O Tratado da Carta da Energia (ECT) é um enorme obstáculo para a transição da energia limpa. Os Estados Membros da UE estão prestes a realizar uma votação importante no Conselho de Ministros da UE que poderá significar o fim do Tratado da Carta da Energia. É-lhes pedido que aprovem uma chamada "reforma" do tratado, que mais não é do que uma lavagem verde. É por isso é preciso dizer "não" no Conselho e, em vez disso, desenvolver uma retirada conjunta do Tratado da Carta da Energia. O Parlamento polaco acaba de votar a saída do TCE, o que é uma vitória maciça! Espanha, França, Alemanha, Itália, Bélgica e Países Baixos já o fizeram, pelo que existe uma hipótese real de nos vermos livres do ETC se usarmos deste impulso para nos retirarmos conjuntamente. O ECT é um acordo internacional assinado em 1994, que se aplica a mais de 50 países. O ECT confere aos investidores estrangeiros no setor da energia poderes para processar os Estados por ações governamentais que supostamente "prejudicaram" os seus investimentos. Os investidores utilizam um sistema judicial paralelo para processar, e a compensação que os governos têm de pagar pode ascender a milhares de milhões. O ECT é cada vez mais controverso - particularmente devido ao seu potencial para obstruir a transição dos combustíveis fósseis que destroem o clima para as energias renováveis. Os membros do TCE têm vindo nos últimos tempos a negociar alterações ao acordo, mas desde o início o âmbito e a ambição foram muito baixos. Os resultados da reforma são muito decepcionantes. Essencialmente, as empresas de combustíveis fósseis mantêm os seus direitos de processar os países que tomam medidas climáticas durante mais 11 anos em relação a alguns investimentos em gás fóssil, mesmo até 2040. Mais controversamente, os membros da ECT concordaram até em expandir a proteção do investimento a novas tecnologias, tais como hidrogénio, biomassa, captura e armazenamento de carbono, bem como aos combustíveis sintéticos. Sair do ECT não é difícil. Quando um país é membro há cinco anos, pode abandonar o ECT em qualquer altura, bastando para tal uma simples notificação escrita. Uma retirada conjunta de todos os restantes Estados membros da UE e de outros membros não comunitários do ETC teria um impacto positivo ainda maior, pois poderia neutralizar a chamada "cláusula de caducidade", que entra em vigor quando um Estado sai. A cláusula de caducidade diz que um país pode ser processado por mais 20 anos após ter deixado o ECT, o que é escandaloso. Contudo, se os países se retirarem conjuntamente, podem fechar um acordo adicional dizendo que a cláusula de caducidade não se aplica em relação uns aos outros. Isto reduziria grandemente o risco de ser processado no futuro. A UE foi a força motriz por detrás das negociações do TCE nos anos 90. Tratou-se de proteger os investimentos de empresas de combustíveis fósseis como a Shell e a BP nos países do bloco pós-soviético. Mas hoje em dia, os estados membros da UE estão a receber reclamações dispendiosas e o ECT ameaça minar o Acordo Verde Europeu e a lei climática da UE. A UE tem a responsabilidade de limpar a confusão que criou. É essencial que os ministros vejam agora que o público se preocupa. Através desta plataforma, envie mensagens a ministros e comissários europeus e partilhe a ação com os seus amigos.
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sábado, 5 de novembro de 2022
O Tratado da Carta da Energia é um embuste. Rasguemo-lo!
Video explicativo. Já tem um ano, mas continua actual.Clique em definições e surgem legendas em Português.
Julho de 2022 - Why ECT reform doesn’t solve the problem: CAN Europe reform briefing
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sexta-feira, 24 de junho de 2022
Jovens avançam com acção judicial contra o Tratado da Carta de Energia (TCE)
Five claimants aged 17-31 want their governments to exit the energy charter treaty, which compensates oil and gas firms
Young victims of the climate crisis will on Tuesday launch legal action at Europe’s top Human Rights Court against an energy treaty that protects fossil fuel investors.
Five people, aged between 17 and 31, who have experienced devastating floods, forest fires and hurricanes are bringing a case to the European court of human rights, where they will argue that their governments’ membership of the little-known energy charter treaty (ECT) is a dangerous obstacle to action on the climate crisis. It is the first time that the Strasbourg court will be asked to consider the treaty, a secretive investor court system that enables fossil fuel companies to sue governments for lost profits.
“It just can’t be that the fossil fuel industry is still more protected than our human rights,” said Julia, a 17-year-old high school student from Germany, who said she was joining the legal challenge after catastrophic lethal floods came to her home region, the Ahr valley, last July.
She and her parents had to flee their home when the flood waters came. Recalling the escape with the water around her hips, she said: “It was really scary and going through the water felt like losing the ground underneath my feet.” During the floods 222 people died in Germany and Belgium. “So that’s why I decided to join this legal action, to fight against the energy charter treaty still protecting the fuel industry.”
The claimants are suing 12 ECHR member states, including France, Germany and the UK because these countries are home to companies that have been active users of the ECT charter. The German energy company RWE is suing the Netherlands for €1.4bn (£1.2bn) over its plans to phase out coal; Rockhopper Exploration, based in the UK, is suing the Italian government after it banned new drilling near the coast.
The claimants argue that membership of the ECT violates the right to life (article two) and right to respect for private and family life (article eight) of the European convention on human rights.
The case comes as the ECT falls under growing scrutiny. The treaty – which has about 55 member countries, including EU states, the UK and Japan – has been described as a real threat to the Paris agreement; it could allow companies to sue governments for an estimated €1.3tn until 2050 in compensation for early closure of coal, oil and gas plants. Activists and whistleblowers say these vast sums would stymie the green transition, while time is running out to keep within the 1.5C global heating limit.
The legal action comes as a letter to EU leaders by 76 climate scientists seen by the Guardian says that continuing to protect fossil fuel investors under ECT rules would prevent the closure of fossil fuel plants or ensure huge compensation payouts if shutdowns went ahead.
“Both options will jeopardise the EU climate neutrality target and the EU Green deal,” said the letter, which calls for the current French presidency of the EU to work towards a withdrawal of member states from the treaty. “In these days of climate and energy struggles, the EU climate leadership is more than ever needed to ‘make our planet great again’.”
