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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Shalom e Salam vs. Extremismo: A Distinção Entre Religião, Política e a Indústria da Guerra

Judaísmo e Sionismo no Estado de Israel: o que são, o que os distingue e como moldam um país.[Fonte]

Sionismo e judaísmo são coisas bem diferentes. O judaísmo tem no seu cerne a busca pela paz. A palavra Shalom, no fundo, vai muito além de um simples "não haver guerra" - fala de plenitude, de harmonia, de estar bem com os outros e com o espiritual. Daí a saudação Shalom Aleichem ("A paz esteja convosco").

Se olharmos para a história, antes de Israel ser criado em 1948, já existiam grupos paramilitares de extrema-direita ligados ao sionismo revisionista - como o Irgun e o Lehi (a chamada Gangue de Stern). Eles usaram táticas de terror e violência tanto contra os britânicos como contra a população árabe local. Na altura, essas ações foram criticadas e condenadas até pela própria liderança sionista oficial (a Haganah) e por grandes intelectuais judeus pelo mundo fora. Hoje em dia, vemos fações do ultranacionalismo religioso a serem igualmente acusadas de extremismo e violência.

O mesmo se aplica ao Islão, que é uma religião intrinsecamente ligada à paz. A própria palavra "Islão" vem da mesma raiz que Salam ("paz" em árabe), e a saudação As-salamu alaykum significa exatamente "A paz esteja convosco".

Quanto à Sharia (que significa "o caminho para a fonte de água"), ela é a estrutura ética e jurídica do Islão, mas não é um código penal rígido num livro único. É uma tradição viva de interpretação baseada em quatro pilares: o Alcorão, a Sunnah (os ensinamentos do profeta Maomé), o Ijma (o consenso dos sábios) e o Qiyas (o raciocínio por analogia). Grupos radicais e terroristas, como o Daesh, pegam numa versão completamente descontextualizada e brutal da Sharia, que é rejeitada pela esmagadora maioria dos juristas islâmicos no mundo inteiro. 

Aliás, a esmagadora maioria dos cerca de 1,9 mil milhões de muçulmanos condena estes radicais - até porque as próprias populações muçulmanas são, muitas vezes, as suas principais vítimas.


Olhando agora para os factos mais recentes: no dia 16 deste mês, a administração Trump aprovou um pacote de venda de armas a Israel no valor de 2,8 mil milhões de dólares, que inclui 40 mil bombas (20 mil Mk84 de 2000 libras e 20 mil BLU-117). O Congresso já foi notificado informalmente.[Fonte]

A questão essencial aqui é como isto é financiado: a maior parte do valor vem do programa de Financiamento Militar Estrangeiro dos EUA. Ou seja, no papel, os EUA dão subsídios ou empréstimos a países aliados, mas com uma regra fixa: o dinheiro dos contribuintes americanos doado a Israel tem obrigatoriamente de ser gasto a comprar armas a fabricantes norte-americanos. Na prática, o dinheiro sai dos impostos dos americanos, passa por Israel e volta diretamente para injetar capital na indústria de defesa dos próprios Estados Unidos.

Retirem as vossas conclusões.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Jerry Seinfeld, Extrema-Direita e o Limite do Humor: A Democracia sob Ameaça


No  𝑫𝒊𝒂 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒏𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑫𝒆𝒎𝒐𝒄𝒓𝒂𝒄𝒊𝒂 relembro que apenas 6,6% da população mundial vive em verdadeira democracia. E isto exige uma enorme e profunda reflexão. Peguemos no case-study actual de Jerrey Seinfeld. Em setembro de 2025, durante uma aparição surpresa na Universidade Duke para apresentar Omer Shem Tov - um refém israelita libertado pelo Hamas , Jerry Seinfeld fez declarações diretas comparando o movimento Free Palestine à organização supremacista branca Ku Klux Klan (KKK). 

E assim solidificou a transição de Seinfeld de um comediante famoso pelo humor neutro e apolítico para uma das figuras mais polarizadoras e ativas no debate sobre o conflito no Médio Oriente. 
Para além deste discurso, outra interação gravada em vídeo meses antes (junho de 2026) alimentou a contestação dos ativistas. Quando abordado na rua por um transeunte que lhe pediu para dizer a frase "Free Palestine" (Palestina Livre), Seinfeld respondeu com um riso desdenhoso: "Haha. Isso não existe". 

Sim, o humor tem limites.

A direita e extrema-direita é tão nojenta que já cooptou temas defendidos ou explicitamente de esquerda: wokismo e apropriação cultural e até "pós-verdade" já foram utilizados e normalizados pela nossa extrema-direita. 

A extrema-direita não assimilou a essência do wokismo, mas percebeu que, para ter palco e viabilidade eleitoral, precisava de adotar a sua gramática e jogar com as mesmas regras.
É uma apropriação puramente tática do discurso. Conceitos como "liberdade de expressão", "diversidade" ou "combate à discriminação" são agora accionados para inverter a lógica da opressão, posicionando o conservadorismo como a nova identidade "perseguida" ou "cancelada" pela hegemonia cultural dominante.
Paralelamente, assiste-se à instrumentalização estratégica de causas sociais específicas - o que a sociologia apelida de homonacionalismo e feminacionalismo. Em vários países europeus, a defesa dos direitos das mulheres ou da comunidade LGBTQIA+ é puxada para a agenda não por convicção igualitária, mas como um trunfo político para rejeitar a imigração de matriz islâmica, apresentada como a verdadeira ameaça a esses valores.

Trata-se do clássico processo de normalização partidária (de-demonization): suavizar a estética e utilizar os códigos do mainstream corporativo e mediático para tornar a agenda viável, sem nunca alterar a sua substância.
 
Se uns acham que a extrema-esquerda parece o paladino de uma nova moralidade, a extrema-direita e o conservadorismo radical fazem exatamente a mesma coisa, só mudam o filtro moral.

Olhemos para movimentos como as "Mulheres Conservadoras" cá em Portugal ou a malta que quer proibir a educação sexual e cancelar tudo o que não encaixe na família tradicional. A lógica é rigorosamente a mesma: "nós somos os virtuosos, vocês são os degenerados e a sociedade tem de ser purgada". 

Concluo, por isso, reafirmando que a democracia não sobreviverá se aceitarmos o cinismo como norma ou a deslegitimação do outro como método. Se o humor perdeu a capacidade de rir de si mesmo para se transformar em dogmatismo político, e se a extrema-direita tenta monopolizar o debate moral impondo a sua própria agenda de cancelamento, a resposta da esquerda democrática não pode ser a retração.

Reclamar o espaço público para o debate fundamentado, a empatia e a justiça social é a única forma de evitar que os 6,6% de verdadeira democracia no mundo continuem a encolher. 

