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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Toda a verdade sobre a Rússia, NATO, União Europeia, EUA e Ucrânia e, por fim, a China


1. A Ucrânia tem mesmo forças nazis? 
A Ucrânia não é um Estado nazi e Volodymyr Zelensky não lidera forças nazis. A narrativa de que o país está dominado por neonazis é uma das principais ferramentas de propaganda e desinformação utilizadas pelo governo russo para justificar a invasão perante a sua própria população e o mundo. Na verdade, o próprio presidente Zelensky é judeu e perdeu familiares no Holocausto, tendo sido eleito democraticamente em 2019 com mais de 73% dos votos, o que torna a acusação de liderar um regime nazi uma contradição óbvia. Além disso, embora existam grupos de extrema-direita na Ucrânia — assim como na Rússia e na maioria dos países europeus —, o seu peso político real é residual, visto que nas últimas eleições legislativas a coligação de partidos de extrema-direita obteve apenas cerca de 2% dos votos, não conseguindo sequer representação no Parlamento ucraniano.
O mito alimentado por Moscovo baseia-se sobretudo nas origens do Batalhão Azov. Em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e fomentou a guerra no Donbass, o exército ucraniano estava desestruturado e surgiram milícias voluntárias para defender o território. O grupo Azov original foi de facto fundado por indivíduos com ligações a fações radicais de ultradireita e claques de futebol, utilizando símbolos visuais controversos. No entanto, ainda no final de 2014, o governo ucraniano integrou oficialmente o grupo na Guarda Nacional, iniciando um processo profundo de reestruturação. Ao longo dos anos, os líderes políticos radicais foram afastados, a unidade foi despolitizada e transformada numa força militar regular de defesa. Inclusive, o governo dos Estados Unidos levantou as restrições ao fornecimento de armas à brigada após confirmar que esta se tinha tornado uma unidade militar profissional padrão. Para a Rússia, o rótulo de "nazi" carrega um peso histórico e emocional gigantesco herdado da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado de forma estratégica para desumanizar o adversário e criar um falso pretexto moral para a agressão militar.

2. As eleições na Rússia não são consideradas democráticas, livres ou justas por analistas internacionais, pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por organizações independentes de direitos humanos. 
O sistema político russo é classificado como um regime autoritário ou uma autocracia eleitoral, o que significa que o país mantém a aparência de uma democracia — com urnas, boletins de voto e campanhas —, mas todo o processo é rigidamente controlado pelo Kremlin para garantir a permanência de Vladimir Putin no poder. O principal pilar desta falta de democraticidade é a eliminação sistemática da oposição real, onde qualquer candidato que represente uma ameaça séria é impedido de concorrer, seja através do exílio, de desqualificações burocráticas por parte da Comissão Eleitoral Central ou da prisão sob acusações politizadas, como aconteceu emblematicamente com Alexei Navalny. Para simular uma pluralidade, o regime permite apenas a participação da chamada "oposição sistémica", composta por partidos minoritários que fingem competir, mas que na prática apoiam as diretrizes do governo e nunca criticam diretamente o presidente ou a guerra.
Além da ausência de adversários reais, o processo é profundamente distorcido pelo controlo total dos meios de comunicação social, uma vez que todas as grandes cadeias de televisão, jornais e rádios são estatais ou pertencem a aliados de Putin, enquanto a internet e a imprensa independente enfrentam uma censura feroz. Organizações independentes de monitorização eleitoral denunciam consistentemente fraudes massivas nas contagens de votos, incluindo o enchimento de urnas, a manipulação de sistemas de voto eletrónico que não permitem auditoria e a forte coação sobre funcionários públicos e trabalhadores de empresas estatais, que são obrigados a votar sob ameaça de demissão. Adicionalmente, as eleições russas carecem de observadores internacionais credíveis e incluem votações forçadas em territórios ucranianos ocupados militarmente, o que viola o direito internacional. Em suma, o objetivo destas eleições não é dar uma escolha ao povo, mas sim fazer uma demonstração de força, utilizando maiorias esmagadoras fabricadas para legitimar as políticas do regime perante o mundo e desanimar qualquer oposição interna.

3. E a historieta do Tio Sam e de Putin é também falsa. 
A "historieta do Tio Sam e de Putin" refere-se à narrativa de que a guerra na Ucrânia é apenas um conflito provocado exclusivamente pelo "Tio Sam" (os Estados Unidos) para encurralar o Putin, ou à ideia romântica de que a Rússia é uma vítima inocente que foi obrigada a atacar para se defender do expansionismo ocidental, sim, essa também é uma versão altamente distorcida e falsa da realidade.
Essa narrativa - muito repetida pela propaganda russa e por setores que adotam uma postura anti-EUA automática - ignora deliberadamente a história, a soberania da Ucrânia e as próprias ambições imperialistas de Vladimir Putin. A análise factual desmitifica essa história em bloco:
  • A Ucrânia é um país independente e soberano desde 1991. A decisão de se aproximar da União Europeia ou da NATO não foi uma "invasão disfarçada" dos Estados Unidos, mas sim uma escolha democrática do próprio povo ucraniano. 
  •  Histórica e economicamente, os ucranianos assistiram ao crescimento e à prosperidade de vizinhos ex-comunistas que se juntaram ao Ocidente (como a Polónia e os países bálticos), enquanto as nações que ficaram sob a órbita da Rússia (como a Bielorrússia) estagnaram em ditaduras. 
  • A aproximação ao Ocidente foi uma tentativa da Ucrânia de garantir a sua própria segurança e modernização, e não uma conspiração americana.
Além disso, a própria NATO nunca forçou a entrada de nenhum país. São os países da Europa de Leste que pedem desesperadamente para aderir à aliança porque têm, compreensivelmente, medo do histórico de agressão da Rússia. O argumento de Putin de que se sentiu "ameaçado" cai por terra quando olhamos para os factos: a NATO é uma aliança defensiva e nenhum país ocidental tinha planos ou intenções de invadir o território russo, que possui o maior arsenal nuclear do planeta e, portanto, uma capacidade de dissuasão total.
O erro central dessa "historieta" é retirar totalmente a culpa a Vladimir Putin e o direito de escolha à Ucrânia, tratando o conflito como se os ucranianos fossem meros peões sem vontade própria num tabuleiro de xadrez entre Washington e Moscovo. A verdade é que a invasão foi um ato de agressão deliberado, planeado pelo Kremlin com o objetivo de anexar territórios, travar a democratização de um país vizinho e restaurar a antiga esfera de influência da era soviética.

