Sir David Attenborough celebra esta sext-feira o 100.º aniversário e dispensa apresentações. A paixão e o entusiasmo com que deu a conhecer, ao longo das últimas sete décadas, o complexo e mágico mundo selvagem educou, entreteve e inspirou milhões de pessoas em todo o Mundo. Antes de alertar para questões ecológicas, ele ensinou-nos a amar cada espécie, mesmo as mais estranhas e perigosas.
David Frederick Attenborough nasceu a 8 de maio de 1926 em Isleworth, Londres, mas passou a infância em Leicester. Fascinado por fósseis, estudou Geologia e Zoologia. Em 1952 tornou-se estagiário na BBC e dois anos depois apresentava ‘Zoo Quest’ - apesar de acharem que os seus dentes eram “demasiado grandes” -, que combinava cenas de estúdio com imagens reais da vida selvagem, algo inédito até então. Imerso nos ambientes que visita, foi pioneiro em técnicas de filmagem e nunca hesitou em ultrapassar os limites para captar a essência dos 94 países que explorou, o que lhe permitiu viver experiências marcantes com alguns dos animais mais raros do planeta, como os gorilas da montanha no Ruanda. Na sua vida, apenas se arrepende de não ter sido um pai mais presente para Susan e Robert, frutos da sua relação com Jane Oriel, com quem casou em 1950. Esta viria a morrer em 1997, quando o britânico estava a filmar ‘The Life of Birds’, na Nova Zelândia. “Em momentos de luto - luto profundo - o único consolo que podemos encontrar é no mundo natural.”
Atualmente, Attenborough reduziu o ritmo das viagens, mas continua a trabalhar em estúdio: “No dia em que deixar de conseguir subir e descer as escadas é o dia em que paro.” O seu foco é agora na conservação do mundo natural: “É a maior fonte de tanta coisa na vida que a torna digna de ser vivida. Talvez um dia possa ser visto como alguém que documentou o início de uma nova relação entre a humanidade e a natureza.”
O centenário do naturalista é hoje assinalado com um evento no Royal Albert Hall, em Londres, e com o lançamento do documentário ‘Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure’, da BBC.
O conceito de “Geração Silenciosa” carrega em si um dos maiores paradoxos da história recente. O termo foi consagrado e popularizado em novembro de 1951, através do artigo da Revista Time: People: The Younger Generation, que descrevia os jovens nascidos entre 1928 e 1945 como um grupo prudente, focado no dever e sem grandes ambições de rutura radical. Contudo, quando analisamos o século XX com o distanciamento do tempo, percebemos que foi sob essa fachada de contenção que se ergueram as bases do mundo contemporâneo.
Para compreender a mentalidade desta geração, é preciso olhar para o ambiente em que cresceu. Nascidos entre a crise financeira do final dos anos 1920 e o fim da Segunda Guerra Mundial, estes indivíduos vivenciaram a infância e a juventude num contexto de racionamento e incerteza global. Ao contrário da geração anterior, que viveu o conflito na linha da frente, a Geração Silenciosa viveu-o nos bastidores e através do olhar infantil. Esta vivência moldou uma relação muito específica com a estabilidade e o risco.
O impacto demográfico dessa época de crises também se fez notar. Conforme detalhado nos dados históricos do relatório Demographic Trends in the 20th Century (U.S. Census Bureau) e no estudo comparativo sobre o hiato geracional do Pew Research Center, trata-se de um grupo populacional invulgarmente reduzido, consequência da queda vertiginosa da taxa de natalidade durante a Grande Depressão. Contudo, o seu peso institucional foi enorme. No mercado de trabalho, consolidaram a cultura da lealdade organizacional — trabalhar décadas para a mesma empresa não era visto como falta de ambição, mas sim como a conquista máxima de segurança familiar.
Existe, porém, um contraste fascinante entre a postura discreta desta geração e a sua produção cultural e social. Embora a geração seguinte, os Baby Boomers, tenha ficado famosa pelas manifestações de rua dos anos 1960, a arquitetura intelectual e estratégica desses movimentos foi desenhada pela Geração Silenciosa.
No campo dos direitos civis nos Estados Unidos, figuras centrais como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Rosa Parks pertenciam a esta faixa etária. Na cultura global, a banda sonora da própria contestação foi criada por eles: Bob Dylan, Paul McCartney, John Lennon e Jimi Hendrix deram voz a uma era de mudanças sem precedentes. No mundo dos negócios e dos meios de comunicação, visionários como Ted Turner (fundador da CNN) transformaram a forma como a informação circula ao criar o jornalismo contínuo de 24 horas.
Mesmo no domínio da ciência e da tecnologia, foi este grupo que abriu caminho para a era digital moderna. Das missões espaciais que levaram o homem à Lua às primeiras linguagens de programação e arquiteturas de computadores comerciais, os avanços fundamentais foram desenvolvidos por mentes que cresceram a aprender o valor do detalhe e da persistência.
A Geração Silenciosa nunca foi verdadeiramente omissa; foi, essencialmente, uma geração de pontes. Entre a severidade dos seus pais e o ruído da revolução cultural dos seus filhos, ela garantiu a continuidade económica, construiu os estados sociais de pós-guerra e criou as ferramentas da globalização. As transformações mais duradouras nem sempre nascem do confronto direto - muitas vezes, são erguidas com o trabalho rigoroso de quem simplesmente faz o que tem de ser feito.
