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sábado, 30 de maio de 2026

Classificação: os países que alimentam o mundo


Um grupo relativamente pequeno de países fornece hoje uma enorme fatia dos alimentos comercializados no mundo. Os 10 maiores exportadores, por si só, representam quase metade das exportações agrícolas globais, conferindo a um punhado de economias uma enorme influência sobre os preços e as cadeias de abastecimento globais de alimentos.

As Américas constituem o núcleo do sistema global de comércio de alimentos. Os EUA, o Brasil, o Canadá e o México, em conjunto, representam quase 30% das exportações agrícolas globais, abrangendo desde cereais e carne a alimentos processados ​​e oleaginosas.

Enquanto isso, várias economias populosas apresentam classificações inferiores às esperadas. Apesar de ser o maior produtor agrícola do mundo, a China está muito atrás dos EUA e do Brasil em termos de valor de exportação, o que reflete a parcela da sua produção que é consumida internamente.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viva o 1º de Maio

Giuseppe Pellizza da Volpedo - "O Quarto Estado" (1901)

Giuseppe Pellizza dá este nome à sua obra porque os trabalhadores sentiam que não eram representados pelo sistema político da época, o chamado parlamentarismo burguês. Eles constituíam um "novo grupo" social que passava a exigir voz própria e participação ativa nas decisões da sociedade. Historicamente, essa nomenclatura marca uma evolução clara: se o Terceiro Estado, liderado pela burguesia, foi o responsável por derrubar o absolutismo do Clero e da Nobreza, o Quarto Estado surgia agora como o proletariado organizado para reivindicar direitos diante da exploração exercida por essa mesma burguesia.

Na representação visual da tela, nota-se que a multidão não está armada; pelo contrário, os trabalhadores avançam de forma pacífica, mas com uma determinação inabalável. Trata-se de uma marcha em direção à "luz" do progresso e da justiça social, um recurso artístico que indica que o futuro pertenceria a esse novo estrato social. Em resumo, o Quarto Estado retratado por Pellizza era a classe operária consciente de si mesma e do seu papel histórico, marchando para ocupar o seu lugar de direito ao lado — ou mesmo à frente - dos três grupos que tradicionalmente detinham o poder.

Saber mais:
  1. Primeiro de Maio de 2026: a remuneração dos CEO mais elevados aumentou 20 vezes mais rapidamente do que a remuneração dos trabalhadores em 2025, acusa a Confederação Sindical Internacional, num relatório devastador.
  2. Em 2024, a Oxfam apresentou uma queixa formal contra a Amazon e a Walmart às Nações Unidas. Leia mais sobre a vigilância e o sofrimento nos armazéns da Amazon e da Walmart.
  3. A 7ª edição do Inquérito Mundial de Valores revelou que metade das pessoas acredita que “os ricos compram frequentemente eleições” nos seus países.
  4. A Oxfam estima que os multimilionários têm 4.000 vezes mais probabilidades de ocupar cargos políticos do que as pessoas comuns.
  5. Descarregue o relatório da CSI “Corporações que Minam a Democracia 2025”.
  6. Mais de 840 mil mortes por ano ligadas a riscos psicossociais no trabalho, diz novo relatório da OIT 

sábado, 29 de julho de 2023

O G20 não chega a acordo sobre um limite para as emissões de gases de efeito estufa até 2025


 Os ministros do meio ambiente do G20 falharam na sexta-feira em chegar a um acordo sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa para combater a mudança climática, uma semana após o fracasso dos combustíveis fósseis.

“Não conseguimos chegar a um acordo sobre um limite para as emissões de gases de efeito estufa até 2025”, disse à AFP o ministro francês da Transição Ecológica, Christophe Béchu, antes de acrescentar: “Estou muito desapontado”.

As negociações com China, Arábia Saudita e Rússia foram "complicadas", disse ele.

Os ministros do G20, cujos membros representam sozinhos mais de 80% do produto interno bruto mundial e das emissões de CO2 do planeta, vão examinar na sexta-feira em Madras, na Índia, vários dossiês cruciais, como o financiamento da adaptação às mudanças climáticas , biodiversidade e os princípios que devem reger as atividades económicas marítimas.

E especialmente aquele que visa limitar as emissões de gases de efeito estufa até 2025, para o qual o ministro francês anunciou um fracasso no final do dia.

Mas nos corredores, dificilmente esperávamos resultados significativos nos outros arquivos também.

No entanto, estava inicialmente previsto que desta reunião dos Ministros do Meio Ambiente do Grupo dos Vinte (as dezenove economias mais desenvolvidas e a União Europeia) resultariam acordos que seriam posteriormente assinados pelos líderes durante a cimeira de setembro em Nova Delhi.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Dia Mundial do Mar e Dia do Trabalhador Marítimo



O Dia Mundial do Mar celebra-se este ano a 29 de setembro de 2022, sob o tema “Novas Tecnologias para uma Navegação mais Verde”, antecedido do Dia do Trabalhador Marítimo, que será assinalado no dia 25 de junho de 2022, por iniciativa da Organização Marítima Internacional (IMO no acrónimo inglês). 