And later this week ECT members will meet to negotiate the “modernisation” of the 1994 treaty. The European Commission, which negotiates on behalf of the EU’s 27 member states, has proposed a gradual phase out of fossil fuel investor protection by the end of 2040.
Campaigners said this is too little too late, and fault a compromise proposal seen as designed to placate countries that want to protect fossil fuel investors, such as Japan. “The options that are being discussed are too weak to make the ECT compatible with the Paris agreement or with EU law,” said Cornelia Maarfield, senior trade and investment policy coordinator at the Climate Action Network Europe.
France, Germany, the Netherlands, Poland and Spain have already instructed the commission to study how the EU could withdraw from the ECT, amid scepticism that the treaty can ever be compatible with the EU’s climate goals, according to leaked documents published by the Euractiv website last month.
The ECT secretariat, based in Brussels, argues that the ECT does not privilege fossil fuels and upholds the rule of law for investors.
Activists rejected this characterisation. “We are not advocating that they break international law,” said Maarfield. “Even in the ECT, there is a clause about withdrawal. So there is absolutely no breaking any law to withdraw from an agreement, according to the rules that are stipulated in this agreement. And the withdrawal procedure in ECT is very easy.”
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quarta-feira, 8 de junho de 2022
How treaties protecting fossil fuel investors could jeopardize global efforts to save the climate – and cost countries billions
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| K. Franklin/Science based on K. Tienhaara et al. |
Fossil fuel companies have access to an obscure legal tool that could jeopardize worldwide efforts to protect the climate, and they’re starting to use it. The result could cost countries that press ahead with those efforts billions of dollars.
Over the past 50 years, countries have signed thousands of treaties that protect foreign investors from government actions. These treaties are like contracts between national governments, meant to entice investors to bring in projects with the promise of local jobs and access to new technologies.
But now, as countries try to phase out fossil fuels to slow climate change, these agreements could leave the public facing overwhelming legal and financial risks.
The treaties allow investors to sue governments for compensation in a process called investor-state dispute settlement, or ISDS. In short, investors could use ISDS clauses to demand compensation in response to government actions to limit fossil fuels, such as canceling pipelines and denying drilling permits. For example, TC Energy, a Canadian company, is currently seeking more than US$15 billion over U.S. President Joe Biden’s cancellation of the Keystone XL Pipeline.
In a study published May 5, 2022, in the journal Science, we estimate that countries would face up to $340 billion in legal and financial risks for canceling fossil fuel projects that are subject to treaties with ISDS clauses.
That’s more than countries worldwide put into climate adaptation and mitigation measures combined in fiscal year 2019, and it doesn’t include the risks of phasing out coal investments or canceling fossil fuel infrastructure projects, like pipelines and liquefied natural gas terminals. It means that money countries might otherwise spend to build a low-carbon future could instead go to the very industries that have knowingly been fueling climate change, severely jeopardizing countries’ capacity to propel the green energy transition forward.
Massive potential payouts
Of the world’s 55,206 upstream oil and gas projects that are in the early stages of development, we identified 10,506 projects – 19% of the total – that were protected by 334 treaties providing access to ISDS.
That number could be much higher. We could only identify the headquarters of project owners, not the overall corporate structures of the investments, due to limited data. We also know that law firms are advising clients in the industry to structure investments to ensure access to ISDS, through processes such as using subsidiaries in countries with treaty protections.
Depending upon future oil and gas prices, we found that the total net present value of those projects is expected to reach $60 billion to $234 billion. If countries cancel these protected projects, foreign investors could sue for financial compensation in line with these valuations.
Doing so would put several low- and middle-income countries at severe risk. Mozambique, Guyana and Venezuela could each face over $20 billion in potential losses from ISDS claims.
If countries also cancel oil and gas projects that are further along in development but are not yet producing, they face more risk. We found that 12% of those projects worldwide are protected by investment treaties, and their investors could sue for $32 billion to $106 billion.
Canceling approved projects could prove exceptionally risky for countries like Kazakhstan, which could lose $6 billion to $18 billion, and Indonesia, with $3 billion to $4 billion at risk.
Canceling coal investments or fossil fuel infrastructure projects, like pipelines and liquefied natural gas terminals, could lead to even more claims.
Countries already feel regulatory chill
There have been at least 231 ISDS cases involving fossil fuels so far. Just the threat of massive payouts to investors could cause many countries to delay climate mitigation policies, causing a so-called “regulatory chill.”
Both Denmark and New Zealand, for example, seem to have designed their fossil fuel phaseout plans specifically to minimize their exposure to ISDS. Some climate policy experts have suggested that Denmark may have chosen 2050 as the end date for oil and gas extraction to avoid disputes with existing exploration license holders.
New Zealand banned all new offshore oil exploration in 2018 but did not cancel any existing contracts. The climate minister acknowledged that a more aggressive plan “would have run afoul of investor-state settlements.” France revised a draft law banning fossil fuel extraction by 2040 and allowing the renewal of oil exploitation permits after the Canadian company Vermilion threatened to launch an ISDS case.
Securing the green energy transition
While these findings are alarming, countries have options to avoid onerous legal and financial risks.
The Organization for Economic Cooperation and Development is currently discussing proposals on the future of investment treaties.
A straightforward approach would be for countries to terminate or withdraw from these treaties. Some officials have expressed concern about unforeseen impacts of unilaterally terminating investment treaties, but other countries have already done so, with few or no real economic consequences.
For more complex trade agreements, countries can negotiate to remove ISDS provisions, as the United States and Canada did when they replaced the North American Free Trade Agreement with the United States-Mexico-Canada Agreement.
Additional challenges stem from “sunset clauses” that bind countries for a decade or more after they have withdrawn from some treaties. Such is the case for Italy, which withdrew from the Energy Charter Treaty in 2016. It is currently stuck in an ongoing ISDS case initiated by the U.K. company Rockhopper over a ban on coastal oil drilling.
The Energy Charter Treaty, a special investment agreement covering the energy sector, emerged as the greatest single contributor to global ISDS risks in our dataset. Many European countries are currently considering whether to leave the treaty and how to avoid the same fate as Italy. If all country parties to a treaty can agree together to withdraw, they could collectively sidestep the sunset clause through mutual agreement.
