O músico alemão Bartholomäus Traubeck criou um equipamento que traduz os anéis do tronco de uma árvore, em notas de piano, ao tocá-lo numa plataforma giratória similar à de um gira-discos.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Conheça a incrível música que foi encontrada nos anéis de uma árvore
O músico alemão Bartholomäus Traubeck criou um equipamento que traduz os anéis do tronco de uma árvore, em notas de piano, ao tocá-lo numa plataforma giratória similar à de um gira-discos.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Documentário: Urban Permaculture with Geoff Lawton
terça-feira, 29 de julho de 2014
Mais a Borboleta
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| Créditos: Rui Miguel Félix |
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Só a democracia permite que haja recursos para a próxima geração
domingo, 27 de julho de 2014
Poema da Semana - "Um dia", por Sophia de Mello Breyner Andresen
Um dia
Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.
~ Sophia de Mello Breyner Andresen, Texto extraído do livro "Poemas escolhidos - Sophia de Mello Breyner Andresen", Cia. das Letras - São Paulo, 2004
sábado, 26 de julho de 2014
Música do BioTerra: Death in June - Fall Apart e Ikon- versão melancolicamente graciosa
Shall I fall in Pastures
Will I Wake the Darkness
Shall we Torch the Earth?
And if I wake from Dreams
Shall we find the Emptiness
And break the Silence
That will stop our Hearts?
And if I wake from Dreams
Shall we cry Together
For their Howling echoes
And restart the Night?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And shall I wake from Dreams
For the Glory of Nothing
For the cracking of the Sun
For the crawling down of Lies?
And if We fall from Dreams
Shall we push them into Darkness
And stare into the Howling
And clamber into Night?
And if I fall from Dreams
All my Prayers are Silenced
To Love is to lose
And to lose is to Die...
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A ilusão óptica da nossa consciência, por Einstein
quinta-feira, 24 de julho de 2014
A Agricultura Biológica - a afirmação de um Movimento de reaproximação da Natureza
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Música do BioTerra: Apocalyptica - Seemann feat. Nina Hagen
Ein Sturm kommt auf und es wird Nacht
Wo willst du hin?
So ganz allein treibst du davon
Wer halt deine Hand
Wenn es dich nach unten zieht?
Wo willst du hin?
So uferlos die kalte See
Komm in mein Boot
Der Herbstwind hält die Segel straff
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Tageslicht fällt auf die Seite
Der Herbstwind fegt die Straße leer
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Abendlicht verjagt die Schatten
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Komm in mein Boot
Die Sehnsucht wird der Steuermann
Komm in mein Boot
Der beste Seemann war doch ich
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Feuer nimmst du von der Kerze
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Sie sprachen nur von deiner Mutter
So gnadenlos ist nur die Nacht
Am Ende bleib ich doch alleine
Die Zeit steht still und mir ist kalt
Kalt...
Kalt...
20 das criaturas mais velhas da Terra e que estão prestes a desaparecer (com FOTOS)
terça-feira, 22 de julho de 2014
Encontros Improváveis: Miguel Torga e Jan Garbarek
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes.
*José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra- o filme!
domingo, 20 de julho de 2014
ENTREVISTA Mohan Munasinghe: “Os ricos do mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra”
Era o vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas quando este organismo partilhou o Prémio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-Presidente norte-americano Al Gore. Sete anos depois, o efeito do prémio começa a perder-se, mas o especialista diz ter “coisas novas para dizer”. E nós estamos num momento de consumo excessivo?
Do ponto de vista dos recursos naturais, estamos, enquanto espécie humana, a consumir excessivamente, já não a um nível regional, mas globalmente. O segundo factor desta equação é social: a ascensão das civilizações acontece em momentos de maior equidade e esforço partilhado na sua construção. O declínio, habitualmente, começa com o crescimento das iniquidades, com as elites a desfrutarem de um nível de vida muito mais alto do que o das massas. Hoje há paralelos preocupantes e as iniquidades estão a crescer.
Essas desigualdades reflectem-se no consumo de recursos?
Estamos a usar uma vez e meia a capacidade do planeta Terra. E em breve será duas vezes. Cerca de 85% dos recursos são consumidos pelos 20% mais ricos da população mundial. O resto dos 80% das pessoas está a consumir uma percentagem muito reduzida. Isto significa que os ricos do mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra. A questão que se coloca é: onde estão os recursos para alimentar os pobres?
Esta é uma aprendizagem que os governos estejam prontos para fazer?
