E se a companhia se tornasse apenas mais um serviço?
Na China, um conceito surpreendente está a ganhar terreno: contratar companhia humana. Por algumas horas ou um dia inteiro, algumas pessoas (geralmente mulheres) optam por pagar a um desconhecido para partilhar uma atividade, conversar ou simplesmente evitar a solidão. Este fenómeno diz muito sobre a evolução dos estilos de vida urbanos.
Quando a solidão cria novos serviços
Nas principais cidades chinesas, a solidão tornou-se uma realidade cada vez mais visível. Entre carreiras exigentes, mobilidade profissional e a distância da família, muitos moradores vivenciam a falta de ligação social no seu quotidiano. Diante desta situação, surgiram novas plataformas com uma promessa simples: ligar pessoas que desejam partilhar um momento de convívio, sem qualquer compromisso. O objetivo não é criar um romance, mas sim oferecer companhia humana por algumas horas.
Uma plataforma que oferece a opção de "alugar" a companhia
Um dos serviços mais conhecidos é o Zuwobo, nome que significa literalmente "aluga-me" em mandarim. O seu funcionamento é tão simples quanto original: o utilizador escolhe uma atividade e a plataforma encontra um acompanhante disponível. O conceito agrada a quem quer aproveitar um momento agradável sem precisar de organizar uma saída com o grupo de amigos de sempre. É uma fórmula que prioriza a simplicidade e a flexibilidade.
Caminhada, restaurante ou jogos de vídeo: há opções para todos os gostos
Um dos motivos para o sucesso destas plataformas reside na variedade de atividades disponibilizadas. Alguns optam por um passeio pela cidade, outros por um trilho, uma refeição num restaurante ou até mesmo uma sessão de jogos de vídeo em casa. A ideia é adaptar-se aos desejos de cada um e oferecer uma presença que acompanhe diferentes momentos do quotidiano. Esta abordagem transforma a companhia num serviço personalizável.
Até 300 euros por dia
Os preços variam dependendo da duração e do tipo de atividade escolhida. Para partilhar um café ou uma refeição, os valores geralmente variam entre 7 e 20 euros. No entanto, quando se trata de companhia durante um dia inteiro, a conta aumenta rapidamente. Alguns serviços podem ultrapassar os 100 euros e chegar a mais de 300 euros, dependendo dos pedidos. Um gasto único que alguns consideram "o preço de uma experiência social agradável".
Um sucesso particular durante o Ano Novo Chinês
Todos os anos, o Ano Novo Chinês lembra-nos a importância dos laços familiares e dos reencontros. Fora aqueles que moram longe dos seus entes queridos ou sozinhos, este período pode, por vezes, exacerbar os sentimentos de isolamento. É por isso que as plataformas deste género costumam registar um aumento na procura durante as festividades. Para alguns utilizadores, partilhar estes momentos com alguém torna-se uma forma de vivenciar a época festiva num ambiente mais acolhedor.
Uma tendência que levanta questões
O desenvolvimento destes serviços reflete as profundas transformações na sociedade chinesa. Por um lado, oferecem uma resposta concreta à necessidade de ligação humana e permitem que algumas pessoas se libertem do isolamento por algumas horas. Por outro lado, levantam uma questão fundamental: o que significa, numa sociedade, a presença de outras pessoas poder ser reservada como qualquer outro serviço? Entre uma solução prática e um símbolo da transformação dos laços sociais, o debate permanece em aberto.
Uma coisa é certa: o sucesso destas plataformas demonstra que a necessidade de partilhar, trocar ideias e estar presente continua a ser mais importante do que nunca.
No livro The Collapse of Global Liberalism (O Colapso do Liberalismo Global), o economista Philip Pilkington apresenta uma análise contundente sobre o declínio terminal da ordem liberal internacional, o sistema de cooperação política e comércio global liderado pelo Ocidente desde o pós-Segunda Guerra Mundial. A sua tese central baseia-se na ideia de que o "globalismo" não foi meramente um fenómeno económico de eficiência de mercados, mas sim um projeto ideológico falhado que pressupunha uma convergência universal para os valores da democracia liberal e do livre mercado. Pilkington argumenta que potências como a China e a Rússia demonstraram a fragilidade desta premissa ao integrarem-se na economia mundial sem abdicarem dos seus próprios modelos políticos e sociais, desmentindo a inevitabilidade da hegemonia ocidental.
Um dos pontos mais críticos da obra foca-se na desindustrialização do Ocidente. O autor sustenta que a busca desenfreada por lucros de curto prazo e eficiência logística impulsionou o offshoring, transferindo a base manufatureira para o exterior e criando uma dependência estratégica perigosa de rivais geopolíticos. Este processo não só enfraqueceu a segurança nacional das nações ocidentais, como também devastou a classe trabalhadora doméstica, servindo de combustível para a instabilidade política interna e para a ascensão de movimentos populistas. Paralelamente, Pilkington destaca a crise energética e de recursos, sublinhando que a prosperidade liberal dependia de energia barata e fluxos estáveis. Com a atual fragmentação geopolítica e os desafios da transição energética, o controlo do poder real deslocou-se para os países que detêm a produção física e os recursos naturais, deixando o Ocidente vulnerável na sua segurança material.
Para o economista, estamos a assistir ao fim da era do "idealismo liberal" e ao nascimento de um mundo dominado pelo "realismo geoeconómico". Neste novo paradigma, o comércio internacional deixa de ser visto como um instrumento de paz universal para ser utilizado como uma arma política, o que levará inevitavelmente à formação de blocos regionais fechados em detrimento de um mercado global único. Pilkington dirige ainda duras críticas às elites tecnocráticas ocidentais, acusando-as de estarem desconectadas da realidade material e de insistirem em estruturas obsoletas que apenas aceleram o colapso. Em última análise, o autor não prevê necessariamente o fim da civilização ocidental, mas sim o fim da ilusão do seu domínio global indefinido, defendendo que a sobrevivência nesta nova era de fragmentação exige um retorno pragmático à soberania nacional, à reindustrialização e à garantia da segurança material de cada Estado.
Minha análise
A tensão atual no liberalismo revela-se profunda quando confrontamos os ideais humanistas com a crueza da nova realidade geoeconómica. Para um liberal que se revê no Manifesto de Oxford, o cenário descrito por Philip Pilkington assemelha-se a um verdadeiro pesadelo, pois a fragmentação do mundo em blocos fechados e protecionistas coloca em causa a promessa fundamental de que cada indivíduo possa decidir o seu próprio rumo. Se a análise de Pilkington estiver correta, a mobilidade humana será drasticamente reduzida por fronteiras mais rígidas e o custo de vida sofrerá um agravamento inevitável, uma vez que o fim da eficiência global retira poder de compra às famílias, limitando as suas opções de vida reais e tangíveis.