The global transition
Combating climate change is not cheap. Actions by governments and the private sector are both needed to slow global warming and keep it from fueling increasingly devastating disasters.
In the end, the question is who will pay – and be paid – in the global energy transition. We believe that, at the very least, it would be counterproductive to divert critical public finance from essential mitigation and adaptation efforts to the pockets of fossil fuel industry investors whose products caused the problem in the first place.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Petição- Travar o Tratado que bloqueia o Acordo de Paris
O Tratado da Carta da Energia (TCE) constitui uma perigosa ameaça para o clima, por outorgar às empresas petrolíferas, de gás e de carvão o direito de processarem estados num sistema de justiça privada, quando estes tomam medidas em prol do clima, que possam afectar os seus lucros esperados.
O TCE protege excessivamente o investimento directo estrangeiro das empresas de combustíveis fósseis, através de um sistema de justiça privada (ISDS) que se sobrepõe aos estados e às leis nacionais, e tem feito os governos pagarem milhares de milhões de dólares em indemnizações quando tentam proteger o ambiente ou defender os seus cidadãos da pobreza energética.
O mais recente exemplo em que o TCE é usado contra legislação em favor do clima, é o processo arbitral apresentado pela gigante de energia alemã RWE, devido à decisão do governo holandês em Dezembro de 2019, de proibir até 2030 a produção de energia a partir do carvão. Por essa mesma razão, a empresa Uniper Benelux ameaçou interpor um processo judicial contra o governo holandês, exigindo uma indemnização de mais de mil milhões de euros.
O TCE tem potencial para bloquear a acção climática dos governos, pois basta a ameaça de recurso ao mecanismo ISDS associado a este tratado, para intimidar os governos na tomada de medidas de redução da utilização de combustíveis fósseis (o conhecido chilling effect). Esse foi o caso da Lei francesa para pôr fim à exploração de combustíveis fósseis.
Com este tratado, não são as empresas poluidoras quem têm de pagar à sociedade pelos danos ambientais provocados: ao invés, são elas que exigem indemnizações pagas pelos contribuintes se os governos ousarem agir para proteger o ambiente.
Além disso, o TCE é incompatível com o Acordo de Paris, porque actualmente protege muitíssimo mais emissões do que as possíveis para a UE cumprir o seu orçamento para alcançar o alvo de 1,5ºC. No TCE, estão já protegidas, no período de 2018 até 2050, 148 Gigatoneladas de CO2 ou equivalente. Ora, para evitar uma subida de 1,5ºC, o volume total de emissões associado à UE é de 30 Gigatoneladas – ou seja, a União Europeia apenas poderia emitir 20% das emissões actualmente protegidas pelo TCE.
Por tudo isto,
- a Comissão Europeia, que apresentou uma proposta de reforma no início de 2020, considera agora o tratado ultrapassado e incompatível com o Acordo de Paris - nomeadamente no que toca às cláusulas de protecção dos investidores, alterações climáticas e transição para energias renováveis - e já pôs publicamente a hipótese de abandonar o TCE.
- o Parlamento Europeu aprovou uma histórica alteração à Lei do Clima, incluindo a cláusula: "pôr fim à protecção dos investimentos em combustíveis fósseis no contexto da modernização do Tratado da Carta da Energia" (Emenda 143/Artigo 8º-A).
- 428 cientistas e líderes climáticos apelaram em carta aberta aos estados signatários do Tratado da Carta da Energia que se retirem do TCE, por se tratar de um importante obstáculo a uma transição energética que evite a dependência dos combustíveis fósseis.
- 30 milhões de Jovens europeus enviaram aos ministros do Conselho uma carta pedindo-lhes que se retirem do TCE.
- a Federação Europeia para as Energias Renováveis aderiu ao pedido de retirada da UE do TCE, declarando que o TCE protege os investimentos em combustíveis fósseis e impede os objectivos do Pacto Ecológico Europeu e as metas do Acordo de Paris.
- o Grupo de Investidores Institucionais sobre Alterações Climáticas apelou aos membros do Conselho da UE para apoiarem o fim da protecção dos investimentos fósseis.
O processo de modernização em curso revelou-se um fracasso e a urgência da acção climática não se compadece com o prolongamento desse processo, já que a unanimidade exigida é inatingível quando grandes produtores de combustíveis fósseis dele fazem parte.
Por tudo isto, os peticionários apelam a que:
- seja realizado um debate no Plenário da Assembleia da República sobre as barreiras do TCE para a concretização dos objectivos de Portugal em termos de neutralidade carbónica;
- o Governo de Portugal se una publicamente ao Governo de França no pedido que este fez à Comissão Europeia para que trabalhe no sentido de uma saída coordenada dos Estados-Membros da UE do Tratado da Carta da Energia e que deixe de ser cúmplice das empresas de carvão, petróleo e gás que bloqueiam a transição para um sistema de energia limpa.
Saiba mais: https://energy-charter-dirty-secrets.org/pt/
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Tratado da Carta da Energia - É um perigo para o combate às alterações climáticas, para o ambiente em geral e para as finanças públicas dos países envolvidos
O Tratado Carta da Energia é um acordo de investimento envolvendo vários países europeus e da Ásia central. Não existe nenhum acordo responsável por tantos casos ISDS conhecidos como o Tratado da Carta da Energia. É um perigo para o combate às alterações climáticas, para o ambiente em geral e para as finanças públicas dos países envolvidos.
Em Dezembro de 1994, em Lisboa, sem um debate público significativo, entrou em vigor um obscuro acordo internacional, o Tratado da Carta da Energia (TCE), que estabelece um quadro multilateral para a cooperação transfronteiriça no sector da energia. O tratado cobre todos os aspectos das actividades comerciais relacionadas com o sector energético, incluindo comércio, transporte, investimentos e eficiência energética. Inicialmente, no final da Guerra Fria, o TCE visava integrar os setores energéticos dos estados do bloco de leste em dissolução, com amplos recursos energéticos e a necessitar de investimento, e os da Europa Oriental, a precisar de diversificar as suas fontes de energia, em mercados europeus e mundiais mais amplos. Hoje, o TCE aplica-se a quase 50 países que se estendem desde a Europa Ocidental até à Ásia Central e ao Japão.