O alerta severo de David Attenborough para evitar tarefas comuns de jardinagem até julho.
Sir David Attenborough exortou os britânicos a 'atrasar o corte' de seus relvados - e disse às pessoas que essa tarefa comum de jardinagem não deveria ocorrer até meados de julho.
O raciocínio por trás deste apelo não é apenas estético, mas também relacionado ao bem-estar de nossas populações de insetos. Insetos como borboletas, abelhas e vespas dependem fortemente de margaridas e outras plantas que crescem entre as lâminas da relva para polinizar e sustentar seus ecossistemas.
Sir David corroborou essas advertências no documentário sobre a natureza das Ilhas Selvagens da BBC. Ele destacou que cortar a grama alta pode perturbar e até matar esses insetos cruciais, que são parte integrante do ecossistema mundial.
Ele disse: “Nenhum lugar aqui é mais rico em flores silvestres e insetos polinizadores do que os nossos tradicionais prados de feno. Infelizmente, nos últimos 60 anos, perdemos 97% deste precioso habitat."
Comunicador por excelência e divulgador superlativo da beleza e variabilidade da Vida na Terra, Sir David tem dedicado parte substancial da sua longa vida a dar-nos a conhecer - com competência, elegância, graciosidade e rigor - o fascínio da Natureza.
Mas não só.
Ciente e consciente de que a biodiversidade é realmente o seguro de vida da nossa existência, David Attenborough tem alertado para os perigos eminentes que a perda da diversidade biológica trará para a Humanidade.
Só é pena que a nossa reacção - individual e colectiva - não acompanhe devidamente a urgência do que vivemos. Cada vez com mais frequência, vamos assistindo aos efeitos da nossa quase inacção.
A continuarmos assim, um dia, em breve, veremos que é tarde para reagirmos. Demasiado tarde.
Parabéns pelo seu 98º Aniversário e Obrigado, Sir David.
Porque não ganhou ainda David Attenborough o seu? Podia ser o Prémio Nobel Paz. Ou da Economia, pois sem o conhecimento do valor dos ecossistemas nada do que a economia faça faz sentido. Ninguém no mundo contribuiu tanto para conhecer a Terra em que vivemos e o perigo que corre.
Here's how you can #ActNow and join him in protecting our planet
Aos 97 anos, o naturalista britânico David Attenborough tem consciência de que a luta pela sobrevivência do nosso planeta está fora das suas mãos. Depois de uma carreira extremamente bem sucedida a ser a cara e a voz de inúmeros programas de televisão sobre História natural, e uma participação ativa em campanhas e projetos que apoiam a causa ambiental, poderia cruzar os braços e delegar essa responsabilidade às novas gerações, sabendo que deixou a sua marca neste planeta. No entanto, David não está ainda preparado para desistir dessa luta.Parabéns, David Attenborough!
David Attenborough em 1956, numa das suas primeiras expedições.
Happy birthday, David Attenborough!
The name is synonymy of greatest educator, journalist, naturalist I always admired and respected since my earliest years as Portuguese scholar. Thank you for your wonderful journey as mentor and thank you for your tireless commitment to #ClimateAction.
Reduzir as emissões de carbono: o mundo enfrenta uma crise climática e uma das questões mais urgentes é a redução das emissões de carbono. Isso pode ser feito reduzindo o uso de combustíveis fósseis, promovendo energia renovável e implementando políticas que reduzam a produção de carbono.
Proteger a biodiversidade: Os ecossistemas da Terra são cruciais para a sobrevivência humana, mas estão ameaçados por atividades humanas, como desmatamento e poluição. Proteger a biodiversidade requer uma combinação de políticas nacionais e acordos internacionais que reforçam os esforços de conservação.
Reduzir o desperdício: A quantidade de lixo produzida pelas sociedades humanas é um problema ambiental significativo. A redução do desperdício pode ser feita por meio da reciclagem, reduzindo o uso de itens de uso único e incentivando práticas de produção sustentáveis.
Adote práticas alimentares sustentáveis: o sistema alimentar global tem um impacto significativo no meio ambiente, desde as emissões até o uso da terra e a poluição da água. Métodos de produção de alimentos mais sustentáveis, como agricultura regenerativa e pesca sustentável, são necessários para mitigar esse impacto.
Incentive a educação e a conscientização: aumentar a conscientização sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente e promover a educação sobre práticas sustentáveis pode incentivar as pessoas a adotar estilos de vida mais sustentáveis. Isso envolve campanhas e políticas nacionais e internacionais que promovem a consciência ambiental.
Em resumo, para salvar o mundo, é preciso haver esforços coletivos para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade, reduzir o desperdício, adotar práticas alimentares sustentáveis e incentivar a educação e a conscientização.
This short animated film, narrated by actor/director/producer and Academy Award winner Sir David Attenborough, highlights the role forests can play in national development, a green economy and climate change. It also reviews the current situation and some transformative solutions.
A cimeira do clima de Glasgow (COP26), que ocorreu nas duas primeiras semanas de novembro de 2021, ainda não foi o momento de inverter caminho, no que toca às mudanças climáticas. Os interesses económicos, as estratégias políticas ou a simples inércia falaram mais alto.
No palco mediático da cimeira foram visíveis as propostas para enfrentar a situação cada vez mais emergencial, mas também as contradições, freios e hesitações, ao mesmo tempo que, nas ruas de Glasgow movimentos ambientalistas, sociais e religiosos procuraram pressionar e fazer ouvir a sua voz.
