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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Live Nation, dona da Meo Arena Condenada: O Escândalo de Monopólio e o Crime Ambiental que a Indústria da Música Tenta Esconder


A Live Nation, a maior promotora de espetáculos do mundo e detentora da maior empresa de venda de bilhetes, a Ticketmaster, foi condenada por um júri norte-americano por ter estabelecido um monopólio ilegal no mercado da música ao vivo. Poderá ter de pagar uma multa avultada ou separar-se mesmo da empresa de bilhética. A empresa vai recorrer.

A Live Nation, a maior promotora de música do mundo e em Portugal dona da Meo Arena, em Lisboa, foi formalmente condenada por um júri norte-americano por ter estabelecido um monopólio ilegal no mercado dos eventos ao vivo.

A Live Nation e a Ticketmaster, gigante da bilhética adquirida pela Live Nation em 2010, foram levadas a tribunal por mais de trinta estados norte-americanos, que conseguiram demonstrar ao júri do caso de que a empresa violou leis de direito à concorrência.

De acordo com esses mesmos estados, a Live Nation - que em Portugal assumiu também o controlo da promotora Ritmos e Blues - recorreu a ameaças contra artistas e salas de espetáculos para que recorressem aos seus serviços, retaliando quando não o faziam - excluindo, por exemplo, certas salas de algumas das digressões mais lucrativas que promoveu.

Multa ou separação
Segundo noticia a imprensa norte-americana, a Live Nation poderá, agora, ser condenada a pagar uma multa avultada ou, em último caso, a separar-se da Ticketmaster. Em comunicado citado pela “Rolling Stone”, a promotora afirmou que o veredicto do júri não constitui “a última palavra neste caso”, prometendo recorrer da decisão. O caso poderá vir a arrastar-se, nos tribunais, durante anos.

Já Stephen Parker, diretor executivo da National Independent Venue Association, que representa salas de espetáculos independentes nos Estados Unidos, exigiu a separação da Live Nation e da Ticketmaster. “Não deviam ser responsáveis por mais de 50% das digressões”, afirmou à revista norte-americana. “As indemnizações pagas aos estados devem ser entregues às salas de espetáculos, promotoras, festivais independentes e aos fãs, que há 15 anos que sofrem com este monopólio”.

Sem acordo
No início de março, uma semana após o início do julgamento, a Live Nation anunciou ter chegado a acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, comprometendo-se a pagar uma indemnização no valor de 200 milhões de dólares e a permitir que a Ticketmaster passe a poder ser utilizada por plataformas concorrentes.

Porém, apenas sete desses estados aceitaram o acordo oferecido pelo Departamento de Justiça, com os restantes a decidir continuar com o caso.


O julgamento também ganhou contornos políticos, com a Live Nation a pedir à administração Trump para que interviesse no caso. O “Wall Street Journal” escreveu que o presidente tomou parte em algumas discussões pré-acordo.

Em Portugal, a Live Nation é promotora de alguns dos maiores espetáculos do ano, como os dois concertos de Bad Bunny no Estádio da Luz, em maio, ou os recentes espetáculos de Rosalía na Meo Arena.

Impacto Ambiental
A Live Nation é frequentemente criticada pelo impacto ecológico das digressões globais ("Stadium Tours"), que geram emissões massivas de CO2 devido ao transporte de toneladas de equipamento e deslocações aéreas.

Greenwashing vs. Ação 
A empresa lançou a plataforma Green Nation,  prometendo reduzir emissões em 50% até 2030 e eliminar plásticos de uso único. 
Charter de Sustentabilidade da Live Nation para veres as promessas oficiais (como a redução de 50% nas emissões até 2030).
No entanto, críticos argumentam que estas medidas são insuficientes face à escala do desperdício gerado em festivais e à logística global que a empresa incentiva para manter o seu domínio.

Por outras palavras, enquanto a empresa instala painéis solares nalguns recintos, o seu modelo de negócio baseado na exclusividade e em "mega-festivais" aumenta a pegada carbónica per capita comparado com concertos locais menores.

1. O Estudo do MIT (Janeiro de 2026)
Recentemente, o MIT (Climate Machine) publicou aquela que é considerada a primeira avaliação abrangente das emissões da música ao vivo nos EUA e no Reino Unido, com o apoio da própria Live Nation e de bandas como os Coldplay.

O que diz: o estudo revela que as emissões não vêm apenas do palco, mas de decisões logísticas.
Dados: as viagens dos fãs representam entre 62% (EUA) e 77% (Reino Unido) das emissões totais de um evento.

2. O Peso do "Scope 3" (Emissões Indiretas)
A Live Nation foca-se muito no "Scope 1 e 2" (emissões diretas dos seus recintos), mas especialistas em sustentabilidade apontam que o verdadeiro impacto está no Scope 3:
Logística Global: a promoção de mega-digressões mundiais exige o transporte de centenas de toneladas de aço, luzes e ecrãs em aviões de carga e dezenas de camiões.
Resíduos Sólidos: estudos citados pela Greenly indicam que a indústria de eventos gera cerca de 1.2 mil milhões de toneladas de CO₂ anualmente. Festivais de grande escala (como os geridos pela Live Nation) produzem, em média, 100 toneladas de resíduos por dia.

