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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Dias Perfeitos (Perfect Days) 2023


O filme Dias Perfeitos (Perfect Days, 2023), dirigido por Wim Wenders, é uma obra contemplativa e profundamente humanista que aborda temas como rotina, simplicidade, solidão, e o sentido da vida.

A história segue Hirayama, um homem de meia-idade que trabalha limpando casas de banho públicos em Tóquio. À primeira vista, leva uma vida monótona e solitária, mas o filme revela pouco a pouco a beleza e a plenitude que ele encontra nas pequenas coisas do quotidiano: o som das folhas ao vento, a luz da manhã, a música que ouve em cassetes antigas, os livros que lê, as fotografias que tira.

🌿 Temas centrais:

  • A dignidade do trabalho simples: Hirayama faz o seu trabalho com dedicação e calma, mostrando que há valor e beleza mesmo nas tarefas mais humildes.

  • A contemplação do quotidiano: o filme celebra o minimalismo e a atenção plena — viver o presente e encontrar alegria em gestos simples.

  • O silêncio e a introspeção: Wenders usa longos planos e pouca fala, convidando o espectador a observar e refletir junto com o protagonista.

  • A solidão e a escolha de um estilo de vida: Hirayama parece viver à margem da sociedade moderna, mas o faz por escolha — há uma liberdade na sua rotina.

  • A natureza e a cidade: o contraste entre o betão urbano e o verde das árvores reflete a harmonia que o personagem busca entre o mundo humano e o natural.

🎬 Destaques:

  • Koji Yakusho (no papel de Hirayama) ganhou o prémio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2023.

  • A banda sonora é nostálgica, com músicas de Lou Reed, Patti Smith e The Animals — canções que traduzem o estado de espírito do protagonista.

  • A fotografia é poética e meticulosa, mostrando Tóquio como uma cidade silenciosamente viva.

Em suma, Dias Perfeitos é um filme sobre a beleza da rotina e a profundidade da simplicidade, uma espécie de meditação visual sobre o que significa viver bem — mesmo (ou talvez sobretudo) quando se vive com pouco.

🧍‍♂️ Resumo 

Hirayama (interpretado magistralmente por Koji Yakusho) vive uma rotina precisa e quase ritualística: acorda cedo, arruma a cama, cuida das plantas, apanha o mesmo comboio, limpa os sanitários públicos de Tóquio com esmero e, no tempo livre, lê livros usados, tira fotos em filme analógico e ouve música em cassetes antigas.

Essa repetição não é um vazio, mas uma forma de contemplação — uma vida em harmonia com o presente. Contudo, o filme deixa escapar, aos poucos, fragmentos do passado de Hirayama, sugerindo que ele escolheu esse modo de vida após um afastamento profundo da sua antiga realidade.

Quando a sobrinha adolescente, Niko, o visita inesperadamente, descobrimos que Hirayama pertence a uma família abastada, provavelmente da elite empresarial japonesa. A visita mostra o contraste entre o seu modo de vida simples e o materialismo do mundo que ele deixou para trás. Niko, fascinada pela autenticidade do tio, decide fugir da sua casa, e esse encontro reacende em Hirayama uma certa ternura, mas também uma melancolia silenciosa — ele sabe que as suas escolhas o afastaram de vínculos humanos.


🎞️ O final

No último ato, depois de reencontrar o irmão (pai de Niko), Hirayama regressa à sua rotina. Tudo parece igual — ele volta a acordar cedo, limpar, almoçar sozinho, dirigir. Mas há uma subtil diferença emocional: a visita da sobrinha parece ter reavivado algo dentro dele.

O filme termina com ele dentro do carro, conduzindo para o trabalho, enquanto ouve “Feeling Good” de Nina Simone. A câmara foca lentamente o seu rosto: ele sorri, depois o sorriso se desfaz, e lágrimas discretas surgem. O ecrã escurece.


🌅 Significado simbólico do final

Essa sequência final é profundamente ambígua — e é aí que está a sua força:

  • A lágrima não é tristeza pura. É um momento de epifania. Hirayama sente, por um instante, a plenitude da sua própria existência. É o reconhecimento da beleza e da dor de estar vivo.