A minha experiência com governos é muito decepcionante. Provavelmente, não poderemos esperar que a mudança venha dos líderes. Em todas as grandes conferências mundiais, encontro após encontro, os líderes prometem isto e aquilo, mas nada está a ser feito, na prática. No entanto, se conseguirmos uma coligação da sociedade civil, dos líderes de comunidade, do sector empresarial, trabalhando com os governos, talvez possamos beneficiar das lições da História e colocar-nos no caminho da sustentabilidade.
Na Europa, a crise económica parece ter deixado estas questões num segundo plano. Esperava que isso acontecesse?
O papel da Europa é muito importante, porque esta desenvolveu um modelo policêntrico, que considero ser fundamental adoptar para resolver os desequilíbrios que o mundo enfrenta. Na União Europeia, existem grandes países como Alemanha, França e Reino Unido, mas há espaço para todos terem uma voz. A Europa pode ser a força mediadora entre os Estados Unidos e os BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China], de modo a fazer surgir um sistema político sustentável, que o seja também em termos ambientais, sociais e económicos.
A Europa ainda é policêntrica depois do que vimos acontecer durante a crise?
O que a crise financeira nos tem mostrado é que uma pequena plutocracia – os poderes financeiros – seguiram más políticas e ficaram à espera de que os contribuintes os resgatassem, o que tornou alguns países, como Portugal, Espanha e Grécia, economicamente frágeis. Mas em termos nacionais e políticos, a Europa é policêntrica, o que existe é uma concentração do poder pelas elites financeiras. Desse ponto de vista, a União Europeia está numa situação muito melhor do que os EUA.
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Mohan Munasinghe é físico de formação. Fonte: Público
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Que papel pode um país pequeno como Portugal desempenhar?
Pode insistir nos seus direitos, não aceitar ser atacado pelos países de maior dimensão. Com a história e cultura que tem, com grande respeito pelo ambiente, pode ser restaurada uma economia saudável. Através do exemplo, com o contributo das universidades e de outras organizações, Portugal pode demonstrar ao mundo o que pode ser um caminho mais sustentável para o futuro.
Esteve na Cimeira de 1992 no Rio e na Rio+20 de 2012, que foi vista por muitos especialistas como uma oportunidade perdida. O que mudou no mundo nos últimos 20 anos que possam explicar os resultados limitados desta última conferência?
Antes disso, tinha participado na conferência de Estocolmo, em 1972, e esse era um tempo de grande esperança. A preocupação com o ambiente e a sustentabilidade estava a crescer e, entre 1972 e 1992, havia um caminho ascendente de esperança. Por isso, em 1992 tivemos a Agenda 21 e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. Mas, desde então, as pessoas começaram a ir no caminho contrário. No início do século XXI, surgem os Objectivos de Desenvolvimentos do Milénio, que eram muito menos ambiciosos do que o que traçámos em 1992. E mesmo esses oito objectivos eram muito limitados e não foram atingidos. Ou seja, reduzimos o alvo e mesmo assim não estamos a atingi-lo. O Rio+20 devia ter respondido a isto, mas só conseguimos que toda gente reconhecesse quais eram os problemas.
Depois faltaram as acções?
Os líderes que conseguiram comprometer-se com acções falharam de forma miserável. Temos uma lista de problemas, uma lista de potenciais soluções, mas as acções foram diferidas. Agora, fala-se na Agenda para o Desenvolvimento pós-2015, que é suposto produzir um plano de acção, mas é mais uma vez uma lista muito limitada.
O mundo vai precisar de uma nova grande conferência sobre esta matéria?
Neste momento, uma nova conferência não trará grande ajuda, porque atingimos um estádio de fadiga, particularmente entre os líderes mundiais. Defendo algo diferente: dar poder às pessoas. Dizer-lhes: quando sair desta sala, desligue a luz, plante uma árvore, coma menos carne. Toda a gente pode fazer alguma coisa. Não temos de esperar que o primeiro-ministro ou o Presidente nos digam o que fazer.
Propõe que se mude a escala de actuação?
Exactamente, passar para o nível intermédio de governação. Para os líderes, os problemas são demasiado grandes para assumirem o risco, mas a nível intermédio, estamos mais próximos dos problemas. E é aqui que temos que actuar.
Isso será suficiente?
Estamos no extremo de um precipício: ou podemos afastar-nos e sobreviver ou podemos cair pelo precipício. Para não cairmos no precipício, temos de trabalhar depressa. E não estou certo de que a minha proposta venha a dar resultados suficientemente rápidos.
Passaram sete anos desde o prémio Nobel da Paz. Sente que o efeito do prémio se perdeu?