A liberdade não é um privilégio de quem grita mais alto ou de quem cancela melhor - é a garantia de que o debate sobre os direitos humanos continua vivo, urgente e inegociável.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A História Milenar da Civilização Palestina

O termo Palestina não é uma invenção moderna nem uma criação arbitrária do Império Romano, mas sim o resultado de uma evolução linguística e geográfica que se estende por mais de três milénios. As suas raízes mais remotas encontram-se nos hieróglifos egípcios do século XII a.C., onde se menciona o povo Peleset, um dos "Povos do Mar" que se estabeleceu na costa sul do Levante. Esta denominação persistiu nos registos assírios do século VIII a.C. sob as formas Palashtu ou Pilistu, referindo-se inicialmente à região costeira da Filisteia. No entanto, foi a influência grega que começou a expandir o alcance do nome; no século V a.C., o historiador Heródoto utilizava o termo Palaistine não apenas para a costa, mas para descrever todo o distrito que se estendia para o interior, até ao vale do Jordão e à fronteira com o Egito.
Quando o imperador romano Adriano reorganizou a província após a revolta de Bar Kokhba em 135 d.C., renomeando-a como Syria Palaestina, não estava a cunhar um vocábulo novo, mas sim a oficializar uma terminologia que já era padrão no mundo helenístico e académico da época. O que começou como um marcador étnico para um grupo específico de colonos costeiros (os filisteus) acabou por se tornar, através dos séculos, numa designação administrativa e geográfica abrangente. Este processo reflete como as potências imperiais da antiguidade frequentemente adotavam e adaptavam nomes preexistentes para consolidar os seus próprios quadros territoriais, integrando tradições locais, gregas e romanas numa identidade cartográfica que perduraria no tempo.
Após séculos de domínio romano e otomano, passou pelo Mandato Britânico e culminou na partilha da ONU em 1947, resultando na criação de Israel e nos atuais conflitos pela soberania e reconhecimento estatal.

Análise do famoso historiador Escocês 
William Dalrymple tem sido crítico das ações de Israel durante a guerra em Gaza e do apoio do Reino Unido a Israel. Numa entrevista de 2024 ao The Times, fez uma analogia entre a resposta de Israel aos ataques de 7 de outubro e a resposta da Grã-Bretanha à Revolta dos Sipaios de 1857, dizendo: "A Revolta tem ecos contemporâneos. O mesmo sentimento de que mulheres e crianças inocentes foram atacadas e que, portanto, isso forneceu carta branca para vingança e represálias." Em maio de 2025, Dalrymple assinou uma carta aberta chamando a guerra em Gaza de genocídio. Num artigo de Setembro de 2025 para o New Statesman, Dalrymple argumentou que a Grã-Bretanha tinha uma responsabilidade histórica de ajudar a estabelecer um Estado palestiniano.

Saber mais:
A Place of Many Beginnings: Three Paths into the History of Palestine (Um Lugar de Muitos Começos: Três Caminhos para a História da Palestina) é um projecto interactivo de história da Palestina desenvolvido por Visualizing Palestine que foi apresentado no passado fim-de-semana no Festival de Literatura Palestine Writes, na Universidade da Pensilvânia e está disponível para o público interessado.


A história da Palestina... tem múltiplos 'começos' e a ideia da Palestina evoluiu ao longo do tempo a partir destes múltiplos 'começos' para um conceito geopolítico e uma política territorial distinta
Nur Masalha, Palestine: A Four Thousand Year History (pág. 8)

A Place of Many Beginnings foi apresentado no sábado, 23 de Setembro, durante um painel com os académicos palestinos Nur Masalha e Salman Abu Sitta, moderado pela autora e activista palestina Susan Abulhawa.


Com um visual muito apelativo e um conteúdo rico e inovador, esta apresentação aponta caminhos para conhecer a verdadeira história da Palestina.

Na secção Many Beginnings (Muitos Começos) pode conhecer a forma como a revolução agrícola, os berços de civilização, o comércio e o trânsito e a religião moldaram a Palestina e saber mais sobre a posição central da Palestina nas rotas comerciais antigas mais importantes.

Na secção Material Culture (Cultura Material) fala-se da arquitectura vernacular, da arquitectura monumental e muito mais.

Na secção Naming Palestine (Nomear a Palestina) ficamos a saber como os nomes palestinos dos lugares em árabe transmitiram a memória social e a história.

Com este ambicioso projecto, a Visualizing Palestine diz pretender lançar um debate sobre a forma como a história palestina tem sido obscurecida e distorcida por centenas de anos de abordagens e prioridades coloniais, incorporadas por estudos bíblicos e pela historiografia sionista.

«Os palestinos estão numa viagem intelectual inspiradora, rigorosa e de afirmação da vida, juntamente com outras comunidades indígenas que estão a escrever e a recuperar as suas histórias no meio de mitos dominantes e sancionados pelo Estado», diz Visualizing Palestine na apresentação do projecto. «Esperamos que o lançamento de hoje seja apenas um "começo" e que a plataforma evolua à medida que o diálogo progride.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Steve Earle - City Of Immigrants (canção de intervenção, mais uma no seu currículo imaculado e coerente com princípios éticos e eco-pacifistas)


Veteran singer-songwriter-actor Steve Earle and veteran actor-director Steve Buscemi are two people who would seem to have known each other for ages. Their work, whether it’s Earle’s vast catalog of songs (“Copperhead Road,” “Guitar Town”) and acting roles (“The Wire,” “Treme,” “Leaves of Grass”), or Buscemi’s formidable history of acting and directing (“Fargo,” “Reservoir Dogs,” “The Big Lebowski,” “The Sopranos,” “Boardwalk Empire”), shares a certain humanity, sensitivity and sensibilities.

Yet the two actually met for the first time earlier this year, after Buscemi was suggested as a director for a new video for Earle’s 2007 song “City of Immigrants” from his New York-themed album “Washington Square Serenade.” The video is a heartfelt, lively celebration of the polyglot melting pot that New York City has always been, created by two longtime residents.

Earle and Buscemi, together with a small cast of extras and technicians, were together in the East Village one sunny spring afternoon in April to shoot footage for the clip, which features people from the city’s countless ethnic groups, along with shots of Earle walking the streets and singing the in several different neighborhoods — also including Jackson Heights in Queens, which the singer describes as “easily the most diverse neighborhood in the country” — and performing a concert at the Gramercy Theater.

Steve Earle has never been afraid to speak his mind even if it loses him fans. He was singing about gun violence and attacking the NRA back in the 80's when it was deeply unpopular. He made a whole album against the war in Iraq when most of the country, especially his Copperhead Road fans, were supporting it. He has sung about the children of Gaza long before anyone was talking about Palestine. Seeing him stand up for immigrants is not surprising. Beautiful song.

Letra
Livin' in a city of immigrants
I don't need to go travelin'
Open my door and the world walks in
Livin' in a city of immigrants
Livin' in a city that never sleeps
My heart keepin' time to a thousand beats
Singin' in languages I don't speak
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
City of innocents
City of sweat
City of tears
City of prayers
City of immigrants

Livin' in a city where the dreams of men
Reach up to touch the sky and then
Tumble back down to earth again
Livin' in a city that never quits
Livin' in a city where the streets are paved
With good intentions and a people's faith
In the sacred promise a statue made
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Constantly spinnin'
City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants

All of us are immigrants
Every daughter, every son
Everyone is everyone
All of us are immigrants - everyone
Livin' in a city of immigrants
River flows out and the sea rolls in
Washin' away nearly all of my sins
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
Livin' in a city of immigrants
City of sweat
City of tears
City of prayers
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Livin' in a city of immigrants

City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants
All of us are immigrants


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Investigação do New York Times revela campanha de influência estatal de Israel na Eurovisão


Israel impulsionou artificialmente a sua candidata à Eurovisão através de uma campanha de influência apoiada pelo Estado, alimentando especulações de que o seu segundo lugar no voto popular foi distorcido por intervenção governamental, revelou uma investigação do New York Times.