O tema escolhido para a celebração do Dia Mundial do Mar reflete a importância e a necessidade de apoio à transição verde do setor marítimo, tendo em vista garantir a sua sustentabilidade futura e sem deixar ninguém para trás num mundo pós-pandemia. 

Por sua vez, o Dia do Trabalhador Marítimo (Day of the Seafarer) pretende dar maior visibilidade à importância do trabalho dos marítimos, e agradecer a sua inestimável contribuição para a economia mundial e a sociedade civil. 

Para mais informações, consultar: 
IMO - International Maritime Organization
World Maritime Day

domingo, 18 de setembro de 2022

Dia Internacional da Igualdade Salarial



O Dia Internacional da Igualdade Salarial é celebrado anualmente a 18 de setembro, desde 2020.

Este dia tem como objetivo homenagear os esforços de longa data que têm sido conduzidos para alcançar a igualdade salarial entre homens e mulheres. Em todas as regiões, as mulheres recebem menos do que os homens, estimando-se que a diferença salarial seja de 23% a nível mundial.

A obtenção da igualdade de género e o empoderamento das mulheres e raparigas é um processo lento e com entraves devido à persistência de relações de poder históricas e estruturais desiguais entre mulheres e homens. Deste modo, o progresso na redução do fosso entre géneros tem sido lento e, embora a igualdade salarial seja uma medida amplamente apoiada, a sua aplicação real tem sido difícil.

Este Dia foi proclamado na Resolução 74/142 adotada na Assembleia Geral da ONU a 21 de janeiro de 2020.

Documentos

Resolução 74/142 da Assembleia Geral da ONU sobre o Dia Internacional da Igualdade Salarial [en]

Links relacionados

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

O que é a “desistência silenciosa”, a mais recente tendência no mundo do trabalho alimentada pelas redes sociais

No original, em inglês, é o "quiet quitting", o que tem levado os vários artigos já publicados online sobre o tema a esclarecerem que não, não se trata de simplesmente bater com a porta do emprego silenciosamente



O contrato especifica que o horário de trabalho é das 9h00 às 18h00? Então às 18h00, desliga-se o computador. Tarefas atribuídas? Sim, mas essas e mais nenhuma e só até àquela hora. Estes podem ser, resumidamente, os princípios do “quiet quitting”, que começou a ganhar tração na Internet depois de um utilizador, que agora responde por @zaidleppelin, ter publicado um vídeo no TikTok em que explicava que não se trata de uma demissão propriamente dita, mas uma demissão da ideia de ir mais além no trabalho.”Ainda cumpres os teus deveres mas já não subscreves a mentalidade de que o trabalho tem de ser a tua vida. Não é”, ouve-se.

Basicamente, trata-se de não executar tarefas para as quais não se recebe compensação financeira, ou, como resume o The Wall Street Journal, não fazer mais do que o necessário para manter o emprego.

No rescaldo pandémico, muitos começaram a dar outra importância ao bem-estar e à saúde mental, o que pode explicar esta tendência emergente nas gerações mais jovens, dispostas a dizer “não” ao burnout e a mudar o statu quo.

Do passa-a-palavra ao debate aceso na internet e na Imprensa internacional foi um ápice. O desprendimento emocional face ao trabalho tem agora um nome e um número crescente de adeptos, para quem não faz sentido vestir a camisola da organização para lá do estritamente necessário, com sacrifício de tempo e saúde e sem ganhos que o justifiquem.

Os resultados do relatório “State of the Global Workplace”, divulgado pela Gallup, sobre o local de trabalho e o bem-estar, parecem confirmar a tendência: o grau de envolvimento dos trabalhadores norte-americanos desceu para 32% no primeiro trimestre deste ano (era de 36% em 2020 e de 34% em 2021) e a percentagem de “não envolvidos” – que definem limites profissionais e cumprem os mínimos – aumentou para 17% (era de 14% em 2020 e de 16% em 2021). O coordenador do estudo, Jim Harter, afirmou ao The Wall Street Journal que mais de metade dos inquiridos deste grupo tinha idades iguais ou inferiores a 33 anos e a maioria cultivava a “desistência silenciosa”.

A causa pode estar na falta de entusiasmo e propósito, nas aspirações não atendidas pelos empregadores ou no facto de muitos terem percebido que trabalhar para aquecer não compensa, após verem familiares e amigos dispensados durante a pandemia, apesar dos seus esforços e da sua lealdade. As mensagens de Kahn no TikTok – “desfrutar a vida também é produtivo” – acabam por ser um abre-olhos para uma imensa minoria, gerando ondas de choque no meio corporativo.

