e a adesão. O tecnofascismo encontra aí a sua base social real. Se antes ainda se podia insistir na categoria da manipulação, hoje isso já não basta. O que se vê é identificação. O sujeito não apenas consome o discurso; ele reconhece-se, adere à sua gramática, incorpora e reproduz os seus valores.
Os efeitos destes fenómenos são mais intensos no Brasil não apenas porque a regulação é insuficiente, mas porque as condições estruturais são terrivelmente frágeis. A democracia está em processo de fortalecimento, com marcos históricos recentes e fundamentais, como a responsabilização de militares de alta patente por crimes contra a democracia.
Mas isso também evidencia que a disputa segue aberta. O terreno continua fértil para o tecnofascismo porque aquilo que ainda coloniza o Brasil não foi superado. A hipermodernidade não o dissolveu; apenas lhe forneceu novos meios, novas linguagens e novos dispositivos. Talvez por isso a melhor definição do nosso tempo seja mesmo a de realismo trágico. Não se trata de uma distopia futura. Trata-se da forma contemporânea de uma tragédia já instalada no presente.
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Autocracia, Inc. - Os Ditadores que Querem Governar o Mundo

As instituições democráticas foram desenhadas para um mundo analógico onde a informação fluía lentamente através de canais controlados, onde o poder económico estava relativamente disperso, onde o Estado-nação era a unidade política primária
As democracias liberais não estão a ser destruídas por tanques ou golpes militares. Isto é dito, mais ou assim, por Anne Applebaum, historiadora e jornalista premiada, que nos tem alertado consistentemente para a erosão das democracias liberais. Ainda muito recentemente o fez em entrevistas a órgãos de comunicação portugueses como o "Público" e o "Expresso", e no seu mais recente livro "Autocracy, Inc..". As suas análises sobre a aceleração autoritária, o papel destrutivo das plataformas digitais e os riscos existenciais para a Europa fornecem um quadro interpretativo essencial para compreender o momento histórico que atravessamos. A reflexão que se segue parte dessas conversas e da urgência que transmitem: as democracias ocidentais enfrentam uma ameaça sem precedentes, e a janela para a resistência eficaz fecha-se rapidamente. Não se trata de alarmismo, mas de diagnóstico rigoroso sobre por que razão as instituições democráticas estão a falhar na contenção de forças autocráticas que operam com velocidade e coordenação inéditas.
Estão a desintegrar-se por dentro, corroídas por forças que exploram as suas vulnerabilidades estruturais com precisão cirúrgica. O que presenciamos – dos Estados Unidos à Europa – não é um ataque frontal às instituições democráticas, mas a sua captura e esvaziamento gradual. Um processo que mantém aparências formais enquanto destrói a substância. A velocidade desta transformação revela algo perturbador: os mecanismos de defesa que as democracias construíram ao longo de décadas revelam-se trágica e surpreendentemente inadequados.
A questão central já não é se as democracias podem resistir aos avanços autocráticos, mas por que razão estão a falhar tão espetacularmente. A resposta encontra-se num desalinhamento estrutural profundo: as instituições democráticas foram construídas para um mundo que já não existe.
Durante gerações, operámos sob uma premissa reconfortante: as instituições funcionariam como barreiras automáticas contra a concentração autoritária de poder. Tribunais independentes, imprensa livre, separação de poderes – estas estruturas seriam suficientes. Esta confiança institucional transformou-se na nossa principal vulnerabilidade.
Estamos perante um colapso da arquitetura institucional das democracias liberais. As instituições democráticas foram desenhadas para um mundo analógico onde a informação fluía lentamente através de canais controlados, onde o poder económico estava relativamente disperso, onde o Estado-nação era a unidade política primária. Nenhuma destas premissas se mantém. A informação flui instantaneamente através de redes globais algoritmicamente mediadas. O poder económico concentrou-se em corporações tecnológicas que operam acima de qualquer jurisdição nacional. Os fluxos financeiros atravessam fronteiras em milissegundos, tornando a regulação nacional obsoleta.
Mais fundamentalmente, as instituições democráticas pressupõem boa-fé dos atores políticos. A separação de poderes funciona se todos os poderes aceitarem limitações mútuas. O escrutínio parlamentar funciona se o executivo reconhecer a autoridade do parlamento. A independência judicial funciona se as decisões judiciais forem respeitadas. Quando um ator político decide operar deliberadamente fora deste quadro, explorando sistematicamente brechas e zonas cinzentas, as instituições revelam-se surpreendentemente frágeis.