A campanha - que incluiu fundos públicos, pressão diplomática, anúncios online multilingues e apelos diretos para que os espetadores votassem repetidamente - expôs como Israel transformou o concurso de música mais visto do mundo numa arma de soft power, enquanto a sua imagem global colapsava devido ao genocídio em Gaza.

A investigação do Times, baseada em documentos internos da Eurovisão, dados de votação confidenciais e entrevistas com mais de 50 pessoas, concluiu que o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu gastou pelo menos 1 milhão de dólares em marketing relacionado com o festival. Parte do financiamento proveio do gabinete de hasbara de Netanyahu, amplamente entendido como o braço de propaganda de Israel no estrangeiro.

Só em 2024, os gastos do governo israelita em publicidade ligada à Eurovisão ultrapassaram os 800.000 dólares, a maioria proveniente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma rubrica separada do gabinete de hasbara do primeiro-ministro terá alocado verbas especificamente para a “promoção do voto”.


As revelações levantam sérias questões sobre se os fortes resultados de Israel na Eurovisão refletiram um apoio público genuíno ou uma campanha governamental coordenada, concebida para fabricar uma aparência de popularidade na Europa, onde a opinião pública se virou drasticamente contra Israel devido ao genocídio em Gaza.

Supostamente, os governos não devem intervir na votação da Eurovisão, que é formalmente um concurso entre emissoras públicas e artistas. No entanto, o Times apurou que os esforços de Israel foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. O governo israelita terá apoiado discretamente esforços promocionais em torno das suas participações desde, pelo menos, 2018, o ano em que Israel venceu o concurso.

O investimento aumentou acentuadamente após o início do genocídio em Gaza, quando cresceram os apelos em toda a Europa para que o país fosse excluído do certame. Segundo o jornal, as autoridades israelitas acreditavam que um desempenho forte demonstraria que Israel ainda era amado pelo público europeu, apesar dos protestos em massa, dos apelos ao boicote e das crescentes acusações de crimes de guerra.

O Padrão de Votação e a Reação Internacional
Em 2024, a representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto do público e liderou a votação em vários países onde o sentimento pró-palestiniano era forte. A comunicação social israelita celebrou o resultado como prova de que “o mundo, afinal, não está contra nós”.

O padrão repetiu-se em 2025, quando o representante de Israel, Yuval Raphael, terminou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular. Desta vez, o resultado gerou um escrutínio muito maior depois de a emissora finlandesa Yle ter revelado que o governo israelita comprou anúncios online em várias línguas, instando as pessoas a votarem em Israel até ao máximo de 20 vezes permitido.


O próprio Netanyahu publicou um gráfico nas redes sociais a encorajar o voto em Raphael (20 vezes). Grupos pró-Israel em toda a Europa circularam mensagens semelhantes, enquanto diplomatas e funcionários de embaixadas israelitas ajudaram a mobilizar o apoio da diáspora.

O diretor da Eurovisão, Martin Green, reconheceu que a campanha de Israel foi “desproporcionada” e “excessiva”, mas insistiu que esta não afetou o resultado. O Times, contudo, apurou que a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o evento, não realizou uma investigação externa completa e manteve os dados detalhados da votação em segredo, inclusive perante as suas próprias emissoras membros.

A controvérsia intensificou-se à medida que várias estações de televisão europeias exigiram respostas. A emissora da Eslovénia solicitou repetidamente os dados da votação e ameaçou retirar-se. Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e alertou que o sistema de votação é vulnerável a manipulações. A emissora pública da Islândia acusou Israel de se apropriar indevidamente do concurso.

Com o aumento da indignação, Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovénia avançaram para um boicote à edição de 2026. Segundo o Times, os organizadores da Eurovisão temem perder centenas de milhares de dólares em taxas de participação caso o boicote se alargue.

Esta campanha faz parte de uma ofensiva de propaganda israelita muito maior. Israel aumentou drasticamente o financiamento para a hasbara à medida que o seu prestígio internacional colapsa. Relatórios indicam que o orçamento para a diplomacia pública de Israel disparou para cerca de 730 milhões de dólares — quase cinco vezes os 150 milhões alocados no ano anterior — numa tentativa de reabilitar a sua imagem após os acontecimentos em Gaza.

Climáximo mancha de tinta vermelha fachada da empresa de defesa Thales


Elementos do coletivo Climáximo mancharam, esta segunda-feira, com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 07:05 e confirmaram a ação, mas já não encontraram nenhum ativista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra "genocida" a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.

Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente "com a morte de milhares de pessoas" e de ser "parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo" que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.

"Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis", considera o estudante, elemento deste movimento.

Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes "alvos de ataque, repressão e desumanização" e considera a empresa "um pilar" na expansão da extrema-direita internacional e no "progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocídas e fascistas".

A questão do cumprimento dos embargos pela Thales é um dos temas mais divisivos no panorama geopolítico europeu, especialmente quando analisamos a linha ténue entre a legalidade estrita e a responsabilidade ética. Para compreender a situação em Portugal e no resto da Europa, é necessário notar que a Thales não opera no vácuo; ela funciona sob um regime de autorizações estatais que, muitas vezes, serve de "escudo" jurídico contra acusações de violação de tratados.

De uma perspetiva puramente legal, a Thales afirma respeitar rigorosamente todos os embargos impostos pela ONU e pelas jurisdições onde mantém sedes, como França e Reino Unido. No entanto, o que observadores internacionais e organizações de direitos humanos apontam é a existência de "zonas cinzentas". Um exemplo recorrente é a exportação de componentes de tecnologia de dupla utilização (dual-use), que podem ser classificados como civis mas acabam integrados em sistemas de armamento. Além disso, a empresa tem enfrentado desafios judiciais significativos, como a queixa-crime apresentada em França por alegada cumplicidade em crimes de guerra no Iémen, sob o argumento de que a manutenção técnica fornecida aos equipamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita facilitou ataques a civis.

Outro ponto crítico prende-se com a estrutura multinacional da empresa. Muitas vezes, componentes fabricados numa subsidiária britânica ou australiana podem ser exportados para destinos que enfrentariam maiores restrições se o envio fosse feito diretamente de França. Este fenómeno, descrito por críticos como "triangulação", permite que a empresa se mantenha dentro da lei de cada país, embora possa estar a contornar o espírito dos embargos internacionais mais amplos.
Apesar do discurso de "conformidade", a Thales enfrenta pressões legais significativas:

O Caso do Iémen (Investigação em curso): em 2022, ONGs como a Sherpa e a Amnistia Internacional entraram com uma queixa criminal na França contra a Thales, Dassault e MBDA. A acusação é de cumplicidade em crimes de guerra. Alegam que a Thales forneceu manutenção e sistemas de mira para jatos usados pela Coligação política liderada pela Arábia Saudita em ataques a civis no Iémen, mesmo após as atrocidades terem sido documentadas. A investigação judicial ainda estava ativa em 2025.

Exportações para Israel (2024-2026): após a suspensão parcial de licenças de armas pelo Reino Unido em 2024, surgiram denúncias de que componentes da Thales (como radares para drones Watchkeeper) continuaram a ser enviados. A empresa e o governo alegaram que eram para "re-exportação" (para países como a Roménia), mas grupos como o CAAT (Campaign Against Arms Trade) denunciaram em 2026 que não havia provas de que esses componentes saíram de Israel, sugerindo uma brecha no controle de uso final.