Neste contexto, assistimos também a um crescimento perigoso do papel do Estado. Para garantir a reindustrialização e a segurança material exigidas pela soberania, o poder público tende a tornar-se cada vez mais interventivo, o que frequentemente resulta no atropelo da iniciativa privada e da autonomia individual. Ao admitir que Pilkington tem razão no seu diagnóstico do colapso, mas mantendo a fidelidade aos princípios de Oxford, o liberal contemporâneo mergulha num dilema intelectual fascinante: é o reconhecimento de que, embora o ideal de liberdade seja o destino desejado, a realidade material está a destruir a estrada que a ele nos deveria conduzir.
A questão crucial que agora se coloca é como salvar o espírito do Manifesto de Oxford num mundo que parece ter deixado de acreditar na cooperação global. O grande desafio passa por encontrar formas de preservar a dignidade e a liberdade da pessoa humana num ambiente que privilegia a segurança física e o poder estatal em detrimento da liberdade individual. Resta saber se o liberalismo terá a agilidade necessária para se reinventar, garantindo que o indivíduo não se torne um mero peão nas disputas geoeconómicas de uma nova era de fragmentação.
Nascida em 1988, Clara Mattei é mestre em Filosofia e doutorada em Economia. Foi membro da School of Social Sciences no Institute for Advanced Studies de Princeton entre 2018 e 2019. Autora de artigos premiados pela History of Economics Society e pela European Society for History of Economic Thought, publica também artigos não académicos em publicações como The Guardian, Jacobin, The Nation e Il Fatto Quotidiano. Atualmente é professora auxiliar do Departamento de Economia da New School for Social Research em Nova Iorque.
Clara Mattei defende uma visão provocadora e profundamente crítica sobre a relação entre o capitalismo e a geopolítica, argumentando que a economia não é uma ciência neutra, mas sim uma ferramenta de poder. No centro do seu pensamento está o conceito de austeridade, que ela não define como uma resposta técnica a crises de dívida, mas como um projeto político deliberado para salvaguardar a ordem capitalista. Segundo a economista, sempre que o sistema se sente ameaçado por movimentos sociais ou exigências democráticas que reivindicam uma maior partilha da riqueza, as elites políticas e financeiras accionam mecanismos de austeridade - como o corte em serviços públicos, a precarização do trabalho e o aumento das taxas de juro - para disciplinar a classe trabalhadora e reafirmar a primazia do capital sobre a vida humana.
No plano da geopolítica, Mattei observa que esta lógica de austeridade é exportada e imposta globalmente através de instituições tecnocráticas que operam fora do controlo democrático. Ela analisa como o sistema internacional está desenhado para isolar as decisões económicas da vontade popular, criando uma espécie de "blindagem" que impede os Estados de adoptarem políticas alternativas. Para a autora, a geopolítica contemporânea é marcada por uma competição constante entre nações para atrair investimento, o que resulta numa pressão descendente sobre os direitos sociais e salários, transformando governos em gestores de um mercado global em vez de representantes dos seus cidadãos. Mattei vai ainda mais longe ao traçar paralelos históricos, demonstrando como, no pós-Primeira Guerra Mundial, economistas liberais e regimes autoritários colaboraram para impor a austeridade, revelando que o capitalismo, quando em crise, prefere muitas vezes a estabilidade de mercados "disciplinados" em detrimento da verdadeira democracia. Em suma, para Clara Mattei, a geopolítica do capital é uma estratégia de manutenção de classe que utiliza a escassez artificial e a insegurança económica como formas de controlo social permanente.
Mattei defende que o maior sucesso do capitalismo moderno é convencer as populações de que "não há alternativa" (o famoso TINA de Margaret Thatcher). Em termos geopolíticos, isso se traduz num mundo onde os Estados competem para ver quem oferece o ambiente mais "amigável" ao mercado, resultando em uma "corrida para o fundo" em termos de direitos sociais e salários.
Baseando-se em material de arquivos recém-descoberto na Grã-Bretanha e em Itália, grande parte dele traduzido pela primeira vez, A Ordem do Capital faz um relato novo, lúcido e muito crítico, da promoção da austeridade - e do sistema económico moderno - enquanto alavanca do poder político contemporâneo.
Ao longo de mais de um século, os governos que enfrentavam crises financeiras recorreram a políticas económicas de austeridade - cortes nos salários, nas despesas fiscais e nos benefícios públicos - para garantirem a solvência. Ainda que estas políticas tenham sido bem-sucedidas no apaziguamento dos interesses estrangeiros, tiveram impactes devastadores nas condições sociais e económicas de países de todo o mundo. Atualmente, embora a política da austeridade continue a ser favorecida pelos Estados em dificuldades, uma questão importante permanece sem resposta: e se a solvência nunca foi o verdadeiro objetivo da austeridade?
Em A Ordem do Capital, a economista política Clara E. Mattei investiga as origens intelectuais da austeridade e revela as razões da sua existência: a proteção do capital - e, na realidade, do capitalismo - em épocas de agitação social.
«Uma história fascinante da ascensão das políticas de austeridade no mundo do pós-Primeira Guerra Mundial e do modo como facilitaram o caminho para o fascismo – juntamente com muitas das políticas económicas atuais. Uma leitura obrigatória, com lições cruciais para o futuro. História da economia política no seu melhor.» Thomas Piketty, economista, autor de O Capital no Século XXI
«Este livro de Clara Mattei é um contributo importante para a construção de uma nova narrativa económica. Num momento em que a inflação está em alta e os governos se inclinam para, uma vez mais, pedirem aos cidadãos “que apertem o cinto” este livro é mais relevante do que nunca.» Mariana Mazzucato, economista, autora de O Valor de Tudo
Ela explica a austeridade não como uma falha teórica ou um erro de política económica, mas sim como uma ferramenta política deliberada, concebida para proteger e manter a ordem capitalista.
Relativamente aos pontos de destaque, a autora começa por analisar a origem histórica no período pós-Primeira Guerra Mundial, durante a década de 1920. Mattei demonstra como a austeridade foi gestada por tecnocratas nas conferências financeiras de Bruxelas e Génova com o objetivo explícito de conter a agitação operária e os movimentos socialistas da época.
Para explicar o funcionamento deste mecanismo, a economista detalha os três pilares fundamentais da austeridade: o pilar fiscal, centrado nos cortes nas despesas sociais e nos serviços públicos; o pilar monetário, caracterizado pelo aumento das taxas de juro para restringir a liquidez e controlar a inflação à custa do emprego; e o pilar industrial, focado na desregulamentação do mercado de trabalho e na contenção salarial para enfraquecer o poder de negociação dos trabalhadores.
Além disso, Mattei estabelece a ligação direta entre austeridade e fascismo, demonstrando como as políticas implementadas no Reino Unido - através de meios democráticos e tecnocráticos - e na Itália fascista de Mussolini partilhavam exatamente o mesmo propósito: disciplinar a classe trabalhadora para garantir a rentabilidade do capital.
Por fim, a autora desconstrói o mito da neutralidade, desmistificando a ideia de que a economia é uma ciência neutra ou puramente técnica e argumentando que a teoria económica convencional atua frequentemente para legitimar a redistribuição de riqueza do trabalho para o capital.
A COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, no Brasil, terminou sem um resultado preciso. Houve avanços reais em alguns aspectos, sobretudo em relação à adaptação às mudanças climáticas, mas não foi possível chegar a um acordo em torno de aspectos básicos, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis. O debate segue vivo até a próxima COP, que será sediada na Turquia, em 2026. Ainda assim, os temas ambientais continuam em alta no mundo e a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), usada para avaliar práticas sustentáveis e responsáveis das empresas, ganha cada vez mais relevância.
Fórum Económico Mundial afirma que o dinamismo da economia verde só fica atrás do setor de tecnologia. Em relatório recém-divulgado, a instituição estima que a chamada green economy já chega a US$ 5 triliões por ano e deve alcançar US$ 7 triliões até 2030. Segundo o documento, em média, as receitas verdes crescem ao dobro da velocidade das receitas convencionais; as empresas que actuam no segmento têm acesso a recursos mais baratos e costumam ser mais bem avaliadas no mercado de capitais.
Investimento em títulos verdes
Nas finanças, o movimento é nítido. Antes vistos como um nicho, os fundos ESG se tornaram uma força importante no mundo financeiro global, atraindo triliões de dólares. Segundo a Fortune Business Insights, empresa de inteligência de mercado e consultoria, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 triliões em 2025 e deve atingir US$ 125,17 triliões até 2032, crescendo a uma taxa anual média composta de 18,1%.
O avanço é impulsionado pelo aumento da preocupação da sociedade com esses temas, o que leva empresas a adotar práticas sustentáveis e também a fazer emissões de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade, que superaram US$ 160 biliões em 2023. Segundo a pesquisa global de investidores da PwC, 79% dos investidores consideram riscos e oportunidades ESG ao tomar decisões de investimento.
Investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e governos, dominam o mercado actualmente, mas a expectativa é que o segmento de pessoas físicas ganhe tração nos próximos anos.
A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que aparece nas finanças, mas também na economia real, com a necessidade, por exemplo, de contratação de profissionais com habilidades verdes. E a procura por esses trabalhadores vem crescendo mais do que a oferta. De acordo com o relatório Global Green Skills Report 2023, do LinkedIn, entre 2023 e 2024, a procura por profissionais com habilidades sustentáveis aumentou 11,6%, enquanto o número de trabalhadores sem essas qualificações subiu apenas 5,6%.
Redução de Gases de Efeito Estufa
São empregos em áreas diversas, como agricultura regenerativa e sustentável, energia renovável, saneamento, reciclagem, entre outros. "O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica. Fonte: Global Energy Review 2025
I agree with what Jason Hickel wrote in a recent blog, that we need a mass political party that would implement a degrowth agenda, and that currently the degrowth movement does not have a political agenda or capability. I also agree with Anitra Nelson, Vincent Liegey and Terry Leahy when they wrote that degrowth is a movement. Degrowth is a movement as much as Civil Rights, Marriage Equality, or the Sunrise Movement were or aremovements whether or not they were organized as political parties.
When we proposed last year that all degrowthers should join forces in solidarity, the very first point of our proposal was to decouple recognition from status and merit because we believed, and I still do, that comradery and understanding should be based on egalitarian principles. This proposal has been received with lackluster understanding and support.
More recently, I have advocated for a synergy of bottom-up and top-down strategy. Bottom-up is close to the horizontal anarchist position, however it follows scales from local to regional and (inter)national, rather than political hierarchies. It means that strategy would start at the local. Conversely top-down means strategy begins at the largest scale, being operationalized by respective large-aim institutions.
Here, I would like to add specificity to the idea of building mass parties which builds on the recognition of the tremendous effort that has been done by degrowth activists and practitioners, many of whom work for free, while also having to make a living. These mass parties need both bottom-up engagement, and top-down policy design. Yes, we have to take power, but we cannot do it without mass engagement. We already know that degrowth is popular and its label is a strength not a weakness as many have remarked already.
The 28% support in the US for the label “degrowth” without a description attached is as meaningful as the concept of “free buses” from Zohran Mamdani, the Mayor-elect of New York. Both concepts need to be elaborated in order to make full sense. Degrowth is not more jargony than “free buses”. It just needs unpacking and after it is unpacked it is as good as “free buses” if not better.
The upcoming degrowth-friendly parties should consider the following:
1.Governance based on qualified sortition (random selection)
Roger Halam, co-founder of Extinction Rebellion, Just Stop Oil, Insulate Britain recently said to Novara Media that he is a strong advocate for sortition and he is confident that people selected at random will rise up to the task. Sortition, which is basically a formation of government through various forms of selection by lottery, has been discussed by many authors. Just to name a few: Against Elections by David Van Reybrouck, Legislature by Lot: Transformative Designs for Deliberative Governance edited by John Gastil and Erik Olin Wright, The Trouble With Elections by Terry Bouricius, and George Monbiot in a Guardian article.
The qualification part would be something determined by the entire collective, from a minimum time spent in the organization or not working in executive capitalist jobs. People who meet these qualifications would be placed on sortition lists from which governance bodies would be selected at random, while observing desirable demographics.
Your Party UK has used sortition for the selection of their inaugural launch conference. Let us be super frank: representative democracy is a failure and elections are a circus. If we want to reform democracy, elections have to be abolished. Getting degrowth done would require a separation of policy writing from policy selection. People who write policy should not be the same who vote on turning policy into law.
I cannot stress this enough: a Leninist-type party ran by a camarilla of degrowth cadres and experts defeats the purpose of the political revolution. The mass party must be of the people, by the people, and for the people with governance by sortition.
2. Running popular platforms hard on limitarian policies.
Free buses, rent freezes, and freehealthcare are policies that can win elections. However, all policy ideas, no matter how good or popular they are, can be co-opted by right-wing media and capitalist elites. Degrowth itself is painted with red scare and is associated with austerity by capitalists. A mass party should lead, loud and clear with the idea that having too much is a really bad idea that carves into the liberties and wellbeing of decent citizens and into the resilience of life on Earth. A mass party must lead with anti-capitalist policy proposals and the degrowth label. Moreover, since degrowth owns such a wide canvas of policy instruments, the ones that hit the right-wing ethos hardest are those from the limitarian space: limits on wealth and rationing.
Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction continue to be the most popular policies from the degrowth toolkit. They are not exclusionary but rather should be advanced together in the agenda of a mass party. The Job Guarantee may be the easiest to promote, even if it is at $15 hourly pay as suggested for the US by L. Randall Wray in Understanding Modern Money Theory (2025). In all cases, the mass party must include caps on wealth and forms of material rationing.
3.Running candidates in jurisdictions where centrists often rotate with right-wingers.
In Canada, Mark Carney’s Liberal Party won this year not because people love them, but because center-left and left voters who usually vote for the New Democratic Party (NDP) really hated the Conservatives. Similar story in the UK. However, the NDP is not too friendly to degrowth, since they are trying to sideline an ecosocialist degrowther anti-Zionist candidate from their current leadership race.
In Canada and the UK, there is no real alternative to the centrist status quo that has won elections. If a mass party that leads with degrowth policies ran candidates in jurisdictions like these, they stand real chances at winning local and general elections. Perhaps the Green Party UK and Your Party UK are poised to fill this gap. They should be infiltrated by degrowthers and swayed onto a committed path for degrowth.