O tratado tem como objectivo estimular os investimentos estrangeiros diretos e o comércio transfronteiriço global. No entanto, atualmente não há evidências de que o acordo facilite o investimento ou reduza o custo da energia. Como se verá, outros interesses contrários aos da generalidade dos cidadãos movem os proponentes deste acordo.
O tratado é juridicamente vinculativo e inclui procedimentos de resolução de disputas entre investidor e estado (ISDS), que são a pedra angular do TCE. As cláusulas de ISDS do TCE dão aos investidores estrangeiros no setor de energia amplos poderes para processar diretamente os estados em tribunais internacionais constituídos por três advogados privados que desempenham o papel de árbitros. Através deste mecanismo as grandes empresas podem receber do estado quantias exorbitantes como indemnização por acções governamentais que alegadamente prejudiquem os seus investimentos, seja diretamente por meio de expropriação ou indiretamente por legislação. Até hoje os governos foram ordenados ou concordaram em pagar mais de 46 mil milhões de euros em indemnizações.
Nenhum acordo de comércio no mundo desencadeou mais ações judiciais entre investidor e estado (ISDS) do que o TCE com mais de 114 reivindicações apresentadas sob o tratado, e a tendência é de crescimento pois pelo menos 75 foram registadas desde 2013. O TCE é ainda o único tratado em vigor no qual os estados da Europa Ocidental adotaram mecanismos de ISDS com países exportadores de capital. É também o único acordo que permite arbitragens ISDS contra a UE como um todo.
O mecanismo de ISDS previsto no tratado tem inúmeras lacunas que beneficiam as grandes empresas em relação aos interesses do estado e dos cidadãos. Entre elas estão a permeabilidade aos interesses de escritórios de advocacia e fundos de investimento que potencialmente beneficiam de decisões favoráveis às grandes empresas.
Os escritórios de advocacia são os principais impulsionadores do aumento dos casos ISDS ao abrigo do TCE sendo que apenas cinco escritórios de advocacia estiveram envolvidos em quase metade de todos os processos que se sabe envolverem o TCE. Vários altos funcionários do Secretariado do TCE estiveram em escritórios de advocacia antes e/ou depois de trabalharem no Secretariado. Uma vez que a mesma pessoa pode atuar como árbitro e advogado em diferentes casos, há preocupações crescentes sobre conflitos de interesse.
Os fundos de investimento estão cada vez mais estabelecidos em arbitragens de TCE. Esses fundos de investimento financiam os custos legais em disputas entre investidor e estado em troca de uma percentagem da indemnização concedida.
Além destas lacunas, graças à definição excessivamente ampla de “investidor” e “investimento” do TCE, os estados podem ser efetivamente processados por investidores de todo o mundo, incluindo por investidores de países que não tenham ratificado o TCE através de empresas de fachada.
Em Março de 2018, o Tribunal de Justiça da UE decidiu que os casos ISDS entre investidores da UE e estados da UE (a maioria dos casos do TCE) ao abrigo de tratados bilaterais violam a lei da UE ao sobreporem-se aos tribunais da UE e dos seus estados. O mesmo argumento também poderia ser aplicado ao TCE.
O TCE tem sido uma ferramenta poderosa para desencorajar os governos de medidas de transição para energias menos poluentes. A reivindicação de 1,26 mil milhões de euros da gigante energética Vattenfall aos padrões ambientais de uma central de energia a carvão na Alemanha forçou o governo local a flexibilizar a legislação para resolver o caso. A companhia de petróleo Rockhopper reivindica centenas de milhões de euros de hipotéticos lucros que um campo de petrolífero poderia ter feito se a Itália não tivesse proibido novos projetos de extração de petróleo e gás na costa. O tratado tem também efeitos negativos no custo da energia para os cidadãos. Sob o TCE, a Bulgária e a Hungria foram processadas para indemnização na casa das centenas de milhões, em parte por prejudicar os grandes lucros da energia e pressionar por menores preços da eletricidade. Muitos processos judiciais sob o tratado permanecem em sigilo. Para outros, há pouca informação disponíveis.
Enquanto a década passada assistiu a uma grande oposição aos ISDS em outros acordos internacionais de comércio e investimento, o TCE conseguiu evitar surpreendentemente essa indignação pública.
No entanto, ativistas, investigadores e parlamentares começam a fazer perguntas críticas sobre a ECT. Uma colaboração entre cidadãos, juristas, parlamentares, tribunais e governos pode estar em formação, que poderá acabar com o TCE. Os acordos e as ações judiciais de investidores que o TCE possibilitou também podem ser objeto de processos por parte de tribunais da UE. Mais países podem seguir o exemplo da Rússia e da Itália, que já saíram do TCE.
A pressão sobre o TCE pode conduzir a alterações no TCE que atenuem os seus problemas. O Conselho da União Europeia anunciou a 15 de Julho que autorizou a Comissão Europeia a entrar negociações em nome da UE para modernizar o Tratado da Carta da Energia à luz de “crescentes preocupações legais e políticas” sobre o TCE.
O Conselho diz que o TCE modernizado deveria “reafirmar explicitamente” o direito dos estados para tomar medidas legítimas de política pública, tais como proteção da saúde, segurança, meio ambiente ou ética pública, bem como proteção social ou do consumidor.
Também deve ser esclarecido que as disposições de proteção do investimento não podem ser interpretadas como um compromisso das partes de não alterar suas leis.
O acordo modernizado deve fornecer definições claras de investimento e investidores – excluindo explicitamente os investidores que carecem de “atividades comerciais substantivas” no país de origem, para esclarecer que “as empresas de fachada” não podem trazer reivindicações sob o TCE.
Para que estas medidas paliativas se concretizem é preciso que os legisladores sintam que a indignação do público é real e que pesa mais que os interesses das grandes empresas. Mais do que nunca é importante pressionar.
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domingo, 21 de julho de 2019
When Alexandria Ocasio-Cortez met Greta Thunberg: 'Hope is contagious'
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One is America’s youngest-ever congresswoman, the other a Swedish schoolgirl. Two of the most powerful voices on the climate speak for the first time
Alexandria Ocasio-Cortez enters a boardroom at her constituency office in Queens, New York, after a short delay which, a political aide hopes, hasn’t been caused by a constituent waylaying her in the corridor. (“They can get really excited to meet her.”) Greta Thunberg is in her home in Sweden, her father testing the technology for the video link while the teenager waits in the background. The activists have never met nor spoken but, as two of the most visible climate campaigners in the world, they are keenly aware of each other.