3. O Impacto da Tecnologia (NFTs e Streaming)
Embora menos visível, a Live Nation explorou o mercado de bilhetes NFT e colecionáveis digitais. Estudos da Digiconomist mostram que a infraestrutura de blockchain para estes ativos (dependendo da rede utilizada) pode ter um consumo energético equivalente ao de pequenas cidades, algo que colide com as metas ambientais da empresa.

Links e Recursos Sugeridos para Aprofundar:
Estudo MIT Climate Machine:
Relatório sobre Emissões da Música ao Vivo (Análise do impacto real).
Carbonmark:
Análise da pegada de carbono da indústria de eventos.
The Guardian: Frequentemente publicam investigações sobre o lixo deixado em festivais geridos por grandes promotoras [como este sobre progressos ecológicos destes eventos na Austrália]

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Principais Críticas ao Mercado Voluntário de Carbono


Avançou no Público, que o Mercado Voluntário de Carbono português passará a estar, finalmente, operacional a partir desta sexta-feira, com a publicação da primeira metodologia nacional entretanto aprovada pela Agência para o Clima (ApC).

Porém há muitas críticas
  1. Adicionalidade duvidosa

  2. Medição, Monitorização e Permanência

    • Medir de forma confiável a redução ou remoção de carbono (especialmente em projetos florestais) é complexo: é necessário estimar cenários futuros (“o que teria acontecido sem o projeto”), considerar vazamentos (emissões que migram para outros lugares) e riscos como incêndios, degradação ou reversão. 

    • A permanência também é um problema: por exemplo, florestas usadas para créditos podem ser cortadas ou queimar no futuro, liberando o carbono “sequestrado”. 

  3. Transparência e Governança Fraca

    • Falta de transparência nos preços: muitas revendedoras (“resellers”) não divulgam suas margens nem quanto do valor dos créditos vai para os projetos e comunidades locais.

    • Ausência de regulação forte: como é um mercado voluntário, não há um regulador central forte (ou padronização global), o que permite práticas divergentes entre diferentes certificadoras e projetos. 

    • Problemas de dupla contagem (“double counting”): em alguns casos, o mesmo crédito pode ser reivindicado por mais de uma parte, o que enfraquece a confiança no impacto real.

  4. Risco de “Greenwashing”

    • Empresas podem usar créditos para aparentar ação climática (“net zero”) sem fazer reduções reais — simplesmente comprando créditos para compensar emissões, em vez de reduzir suas próprias emissões. 

    • Há casos em que empresas fazem alegações vagas (“carbon neutral”, “Paris aligned”) que são difíceis de verificar e podem enganar consumidores. 

  5. Qualidade dos Créditos

    • Alguns créditos são de baixa qualidade ou inflacionados: por exemplo, projetos de fogões limpos (“cookstove”) foram recentemente criticados por superestimar seus benefícios climáticos por um fator muito alto. 

    • Segundo a Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM), uma parte significativa de metodologias (por exemplo, de energia renovável) não atende critérios recentes de integridade (“Core Carbon Principles”), especialmente no que toca à additionalidade. 

  6. Volatilidade de Mercado e Risco Financeiro

    • Os preços dos créditos podem ser altamente voláteis, o que dificulta o planeamento para compradores e desenvolvedores de projetos. 

    • A liquidez pode ser limitada, porque o mercado é fragmentado (muitos padrões, muitos tipos de crédito, muitos intermediários). 

  7. Impactos Sociais e Ambientais Não Intencionais

    • Alguns projetos podem ter consequências negativas para comunidades locais: por exemplo, projetos florestais podem deslocar populações ou gerar conflitos de uso da terra. 

    • A equivalência entre carbono biológico (florestas) e carbono fóssil nem sempre é realista: créditos baseados em florestas (ciclo rápido de carbono) podem não compensar totalmente as emissões fósseis (ciclo lento), especialmente se haver risco de reversão. 

  8. Incentivos Pervertidos

    • Há perverse incentives: quanto mais emissões, mais procura por créditos, mais lucro para quem vende créditos. Isso pode levar a uma lógica onde emissores grandes preferem continuar poluindo e “compensar”, em vez de reduzir. 

    • Também há críticas de que a existência de um mercado voluntário pode desviar o foco de políticas mais rígidas de regulação (por exemplo, impostos sobre o carbono, metas de redução obrigatórias). 

  9. Credibilidade e Reputação

Conclusão Crítica

  • Não é tudo “golpe”, mas há riscos reais: muitos críticos não rejeitam totalmente o VCM, mas pedem reformas — mais transparência, padrões mais rigorosos, verificação independente, regulação.

  • Complemento, não substituto: para muitos analistas, os créditos voluntários devem ser usados além das reduções diretas, não como a única estratégia.

