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domingo, 7 de junho de 2026

Vergonha do Dia D! Pete, do Pentágono, envergonha os nossos heróis caídos da Segunda Guerra Mundial na cerimónia da Normandia ao comparar os barcos dos migrantes à invasão aliada contra os nazis!


O secretário para os Crimes de Guerra, Pete Hegseth, teve um comportamento extremamente desrespeitoso na comemoração do Dia D, hoje, na Normandia, aproveitando o evento solene para promover uma retórica anti-imigrante.

Enquanto se encontrava nas praias sagradas onde as forças aliadas lançaram a maior invasão da história para libertar a Europa da ocupação nazi, Hegseth afirmou:

«Hoje, diferentes praias europeias são invadidas por diferentes ideologias perigosas. Em Espanha, Itália, Grécia e Bulgária, chegam barcos e homens. Quando é que as capitais europeias farão algo em relação a essa invasão? Ou será que já é tarde demais?» [aqui]

Meu Deus. O Dia D foi o momento em que as tropas americanas, britânicas, canadianas e outras forças aliadas arriscaram tudo para invadir aquelas praias e derrotar o fascismo. Um dia em que parecia realmente que o futuro do mundo estava por um fio.

Desvalorizar a 82.ª comemoração desse dia com posturas políticas xenófobas e sem sentido sobre a migração é simplesmente inconcebível.

Em nome do punhado de jovens heróis que ainda estão entre nós com 100 anos ou mais, pedimos desculpa em nome do povo americano.

Num dos locais mais sagrados e históricos do mundo, o trumpista Hegseth nem sequer conseguiu mostrar algum respeito básico pelos que morreram, deixando a política de fora, por uma vez.

Que vergonha, Pete. Cala-te, porco.

Testemunho de Robert Reich
Toda Verdade aqui

sábado, 25 de abril de 2026

25 Abril: Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene


O porta-voz do Livre Rui Tavares acusou hoje o presidente do Chega de ter citado Adolf Hitler e um mito nazi no discurso da sessão solene do 25 de Abril quando repetiu diversas vezes a expressão “apunhalado pelas costas”.

Em declarações aos jornalistas durante a tradicional descida da Avenida da Liberdade, em Lisboa, para celebrar a Revolução dos Cravos, Rui Tavares afirmou que Ventura, na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, no parlamento, repetiu “quatro ou cinco vezes uma frase de Hitler, como se não fosse nada”.

“A famosa frase ‘apunhalada nas costas’, que é uma frase que vem dos nazis, e que se referia à Primeira Guerra Mundial e que ele hoje usou para a Guerra Colonial, como se não fosse nada”, sustentou.

Em causa está a crítica feita por André Ventura na intervenção desta manhã no parlamento, em que criticou aqueles que “exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo” e afirmou, repetindo a expressão três vezes, que estes portugueses foram “apunhalados pelas costas”.

A “lenda da punhalada nas costas” foi um mito político difundido na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, segundo o qual o exército alemão não teria sido vencido no campo de batalha, mas sim traído internamente por, entre outros, socialistas, bolcheviques e judeus alemães, tendo contribuído para a ascensão de Hitler do Partido Nazi.

Rui Tavares considerou que há uma escalada no discurso político que está a ser ignorada: “Hoje cita Hitler e os nazis, toda a gente faz de conta que não ouviu, e amanhã diz ou faz qualquer coisa ainda mais terrível, e toda a gente faz de conta que não é consigo”.

Também a deputada do PS Eva Cruzeiro criticou a expressão utilizada por André Ventura, considerando, numa publicação feita na rede social ‘X’, que não se trata de uma “frase qualquer”.

“Remete diretamente para a Dolchstoßlegende [Lenda da Punhalada pelas Costas], um dos pilares da propaganda que abriu caminho ao nazismo. Foi usada sistematicamente para alimentar ressentimento, fabricar inimigos internos e justificar a erosão da democracia da República de Weimar. Foi central na narrativa que Adolf Hitler explorou para chegar ao poder”, criticou.

Para a socialista, o líder do Chega não estava a fazer “um desabafo inocente”, mas sim a “convocar um imaginário político perigoso, assente na divisão, na desconfiança e na distorção da história”.

E conclui: “Quem conhece a história reconhece estes sinais e sabe que a democracia não se perde de um dia para o outro, desgasta-se quando se normalizam discursos que já provaram, no passado, aonde conduzem. André Ventura mostra abertamente o seu plano. É inaceitável”.

A tentativa de André Ventura em adaptar a "Lenda da Punhalada pelas Costas" (Dolchstoßlegende) ao contexto da Descolonização (1974-1975)

Essa narrativa de que Portugal foi "apunhalado pelas costas" durante o processo de descolonização é um exemplo flagrante de pós-verdade, pois ignora os factos históricos em favor de um revisionismo emocional que serve interesses políticos atuais. Ao transpor o mito alemão da Dolchstoßlegende para a realidade portuguesa de 1974, André Ventura e a direita radical operam uma inversão da causalidade: tentam convencer o público de que o 25 de Abril "causou" a derrota em África, quando, na verdade, foi a exaustão de uma guerra impossível de vencer que causou o 25 de Abril. Esta construção ignora que o exército português enfrentava um impasse militar absoluto, um isolamento diplomático total perante a ONU e uma economia asfixiada que consumia cerca de 40% do orçamento do Estado na defesa do Ultramar.