“Tang ping”: a versão asiática (e prévia) do fenómeno

Curiosamente, esta postura face ao trabalho já estava a dar que falar desde o ano passado, na China, conhecida pela cultura materialista, de trabalho árduo, jornadas longas e salários baixos. Cansados da “corrida de ratos” em que as suas vidas estavam a tornar-se – e em protesto contra os valores que estavam na sua base – milhares de jovens chineses iniciaram uma forma de resistência insólita, passando a conduzir-se no registo “tang ping” (deitar-se ao comprido, ou, em língua inglesa, “lying flat”). Como a expressão sugere, a meta é não fazer nada, ou, se quisermos, atirar a toalha ao chão, virando costas aos ideais da cultura vigente: o carro, a casa, os filhos, o emprego e as horas extra (poupando-se ao lamento angustiante, tão bem retratado pela banda Talking Heads, na canção Once in a Lifetime, “Como é que eu cheguei aqui?”).

Radical? Talvez, ou nem por isso, se olharmos para este fenómeno como o contraponto da prosperidade económica e que não contempla, na perspetiva das gerações mais jovens, o que seriam os mínimos de bem-estar para se ter uma vida além da tal corrida laboral desenfreada. Não por acaso, o movimento nasceu num centro tecnológico em Shenzhen, no sudeste da China, onde impera a cultura “996” (trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana, num total de 72 horas, sem que seja garantido qualquer pagamento extra).

O “tang ping” tornou-se viral em abril de 2021 e o impacto foi tal que, em outubro, o presidente Xi Jinping emitiu um aviso aos jovens, num jornal do Partido Comunista Chinês. “Uma vida feliz alcança-se pela luta e a prosperidade depende do trabalho duro e da sabedoria”, assegurou, alertando para a necessidade de, entre outros, “formar um ambiente de desenvolvimento onde todos participem e evitar a ‘involução’ e o ‘deitar-se ao comprido’.”

Talvez não tenha sido suficiente para quebrar a resistência que, como seria expectável, se foi expandindo no mundo globalizado – da Austrália aos Estados Unidos e Europa – com cada vez mais jovens adultos a porem o dedo na ferida e a revoltarem-se contra a “asiatização” (precariedade) laboral e o desperdício de tempo de vida, que é só uma, em atividades não reconhecidas nem pagas.

“Já vais embora?”

“Hoje, nenhum jovem tem constrangimentos em desligar o computador e sair à hora”, assegura Vânia Borges, diretora de recursos humanos da Adecco. “As pessoas não estão a desistir do trabalho, só deixaram de pô-lo em primeiro lugar, para se focarem no que é importante para elas.” Mesmo que prolonguem o tempo de trabalho numa situação pontual, “não ficam até mais tarde no emprego por sistema, para evitar comentários ou parecer bem”.

A prática do presentismo, “ainda enraizada entre nós e que não beneficia ninguém”, é malvista noutros países europeus, onde as leis têm vindo a contemplar, entre outros, o direito à desconexão no meio corporativo. Em Portugal, as alterações ao Código do Trabalho aprovadas no ano passado penalizam empregadores que contactem os funcionários em período de descanso, e as mensagens de correio eletrónico “indevidas” trazem uma advertência, elucidando que o envio foi feito em horário inconveniente para o emissor e não requer resposta imediata.

Quando as aspirações não são atendidas pelos empregadores, instala-se o desprendimento emocional face ao trabalho – para quê vestir a camisola?

“As pessoas não são máquinas”, observa António Moura Queirós, responsável de consultoria organizacional da empresa Alento. “Trabalhar sempre acima do grau em que é suposto, excedendo expectativas, passa uma mensagem errada ao empregador, porque depois não se consegue manter esse ritmo e há o risco de burnout”, esclarece. A alternativa seria fazer ajustes, mas “há muita falta de assertividade para pedir um programa de outplacement e fazer uma transição sustentável de carreira, por exemplo”.

O consultor adianta que o quiet quitting se assemelha à quebra do contrato psicológico (expectativas e promessas tácitas entre as partes), e encara-o como um mecanismo de sobrevivência em climas organizacionais não saudáveis: “Lideranças sem transparência, que monitorizam os trabalhadores, não confiam na sua autonomia e capacidade produtiva tendem a perder talentos e a ter colaboradores não comprometidos.”

Em Portugal, “temos um tecido empresarial pouco amadurecido, sem programas de acolhimento claros, mapeamento de competências, sistemas de incentivos e perspetivas de progressão”. Porém, notam-se sinais de mudança: “As empresas começam a investir na gestão de pessoas, mais pela necessidade de atrair candidatos do que por terem um laivo de consciência instantâneo.”

Sem valores, nada feito

Hugo Bernardes, fundador e sócio-gerente da The Key Talent, entende que “a nossa cultura empresarial ainda não encara o envolvimento e a valorização do propósito de vida como um problema imediato”. O que pensar, então, do desabafo comum “Há muita gente que não quer trabalhar”? O psicólogo sublinha que “são as pessoas que escolhem as organizações e não o contrário”. E vê a escassez de colaboradores em certas áreas como um reflexo dos salários baixos: “Como diz uma famosa citação, se pagar em amendoins, terá macacos.”

As políticas de teletrabalho trouxeram novos desafios, na aculturação e no recrutamento: “A primeira coisa que pergunta quem concluiu o curso remotamente é qual a política de trabalho; se não for flexível, nem consideram a oportunidade.” O paradigma tem de mudar: “As organizações nem sempre são o que dizem ser; ou se alinham com os valores das pessoas e definem a sua proposta de valor ou nada feito.”