We should not have to read more books such as More and More and More by Jean-Baptiste Fressoz about the delusions of the energy transition, or books such as The Long Heat by Andreas Malm and Wim Carton about the perils of techno-optimism, to be finally convinced that owning the degrowth label and the toolkit of degrowth policy instruments requires courage and vision.
4. Joining or creating an international political alliance, such as DIEM25 or Progressive International.
We already have the International Degrowth Network (IDN) but it does not function like DIEM25 or Progressive International. It does not collect membership fees, it does not have paid staff, and it does not run political candidates. Upgrading the sociocratic aims of IDN towards a political organization could be the strategy to be considered. Alternatively, IDN members and degrowthers at large could join DIEM25, Progressive International or various ecosocialist parties and infuse these organizations with degrowth. In all cases, the degrowth label should be owned by those advocating for it, and must be qualified and unpacked as the occasion requires.
5. Leaders should not be tainted with perceptions of elitism and credentialism.
A sortition-based governance structure would weed out opportunists and status seekers. Socialist parties are not immune to corruption and special interests. Only sortition can mitigate these risks. Policy making cannot be, as a matter of principle, an affair run by the elite policy wonks. In the Bouricius sortition model, experts can still offer significant input in policy making, but they would not be elected into leadership positions.
6. Significant effort should be deployed to popularize ethics of sufficiency.
Before sortition is realized, when we accept the compromise with representative democracy based on elections, political leaders would have to recognize ethics of sufficiency that are shared by humans that have not been duped by consumerism and material status signaling. The imperial mode of living is something real, even if we choose to place responsibility on the design of capitalism instead on individual lifestyle choices. The imperial mode of living refers to a way of life in the Global North that relies heavily on the exploitation of resources and labor from the Global South, leading to ecological and social inequalities. It highlights how everyday consumption practices are intertwined with global power dynamics and the unsustainable nature of capitalism.
In this approach, degrowth can be presented as an ethic of liberation from the oppression of material status signaling, and expansion of social agency (more personal freedom in a social context). Work Time Reduction, for example, is a great public relations tool for degrowth but it must be framed in a dematerialized and decommodified economy. The same applies to UBI, UBS, and JG.
7. Nifty memes and bitesize ideas must complement storytelling and policy unpacking.
A mass party should not be afraid to embrace simple ideas that can capture the imagination of the people. Something along these lines: What if all products imported from the Global South had QR codes on them that would take you to a website where you could see the working conditions of those humans who made that thing, their names, their salaries, their living conditions, their health status, how much free time they have with their families? What if the same QR code showed you the wealth of the owners of those companies, their names, and their living conditions? Would you still buy that thing? Would you still want to keep this economic system? Moving the imagination of supporters for the mass party toward empathy and an egalitarian global ethic may be the key towards the much-needed delinking of the Global South from the Global North, as I understand them in their geographical sense.
8. Designing policy that aims at the fundamental causal structure of capitalism.
In the bottom-up vs top-down integrative approach, the bottom-up part is experiential and the top-down is structural. The mass parties must offer the experience of a new kind of politics and society, by actually showing up for local causes, listening to its members and citizens at large, and being influenced by them via crowd-sourcing policy proposal. I have suggested a tool for such purpose in the form of a crowd-sourced policy cloud.
Mass parties should be friendly and welcoming, not exclusionary and dogmatic. At the same time, they must aim at redesigning the structure of the economy by attacking and dismantling capitalist hierarchies, by decoupling power from property, and by halting the dispossession of private and common property by capital. Even if Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction were all implemented, they may remain confined within national borders. Decolonisation and delinking must also be at the center of strategy.
Where would these mass parties start
To conclude, where would these mass parties start? In which country? In Romania, my country of origin, where the far-right party leads in polls by close to 40% and where there is no party on the left, not even center-left? In Germany, France, Italy? In India or China? Once we deploy the heavy anchor of reality we are hit with terrifying apparent impossibilities. The answer is all of the above, with various caveats. Some countries have parties that may be swung further towards degrowth. Others need the invention of new parties from scratch, such as Romania and Canada. In all cases, a political strategy for a mass party must emerge from the mass of people that it is supposed to serve.
«Nos cumes mais elevados encontram-se, nos lugares húmidos, os bosques de vidoeiros e sobre os rochedos as sorveiras. Nos lugares mais baixos atingem-se no norte de Portugal os bosques de carvalhos, em que as árvores estão suficientemente próximas para darem sombra aos caminhos e suficientemente afastadas para permitirem a passagem.
Os vales do Minho estão cobertos de bosques de carvalhos contínuos. Em seguida surge a região dos bosques de castanheiros, os verdadeiros bosques deste país, cujas árvores se tocam pela folhagem. Ornam as encostas da Serra do Marão, da Serra da Estrela, na direcção do Fundão, da Serra de Portalegre e de Monchique. No sopé das grandes montanhas encontram-se os pomares, onde a cultura dos frutos é sinal de região fria. Mais abaixo surgem a árvore da cortiça, o carrasco, o pinheiro-marítimo, em seguida o limoeiro e finalmente a laranjeira. A oliveira está ainda mais espalhada, encontra-se perto dos vidoeiros do Gerês e ao lado das laranjeiras, perto de Lisboa.»
O pensamento de Amartya Sen representa uma rutura com o utilitarismo clássico. Enquanto a economia tradicional muitas vezes se foca na acumulação de bens, Sen argumenta que o desenvolvimento deve ser medido pela expansão das liberdades substantivas dos indivíduos.
1. O Conceito de Capability (Abordagem das Capacidades)
Para Sen, a pobreza não é apenas a falta de dinheiro; é a privação da liberdade de viver uma vida que se tem razões para valorizar. Ele distingue entre:
Meios: bens primários, rendimento e recursos (o que a economia tradicional foca).
Capacidades (Capabilities): o conjunto de alternativas que uma pessoa tem à sua disposição (o que a pessoa pode realmente ser ou fazer).
Funcionamentos (Functionings): a concretização dessas capacidades (ser saudável, estar educado, participar na vida política).
2. A Crítica ao Utilitarismo e ao PIB
Sen defende que o PIB é um indicador insuficiente porque não capta a desigualdade na distribuição de oportunidades. Se uma sociedade é rica, mas apenas uma pequena elite tem acesso a educação e saúde de qualidade, o desenvolvimento é falho. Ele argumenta que o desenvolvimento é um processo de alargamento das liberdades humanas, e não apenas um crescimento económico quantitativo.
3. A Liberdade como Agência
O conceito de "agência" é central. Sen vê o ser humano como um agente ativo, capaz de transformar a sua realidade, e não apenas um recetor passivo de políticas públicas. A liberdade, aqui, não é apenas a "liberdade negativa" (ausência de coerção), mas a "liberdade positiva" (a capacidade real de agir).
Links Recomendados para Aprofundamento
Para explorar estas ideias de forma mais detalhada, recomendo as seguintes fontes:
Human Development Reports (UNDP): O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento utiliza o Capability Approach de Sen como base para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Neste livro, Sen demonstra como a liberdade política, as instalações económicas, as oportunidades sociais, as garantias de transparência e a segurança protetora trabalham em conjunto para permitir o desenvolvimento humano.