4. A afirmação de que o Donbas e a região histórica da Novorossiya -  que engloba cidades como Odessa, Mykolaiv, Dnipro e Kharkiv - nunca foram da Ucrânia é historicamente falsa, tratando-se de um mito construído pelo nacionalismo russo para tentar legitimar as suas pretensões territoriais atuais. 
Muito antes de o Império Russo ou da Imperatriz Catarina, a Grande, terem conquistado estas terras no final do século XVIII, o território do sul e do leste da Ucrânia não era um vazio demográfico; a área era conhecida como os "Campos Selvagens" e estava sob o controlo e a profunda influência dos Cossacos Ucranianos, que ali estabeleceram povoações agrícolas, feitorias e rotas comerciais. O próprio termo Novorossiya ("Nova Rússia") foi apenas uma designação administrativa e colonial criada pelo Império Russo em 1764, funcionando exatamente da mesma forma que o Império Britânico criou a "Nova Inglaterra" na América do Norte. Além disso, os censos do próprio Império Russo (como o de 1897) comprovam que a esmagadora maioria dos camponeses que colonizaram e cultivaram o interior dessa região eram ucranianos, fixando-se os russos sobretudo como funcionários públicos e operários nas grandes cidades nascentes.
A propaganda russa costuma alegar que as grandes cidades da região foram fundadas do zero por russos, mas a verdade é que muitas foram erguidas sobre antigos colonatos ucranianos, tártaros ou fortalezas otomanas já existentes, como é o caso de Odessa, construída no local do antigo porto tártaro de Hadjibey. Com o colapso do Império Russo em 1917, o nome Novorossiya desapareceu dos mapas oficiais e os próprios habitantes escolheram o seu destino ao integrarem o Donbas, Kharkiv, Odessa e Mykolaiv na recém-declarada República Popular da Ucrânia, precisamente porque a maioria da população partilhava essa identidade. Mais tarde, quando os bolcheviques desenharam as fronteiras da União Soviética, incluíram estas regiões na Ucrânia Soviética pelo mesmo motivo demográfico. O teste definitivo de pertença ocorreu em dezembro de 1991, aquando do referendo para a independência da Ucrânia: mesmo nas zonas com maior presença da língua russa, a população votou massivamente a favor de fazer parte da Ucrânia independente, com aprovações que atingiram os 83,9% em Donetsk, 83,8% em Luhansk, 86,3% em Kharkiv e 85,3% em Odessa. Ignorar esta autodeterminação com base num rótulo colonial do século XVIII seria o equivalente a dizer que o Brasil pertence hoje a Portugal ou que os Estados Unidos são território britânico.

Por isso, sim. Portugal proibiu a equipa russa de trampolim de usar bandeira e hino na Taça do Mundo de Ginástica. É apenas um gesto simbólico, mas neste caso e pelo que atrás já referi, Portugal agiu bem.

P.S. A "grande" China, por exemplo, bane qualquer cantor/artista que exiba a bandeira de Taiwan, do Tibete, Hong Kong ou do povo Uigur. 
𝐎 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐞𝐩𝐮́𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐚 𝐚𝐝𝐨𝐭𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐥𝐞𝐫𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐳𝐞𝐫𝐨 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐩𝐫𝐞𝐭𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐚𝐥, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐬𝐢́𝐦𝐛𝐨𝐥𝐨𝐬 𝐥𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚 𝐓𝐚𝐢𝐰𝐚𝐧, 𝐚𝐨 𝐓𝐢𝐛𝐞𝐭𝐞, 𝐇𝐨𝐧𝐠 𝐊𝐨𝐧𝐠 𝐞 𝐚̀ 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐗𝐢𝐧𝐣𝐢𝐚𝐧𝐠, 𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐔𝐢𝐠𝐮𝐫. 
Na massiva e altamente regulada indústria do entretenimento chinesa, a exibição de bandeiras ou o apoio a estas causas resulta num banimento praticamente imediato e severo. Este processo de cancelamento cultural e económico envolve a rescisão instantânea de contratos publicitários, o cancelamento de digressões e a remoção completa do catálogo musical e audiovisual do artista das principais plataformas de streaming do país, como o Weibo e o NetEase. Em casos de produções televisivas ou cinematográficas já gravadas, o governo exige frequentemente que as cenas do artista sejam cortadas ou que o seu rosto seja desfocado digitalmente.
Ao longo dos anos, diversos nomes da cultura pop internacional e regional sofreram estas sanções. A cantora Lady Gaga e a banda Maroon 5, por exemplo, viram as suas músicas banidas e concertos cancelados após demonstrarem apoio ou se encontrarem com o Dalai Lama, líder espiritual tibetano. No cenário do K-pop, a cantora taiwanesa Chou Tzu-yu, integrante do grupo Twice, causou uma enorme polémica na China continental em 2015 após segurar a bandeira de Taiwan num programa de televisão sul-coreano, o que a pressionou a gravar um pedido de desculpas público afirmando que "só existe uma China". Para as autoridades de Pequim, o acesso ao gigantesco mercado de consumo chinês é tratado como um privilégio condicionado ao respeito absoluto pelas diretrizes políticas e pela integridade territorial defendida pelo Partido Comunista Chinês.
A situação aplica-se igualmente a Hong Kong, que se tornou outra das grandes linhas vermelhas para o governo chinês, especialmente após os protestos pró-democracia de 2014 e 2019. Qualquer artista, seja local ou internacional, que expresse a mínima simpatia ou apoio aos manifestantes enfrenta exatamente o mesmo mecanismo de retaliação e censura. Figuras de destaque do entretenimento da própria cidade, como a cantora de Cantopop Denise Ho e o conceituado ator Anthony Wong, viram as suas carreiras na China continental completamente destruídas por demonstrarem apoio ao movimento democrático, resultando na remoção das suas obras de todas as plataformas digitais, contratos rescindidos e um boicote total por parte da indústria, acabando mesmo por sofrer perseguição judicial no próprio território de Hong Kong ao abrigo da nova Lei de Segurança Nacional. No panorama internacional, partilhar uma simples mensagem de solidariedade para com Hong Kong nas redes sociais é o suficiente para desencadear o cancelamento de digressões e a fúria dos consumidores nacionalistas. Tudo isto reforça a mensagem inabalável de Pequim: para operar ou lucrar no mercado chinês, o alinhamento com a narrativa oficial sobre a soberania e a estabilidade de todos os seus territórios, incluindo as suas Regiões Administrativas Especiais, tem de ser absoluto