  • Governança é chave: com a criação de órgãos como o ICVCM (Integrity Council), há movimento para tornar o mercado mais confiável, mas ainda há muito trabalho.

sábado, 25 de outubro de 2025

Impactos Ambientais da Inteligência Artificial

  1. Consumo energético elevado

  2. Uso intensivo de água

    • O resfriamento dos servidores de IA requer grandes quantidades de água. 

    • De acordo com a OCDE, a produção de chips (parte essencial da IA) também usa muita água durante a fabricação.A Greenpeace estima que os data centers consumiram cerca de 175 mil milhões de litros de água em 2023, e que esse valor pode mais do que triplicar até 2030. 

  3. Emissões de gases de efeito estufa (GEE)

    • O aumento do consumo de energia de data centers alimentados por combustíveis fósseis leva a mais emissões de CO₂. 

    • No relatório da OECD, é sublinhado que tanto a operação (uso) quanto a produção de hardware contribuem para as emissões de GEE. 

  4. E-lixo (resíduos eletrónicos)

    • Há previsão de grande crescimento no lixo eletrónico por causa da IA: um estudo indicou que até 2030 podem ser geradas entre 1,2 a 5 milhões de toneladas métricas de e-lixo associadas à IA. 

    • Isso vem tanto do crescimento dos data centers (e necessidade de mais hardware) quanto da renovação frequente de componentes especializados (como GPUs).

  5. Efeitos indiretos (“rebote” / paradoxos)

    • Há risco de efeito rebote: a eficiência proporcionada pela IA (ex: otimização de processos) pode paradoxalmente levar a um aumento do consumo geral se incentivar mais uso ou produzir novas demandas. 

    • Ou seja, nem sempre “IA mais eficiente” significa menos impacto ambiental — depende muito de como a tecnologia é usada e escalada.

  6. Impactos na saúde pública

    • A pegada ambiental da IA (especialmente emissões e uso de energia) também pode afetar a saúde pública: um estudo aponta que a operação dos data centers pode emitir poluentes que têm custo em termos de saúde (ex: partículas, poluição do ar). 

    • Esses custos de saúde podem afetar desproporcionalmente comunidades mais vulneráveis. 


Estudos específicos de impacto

  • Um artigo recente avaliou todo o ciclo de vida dos modelos de linguagem (incluindo produção de hardware): estimou-se, por exemplo, 493 toneladas métricas de CO₂ emitidas e quase 2,8 milhões de litros de água consumidos durante o desenvolvimento/treino. 

  • Também há uma análise ética (“elemental ethics”) que discute como a extração de minerais para hardware e o uso de água impactam comunidades locais. 


Conclusão com base nas fontes

  • Os impactos ambientais da IA são reais e significativos, especialmente no que toca a energia, água e resíduos eletrónicos.

  • No entanto, não é tudo negativo: se bem gerida, a IA pode ajudar em soluções ambientais (monitorização, otimização energética, agricultura, etc.).

  • É importante haver transparência, regulamentação e estratégias para mitigar esses impactos: por exemplo, adoção de energia renovável, design de data centers mais eficientes e políticas de reciclagem de hardware.

Artigos académicos








sábado, 19 de julho de 2025

Jeffrey Sachs: Eu avisei que algo estava chegando e agora está aqui


Contexto e mensagens principais

  1. Advertências anteriores
    Sachs já vinha alertando que tensões geopolíticas (como a expansão da NATO e rivalidades entre EUA, China e Rússia) estavam criando uma conjuntura de risco. Ele diz agora que “isso já está aqui” — possivelmente referindo-se a crises económicas, conflitos regionais, ou tensões globais mais agudas.

  2. Papel crítico da NATO e dos EUA
    Em declarações recentes (até fevereiro de 2025), ele criticou a ampliação da NATO como um catalisador para a guerra na Ucrânia e tensão com a Rússia. Ele defende que foi um erro estratégico e um dos fatores centrais do conflito Visão multipolar

  3. Nos últimos meses, Sachs defendeu uma ordem mundial menos centrada nos EUA, pedindo que a Europa e outros países adotem independência nas suas políticas — buscando mediação como China, e falando de uma “Europa livre” da influência norte-americana 

  4. Críticas específicas
    Ele chegou a sugerir que o Nord Stream poderia ter sido sabotado pelos EUA, e acusou Washington de planejar ações em áreas como Irão, Israel e outros pontos sensíveis — chegando a falar sobre um "plot" (conspiração) envolvendo EUA e Israel e avisando sobre risco de uma guerra com o Irão


🧭 E agora? O que significa “está aqui”?

Na minha interpretação, com base no que Sachs disse:

  • Crise nas grandes potências – Tensões entre EUA, China e Rússia intensificadas em domínios militares, económicos e diplomáticos.

  • Escalada económica – Guerra económica, disrupções energéticas, instabilidade financeira global — efeitos que Sachs vinha prevendo.

  • Possibilidade de conflitos regionais – Com foco em Irão, Oriente Médio, Taiwan, Ucrânia.