A obra de Amartya Sen representa uma rutura com a economia ortodoxa, que durante décadas mediu o bem-estar social apenas através de métricas monetárias. Para Sen, o desenvolvimento não é um fim em si mesmo, mas sim um meio para a expansão das liberdades reais de que os indivíduos desfrutam.
1. O Capability Approach (Abordagem das Capacidades)
O conceito central de Sen é a distinção entre meios e fins. Enquanto a economia clássica foca-se nos bens (rendimento), Sen foca-se no que as pessoas conseguem fazer com esses bens. Ele introduz dois termos técnicos essenciais:
Funcionamentos (Functionings): são os estados e ações que uma pessoa consegue realizar (ex: estar nutrido, ter boa saúde, participar na vida da comunidade).
Capacidades (Capabilities): representam a liberdade substantiva de alcançar esses funcionamentos. É o "conjunto de vetores" de opções que uma pessoa tem à sua disposição.
2. Pobreza como Privação de Capacidades
Para Sen, a pobreza não é apenas a falta de dinheiro; é a privação de capacidades básicas. Um exemplo clássico que ele utiliza é o de uma pessoa com uma deficiência motora. Mesmo que ela tenha o mesmo rendimento que uma pessoa sem deficiência, a sua "capacidade" de se deslocar ou de participar no mercado de trabalho é menor, a menos que o Estado ou a sociedade compensem essa limitação com infraestruturas adequadas. Portanto, a igualdade de rendimentos não garante a igualdade de oportunidades.
3. Liberdades Instrumentais
Sen identifica cinco tipos de liberdades que se reforçam mutuamente para promover a capacidade individual:
Liberdades políticas: direitos civis e democracia.
Facilidades económicas: oportunidades de utilizar recursos para consumo ou produção.
Oportunidades sociais: acesso a educação e saúde.
Garantias de transparência: o direito à informação e ao combate à corrupção.
Segurança protetora: redes de segurança social para os mais vulneráveis.
Referências e Ligações Úteis
Para aprofundar o estudo sobre Amartya Sen, recomendo os seguintes recursos oficiais:
Relatório de Desenvolvimento Humano (PNUD): O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado por Mahbub ul Haq com a colaboração direta de Sen, aplicando as suas teorias na prática.
Os cinco homens mais ricos do mundo, Elon Musk, Bernard Arnault, Jeff Bezos, Larry Ellison e Mark Zuckerberg, mais do que duplicaram as suas fortunas desde 2020, segundo um relatório da Oxfam. O relatório acrescenta que, juntos, possuem agora um património de 869 mil milhões de dólares, depois de terem aumentado as suas fortunas a um ritmo de 14 milhões de dólares por hora nos últimos quatro anos.
Intitulado "Desigualdade S.A.", o relatório da Oxfam foi divulgado na segunda-feira e afirma que, apesar do crescimento das fortunas dos cinco, 5 mil milhões de pessoas ficaram mais pobres no mesmo período.
Os multimilionários são hoje 3,3 biliões de dólares mais ricos do que eram em 2020, e um multimilionário lidera 7 das 10 maiores empresas do mundo, afirmou a organização de solidariedade com sede em Londres. Se as tendências actuais se mantiverem, o mundo terá o seu primeiro trilionário numa década, mas a pobreza não será erradicada durante mais 229 anos.
A Oxfam afirmou que seriam necessários 476 anos para que os 5 mais ricos esgotassem toda a sua fortuna se decidissem gastar 1 milhão de dólares por dia. Enquanto Musk demoraria 673 anos, Bezos necessitaria de 459 para esgotar a sua riqueza.
Não é segredo para ninguém que a riqueza dos multimilionários do mundo, especialmente Elon Musk, teve um aumento astronómico desde 2020, devido à subida das ações da Tesla. O seu património líquido é de US$ 206 biliões atualmente.
“As pessoas mais ricas do mundo continuam a ser as grandes vencedoras neste momento de crise. Em 2023, os multimilionários têm mais 3,3 triliões de dólares, ou mais 34% do que tinham em 2020, no início desta década de divisões. A projeção é de que o número de milionários aumente 44% entre agora e 2027, enquanto o número de pessoas com um património líquido de 50 milhões de dólares ou mais deverá aumentar 50%”, refere o relatório.
Enquanto os mais ricos do mundo viram as suas riquezas crescer exponencialmente, os mais pobres não tiveram a mesma sorte, uma vez que os níveis crescentes de inflação, o impacto económico das alterações climáticas e os conflitos geopolíticos tornaram as suas vidas mais difíceis.
O relatório destacou que, durante o mesmo período, quase cinco mil milhões de pessoas em todo o mundo ficaram mais pobres. “As dificuldades e a fome são uma realidade diária para muitas pessoas em todo o mundo. Ao ritmo atual, serão necessários 230 anos para acabar com a pobreza, mas poderemos ter o nosso primeiro trilionário em 10 anos”, conclui o relatório.
Tradicionalmente, a Oxfam divulga o seu relatório anual sobre a desigualdade pouco antes da abertura do Fórum Económico Mundial (WEF).
Arne Naess, um filósofo norueguês cujas ideias sobre a promoção de um relacionamento íntimo e abrangente entre a terra e a espécie humana inspiraram ambientalistas e ativistas políticos verdes em todo o mundo, nasceu há 100 anos em 27 de janeiro de 1912. Quando Næss morreu envelhecido 96, não foi apenas o filósofo mais conhecido da Noruega, mas também um pioneiro mundial com suas obras e teorias inspiradoras.
Ativista e desportista
As suas habilidades não se limitaram ao campo académico. Næss foi um alpinista notável, que em 1950 liderou a expedição que fez a primeira subida de Tirich Mir (7.708 m). Em 2005, ele foi condecorado como Comandante com a Estrela da Real Ordem Norueguesa de St. Olav por trabalho socialmente útil. Além disso, ele era um ativista. Em 1970, junto com um grande número de manifestantes, ele se acorrentou às rochas em frente a Mardalsfossen, uma cachoeira em um fiorde norueguês, e se recusou a descer até que os planos de construir uma represa fossem abandonados. Embora os manifestantes tenham sido levados pela polícia e a represa tenha sido construída, a manifestação lançou uma fase mais ativista do ambientalismo norueguês. Em 1958, Arne Næss fundou a revista interdisciplinar de filosofia Inquiry.
Ecologia Profunda e Nova Ética Ambiental
O mundo, especialmente, o conhece melhor como o fundador da ecologia profunda. A ecologia profunda é uma filosofia ecológica contemporânea que reconhece o valor inerente de todos os seres vivos, independentemente de sua utilidade instrumental para as necessidades humanas. A filosofia enfatiza a interdependência dos organismos dentro dos ecossistemas e dos ecossistemas entre si dentro da biosfera. Ele fornece uma base para os movimentos ambientais, ecológicos e verdes e promoveu um novo sistema de ética ambiental.