Ao utilizar esta retórica, Ventura não está a fazer uma análise histórica, mas sim a praticar uma "pesca de arrasto" no ressentimento de antigos combatentes e retornados, oferecendo-lhes um culpado conveniente — a "elite de Abril" — para um trauma coletivo que é muito mais profundo e complexo. A pós-verdade reside precisamente nesta simplificação: transforma-se uma transição histórica inevitável e tardia numa traição planeada, substituindo a complexidade do fim dos impérios coloniais europeus por uma fábula de "bons patriotas" contra "traidores entreguistas". No fundo, é a utilização de uma mentira histórica confortável para atacar a legitimidade da democracia portuguesa e reabilitar um passado autoritário sob a capa de um orgulho nacional ferido.

Historiografia
Museu Histórico Alemão - Dolchstoßlegende

O mito da punhalada pelas costas (em alemão: Dolchstoßlegende, pronuncia-se Lenda da Punhalada pelas Costas) é uma teoria da conspiração anti-semita e anticomunista, promovida por Adolf Hitler.


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PJ desmantela grupo neonazi "Grupo 1143" responsável por crimes de ódio e detém 37 suspeitos


A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou hoje uma associação criminosa que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”.

Em comunicado, a PJ adianta que, no âmbito da operação “Irmandade”, foram constituídos “mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias”.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.

São suspeitos de terem fundado a organização criminosa, com uma estrutura hierárquica e distribuição de funções, “com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial”.

A organização é “responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.

Na operação, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, participaram cerca de 300 elementos da PJ.

Segundo a CNN Portugal, o líder do grupo é Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia, e as vítimas eram imigrantes de países islâmicos.

Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos têm marcado o primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação, na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Há dois elementos "não civis" entre os 37 detidos do Grupo 1143 durante a Operação Irmandade, esta terça-feira. A PJ não quis explicitar se se tratam de elementos das forças e serviços de segurança, na conferência de imprensa realizada poucas horas após as buscas. Mas o Expresso apurou que um destes dois elementos é um militar e o outro polícia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

WhiteDate. 32 homens em Portugal tinham perfis no "Tinder Nazi"



Mais de 30 homens residentes em Portugal tinham contas na plataforma de encontros WhiteDate, conhecida como o "Tinder Nazi", um site que promovia encontros entre pessoas de ascendência europeia com valores "tradicionais".
 
O WhiteDate (que na tradução livre significa literalmente "Encontro Branco", referindo-se à etnia caucasiana) apresentava-se como um local para pessoas de valores "tradicionais" e de "ascendência europeia", que pretendiam contribuir para "criar uma sociedade racialmente pura".

O site foi, entretanto, apagado, mas graças ao trabalho de Martha Root (pseudónimo) - uma hacker alemã que levou a cabo a divulgação dos perfis e dados de quem tinha uma conta - é possível ainda consultar esta informação.

No site, criado pela própria, os utilizadores podem consultar um mapa mundo, onde são assinalados os perfis de quem tinha uma conta no WhiteDate. Para aprofundar a informação, pode-se ainda visitar estes perfis um a um e ler o que tinham na plataforma.


"Nascido em Portugal, mas a viver na Noruega, consciente do que significa ser europeu, procuro encontrar uma parceira de ascendência europeia para criar e cuidar de uma família", lê-se no perfil de um homem de 31 anos. 

Mais abaixo, nas orientações políticas, este utilizador admite ser de extrema-direita e até mesmo fascista.

"Estou farto de toda a degeneração que tem corroído a civilização ocidental, sobretudo nas relações entre homens e mulheres", lê-se numa outra biografia. "A necessidade de encontrar uma parceira a quem eu possa dedicar todo o meu coração na sociedade atual parece valer a pena apenas com a ajuda de iniciativas como esta comunidade romântica online para pessoas brancas", acrescenta.

E num outro perfil, este de um homem de 23 anos: "Acho que é importante para nós, brancos, termos os nossos próprios espaços, especialmente no que diz respeito às relações sexuais".

Nas dezenas de perfis, a grande maioria apresenta-se como "pro-white" ou "pró-branco", em português, com muitos a dizerem-se também anti-vacinas e a admitirem não terem sido vacinados contra a Covid-19.

As idades variam entre os 20 e os 50 anos.

Mas há um outro dado que se faz notar: em Portugal, não há um único perfil de uma mulher, apesar de todos estes homens estarem à procura de uma parceira.

De facto, no total dos oito mil perfis divulgados, com mais de 6.500 ativos na altura da exposição, cerca de 86% pertencia a homens. Apenas 14% dos utilizadores da plataforma eram mulheres.

Perante a disparidade, Martha Root chegou mesmo a ironizar, dizendo que a plataforma "faz com que a aldeia dos Smurf parecia uma utopia feminista".

A hacker alemã infiltrou-se na plataforma durante uma conferência tecnológica realizada em Hamburgo, na Alemanha, em dezembro de 2025, (onde apareceu mascarada de Power Ranger rosa para proteger a sua identidade) mas a ação resultou de um trabalho de vários meses.

Ao longo desse tempo, Root disse ter descoberto que a cibersegurança da plataforma era tão má que "faria a conta de AOL da tua avó corar".

"Imagina dizeres que fazes parte da ‘raça superior’ e esqueceres-te de proteger o teu próprio site - talvez seja melhor dominar o WordPress [plataforma de criação de sites] antes de dominar o mundo", atirou.

O WhiteDate era gerido, alegadamente, por uma mulher de extrema-direita a partir da Alemanha.

Dos cerca de 6.500 perfis ativos, cerca de metade eram dos Estados Unidos com 3.411 utilizadores. Seguia-se o Reino Unido, com 399 perfis, França, com 380, e o Canadá, com 357. A vizinha Espanha tinha 46 utilizadores. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

"Este é o NOSSO Hemisfério"- diz Trump sobre eventual invasão ilegal da Gronelândia


Hitler chamou-lhe Lebensraum ("Espaço Vital").
Putin chama isso de Russkiy Mir ("o Mundo Russo").
Trump chama isso de "Nosso Hemisfério".