✅ Conclusão

Sim — Sachs estava alertando há meses para crises profundas, e agora afirma que já as estamos sentindo. O seu alerta conjunto é sobre:

  • Ampliação da NATO e tensão Rússia‑Ocidente

  • Competição acelerada entre grandes potências

  • Escalada económica e conflitos por energia e influência

sábado, 17 de maio de 2025

Vandalism, with a plan

Figuring out what the thugs are up to so we can stand up to them



It would be tempting to dismiss Trump’s many functionaries as idiots, because many of them are. Here, for instance, is a transcript of leaked audio from a recent staff meeting led by acting FEMA director David Richardson, a man with no experience in disaster management (but who did write what the reliable Kate Aronoff described as a bad autobiographical novel with the inspired title War Story). Anyway, put yourself in the place of the FEMA staff hearing this highly relatable anecdote:

"The other day I was chatting with my girlfriend, she's from Texas. She's got like huge red hair. Like, she's from Texas. And I said something and she said, well, you know, oh, I know what it was. I said, how come it takes so long to drive 10 hours from Galveston to Amarillo? And she said, well, you know, Texas is bigger than Spain. I didn't know that. So I looked at the map. Texas is huge! I mean, if you put it in the middle of Europe, it takes up most of Europe up. However, they do disaster recovery very, very well, and so does Florida, okay. So, we should be able to take some lessons learned on how Florida and Texas do their disaster recovery, we’ve got to spread that around and get other folks do it some way. And there should be some budgeting things that they have, I bet. I bet Governor Abbott has a rainy day fund for fires and tornadoes and disasters such as hurricanes, and he doesn't spend it on something else"

But if there’s endless idiocy at work (some of it as cover—if I was taking flak for my $400 million flying bribe I’d start tweeting about Taylor Swift and Bruce Springsteen too), there’s also a kind of underlying feral cunning. All the stupid stuff heads in the same direction.

For example, the administration last week announced it would get rid of the Energy Star program, which rates various appliances by their efficiency so that consumers (and landlords and building owners) can make wise choices.


“The Energy Star program and all the other climate work, outside of what’s required by statute, is being de-prioritized and eliminated,” Paul Gunning, the director of the E.P.A. Office of Atmospheric Protection, told employees during the meeting, according to the recording obtained by The New York Times. Mr. Gunning’s office itself is also slated for elimination.

This is a program begun by Republicans—former EPA administrator William K. Reilly wrote a fond reminiscence yesterday for the Washington Post, who pointed out that if you were actually worried about, say, waste, then this would be the last program to cut

The program costs $32 million in annual federal outlays to administer but has saved consumers $200 billion in utility bills since 1992 — $14 billion in 2024 alone. The averted air pollution, which was the EPA’s initial objective, has been considerable, equivalent to the emissions of hundreds of thousands of cars removed from the road.

But what if you wanted to burn more fossil fuel? What if you wanted to stretch out the transition to cheap, clean renewable energy? Well then it would make a lot of sense.

Or take yesterday’s news, from EPA administrator Lee Zeldin, vowed that he would eliminate the “start-stop” technology in cars because “everyone hates it.” This feature keeps your car from idling at stoplights—when you tap the accelerator the car turns back on. It’s not mandatory for carmakers, and drivers can turn it off with a button. But, as Fox News points out,

The feature can improve fuel economy by between 4% and 5%, previous EPA estimates showed. It also eliminated nearly 10 million tons of greenhouse gas emissions per year as of 2023

Meanwhile, energy secretary Chris Wright, according to excellent reporting in Heatmap News today, is taking federal money designed to convert a steel plant to electricity and hydrogen and instead using it to convert the steel plant to…the fossil fuel it’s already using. The company, its CEO explained, is working with the Department of Energy to “explore changes in scope to better align with the administration’s energy priorities,” and those priorities, of course, are to use more energy.

Occam’s Razor, I think, would lead us to say that many things the Trump administration does are simply designed to waste energy, because that is good for the incumbent producers, i.e. Big Oil. That’s not a particularly sophisticated rule for understanding their actions, but remember: Trump was bankrolled by the fossil fuel industry, and that industry has always wanted us to waste energy. Remember all that endless Trump nonsense about low-flow shower heads? They cut the use of hot water by about forty percent. Ditto incandescent bulbs, which use 75-90 percent more energy, and which Trump is trying to bring back. It’s strange to be pro-waste, but there you are. This administration is garbage in every way.

That all of this costs consumers money is obvious—but we don’t really pretend to care about consumers any more. Remember: two dolls and five pencils apiece. No, the ultimate customer for the Trump administration is the oil industry. And really for the GOP as a whole: it became increasingly clear this week that the Republican Congressional majority is all too willing to gut the IRA, even though that will come at a big price to consumers, in its effort to help Big Oil.