O Movimento Laudato Si’, a assunção de encargos com a deslocação e intervenção na COP26 de líderes de zonas do mundo onde os efeitos do aquecimento já se fazem sentir, por parte de organizações cristãs, ou a iniciativa da petição Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis, são alguns sinais de movimentações de pessoas e comunidades de todo o mundo, que ganham cada vez mais expressão pública.
Na cimeira propriamente dita, interveio na sessão de abertura David Attenborough, o conhecido documentarista sobre a vida no planeta e ativista das causas ambientais. O seu discurso passou relativamente despercebido, no bruaá das outras vozes. E no entanto ele teve o mérito de ir além das abordagens catastrofistas, por vezes paralisantes, para colocar o foco na esperança e nas oportunidades que se abrem, se todos os países e atores se decidirem por apostar num modelo diferente de vida e numa “nova revolução industrial, impulsionada por milhões de inovações sustentáveis”.
Faz sentido, neste olhar que é retrospetivo, mas que não pode deixar de ser também prospetivo, chamar a atenção para essas palavras proféticas e registar aqui a constância das suas palavras.
David Attenborough na cerimónia de abertura da COP26.
A nossa motivação não deve ser o medo, mas a esperança
Excelências, delegados, senhoras e senhores,
Dado que vão passar as próximas duas semanas a debater, negociar, persuadir e a comprometer-se, como certamente devem fazer, é fácil esquecer que, em última análise, a emergência climática se resume a um único número: 414 ppm (partes por milhão) correspondentes à concentração de carbono na nossa atmosfera. A medida que determina significativamente a temperatura global e as mudanças nesse número é a forma mais clara de traçar a nossa própria história, pois define a nossa relação com o nosso mundo.
Durante grande parte da história antiga da humanidade, esse número saltava de forma selvagem entre 180 e 300, e o mesmo acontecia com as temperaturas globais. Era um mundo brutal e imprevisível. Os nossos antepassados existiam em número diminuto, mas há pouco mais de 10.000 anos, esse número estabilizou subitamente e, com ele, o clima da Terra. Entrámos num período invulgarmente benigno, com estações do ano previsíveis e tempo fiável. Pela primeira vez, a civilização foi possível e não perdemos tempo a tirar partido disso. Tudo o que alcançámos nos últimos 10.000 anos foi possível graças à estabilidade durante esse tempo. A temperatura global não oscilou neste período em mais do que cerca de um grau Celsius. Até agora. A queima de combustíveis fósseis que temos feito, a nossa destruição da natureza, a nossa abordagem à indústria, construção e aprendizagem, estão a libertar carbono para a atmosfera a um ritmo e escala sem precedentes.
Já estamos em apuros. A estabilidade de que todos nós dependemos está a quebrar-se. Esta história é uma história de desigualdade, bem como de instabilidade. Hoje, aqueles que menos fizeram para causar este problema, estão a ser os mais duramente atingidos. Em última análise, todos nós vamos sentir os impactos, alguns dos quais são agora inevitáveis.
É assim que a nossa história vai acabar? Uma história das espécies mais inteligentes condenadas por essa característica demasiado humana de não ver o panorama geral na prossecução de objetivos a curto prazo. Talvez o facto de as pessoas mais afetadas pelas alterações climáticas já não serem algumas gerações futuras imaginadas, mas jovens vivos hoje, talvez isso nos dê o ímpeto necessário para reescrever a nossa história, para transformar esta tragédia num triunfo. Afinal de contas, somos os mais capazes de solucionar problemas, que alguma vez existiram na Terra. Compreendemos agora este problema. Sabemos como impedir o agravamento e pô-lo em marcha atrás. Temos de recuperar milhares de milhões de toneladas de carbono do ar. Temos de fixar o nosso objetivo de manter 1,5º ao nosso alcance. Uma nova revolução industrial, impulsionada por milhões de inovações sustentáveis, é essencial, e de facto já está a começar.
Desmatamento na Amazónia, a 900km a sudeste de Manaus.
Todos nós partilharemos os benefícios: energia barata e limpa, ar saudável e alimentos suficientes para nos sustentar a todos. A natureza é um aliado fundamental. Sempre que restaurarmos a natureza, ela irá recuperar o carbono e ajudar-nos a restabelecer o equilíbrio no nosso planeta. E enquanto trabalhamos para construir um mundo melhor, temos de reconhecer que nenhuma nação completou o seu desenvolvimento porque nenhuma nação avançada é ainda sustentável. Todas têm ainda pela frente uma jornada a fazer para que todas as nações tenham um bom nível de vida e uma pegada modesta. Vamos ter de aprender em conjunto, como alcançar isto, assegurando que nenhuma fique para trás. Temos de aproveitar esta oportunidade para criar um mundo mais igualitário e a nossa motivação não deve ser o medo, mas sim a esperança.
Podemos resolver o problema climático numa geração? A minha resposta seria, sim, temos de o fazer.
Precisamos não só de falar sobre o que podemos fazer, mas também de fazer o que podemos.
Este é um desafio que devemos tentar resolver de uma forma rápida, mas com uma visão a longo prazo (*).