Em suma, embora a Thales raramente seja apanhada numa violação direta e flagrante de um embargo — o que resultaria em sanções catastróficas para os seus acionistas —, ela é frequentemente acusada de beneficiar de interpretações políticas convenientes das regras de exportação. Para a empresa, a validade de uma licença governamental é o selo de ética necessário; para os seus detratores, essa licença é apenas uma formalidade burocrática que não apaga a responsabilidade moral sobre o destino final da tecnologia vendida.

O coletivo, que luta pela "justiça climática", denuncia a "fatia considerável" de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um "Serviço Nacional do Clima", para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

"Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água", considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.

domingo, 10 de maio de 2026

Em homenagem a Francesca Albanese

Yanis Varoufakis

Há uma pergunta que me assalta nas primeiras horas da madrugada, quando o sono não chega e a mente remói velhos assuntos. A pergunta é esta: «O que teria eu feito na década de 1930, na manhã seguinte à Kristallnacht?» Não o que digo que teria feito. Não o que espero que tivesse feito. Mas o que teria eu realmente feito — quando os comboios começaram a circular, quando os vizinhos ficaram em silêncio, quando o preço da decência passou a ser a perda de tudo? A maioria de nós, penso eu, teria feito pouco. Não por malícia. Por medo. Pela convicção suave e insidiosa de que alguém falaria, de que a situação é complexa, de que temos de ser «razoáveis».

Para que não nos esqueçamos, o comum é o álibi do extraordinário. E como nos agarrámos a esse álibi! Como ainda nos agarramos a ele! E então, de vez em quando, surge alguém que não se agarra. Alguém que dá um passo em frente quando os outros recuam. Alguém que diz o nome da coisa quando todos os outros estão ocupados a nomear outra coisa. Francesca Albanese é essa pessoa. Ela ergue-se perante o mundo — sozinha, desarmada, armada apenas com a lei, a linguagem e uma coragem rara — e diz o que os centristas não dizem, o que os ministérios dos Negócios Estrangeiros não dizem, o que os conselhos editoriais não dizem.

Ela diz: «Isto é um genocídio. E estamos a assistir a tudo.» Não me digam que isso é exagero. Não me digam que o termo é contestado. Ela não o utilizou de ânimo leve. Utilizou-o da mesma forma que um médico chega cientificamente a um diagnóstico — não para ferir, mas para alertar. Não para inflamar, mas para nomear. E por isso, vieram atrás dela. Oh, como vieram atrás dela. Calúnias. Investigações. Editoriais maliciosos. Contas bancárias congeladas. Desapropriação do único apartamento que alguma vez possuíra. A máquina dos respeitáveis voltou-se contra ela para a esmagar. Porque os respeitáveis não suportam o que ela representa: um espelho que lhes mostra a sua cumplicidade.

Voltemos, mais uma vez, à década de 1930. De volta aos poucos que se levantaram quando os comboios começaram a circular carregados de judeus. Havia Aristides de Sousa Mendes, um cônsul português em Bordéus. Ele desafiou o seu próprio governo. Assinou milhares de vistos, à mão, durante horas, até os dedos sangrarem. Salvou mais vidas do que Schindler. E morreu sem um tostão, desonrado, apagado. Havia um oficial alemão em Varsóvia chamado Wilm Hosenfeld. Ele escondeu um pianista judeu nos escombros. Não salvou milhares. Salvou um. Mas esse único — Władysław Szpilman — guardou a memória. E a memória é «o único refúgio do qual não podemos ser expulsos». Havia Raoul Wallenberg. Havia os aldeões de Le Chambon. Havia os anónimos, os silenciosos, os poucos furiosos que diziam: «Não enquanto eu estiver aqui.»

Francesca Albanese é a sua herdeira. Não porque ande armada. Não porque esconda refugiados na sua cave. Mas porque faz algo igualmente perigoso num mundo que aperfeiçoou a arte de não ver. Ela vê. E fala. Não fala como uma diplomata. Ainda bem que não! Os diplomatas deram-nos a linguagem do «há argumentos de ambos os lados», da «moderação» e da «proporcionalidade». A linguagem diplomática é o túmulo perfumado da clareza moral. Não, ela fala como jurista. Como ser humano. Como uma mulher que olhou para o abismo e se recusou a chamá-lo de «paisagem geopolítica complexa».

Edna O’Brien descreveu uma vez uma personagem que «tinha a imprudência daqueles que já perderam tudo o que valia a pena perder». Francesca Albanese não perdeu tudo. Ela tem a sua dignidade, o seu cargo, a sua voz, a sua família. Mas calculou o custo de dizer a verdade ao poder. E decidiu que esse custo é infinitamente menor do que o custo do silêncio.

Qual é esse custo? Vamos nomeá-lo. Ela foi chamada de antissemita — ela, que se baseia no direito internacional forjado nas cinzas de Auschwitz e nas chamas de Nuremberga. Ela foi chamada de teórica da conspiração — ela, que cita todas as fontes, todas as notas de rodapé, todas as resoluções da ONU. Ela foi chamada de ingénua — ela, que compreende melhor do que a maioria a maquinaria da realpolitik.

Estas acusações não são argumentos. São a saliva dos que se sentem ameaçados. Porque Francesca Albanese ameaça algo muito precioso para os poderosos: o direito de cometer atrocidades sem ser identificado.

Amigos, os anos 30 não chegaram com botas militares e pogroms logo no primeiro dia. Chegaram aos poucos. Com restrições «razoáveis». Com medidas «proporcionais». Com o silêncio dos respeitáveis. Dizemos a nós próprios que teríamos sido diferentes. Que teríamos sido Sousa Mendes. Que teríamos sido Wallenberg. Mas a maioria de nós, receio, teria sido os vizinhos que mais tarde disseram: «Eu não sabia.»

Francesca Albanese sabe. E recusa-se a fingir o contrário. Por isso, louvemo-la. Não com estátuas ou prémios que ela não procura. Mas com algo mais difícil: com a nossa própria recusa em desviar o olhar. Com as nossas próprias vozes, erguidas em lugares que são seguros para nós, mas perigosos para ela. Com os nossos próprios corpos, se for preciso. Uma mulher corajosa, que ficou ferida durante uma manifestação à porta de uma base militar nuclear dos EUA em 1982, a infame Greenham Common, disse-me que «o coração é um caçador daquilo que não pode ter». Mas eu digo que o coração é um caçador daquilo que não vai perder. E o que não vamos perder é a memória daqueles que se levantaram quando levantar-se custava tudo. Francesca Albanese está a levantar-se agora. No nosso tempo. Em nosso nome. Sob o nosso céu indiferente. Vamos ficar ao lado dela. Não amanhã. Não quando for seguro. Agora.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A Delek Group, uma empresa israelita incluída na lista negra da ONU, arrecadou mais de mil milhões de dólares com o petróleo e o gás do Mar do Norte em apenas seis anos



An Israeli firm blacklisted by the UN for its West Bank activities has raked in over $1bn from North Sea oil and gas in just six years – and could be set to earn even more if the Rosebank field is approved.

Analysis by The Ferret shows Aberdeen oil company Ithaca Energy has paid over $1bn in dividends to its largest shareholder, Delek Group, since 2020.