Seja em sua forma nazi, racista ou fascista americana, esse imperialismo descarado deve ser combatido por todos os amantes da liberdade, em qualquer lugar do mundo.
O direito internacional, tal como a Carta da ONU, reconhece a igualdade de soberania dos Estados.

sábado, 8 de novembro de 2025

Duas versões excelentes do fantástico tema dos Joy Division - "Love WIll Tear Us Apart", por Mísia e Stone Roses




O nome Joy Divison foi retirado do romance ‘House of Dolls’, em 1956 da autoria de Yehiel De-Nur, sobrevivente do Holocausto. Nesse livro Joy Division (Divisão da Alegria) é o nome dado para a área onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e “oferecidas” sexualmente aos oficiais nazis. Era um nome forte, poderoso, e já carregava por si caráter e crítica social. Mas não corresponde à verdade.
Um porta-voz do Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau disse ao The Guardian que "não há registos históricos de qualquer ‘ala’ de um campo de concentração onde mulheres judias fossem forçadas à escravidão sexual". Dos livros que já li sobre o Holocausto (e foram muitos, muitos) também nunca nada sobre isso lá aparece.
Foi um período histórico em que era comum bandas se inspirarem no III Reich, mas sem "activismo" racista ou intenções anti-semitas. Apenas para chocar, incomodar, criar impacto social. 
Portanto é um mito urbano classificar os Joy Division como uma banda antissemita e/ou nazi. Daniel Rachel explica isso muito bem - livro aqui

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Padre alemão descobre na internet que é neto de Heinrich Himmler, o 'arquiteto' do Holocausto


German pastor Henrik Lenkeit was shocked to discover his grandfather was top Nazi politician Heinrich Himmler through a World War II documentary. Himmler, Hitler’s deputy and a main architect of the Holocaust, was involved in an affair with Lenkeit’s grandmother that led to two children, one of whom was Lenkeit’s mother. He told 10 News+ the discovery was psychologically devastating, and he now speaks out against antisemitism, decrying everything his grandfather stood for.

Henrik Lenkeit viveu 47 anos sem saber que era familiar do braço direito de Hitler, um dos homens mais cruéis da Alemanha nazi.

Henrik Lenkeit, pastor evangélico alemão, descobriu no ano passado, aos 47 anos, que é neto de Heinrich Himmler, braço direito de Hitler e um dos arquitetos da 'Solução Final' do Terceiro Reich, que levou à morte de milhões de judeus, ciganos, homossexuais e dissidentes políticos durante a Segunda Guerra Mundial. Ficou em choque e ainda não acredita que a sua avó tenha sido amante de "um monstro assassino nazi", conforme contou numa recente entrevista à 'Sky News'.

Lenkeit viu um documentário sobre nazis e depois procurou mais informação online. Foi aí, na Internet, que se deparou com uma fotografia da avó materna, Hedwig Potthast, com a legenda "amante de Himmler".

Depois descobriu que Himmler era, nada mais, nada menos, que o pai biológico da sua mãe. E ficou em choque. "Como é que se processa que és familiar de um dos maiores criminosos da história? Não processas", admitiu. "Quem sou? Quem eu era? Por que não me disseram a verdade durante 47 anos? A minha vida foi uma mentira!"

Mais a frio, Lenkeit reconheceu que os pais quiseram na realidade protegê-lo da verdade. A avó tinha sido secretária pessoal de Himmler, acabando depois por se tornar sua amante. "Ela era uma pessoa muito carinhosa, nunca pensei que pudesse ter sido amante de um assassino."

O pastor evangélico acredita que a avó conhecia os crimes cometidos por Himmler. "Eles eram amantes. Amantes monstruosos", acrescenta, mostrando-se horrorizado com a sua herança genética. "Pergunto-me qual é a minha herança de tudo aquilo?"

Henrik não hesita em considerar o avô "um assassino em massa", "maléfico" e "demoníaco". "Todas as coisas más que se possa imaginar. Homem de confiança de Hitler... É meu avô e não há nada que eu possa fazer em relação a isso."

domingo, 26 de outubro de 2025

Salazar era essa ficção moral e impoluta que nos tentam agora vender? Não, Salazar era corrupto.

Principais evidências de corrupção sob Salazar

  1. Rede de pedidos de favores (“cunhas”)

    • No livro Salazar Confidencial (de Marco Alves), analisaram milhares de cartas enviadas a Salazar por amigos, familiares, ministros, padres, etc., pedindo favores: emprego, promoções, casas, intervenção em processos judiciais, e mais. 

    • Essas cartas mostram como a máquina do Estado era usada para beneficiar pessoas próximas, burlando regulamentos formais. 

  2. Escândalos sexuais e de abuso

    • O “Caso Ballet Rose” nos anos 1960 envolveu figuras importantes do regime em abusos de menores. 

    • Segundo a enciclopédia Visão, esses escândalos existiam, mas eram abafados, porque não havia imprensa livre e a polícia política era poderosa. Visão

  3. Uso institucional para manter poder

  4. Debate parlamentar sobre “corrupção”

    • Um artigo na Italian Political Science Review analisa como nas Assembleias Nacionais do Estado Novo (1935–74) se falava de “corrupção”, mas muitas vezes de forma discursiva/política, para criticar pessoas, em vez de haver investigações reais independentes. 