Uma teoria inovadora
O princípio central da ecologia profunda é a crença de que, como a humanidade, o ambiente vivo como um todo tem o mesmo direito de viver e florescer. A ecologia profunda se descreve como “profunda” porque persiste em fazer perguntas mais profundas sobre “por que” e “como” e, portanto, está preocupada com as questões filosóficas fundamentais sobre os impactos da vida humana como uma parte da ecosfera, em vez de com uma visão restrita. visão da ecologia como um ramo da ciência biológica, e visa evitar o ambientalismo meramente antropocêntrico, que se preocupa com a conservação do meio ambiente apenas para exploração por e para fins humanos, o que exclui a filosofia fundamental da ecologia profunda.
Næss, durante a sua vida frutífera, casou-se duas vezes, primeiro com Else Marie Hertzberg ,com quem teve dois filhos. Ela faleceu antes dele. Mais tarde ele se casou com Kit Fai, uma estudante chinesa quatro décadas mais nova, que conheceu quando tinha 61 anos.
A filosofia política e a economia do desenvolvimento do século XX foram profundamente moldadas pelo diálogo — e pela divergência — entre dois gigantes do pensamento: John Rawls e Amartya Sen. Enquanto Rawls lançou as bases para uma teoria da justiça social moderna, Sen expandiu esses horizontes ao questionar se os "meios" propostos por Rawls seriam suficientes para garantir a liberdade real num mundo de profunda diversidade humana.
1. O Ponto de Partida: O Institucionalismo de Rawls
Para compreender a crítica de Sen, é necessário olhar para a estrutura de Rawls. Em Uma Teoria da Justiça (1971), Rawls propõe que uma sociedade justa é aquela cujas instituições são desenhadas sob um "véu de ignorância". O resultado seria a escolha de dois princípios, onde o segundo (o Princípio da Diferença) dita que as desigualdades só são aceitáveis se beneficiarem os mais desfavorecidos através da distribuição de Bens Primários.
Estes bens incluem:
Direitos e liberdades fundamentais;
Rendimento e riqueza;
As bases sociais da autoestima.
2. A Crítica de Sen: A Diversidade Humana
A divergência fundamental de Amartya Sen reside naquilo que ele chama de "fetichismo dos bens". Sen argumenta que Rawls foca-se excessivamente nos instrumentos da liberdade (os bens) e ignora a capacidade real das pessoas de converterem esses bens em vidas valiosas.
Sen introduz a Abordagem das Capacidades (Capability Approach) como uma alternativa. Para ele, a justiça não deve ser medida pelo que as pessoas têm, mas pelo que elas são capazes de ser e fazer.
"A conversão de bens primários em capacidades de funcionamento pode variar de pessoa para pessoa, e a igualdade nos bens primários pode coexistir com desigualdades sérias nas liberdades reais de que desfrutam diferentes pessoas." (Sen, 1999).
O exemplo da conversão
Imaginemos duas pessoas com o mesmo rendimento (o mesmo bem primário):
Um adulto saudável em ambiente urbano.
Uma pessoa com uma doença crónica que exige medicação cara ou com uma deficiência que limita a sua mobilidade.
Embora a métrica de Rawls as considere "iguais" em termos de meios, Sen demonstra que a segunda pessoa tem uma liberdade substantiva muito menor. A justiça, portanto, exige que olhemos para a capacidade de locomoção ou de saúde, e não apenas para o saldo bancário.
3. Justiça Transcendente vs. Justiça Comparativa
Outra rutura importante, detalhada em A Ideia de Justiça (2009), é metodológica. Rawls procura uma "Justiça Transcendente": a definição de instituições perfeitas. Sen, por outro lado, propõe uma Justiça Comparativa.
Para Sen, não precisamos de um modelo de sociedade perfeitamente justa para saber que a escravatura, a fome ou a falta de cuidados de saúde básicos são injustiças que devem ser corrigidas. Ele utiliza a analogia de comparar quadros: não precisamos de saber qual é o quadro perfeito do mundo para decidir que um Picasso é melhor que um rabisco aleatório. O foco de Sen é a remoção de injustiças patentes através do debate público.
Referências Bibliográficas
RAWLS, John (1971). A Theory of Justice. Cambridge, MA: Harvard University Press. (Edição PT: Uma Teoria da Justiça, Editorial Presença).
SEN, Amartya (1999). Development as Freedom. Oxford: Oxford University Press. (Edição PT: O Desenvolvimento como Liberdade, Gradiva).
SEN, Amartya (2009). The Idea of Justice. London: Allen Lane. (Edição PT: A Ideia de Justiça, Almedina).
NUSSBAUM, Martha (2011). Creating Capabilities. Harvard University Press. (Para uma expansão da lista de capacidades básicas).
Diogo Mónica, fundador do “unicórnio” português Anchorage Digital, um banco de criptomoedas, tem uma série de recados para o Governo. Depois de saber que a Autoridade Tributária está a estudar como os criptoativos são taxados nos outros países, a pedido do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o empreendedor critica a “narrativa” de que Portugal está a perder receita fiscal nesta frente.
“A narrativa de que Portugal está a perder receitas potenciais ao não tributar as cripto é míope e ignora o valor económico óbvio criado pelos empresários e empresas que se mudaram para cá. Portanto, sim, vamos encontrar um regime fiscal claro e estável para os ativos digitais em Portugal, mas lembrem-se: 45% de impostos sobre 0 euros é 0 euros”, defende Diogo Mónica.
Em 5 de maio, o ECO noticiou que o Governo pediu ao Fisco uma “avaliação” à forma como outros países taxam os criptoativos, onde se inserem as criptomoedas. O objetivo é propor um novo enquadramento fiscal, dado que Portugal é um dos poucos países que ainda não taxa os lucros obtidos, por exemplo, com a venda de bitcoins. Isto acontece porque o atual Código do IRS não prevê este fenómeno, que começou a massificar-se a partir de 2017 e acelerou no final de 2020, com a pandemia.
“Num golpe de sorte, Portugal criou uma das melhores campanhas de marketing em torno da atração de empreendedores de tecnologia para o nosso país”, considera Diogo Mónica, fundador da Anchorage, uma startup que, no final de 2021, terá alcançado o estatuto de “unicórnio”, isto é, uma avaliação superior a mil milhões de dólares. Como contexto, o facto de o país ser destino de nómadas digitais e entusiastas desta tendência, atraídos pela qualidade de vida, mas também pela ausência de tributação.
É uma ideia com a qual Diogo Mónica não concorda: “Não se enganem: mesmo que não haja impostos, a situação fiscal não é a principal razão pela qual as pessoas vêm ou ficam. Na verdade, Portugal não precisa de oferecer um incentivo especial ‘sem impostos cripto’ para continuar a ser atrativo para os empresários. Em vez disso, precisamos de clareza, estabilidade e competitividade”, conclui o empreendedor, numa nota enviada ao ECO.