Delek, an Israeli energy conglomerate, has been named on a United Nations database of firms whose activities in the occupied West Bank raise “particular human rights concerns”.

Ithaca owns a stake in the Rosebank oil field off the coast of Shetland, which the UK energy minister Ed Miliband is under pressure to green light. It also now owns 100 per cent of the Cambo field, which was at the centre of controversy in 2021.

Lawyers for the campaign group Uplift have claimed that Ithaca’s connection to Delek means approving Rosebank could risk the UK breaching the Geneva convention, and alleged that the Israeli company’s activities could be seen as “ancillary” to war crimes.

Environmental campaigners told The Ferret that “not one penny of profit should flow from the North Sea towards Delek” and that choosing to approve Rosebank would be “morally reprehensible” because it could “bolster" its activities in the West Bank.

Both Ithaca and Delek were approached for comment.

Delek has been Ithaca’s largest shareholder since 2017, but its pay-outs from the firm have accelerated in recent years as Ithaca expanded its presence in UK fossil fuels. Ithaca says it now holds stakes in six of the UK’s ten largest oil and gas fields.

Our analysis shows Ithaca paid $569m in dividends to Delek across 2024 and 2025, with a further $101m distributed on 16 April this year. That takes total payments since 2020 to more than $1bn.

Delek has previously described Ithaca’s operations in the North Sea as part of the “growth engine” for its wider business. 

As The Ferret first reported when Ithaca bought Cambo back in 2022, Delek was included in a 2020 list of companies whose activities in the occupied West Bank “raised particular human rights concerns” after a UN fact finding mission. It remained on updated versions of the list published in 2023 and 2025.

Delek was included because it was deemed to be providing services and utilities to support the maintenance of the settlements and was using natural resources in the West bank for “business purposes”. Israeli settlements in the West Bank are widely regarded as illegal under international law.

We also previously found that another firm in which Delek holds a significant stake – Delek Israel – has held contracts to provide refueling services to the Israel Defense Forces (IDF).

Rosebank is at the centre of a political row over whether the UK should continue to expand oil and gas production in the North Sea.

It is the UK’s largest untapped oil field and is estimated to contain 300 million barrels of oil. Backers of the project argue it could create thousands of jobs and support the country’s energy security in an increasingly unstable world.

Opponents claim it is incompatible with the UK’s climate targets and would do little to lower bills because most of the oil extracted from it would be exported.

The field was initially approved by the Conservative government in 2023, but Scotland’s court of session later found that decision unlawful, deeming that its full environmental impact had not been considered.

A revised application has since been submitted and the final decision will rest with Ed Miliband, who has faced pressure from politicians and industry to approve the project.

Analysis by WWF Norway previously estimated a further $300m (£222m) could flow to Delek if Rosebank goes ahead. Ithaca is expected to make a final decision on whether to try and develop the Cambo field either this year or in 2027.

“If the UK Government chooses to green light Rosebank, it would be a morally reprehensible decision that turns a blind eye to the fact that the project could bolster Delek’s activities in the Occupied Palestinian Territories,” Lauren MacDonald from the campaign group Stop Rosebank told The Ferret.

She continued: "There are many reasons why this toxic field should be stopped - but this is simply indefensible.

“The UK Government is well aware of these risks, and has even been warned that it could breach its own obligations under international law if it allows the field to go ahead.

"If the UK and Scottish governments are serious about creating a better world, they will pull the plug on Rosebank for good and ensure no further profits flow from our North Sea to Delek.”

Ithaca has not publicly commented on Delek’s links to the West Bank but has pointed out that it is a London stock exchange listed company and claims to be “governed by the highest standards of corporate governance”.

“Ithaca is one of the biggest investors in the North Sea and Scotland, is a responsible employer and is a major contributor to both the UK Treasury through tax payments and the UK’s energy security,” it told us in response to a story last August.

The UK Government also failed to respond to a request for comment. It previously said in regard to Rosebank that it cannot comment on individual projects.

sábado, 18 de abril de 2026

Roger Waters escreve carta ao adorável Billy Corgan com recado para David Draiman, dos Disturbed


Durante o programa, Corgan e Draiman conversaram sobre o conflito Israel-Palestina e, em determinado momento, Draiman, que é judeu e já demostrou seu apoio a Israel diversas vezes, disse que daria um soco em Waters, que é pró-Palestina, caso eles se encontrassem.

Após Corgan ter sugerido que o fato de Waters ter perdido o seu pai na Segunda Guerra Mundial foi “o momento decisivo” em sua vida, e que o “trauma” resultante disso o teria tornado “hipersensível” ao conflito na Palestina, David respondeu:

“Concordo… [mas] veja bem, Billy: eu cresci ouvindo Pink Floyd. Eu amava Pink Floyd. Foi uma traição enorme, não só para mim, mas para todos os judeus, quando ele seguiu o caminho que seguiu. E não foi só há dois anos; ele vem fazendo isso há muito tempo. Roger tem uma queda por ditadores — as piores pessoas do planeta, Roger simplesmente se aproxima deles. Ele não tem problema nenhum com isso.”

Em seguida, Corgan perguntou se ele “se sentaria para conversar” com Waters, ao que Draiman respondeu:

“Eu teria que dar um soco nele primeiro, mas sim.”

Depois de David Draiman, dos Disturbed, participar no podcast de Billy Corgan, Roger Waters enviou uma mensagem ao líder dos Smashing Pumpkins: “Ouvi dizer que escreve mensagens em bombas antes de as IDF as deixarem cair sobre civis em Gaza”

Roger Waters endereçou uma carta aberta a Billy Corgan depois de o líder dos Smashing Pumpkins receber David Draiman, dos Disturbed, no seu podcast, “The Magnificent Others”. “Nunca tinha ouvido falar dele, mas parece que ele ouviu falar de mim e que tem um problema comigo pelo facto de eu defender os direitos humanos, particularmente os dos meus irmãos e irmãs em Gaza”.

“Tu, sendo o tipo adorável que és, deste a este pedaço de bosta a oportunidade de clarificar a sua posição”, continua o músico britânico no post de Instagram, “ele é um porco racista psicótico e Nazi. Ouvi dizer que escreve mensagens em bombas antes de as IDF [exército israelita] as deixarem cair sobre civis em Gaza. Está tudo dito”.

A mensagem, na qual o ex-Pink Floyd identifica Corgan, mas também Draiman e os próprios Disturbed, termina da seguinte forma: “Continuarei a trabalhar com todos os meus irmãos e irmãs de todo o mundo num movimento que exige direitos humanos iguais para todos os seres humanos, independentemente da sua religião, etnia ou nacionalidade”.

“Se tu, meu amigo, te perguntas se quero conversar com este cretino detestável… não, obrigado, Billy. A vida é demasiado curta e ele pode continuar a habitar o seu pequeno cantinho no inferno sem o benefício do meu amor e verdade”. No final, deixa um PS, “Disturbed? [perturbado, em português]. Sim! Só um pouquinho!”.

No passado, Draiman chamou a Waters "um homem muito doente" e, durante o concerto dos Disturbed em Tel Aviv, Israel, em 2023, exclamou a partir do palco: "Que se fodam o Roger Waters e todos os seus nazis idiotas do BDS [Boicote, Desinvestimento e Sanções] — todos eles!".