quarta-feira, 13 de maio de 2026

LADANIVA - Here's to you Ararat


Amor por Arménia, símbolo de resistência e de um país, povo e cultura que sofreu imenso e dele tenho imensa admiração!
O vídeo é uma homenagem à montanha, um símbolo poderoso para o povo arménio. A letra (cantada em arménio) expressa um profundo amor e admiração pelo Ararat, chamando-lhe "Rei dos Arménios" e "alicerce das nossas almas".
Neste vídeo, destaco os melismas de Jaklin Baghdasaryan. São, aliás, a grande "assinatura" vocal dela e o que torna o som dos LADANIVA tão autêntico.

Aqui estão alguns pontos sobre a técnica dela:
  • Ornamentação arménia: Jaklin utiliza muitos elementos do canto tradicional arménio e do Médio Oriente. Esses melismas não são apenas "enfeites"; eles carregam a carga emocional da música. Ela consegue passar por várias notas numa única sílaba com uma precisão cirúrgica.
  • Agilidade e fluidez: o que impressiona na voz dela é a rapidez. Ela faz as transições entre notas (os chamados runs) de forma muito fluida, quase como se fosse um instrumento de sopro (como o duduk ou a flauta).
  • Controlo de sopro: para fazer melismas tão longos e detalhados sem perder a afinação, é preciso um controlo de diafragma muito forte, algo que ela claramente refinou durante a sua formação académica no jazz e na música do mundo.
  • Microtonalidade: em "Here's to you Ararat" nota-se que Jaklin  brinca com intervalos que nem sempre existem na escala ocidental padrão, o que dá aquele toque exótico e hipnotizante.
LADANIVA é um grupo franco-arménio sediado em Lille, França.
O nome da banda, "Ladaniva", é uma referência ao famoso carro todo-o-terreno russo Lada Niva, que os pais de ambos os músicos possuíam.
Jaklin Baghdasaryan: nasceu na Arménia (Yeghegnadzor) e cresceu na Bielorrússia antes de se mudar para França em 2014. Ela estudou no Conservatório de Lille, o que explica o seu excelente controlo técnico
Louis Thomas: o seu parceiro musical é francês.
Louis Thomas toca guitarra [00:46].
Os outros músicos são mostrados a tocar clarinete [00:27], um davul (tambor tradicional) [00:38] e um saz (instrumento de corda) [00:49].
Eu sabia que o Monte Ararat é visível da Arménia, mas agora faz parte da Turquia, e imagino como o povo arménio se deve sentir ao ver a sua montanha histórica apenas de longe.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Andrey Belle


Andrey Belle (pintor Bielorruso, nascido em 1957)

Andrey Belle vive e trabalha em São Petersburgo (Rússia), onde também cresceu e se formou depois de nascer em Minsk, Bielorrússia
Estudou na A. L. Stieglitz Academy of Arts and Industry em São Petersburgo, graduando-se em 1993.
No início da sua carreira associou-se ao grupo artístico “Mitki” na década de 1990.

Estilo e Temas
Estilo: Figurativo contemporâneo com influências do modernismo francês e da tradição figurativa russa.
As suas obras frequentemente exploram temas de emoção, beleza e sensualidade, muitas vezes com figuras femininas como foco principal.
Combina temas nostálgicos com elementos vivos e emocionais.

Técnica
Trabalha com técnicas mistas, incluindo pintura e collage. O seu uso de materiais e processos sugere uma abordagem versátil e expressiva — não se limita a uma única técnica tradicional.

Reconhecimento e Exposições
Participou de inúmeras exposições na Rússia e internacionalmente.
As suas obras estão em museus e coleções privadas incluindo o Museu Estatal de História de São Petersburgo, o Museu de Arte Moderna de Moscovo e o Manezh Central Exhibition Hall em São Petersburgo.
Foi premiado com a Medalha da Ordem de Mérito pela Pátria, II grau pela sua contribuição cultural.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Dissidente Ales Bialiatski diz que prémio Nobel o "protegeu" na prisão


O dissidente bielorrusso Ales Bialiatski, libertado da prisão após um acordo entre Minsk e Washington, afirmou hoje que o seu prémio Nobel da Paz o protegeu na prisão e prometeu continuar a trabalhar no exílio.