As novas gerações, influenciadas pela cultura Erasmus, “olham para os bens na perspetiva do uso e não da propriedade, querem ter experiências e tempo; o trabalho é uma componente da vida, nem sempre a principal”, afirma Luís Miguel Ribeiro, presidente da  Associação Empresarial de Portugal, que aposta em medidas para cativar colaboradores, como a oferta de seguros de saúde, o trabalho híbrido – a pensar na redução de custos de deslocação e no aumento das taxas de juro – e a criação de espaços para refeições e convívio.

Sobre a questão dos horários, Luís Miguel Ribeiro afirma tratar-se de um mito, até porque “ficar mais tempo no local de trabalho implica gastos extras, até de energia, e, caso aconteça, talvez seja preciso fazer ajustes”. No final de contas, “o bom senso e a razoabilidade resolvem grande parte dos desequilíbrios”.

sábado, 14 de agosto de 2021

Taxa extraordinária sobre bilionários permitiria vacinar todos os adultos no planeta


Uma taxa de 99% estritamente sobre a riqueza acumulada pelos 2.690 bilionários de todo o mundo seria o suficiente para garantir a vacinação de todos os adultos do planeta, e ainda garantir o pagamento de 20 mil dólares para cada trabalhador atualmente desempregado, concluiu a Oxfam.

Ainda assim, a taxa permitiria que os bilionários ficassem com mais 55 mil milhões de dólares do que antes da pandemia.

Durante a primeira grande guerra mundial, os Estados Unidos da América subiram os impostos dos rendimentos nos escalões mais elevados para 67%. Na segunda grande guerra mundial, Franklin Roosevelt tentou limitar rendimentos individuais nos 25 mil dólares. Em dezembro de 2020, a Argentina introduziu uma taxa extraordinária para pessoas com mais de 200 milhões de pesos argentinos, cerca de €2,1 milhões, resultando numa receita de 2 mil milhões de euros.

Segundo a Forbes, os bilionários aumentaram a sua riqueza em 5,5 biliões de dólares entre março de 2020 e 31 de julho de 2021. Esta acumulação exponencial de riqueza não tem paralelo, sendo equivalente à mesma riqueza acumulada por bilionários nos 15 anos anteriores à pandemia.

A administração de cada vacina a um adulto está calculada em 7 dólares (€6), resultando num custo total de 70 mil milhões de dólares para vacinar os 5 mil milhões de adultos no planeta.

Os proveitos desta taxa extraordinária permitiriam ainda pagar 20 mil dólares a cada trabalhador desempregado. A Organização Mundial do Trabalho calculou que haverá 220 milhões de desempregados em todo o mundo.

Atualmente, 30,7% da população mundial está vacinada, mas apenas 1,2% da população em países em desenvolvimento receberam a primeira dose. O Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio alertaram já para a difícil recuperação económica caso a distribuição da vacina não seja facilitada.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Ventura a nú


O papel dos “salvadores da Pátria”

O conhecimento da História faz-nos muita falta e é por isso que, com grande razão, se diz que um povo sem memória é um povo sem futuro.

Ora, é esse mesmo conhecimento que nos mostra que, ao longo da História, ocorreram situações de grave crise económica, política e social, sobretudo em momentos de impasse, em que as classes mais dominadas e exploradas não viram ou não tinham uma alternativa revolucionária e as classes dominantes começaram a concluir que os responsáveis políticos que tinham colocado no poder já não estavam em condições de aplicar a política e de cumprir o papel que lhes fora atribuído.

E foi precisamente nessa altura que sempre surgiram, foram lançados, apoiados e levados ao mesmo poder personagens apresentados como autênticos “salvadores da pátria” e verdadeiros campeões da luta contra a corrupção, a imoralidade, o abuso e o desperdício.

Assim, a respectiva legitimação política é sempre construída na base de um discurso radical, aparentemente muito crítico, contra a corrupção e outros males do sistema político vigente, clamando continuamente contra as “vergonhas” do mesmo, defendendo uma pretensa (e nunca totalmente explicada) ruptura com o dito sistema, invocando uma (realmente inconsistente e até inexistente) defesa dos mais pobres e desfavorecidos da sociedade e a construção de uma pretensa “nova ordem” social e política.

O certo, porém, é que esta lógica discursiva, profundamente hipócrita e enganadora, se não for incansável e consequentemente combatida e desmascarada, é susceptível de enganar incautos e arrastar indignados, e até de obter o seu voto e o seu apoio, pela empatia que o referido discurso supostamente anti-corrupção, anti-sistema e de ruptura com a podridão, a vários níveis, do regime político, pode afinal suscitar.