Resume-se a isto. As pessoas vivas agora, a geração vindoura, irão olhar para esta conferência e considerar uma coisa. Será que esse número parou de aumentar e começou a diminuir, como resultado dos compromissos aqui assumidos? Há todos os motivos para acreditar que a resposta pode ser sim. Se trabalharmos separados, somos suficientemente poderosos para desestabilizar o nosso planeta; mas trabalhando juntos, somos suficientemente poderosos para o salvar. Durante a minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na vossa, podem e devem testemunhar uma recuperação maravilhosa. Essa esperança desesperada, senhoras e senhores, delegados, excelências, é a razão pela qual o mundo está a olhar para vós e por que estais aqui. Obrigado”.
(*) No seu discurso, David Attenborough incluiu vozes de jovens de diferentes partes do mundo, que sublinharam ou exemplificaram alguns dos problemas evocados pelo orador. No caso destas três frases, entendemos mantê-las, dado que funciona como partes e argumentos do discurso que estava a ser proferido.
O mais recente Fórum da série Future of Sustainability vê o fundador do Forum, ativista ambiental e autor, Jonathon Porritt, conversando com Johan Rockstrom, diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research e ex-diretor do Stockholm Environment Institute e do Stockholm Resilience Centre.
Rockstrom liderou a equipa de cientistas internacionais que desenvolveu a imensamente influente estrutura de Limites Planetários, publicada pela primeira vez em 2009, é consultor da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Conferências sobre Mudanças Climáticas (UNFCC – as 'COPs') e é amplamente considerado como um dos cientistas climáticos mais experientes e autorizados. Em 2021, ele fez um documentário com David Attenborough em Breaking Boundaries: The Science of our Planet, da Netflix.
O Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia disse este sábado que os efeitos das alterações climáticas são "cada vez mais evidentes", alertando para a época de incêndios deste ano ser pior do que a do ano passado.
"Os efeitos das alterações climáticas são, também, cada vez mais evidentes; verifica-se uma tendência crescente, claramente observável, de aumento dos riscos de incêndio, épocas de incêndio mais longas e intensos 'megaincêndios' que se propagam rapidamente e relativamente aos quais os meios tradicionais de combate a incêndios pouco podem fazer", lê-se na nota de imprensa sobre o relatório dos incêndios, divulgada nas vésperas da reunião da COP26, que decorre a partir de segunda-feira em Glasgow.
"Após 2019, o pior ano jamais registado, os incêndios voltaram, em 2020, a queimar vastas áreas de terreno natural na Europa", tendo ardido 340 mil hectares, o que representa uma área 30% superior à do Luxemburgo, aponta Bruxelas.
Este ano, alerta-se, "a época de incêndios está a ser ainda pior", com uma área ardida de quase 500 mil hectares, estando 61% desta área em florestas.
No final de junho, altura que, tradicionalmente, marca o início da época de incêndios, tinham já ardido cerca de 130 mil hectares, que não afetam apenas os países meridionais, alerta o JRC.
"Os incêndios já não afetam apenas os Estados meridionais, mas constituem agora uma ameaça crescente também para a Europa Central e Setentrional", afirma o comunicado, que diz que nove em cada dez incêndios são de origem humana.
"O primeiro semestre de 2020 caracterizou-se por um elevado número de incêndios florestais; os incêndios eclodiram, no inverno, no delta do Danúbio e nos Pirenéus e, na primavera, principalmente na região dos Balcãs, e, durante o verão e o outono, os países mais afetados foram os mediterrânicos, especificamente Espanha e Portugal, que registaram os maiores incêndios de 2020 na UE", diz o documento.
Para a comissária da Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude e responsável pelo JRC, Mariya Gabriel, "as alterações climáticas estão a agravar os riscos e a magnitude dos incêndios florestais em todo o mundo".
Também citado no comunicado, o comissário responsável pela Gestão de Crises, Janez Lenarcic, afirmou que "os incêndios florestais apresentam um elevado risco de catástrofe tanto na Europa como no resto do mundo", e acrescentou que "as alterações climáticas estão também a prolongar a época dos incêndios florestais por vários meses, o que aumenta as probabilidades de as comunidades da Europa terem, no futuro, de afrontar ainda mais incêndios florestais".
Os relatórios do JRC sobre incêndios florestais na Europa, no Médio Oriente e no Norte de África oferecem uma vasta panorâmica da situação deste tipo de incêndios, e a publicação relativa a 2020, hoje divulgada, inclui a análise de 33 países.
Diariamente todos temos sido inundados de notícias sobre as alterações climáticas: incêndios gigantescos, inundações destruidoras, secas, chuvas torrenciais, degelo dos glaciares, acidez dos oceanos, ilhas de plástico, níveis altíssimos de poluição atmosférica, etc.
Ouvimos, lemos, vemos, e parece que já nos entrou no quotidiano das nossas vidas.
Incêndios incontroláveis no Canadá e nos Estados Unidos com pequenas cidades destruídas e eliminadas dos mapas, com incêndios gigantescos na Sibéria, na Amazónia, na Austrália e na Argélia, além daqueles que anualmente já nos parecem “normais” no sul da Europa. Já parámos para pensar que não é só o CO2 libertado por esses gigantescos incêndios, são os milhões, sim milhões de hectares de florestas que deixaram de existir e que no futuro não estarão lá estes milhões e milhões de árvores para absorverem o CO2 que até agora absorviam?
Estamos a ser cozinhados em lume brando, passivos e tranquilos.
Hoje já todos sabemos que a Terra é redonda e que vivemos num ecossistema fechado e finito. A Humanidade vive numa espécie de nave espacial, a que chamamos Terra, e todos somos viajantes da mesma “nave espacial”, não há forma de sair, de mudarmos de casa.