O prémio dá-nos uma plataforma, mas tem um ciclo de vida muito curto. Pessoalmente, não dependo tanto dele, porque já tinha uma voz antes do prémio, mas o Nobel ajudou a incrementar o meu perfil a nível global.
Em termos mediáticos, foi bom ou mau partilhar o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas partilhar o prémio com Al Gore [ex-vice-Presidente dos EUA]?
Penso que foi muito bom. O que foi escrito na altura pela Academia Sueca é que o prémio foi entregue pela identificação de factos científicos e disseminação. Eu ajudei com a parte científica, a contribuição de Al Gore foi mais a disseminação. Ambos são importantes.
Criou o Instituto Munasinghe para o Desenvolvimento, no Sri Lanka, em 2011. Com que objectivo?
Somos um instituto muito pequeno, mas temos três áreas de acção: Damos bolsas a estudantes para estudos em áreas relacionadas como a sustentabilidade; temos programas de formação para o público em geral em vários países; e temos alguns trabalhos de investigação. Os três estão muito centrados em áreas como agricultura, energia ou recursos hídricos.
Que papel é que a educação pode desempenhar neste caminho para uma sociedade mais sustentável?
As universidades estão a formar os líderes do futuro e o problema hoje é que a sociedade tem os valores errados. Devido ao progresso científico, sentimos que podemos ignorar muitos dos constrangimentos que se nos colocam enquanto sociedade. Precisamos de um novo sistema de valores para a sustentabilidade, que tem que ser ensinado na universidade à nova geração de líderes. Mas também precisamos que isto chegue às escolas, desde crianças. Os exemplos que temos para as crianças verem são todos maus: a nossa geração ensinou-os a pedir emprestado, a enganar, a ter sucesso a qualquer custo.
Precisamos de uma geração para essa mudança?
Vamos precisar pelo menos de meia geração. O único aspecto positivo que encontro é que os mais jovens perceberam que estão a herdar um mundo arriscado, eles sabem que têm que fazer algumas mudanças muito depressa.
sábado, 19 de julho de 2014
PENEDA GERÊS- olhar com o coração
“Há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles."
Miguel Torga In "Diário VII"
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Bioarte
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Sobre o dinheiro
quarta-feira, 16 de julho de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
Sabedoria Cherokee
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Legumes em formato "mini" podem chegar em breve aos telhados de Lisboa
domingo, 13 de julho de 2014
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Costa de Portugal emagrece para engordar os ricos
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Música do BioTerra: Antony Hegarty - Cut the World
That feminine decree
I've always contained
Your desire to hurt me
But when will I turn
And cut the world?
When will I turn and cut the world?
My eyes are coral
Absorbing your dreams
My skin is a surface
To push to extremes
My heart is a record
Of dangerous scenes
But when will I turn
And cut the world?
When will I turn and cut the world? [5X]
Pode ter sido descoberto o maior reservatório de água do mundo
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Curta-animação da semana: "Heart"
terça-feira, 8 de julho de 2014
Documentário sobre Ideias Libertárias na Educação: La Educación Prohibida
Sob a direção de Germán Doin, somos convidados a pensar – e repensar – as novas possibilidades que se apresentam no horizonte dos contextos educacionais, onde muitas das pedagogias vigentes, geralmente, não conseguem dar conta de oportunizar visibilidade a todos os atores envolvidos nos processos de ensino-aprendizagem. Com panoramas complexos e desafiadoras problematizações, a educação nos novos tempos emerge e precisa ser inquietantemente discutida sob diferentes ângulos e enfoques. Nas mais de duas horas de documentário, vamos sendo, pouco a pouco, instigados a refletir sobre as possibilidades apresentadas e, na maioria delas, levados também a pensar de forma não muito convencional. Assim, o contexto educacional e essa relação com a escola vai sendo trazida ao debate.
À luz da história O Mito das Cavernas, de Platão, o início do documentário enfatiza o quanto se faz presente em nós, professores e sociedade, um medo das sombras. Pensando sob essa perspectiva e levando a contextualização abordada para o campo educacional, entendemos que as sombras se referem aos velhos paradigmas, às concepções que ainda usamos, mas que, constantemente, apresentam-se incapazes de explorar o melhor que a educação e a escola podem de fato representar à sociedade. Diariamente, ela – a sombra – consome nossas novas possibilidades e não nos deixa partir a pensar sobre os novos paradigmas da educação. O documentário, desde seu início, enfatiza a crítica acerca da escola atual e do modelo ainda inspirado e fidedigno de tempos remotos. No documentário, o contexto escolar é apresentado em formato similar ao que conhecemos atualmente: alunos que se mobilizam e se mostram, em vários momentos, insatisfeitos com as realidades educacionais e professores que apresentam dificuldades em assimilar e compreender os diversos anseios dos jovens. Para endossar a discussão, professores, pensadores e intelectuais diversos falam sobre suas experiências e expectativas. Assim, são apresentados diversos problemas que perpassam a escola e o contexto educacional. Da mesma forma, são apresentados inúmeros casos de escolas e instituições que desafiam os métodos mais tradicionais e pautam seus discursos e ações em metodologias e pedagogias libertadoras que valorizam a autonomia. Embora não adentrem nas questões mais especificamente relacionadas às teorias educacionais que seguem e acreditam, os profissionais que participaram das filmagens do documentário dão a entender, através de suas falas e pelas instituições de onde se projetam, quais possíveis correntes e pensadores que dialogam com suas práticas.