O Congresso americano tem poder constitucional imenso sobre o Presidente. Mas todo este poder depende da vontade de o exercer. Quando a maioria parlamentar decide não confrontar o executivo, por medo de retaliação, por pressão nas redes sociais, por cálculo político de curto prazo, o poder constitucional torna-se irrelevante. As instituições não se defendem sozinhas; dependem de pessoas dispostas a fazer escolhas que envolvem perdas ou sacrifícios para as preservar.
A fragmentação da realidade constitui o golpe mais profundo nas fundações democráticas, isto é, estamos perante a destruição da realidade partilhada. As democracias sempre conviveram com divergências ideológicas intensas, mas partilhavam um terreno factual comum. Essa base desapareceu. Não estamos perante cidadãos com opiniões diferentes; estamos perante populações que habitam realidades factuais incompatíveis.
Esta fragmentação não é acidental, é o modelo de negócio das plataformas digitais. Os algoritmos foram deliberadamente desenhados para favorecer conteúdo que provoca reações emocionais intensas, porque essas reações se traduzem em métricas que sustentam modelos publicitários. As democracias ocidentais permitiram que esta arquitetura de manipulação fosse construída sem regulação significativa. Mais grave: permitiram que empresas americanas e chinesas se tornassem os principais mediadores do debate político. Vista retrospetivamente, esta abdicação parece incompreensível.
Desde os anos 90, as democracias ocidentais facilitaram a saída de dinheiro saqueado de países autocráticos, permitindo que fosse escondido em paraísos fiscais. Este dinheiro não desapareceu em cofres offshore, foi investido em imobiliário em Nova Iorque, Londres, Miami, Lisboa. Os efeitos foram múltiplos e devastadores. Este dinheiro corrompeu o sistema financeiro democrático, criando indústrias inteiras que lucram com o branqueamento de capitais autocráticos.
As democracias tornaram-se dependentes de fluxos financeiros ilícitos que minam a sua própria legitimidade. Quando esses fluxos começaram a financiar campanhas políticas, a captura do sistema tornou-se inevitável. Os oligarcas não precisaram de invadir as democracias ocidentais – compraram participações nelas.
As autocracias contemporâneas articulam-se através de três vetores: interesses financeiros partilhados, manipulação narrativa coordenada e cooperação militar. Esta é uma rede pragmática de interesses autocráticos que opera através das mesmas estruturas financeiras que as democracias construíram.
O que Putin levou duas décadas a consolidar está a ser tentado em meses nos Estados Unidos. Esta aceleração explora uma vulnerabilidade específica das democracias: a lentidão da resposta institucional. Instituições democráticas operam através de processos deliberativos que, pela forma como foram estruturados, são lentos. Quando confrontada com um ator que toma múltiplas decisões disruptivas simultaneamente, a lentidão transforma-se em paralisia.
Enquanto os tribunais analisam a legalidade de uma ação, três outras já foram implementadas. Esta sobrecarga cognitiva é precisamente o objetivo: fazer tantas coisas simultaneamente que a resistência se fragmente. A militarização atual de cidades cria imagens de conflito, habitua a população à presença militar, testa capacidades de resposta, provoca reações que justificam medidas ainda mais extremas. Cada ação prepara o próximo passo numa escalada calculada.
A desintegração da liderança americana cria, paradoxalmente, uma oportunidade para a Europa. Mas aproveitá-la exigiria coordenação que raramente demonstrou. As instituições europeias dependem de unanimidade que transforma decisão em paralisia. Quando um único país pode bloquear respostas coordenadas, a capacidade de ação coletiva evapora-se. Não será necessário dar exemplos, vejam-se as cimeiras e reuniões dos líderes europeus, sobre a Ucrânia, sobre Gaza ou sobre as taxas que Trump impõe.
A Europa permitiu que plataformas externas se tornassem mediadores primários do debate político europeu. Quando algoritmos amplificam mensagens que minam coesão europeia, a soberania democrática está materialmente comprometida. Regulação tecnológica torna-se questão de sobrevivência democrática, não de política industrial.
A transformação autoritária não é ainda irreversível, mas a janela fecha-se rapidamente. A Polónia (outubro de 2023) demonstrou que a reversão é possível através de mobilização política que transcende divisões partidárias. Mas exigiu reconhecimento claro de que o regime representava ameaça existencial à democracia.
O “resgate” não virá de instituições que magicamente começam a funcionar, mas de cidadãos que compreendem que defendem não um partido, mas as condições de possibilidade da democracia. Exige abandonar ilusões: que instituições existentes são suficientes, que processos normais produzirão resultados normais, que a ordem liberal pode ser preservada sem luta.