  • “Feeling Good” reforça essa ideia: a música fala de recomeços (“It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me”), ecoando o possível renascimento interior do protagonista.

  • O sorriso que se transforma em emoção mostra que, embora ele viva só, ele sente profundamente — o filme desmonta a ideia de que uma vida simples é uma vida vazia.

  • O ciclo recomeça, mas não de forma mecânica: cada dia é o mesmo e, ao mesmo tempo, único — daí o título Dias Perfeitos.


🕊️ Em essência

Wenders convida-nos a olhar para o quotidiano com outros olhos — a encontrar o sagrado no banal, o extraordinário no comum.
Hirayama é uma espécie de monge urbano, alguém que, através da rotina e do silêncio, alcançou uma forma serena de iluminação.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Patti Smith


Há norte-americanos fabulosos. Patti Smith é esse o exemplo. Tem poemas fabulosos e exploratórios. Apesar de Patti Smith nunca ter tido um disco certificado pela RIAA, apesar de ter lançado um único single que chegou ao Top 20, é reconhecida como uma das mais importantes e influentes artistas da história do rock. A revista Rolling Stone recentemente colocou-a no 47º lugar na sua lista dos cem maiores artistas de todos os tempos. 
Em 2012, Smith recebeu um doutorado honorário em belas artes do Pratt Institute.
Em 10 de Dezembro de 2016, Patti cantou "A Hard Rain's A-Gonna Fall" na cerimónia de entrega do Prémio Nobel a Bob Dylan (outro talentoso). 
Um novo festival em 2024 traz Patti Smith de volta a Portugal com Maria João e Camané e muitos outros ao CCB. Já está agendado.

sábado, 4 de julho de 2015

Musica do BioTerra: U2-Dancing Barefoot (Patti Smith) 1989

She is benediction 
She is addicted to he 
She is the root connection and 
She is connecting with me 
Here I go and I don't know why I spin so ceaselessly 
Could it be he's taking over me
I'm dancing barefoot 
Headed for a spin 
Some strange music drags me in It makes me come up like some heroine 

She is sublimation 
She is the essence of thee 
She is concentrating on 
He who is chosen by she 
Here I go when I don't know why I spin so ceaselessly 
Could it be he's taking over me
I'm dancing barefoot 
Headed for a spin 
Some strange music drags me in It makes me come up like some heroine 

She is recreation She intoxicated by thee 
She has the slow sensation that 
He is levitating with she 
Here I go when I don't know why I spin so ceaselessly 
'Til I lose my sense of gravity 
I'm dancing barefoot 
Heading for a spin 
Some strange music drives me on 
Makes me come up like some heroine 
O God I feel for you 
(Patti Smith & Ivan Kral)

domingo, 16 de novembro de 2014

Patti Smith- Dancing Barefoot


Patti Smith a rainha deste tema. Um dos temas mais apaixonantes, mais encantadores de toda a era rock. Não admira que tenha inspirado outras bandas. Leva-nos "acima da gravidade". Não é isso a paixão?

She is benedictionShe is addicted to theeShe is the root connectionShe is connecting with he
Here I go and I don't know whyI fell so ceaselesslyCould it be he's taking over me
I'm dancing barefootHeading for a spinSome strange music draws me inMakes me come on like some heroine
She is sublimationShe is the essence of theeShe is concentrating on heChosen by she
Here I go and I don't know whyI spin so ceaselesslyCould it be he's taking over me
I'm dancing barefootHeading for a spinSome strange music draws me inMakes me come on like some heroine
She is re-creationShe, intoxicated by TheeShe has the slow sensation thatHe is levitating with she
Here I go and I don't know whyI spin so ceaselesslyTill I lose my sense of gravity
Oh God, I fell for You
The plot of our life sweats in the dark like a faceThe mystery of childbirth, of childhood itselfGrave visitationsWhat is it that calls to us?
Why must we pray screaming?Why must not death be redefined?We shut our eyes, we stretch out our armsAnd whirl on a pane of glass
An afixiation, a fix on anythingThe line of life, the limb of a treeThe hands of he and the promise that sheIs blessed among women
Oh God, I fell for You