  5. Violência política e uso da PIDE

    • O regime dispôs de um aparelho repressivo (PIDE) que ajudava a silenciar oposição e potenciais denúncias.

    • Isso implica que a corrupção “visível” poderia ter sido limitada por medo ou pela repressão, mas isso não significa que não existisse favorecimento interno.


Interpretação

  • A corrupção sob Salazar não é tão simples como em regimes democráticos com investigação pública livre: muitos abusos não foram denunciados ou foram escondidos.

  • Parte da “corrupção” era institucional: o regime dependia de redes de influência e favores para manter poder, em vez de simplesmente roubo público.

  • Também há uma narrativa idealizada (em parte mítica) de que “no tempo de Salazar não havia corrupção”; mas a historiografia recente mostra que isso é uma simplificação.


📚 Livros e estudos recomendados

  1. Salazar Confidencial: A História Secreta da Rede de Cunhas e Favores do Estado Novo — Marco Alves

    • Este livro é uma investigação jornalística / histórica baseada em milhares de cartas enviadas a Salazar: pedidos de emprego, favores, influências políticas, promoções, casas, “cunhas”. 

    • Mostra como funcionava uma “máquina de favorecimentos” no Estado Novo, revelando uma face de clientelismo que vai para além do discurso público de austeridade moral ou integridade de Salazar. 

    • Índice do livro mostra capítulos específicos dedicados a como Salazar usava o Estado para benefícios privados (“como Salazar usava os meios do Estado na sua vida privada”).

    • Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

      É a primeira vez que toda a correspondência particular enviada a Oliveira Salazar é tratada para um livro, numa investigação exaustiva sobre 2446 processos individuais, de onde se analisaram 70243 páginas de cartas, relatórios, currículos e fotografias.

      Os documentos mostram os surpreendentes bastidores do Estado Novo, expondo a intimidade de um regime sustentado em cunhas e favorecimentos pessoais

  2. Salazar e os Fascismos: Ensaio breve de história comparada — Fernando Rosas

    • Rosas, historiador de renome, analisa o Estado Novo no contexto dos fascismos europeus, o que ajuda a entender a natureza autoritária do regime. ihc+1

    • Embora não seja um livro “sobre corrupção” per se, examina a estrutura de poder, ideologia e instituições do regime, contribuindo para a compreensão de como o poder era mantido, distribuído e reproduzido. 

    • Discute também os mecanismos políticos internos e a elite política que sustentava o regime, o que pode estar ligado a práticas de clientelismo institucional.

  3. O Estado Novo de Salazar. Uma Terceira Via Autoritária na Era do Fascismo — António Costa Pinto (coordenação)

    • Esta obra coletiva reúne vários historiadores e analisa o Estado Novo como um regime autoritário que se coloca entre a democracia liberal e o fascismo clássico.

    • O livro aborda temas de estrutura de poder, recrutamento da elite governamental e institucionalização do regime. Esses aspetos são relevantes para entender como funcionavam os privilégios e os favores políticos.

    • Também contribui para a reflexão de que, embora o regime não fosse “corrupção aberta” no sentido tradicional, existiam mecanismos de poder muito hierarquizados, clientelistas e centralizados.

  4. O Império do Professor: Salazar e a Elite Ministerial do Estado Novo (1933–1945) — António Costa Pinto (artigo)

    • Este é um artigo académico (publicado na revista Análise Social) que analisa como a elite ministerial era composta, como se recrutava e como funcionavam as nomeações políticas. 

    • Ajuda a ver a “corrupção” ou clientelismo no nível das nomeações de poder: como Salazar distribuía cargos, a sua relação com os ministros e a forma como o regime se mantinha por redes de lealdade pessoal.

  5. Public Finances of a European Dictatorship: Portugal under the Estado Novo Regime — Ricardo Ferraz

    • Este livro analisa as finanças públicas durante o Estado Novo (1933–1974) com rigor econométrico. 

    • Interessa para a corrupção porque examina receitas, despesas, endividamento e uso do orçamento estatal. Revela de que forma o regime geria recursos públicos e quais eram os seus desafios fiscais — isto pode ser interpretado como uma forma de “corrupção institucional” (no sentido de uso político das finanças).

    • Também coloca o caso português em contexto comparado, o que é útil para entender se os desequilíbrios financeiros eram mais devidos a prática clientelista ou a dificuldades estruturais.

  6. Vítimas de Salazar: Estado Novo e Violência Política — Irene Pimentel, João Madeira, Luís Farinha

    • Este livro aborda a repressão política, violência e a forma como o regime silenciava a oposição. 

    • Embora o foco principal seja a violência política e não diretamente a “corrupção”, entender o papel da PIDE (polícia política) e a repressão é importante para perceber porque muitas práticas de favorecimento ou abusos de poder não foram contestados ou investigados: o medo era uma via de controle.

  1. Salazar e os milionários, Pedro Jorge Correia;
  2. Salazar Confidencial, Marco Alves;
  3. Os Donos de Portugal - Jorge Costa, Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda, Cecília Honório.
  4. Jubileu, 1953

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

White Supremacy. White Right: Meeting the Enemy


Deeyah Khan, uma cineasta britânica-norueguesa de origem paquistanesa, conhecida pelos seus trabalhos sobre direitos humanos e extremismo, decidiu encontrar e conversar pessoalmente com membros e líderes de grupos supremacistas brancos nos Estados Unidos.

Documentário pungente.