Provavelmente, nos próximos anos a Humanidade conseguirá instalar algumas colónias de Humanos na Lua ou em Marte, serão algumas centenas de seres humanos, só isso, ponto. Somos atualmente 7.890.000.000 de seres humanos. A Organização das Nações Unidas (ONU) acaba de divulgar a primeira parte do 6.º Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change) que é muito mais do que um alerta para toda a Humanidade. É o resultado de estudos científicos de centenas de cientistas, investigadores e meteorologistas, fruto de dezenas de anos de estudos, e, provavelmente, o último aviso da comunidade científica mundial sobre os efeitos das emissões de gases de efeito de estufa e das consequentes alterações climáticas que estarão a iniciar um período irreversível de destruição das condições de vida da Humanidade no planeta Terra.
O próximo aviso poderá vir já tarde demais para todos nós.
Este Relatório do IPCC (utilizo a sigla em inglês por ser a mais divulgada) é tornado público três meses antes da realização da COP 26, a Conferência das Partes (Conference Of Parts – COP) que se realizará em Glasgow entre os próximos dias 1 e 12 de novembro. Esta será muito provavelmente a última oportunidade dos governantes e líderes mundiais, tomarem consciência da gravidade da situação, e de acordo com as previsões da comunidade científica internacional adotarem – sem mais hesitações –, medidas comuns e globais que possam mitigar os efeitos das alterações climáticas e preparar a Humanidade para a forma como teremos que viver num futuro que se afigura cada vez mais próximo. As conclusões deste Relatório do IPCC apontam para alterações nunca detetadas pela comunidade científica, comprovadamente provocadas pela ação das atividades humanas, e que demorarão centenas ou mesmo milhares de anos a poderem ser revertidas, algumas muito provavelmente já serão praticamente irreversíveis, como por exemplo a subida do nível dos mares.
O que nos espera?
O ciclo da água será fortemente afetado pelas alterações climáticas, com chuvas intensas e muito concentradas no tempo com as consequentes cheias devastadoras e secas muito prolongadas em diferentes regiões, conforme a latitude, mais chuva nas latitudes mais altas e mais seca nas regiões sub-tropicais;
O aquecimento global est á a provocar a aceleração do degelo do permafrost, mais intenso em regiões do círculo polar ártico, a perda de gelo dos glaciares das grandes cadeias montanhosas de todo o Mundo, sem a respetiva reposição sazonal das calotes geladas, e o degelo dos grandes mantos de gelo, especialmente da Gronelândia, mas também da Antártida;
O aquecimento dos mares, a sua acidificação, a redução dos seus níveis de oxigénio, são eventos claramente apontados à atividade dos humanos. Estas alterações nos oceanos estão a afetar os respetivos ecossistemas marinhos e todas as populações que vivem diretamente do que os oceanos lhes proporcionam;
Não faltará muito para que a existência do plástico nos mares se sobreponha à população dos animais marinhos. Uma das ilhas de plástico no Oceano Pacífico já ocupa a área equivalente à da Alemanha, França e Espanha em conjunto;
Nas cidades muito do já referido será amplificado, pela impermeabilização dos terrenos, pela prevalência do betão e do asfalto em detrimento das árvores, dos arbustos e de terra, provocando temperaturas muito mais elevadas nas áreas urbanas.
O aumento significativo das emissões de metano com efeitos muito mais terríveis que as emissões de CO2.
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Estamos condenados?
Existe ainda uma pequena, mas é mesmo pequena, muito pequena, janela de oportunidade de inverter a situação catastrófica para a qual nos dirigimos a uma velocidade cada vez maior, ou no mínimo podermos abrandar o ritmo de destruição das condições de vida para os Humanos no planeta Terra e dar-nos tempo para nos adaptarmos à nova situação e às novas condições climatéricas que nos esperam, conforme também já nos alertou David Attenborough num dos seus últimos e dramáticos apelos, no documentário, “A Life On Our planet”.
Imprescindível também o documentário “Before the Flood” da National Geographic, produzido por Leonardo Di Caprio. Existem muitos outros documentários, no entanto, estes dois aqui referidos serão suficientes para tomarmos consciência da gravidade da situação que afetará irreversivelmente as gerações que já nasceram, portanto muitos de nós (os que não morrerem antes), os nossos filhos e os nossos netos.
Já ultrapassámos o ponto do não retorno, já não é possível evitar enormes e drásticas mudanças na forma como utilizamos os recursos naturais, na forma como consumimos e produzimos a nossa alimentação, equipamentos e bens diversos, como nos divertimos ou nos movimentamos de um lugar para outro. Urge mudar o modelo de desenvolvimento baseado nos combustíveis fósseis, urge parar a utilização dos combustíveis fósseis.
A União Europeia, no passado mês de julho, lançou o Pacto Climático (Green Deal), anunciado em dezembro de 2019, aprovado pelo Parlamento Europeu em janeiro de 2020, e que pretende atingir a neutralidade carbónica em 2050, sendo que para tal tem como objetivo a redução em 55% das emissões de gases com efeito de estufa em 2030 em relação às emissões de 1990.