A Autoridade Tributária e Aduaneira está a avaliar a forma como os outros países estão a taxar os ganhos obtidos com a venda de criptoativos. Este trabalho resulta de um pedido do Governo e tem como objetivo propor um enquadramento fiscal para estes novos instrumentos, o que pode representar o primeiro passo para começar a taxar os criptoativos, acabando com o estatuto de “paraíso fiscal” com que Portugal é catalogado com frequência na imprensa internacional.
“O Governo apoia uma posição concertada sobre esta matéria a nível europeu. Não obstante, determinou, por despacho do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, datado de 2021, que a Autoridade Tributária e Aduaneira estudasse o enquadramento dos criptoativos à luz das melhores práticas internacionais”, disse fonte oficial do Ministério das Finanças.
Em concreto, o Ministério das Finanças explicou que este trabalho está a ser feito “no sentido de propor um enquadramento fiscal adequado a estes novos instrumentos, tendo em conta o necessário equilíbrio entre a repartição justa dos rendimentos e da riqueza e a atração do investimento estrangeiro”. “Esta avaliação ainda não foi finalizada”, acrescenta.
Critiques of capitalism come in two varieties. First, there is the moral or spiritual critique. This critique rejects Homo economicus as the organising heuristic of human affairs. Human beings, it says, need more than material things to prosper. Calculating power is only a small part of what makes us who we are. Moral and spiritual relationships are first-order concerns. Material fixes such as a universal basic income will make no difference to societies in which the basic relationships are felt to be unjust.
Then there is the material critique of capitalism. The economists who lead discussions of inequality now are its leading exponents. Homo economicus is the right starting point for social thought. We are poor calculators and single-minded, failing to see our advantage in the rational distribution of prosperity across societies. Hence inequality, the wages of ungoverned growth. But we are calculators all the same, and what we need above all is material plenty, thus the focus on the redress of material inequality. From good material outcomes, the rest follows.
The first kind of argument for capitalism’s reform seems recessive now. The material critique predominates. Ideas emerge in numbers and figures. Talk of non-material values in political economy is muted. The Christians and Marxists who once made the moral critique of capitalism their own are marginal. Utilitarianism grows ubiquitous and compulsory.
But then there is Amartya Sen.
Every major work on material inequality in the 21st century owes a debt to Sen. But his own writings treat material inequality as though the moral frameworks and social relationships that mediate economic exchanges matter. Famine is the nadir of material deprivation. But it seldom occurs – Sen argues – for lack of food. To understand why a people goes hungry, look not for catastrophic crop failure; look rather for malfunctions of the moral economy that moderates competing demands upon a scarce commodity. Material inequality of the most egregious kind is the problem here. But piecemeal modifications to the machinery of production and distribution will not solve it. The relationships between different members of the economy must be put right. Only then will there be enough to go around.
In Sen’s work, the two critiques of capitalism cooperate. We move from moral concerns to material outcomes and back again with no sense of a threshold separating the two. Sen disentangles moral and material issues without favouring one or the other, keeping both in focus. The separation between the two critiques of capitalism is real, but transcending the divide is possible, and not only at some esoteric remove. Sen’s is a singular mind, but his work has a widespread following, not least in provinces of modern life where the predominance of utilitarian thinking is most pronounced. In economics curricula and in the schools of public policy, in internationalist secretariats and in humanitarian NGOs, there too Sen has created a niche for thinking that crosses boundaries otherwise rigidly observed.
This was no feat of lonely genius or freakish charisma. It was an effort of ordinary human innovation, putting old ideas together in new combinations to tackle emerging problems. Formal training in economics, mathematics and moral philosophy supplied the tools Sen has used to construct his critical system. But the influence of Rabindranath Tagore sensitised Sen to the subtle interrelation between our moral lives and our material needs. And a profound historical sensibility has enabled him to see the sharp separation of the two domains as transient.
Tagore’s school at Santiniketan in West Bengal was Sen’s birthplace. Tagore’s pedagogy emphasised articulate relations between a person’s material and spiritual existences. Both were essential – biological necessity, self-creating freedom – but modern societies tended to confuse the proper relation between them. In Santiniketan, pupils played at unstructured exploration of the natural world between brief forays into the arts, learning to understand their sensory and spiritual selves as at once distinct and unified.
Sen left Santiniketan in the late 1940s as a young adult to study economics in Calcutta and Cambridge. The major contemporary controversy in economics was the theory of welfare, and debate was affected by Cold War contention between market- and state-based models of economic order. Sen’s sympathies were social democratic but anti-authoritarian. Welfare economists of the 1930s and 1940s sought to split the difference, insisting that states could legitimate programmes of redistribution by appeal to rigid utilitarian principles: a pound in a poor man’s pocket adds more to overall utility than the same pound in the rich man’s pile. Here was the material critique of capitalism in its infancy, and here is Sen’s response: maximising utility is not everyone’s abiding concern – saying so and then making policy accordingly is a form of tyranny – and in any case using government to move money around in pursuit of some notional optimum is a flawed means to that end.
Economic rationality harbours a hidden politics whose implementation damaged the moral economies that groups of people built up to govern their own lives, frustrating the achievement of its stated aims. In commercial societies, individuals pursue economic ends within agreed social and moral frameworks. The social and moral frameworks are neither superfluous nor inhibiting. They are the coefficients of durable growth.
Moral economies are not neutral, given, unvarying or universal. They are contested and evolving. Each person is more than a cold calculator of rational utility. Societies aren’t just engines of prosperity. The challenge is to make non-economic norms affecting market conduct legible, to bring the moral economies amid which market economies and administrative states function into focus. Thinking that bifurcates moral on the one hand and material on the other is inhibiting. But such thinking is not natural and inevitable, it is mutable and contingent – learned and apt to be unlearned.
Sen was not alone in seeing this. The American economist Kenneth Arrow was his most important interlocutor, connecting Sen in turn with the tradition of moral critique associated with R H Tawney and Karl Polanyi. Each was determined to re-integrate economics into frameworks of moral relationship and social choice. But Sen saw more clearly than any of them how this could be achieved. He realised that at earlier moments in modern political economy this separation of our moral lives from our material concerns had been inconceivable. Utilitarianism had blown in like a weather front around 1800, trailing extremes of moral fervour and calculating zeal in its wake. Sen sensed this climate of opinion changing, and set about cultivating ameliorative ideas and approaches eradicated by its onset once again.
There have been two critiques of capitalism, but there should be only one. Amartya Sen is the new century’s first great critic of capitalism because he has made that clear.
Foi na crise actual, com as consequentes dificuldades financeiras das famílias, que Ana Cátia e Andreia encontraram o estímulo decisivo para se aventurarem num negócio de aluguer de brinquedos, amigo da carteira dos pais.
“Ao alugar, leva para casa um brinquedo por 20 por cento do seu custo no mercado”, garante Ana Cátia Ferreira.
Se a crise foi o estímulo do negócio, já a inspiração surgiu na sequência da experiência pessoal departilha de brinquedos entre as filhas de Ana Cátia e Andreia.
Estas irmãs, com filhas pequenas, decidiram comprar brinquedos “não em número mas em qualidade” e montaram um sistema de rotatividade dos mesmos entre as casas de ambos e ainda a dos avós das crianças.