Pensamentos acerca da teoria de Montessori entendem por educação uma concepção bem interessante. Em conformidade com a fala de alguns participantes do documentário, trazem-se ao debate as contribuições de Lillard (2017), que ao escrever sobre Maria Montessori enfatiza que a relação dela com as crianças na sala de aula poderia ser resumida em uma palavra: respeito. “Ela as abordava com a dignidade, confiança e paciência que teriam sido dadas a alguém envolvido na mais séria das tarefas e que fosse, ao mesmo tempo, dotado com o potencial e o desejo de atingir essa meta” (LILLARD, 2017, p.10).
É certamente uma concepção muito rica e ainda muito desafiadora para ser posta em prática em determinados espaços, uma vez que esse método também requer uma série de adequações físicas. Nota-se, portanto, que “Montessori propõe algo novo para sua época, mas que se mantém inovador ainda hoje que constituiu o método ativo para a preparação racional dos indivíduos às sensações e percepções” (AGNOTTI, 2007, p.105). Assim, explica que as classes (salas de aula) montadas na proposta montessoriana focam-se na convivência de crianças de diferentes idades. A liberdade e a autonomia são garantidas na possibilidade do trabalho individual entre os materiais disponíveis no ambiente preparado para a aprendizagem (AGNOTTI, 2007, p.105).
Outras diversas concepções acerca de métodos e teorias vão, ao longo do filme, aparecendo. Com isso vai se conjugando uma série de conhecimentos que dão notoriedade às ideias que hoje, por vezes, ainda nos parecem bem distantes. Ideias sobre o que é ser escola e o que é – ou deveria ser – a educação no contexto escolar. Na obra fílmica, aparecem ainda profissionais provindos também de escolas com concepções Logosóficas. Essas, por sua vez, promovem o conhecimento de si mesmo ao indivíduo, bem como possibilitam o desenvolvimento biopsicoespiritual. Ancorada nos ideais de seu fundador Carlos Bernardo González Pecotche, essa teoria se faz presente no documentário, uma vez que possibilita ao estudante uma maior introspecção e uma análise diferenciada do mundo:
A Logosofia é uma ciência nova e concludente, que revela conhecimentos de natureza transcendental e concede ao espírito humano a prerrogativa, até hoje negada, de reinar na vida do ser a quem anima. Conduz o homem ao conhecimento de si mesmo, de Deus, do Universo e de suas leis eternas. No que diz respeito ao estudo discernente dos problemas que ela expõe e das soluções que oferece, assim como aos processos e orientações que prescreve e à realização dos ensinamentos que a fundamentam, deverá tudo isso cumprir-se à semelhança do que ocorre nas outras ciências, no sentido da adaptação ao método e às disciplinas que regem e ordenam toda atividade. (PECOTCHE, 2005, p.17).
Aborda-se, para esse instrumento de escrita, de forma breve e superficial, a concepção de pelo menos essas teorias ou métodos de educação, uma vez que as críticas às concepções tradicionais elencadas no documentário são muitas. Vale citar, ainda, que elas são também coerentes em alguns momentos, ainda que sejam, por vezes, infelizmente, utópicas.
Segundo o que é possível observar a partir do documentário, não é o aluno que fracassa, é a estrutura – escolar – que não dá conta do aluno e de canalizar todo seu potencial. Apontando a escola como um lugar entediante e desinteressante, estruturado de forma que já não cabe na configuração contemporânea, entende-se que tudo muda e a escola se mantém intacta, num molde de séculos atrás: professor, quadro-negro e giz, uma matéria estática, desenvolvimento curricular e conteudista, mérito seletivo onde apenas o sucesso em algumas áreas/matérias representa aprendizagem e sucesso. A escola, nesse enfoque, reproduz a constante concorrência e discriminação a partir de concepções de ensino que se baseiam apenas em reprodução.