"Mesmo tendo passado por todas as dificuldades que os presos políticos bielorrussos enfrentam - as celas de confinamento solitário, as humilhações constantes -, o prémio protegeu-me de outras coisas muito piores pelas quais outros colegas passaram", declarou a partir da Lituânia, citado pela agência de notícias francesa AFP.

 
"Eles (os guardas prisionais) perceberam que esta pessoa tinha recebido algum tipo de prémio e que não lhe podiam bater", acrescentou, rindo.

Ales Bialiatski, de 63 anos, fundou em 1996 e liderou durante muitos anos a Viasna (Primavera), a principal organização de direitos humanos e uma fonte essencial de informação sobre a repressão na Bielorrússia.

A Viasna documenta meticulosamente detenções, julgamentos e penas de prisão, com o objetivo de expor a opacidade do sistema judicial.

Tal trabalho valeu em 2022 a Ales Bialiatski a distinção com o prémio Nobel da Paz, partilhado com a organização não-governamental (ONG) Memorial (da Rússia), e com o Centro para as Liberdades Civis (da Ucrânia).

Ele próprio foi detido em 2021 e condenado em 2023 a 10 anos de prisão num caso de "tráfico de divisas", que a sua organização classificou como fabricado.

Hoje, sublinhou que vai continuar a sua luta no exílio, onde "muito ainda" pode ser feito.

"Não vou desistir. Nesta situação, a vida continua e devemos continuar o nosso trabalho", sustentou, declarando-se certo de que a situação na Bielorrússia mudará "para melhor, mais cedo ou mais tarde".

No poder desde 1994, o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, de 71 anos, esmagou vários movimentos de protesto, o maior dos quais, em 2020 e 2021, após uma eleição presidencial contestada que o enfraqueceu gravemente, levando-o a pedir ajuda do homólogo russo, Vladimir Putin.

O Governo bielorrusso foi posteriormente alvo de pesadas sanções por parte da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos devido a esses atos de repressão em massa e, em seguida, pelo seu apoio à invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, parcialmente lançada a partir de território bielorrusso.

Ales Bialiatski apelou hoje à UE para que negoceie com o Governo bielorrusso para pôr fim à perseguição política.

"Pelo bem da sociedade europeia e de outras democracias, devemos pôr fim à repressão na Bielorrússia", defendeu.

"A repressão é levada a cabo pelo regime - com quem mais se deve falar senão com o regime", comentou.

"Mas isso deve ser feito mantendo uma certa pressão, a partir de uma posição de força, porque o regime bielorrusso só compreende esse tipo de linguagem", concluiu Bialiatski.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Nobel da Paz 2022 entre 123 prisioneiros libertados na Bielorrússia



Os ativistas bielorrussos Ales Bialiatski, Nobel da Paz 2022, e Maria Kolesnikova foram libertados da prisão, anunciaram organizações de direitos humanos, após o Presidente ter autorizado a libertação de 123 prisioneiros, em troca do levantamento de sanções norte-americanas.

A libertação dos detidos foi avançada pela agência estatal Belta, uma informação já confirmada pela oposição e por grupos de defesa dos direitos humanos, como a organização não-governamental (ONG) Viasna.

Pouco antes de ser conhecida a decisão de Lukashenko, os Estados Unidos anunciaram que vão levantar algumas sanções comerciais contra a Bielorrússia, nomeadamente ao sector do potássio, no mais recente sinal de alívio das relações entre Washington e a isolada autocracia.

Lukashenko perdoou "123 cidadãos de diferentes países" após estas discussões com os Estados Unidos, anunciou a conta Poul Pervogo, afiliada à presidência bielorrussa, na plataforma Telegram, sem fornecer os nomes dos libertados.

O enviado especial dos EUA para a Bielorrússia, John Coale reuniu-se na sexta-feira e hoje com o líder autoritário do país, Alexander Lukashenko, para conversações na capital bielorrussa, Minsk.

Aliada próxima da Rússia, a Bielorrússia enfrenta há anos isolamento e sanções ocidentais.
Lukashenko governa a nação de 9,5 milhões de habitantes com mão de ferro há mais de três décadas, e o país tem sido repetidamente sancionado por países ocidentais, tanto pela sua repressão aos direitos humanos como por permitir que Moscovo utilizasse o seu território na invasão da Ucrânia em 2022.

A Bielorrússia, que procura melhorar as relações com Washington, libertou centenas de prisioneiros desde julho de 2024.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Europa em Declínio: Economia, Segurança, Padrões de Vida e Disfunção


O professor Jeffrey Sachs explica como é que a Europa perdeu toda a capacidade de pensamento estratégico e é incapaz de se adaptar à realidade. Os europeus convenceram-se de que estão a lutar pela Ucrânia, e qualquer oposição às suas políticas é denunciada como condescendência com a Rússia. Portanto, a Europa persiste nas suas políticas condenadas, apesar da derrota na guerra.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Paz efémera: um histórico dos cessar-fogos Rússia-Ucrânia



Desde a anexação ilegal da península ucraniana da Crimeia, em 2014, tem havido várias tentativas de dar um fim definitivo à guerra na Ucrânia, envolvendo tanto os apoiadores europeus do país quanto os Estados Unidos – sem qualquer sucesso.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs uma nova rodada de negociações de cessar-fogo em Istambul nesta quinta-feira (15/05). O anúncio coincidiu com um novo ataque com drones a Kiev, dando fim à "trégua" de três dias declarada unilateralmente por Moscou.