E de cada vez que aqueles que se dizem democratas e defensores do povo mentem, fogem às suas responsabilidades, se envolvem em esquemas de corrupção ou, com as suas políticas, agravam cada vez mais a situação de quem é pobre, fraco e vulnerável, mais força vão dando aos ditos “salvadores”…

Foi sempre deste modo que personagens como Hitler, Mussolini, Franco, Salazar e mais recentemente Bolsonaro surgiram, se alcandoraram ao poder e, uma vez aí chegados, despiram prontamente as peles de cordeiro e mostraram a sua verdadeira natureza de empedernidos e sanguinários ditadores, levando assim, com frequência, mas só nessa altura, muitos daqueles que os haviam inicialmente apoiado a perceberem, demasiado tarde, o logro em que haviam caído.

O que são verdadeiramente Ventura e Chega

Ora, é precisamente por isso que devemos atentar – e denunciá-los, com base em factos e argumentos – no que verdadeiramente são, e ao que realmente vêm, André Ventura e a sua organização instrumental, o Chega. E muito em particular impõe-se verificar se e como muitas – para não dizer praticamente todas – as características daquelas experiências históricas se estão ou não, afinal, a verificar perante os nossos olhos.

Assim, e desde logo, importa constatar que a construção desse tipo de figura mítica do “salvador da pátria”, campeão da luta contra a corrupção e pela moralidade e bons costumes assenta, em larga escala, numa gigantesca propaganda. E a essência desta, tal como o sinistro ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels, escrevia, em 1942, no seu diário, assenta acima de tudo na simplicidade (para não dizer no simplismo) e na repetição (até à exaustão).

É precisamente por isso que, tal como faz Ventura, a repetição infindável dos “chavões”, tão falsos quanto gerais e abstractos, da “vergonha”, da “corrupção”, da “defesa dos que trabalham e pagam impostos” (para supostamente outros, como ciganos e imigrantes, viverem à sua custa) serve precisamente para construir o discurso legitimador do personagem. Discurso legitimador esse que é depois completado pela apresentação e defesa do líder como uma figura transcendental, não raro até de inspiração divina, que – porque tem sempre razão e as suas “verdades” se não discutem nem podem discutir – expressaria a suposta vontade colectiva de todo o povo, assumindo assim a nobre missão, atribuída por esse mesmo povo, senão mesmo por Deus[1], de salvar o país do “desastre” que a “esquerda” e o “marxismo” lhe trouxeram.

Por outro lado, aos membros da organização a que preside – e que lhe é útil tão somente enquanto estrutura logística e instrumental – cabe apenas aplicar a famigerada trilogia de Mussolini do “crer, obedecer e lutar!” E é depois assim que, em nome do princípio nazi de que os fins justificam os meios, a mentira, a calúnia, o insulto, o incitamento e a prática do ódio (racial, e não só) mais primário e a intimidação e o ataque, não só verbais como até físicos, se tornam cada vez mais habituais e até legitimadas armas de acção política. 

E quando chegam ao poder – disso não tenhamos a menor dúvida – passam abertamente a defender e a praticar a tortura dos opositores políticos (apresentada, como fez Salazar, como “uns safanões a tempo nessas sinistras criaturas”) ou até o seu assassinato (em nome da “defesa da autoridade e da segurança do Estado”).

A captação dos desiludidos e os descontentes

Os grandes e obscuros interesses financeiros e políticos, que são verdadeiramente os donos deste país, reservaram, ao menos por agora, esse papel a André Ventura e ao Chega, e estão a ver até onde o conseguem levar, seguindo, como se vê, muitos dos passos dos seus antecessores históricos e fazendo o tipo de propaganda que julgam capaz de levar para o seu campo, sobretudo os descontentes, os desiludidos e os “descamisados”, a quem o campo da Liberdade, da Democracia não quis ou não foi capaz de apresentar uma verdadeira alternativa.

Por tudo isto, na campanha das eleições presidenciais agora em curso, André Ventura não avançou um único projecto ou ideia de fundo para o futuro do país e para aquilo que este exige do cargo a que se candidata, limitando-se a, nos debates em que sentiu que isso lhe seria permitido, reproduzir o estilo e, sobretudo, as inefáveis “técnicas” dos “debates” futebolísticos da CMTV: interromper sistematicamente os seus adversários, lançar-lhes repetidamente atoardas, acompanhadas da conhecida manobra de exibir factos e recortes de jornais ou outro tipo de adereços e, simultânea e significativamente, passar ao lado de todas as questões que lhe fossem colocadas e lhe não agradassem ou fossem incómodas.

E, por outro lado, como convém, repetir continuamente meia dúzia de chavões e de auto-elogios, os quais importaria denunciar e desmascarar até ao fim. Infelizmente – embora se compreenda a dificuldade de debater a sério ideias com um verdadeiro troglodita, ainda por cima quando a conduta deste é tolerada ou até, e a bem da busca das audiências baseadas na lógica do “sangue”, incentivada pelos jornalistas –, nenhum dos outros candidatos teve a frieza de ânimo, o tempo e a capacidade de pôr definitivamente a nu a completa falsidade daquele tipo de afirmações de Ventura.