Thunberg, now 16, catapulted to fame last year for skipping school every Friday to stand outside the Swedish parliament, protesting against political inaction over the climate crisis and sparking an international movement, the school strike for climate, in which millions of other children followed suit. Ocasio-Cortez, the Democratic Representative for New York’s 14th congressional district is, at 29, the youngest woman ever to serve in Congress, whose election over a well-funded incumbent in 2018 was a huge upset to politics-as-usual. She has been in office for less than a year, which seems extraordinary given the amount of coverage she has generated. In February, Ocasio-Cortez submitted the Green New Deal to the US House of Representatives, calling for, among other things, the achievement of “net-zero” greenhouse gases within a decade and “a full transition off fossil fuels”, as well as retrofitting all buildings in the US to meet new energy efficient standards.
The Green New Deal, while garnering support from Democratic presidential candidates Elizabeth Warren, Kamala Harris and Amy Klobuchar, was mocked by speaker Nancy Pelosi (“the green dream or whatever they call it”), and defeated in the Senate by Republicans. Like Thunberg, however, Ocasio-Cortez gives every appearance of being galvanised by opposition, and has the kind of energy that has won her 4.41 million Twitter followers and makes establishment politicians in her path very nervous.
In the course of their conversation, Ocasio-Cortez and Thunberg discuss what it is like to be dismissed for their age, how depressed we should be about the future, and what tactics, as an activist, really work. Ocasio-Cortez speaks with her customary snap and brilliance that, held up against the general waffle of political discourse, seems startlingly direct. Thunberg, meanwhile, is phenomenally articulate, well-informed and self-assured, holding her own in conversation with an elected official nearly twice her age and speaking in deliberate, thoughtful English. They are, in some ways, as different as two campaigners can get – the politician working the system with Washington polish, and the teenager in her socks and leggings, working from her bedroom to reach the rest of the world. There is something very moving about the conversation between these young women, a sense of generational rise that, as we know from every precedent from the Renaissance onwards, has the power to ignite movements and change history.
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quarta-feira, 10 de julho de 2019
Se cada país tivesse o tamanho da poluição que produz e o nome do seu produtor?
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| Fonte e notícia aqui |
Um dos mais sérios entraves à consciencialização sobre a crise climática que vivemos terá a ver com a dificuldade que enquanto indivíduos temos para perceber o impacto de cada acção, de cada pessoa ou de cada país. No meio das notícias diárias sobre plástico nos Oceanos, directivas europeias e promessas de transição energética, tudo se torna ambíguo e, portanto, mais difícil de compreender a sua relação directa com as consequências.
É verdade todas as nossas acções têm uma consequência no Planeta Terra, que o plástico é um dos resíduos mais poluentes do planeta levando à morte de animais marinhos, mas não é claro que seja essa a causa da crise climática. Para sermos precisos, entendamos que neste caso estamos perante dois problemas distintos: a poluição e a contaminação com plásticos de um lado, a crise climática e o aquecimento global de outro — podendo tocar-se no momento da produção, visto que o plástico pode ser produzido a partir de materiais como o carvão ou gás natural.
Portanto, por muita palhinha ou plástico do uso único que consigamos evitar nos próximos tempos graças à legislação que se avizinha, no global continuaremos com o outro problema por lidar, aquele cujas consequências se tornam visíveis a cada imagem viral de um urso polar desorientado, a cada desastre natural desproporcional, em momentos de seca ou em ondas de calor. Esse problema é o do aquecimento global que se caracteriza em grande parte pela acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera terrestre, provocando uma escalada da temperatura média do planeta — e nesse caso, os responsáveis são num número muito mais reduzido. Na realidade, desde 1988, apenas 100 empresas contribuíram para a emissão de mais de 70% de todos os gases com efeito de estufa (GEE).
Para nos dar uma ideia dessa realidade e mostrar a proveniência dos poluentes, Jordan Engel, criou um projecto cartográfico onde situa cada um dos donos das empresas no seu país de origem, redimensionando o país em função do seu impacto global na emissão de GEE. O resultado é um mapa com 100 nomes distribuídos por uma série de países que se confundem com a lista das pessoas mais ricas do mundo que, em conjunto, detém o monopólio da exploração de recursos naturais, beneficiando do estatuto para acumular fortunas difíceis de imaginar.



Engel defende, numa publicação no blogue Decolonial Atlas (onde primeiramente publicou o mapa), que estas deviam ser as pessoas realmente responsabilizadas pelo aquecimento global por continuarem a alimentar as suas fortunas e as suas empresas com modelos de negócios extractivos e penalizadores para o ambiente, sem usarem o seu poder para provocar qualquer mudança.
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domingo, 7 de julho de 2019
8 Mitos sobre Refugiados que é Urgente Desconstruir
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| Fonte: Amnistia Internacional |
Mito 1. OS REFUGIADOS ESTÃO TODOS A FUGIR PARA A EUROPA! FACTO: A maioria dos refugiados foge para países vizinhos. Os que mais acolhem refugiados são a Turquia (3,7 milhões), o Paquistão (1,4 milhões), o Uganda (1,2 milhões), o Sudão (1,1 milhões) e a Alemanha* (1,1 milhões). Os países considerados desenvolvidos acolhem apenas 16% dos refugiados.