And Big Oil is in trouble. Power demand in New England hit an all time low in late April, because so many homes now have solar panels on top. In, um, Saudi Arabia solar arrays are springing up left and right. Bloomberg’s David Fickling chronicles the “relentless” switch towards spending on clean energuy, albeit too slowly to hit the most important climate targets. A new global poll of business executives found that 97 percent were eager to make the switch to renewable energy for their companies, on the grounds that

Electricity is the most efficient form of energy, and renewables-generated electricity a value-add to businesses and economies. In many countries, fossil fuels, with their exposure to imports and volatility to geopolitical shocks, are a liability. For business, this isn’t just inconvenient. It’s dangerous. Volatility drives up costs, turns strategic planning into guesswork and delays investment.

That’s how sensible people with sensible goals—like making their businesses work, think. But it’s exactly the opposite of how our government now imagines its role. The DOE put their strategy pretty plainly in a filing to the Federal Register yesterday: their goal, they said, was “bolstering American energy dominance by increasing exports and subsequently the reliance of foreign nations on American energy.” If you’re a foreign government, that about sums it up: either you can rely on the sun and wind which shine on your country, or you can rely on the incredibly unreliable U.S. China, meanwhile, is essentially exporting energy security, in the form of clean energy tech.

So the goal for the rest of us, as we resist Trump and resist climate change, is pretty clear: do everything we can to speed up this transition to clean energy, here and everywhere. Solar works, solar is cheap, and solar is liberating. Courtesy of Johann Saether in Norway, here’s the Sun of the Week, from the global gallery at Sunday.earth, where I hope you’re planning your event for September 21

In other energy and climate news:

+Well, we’re finding out what doesn’t work. The giant “direct air capture” plant in Iceland, designed to filter co2 out of the air, has always been hopelessly expensive. But it also is failing to capture enough carbon dioxide to cover its own emissions—that is, it’s making the problem worse. Reykjavik’s weekly newspaper Heimildin had the data and also the reactions from good people around the world who had signed up to reduce their carbon footprints

“I’m 65 years old and retired when I was 60. One of the things I wanted to do in my later years was reduce my carbon footprint,” says Michael de Podesta, who worked for the UK’s National Physical Laboratory for most of his life, where he studied cold fusion, including debunking it. Michael is one of 21,000 subscribers to Climeworks, but after paying his subscription dutifully for about two years, he began to have doubts. Finally, he wrote on his widely read blog and asked a simple question: Am I a gullible idiot?

“I paid £40 [around 7,000 ISK] a month for fifty kilograms of CO2. I was supposed to get around 600 kilograms a year. I paid them right up until October last year and by then I had paid them to dispose of almost 2.2 tonnes of CO2 and got the tonne for around £800 [135 thousand ISK],” says Michael. He says the project seemed promising at first. He saw coverage of the project in the scientific journal Nature, one of the most prestigious in the world. The science was certainly there: CO2 can be sucked out of the atmosphere and Climeworks’ plans were ambitious.

However, Michael quickly noticed that no matter how much he paid, no CO2 had been captured and disposed of in his name. The math didn’t add up when the energy requirements were examined more closely.

Meanwhile, the project’s Swiss sponsor, Climeworks, told Zurich media yesterday that they were laying off many of their employees, arguing that the problems in Iceland were due to “ice and snow causing certain mechanisms to freeze.”

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Clive Hamilton - I’ve had a long battle with climate despair. Now I’m leaving the ‘denial machine’ to their demons


After years of robust campaigning for climate preservation, writing books on climate change, scores of articles and hundreds of public talks – not to mention serving on the Climate Change Authority, helping set up an international taskforce and running for parliament – I couldn’t take it any more.

I became so despairing about where we were heading and the unwillingness of most to face up to reality that I stopped working on climate change altogether.

In 2010, I argued in my book Requiem for a Species that the world was on a path to a very unpleasant future, that it’s too late to stop it, and that climate scientists themselves are in a state of barely suppressed panic.

The message was met with a wall of silence. Even committed environmentalists didn’t want to hear it.

At a writers’ festival, a well-known scientist took me behind a tent and berated me for taking away people’s hope. “So,” I asked, “are you saying we should lie?”

It was a time when the climate science “denial machine”, imported into Australia from the United States, was just hitting its stride. Its work would give us another lost decade.

Spending my days working on matters unrelated to climate helped, but it could not douse the burning anger I felt towards those who were responsible for preventing any effective response to the scientific warnings.

I knew about the psychological coping strategies we used to manage feelings of anxiety, despondency and grief (I wrote about them in 2010). But how does one cope with the fact there are people in our community who worked doggedly to stop Australia responding to the unfolding crisis and are still at it?
The tide has turned against the deniers, although for most people the full truth is still hard to swallow

My work on climate change, from the first paper in 1996 on the need for a carbon tax to my decision in 2017 to stop, occupies a large share of the memoir I have just written. It was hard to keep bitterness out of the book when naming some of those who actively undermined climate science and blocked every serious abatement policy. Many of them appeared in the lists of the “dirty dozen” I compiled periodically over the years.