De um enorme conjunto de medidas que terá um impacto direto na indústria automóvel, no transporte aéreo e marítimo, na produção alimentar, na preservação dos ecossistemas e da biodiversidade, na produção de energia, uma, tem um impacto direto no mundo automóvel: a proibição da venda de veículos com motores de combustão interna, incluídos os com motores a gasolina, a gasóleo e os híbridos plug-in, a partir de 2035 em todo o espaço da União Europeia.Alguns países na União Europeia e na restante Europa já anunciaram datas limite para a proibição da venda de veículos com motores de combustão interna anteriores, são o caso da Noruega (2025), Islândia, Suécia, Holanda e Irlanda (2030).
O que é que cada um de nós pode fazer? Muito e já!
Pensar Global, Agir Local!
Não me focarei nas grandes alterações ao nível da alimentação (consumir menos carne, consumir produtos locais), do consumo de bens (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), na redução das deslocações aéreas ou marítimas em aviões ou barcos com motores que utilizem combustíveis fósseis, na redução da utilização de plásticos, no aumento da eficiência energética das nossas casas com a respetiva redução do consumo de eletricidade, na produção local e renovável de eletricidade, etc.
Vou focar-me nos veículos que utilizamos para nos deslocarmos no dia-a-dia ou em viagens grandes ou pequenas.
Privilegiar o andar a pé, a utilização dos modos de mobilidade suave, bicicleta, trotinete, etc;
Privilegiar os transportes elétricos, o comboio, o metro, o autocarro, o elétrico tradicional, o automóvel, o motociclo, o ciclomotor, a bicicleta, etc;
Privilegiar os transportes públicos, de preferência elétricos e quando tal seja possível;
Utilizar no transporte particular, veículos exclusivamente elétricos;
Reduzir, se possível parar, o consumo de combustíveis fósseis.
Não consumir bens e serviços fúteis.
Claro que nem tudo é possível, e menos ainda no imediato, mas isto é o que deverá ser feito por todos para ainda irmos a tempo de evitar a catástrofe que se avizinha para toda a Humanidade.
O modelo de desenvolvimento tem que deixar de estar assente nos combustíveis fósseis e passar a ser um modelo de desenvolvimento baseado nas energias renováveis. Para um país como Portugal é perfeitamente possível produzir toda a energia necessária à sua economia (das pessoas e das empresas) através do recurso às energias renováveis: a hídrica, a eólica, a geotérmica (nos Açores) e, principalmente, a fotovoltaica que está muito pouco desenvolvida em Portugal, privilegiando a produção local. Portugal já hoje atinge níveis de produção de eletricidade de fontes renováveis de 70% e podemos fazer mais, podemos e devemos, sem perda de tempo.
Os veículos elétricos servirão como armazém dessa eletricidade e permitirão uma melhor gestão da rede de distribuição de eletricidade em Portugal, pois poderão armazenar a eletricidade produzida pelas eólicas durante a noite, enquanto carregam, quando o seu consumo é muito reduzido, permitindo a sua utilização durante o dia.
Esta é a mensagem final: todos podemos, devemos, temos, que fazer algo.
Porque não trocar o seu veículo com motor de combustão interna por um veículo elétrico?
If you ever get close to a human And human behaviour Be ready, be ready to get confused And me and my here after
There's definitely,definitely, definitely no logic To human behaviour But yet so, yet so irristible And me and my fear cannot
And there is no map uncertain
They're terribly, terribly, terribly moody Of human behaviour Then all of a sudden turn happy And they and my here after
But, oh, to get involved in the exchange Of human emotions Is ever so, ever so satisfying And they and my here
And there is no map uncertain
Human behaviour, human behaviour Human behaviour, human behaviour
There's no map And a compass Wouldn't help at all Uncertain
Human behaviour, human, human Human behaviour, human behaviour
There's definitely, definitely, definitely no logic Human, human, human
Ao vivo
Video Oficial
Significado da Canção
A perspetiva central de "Human Behaviour" assenta numa inversão de papéis fascinante: Björk revelou que escreveu a letra sob o ponto de vista de um animal que observa a raça humana. Inspirada pelos documentários do naturalista britânico David Attenborough, a artista islandesa propõe que, em vez de sermos nós a estudar a natureza, são os animais que nos olham e nos consideram uma espécie bizarra, caótica e incompreensível. Esta visão manifesta-se claramente em versos como "There's definitely, definitely, definitely no logic to human behaviour", que expõem como as nossas contradições e oscilações de humor parecem absurdas para o resto do planeta.
Ao mesmo tempo que a música aponta a instabilidade dos humanos, que tanto estão terrivelmente submetidos a humores negros como, de repente, se tornam felizes, reconhece também que mergulhar nesse turbilhão emocional e social é algo fascinante e profundamente compensador. Para além da metáfora animal, Björk associou esta composição à sua própria infância e à forma como via o mundo dos adultos — um universo confuso, repleto de regras sem sentido —, o que a fazia sentir-se muito mais sintonizada com a natureza, as montanhas e os animais do que com a própria sociedade. Em suma, enquanto a versão original do álbum Debut (1993) soa como uma fábula tribal e excêntrica no coração da floresta, o Underworld Remix 110 B.P.M. transporta essa mesma criatura incompreendida para o meio de uma pista de dança esfumada e transcendental, típica da cultura rave britânica.
How can the finance sector help save the planet? The sector’s leading voices explore the crucial role of finance in turning the tide on climate change and nature loss.
Quando o Tesouro do Reino Unido abordou Sir Partha Dasgupta em 2019 para realizar uma revisão da economia da biodiversidade, a primeira vez que um ministério das finanças encomendou tal estudo, o eminente economista britânico da Universidade de Cambridge não pensou duas vezes antes de dizer “sim ”.