O documentário mostra encontros reais com:
  1. Jeff Schoep, então líder do National Socialist Movement (movimento neonazi norte-americano);
  2. Ken Parker, ex-membro da Ku Klux Klan e neonazi;
  3. Outros militantes e manifestantes de extrema-direita, incluindo participantes do violento protesto em Charlottesville (2017).
Deeyah Khan, sendo mulher muçulmana e não branca, aproxima-se deles com uma postura calma, empática e curiosa — não para os confrontar com ódio, mas para tentar entender a raiz da intolerância, do medo e da raiva racial.

💬 Mensagem central
O documentário mostra que a ideologia supremacista branca nasce de medo, frustração e alienação, não apenas de ódio puro.
Khan demonstra como a empatia e o diálogo podem levar alguns extremistas a questionar as suas crenças.
De facto, alguns dos entrevistados, como Ken Parker, acabaram por renunciar ao extremismo após o encontro com ela — algo que o filme documenta parcialmente.

⚖️ Significado e impacto
“White Right: Meeting the Enemy” é uma reflexão sobre o poder do diálogo humano em tempos de polarização extrema.
O documentário foi vencedor de um BAFTA (British Academy Film Award) em 2018.

Ler mais: 
Brands can’t choose their customers. So what happens when extremists wear their clothes?

terça-feira, 20 de maio de 2025

Outro filme imprescindível: O Julgamento de Nuremberg, 1961 (legendado)


O Tribunal de Nuremberg, em 9 de dezembro de 1946, julgou vinte e três pessoas da liderança nazi (entre elas: militares, políticos, etc...), vinte das quais médicos, que foram consideradas como criminosos de guerra, devido aos brutais experimentos realizados em seres humanos. Os réus foram denunciados peos seguintes crimes 1- Conspiração para cometer agressão, 2- crimes contra a paz, 3- crimes de guerra, 4-crimes contra a humanidade. As condenações variaram desde a morte por enforcamento, prisão perpétua, prisão e absolvição. O Tribunal demorou oito meses para julgá-los. Em 19 de agosto de 1947 o próprio Tribunal divulgou as sentenças, sendo que sete de morte, e um outro documento, que ficou conhecido como Código de Nuremberg. Este documento pode ser considerado como um marco na história da humanidade, pois pela primeira vez foi estabelecida uma recomendação de repercussão internacional sobre os aspectos éticos envolvidos na pesquisa em seres humanos. A sua repercussão prática, contudo, foi muito restrita.

Direção: Stanley Kramer | Roteiro Montgomery Clift
Elenco: Spencer Tracy, Marlene Dietrich, Richard Widmark
Título original Judgement at Nuremberg

O Ovo da Serpente 1977 - Filme Raro sobre Nazismo (legendado) - a ver e partilhar


O meu “dia seguinte” aconteceu em 2017 quando o Trump ganhou as eleições. Percebi que ele poderia não ser um epifenómeno mas o princípio de um perigoso processo de degradação e derrapagem para uma direita extremada. A forma como falava, a rudeza com que exprimia a negação dos valores mais elementares, o dizer e o desdizer a seguir com um encolher de ombros normalizando a volubilidade da opinião e decisão, o machismo grosseiro, as asserções anti-científicas...um verdadeiro retrocesso civilizacional.

A psicologia explica muitas coisas que escapam à análise política estrita. O Trump não plantou aquelas ideias nas pessoas: elas estavam lá, controladas pelos filtros sociais pelo assumir de valores socialmente desejáveis. Trump abre a caixa de Pandora que depois de aberta nunca se sabe quando se fecha. O mesmo com o Ventura em modo caseiro.

O que se seguiu foi o que se viu: o retomar dos discursos e políticas despudorados como o de Bolsonaro a que se seguiram tantos outros pela Europa fora. E assistimos à aproximação perigosa dos sociais democratas às teses da extrema direita (gelei com o último discurso do Montenegro nas anteriores eleições).

O mundo de hoje está numa deriva tremenda em que há liberdades que estão em risco e a estrutura, o osso do sistema está muito afetado. Há um torpor face a ataques inimagináveis : a proibição de livros nos EUA, o controle ideológico nas universidades, a proibição do uso de determinadas palavras obrigaria a um levantamento generalizado. Há manifestações grandes mas não há um clamor massivo de rejeição. Estes avanços estão a começar a grassar na Europa.

As guerras- as colunáveis e as outras mais silenciosas e silenciadas - a tragédia de Gaza e a tragédia do silêncio cúmplice adensam tudo. Os tempos são densos e turvos e é difícil visualizarmos uma saída.

Tem-me vindo à memória um filme que me impressionou imenso: “O ovo da serpente “ do Ingmar Bergman que de um modo bruto e discreto conta como o fascismo larvar roía o sistema na Alemanha a pré-anunciar o nazismo. Que chegou. Se puderem, vejam.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Paz efémera: um histórico dos cessar-fogos Rússia-Ucrânia



Desde a anexação ilegal da península ucraniana da Crimeia, em 2014, tem havido várias tentativas de dar um fim definitivo à guerra na Ucrânia, envolvendo tanto os apoiadores europeus do país quanto os Estados Unidos – sem qualquer sucesso.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs uma nova rodada de negociações de cessar-fogo em Istambul nesta quinta-feira (15/05). O anúncio coincidiu com um novo ataque com drones a Kiev, dando fim à "trégua" de três dias declarada unilateralmente por Moscou.

Os líderes europeus recusaram a proposta de conversações diretas, enquanto ambas as partes do conflito não declarassem cessar-fogo incondicional. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, iniciamente apoiou essa proposta, mas decidiu participar das conversas em Istambul após o presidente dos EUA, Donald Trump, insistir que ele deveria fazer isso. Não está claro ainda se Putin irá ou se enviará um representante.