In the last couple of years, the tide has turned against the deniers, although for most people the full truth is still hard to swallow. We actually have a government that, for the first time, appears to be serious about reducing emissions.

Nevertheless, after the wasted decades, look at what the climate scientists are now telling us. From the preindustrial benchmark of 280 parts per millions (ppm), the concentration of carbon dioxide in the atmosphere grew to 390ppm in 2010 and then to 420ppm today.

This year the Intergovernmental Panel on Climate Change, an organisation criticised for consistently understating the dangers, concluded that the damaging effects of climate change are mounting much faster than previously reported.

A recent paper in the scientific journal Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America calls for a research program into a “climate endgame”, that is, the possibility of societal collapse and even human extinction. The authors argue that optimistic assumptions about global emission reductions still put us on “dangerous Earth system trajectories”.

The most hopeful case of a 2º C rise above preindustrial levels – now almost certainly out of reach – would lead to a state of the Earth system not seen for more than 2.6 million years.

Even with declining global emissions, feedback effects and tipping points in the climate system could generate greenhouse gas concentrations so high they do not appear in the models. Crossing tipping points – such as melting Arctic permafrost and a halt in the capacity of the oceans to soak up carbon dioxide – could give rise to cascading effects across the linked climatic, ecological and social systems, with calamitous consequences.

In the meantime, our political leaders, even the more enlightened ones, continue with the narrative that promoting economic growth must come first.

A sharp increase in immigration and thus population is promised with no thought to its implications for carbon emissions. Waving the wand of “net zero”, our leaders assure us that technology can deal with rising emissions and take carbon out of the atmosphere. And we can adapt to unavoidable warming. In short, have faith.

Some aren’t buying it.

The grim prognostications of the climate scientists have spread beyond their “holy shit” tête-à-têtes to sections of the wider community, especially young people who have grown up in a warming world.

Tragically, many seem to have accepted that humanity no longer controls its fate. When I interviewed 20 or so young climate activists in 2020, one expressed the feelings of many young activists.

There are people who don’t have much hope for the future … [they feel] massive hopelessness. … Yet the more you show up you get that sense of hope. But will that showing up and acting early be enough to solve the climate crisis? I honestly don’t think so.

While Pakistan sinks under water, Europe contends with a crippling drought, and we in Australia struggle with the practical and psychological fallout of catastrophes such as the black summer bushfires and this year’s floods in New South Wales and Queensland, the people most responsible recede into history. Should we let them?

Some years ago, I suggested Greenpeace should approach primary schools asking them to bury in their playgrounds time capsules containing the names and deeds of the “dirty one hundred”. The capsules could be dug up in 2100 to reveal who was responsible for the state of the Earth.

Perhaps, though, it’s better to leave the perpetrators to their demons. We’re better off devoting our energies to responding to the situation we find ourselves in, especially helping young people learn to thrive as best they can in the world we have left them.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Solana, criptomoeda rival da Ether, é dano colateral do colapso da FTX



A criptomoeda Solana, uma das mais populares no ecossistema mundial dos ativos digitais criptográficos, e um protocolo considerado rival do Ethereum, o segundo mais popular do mundo, está a registar desvalorizações desde que começou a série de eventos que veio dar origem à insolvência da plataforma de corretagem FTX e do hedge fund associado, designado Alameda.

Na terça-feira, dia 8, dia do anúncio da compra da plataforma pela Binance - cancelada um dia depois por diversas inconformidades na gestão dos fundos e pela iliquidez do balanço - o token SOL, do protocolo Solana, valia cerca de 30 dólares, cotando uma semana depois perto dos 15 dólares - isto é, 50% abaixo do valor de há sete dias, segundo a página especializada Coinmarketcap. O valor dos tokens em circulação ronda atualmente os 5 mil milhões de dólares.

Segundo a Reuters, uma das razões desta queda - que, salienta a agência, é muito superior à registada pela Bitcoin e pela Ether na última semana, tendo ambas perdido cerca de 20% do seu valor - deve-se ao facto de a Alameda e a FTX terem um grande número destes tokens como colateral.

Por serem dos criptoativos mais líquidos, as duas entidades terão vendido no mercado um montante significativo destes tokens para garantirem dinheiro fresco de que necessitavam na altura antes da insolvência. Contactadas pela Reuters, nenhuma das entidades confirmou esta possibilidade.

O criador da Solana, Anatoly Yakovenko, anunciou entretanto que tinha uma almofada financeira que permitia à entidade operar por dois anos e seis meses. E que não tinha nenhuns ativos da FTX, ou custodiados na FTX, segundo a Reuters.

Citados pela agência, analistas dizem que este “corte” abrupto com a FTX e com o seu fundador caído em desgraça, Sam Bankman-Fried, pode ser uma bênção, dado o manancial de problemas que a associação ao milionário fundador da FTX poderia significar.