Os líderes europeus recusaram a proposta de conversações diretas, enquanto ambas as partes do conflito não declarassem cessar-fogo incondicional. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, iniciamente apoiou essa proposta, mas decidiu participar das conversas em Istambul após o presidente dos EUA, Donald Trump, insistir que ele deveria fazer isso. Não está claro ainda se Putin irá ou se enviará um representante.

Nos últimos meses, os EUA vêm promovendo prolongadas negociações separadas com a Ucrânia e com a Rússia. Antes de ser eleito, Trump prometera dar fim ao conflito já em seu primeiro dia de presidência. Além de a promessa não ter se cumprido, as repetidas intervenções de Washington denotam um favorecimento dos interesses de Putin.

Apesar do insucesso em alcançar um cessar-fogo duradouro, desde o início da invasão russa da Ucrânia em larga escala em 2022 houve diversos acordos de curto prazo. Kiev e Moscou têm-se acusado mutuamente de violar tanto esses pactos quanto os cessar-fogos declarados unilateralmente.

Desde 1994, a Rússia já rompeu diversos pactos visando assegurar a existência da Ucrânia após a queda da União Soviética (URSS).

Memorando de Budapeste e Tratado de Amizade Russo-Ucraniano
O Memorando de Budapeste foi um acordo entre a Ucrânia e a Rússia, coassinado pelos EUA e o Reino Unido em 5 de dezembro de 1994. A condição fora Kiev concordar em entregar as armas nucleares que a Rússia herdara da URSS. Em troca, Moscou, Washington e Londres se comprometiam a "respeitar a independência e soberania e as fronteiras existentes" e "abster-se de ameaçar ou empregar força contra a integridade territorial e a independência política da Ucrânia".

Além disso, em 1997, o Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria comprometia ambas as partes ao "respeito e confiança mútuos" e "respeitar a respectiva integridade territorial".

Ambos os pactos visavam prevenir um conflito entre as duas nações do Leste Europeu. Ao invadir e anexar a Crimeia, no Mar Negro, em fevereiro de 2014, e prosseguir invadindo e atacando território ucraniano, os russos violaram repetidamente seus compromissos sob o Memorando e o Tratado.

Acordos de Minsk
Dois acordos assinados em Bielorussia – país aliado da Rússia – e apoiado por potências europeias, que receberam o nome de sua capital, não bastaram para garantir a paz russo-ucraniana. Firmado em 5 de setembro de 2014, o Protocolo de Minsk (também denominado "Minsk I") continha 12 tópicos relativos à desescalada do recente conflito no leste da Ucrânia, mas fracassou dentro de alguns dias.

Em 12 de fevereiro de 2015 seguiu-se "Minsk II", em que as duas nações em conflito, as forças separatistas pró-russas das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acordaram sobre 13 pontos. Seguiu-se um cessar-fogo imediato, porém poucas horas antes de a trégua entrar em vigor, russos e ucranianos já se acusavam mutuamente de violações.

Escalada em 2022 e cessar-fogos rompidos
Desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, diversos cessar-fogos de prazo curto foram instaurados e rompidos:
  • 6 de março de 2022: Breve cessar-fogo humanitário é cancelado em meio a notícias de bombardeio da cidade de Mariupol, no Mar de Azov.
  • 8 de março de 2022: Tentativas repetidas de formar corredores de evacuação humanitária redundam em acusações de que a Rússia estaria impedindo a passagem dos civis.
  • 7 de janeiro de 2023: Rússia decreta cessar-fogo unilateral para celebração do Natal ortodoxo. Poucas horas mais tarde, líderes ucranianos relatam a retomada dos bombardeios inimigos. Por sua vez, a imprensa estatal russa acusa a Ucrânia de ataques com drones contra posições militares.
  • 18 de março de 2025: Negociações entre EUA e Rússia na Arábia Saudita, em seguida a telefonema entre Trump e Putin, resultam em acordo de cessar-fogo de 30 dias para "energia e infraestrutura". Zelenski concorda com um cessar-fogo parcial alinhado com essas conversas.
  • 25 de março de 2025: No contexto de negociações lideradas pelos EUA, Ucrânia e Rússia concordam em suspender ofensivas no Mar Negro, uma rota de navegação vital.
  • 27 de março de 2025: Kiev e Moscou acusam-se mutuamente de violar, com ataques à infraestrutura, a trégua temporária de 18 de março.
  • 19 de abril de 2025: Supostamente por razões humanitárias, Putin declara "trégua de Páscoa" das 18h00 (12h00 em Brasília) de 19 de abril à meia-noite de 21 de abril. Ucrânia expressa cepticismo, o presidente Zelenski afirma que ataques com drones continuam. Mais tarde, ele alega que Rússia cometera milhares de violações ao longo do front.
  • 10 de maio de 2025: Rússia declara cessar-fogo unilateral em comemoração aos 80 anos da derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Ucrânia acusa o país de violar sua própria trégua 734 vezes.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Música do BioTerra: Molchat Doma - Son (Молчат Дома - Сон)



Сон:

Красными искрами валится небо на нас,
Купол надежды расплавив в тот час.
Жалкими взглядами их не провести.
Поздно скрестись: нас не спасти.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.

Тихо! Послушай, как ветер зовёт за собой,
Шепчет на ухо: «Заигрались с судьбой!»
Глянь на следы, что оставили мы.
Ветер развеет их вскоре — дальше иди.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.