Nos últimos meses, os EUA vêm promovendo prolongadas negociações separadas com a Ucrânia e com a Rússia. Antes de ser eleito, Trump prometera dar fim ao conflito já em seu primeiro dia de presidência. Além de a promessa não ter se cumprido, as repetidas intervenções de Washington denotam um favorecimento dos interesses de Putin.

Apesar do insucesso em alcançar um cessar-fogo duradouro, desde o início da invasão russa da Ucrânia em larga escala em 2022 houve diversos acordos de curto prazo. Kiev e Moscou têm-se acusado mutuamente de violar tanto esses pactos quanto os cessar-fogos declarados unilateralmente.

Desde 1994, a Rússia já rompeu diversos pactos visando assegurar a existência da Ucrânia após a queda da União Soviética (URSS).

Memorando de Budapeste e Tratado de Amizade Russo-Ucraniano
O Memorando de Budapeste foi um acordo entre a Ucrânia e a Rússia, coassinado pelos EUA e o Reino Unido em 5 de dezembro de 1994. A condição fora Kiev concordar em entregar as armas nucleares que a Rússia herdara da URSS. Em troca, Moscou, Washington e Londres se comprometiam a "respeitar a independência e soberania e as fronteiras existentes" e "abster-se de ameaçar ou empregar força contra a integridade territorial e a independência política da Ucrânia".

Além disso, em 1997, o Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria comprometia ambas as partes ao "respeito e confiança mútuos" e "respeitar a respectiva integridade territorial".

Ambos os pactos visavam prevenir um conflito entre as duas nações do Leste Europeu. Ao invadir e anexar a Crimeia, no Mar Negro, em fevereiro de 2014, e prosseguir invadindo e atacando território ucraniano, os russos violaram repetidamente seus compromissos sob o Memorando e o Tratado.

Acordos de Minsk
Dois acordos assinados em Bielorussia – país aliado da Rússia – e apoiado por potências europeias, que receberam o nome de sua capital, não bastaram para garantir a paz russo-ucraniana. Firmado em 5 de setembro de 2014, o Protocolo de Minsk (também denominado "Minsk I") continha 12 tópicos relativos à desescalada do recente conflito no leste da Ucrânia, mas fracassou dentro de alguns dias.

Em 12 de fevereiro de 2015 seguiu-se "Minsk II", em que as duas nações em conflito, as forças separatistas pró-russas das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acordaram sobre 13 pontos. Seguiu-se um cessar-fogo imediato, porém poucas horas antes de a trégua entrar em vigor, russos e ucranianos já se acusavam mutuamente de violações.

Escalada em 2022 e cessar-fogos rompidos
Desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, diversos cessar-fogos de prazo curto foram instaurados e rompidos:
  • 6 de março de 2022: Breve cessar-fogo humanitário é cancelado em meio a notícias de bombardeio da cidade de Mariupol, no Mar de Azov.
  • 8 de março de 2022: Tentativas repetidas de formar corredores de evacuação humanitária redundam em acusações de que a Rússia estaria impedindo a passagem dos civis.
  • 7 de janeiro de 2023: Rússia decreta cessar-fogo unilateral para celebração do Natal ortodoxo. Poucas horas mais tarde, líderes ucranianos relatam a retomada dos bombardeios inimigos. Por sua vez, a imprensa estatal russa acusa a Ucrânia de ataques com drones contra posições militares.
  • 18 de março de 2025: Negociações entre EUA e Rússia na Arábia Saudita, em seguida a telefonema entre Trump e Putin, resultam em acordo de cessar-fogo de 30 dias para "energia e infraestrutura". Zelenski concorda com um cessar-fogo parcial alinhado com essas conversas.
  • 25 de março de 2025: No contexto de negociações lideradas pelos EUA, Ucrânia e Rússia concordam em suspender ofensivas no Mar Negro, uma rota de navegação vital.
  • 27 de março de 2025: Kiev e Moscou acusam-se mutuamente de violar, com ataques à infraestrutura, a trégua temporária de 18 de março.
  • 19 de abril de 2025: Supostamente por razões humanitárias, Putin declara "trégua de Páscoa" das 18h00 (12h00 em Brasília) de 19 de abril à meia-noite de 21 de abril. Ucrânia expressa cepticismo, o presidente Zelenski afirma que ataques com drones continuam. Mais tarde, ele alega que Rússia cometera milhares de violações ao longo do front.
  • 10 de maio de 2025: Rússia declara cessar-fogo unilateral em comemoração aos 80 anos da derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Ucrânia acusa o país de violar sua própria trégua 734 vezes.