Mito 2. NÃO É URGENTE. A CRISE JÁ PASSOU! FACTO: A população refugiada sob a proteção do ACNUR praticamente duplicou desde 2012 e a tendência tem sido para o aumento destes números. Registavam-se em junho de 2019: 70,8 milhões de deslocados; 25,9 milhões de refugiados (incluindo 5,5 milhões de palestinianos refugiados); 20,4 milhões de refugiados sob a proteção do ACNUR; 3,5 milhões de requerentes de asilo; 41,3 milhões de deslocados internos; 2,9 milhões de pessoas retornados aos seus países de origem; 138.600 crianças sem acompanhamento ou separadas das suas famílias; Quase metade dos refugiados são menores de 18 anos; 37 mil novos deslocados a cada dia de 2018; 67% dos refugiados são originários de 5 países: 6,7 milhões da Síria; 2,7 milhões do Afeganistão; 2,3 milhões do Sudão do Sul; 1,1 milhão do Myanmar; Quase 1 milhão da Somália. (Números do ACNUR de junho de 2019 – https://www.unhcr.org/globaltrends2018/)
Mito 3. JÁ HÁ TANTOS EM PORTUGAL! FACTO: No quadro do programa de recolocação e reinstalação do governo, que terminou em março de 2018, Portugal acolheu (de dezembro de 2015 a março de 2018) 1552 refugiados, distribuídos por 99 municípios. No entanto, 768 abandonaram o país e apenas 79 voltaram a Portugal. Ou seja, 45% dos refugiados que foram acolhidos já não se encontram no nosso território.
Mito 4. ELES VÊM PARA USUFRUIR DOS NOSSOS BENEFÍCIOS E PARA ROUBAR OS NOSSOS EMPREGOS! FACTO: Os refugiados ao abrigo do programa de recolocação e reinstalação têm apoio de instituições que recebem, maioritariamente, financiamento europeu. Cada refugiado adulto recebe 150 euros por mês. Este programa de apoio do governo dura 18 meses, findos os quais os refugiados devem tornar-se autónomos e sem precisar de qualquer apoio do governo, o que aconteceu em 42% dos casos, em 2018. No final de 2018, 48% dos refugiados já estavam integrados em formação profissional, ensino superior ou emprego. Todos os estudos indicam benefícios económicos para os países de acolhimento: verifica-se um aumento das receitas fiscais líquidas, sobretudo quando os refugiados optam por ficar a residir no país de acolhimento, que compensa os gastos públicos aplicados no ano da chegada. © Amnesty International
Mito 5. A EUROPA DEVE REFORÇAR AS SUAS FRONTEIRAS PARA EVITAR A IMIGRAÇÃO E AS MORTES! FACTO: Não está provado que a construção de muros e diminuição de meios de busca e salvamento contribuam para impedir a entrada de pessoas. Não é a existência de operações de busca e salvamento no mar que atrai mais pessoas. Pelo contrário, chegaram mais pessoas à Europa e registaram-se mais mortes nas alturas em que os programas de busca e salvamento tinham menos meios à sua disposição, documentaram académicos europeus.
Mito 6. OS REFUGIADOS FAZEM VIAGENS PERIGOSAS POR ESCOLHA PRÓPRIA E/OU POR INCONSCIÊNCIA! FACTO: Os refugiados fogem do terror, da miséria e de guerras. Ninguém colocaria a sua vida e a da sua família em risco se não fosse impossível ficar nos locais de onde fogem, especialmente sabendo o que poderão enfrentar na viagem: Travessias marítimas ou terrestres extremamente difíceis com risco de morte; Espancamentos, maus tratos, violações e assassinatos perpetrados por traficantes (a quem têm de pagar somas avultadas) e por algumas autoridades; Permanências longas (muitas das vezes duram anos) em campos sobrelotados, sem condições de acolhimento dignas (abrigos em tendas durante o Inverno, escassas condições de saneamento, de acesso a alimentação e cuidados de saúde, agressões e violações); Condições de acolhimento e integração nem sempre adequadas, com pouco dinheiro para usarem no quotidiano, barreiras linguísticas e culturais, burocracias a nível da documentação, falta de reconhecimento das qualificações (o que dificulta o emprego); Discriminação e xenofobia em alguns países de acolhimento que degeneram em ameaças e ofensas (muitas das vezes graves) físicas e psicológicas Muitos destes desafios e obstáculos acabam por incentivar muitos refugiados e requerentes de asilo a abandonarem o país de acolhimento. Em 2019, 559 pessoas tinham perdido a vida no Mediterrâneo ou estavam desaparecidas.
Mito 7. NÃO QUERO APOIAR A INTEGRAÇÃO DE REFUGIADOS PORQUE ASSIM AS PESSOAS MAIS NECESSITADAS EM PORTUGAL FICARÃO SEM AJUDA! FACTO: Muitas das associações que prontamente se disponibilizaram para apoiar a chegada de refugiados são as mesmas que já ajudam outros grupos vulneráveis da sociedade portuguesa. Os fundos canalizados para esses fins não são divididos ou substituídos por outros destinados a outras necessidades. Na verdade, vêm de outras fontes de financiamento, especialmente da União Europeia. Na solidariedade não existe competitividade.
Mito 8. DE QUALQUER FORMA, NÃO POSSO FAZER NADA! FACTO: De facto, pode fazer alguma coisa: Assine e partilhe as nossas petições, especialmente o nosso Manifesto https://www.amnistia.pt/peticao/eu-acolho/ Participe na nossa ação Love not Walls, através da qual pretendemos ultrapassar o número de quilómetros do muro que está a ser construído entre os EUA e o México, em https://lovenotwalls.amnistia.pt * Por lapso, os dados da Alemanha não foram incluídos na primeira publicação. Atualização efetuada no dia 25 de junho de 2019.
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sábado, 27 de abril de 2019
ISDS, o Tr(i)unfo das Multinacionais
Vendo o vídeo, fica a pergunta: quem foram os responsáveis por dar às multinacionais este Tr(i)unfo?
As votações dos eurodeputados a respeito dos acordos comerciais com o Canadá e Singapura, que incluía o sistema ICS, que mais não é do que um ISDS maquilhado, pode ajudar a dar a resposta.
Em traços largos, CDS, PSD, PS (com a excepção de Ana Gomes), PDR e MPT votaram a favor, enquanto CDU e BE votaram contra tratados que instituem estes sistemas.
Na Assembleia da República, CDS, PSD e PS (com a excepção de Paulo Trigo Pereira) votaram a favor do acordo com o Canadá, BE, PCP, PEV e PAN votaram contra.
É importante fazer deste um tema relevante do debate para as europeias, para que os eurodeputados saibam que não queremos tribunais ao serviço das empresas multinacionais.
Divulga e assina a petição Direitos Humanos primeiro, Justiça igual para todos!