Nos 18 meses seguintes, Dasgupta e sua equipa combinaram evidências científicas, econômicas e históricas com modelagem matemática rigorosa para produzir A Economia da Biodiversidade: A Revisão Dasgupta.
Lançado em fevereiro de 2021, o relatório histórico mostra que o crescimento econômico teve um custo devastador para a natureza. Ele deixa claro que a humanidade está destruindo seu bem mais precioso, o mundo natural, ao viver além das possibilidades do planeta, e destaca estimativas recentes de que seriam necessários 1,6 Terras para manter os padrões de vida atuais.
“As previsões económicas consistem em investimento em fábricas, taxas de emprego, crescimento [do produto interno bruto]. Eles nunca mencionam o que está acontecendo com os ecossistemas”, disse Dasgupta, que é o Campeão da Terra para Ciência e Inovação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) deste ano. “É realmente urgente pensarmos nisso agora”, disse ele.
O relatório foi o culminar de quatro décadas de trabalho em que Dasgupta procurou ultrapassar os limites da economia tradicional e expor a conexão entre a saúde do planeta e a estabilidade das economias.
A Economia da Biodiversidade é a base de um campo crescente do que é conhecido como contabilidade do capital natural, no qual os pesquisadores tentam avaliar o valor da natureza. Esses números podem ajudar os governos a entender melhor os custos econômicos de longo prazo da extração de madeira, mineração e outras indústrias potencialmente destrutivas, fortalecendo a proteção do mundo natural.
“As contribuições inovadoras de Sir Partha Dasgupta para a economia ao longo das décadas despertaram o mundo para o valor da natureza e a necessidade de proteger os ecossistemas que enriquecem nossas economias, nosso bem-estar e nossas vidas”, disse Inger Andersen, Diretor Executivo do PNUMA.
Applying market logic to protecting the environment is counter-intuitive and deeply worrying.
It’s hardly surprising that a UK Government report titled The economics of Biodiversity slipped out with only a tiny amount of largely uncritical press coverage, given the pandemic is still raging and wreaking social and economic havoc around the world.
But this report – referred to as The Dasgupta Review - should alarm anyone who is committed to environmentalism and reducing our destruction of the living world.
The authors talk of ‘natural capital’. This means viewing the importance nature – of the air we breathe, the soil, the trees, the oceans and more - in terms of economic worth; giving them a market value.
Logic
At one level, valuing nature seems eminently sensible. But what this approach does is to package up nature and expose it to the logic of the markets. We’re taking the very model of economic production that had created so much destruction in the living world and now claiming that it’s logic will save it. That to me is not only baffling – it’s deeply worrying.
Over the last few years, the Government’s Natural Capital Committee has been pulling together the thinking that has culminated in this report.
The committee’s chair Dieter Helm has himself expressed the view that nature isn’t valued if it economic worth isn’t calculated. The logical extension of this thinking is that if you’re going to create a set of ‘natural capital accounts’, viewing nature in the same terms as other market instruments, that you intend to sell it.
Some of the language in the review is, at best, cold - and at worst, deeply sinister. “Nature nurtures and nourishes us, so we will think of assets as durable entities that not only have use value, but may also have intrinsic worth. Once we make that extension, the economics of biodiversity becomes a study in portfolio management.”
Suddenly the life sustaining role of nature, it’s beauty and value to mental health and wellbeing are another thing to view as assets and trade.
Trusting the logic of deregulated markets has led to huge environmental destruction and catapulted us towards the overlapping crises we face today. Expecting the same logic to fix the problems it caused is like trying to put out a fire with a can of petrol.
Insidious
The natural capital agenda tries to drag the environment and ecology into the logic of neoliberal free market thinking, when what we need is, in fact, the very opposite.
We need economic approaches that start with living within earth’s ecological limits, while we seek just solutions for meeting the needs of the human population.
Kate Raworth, a leading Oxford University academic, has proposed a model for doing this in her book Doughnut Economics. Since its publication, she’s been promoting her theories to policymakers, NGOs and others. Many others are making similar arguments, including Jason Hickel, the academic and author .
Unfortunately Sir David Attenborough has taken a very misguided role in the in the promotion of the government’s natural capital agenda. He has become the face of it and at the launch of the review, he spoke of economists understanding the value of biodiversity better than ecologists do.
Considering his famous past comments regarding the idea of infinite growth on a finite planet, it’s very worrying that such a trusted figure should be peddling these deeply misguided ideas.
Neoliberalism is insidious in the way that it makes itself virtual invisible while its logic burrows its was into almost every aspect of contemporary life.
Commodification
As disturbing as it may be, it’s not surprising that the paradoxical logic of the Dasgupta Review and the natural capital agenda should rear its head.
We’re in the middle of climate crisis and the sixth major extinction event. Our model of production and consumption based on infinite growth within a finite world is at the heart of these and other major challenges that we face.
The notion that applying the same principles that have caused the problems to solving them is both ridiculous and not surprising.
Neoliberal thinking is so ingrained at this point that it is often portrayed by the mainstream media as the natural order and not an ideology that has permeated almost every aspect of life.
Challenging the logic of natural capital and the commodification of every aspect of our world must underpin our ongoing response to the environmental crises that we face.
This Author
Andrew Taylor-Dawson has been involved with the social justice and environmental movements for over a decade. He works in the NGO sector as well as writing about civil society, campaigning and progressive causes. He tweets at @Andrew_J_Taylor.