Ventura posto a nu

1) “Exclusividade” da função de deputado: Ventura gosta de apresentar a coerência como um dos seus atributos. Mas – conforme já denunciei em texto anterior e aqui relembro, Ventura pregou a exclusividade da função de deputado para só ao fim de mais de 7 meses, e após inúmeras denúncias, ter finalmente largado os lugares e os vencimentos de comentador da CMTV e de consultor da Finpartner. Jurou em declarações prestadas na altura, a escassos dias das legislativas de 2019, que a sua função essencial era a de deputado e que, quando se candidatasse às eleições presidenciais, nunca suspenderia o mandato de deputado, para depois, e como todos vimos, vir apresentar e reclamar tal suspensão e martirizar-se por ela não lhe ter sido concedida. 

2) Luta contra a corrupção: Ventura apresentou-se como um campeão da luta contra a corrupção, até por ter sido inspector da Autoridade Tributária e Aduaneira, mas, afinal, não só no exercício dessas funções foi autor de um parecer que permitiu isentar uma empresa de Paulo Lalanda de Castro do pagamento de 1,8 milhões de euros de IVA, como logo depois, não deixando em definitivo a função pública (pois terá saído com uma licença sem vencimento de longa duração), foi colocar os conhecimentos que tinha adquirido naquele serviço do Estado agora ao serviço do apoio da consultora privada da “Finpartner – Consultoria, Contabilidade e Fiscalidade, SA” a grandes empresas nas actividades ditas de “planeamento fiscal”, ou seja, de eximição ao pagamento de imposto através de mecanismos e subterfúgios legais.

3) Significativa ausência: Faltou ostensivamente no parlamento – sem dar logo qualquer justificação para tão significativa ausência – à votação de diplomas legais referentes ao combate ao branqueamento de capitais.[2]

4) (In)Coerência de voto: Quando se tratou de votar no mesmo Parlamento uma proposta (do BE) de alteração ao Orçamento de Estado de 2021, anulando a transferência de mais 476 milhões de euros do Fundo de Resolução para o “buraco negro” do Novo Banco, o “coerente” André Ventura, no mesmo dia, absteve-se, votou contra e depois votou a favor da mesmíssima proposta! Para “coerência”, não está, pois, mal…

5) “Condenação” da violência doméstica: Ventura já fez uma ou outra declaração, sempre de modo meramente formal, de condenação de violência doméstica, mas, no Parlamento, absteve-se na votação de uma proposta (do PCP) de lei[3] visando um reforço da medidas de protecção das vítimas de violência doméstica, para depois, e sem apresentar qualquer alteração ou nova proposta, invocar que se abstivera por a dita proposta ser “altamente insuficiente”… Também foi possível que, no Congresso do Chega, uma proposta (do militante Rui Roque) que defendia, entre outras barbaridades, que fossem “retirados os ovários às mulheres que interrompessem voluntariamente a gravidez”, fosse recebida na mesa, por esta aceite e até levada a votação, sendo então derrotada por simples maioria.

6) “Reforma” da Saúde e da Educação: Ventura e o Chega sustentam que o Estado não deve ser prestador de quaisquer bens ou serviços, quer na área da Saúde (ou seja, a extinção do Serviço Nacional de Saúde e a assunção, pelo Estado, do papel de mero regulador desse mercado), quer na da Educação (defendendo mesmo a extinção do Ministério da Educação e a entrega das escolas públicas a empresas privadas de educação).

7) Redução do número de deputados: Ventura e o seu Chega defendem – agora que já lá estão e ambicionam ter, ainda antes dessa “reforma”, uma representação parlamentar de vários deputados – a redução para 100 do número de deputados no parlamento. O que, com o método de Hondt, significará, acima de tudo, a dificultação da possibilidade de eleição de deputados por partidos mais pequenos e a consequente eternização no poder dos partidos políticos que têm sido maioritários, muito em particular do chamado “Bloco Central” (PS/PSD) que Ventura tanto diz combater. Por vezes, as pessoas só vêem o que iriam poupar em custos com a redução de deputados, sem se aperceberem de que, com essa mesma redução, acabaremos como nos EUA, com dois partidos apenas.

8) ONU: Ventura, à boa maneira dos fascistas de todo o mundo, desta e das anteriores épocas, e tal como consta do capítulo “Política Externa” do programa do Chega, proclama “a necessidade da reavaliação de interesse efectivo da nossa presença na ONU”, sob o “argumento” de que esta “transformou-se numa produtora e defensora do marxismo cultural e do globalismo massificador que não estamos dispostos a consumir e, muito menos, a pagar para que os outros os consumam”. 

E, numa nova e extraordinária manifestação de “coerência”, não só defende “a necessidade de imediata reversão da outorga do suicidário “Pacto para as Migrações” que a ONU pretende concretizar”, como a “eliminação da participação em agências e ONG’s que interferem na soberania nacional”. Mas, simultaneamente e por mero tacticismo, Ventura transformou-se num estrénue defensor da integração de Portugal na União Europeia e, mais do que isso, na Zona Euro, sem que tal integração lhe suscite o menor problema quanto à interferência na soberania de Portugal quando este, com tal integração, a perdeu por completo em matérias tão díspares como a orçamental, a monetária, a fiscal, a económica, a da Justiça e a da Política Externa. Para Ventura, pois, a integração na União Europeia e no Euro é boa, mas a pertença à ONU, à OMS ou OIT é que é má…

9) A “defesa” dos contribuintes: Ventura passa a vida a proclamar que quer ser “Presidente apenas dos portugueses que trabalham, que se integram e que pagam impostos”, e não da outra metade (dos subsídio-dependentes, à cabeça dos quais aponta os ciganos e os imigrantes) que viveriam à custa dos primeiros, recebendo o Rendimento Social de Inserção (RSI) e passeando pelas ruas e pelos cafés sem nada fazer.