“Daí à ideia de negócio foi um instante”, refere Ana Cátia, enfatizando o “imenso dinheiro” que o aluguer de brinquedos permite poupar.
Além disso, o projecto possibilita também libertar espaço em casa, já que evita o acumular de brinquedos que a criança, por uma razão ou por outra, deixa de usar.
A criança, por sua vez, tem oportunidade de trocar de “ter um brinquedo novo” com muito maior frequência.
Mas as promotoras do “Alugar para Brincar” asseguram que subjacentes ao projecto estão também outros valores, como o consumo sustentável e a importância da partilha.
“O que interessa não é ter o brinquedo, é brincar. A criança quer é brincar. Não é preciso comprar, o que é preciso é brincar”, enfatiza Ana Cátia.
Neste momento, estão disponíveis para aluguer cerca de 150 brinquedos, guardados num armazém em Esposende, mas o stock está em permanente actualização.
Além da vertente do entretenimento, os brinquedos têm ainda uma vocação pedagógica muito vincada.
As encomendas podem ser feitas online, garantindo as promotoras entregas ao domicílio, sem custos adicionais, em todos os concelhos do Grande Porto e ainda no Minho.
Os alugueres são, normalmente, mensais, sendo essa a ideia base do projecto, mas há também pacotes personalizados para festas, férias ou mesmo para salas de espera.
Antes de seguirem para um qualquer cliente, os brinquedos são higienizados e vistoriados, para garantir todas as condições de segurança para as crianças.
O negócio arrancou a 4 de Maio, simbolicamente no Dia da Mãe, e, garantem as promotoras, a adesão tem sido boa, embora ainda haja “algum caminho para percorrer”.
“Vivemos numa sociedade muito consumista, em que as pessoas gostam de comprar, e estes são hábitos que precisam de tempo para se alterarem”, atira Ana Cátia.
In the 1990s, a set of ideas arrived that might best be called human development. This is a tradition of thought that is unashamed to call itself universalist when it comes to the basics – that we all need to live a "good life". And it is unwilling to give up on the belief that we are all equally entitled to enjoy such things. Accordingly, this point of view takes human flourishing, and not its absence, as its entry point to the problem of poverty and global inequality.
In many ways, that makes human development thinking the mirror opposite of post-development ideas. Where Arturo Escobar and other post- and anti-development thinkers blamed the very ideology of development for the problems of extreme poverty, human development blames our failure to think broadly enough: to imagine and create a way of organising the world that works for everyone, and not just the few.
This does not mean that we have arrived at some point of optimal balance, an approach containing just the right mix of pragmatism and hope, or just the right way to mix markets and states together. As should by now be clear, there is no single panacea to the problems and pitfalls of development. All the same, human development is perhaps not too far off a workable median either, at least potentially. And the Indian economist Amartya Sen is certainly very close to embodying the human development position better than anyone else. He has had the greatest intellectual influence on its arguments, while the longevity of his career and the magnitude of his contributions across a wide spectrum of issues – covering choice theory in economics to philosophical interventions on the idea of justice itself – have taken such arguments well beyond questions of economic development.
Born in Bengal in 1933, Sen has spent the larger part of his working life at institutions in the UK and the US. He is an economist by training, but works with a philosopher's scepticism about what we take to be fundamental truths. Though a Nobel prize-winner in economics, he has chosen not to "consult" with governments on the back of his ideas. As the LSE's Stuart Corbridge notes, for Sen it is a matter of pride that, as he himself puts it: "I have never counselled any government, preferring to place my suggestions and critiques – for what they are worth – in the public domain."
Perhaps the most widely known of those stem from Sen's work on famine. He argues that famines are rarely the result of a lack of food. They are more usually the consequence of a breakdown in people's ability to access or produce food in the way that they usually do – the result of political failures, not natural ones. But whether in his writing about famines – he was long haunted by the memory of the great Bengal famine of 1943 – or on the more arcane computations of social choice theory, Sen's work has at heart most consistently concerned itself with the idea of human freedom.
His thinking is pulled together in the 1999 book Development as Freedom: a must-read on any development studies course and certainly written with a wider public in mind. Sen argues that the expansion of freedom is central to development – "both as the primary end and as the principal means".
Sen would have us conceptualise development as freedom in this way because he wants the goal to be wider than, say, a numerical measure of GNP and because he wants us to be able to then pursue that idea systematically, to ensure it is brought about.
Of these two instances, the latter is more far-reaching, because it requires thinking about poverty not simply as an aberration, as something that we might somehow solve. It involves acknowledging, rather, that "our privileges are located on the same map as their suffering", as Susan Sontag puts it. The problem of development lies as much in what we classify as wealth and how we go about promoting that as it does in poverty.
That development represents a wider set of freedoms than GNP can help us with is also important because of a paradox that Sen expresses in his Tanner lectures (pdf) of the mid-1980s: "You could be happy, without having much freedom. You could have a good deal of freedom, without achieving much." Freedom, then, is not itself free of an individual's capability or desire to use it to any particular end. Accordingly, development becomes not so much about making up for what people lack (modernisation, say) so much as removing the "unfreedoms" that stop them living in a way they might otherwise choose: market inequalities, perhaps, or state violence.
Sen's arguments stem from a commitment to the importance of individual freedoms. Not for him the wishy-washy relativism that gripped many parts of the academy in the 1990s. But not for him either the bone hard individualism of the intellectual right. This means we need to be careful in interpreting Sen. It is not so much that he supports as much individual freedom as will enable the greater good, but that he supports real, lived-in freedoms, or what are often called "capabilities": freedoms of opportunity and not just of theoretical rights.
What use are political freedoms on paper, he challenges, when in practice people are prevented from enjoying them because they also suffer "unfreedoms" of malnutrition, discrimination, or even of greater exposure to epidemiological risk and natural hazard? This claim has yet to be fully taken on board by practitioners and politicians more concerned with addressing perceived needs and the shorter-term political horizon.
Part of the reason may be because Sen has chosen not to champion his thought from the leather-bound chair of the presidency of the World Bank. If you think about what he is saying, of course, it soon becomes clear why he could never have done so. But for all that Sen has refrained from whispering in the ear of individual governments, he has nonetheless advised and shaped significantly the work of international bodies such as the UN's International Labour Organisation.
One only needs to look to the millennium development goals (MDGs) to realise this. Freedom is one of the basic values guiding the MDGs and, to that extent, Sen has given the idea of human freedom a very modern job description. But he is also aware that the challenge of reconciling freedom with economic productivity harks back to the dawn of Enlightenment political philosophy. For this reason, he has not been afraid to champion a more precise interpretation of Adam Smith's ideas about moral sentiments, even though Smith is usually held up these days, by the political left and right alike, as little more than a pro-market poster boy.
This intellectual judiciousness is central to the lessons of Sen's work. Because development is a politically charged field, not to mention an ethically imperative one, we will never resolve the fundamental challenge it poses to society unless we are prepared to do much more of this sort of work. And as Sen has made clear, resolving the challenge of development is becoming more, not less, important in a world torn between the advance of globalisation and the retreat of the political art of good judgment.