Saber mais

domingo, 30 de janeiro de 2022

Sobre Criptomoedas- Bitmagic


March, 1851. In that month, the Kabylia was shaken by an insurrection; Emperor Tự Đức of Vietnam ordered the execution of Christian priests; a concordat in Spain entrusted the Catholic Church with control of education and the press; Rigoletto by Giuseppe Verdi was staged at the La Fenice in Venice. Nobody paid much attention to what happened in Chicago on 13 March. London for one was busy preparing for the Great Exhibition, while the debate over abolition was raging in the US itself. What had happened on that day in the Windy City? The first forward contract had been signed for 3,000 bushels of grain (a bushel was roughly equivalent to a hectolitre) to be delivered the following June. This agreement signalled the dawn of the futures market, which came to play host to a whole range of derivatives, eventually becoming the dominant instrument of international finance (and indeed its curse). In 2019, 33 billion derivative contracts were registered around the world amounting to a total value of $12 trillion (though their nominal value was $640 trillion).

158 years later, on 3 January 2009, another event went unnoticed, one perhaps of similar historical consequence to that exchange on the shores of Lake Michigan: the first cryptocurrency, Bitcoin, was created. Recall that it had been just over three months since the bankruptcy of Lehman Brothers on 15 September 2008, which triggered the most acute financial crisis since 1930, a crisis caused by derivatives (in this case, subprime mortgages).

That the creation of the first completely virtual currency in history went unnoticed is understandable: the planet had substantially bigger fish to fry. But the absence of political reflection on this new financial product became more and more inexplicable as the number of cryptocurrencies soared, and as their capitalization transformed them into a new branch of global finance equipped with its very own diminutive: DeFi (decentralised finance). According to CoinMarketCap, as of 16 November there were 14,289 cryptocurrencies in existence. The total capital of the companies that created them exceeds $2,600 billion: Bitcoin’s value stands at $1,138 billion, whilst Ethereum’s is $503 billion. In an editorial from September, The Economist observed that the volume of transactions overseen by Ethereum alone in the second quarter of this year amounted to $2,500 billion, equal to the value of Visa’s quarterly worldwide transactions.

Perhaps it’s this maelstrom of billions and trillions that prevents us from grasping the weight of the issue, for numbers of this kind are alien to everyday life; they exist in a stratosphere belonging to the world of magic. In this way, cryptocurrencies become one of the many forms of financial wizardry that determine our lives without us realising (on this numerical rhetoric, see what I wrote in June on the ‘Avalanche of Numbers’).

Yet cryptocurrencies pose a serious political problem, not to mention a theoretical one. Put bluntly, cryptocurrencies constitute an insidious attack on the very idea of the state.

This political import is evident from the growing list of countries that have banned their use: Bangladesh and Bolivia in 2014; Iraq, Morocco and Nepal in 2017; Algeria, Egypt, Indonesia and Qatar in 2018; and most notably China, which declared all transactions with these financial instruments illegal last September. Other states – South Korea, Turkey, Vietnam – have passed partial bans on specific types of transactions. Noticeably, no Western financial power features in this list. Only in September this year did the US make initial moves to regulate the sector, a good twelve years after its emergence.

The fundamental characteristic of cryptocurrency is its absence, at least in theory, of any guarantee from a central authority. Money has always derived its value from a convention based on trust. But this fiduciary quality has taken a radical turn ever since the Bretton Woods system (agreed upon in 1944) pegging the dollar to gold was abandoned in 1971. Since then, currencies have become known as ‘fiat money’, defined as ‘government-issued currency that is not backed by a physical commodity, such as gold or silver, but rather by the government that issued it’. Modern currencies are therefore based on trust in the central authorities that issue them: the Federal Reserve for the dollar, the ECB for the euro, the Bank of England for the pound and so on.

With cryptocurrencies the fiduciary role played by central banks is replaced by the mutual consent of exchanging agents, whose agreement is verified by the algorithms that decipher the double-key encryption in which the currency is codified. This mechanism of exchange and verification is made possible by a database known as the blockchain, a series of transactions represented as blocks, where any given block is marked by the one preceding it in the chain in such a way that it cannot be modified or duplicated. Thus, as The Economist noted, ‘transactions on a blockchain are trustworthy, cheap, transparent and quick – at least in theory’. Conversely, ‘conventional banking requires a huge infrastructure to maintain trust between strangers, from clearing houses and compliance to capital rules and courts. It is expensive and often captured by insiders: think of credit-card fees and bankers’ yachts’. Cryptocurrencies are like chips on a poker table: their worth is assured by an agreement between the players to assign them a particular value.

domingo, 31 de outubro de 2021

Presidente executivo da Web Summit destaca clima e futuro do trabalho na edição deste ano

Paddy Cosgrave considerou que "muita gente se vai interessar pelo período" que se vive relativamente ao meio ambiente.

O presidente executivo da Web Summit destacou o clima e o futuro do trabalho como dois dos temas que estarão em destaque na edição deste ano, que conta com mas de 200 'startups' focadas na sustentabilidade.