Ao trazer a concepção de escola enquanto espaço de estacionamento de crianças e ao comparar a escola à manufatura de um produto, ressalta-se a discussão de que não dificilmente a escola vem sendo preparada por aqueles que não dão aula. Grosso modo, a educação em algumas instâncias se torna atividade meramente administrativa. Há no documentário quem chame esse processo de “linha de montagem escolar”, demonstrando a escola apenas como um centro de instrução.
As críticas que seguem dizem respeito ao sistema escolar que tem como objetivo meramente selecionar – definir, a partir da estrutura, quem vai poder progredir e frequentar um outro lugar seleto, que é a universidade. Assim, o documentário vai também adentrando às questões acerca do objetivo maior da educação e vai questionando qual seria seu verdadeiro papel, afinal. A problematização ali levantada vai pautando-se, principalmente, num sistema educacional que atua considerando o significado maior do objetivo e que acaba por não valorizar o processo.
Educação Ativa, Popular, Libertária, Ecológica, Holística, Democrática, Étnica, Educação sem escola, Educação em casa e, assim, por diante. Várias nomenclaturas, diferentes visões e concepções, velocidade nas mudanças e constante alteração dos contextos da atualidade. Tudo isso apresenta-se no horizonte de expectativa da educação que pretendemos construir. Tudo isso, também, requer uma análise mais complexa sobre o que é, de fato, importante ao estudante, uma vez que, até o final de sua jornada escolar, muitos dos “conteúdos” já podem estar obsoletos. Esse documentário vem justamente na perspectiva de nos fazer refletir, de nos instigar a pensar as inúmeras possibilidades e nos apresentar um panorama da realidade.
Na sua época Paracelso estava absolutamente certo, e não está menos certo actualmente: “A aprendizagem é a nossa vida, desde a juventude até à velhice, de facto quase até à morte; ninguém vive durante dez horas sem aprender”. A grande questão é: o que é que aprendemos de uma forma ou de outra? Será ela conducente à auto-realização dos indivíduos como “indivíduos socialmente ricos” humanamente (nas palavras de Marx), ou está ela ao serviço da perpetuação, consciente ou não, da ordem social alienante e finalmente incontrolável do capital? (MÉSZÁROS, 2005, p.117).
Particularmente, e para finalizar as indagações que aqui são propostas, recorre-se ao pensamento de Paulo Freire para trazer, também, uma concepção mais pessoal da percepção acerca do tema, uma vez que, enquanto professor por formação, o campo da educação atua como lócus para constante formação enquanto profissional. Para Freire (2006), o inédito-viável é uma percepção que o homem tem e que pode ir além das situações-limites. Nessa percepção, é possível vislumbrar, ultrapassar e concretizar. É, portanto, uma crença no sonho possível, desde que, aqueles que fazem a sua história assim queiram, e, por consequência, ajam para alcançar esse tal sonho. De todo modo, é sempre fundamental ter plena a noção de que muito já alcançamos. Dessa maneira, cabe-nos também valorizar aquilo que de bom já conseguimos. Generalizações, em ambos sentidos, podem apresentar-se como armadilhas.
Notoriamente, necessitamos de constantes tentativas para, finalmente, conseguirmos acertar. Afinal “o mundo não é. O mundo está sendo”. (FREIRE, 1999, p. 85).
Referências
A Educação Proibida. Documentário, Argentina, 2012, 115 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ceIuwmpyIX0. Acesso em 23. Jan 2020.
AGNOTTI, Maristela. Maria Montesssori: uma mulher que ousou viver transgressões. In: FORMOSINHO, Julia Oliveira. et al (orgs.). Pedagogia(s) da infância: dialogando com o passado, construindo o futuro. Porto Alegre: Artmed, 2007.
FREIRE. Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 12 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. 13. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.
LILLARD, Paula Polk. Método Montessori: uma introdução para pais e professores. Tradução: Sonia Augusto. Barueri: Manole, 2017.
MÉSZÁROS, I. A educação para além do capital. Tradução Isa Tavares, São Paulo: Boitempo, 2005.
PECOTCHE, Carlos Bernardo González. Logosofia ciência e método: técnica da formação individual consciente. São Paulo: Logosófica, 2005.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
As agriculturas do mundo e o negócio das sementes, fertilizantes e pesticidas
domingo, 6 de julho de 2014
Música do BioTerra: Siouxsie And The Banshees - The Passenger
sábado, 5 de julho de 2014
Cristina Beckert (1956-2014) - Filósofa da crise ambiental
sexta-feira, 4 de julho de 2014
10 Vegetables That Can Substitute for Meat