Entretanto, Waters lançou uma audição aberta para encontrar um vocalista para liderar a banda do seu filho, Harry Waters, numa digressão de tributo aos Pink Floyd em 2027.

"You cannot commit genocide in Gaza, invade Lebanon, bomb Iran, Syria, Yemen, and Iraq, violate Geneva and Vienna Conventions, international law, human rights, and state sovereignty, then hide behind anti-Semitism and the Holocaust." - Mohamad Safa

sábado, 11 de abril de 2026

Excelente resposta de Pedro Sanchez após as acusações de Netanyahu: 'Não permitamos uma nova Gaza no Líbano"

"Espanha difamou os nossos heróis. Temos o exército mais moral do mundo", disse Netanyau. Vem falar de Moral? Um genocida, com um ódio insuperável aos islâmicos, com ideias expansionistas do território de Israel, incluindo Líbano e Síria.
Ana Gomes: Netanyahu «é outro narcisista maligno como Donald Trump»
 

Sánchez apela à Europa para que contenha Netanyahu e suspenda o acordo de associação com Israel

Só em Gaza os israelitas sionistas "apagaram" mais de 80.000 palestinianos.
1. Números Oficiais de Fatalidades
Até ao momento, os dados do Ministério da Saúde de Gaza (que são considerados fiáveis por organizações internacionais como a ONU e a OMS) reportam cerca de 41.000 a 43.000 mortes confirmadas. Este número inclui pessoas cujos corpos foram processados em hospitais ou necrotérios.
Aproximadamente 70% das vítimas identificadas são mulheres e crianças.

2. De onde vem o número de 80.000?
Embora o número oficial de mortes confirmadas seja cerca de metade disso, o valor de 80.000 (ou até mais) aparece frequentemente em discussões devido a dois fatores principais:
Pessoas Desaparecidas: estima-se que existam pelo menos 10.000 a 20.000 pessoas desaparecidas sob os escombros. Como não há equipamento pesado suficiente para remover os destroços, estas pessoas são presumidas mortas, mas não constam na contagem oficial inicial.
Feridos Graves: o número de feridos ultrapassa os 95.000 a 100.000. Em contextos de guerra, a linha entre "ferido" e "vítima mortal" é ténue devido à falta de hospitais funcionais; muitos feridos acabam por falecer posteriormente por falta de cuidados médicos.

3. A Projeção da revista "The Lancet"
É possível que a confusão com números maiores venha de um estudo publicado na prestigiada revista científica The Lancet em julho de 2024.
Os investigadores alertaram que o número total de mortes (diretas e indiretas) poderia ser drasticamente superior aos dados oficiais. Eles estimaram que, se incluirmos as mortes indiretas (causadas por fome, sede, falta de saneamento e colapso do sistema de saúde), o balanço final poderia chegar a 186.000 mortes ou mais a longo prazo.


As assinaturas estão a decorrer. Assina e partilha nas redes sociais. Já vamos em 880.972

N.B. Para que uma iniciativa de cidadania europeia seja válida, deve obter pelo menos um milhão de assinaturas válidas e atingir os limiares mínimos em, pelo menos, sete países.

terça-feira, 31 de março de 2026

Parlamento israelita aprova projeto de lei que prevê pena de morte para palestinianos


À esquerda, a deputada israelita, vice-presidente do Parlamento, que redigiu a lei da pena de morte para palestinianos aprovada ontem, e que elogiou um assassino (há vídeo) que queimou vivos um bebé palestiniano e seus pais enquanto os seus camaradas cantavam "Ali está na grelha". O nome dela é Limor Son-Har Melech e o dele é Amiram Ben-Uliel. 
Aqui está ela com uma corda de forca na mão direita e uma seringa na esquerda. Ao lado, o seu marido segura uma arma com a etiqueta "ocupação", um avião com a etiqueta "expulsão" e uma casa com a etiqueta "colonização".  Esta gente integra o poder e o governo de Israel.

Saiba mais:

terça-feira, 24 de março de 2026

Manual Prático para Intocáveis ou Como Cometer Horrores e Ainda Dar Lições de Direito


Há um certo tipo de poder que já não precisa de argumentos, apenas de memória curta alheia. Esse poder observa o mundo, escolhe cuidadosamente as palavras “ordem”, “segurança” e “valores”, e depois trata de garantir que nenhuma dessas palavras interfira com aquilo que realmente importa. A ausência de consequências.

O episódio recente envolvendo o Tribunal Penal Internacional tem a elegância de um acto assumido. O tribunal faz o que supostamente foi criado para fazer, investiga alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade no contexto da devastação de Gaza, aponta responsabilidades concretas, incluindo o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa Yoav Gallant, e de repente descobre-se que o verdadeiro problema não são os factos, mas a ousadia de os nomear.

A partir daí, a coreografia é previsível. Entra em cena o aliado indispensável, os Estados Unidos, com nomes próprios e assinatura oficial. Donald Trump, através de uma ordem executiva, e o Congresso norte-americano, com legislação feita à medida, assumem o papel de escudo político. Não há necessidade de desmontar acusações, nem de discutir o conteúdo jurídico dos mandados. Isso implicaria aceitar que o debate se faz no terreno do direito. E o terreno, aqui, é outro.

O método escolhido é particularmente revelador. Não se prende ninguém, não se abre processo contra os juízes, não se convoca sequer um simulacro de contraditório. Simplesmente torna-se a vida dos magistrados impraticável. Juízes como Nicolas Guillou, e outros como Karim Khan, Tomoko Akane ou Rosario Aitala, passam a existir numa espécie de exílio funcional, onde cada operação bancária, cada serviço digital, cada gesto banal depende de um sistema que decidiu tratá-los como ameaça.

É uma pedagogia eficaz. Não se diz “não investiguem”, mas garante-se que todos percebem o custo de o fazer. É uma linguagem que dispensa tradução. E, como todas as linguagens de poder bem afinadas, funciona melhor quando não precisa de ser explicitada.

Entretanto, do outro lado, mantém-se a narrativa. Benjamin Netanyahu continua a falar de segurança nacional, de defesa existencial, de necessidade estratégica. A linguagem é cuidadosamente construída para sobreviver à realidade. Yoav Gallant, na mesma linha, enquadrou operações militares como inevitabilidades técnicas. No meio dessa retórica limpa, desapareceram nos escombros, as dezenas de milhar de vítimas civis, e a devastação prolongada de um território inteiro.

O incómodo do Tribunal Penal Internacional não está em ser perfeito. Está em existir com a pretensão de aplicar critérios universais. Essa pretensão é tolerável enquanto se dirige a alvos previsíveis, de preferência frágeis ou isolados. Torna-se insuportável quando se aproxima de quem tem capacidade para responder.

E é aqui que a ironia aberrante atinge o seu ponto mais alto. Os mesmos actores que invocam constantemente a necessidade de responsabilização global e ousam gritos contra o terrorismo e crimes internacionais são os primeiros a reagir quando essa responsabilização deixa de ser teórica. De repente, a justiça internacional transforma-se numa ameaça à estabilidade. Julgar passa a ser visto como um acto de hostilidade.

O mais curioso é que nada disto exige grande disfarce. A lógica é sobreviver sem grandes esforços retóricos. Há um conjunto de regras que se aplicam a todos. E há um conjunto de excepções que se aplicam a quem pode garantir que essas regras não lhe tocam. A diferença entre uma coisa e outra não está nos tratados nem nos princípios. Está na capacidade de impor custos a quem ousa ignorar essa distinção.