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terça-feira, 10 de julho de 2018
As florestas tropicais perderam 40 campos de futebol de árvores por minuto em 2017
Além de causas naturais como os furacões ou os incêndios, os autores de um novo estudo mundial atribuem a perda de área florestal a práticas como a agricultura, a exploração mineira, a extracção ilegal de madeira ou as plantações de óleo de palma.
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O ano de 2017 foi o segundo pior ano de que há registo (imediatamente atrás de 2016) no que à redução de florestas tropicais diz respeito, com 15,8 milhões de hectares de árvores devastados, segundo novos dados obtidos por satélite da Universidade de Maryland revelados nesta quarta-feira.
No total, as florestas tropicais de todo o mundo sofreram uma perda de cobertura vegetal de 15,8 milhões de hectares – que praticamente corresponde à área geográfica do Bangladesh –, divulgou em comunicado o World Resources Institute, de acordo com dados do Global Forest Watch, uma ferramenta de monitorização das áreas florestais em tempo real. Posto de outra forma: o equivalente a perder cerca de 40 campos de futebol (0,73 hectares por campo) de árvores a cada minuto, durante um ano.
Apesar de esforços no sentido da reflorestação e dos alertas dos ambientalistas, as perdas superam os ganhos e o abate de árvores nos principais países tropicais tem vindo a aumentar exponencialmente nos últimos 17 anos (o estudo analisou dados entre 2001 e 2017). As causas são, por um lado, desastres naturais como incêndios e tempestades tropicais – cuja frequência e severidade estão directamente relacionadas com as alterações climáticas, e por outro, as actividades humanas que continuam a causar um desflorestamento em larga escala.
A Colômbia foi um dos países mais afectados, com mais 46% de área florestal devastada face ao ano anterior, registada maioritariamente em três províncias do país: Meta, Guaviare e Caquetá (parte da região amazónica colombiana). E se o acordo estabelecido em 2016 entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) trouxe paz ao país, trouxe também aspectos negativos. De acordo com os investigadores, a ex-guerrilha mantinha um controlo rígido daquelas áreas e impunha limites à exploração dos recursos para fins comerciais, pelo que a desmobilização das FARC permitiu o acesso a zonas anteriormente remotas e conduziu à apropriação e limpeza ilegal dos terrenos por outros grupos armados, que agora são utilizados para outros fins como a plantação de cocaína, a extracção de madeira e mineral e a criação de gado. Face a um pedido de reforço das medidas de combate à desflorestação na Amazónia pelo Supremo Tribunal Federal (a mais alta instância do poder judiciário brasileiro), o Governo colombiano mostrou-se empenhado: anulou o projecto de uma auto-estrada que ligava a Venezuela e o Equador; expandiu a área do Chiribiquete National Park (parque natural em Guaviare) em mais de um milhão de hectares; e lançou uma iniciativa chamada "Green Belt" para proteger e reflorestar uma área de 9,2 milhões de hectares.
O Brasil registou a maior perda de área florestal em 2016 mas foi no ano seguinte que a Amazónia sofreu o maior número de incêndios desde 1999, que levaram a uma redução de 31% das florestas e contribuíram para o aumento das emissões de dióxido de carbono. Um ciclo vicioso, uma vez que a falta de árvores aliada às alterações climáticas e à acção humana aumentam a prevalência de períodos de seca que, por sua vez, tornam os terrenos mais vulneráveis aos fogos. A falta de fiscalização e a instabilidade política e económica que assolou o Brasil nos últimos tempos, assim como a desvalorização por parte do actual Governo em relação às políticas de conservação ambiental poderão estar na base deste problema, dizem os investigadores.
Indonésia, um caso de sucesso
A Indonésia, por outro lado, tornou-se o exemplo a seguir. Viu a sua perda de floresta diminuir em 2017, com um declínio de 60% no que diz respeito às florestas primárias (as florestas antigas que mantém o seu estado natural sem sinais de exploração), com algumas províncias de Samatra como excepção à regra. Os cientistas atribuem estes resultados a uma moratória nacional, em vigor desde 2016, sobre a drenagem das turfeiras (zonas de solos orgânicos com elevada concentração de humidade e dióxido de carbono) levadas a cabo pelos agricultores nas últimas décadas por causa das plantações de óleo de palma. Nestas zonas, a perda de florestas primárias diminuiu 88% entre 2016 e 2017, atingindo o nível mais baixo de sempre. Além disso, em 2017 não houve sinais do El Niño (fenómeno cíclico de aquecimento das águas do oceano Pacífico), o que proporcionou condições mais húmidas e menos incêndios.
Na República Democrática do Congo, a perda de cobertura vegetal aumentou 6% desde 2016, devido essencialmente à agricultura, extracção ilegal de madeira para fins artesanais e a produção de carvão. A intensificação das práticas agrícolas faz com que os períodos de pousio sejam cada vez menores, o que dificulta a regeneração natural da vegetação. Já nas Caraíbas, os furacões que assolaram a região em 2017 (Irma e Maria), causando a morte a várias pessoas e inúmeros danos materiais, também tiveram impacto negativo nas florestas daquela região, com a Ilha Dominica (conhecida como "a ilha da Natureza") a registar uma diminuição de 32% na sua área florestal. Porto Rico viu a sua área verde reduzida em 10% com perdas significativas na Floresta Nacional de El Yunque.
"A principal razão pela qual as florestas tropicais estão a desaparecer não é um mistério: vastas áreas continuam a ser desflorestadas para soja, carne bovina, óleo de palma, madeira e outros produtos comercializados globalmente", disse Frances Seymour, porta-voz do World Resources Institute citada pelo diário britânico Guardian. "Grande parte dessa limpeza é ilegal e está ligada à corrupção", acrescentou. Apenas 2% do financiamento internacional para o combate às alterações climáticas é direccionado para a preservação das florestas. "Estamos a tentar apagar um incêndio em casa com uma colher de chá", disse Seymour. Perante os resultados, os investigadores alertaram para o facto de a biodiversidade estar também em risco. As florestas tropicais são ainda fundamentais na regulação do clima e para a qualidade da água e do ar, sendo que o abate de árvores leva à libertação de dióxido de carbono de volta para a atmosfera. De acordo com estimativas do diário New York Times, a desflorestação é responsável por mais de 10% das emissões de dióxido de carbono todos os anos. O mesmo jornal avança que, nesta semana, ministros de várias nações reúnem-se em Oslo para debater formas de intensificar os esforços de conservação das florestas tropicais em todo o mundo.