Ora, esta atoarda xenófoba e racista, tendente a dividir os elementos do povo que ele diz defender e a atirá-los uns contra os outros, é total e revoltantemente falsa.

É que, de acordo com os próprios números da Pordata, o valor pago a título de RSI até Outubro de 2020 foi – e mesmo assim num ano de montantes mais elevados de prestações sociais devido à crise da pandemia – de 355 milhões de euros[4], abrangendo, em 2019, 135.428 famílias, das quais apenas 5.275 eram de etnia cigana, ou seja, 3,89%. O que significa que a totalidade do RSI que terá sido atribuída à totalidade das famílias ciganas não chegou sequer a 13,9 milhões de euros. 

Isto, enquanto – como um dos outros candidatos disse, e bem, a Ventura – só o buraco deixado no BES pelas empresas (o grupo Promovalor) de um dos seus amigos dilectos, Luis Filipe Vieira, ascende a 225 milhões de euros. E tudo aquilo que escapou, entre 2011 e 2014 (sem controle da mesma Autoridade Tributária em que Ventura trabalhou), para as offshores (devido ao até hoje não esclarecido “apagão informático”), ascende a mais de 10 mil milhões de euros (98% dos quais referentes ao BES). E só o buraco do Novo Banco ultrapassa já os 7.876 milhões de euros pagos pelos mesmos contribuintes portugueses que Ventura diz querer proteger contra a máquina fiscal em que ele trabalhou.

A teoria do “salvador” Ventura de que o país está pobre e carece de meios financeiros necessários para suprir carências sociais, não por causa das falcatruas financeiras da banca e não só, mas por causa do RSI dos ciganos, constitui assim uma absoluta e provocatória falsidade.

11) As “verdades” sobre os imigrantes: A “conversa” de que os imigrantes viriam para Portugal para viverem à “nossa custa”, e designadamente da Segurança Social Portuguesa, é outra das completas mentiras de Ventura. Para não irmos mais longe, o último Relatório Estatístico Anual do Observatório das Migrações mostra, com toda a clareza, que a relação entre as contribuições dos estrangeiros para a Segurança Social e os gastos desta em prestações sociais de que aqueles beneficiam é bastante positiva e favorável às primeiras. Para além de que, de uma forma geral, os imigrantes que aqui vivem e trabalham tiveram sempre rácios de prestações sociais, pagas por contribuições por eles entregues, inferiores claramente aos dos cidadãos nacionais. Em 2019, esse saldo positivo (das contribuições relativamente às prestações sociais) dos imigrantes foi, “apenas”, de 884 milhões.

Haveria e haverá, ainda muitas mais falsidades e incoerências a denunciar, mas só estas já revelam a pele de cordeiro e a alma de lobo.

Pele de cordeiro e alma de lobo

Eis, pois, como absolutas falsidades, repetidas à exaustão até parecerem verdadeiras e “explicarem” as dificuldades dos trabalhadores portugueses, constituem, afinal, a essência da propaganda do “salvador” Ventura, que apenas está à espera de poder chegar ao poder (assim lhe dêem apoio e votos), para logo despir a pele de cordeiro que, por vezes, e para conveniência eleitoral, ainda vai vestindo, e mostrar então a sua verdadeira face.

Como bem mostram as saudações nazis feitas no comício do Porto em 25 de janeiro de 2020, a manifestação à “Ku Klux Klan” feita de máscaras brancas e de tochas na mão à porta da SOS Racismo em 8 de Agosto de 2020 (e após uma pichagem da fachada do prédio feita no mês anterior, clamando “guerra aos inimigos da minha Terra”) e as ameaças brutais que logo são feitas perante quem deles discorda (inclusive nas próprias fileiras).

Entre os amigos de Ventura – que até vêm a Portugal apoiá-lo na campanha das Presidenciais – estão fascistas retintos como Marine Le Pen. A mesma que, proclamando que Ventura é “um grito que vem do coração e um sinal que vem do céu”, prega em França a proibição do ensino da língua portuguesa aos filhos dos emigrantes portugueses e cujo partido, o Reagrupamento Nacional, antes designado Frente Nacional, ataca continuamente esses emigrantes, fazendo pichagens como a de “morte aos portugueses!”. 