sábado, 3 de maio de 2025

Richard Zimler - Não visitem a América e não comprem produtos americanos

O meu marido e eu visitámos recentemente uma exposição em Paris intitulada "Arte Degenerada: Arte Moderna em Julgamento pelos Nazis", que apresentava obras incluídas na famosa exposição de arte do Terceiro Reich em Munique, criada para alertar o público alemão sobre pinturas e esculturas de Otto Dix, Paul Klee e outros que comprometeriam a saúde moral, espiritual e física da Pátria.
Ao visitar a exposição em Paris, lembrei-me terrivelmente da tentativa de Trump de forçar as universidades nos EUA e as empresas no estrangeiro que fazem negócios com americanos a assinar documentos estipulando que não têm qualquer filiação com qualquer organização comunista ou socialista, ou que de alguma forma promovem a diversidade e a inclusão. Para Trump e os seus aliados, qualquer pessoa que discorde deles ou que tenha opiniões progressistas é um degenerado moral – um inimigo do povo americano. Em discursos que fazem lembrar Hitler, Trump prometeu "erradicar os bandidos da esquerda radical que vivem como vermes dentro dos limites do nosso país". E, tal como os teóricos raciais nazis, declarou em entrevistas que “a imigração está a envenenar o sangue do nosso país”.
Ao longo dos últimos 100 dias, Trump levou os EUA cada vez mais perto de uma ditadura controlada por fascistas bilionários como Elon Musk. Fez tudo o que estava ao seu alcance para minar o Congresso, os tribunais e a própria Constituição.
A diferença entre ricos e pobres irá certamente aumentar à medida que as tarifas e isenções fiscais de Trump para os super-ricos entrarem em vigor. Atualmente, treze multimilionários fazem parte da sua administração. É claro que estamos a caminhar para o sonho de um sociopata de governo autoritário, no qual os 0,1% dos homens e mulheres mais ricos promulgarão políticas destinadas a manter os pobres cada vez mais incapazes de ascender à classe média — e a classe média tão desesperada para pagar as prestações da casa e ficar longe das dívidas que perde a vontade de procurar mudanças. Se tiver alguma dúvida sobre este objectivo, tenha em mente que a eliminação do Departamento de Educação por Trump irá certamente reduzir a qualidade do sistema escolar público dos Estados Unidos e eliminar os programas para imigrantes, pessoas com deficiência e os americanos mais pobres. Considerando que as escolas públicas são o maior motor para permitir que aqueles que crescem na pobreza tenham uma boa educação e vivam os seus sonhos, isto por si só irá garantir que dezenas de milhões de americanos perderão qualquer hipótese que tiveram de melhorar as suas vidas.
Confesso que sei cada vez menos sobre as ações específicas de Trump nas últimas semanas porque já não consigo ver as notícias ou ler artigos que me são enviados por amigos ansiosos e aterrorizados. Veja, todas as minhas esperanças por uma sociedade mais gentil e igualitária estão a desaparecer. Tudo aquilo por que lutei quando era um jovem que crescia na América nas décadas de 1960 e 1970 poderá em breve desaparecer: os direitos das mulheres, os direitos dos homossexuais, a protecção ambiental.
Eis um exemplo da América de Trump que também o deveria deixar ansioso e aterrorizado: em estados como o Texas, uma rapariga de 13 anos que é violada e engravida não tem direito a abortar e, se tentar interromper a gravidez, ela — e qualquer pai, amigo ou médico que a ajude — pode ser acusada de homicídio. Sim, as mulheres nos Estados Unidos já foram presas, encarceradas e julgadas por tomarem comprimidos para interromper a gravidez ou por terem sofrido um aborto espontâneo. E muitos outros acabarão na prisão durante décadas se Trump e muitos governadores estaduais conseguirem o que querem.
Os EUA são hoje um país onde a bondade e a solidariedade são consideradas desvantagens morais e ameaças à nação. Tem alguma dúvida? Bem, aqui está Elon Musk sobre o assunto: “A fraqueza fundamental da civilização ocidental é a empatia”.
Por vezes é difícil definir o mal, mas diria que qualquer pessoa que considere a maior e mais importante capacidade humana como uma "fraqueza fundamental" tem um enorme potencial para fazer grandes maldades. E é exatamente isso que fará se não for travado.
A minha maior desilusão com os americanos neste momento é que milhões de pessoas não se estão a manifestar contra um presidente empenhado em declarar-se o nosso novo Führer. Porque é que os nossos cidadãos — velhos e novos, negros e brancos, gays e heterossexuais, mulheres e homens — não marcham todos os dias em Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e outras cidades americanas? Os nossos ex-presidentes Obama e Clinton não deveriam estar nas ruas a unir todos aqueles que ainda acreditam na democracia?
Não tenho planos atuais para visitar os Estados Unidos porque tenho publicado artigos contra Trump desde antes da sua primeira eleição e temo pela minha segurança lá. Estou paranóico? Talvez. Mas todos os judeus sabem que é melhor ser um pouco paranóico, porque perdemos seis milhões de familiares que acreditavam que a sua cidadania os salvaria dos nazis. E que acabaram gaseados nos campos de concentração.
Para os meus amigos portugueses… Se querem ajudar aqueles de nós que lutamos contra Trump, não visitem a América e não comprem produtos americanos. Porquê? Na minha opinião, aqueles que apoiam Trump só acordarão para a idiotice e crueldade da sua política.

sábado, 5 de outubro de 2024

O Indo que há em nós


Por Nuno Gomes
A Europa moldou o mundo durante os últimos 500 anos, com as invasões em todos os continentes, espalhando a sua "superioridade". Os nazis levaram essa "superioridade" ao extremo e tentaram exterminar aqueles que não encaixavam na sua ideia de raça pura ariana onde nem o próprio Hitler cabia, devendo, portanto, ser mais um para as câmaras de gás, segundo a sua lógica doentia. Hoje em dia, russos e israelitas apregoam essa "superioridade" com bombas e assassínios em massa.
Mas o espantoso é que na verdade a maioria dos europeus, incluindo os arianos, são emigrantes asiáticos, sobretudo das estepes da Ásia Central, que podem ser seguidos até ao vale do Indo, entre a Índia e Paquistão. As primeiras vagas de migração dos africanos modernos na Europa (Cro-Magnons) aconteceram há cerca de 40.000 anos, onde encontraram os Neanderthais e com eles se misturaram. Mas os Africanos ocuparam a Ásia muito mais cedo, chegando à Austrália há cerca de 60-65.000 anos. Os povos asiáticos tiveram, por isso, um desenvolvimento independente dos europeus e enquanto civilizações prosperavam na Índia, China, etc., na Europa vivia-se uma idade da pedra tardia. Basta ver que Göbekli Tepe, na Turquia, tem 12.000 anos e Stonehenge apenas 4.000. O nosso Cromeleque de Almendres é mais antigo que Stonehenge começando a ser construído há 6.000 anos, com modificações durante cerca de 3.000 anos. Mas enquanto os habitantes da Grã-Bretanha construíam Stonehenge os egípcios construíam as primeiras pirâmides. Os chamados povos indo-europeus tiveram origem no Vale do Indo, que migraram para a Europa através das estepes do Uzbequistão e Cazaquistão, Rússia, Ucrânia, etc., pela rota norte do Mar Cáspio e através do Irão, Turquia, Grécia, etc. Entre 4.000 e 5.000 anos atrás, dando origem às civilizações europeias actuais, pouco restando dos cro-magnons originais. Aliás, com a invasão da cultura yamnaya houve um genocídio dos homens, que foram massacrados, mas poupadas as mulheres, havendo uma substituição genética rápida na Península Ibérica há cerca de 4.500 anos.
E o povo ariano, esse tal de Hitler, é tão impuro como os outros e veio também do Indo, de onde veio, aliás, a cruz suástica usada pelos nazis, que por aqueles lados e noutras culturas era símbolo de prosperidade, não de destruição. 