Texto editado por Maria Paula Barreiros
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quinta-feira, 14 de junho de 2018
Poema da Semana - A Verdadeira Liberdade, por Fernando Pessoa
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| Igor Morski 1960 - Polish Surrealist Illustrator |
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância...
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?
Álvaro de Campos, in "Poemas (Inéditos)"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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terça-feira, 12 de junho de 2018
Encontramo-nos agora, onde duas estradas divergem - por Rachel Carson
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"Encontramo-nos agora, onde duas estradas divergem. Mas, ao contrário das estradas no poema familiar de Robert Frost, elas não são igualmente equiparáveis. A estrada que há muito viajamos é enganosamente fácil, uma super-autoestrada suave sobre a qual progredimos com grande velocidade, mas no final disso jaz um desastre. A outra bifurcação da estrada - a menos explorada - oferece a nossa última, a nossa única chance de alcançar um destino que assegure a preservação da terra ".- Rachel Carson, em "Primavera Silenciosa"
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sábado, 22 de julho de 2017
Campanha "Cowdfundind" - Ajude-nos a manter o Algarve Livre de Petróleo [PT | EN]
Muito obrigado pelo seu apoio!
Ajude-nos a manter o Algarve Livre de Petróleo.
Video da campanha (English subtitles)
Contact us Algarve Free of Petroleum Platform
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sexta-feira, 9 de junho de 2017
Os nossos oceanos, o nosso futuro
Até hoje, dia 9 de Junho, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, participa na Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas, em Nova Iorque. O tema da conferência é «Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Desenvolvimento Sustentável 14». O objectivo 14 da agenda consiste na «Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável», num conjunto de 17, a serem implementados até 2030.
Ana Paula Vitorino participa ainda, à margem da ordem de trabalhos da conferência, em vários encontros bilaterais com os seus homólogos e com o sector empresarial, nomeadamente com a Câmara de Comércio Americana, com a AICEP/Portugal, e com a CLIA – Cruise Lines International Association.
A delegação portuguesa participante na conferência inclui a Responsável pela Estrutura de Missão da Extensão da Plataforma Continental, Isabel Botelho Leal, o Director-Geral das Politicas do Mar, Fausto Brito e Abreu, a presidente da Associação dos Portos de Portugal, Lídia Sequeira, e o Director Regional para os Assuntos do Mar dos Açores, Filipe Porteiro.
A Comissão Europeia enviou João Aguiar Machado, Director-General, Directorate General for Maritime Affairs and Fisheries, que já teve oportunidade de intervir nesta conferência, conforme mostra esta foto.
Mais participantes cuja presença e intervenção não tem sido referida pelos nossos media de referência incluem: a Santa Sé, o WWF, o príncipe do Mónaco, o Banco Europeu de Investimento, a Agência Internacional de Energia Atómica, e a Universidade de Victoria (Canadá).
Curiosidade: na cerimónia de abertura, Guterres citou Vergílio Ferreira. E Ana Paula Vitorino recebeu um certificado do Ocean 8 pela cooperação internacional no Ocean Science.
Refira-se que, no âmbito deste objetivo 14, Portugal está empenhado em 11 iniciativas:
- Interações atlânticas: uma agenda estratégica de investigação integrando espaço, energia-clima, oceanos e ciências de dados através da cooperação Norte-Sul / Sul-Norte
- Criar um sistema de avaliação e acompanhamento do Fundo Azul que está alinhado com o objetivo 14.
- Promover e apoiar a criação de uma rede forte de investigação e inovação marinha e marítima, através da criação de um cluster de tecnologia portuária em Lisboa e do Observatório Atlântico, nos Açores, com um foco no Norte e do Sul
- Promover e aumentar o investimento público em projetos voltados parta a conservação da biodiversidade marinha em 2 milhões de euros.
- Reduzir a captura excessiva e devoluções de peixe ao mar
- Trabalhar a nível regional, no âmbito da Convenção OSPAR, com vista a reduzir o lixo marinho no Atlântico
- Reduzir a poluição marinha através do desenvolvimento de plataformas tecnológicas e ferramentas que promovam a economia circular do mar
- Promover políticas públicas e aumentar a consciência internacional sobre a importância do oceano e da Saúde Humana
- Desenvolver Planos de Ordenamento do Espaço Marítimo que cobrem a toda área sob jurisdição nacional, usando abordagens baseadas nos ecossistemas
- Proteger pelo menos 14% das zonas costeiras e marinhas sob jurisdição nacional
- Expandir o projeto «A Pesca por um mar sem lixo» a todos os portos de pesca no continente português
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terça-feira, 6 de junho de 2017
As 24 cidades que vão desaparecer em Portugal por causa de aquecimento global (com video)
Não há como negar e as evidências são cada vez maiores! O aquecimento global está a provocar o degelo do Ártico e a subida do nível médio da água do mar. Sendo Portugal um país com uma frente marítima imensa e com a população a concentrar-se especialmente no litoral, são muitas as cidades em risco de ser inundadas, em maior ou menor escala, total ou parcialmente.
A situação é bem mais grave e séria do que se pensa. O degelo do Ártico está a avançar a um ritmo mais rápido do os cientistas calcularam inicialmente. Uma subida de 3, 4 ou 5 ºC causada pelo aquecimento global pode levar a um aumento de até 7 metros no nível da água do mar.
As imagens apresentadas neste artigo foram feitas tendo como previsão um aumento de 7 metros, algo que pode acontecer até 2050.
Confira 24 cidades que irão desaparecer por causa do aquecimento global:

1. Vila Real de Santo António
2. Faro
3. Olhão
4. Portimão
5. Lagos
6. Tróia
7. Setúbal
8. Costa da Caparica
9. Barreiro
10. Moita
11. Montijo
12. Peniche
13. Nazaré
14. Figueira da Foz
15. Montemor-o-Velho
16. Ovar
17. Espinho
18. Aveiro
19. Matosinhos
20. Vila do Conde
21. Póvoa de Varzim
22. Esposende
23. Viana do Castelo
24. Caminha
Fonte: Vortex Magazine, Dezembro, 2016
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