Dream:

The sky is falling down on us like red sparks,
The dome of hope melted during that time.
You can’t deceive them with pitiful glances.
It is too late to do the sign of the cross: we can’t be saved.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

Quiet! Listen, how the wind calls for you,
It whispers in your ear: “tempt fate!”
Look at the footprints we left behind.
The wind will blow them away soon – carry on.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ciclovias: Portugal pedala na cauda da Europa


No acesso a ciclovias seguras, Portugal ainda pedala na cauda da Europa. Neste novo indicador do Atlas of Sustainable City Transport , Portugal regista 13%, ficando apenas à frente da Grécia (6%), Roménia (6%), Ucrânia (7%) e Bielorrússia (10%). No topo da tabela de países que têm melhor cobertura estão Finlândia (97%), Dinamarca (94%), Suécia (89%) e Países Baixos (85%). 
Público 4jun2024

sábado, 19 de agosto de 2023

Vamos salvar a Amazónia da Europa - a Polésia


Sabia que a Europa tem a sua própria Amazónia? Pois é. A Polésia. É uma vasta extensão de zonas húmidas, compreendida entre a Polónia, Bielorrússia, Ucrânia e parte da Rússia.
Alberga uma grande variedade de seres vivos e é um autêntico pulmão verde do nosso continente. Parcialmente contaminada pelo desastre de Chernobyl, enfrenta uma nova ameaça: pretendem abrir um canal fluvial que destrói o ecossistema.

Página Oficial

Notícias

sexta-feira, 3 de março de 2023

Prémio Nobel Ales Bialiatski condenado a 10 anos de prisão na Bielorrússia



O ativista bielorrusso Ales Bialiatski, co-vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2022 e figura-chave do movimento democrático na Bielorrússia, foi condenado hoje a 10 anos de prisão por um tribunal de Minsk, noticiou a imprensa internacional.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o ativista dos direitos humanos e outras três figuras importantes da organização não-governamental (ONG) Viasna - que foi fundada por Bialiatski - foram condenados por financiar protestos antigovernamentais.

Os ativistas dos direitos humanos Valentin Stefanovitch e Vladimir Labkovitch foram condenados, respetivamente, a nove e sete anos de prisão, de acordo com a agência de notícias AFP.

Um quarto réu, Dmitri Soloviev, julgado à revelia após fugir para a Polónia, recebeu uma sentença de oito anos de prisão. Todos também foram multados em 185.000 rublos bielorrussos (69.000 euros).

As acusações contra Bialiatski e os seus colegas estavam relacionadas ao fornecimento de dinheiro do Viasna a prisioneiros políticos e ajuda nos pagamentos de honorários a advogados.

Detidos após protestos contra reeleição do Presidente Lukashenko
Os ativistas foram detidos após os protestos massivos nas eleições de 2020, que possibilitaram um novo mandato ao Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.

A oposição bielorrussa afirmou categoricamente que houve fraudes nas eleições de 2020.

Lukashenko - no cargo desde 1994 - reprimiu a oposição e os meios de comunicação independentes.

Os protestos de 2020 persistiram por vários meses, atingindo grande parte da Bielorrússia e as autoridades tomaram medidas duras de repressão.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

The Russian Empire Must Die

A better future requires Putin’s defeat—and the end to imperial aspirations.


During the quarter century of its formal existence, the Moscow School of Civic Education did not have a campus, a syllabus, or professors. The school instead ran seminars for politicians and journalists, led by other politicians and journalists, from Russia and around the world. It operated out of the Moscow apartment of its founders, Lena Nemirovskaya and Yuri Senokosov. They had met in the 1970s while working on a Soviet philosophy journal, and shared a hatred of the violent, arbitrary politics that had shaped most of their lives. Nemirovskaya’s father was a Gulag prisoner. Senokosov once told me he could not eat Russian black bread, because the taste reminded him of the poverty and tragedy of his Soviet childhood.

Both also believed that Russia could change. Maybe not change very much, maybe not very dramatically, but change nevertheless. Nemirovskaya once told me that her great ambition was just to make Russia “a little bit more civilized” through the exposure of people to new ideas. Their school, an extension of conversations held in their kitchen, was designed to achieve that single, nonrevolutionary goal.

For a long time it flourished. From 1992 to 2021, Nemirovskaya reckons, more than 30,000 people—parliamentarians, city-council members, businesspeople, journalists—attended their seminars around the country on law, elections, and media. British editors, Polish ministers, and American governors came to speak; they got financial support from an equally wide range of European, American, and Russian foundations and philanthropists. I attended perhaps a dozen seminars, mostly to speak about journalism.

But the school remained a Russian organization, built by Russians, for Russians. The topics were chosen because they interested Russians and later because they interested the Georgians, Belarusians, and Ukrainians who attended some seminars too. I remember a particularly boring (to me) seminar on federalism in Scandinavia that the participants found fascinating because they hadn’t ever pondered, in their highly centralized societies, the various relationships between regional and national governments that could theoretically exist.

At the time, this project did not feel naive, idealistic, or radical, let alone seditious. Even during the first decade of Vladimir Putin’s presidency, democratic politics were restricted but legal in Russia; opposition views were tolerated, as long as they didn’t attract too much popular support; and there were many endeavors to organize discussions, training sessions, and lectures on democracy and the rule of law. Nemirovskaya told me that it never occurred to her that she was creating a “dissident” organization. On the contrary, her efforts were meant to support exactly the kind of transformation that people in power in Russia in the ’90s said they wanted. But slowly, those people were pushed out, or changed their mind. Officers of the FSB, the Russian secret police, began showing up at the seminars and asking questions. Negative articles about the school appeared in the Russian press. Finally, the state designated the school as a “foreign agent” and decreed that it had to advertise itself as such.