O momento histórico não oferece escolhas fáceis. Mas a escolha fundamental permanece binária: resistir ativamente à erosão autocrática ou acomodar-se gradualmente. A experiência histórica não oferece conforto à segunda opção. Nunca uma captura institucional se auto-reverteu sem resistência organizada.
Ainda não chegámos ao ponto de não-retorno. Mas podemos vê-lo no horizonte, aproximando-se à velocidade que só a inércia democrática permite. A resposta será escrita nos próximos meses por escolhas concretas. Cada decisão de resistir ou acomodar escreve mais uma linha nessa resposta. E quando o texto estiver completo, já não será possível reescrevê-lo. A história não oferece rascunhos.
domingo, 1 de novembro de 2020
Donald Brown - Is climate science disinformation a crime against humanity?
Although there is an important role for scepticism in science, for almost 30 years some corporations have supported a disinformation campaign about climate change science.
While it may be reasonable to be somewhat sceptical about climate change models, these untruths are not based upon reasonable scepticism but outright falsification and distortions of climate change science.
These claims have included assertions that the science of climate change has been completely "debunked" and that there is no evidence of human causation of recent observed warming. There are numerous lines of evidence that point to human causation even if it is not a completely settled matter. Reasonable scepticism cannot claim that there is no evidence of causation and some other claims frequently being made by the well-financed climate change disinformation campaign, and they amount to an utter distortion of a body of evidence that the world needs to understand to protect itself from huge potential harms.
On 21 October, 2010, John Broder of the New York Times, reported that "the fossil fuel industries have for decades waged a concerted campaign to raise doubts about the science of global warming and to undermine policies devised to address it".
According the New York Times article, the fossil fuel industry has "created and lavishly financed institutes to produce anti-global warming studies, paid for rallies and websites to question the science, and generated scores of economic analyses that purport to show that policies to reduce emissions of climate-altering gases will have a devastating effect on jobs and the overall economy."
Disinformation about the state of climate change science is extraordinarily – if not criminally – irresponsible, because the consensus scientific view is based upon strong evidence that climate change:
- Is already being experienced by tens of thousands in the world;
- Will be experienced in the future by millions of people from greenhouse gas emissions that have already been emitted but not yet felt due to lags in the climate system; and,
- Will increase dramatically in the future unless greenhouse gas emissions are dramatically reduced from existing global emissions levels.
Threats from climate change include deaths and danger from droughts, floods, heat, storm-related damages, rising oceans, heat impacts on agriculture, loss of animals that are dependent upon for substance purposes, social disputes caused by diminishing resources, sickness from a variety of diseases, the inability to rely upon traditional sources of food, the inability to use property that people depend upon to conduct their life including houses or sleds in cold places, the destruction of water supplies, and the inability to live where has lived to sustain life. The very existence of some small island nations is threatened by climate change.
As long as there is any chance that climate change could create this type of destruction, even assuming, for the sake of argument, that these dangers are not yet fully proven, disinformation about the state of climate change science is extraordinarily morally reprehensible if it leads to non-action in reducing climate change's threat. In fact, how to deal with uncertainty in climate change science is an ethical issue, not only a scientific matter, because the consequences of delay could be so severe and the poorest people in the world as some of the most vulnerable.
The corporations that have funded the sowing of doubt on this issue are clearly doing this because they see greenhouse gas emissions reduction strategies as adversely affecting their financial interests.
This might be understood as a new type of crime against humanity. Scepticism in science is not bad, but sceptics must play by the rules of science including publishing their conclusions in peer-reviewed scientific journals and not make claims that are not substantiated by the peer-reviewed literature. The need for responsible scepticism is particularly urgent if misinformation from sceptics could lead to great harm.
We may not have a word for this type of crime yet, but the international community should find a way of classifying extraordinarily irresponsible scientific claims that could lead to mass suffering as some type of crime against humanity.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Donald Brown - An Ethical Analysis of the Cancun Climate Negotiations Outcome
The Cancun Agreements of the 2010 UN Climate Summit do not represent a success for multilateralism; neither do they put the world on a safe climate pathway that science demands, and far less to a just and equitable transition towards a sustainable model of development. They represent a victory for big polluters and Northern elites that wish to continue with business-as-usual. (IBON, 2010)
fonte:Rock Ethics Institute
Climate change is an ethical problem because: (a) it is a problem caused by some people in one part of the world that puts people and the natural resources on which they depend in other parts of the world at great risk, (b) the harms to these other people are not mere inconveniences but in some cases catastrophic losses of life or the ability to sustain life, and (c) those who are vulnerable to climate change cant petition their government to act to protect themselves but must rely upon a sense of justice and responsibility of those causing the problem. Because climate change raises civilization challenging ethical questions, any proposed climate change regime must be examined through an ethical lens.