When a major study was published last month, showing that the global population is likely to peak then crash much sooner than most scientists had assumed, I naively imagined that people in rich nations would at last stop blaming all the world’s environmental problems on population growth. I was wrong. If anything, it appears to have got worse.
Next week the BirthStrike movement – founded by women who, by announcing their decision not to have children, seek to focus our minds on the horror of environmental collapse – will dissolve itself, because its cause has been hijacked so virulently and persistently by population obsessives. The founders explain that they had “underestimated the power of ‘overpopulation’ as a growing form of climate breakdown denial”.
It is true that, in some parts of the world, population growth is a major driver of particular kinds of ecological damage, such as the expansion of small-scale agriculture into rainforests, the bushmeat trade and local pressure on water and land for housing. But its global impact is much smaller than many people claim.
The formula for calculating people’s environmental footprint is simple, but widely misunderstood: Impact = Population x Affluence x Technology (I = PAT). The global rate of consumption growth, before the pandemic, was 3% a year. Population growth is 1%. Some people assume this means that the rise in population bears one-third of the responsibility for increased consumption. But population growth is overwhelmingly concentrated among the world’s poorest people, who have scarcely any A or T to multiply their P. The extra resource use and greenhouse gas emissions caused by a rising human population are a tiny fraction of the impact of consumption growth.
Yet it is widely used as a blanket explanation of environmental breakdown. Panic about population growth enables the people most responsible for the impacts of rising consumption (the affluent) to blame those who are least responsible.
At this year’s World Economic Forum in Davos, the primatologist Dame Jane Goodall, who is a patron of the charity Population Matters, told the assembled pollutocrats, some of whom have ecological footprints thousands of times greater than the global average: “All these things we talk about wouldn’t be a problem if there was the size of population that there was 500 years ago.” I doubt that any of those who nodded and clapped were thinking, “yes, I urgently need to disappear”.
In 2019, Goodall appeared in an advertisement for British Airways, whose customers produce more greenhouse gas emissions on one flight than many of the world’s people generate in a year. If we had the global population of 500 years ago (around 500 million), and if it were composed of average UK plane passengers, our environmental impact would probably be greater than that of the 7.8 billion alive today.
She proposed no mechanism by which her dream might come true. This could be the attraction. The very impotence of her call is reassuring to those who don’t want change. If the answer to environmental crisis is to wish other people away, we might as well give up and carry on consuming.
The excessive emphasis on population growth has a grim history. Since the clergymen Joseph Townsend and Thomas Malthus wrote their tracts in the 18th century, poverty and hunger have been blamed not on starvation wages, war, misrule and wealth extraction by the rich, but on the reproduction rates of the poor. Winston Churchill blamed the Bengal famine of 1943, that he helped to cause through the mass export of India’s rice, on the Indians “breeding like rabbits”. In 2013 Sir David Attenborough, also a patron of Population Matters, wrongly blamed famines in Ethiopia on “too many people for too little land”, and suggested that sending food aid was counter-productive.
Another of the charity’s patrons, Paul Ehrlich, whose incorrect predictions about mass famine helped to provoke the current population panic, once argued that the US should “coerce” India into “sterilising all Indian males with three or more children”, by making food aid conditional on this policy. This proposal was similar to the brutal programme that Indira Gandhi later introduced, with financial support from the UN and the World Bank. Foreign aid from the UK was funding crude and dangerous sterilisation in India as recently as 2011, on the grounds that this policy was helping to “fight climate change”. Some of the victims of this programme allege that they were forced to participate. At the same time, the UK government was pouring billions of pounds of aid into developing coal, gas and oil plants, in India and other nations. It blamed the poor for the crisis it was helping to cause.
Malthusianism slides easily into racism. Most of the world’s population growth is happening in the poorest countries, where most people are black or brown. The colonial powers justified their atrocities by fomenting a moral panic about “barbaric”, “degenerate” people “outbreeding” the “superior races”. These claims have been revived today by the far right, who promote conspiracy theories about “white replacement” and “white genocide”. When affluent white people wrongly transfer the blame for their environmental impacts on to the birthrate of much poorer brown and black people, their finger-pointing reinforces these narratives. It is inherently racist.
The far right now uses the population argument to contest immigration into the US and the UK. This too has a grisly heritage: the pioneering conservationist Madison Grant promoted, alongside his environmental work, the idea that the “Nordic master race” was being “overtaken” in the US by “worthless race types”. As president of the Immigration Restriction League, he helped to engineer the vicious 1924 Immigration Act.
But, as there are some genuine ecological impacts of population growth, how do we distinguish proportionate concerns about these harms from deflection and racism? Well, we know that the strongest determinant of falling birth rates is female emancipation and education. The major obstacle to female empowerment is extreme poverty. Its effect is felt disproportionately by women.
So a good way of deciding whether someone’s population concerns are genuine is to look at their record of campaigning against structural poverty. Have they contested the impossible debts poor nations are required to pay? Have they argued against corporate tax avoidance, or extractive industries that drain wealth from poorer countries, leaving almost nothing behind, or the financial sector in Britain’s processing of money stolen abroad? Or have they simply sat and watched as people remain locked in poverty, then complained about their fertility?
Before long, this reproductive panic will disappear. Nations will soon be fighting over immigrants: not to exclude them, but to attract them, as the demographic transition leaves their ageing populations with a shrinking tax base and a dearth of key workers. Until then, we should resist attempts by the rich to demonise the poor.