Os juízes do Tribunal Penal Internacional, ao aceitarem lidar com casos que envolvem Israel e, por extensão directa, a protecção política dos Estados Unidos, entraram numa zona onde o direito deixa de ser suficiente. Não porque o direito falhe tecnicamente, mas porque deixou de ser o factor decisivo.

O resultado é um sistema interessante. Crimes de guerra continuam a ser condenados em abstracto, genocídios continuam a ser definidos com rigor, relatórios continuam a ser escritos com detalhe. Tudo permanece no lugar certo, como num museu bem organizado. A única alteração relevante é que certas peças estão protegidas por vidro blindado e não podem ser tocadas.

Enquanto isso, Nicolas Guillou, um dos 11 juízes do Tribunal Penal Internacional, afirmou que a sua vida se tornou um pesadelo desde que os EUA impuseram sanções aos juízes do TPI em 2025. Guillou, que faz parte do grupo de juízes que emitiu mandados de detenção contra o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o Ministro da Defesa, Yoav Gallant, pela guerra genocida israelita em Gaza e crimes contra a humanidade, disse ser forçado a viver como se estivesse no passado de "há 30 anos", porque a maioria dos serviços digitais depende de fornecedores norte-americanos. Por exemplo, referiu que não pode utilizar um cartão de crédito, encomendar produtos na Amazon, fazer reservas em plataformas como a Expedia ou o Airbnb, nem receber encomendas através da UPS.

Nicolas Guillou, reduzido a uma existência condicionada por sanções, é apenas um dos rostos visíveis desta engrenagem. Não é o alvo principal. É o aviso. Um lembrete de que há linhas que não devem ser cruzadas, não porque sejam ilegais, mas porque são inconvenientes para quem tem poder suficiente para redefinir o que significa inconveniente.

No meio disto tudo, fica um equilíbrio peculiar. A justiça existe, mas com perímetro. Os crimes existem, mas com hierarquia. E os responsáveis dividem-se com uma clareza desconcertante entre os que enfrentam tribunais e os que contam com a protecção activa de Washington.

É um sistema estável, desde que ninguém leve demasiado a sério a ideia de que a lei é igual para todos.

Porque existe uma clara tentativa de excepção para os criminosos genocidas sionistas e os seus comparsas imperialistas psicopatas.

Referências consultadas:

domingo, 1 de março de 2026

Invasão do Irão


Esta guerra desencadeada contra o Irão não é um desvio táctico nem uma reacção nervosa a uma ameaça iminente, é a manifestação crua de um projecto de poder que perdeu qualquer pudor moral e que actua com a convicção de que a força substitui o direito. O governo de Israel não age como um actor sitiado que responde no limite da sobrevivência, age como uma potência militar convencida de que pode redesenhar o mapa humano da região à custa de quem estiver no seu caminho. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, não é um aliado constrangido, é o garante estrutural dessa audácia, o fiador armado de uma política que já mostrou, na Palestina, até onde está disposto a ir.
Em Gaza não houve uma tragédia inevitável, houve um método. Não houve apenas o confronto com o Hamas, houve uma devastação sistemática de um território densamente povoado onde se sabia, com precisão estatística, que morreriam milhares de mulheres e crianças que nada tinham a ver com decisões militares. Quando hospitais são bombardeados, quando bairros inteiros são apagados do mapa, quando a fome e a ausência de cuidados médicos se tornam instrumentos de pressão, não se está perante um erro operacional, está-se perante uma escolha, e essa escolha foi repetida até se tornar uma rotina.
Genocídio é a palavra exacta. Não como um grito emocional, mas como uma descrição política de um processo que destrói deliberadamente as condições de existência de um povo enquanto tal. A morte massiva de civis deixou de ser uma consequência indesejada para se tornar uma variável integrada no cálculo estratégico. 
A indignação internacional é gerida como um ruído de fundo, tolerável enquanto não comprometer as alianças nem os contratos militares.
A ofensiva contra o Irão amplia esta lógica. 
A ameaça futura é convertida numa licença para a destruição presente. Invoca-se o perigo nuclear para justificar ataques, que se sabe de antemão, não ficarão confinados a instalações militares. 
A mensagem é clara e brutal. Quem desafia a arquitectura de poder imposta por Israel e garantida pelos Estados Unidos torna-se um alvo legítimo, e as populações civis tornam-se simplesmente danos previsíveis.
Os Estados Unidos desempenham aqui o papel de motor geopolítico. Financiam, armam, vetam resoluções, moldam narrativas e apresentam como defesa da ordem internacional aquilo que é, na prática, a sua corrosão selectiva. A sua superioridade militar e diplomática funciona como um escudo de impunidade. Israel executa no terreno com a confiança de quem sabe que não será travado por sanções sérias nem por um isolamento efectivo.
Esta convergência transforma ambos numa força motriz de instabilidade que ameaça não apenas uma região, mas o próprio princípio de que a vida civil deve estar protegida em qualquer conflito. Quando dois Estados com tal poder normalizam a destruição de populações inteiras em nome da segurança, enviam ao mundo um sinal devastador: a lei é opcional para quem tem força suficiente para a ignorar.
Não se trata de uma retórica exaltada, trata-se de constatar que esta aliança tem agido como um catalisador de guerras sucessivas, ampliando conflitos e reduzindo o espaço para soluções políticas. Ao escolher reiteradamente a via militar, ao aceitar como custo assumido a morte de inocentes, ao expandir o teatro de operações para além da Palestina até ao Irão, assumem-se como agentes centrais de uma lógica que corrói a própria ideia de uma humanidade partilhada.
A História acabará por registar esta fase não como uma defesa heróica de valores, mas como um período em que duas potências decidiram que a sua segurança e a sua indisfarçável ganância justificava tudo. 
E quando tudo é justificável, nada fica de pé. 
Nem cidades, nem direitos, nem a confiança mínima que sustenta a coexistência entre povos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Trumpismo – o maquiavelismo na época contemporânea. O que fazer?

Donald Trump afirmou que «Cuba não conseguirá sobreviver», ao assinar, em 29/01/2026, uma Ordem Executiva impondo novas sanções tarifárias aos países que fornecessem petróleo a Cuba.  

Essa declaração apresenta um contraste evidente em relação à postura anteriormente adotada por Trump, que aparentou um certo humanismo perante a guerra Rússia-Ucrânia e destacou o desfecho do conflito Israel-Palestina, chegando mesmo a manifestar a este respeito, interesse na candidatura ao Prémio Nobel da Paz (aspiração posteriormente reconhecida através da distinção que a Corina Machado lhe atribuiu!).

Não deixa de ser positivo o propósito de pôr termo a essas duas agressões, numa aparente manifestação de respeito pela dignidade humana em toda a linha. Sabe-se, no entanto, que estes dois conflitos tiveram e continuam a ter subjacentemente todo um apoio logístico/militar dos EUA. Se, todavia, Trump enveredou recentemente pelo caminho de retração conciliatória é porque, no primeiro caso a Federação Russa tem demonstrado uma indesmentível superioridade, e, no segundo, o facto de as forças democráticas por esse mundo fora se terem manifestado contra a destruição e o genocídio levado a cabo pelo governo de Israel e suas Forças Militares. Subjacentemente, como aliás, tem sido realçado pelos falcões governativos americanos J. Vance e M. Rubio, lógico é que a América tire um certo lucro dos gastos efetuados, como as terras raras na Ucrânia e o os lucros de reconstrução e da Riviera em Gaza.

«Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática diplomática do diálogo e de negociação.»

Vem à laia referir que, é neste enquadramento que a União Europeia (UE) acabou por ser vítima da sua incúria política, de ambiguidade comportamental e seguidista à gesta americana. Da guerra da Ucrânia, longe de procurar alcançar vias de negociação política e diplomática, fomentou a intensificação da guerra, esgotando milhares de milhões de euros em empréstimos destinos à guerra. Por outro lado, alheou-se do conflito em Gaza, silenciando os valores de liberdade, do direito internacional e dos direitos humanos, nunca condenando as atrocidades praticadas contra o povo palestiniano. 

Sucede porém que, numa altura em que se assiste mundialmente a campanhas e  movimentos populares no sentido de paz e diálogo entre os homens e as Nações, surge o MAGA, de autoria do Trump, e que se tem revelado como um expediente chauvinista manhosamente engendrado através de expedientes para alcançar a riqueza à custa, ora de exploração económica de outros países, ora desrespeitando as normas do direito internacional e da soberania de Nações, ora, hostilizando a dignidade de organizações internacionais. Casos como o da exploração da Faixa de Gaza, das terras ricas da Ucrânia, o rapto do Presidente Nicolás Maduro, o aprisionamento de petroleiros estrangeiros, a pretensão à anexação da Gronelândia, a provocação ao Irão, a subalternização e desprezo dirigido à União Europeia, a saga das tarifas alfandegárias, o Conselho de Paz sobre Gaza a substituir a ONU e, mais recentemente, o desumano embargo de petróleo contra Cuba, são exemplos a ponderar.

Aqui se evidencia o maquiavelismo da gesta do Trump, já que parece não poupar esforços para atingir seus objetivos (fins justificam os meios), adotando práticas políticas marcadamente autoritárias e repletas de contradições. De facto, o mínimo de bom senso indica que não se pode defender a paz enquanto se criam focos de instabilidade política, ameaças de belicismo, desacreditando organismos como a ONU e tentativas de sufocar populações.

Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática diplomática do diálogo e de negociação. Anote-se a este propósito que, os países componentes do BRICS, titulares de economias florescentes e com estatura suficiente para rivalizar com América, têm estado à altura dos seus objetivos, quais sejam o do desanuviamento bélico, de desenvolvimento económico e de um relacionamento amigável entre as Nações.  Tudo aconselharia por isso, que a UE e outros países da Europa, se autonomizassem da suserania americana, contribuindo decisivamente para a defesa de valores paz, de liberdade, de democracia, de bom entendimento entre as Nações que tanto prezam, mas cuja prática, até agora, fica muito a desejar.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Adeus Spotify


Por Luís Sobral
O Spotify é a plataforma de streaming que menos paga aos artistas, com pagamentos que não excedem 0,003 cêntimos por reprodução . Além disso, como consequência da sua nova política, só remunera os artistas com pelo menos 1000 streams por faixa.
 Em 2005, 88% da música do Spotify ficou sem monetização. O Spotify também investe e colabora com grandes editoras discográficas para criar música feita com inteligência artificial, que há muito tempo inunda de forma oculta as playlists de descoberta semanal e acumula milhões de streams. Reproduções que geram lucros enormes para a empresa, que não beneficiam os artistas e que desumanizam e banalizam a música de uma forma inaceitável.
Além disso, nos Estados Unidos o Spotify  emitiu , ao longo do outono de 2025 , anúncios para uma campanha de recrutamento da ICE ( agência de controlo de imigração ) que nos últimos meses, agindo sob ordens da administração Trump, tem realizado sequestros, deportações em massa de imigrantes e violência contínua contra a população dos EUA.
Daniel Ek , fundador , ex CEO e actual chairman do Spotify investiu aproximadamente 700 milhões de euros na Helsing, uma startup armamentista alemã que fabrica tecnologia militar com inteligência artificial . Esta empresa colabora com agentes relacionados com o genocídio na Palestina : desde que o fundador do Spotify  começou a investir nesta empresa e se juntou ao seu conselho de administração, a Helsing assinou contratos de cooperação tecnológica com a Airbus e a Rheinmetall, empresas que fabricam armas directamente utilizadas pelas forças de ocupação de Israel.
Que mais é preciso acontecer para abandonarmos esta plataforma ???
Dito isto e para acabar com uma nota de esperança e otimismo , deixo-vos a minha recomendação de uma plataforma de música que é justa e ética - Qobuz. É a que eu uso e estou muito satisfeito!

Actualização:

domingo, 25 de janeiro de 2026

Ayman Odeh Calls for Unified Arab List to Challenge Netanyahu Government



Arab lawmaker Ayman Odeh, head of the Democratic Front for Peace and Equality–Arab Movement for Change list in the Knesset, said Arab political parties are moving to form a unified joint list to confront what he described as the “fascist” government led by Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu in the upcoming elections.

In statements carried by Quds News, Odeh said the push to reunify the Arab parties is a direct response to the will of Palestinians inside the territories occupied in 1948 and reflects growing concern over the current government’s policies.

Odeh held Netanyahu’s government responsible for the killing of more than 71,000 Palestinians in Gaza, including tens of thousands of children, stressing that the upcoming elections are not merely about seats or numbers, but a political, moral, and national obligation.

“These elections are not just about arithmetic,” Odeh said. “They are a political and ethical battle to prevent the continuation of Netanyahu’s policies and those of his extremist ministers.”

Targeting the Joint List
Odeh also addressed repeated attacks by far-right National Security Minister Itamar Ben-Gvir, who has described Arab lawmakers as a “coalition of terrorism representatives.”

He said such rhetoric reflects the government’s unease over the potential strength of a unified Arab list, warning that Israeli authorities may attempt to raise the electoral threshold or activate legal measures aimed at preventing the joint list from entering the Knesset.

“These attacks are not media stunts,” Odeh said. “They are part of a broader political effort to control the system and prevent Arabs from achieving the largest possible representation.”

He noted that previous iterations of the Joint List demonstrated its electoral potential, securing between 13 and 15 seats, a result that continues to alarm the current government.

Racism, Crime, and Political Exclusion
Odeh said the renewed effort to reunify the Arab parties is also driven by mounting fears over the rise of racism and the entrenchment of what he called a “fascist government,” alongside the escalation of crime within Arab communities—policies he said are actively supported by Ben-Gvir.

He warned that another election cycle under the current government could lead to what he described as a “phase of elimination” across all aspects of life for Palestinians inside Israel.

According to Odeh, the upcoming elections will be decisive not only for Arab parties but also for Israel’s broader opposition, as the outcome could directly affect Netanyahu’s ability to form a governing coalition.

He cautioned that the government may exploit procedural or legal maneuvers to weaken the joint list, reiterating that its core objective is to preserve Arab political unity and apply sustained pressure on the government.

Odeh concluded by emphasizing that the political struggle ahead is not solely over parliamentary seats, but over rights, equality, and the protection of Arab citizens inside Israel.

“The unity of Arab parties and commitment to a joint list is the surest path to defending our rights and confronting attempts to exclude us or label us as ‘terrorists,’” he said.