domingo, 16 de junho de 2024

Uma Vida Singular (2024) - One Life


Baseado na história verídica de Sir Nicholas Winton, conhecido por "Nicky", um jovem corretor da bolsa londrino interpretado por Anthony Hopkins, que, com Trevor Chadwick e Doreen Warriner do Comité Britânico para os Refugiados na Checoslováquia, resgatou 669 crianças aos nazis nos meses que antecederam a Segunda Guerra Mundial, uma operação que ficou conhecida como o Kindertransport.

Nicky visitou Praga em dezembro de 1938 e encontrou famílias que tinham fugido à ascensão dos nazis ao poder na Alemanha e na Áustria e que viviam em condições desesperadas, com falta de abrigo e comida.

Apercebeu-se imediatamente de que se tratava de uma corrida contra o tempo. Quantas crianças poderiam ele e a sua equipa salvar antes do encerramento das fronteiras?

Cinquenta anos depois, em 1988, Nicky vive assombrado pelo destino das crianças que não conseguiu levar para Inglaterra, culpando-se sempre por não ter feito mais. Só quando o programa de televisão da BBC "That's Life!" o surpreende, apresentando-lhe algumas das crianças sobreviventes já adultas, é que Nicky começa finalmente a lidar com a culpa e a dor que carregou durante cinco décadas.

No final uma interrogação persistia em mim, passados oitenta anos como é possível assistirmos ao extermínio sem dó nem piedade de milhares de crianças palestinianas, pelas mãos de alguns que bem podem ser descendentes dos que foram salvos da barbárie nazi. Como é possível e a que ponto chegamos para que quem no mundo tem poder para impedir este monstruoso crime, permaneça impávido e sereno.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death In Rome - Love Me Forever (Motörhead - Cover)


in Memoriam Lemmy Kilmister, 1945 -2015

Love me forever, or not at all
End of our tether, backs to the wall
Give me your hand, don't you ever ask why
Promise me nothing, live 'til we die

Everything changes, it all stays the same
Everyone guilty, no one to blame
Every way out, brings you back to the start
Everyone dies to break somebody's heart

We are the system, we are the law
We are corruption, worm in the core
One of another, laugh 'til you cry
Faith unto death or a knife in the eye

Everything changes, it all stays the same
Everyone guilty, no one to blame
Every way out, takes you back to the start
Everyone dies to break somebody's heart
Oh, my lost love, come on back to me

Love me or leave me, tell me no lies
Ask me no questions, send me no spies
You know love's a thief, steal your heart in the night
Slip through your fingers, you best hold on tight

Everything changes, it all stays the same
Everyone guilty, no one to blame
Every way out, brings you back to the start
Everyone dies to break somebody's heart
Oh, my lost love, come on back to me

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death in Rome - What Is Love (Haddaway - Cover)


Filme: Diamantes da Noite (1964)

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?

I don't know why you're not there
I give you my love, but you don't care
So what is right?
And what is wrong?
Give me a sign

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more
What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

Oh, I don't know, what can I do?
What else can I say, it's up to you
I know we're one
Just me and you
I can't go on

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?
What is love?

I want no other, no other lover
This is our life, our time
When we are together, I need you forever
Is it love?

What is love?
Baby, don't hurt me
Don't hurt me no more

What is love?

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death In Rome - Destroy She Said (Circ - Cover)

"Alexander Nevsky" Film by Sergei Eisenstein, 1938 - The Battle of Lake Peipus

Like towers falling down
Like a bomb blast in your town
Like a hostage tied in chains
I could not forget your name

[Refrão]
Destroy, she said
My love again
The end will come quickly
Don't try again
To make amends
You'll just end up sinking
If you explode in aftermath
Don't think you've been dreaming
Destroy, she said
My love again
When it's not worth keeping

Like a helicopter crash
Like a ghetto that's been smashed
Like bodies on a battlefield
I can't live with how you feel

[Refrão]

Not along and not apart
You finished what you could not start
In the corners of the day
You catch my eye and then looked away
What a generous remark you made
When you blew it all away

[Refrão] [2X]

Saber mais:


Original by Circ 

"So actually I wrote these lyrics in 2000 or so, before the WTC attack. I was however at that time living on the corner of Church & Reade street in TriBeCa, actually with a view of the World Trade Center. So the "like towers falling down" thing was either a premonition or an unlikely coincidence."- Alexander Perls

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