Ou como Matteo Salvinni, líder do partido italiano de extrema direita Liga Norte e ex-Ministro do Interior, que, entre outras proezas, em Agosto de 2019, bloqueou o navio “Open Arms”, com cerca de 150 emigrantes salvos no mar e em condições de enorme dificuldade, depois de já antes ter ordenado a prisão da alemã Carola Rackete, comandante da embarcação “Sea-Watch 3”, por esta ter insistido em desembarcar 40 emigrantes em precárias condições de saúde.

Não esqueçamos também que, internamente, os seus apoios políticos e ideológicos vêm de ex-elementos do Partido Nacional Renovador (PNR), da Nova Ordem Social (NOS), de Mário Machado, do Escudo Identitário, do grupo assumidamente neo-nazi “Blood and Honour” e de outras organizações similares.

É caso para dizer: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!…

E por tudo isto convém recordar as conhecidas palavras de Norberto Bobbio (mesmo que se entenda, como eu, que elas não denunciam de forma consequente a verdadeira natureza de classe e os interesses económicos e políticos que os fascistas corporizam, mas que não deixam de ser profundamente acutilantes):

“O fascista fala o tempo todo em corrupção. Fez isso em Itália, em 1922, na Alemanha, em 1933 e no Brasil, em 1964. Ele acusa, insulta, agride, como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso comum, um sociopata que faz carreira na política. No poder, essa direita não hesita em torturar, violar e roubar a sua carteira, a sua liberdade e os seus direitos. Mais do que a corrupção, o fascista pratica a maldade.”

Não, não passarão!

António Garcia Pereira


[1] Ventura declarou à Rádio Observador, em 16/12/20: “Sinto que Deus me colocou neste caminho porque sou uma pessoa de fé” e “falar de Deus dá-me força, motivação, convicção e isso mostra às pessoas que a nossa força e autêntica”. No seu Twitter, a 13/05/2020, escreveu: “A 13 de Maio de 1917 Portugal mudou para sempre. Fomos escolhidos! Também eu senti esta mudança profunda num 13 de Maio da minha vida. Hoje sinto, sei que de alguma forma a minha missão política ligada a Fátima. É este, talvez o meu grande Segredo”. E já em 12/12/20, também no Twitter, sentenciou: “Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal. E eu não abandonarei os Portugueses, por muitas armadilhas que me sejam colocadas no caminho”.

[2] André Ventura, quando ainda era militante e até dirigente (conselheiro nacional) do PSD, enviou em 04/09/2015 uma sms a Pinto Coelho, líder do PNR, dizendo: “Meu caro, tenho acompanhado o vosso trabalho em tempo de campanha e tem sido notável o esforço. Tudo a correr bem. Forte Abraço”. Mas, aquando da campanha autárquica em Loures, declarou, numa entrevista a 29/08/2017 ao “Público”: “Repudio veementemente o apoio da extrema direita”, para cerca de ano e meio depois defender, de forma completamente aberta, a xenofobia e o racismo.

[3] Proposta de Lei n.º 352/XVI/1.ª, contendo um aditamento à Lei n.º 112/2009, de 16/09, onde se previa uma coisa tão básica como a de que a morada da vítima fosse ocultada ao agressor nas respectivas notificações judiciais.

[4] Mais exactamente, 355.006,770€.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Documentário: O lado Negro do Chocolate ( The Dark Side Of Chocolate) - 2010


O documentário 2010 The Dark Side of Chocolate alega que as compras da Nestlé grãos de cacau de plantações da Costa do Marfim que usam trabalho escravo infantil. As crianças são geralmente de 12 a 15 anos de idade, e alguns são traficadas de países vizinhos. As primeiras alegações de que a escravidão infantil é utilizado na produção de cacau apareceu em 1998. No final de 2000, um documentário da BBC relataram o uso de crianças escravas na produção de cacau na África Ocidental. Outros meios de comunicação seguiram, relatando generalização de crianças escravas e tráfico de crianças na produção de cacau. Em setembro de 2001, Alford Bradley, presidente e CEO da Nestlé e EUA, assinaram o Protocolo Harkin-Engel (comumente chamado de Protocolo do Cacau), um acordo internacional que visa a erradicação do trabalho infantil na produção de cacau. Em 2005, após a indústria do cacau não tinha conhecido o Harkin-Engel prazo protocolo para certificação das piores formas de trabalho infantil (de acordo com a Organização Internacional do Trabalho da Convenção 182) havia sido eliminado da produção de cacau, a Organização Internacional do Trabalho Fundo de Direitos apresentou uma ação judicial em 2005, sob a Alien Tort Claims Act contra a Nestlé e outras em nome dos três filhos do Mali. A ação alegou às crianças que foram traficadas para a Costa do Marfim, forçadas à escravidão e experiências de espancamentos frequentes em uma plantação de cacau. Em setembro de 2010, o EUA Tribunal do Distrito Central da Califórnia, determinou que a corporação não pode ser considerada responsável por violações do direito internacional e encerrou o processo. O caso foi objecto de recurso para o Tribunal de Apelação dos EUA. A 2009 operação policial conjunta realizada pela Interpol e agentes de aplicação da lei de Costa do Marfim resultou no resgate de 54 crianças e a prisão de oito pessoas envolvidas no recrutamento ilegal de crianças.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

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