In 2021, the school was closed. Nemirovskaya and Senokosov sold their apartment and moved to Riga, Latvia, where they still run seminars, only now for exiles. Many of their friends, colleagues, and former students trickled out of the country too. In the spring of 2022, following the invasion of Ukraine, that trickle became a wave. Tens of thousands of Russian journalists, activists, lawyers, and artists left the country, bringing with them whatever remained of independent media, publishing, culture, and the arts. Among them were many people who might have once attended a seminar on local government at the Moscow School of Civic Education.

That moment felt, to many inside and outside Russia, like the end of the story. But it wasn’t—because stories like this one never end.

Ideas move across time and space, sometimes in unexpected ways. The notion that a country should be different—differently ruled, differently organized—can come from old books, from foreign travel, or just from its citizens’ imaginations. At the height of the Russian empire, in the 19th century, under the rule of some of the most ponderous autocrats of their time, a plethora of reform movements flowered: social democrats, peasant reformers, advocates of constitutions and parliaments. Even some of the people born into the Russian imperial elite came to think differently from others in their social class. Leo Tolstoy evolved into a world-famous advocate of pacifism. The father of the writer Vladimir Nabokov made fiery public speeches in the years leading up to the Russian Revolution, edited a liberal newspaper, and spent time in prison. His son later remembered how, on the evenings when his father was holding his political meetings, “the hall would house an accumulation of greatcoats and overshoes,” and guests would talk well into the night.

The state pushed back against people who thought differently, even then. Mikhail Zygar, a Russian author and the founding editor of an independent television station called TV Rain, has written a book, The Empire Must Die, that, among other things, tells the story of the independent thinkers forced out of Russia at the beginning of the 20th century, some of whom came back to reshape it during the revolution. This was a moment when “the number of Russian political émigrés becomes so great that there is talk of the emergence of an alternative Russian civil society,” he writes. “The Russian diaspora is no longer a branch of Russia; it is no longer clear which is the branch and which the trunk.”

Most suffered from one major blind spot: Neither then nor later did most Russian liberals understand that the imperial project itself was the source of Russian autocracy. The White Russian armies lost to the Bolsheviks in part because they would not join forces in 1918–20 with newly independent Poland or would-be independent Ukraine. Democratic ideas did not triumph in either the branch or the trunk in the years that followed the Russian Revolution, partly because the state needed to use so much violence to keep Ukraine, Georgia, and the other republics inside the Soviet Union.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Putin genocída

O fim da Guerra está nas mãos de Putin.
Factos:
  • Rússia: direito de veto no Conselho de Segurança da ONU; membro da OPEC/OPEP, Grupo 8 e do Grupo 20.
  • Ucrânia: Zero.
  • A charada do acordo de Minsk
Campanha Internacional: Stop Russian oil

Tal como há 30-40 anos atrás a União Soviética utilizava os seus fantoches nos países ocidentais com a "better red than dead" que terminou com a vitória dos democratas e derrota humilhante dos comunistas soviéticos, também actualmente o genocida Putin tenta intoxicar a opinião pública ocidental com as mensagens dos lacaios do genocida Putin numa altura em que todos os dias centenas de soldados russos são mortos em campo de batalha e terras ucranianas são libertadas do jugo déspota do genocida Putin, tentando com as suas mentiras manter-se ao comando do Estado terrorista russo. A guerra terminará um dia sim mas só quando o heróico povo ucraniano recuperar todo o território pertencente à Ucrânia e o genocida Putin e seus lacaios Peskov, Labrov, Lukashenko e outros forem presentes a Tribunal Penal Internacional e condenados.


O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, esta terça-feira, que a Rússia está disposta a negociar o conflito na Ucrânia com o Papa Francisco e os Estados Unidos.

A posição de Moscovo surge após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter apelado a uma negociação entre os seus homólogos russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Joe Biden, o patriarca da Igreja Ortodoxa e o Papa Francisco.

"Estamos prontos a discutir tudo [a situação na Ucrânia] com os americanos, com os franceses e com o pontífice", disse Peskov aos jornalistas, citado pela agência de notícias russas TASS.

O responsável russo acrescentou que, se as negociações forem "na direção dos esforços para encontrar possíveis soluções, podem ser vistas de uma forma positiva". "Repito: a Rússia está aberta a todos os contactos. Mas temos de partir da premissa de que a Ucrânia proibiu a continuação das negociações", frisou.

Sublinhe-se que as últimas negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia ocorreram em março, sob mediação da Turquia, mas acabaram sem qualquer acordo, com Kyiv e Moscovo a responsabilizarem-se mutuamente pelo fracasso negocial

O conflito entre a Ucrânia e a Rússia começou com o objetivo, segundo Vladimir Putin, de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia. A operação foi condenada pela generalidade da comunidade internacional.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A ONU confirmou que cerca de seis mil civis morreram e quase dez mil ficaram feridos na guerra, sublinhando que os números reais serão muito superiores e só poderão ser conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

Jornalismo que conta:

Investigação que conta:

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da Paz, aos defensores dos direitos humanos na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia



O Comité norueguês honrou os que representam a sociedade civil e protegem os seus direitos fundamentais. Os galardoados são o dissidente Bialiatski, a ONG russa Memorial e o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia.