This post reviews the Cancun outcome through an ethical lens in light of the overall responsibility of those nations who are exceeding their fair share of safe global emissions in regard to their duties: (a) to reduce greenhouse gas emissions to levels necessary to prevent harm to others, (b) to reduce greenhouse gas emission to levels consistent with what is each nation's fair share of total global emissions, and (c) to provide financing for adaptation measures and other necessary responses to climate change harms by those who are most vulnerable and least responsible for climate change.
To understand the significance of what happened in Cancun, it is necessary to briefly review the history of international negotiations leading up to Cancun. That is, it is not sufficient to simply examine what happened in Cancun without seeing Cancun in the context of twenty-year negotiating history that had as its goal the prevention of dangerous climate change and the harms that each year of delay in agreeing to a global deal exacerbate.
II. The Path To The Cancun Agreement
The Cancun conference took place from November 29 to December 10, 2010. The Cancun goals were modest in light of the failure of COP-15 in Copenhagen the year before to achieve an expected global solution to climate change. Copenhagen was expected to produce a global solution to climate change pursuant to a two-year negotiating process that was agreed to in Bali, Indonesia, two years before Copenhagen in December 2007.
To understand the ethical significance of the Cancun, it is necessary to review the twenty-year history of climate change negotiations that led to Copenhagen and Cancun. This history constitutes a mostly failed attempt over two decades to adopt a global solution to climate change.
Negotiations on a global climate change deal began in 1990 that led in 1992 to the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). (Bodansky,2001) The negotiation process began in December 1990, when the UN General Assembly established the Intergovernmental Negotiating Committee for a Framework Convention on Climate Change, to negotiate a convention containing "appropriate commitments" in time for signature in June 1992 at the United Nations Conference on Environment and Development in Rio de Janeiro. This treaty itself did not contain binding greenhouse gas (ghg) emissions limitations for countries but nevertheless included numerous other binding national obligations. Among other things, for instance, the parties to the UNFCCC agreed that:
(a) They would adopt policies and measures to prevent dangerous anthropogenic interference with the climate system; (b) Developed countries should take the first steps to do this; (c) Nations have common but differentiated responsibilities to prevent climate change; (d) Nations may not use scientific uncertainty as an excuse for not taking action; and, (e) Nations should reduce their ghg emissions based upon "equity." (UN, 1992)
In the early UNFCCC negotiations, the European Union and Association of Small Island States (AOSIS) advocated establishing a target and timetable to limit emissions by developed countries in the UNFCCC, while the United States and the oil-producing states opposed this idea. (Bodanksy, 2001). Other developing states generally supported targets and timetables, as long as it was clearly understood that these targets and timetables would apply only to developed states. (Bodanksy, 2001)
The UNFCCC has 192 parties, a number that includes almost all countries in the world including the United States which ratified the UNFCCC in 1993.
The UNFCC is a "framework" convention because it has always been expected that additional requirements would be added to the initial framework in updates that are known as "protocols" or in annual decisions of the conferences of the parties (COPs).
Each year as the parties to the UNFCCC meet in COPs , decisions were made that affect the responsibilities of the parties. The UNFCCC COPs were as follows:
• 1995 - COP 1, The Berlin Mandate
• 1996 - COP 2, Geneva, Switzerland
• 1997 - COP 3, The Kyoto Protocol on Climate Change
• 1998 - COP 4, Buenos Aires, Argentina
• 1999 - COP 5, Bonn, Germany
• 2000 - COP 6, The Hague, Netherlands
• 2001 - COP 6 (Continued), Bonn, Germany
• 2001 - COP 7, Marrakech, Morocco
• 2002 - COP 8, New Delhi, India
• 2003 - COP 9, Milan, Italy
• 2004 - COP 10, Buenos Aires, Argentina
• 2005 - COP 11 Montreal, Canada
• 2006 - COP 12, Nairobi, Kenya
• 2007 - COP 13 Bali, Indonesia
• 2008 - COP 14, Poznań, Poland
• 2009 - COP 15, Copenhagen, Denmark
• 2010 - COP-16, Cancun.
Each year nations have meet in COPs to achieve a global solution to climate change and each COP for the most part continued to add small steps toward the goals of the UNFCCC. Yet in all COPs some nations have resisted calls from some of the most vulnerable nations to adopt a solution to climate change that would prevent dangerous climate change.
As the international community approached Cancun, no comprehensive global solution had been agreed to despite the fact that the original negotiations on the UNFCCC began in 1990 with a goal of achieving a global climate change solution. For this reason, Cancun must be understood as the latest attempt in a twenty year history of mostly failed attempts to structure a global solution to climate change.
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