Há muitos anos que "eles têm promovido o direito de criticar o poder e proteger os direitos fundamentais da população". Por isso, e muito mais, um ativista, o bielorrusso Ales Bialiatski, e duas organizações de direitos humanos, a Memorial, uma ONG russa, e o Centro Ucraniano de Liberdades Civis, foram agraciados com o Prémio Nobel da Paz 2022. O Comité Nobel norueguês aponta que os galardoados representam "a sociedade civil nos seus respetivos países" e que eles têm feito "um esforço notável para documentar crimes de guerra, violações dos direitos humanos e abusos de poder". Juntos, prossegue a exposição de motivos, "eles demonstraram a importância da sociedade civil para a paz e a democracia".

Bialiatski, um dissidente bielorrusso"
Ales Bialiatski", explica o Comité, "foi um dos iniciadores do movimento democrático que surgiu na Bielorrússia em meados da década de 1980. Ele dedicou a sua vida à promoção da democracia e do progresso pacífico no seu país de origem" e várias vezes as autoridades "tentaram silenciá-lo". Bialiatski está detido sem julgamento desde 2020, após manifestações em grande escala contra o regime. Antes já havia sido preso de 2011 a 2014. "Apesar das enormes dificuldades pessoais, não cedeu nada da sua luta pelos direitos humanos e pela democracia na Bielorrússia", explica o Comité, que espera que o prémio não prejudique o ativista, cuja imediata libertação foi solicitada.

O ativismo da ONG russa Memorial
O prémio à ONG Memorial, explicou a presidente do Comité norueguês Berit Reiss-Andersen, é em reconhecimento da atividade da organização, baseada na "noção de que enfrentar crimes do passado é essencial para prevenir novos crimes". A Memorial, que foi declarada agente estrangeiro na Rússia e, por isso, foi fechada, foi fundada em 1987 por ativistas da então União Soviética, entre eles Andrei Sakharov e Svetlana Gannuchkina, que "queriam garantir que as vítimas das opressões do regime comunista" nunca fossem esquecidas. Após o colapso da URSS, tornou-se a principal organização de direitos humanos na Rússia.

O papel do Centro de Liberdades Civis na Ucrânia
O Centro de Liberdades Civis, lê-se na motivação, foi fundado com "o propósito de fazer avançar os direitos humanos e a democracia na Ucrânia". Após o início da guerra em fevereiro, "empenhou-se" em esforços para identificar e documentar os crimes de guerra russos contra a população ucraniana. O Centro, explicam, "está a desempenhar um papel central em responsabilizar os culpados pelos seus crimes" e está empenhado em "fortalecer a sociedade civil, pressionando para tornar a Ucrânia uma democracia plena".

domingo, 6 de março de 2022

Acordos de Minsk: entenda relação entre os cessar-fogos e a crise na Ucrânia



Cenas de terror acontecem na Ucrânia em meio ao fracasso de um cessar-fogo que permitiria que civis deixassem Mariupol e Volnovakha com segurança. Mas a saída de refugiados foi interrompida com autoridades ucranianas acusando a Rússia de violar o acordo neste sábado (5).

O conflito que já forçou 1,5 milhão de pessoas a deixarem seu país ocorre em um contexto muito amplo. Envolve, entre outros fatores, a falha de outros compromissos anteriores, como os Acordos de Minsk, dois termos de cessar-fogo assinados entre Kiev e Moscovo há sete anos.

Ambos foram acordados para tentar pôr fim ao conflito no leste ucraniano entre separatistas pró-russos e o Exército da Ucrânia. Os termos eram vistos como possibilidade da situação atual não escalar para uma guerra — o que não aconteceu.


Putin derruba acordos
No dia 22 de fevereiro, nas vésperas da invasão dos russos na Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin declarou os Acordos de Minsk como inexistentes. Segundo a agência turca Anadolu, ele disse que os combinados caíram quando a Rússia reconheceu as regiões separatistas de Donetsk e Luhansk como estados independentes.

De acordo com Putin, seu país lutou durante anos pela implementação dos termos, enquanto autoridades ucranianas os paralisavam. Ele insistiu que o reconhecimento das regiões foi “ditado pela falta de vontade de Kiev de implementar o Acordo de Minsk”.

"Agora os acordos de Minsk não existem. Por que devemos implementá-los se reconhecemos a independência dessas entidades?", questionou o governante da Rússia.

O que dizia o Minsk I
Assinado na capital de Bielorrússia em 5 de setembro de 2014, o Minsk I tinha 12 pontos, incluindo um cessar-fogo a ser monitorado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Também incluía a troca de prisioneiros, retirada de formações armadas na Ucrânia, o estabelecimento de uma zona de segurança ao longo da fronteira e um programa de reconstrução econômica para a região ucraniana de Donbass, ocupada por separatistas.


Por insistência da Rússia, outras três cláusulas foram inseridas: a adoção de uma "lei sobre o status especial" que descentralizaria temporariamente o poder para Donbass ocupada, a realização de eleições locais e um “diálogo nacional inclusivo”.

Apesar de todos os combinados, o cessar-fogo teve poucos efeitos, segundo concluiu a organização sem fins lucrativos Chatham House, que avalia temas políticos internacionais. O acordo rapidamente quebrou, com violações por ambos os lados.

Misk II
Representantes da Rússia, da Ucrânia, da OSCE e os líderes de duas regiões separatistas pró-Rússia assinaram o acordo de 13 pontos em 11 de fevereiro de 2015. O termo foi celebrado no Palácio da Independência de Minsk, em Bielorrússia, na presença dos líderes russo, ucraniano, da França e Alemanha.

Nove dos 13 tópicos do acordo eram sobre a gestão de conflitos. Entre eles, um cessar-fogo e a retirada de armamento pesado; a anistia dos envolvidos nos combates; uma troca de reféns e pessoas detidas ilegalmente; assistência humanitária; a retomada dos vínculos socioeconômicos entre a Ucrânia e Donbass, etc.