Instado a destacar três temas na edição deste ano da cimeira tecnológica, que arranca na segunda-feira, em Lisboa, Paddy Cosgrave considerou que "muita gente se vai interessar pelo período" que se vive relativamente ao meio ambiente.

"Temos mais de 200 'startups' com foco na sustentabilidade, elas estão a fazer tudo o que poderia imaginar" para lidar com tudo, "desde a criação ao consumo de energia e tudo mais", acrescentou.

"Além do clima, energia e meio ambiente, temos também um grande foco na cripto", salientou.

A noite de abertura conta com o fundador da plataforma NFT de criptomoedas e a denunciante do Facebook Frances Haugen.

"E encerramos a Web Summit com uma conversa com Tim Berners-Lee, que criou a 'web', sobre o futuro da 'web' e o papel que a descentralização de protocolos e tecnologias podem desempenhar", acrescentou Cosgrave.

O terceiro tema "que estamos a ver a partir dos dados de todos os nossos participantes é o futuro do trabalho", apontou.

"Temos um novo palco inteiramente dedicado a discussões e debates sobre como o trabalho vai ser no futuro", porque "não acho que tudo venha a ser remoto, mas também não acho que vamos voltar aos velhos tempos", considerou.

Por isso, "o que é que vai funcionar para a maioria dos empregados? E para a maioria das empresas? Acho que isso não está claro e que todos estão a tentar descobrir" e este é um tema do interesse de muita gente, salientou o cofundador da Web Summit.

Este ano, a edição contará com 40.000 participantes porque a prioridade "é a saúde e segurança", afirmou, salientando que a organização trabalhou em "estreita colaboração com a DGS.

"Aprovaram a nossa licença há duas semanas e o principal para a aprovação da licença foi que cumpramos todas as regras e regulamentos que aconselharam, incluindo distanciamento social, incluindo como construímos o espaço, que tipo de espaços usamos", explicou.

"Como consequência, a única maneira de o fazer de forma segura e respeitando todas das regras é aumentar o espaço à disposição de todos. Portanto, este ano a capacidade máxima é de 40.000", disse, apontando que o evento está "muito perto de estar cheio".

Questionado se espera duplicar o espaço para o próximo ano, Paddy Cosgrave disse que sim.

"A menos que haja algo que eu não saiba, a minha expectativa é que o espaço seja duplicado, a construção de espaços para convenções é muito, muito rápida", leva cerca de seis meses para ficar concluída, disse.

Com o aumento do espaço, a organização espera acolher mais de 100.000 participantes

"Não tenho dúvidas de que a Web Summit poderá ter várias vezes o tamanho do que é hoje se tivéssemos mais espaço", salientou.

Na edição deste ano haverá "literalmente milhares de 'startups', 1.500 'startups' farão parte do nosso programa. Várias centenas delas irão aparecer no palco. Acho que há um grupo particular de 'startups' que estão na minha mente, as mais entusiasmantes ou mais importantes", disse, apontando as 200 focadas no clima.

Além disso, a "COP26 [conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas] estará a acontecer ao mesmo tempo. E temos líderes políticos de todo mundo e os maiores poluidores. Não sei por que é que eles estão lá. Esperançosamente, esperam que o acordo seja favorável", comentou.

"Mas na Web Summit temos vários empreendedores que esperam que as suas empresas e as suas inovações venham a ajudar-nos a criar um planeta mais habitável nos próximos anos, um planeta mais sustentável", disse.

Em termos de países, o Reino Unido lidera, apesar do Brexit, seguido da Alemanha, com o Brasil a ocupar o 'top 5' dos países de origem das 'startups'.

"Acho que há um gigante adormecido na América Latina que está lentamente a acordar e as suas 'startups' estão interessadas em conquistar a Europa e estão a vir à Web Summit em números cada vez maiores", contou.

Empresas de Angola, Moçambique e Cabo Verde também participam na edição deste ano.

"Acho que o continente mais desafiante na participação [desde evento] é África por causa das taxas de vacinação", que estão "abaixo dos 5% na maioria dos países, o que torna impossível, na maioria dos casos, as viagens dessas pessoas", lamentou.

Em termos de media, estão registados 1.500. No que respeita à participação por género, "mais de 40% das participantes" e "mais de 30% dos oradores" são do sexo feminino

Sobre a oradora Frances Haugen, denunciante das práticas do Facebook, cujo tema tem estado na ordem do dia, Paddy Cosgrave disse que todos na Web Summit "são crescidos e compreendem que "estas são as conversas" que é preciso ter no evento.

"Acho que os participantes preferem ouvir estas conversas do que demonstrações sem fim de pequenos produtos de tecnologia que podem ou não funcionar", considerou.

Sobre a expansão de eventos além da Web Summit, Cosgrave apontou que na próxima década os maiores mercados de crescimento para a cimeira são a América do Sul, África, Médio Oriente e Ásia.

"Estamos a planear nos próximos três anos começar eventos regionais Web Summit" nestes mercados, apontando que tal deverá arrancar em 2023.

"Se queremos crescer o evento anual, precisamos de ir a mercados onde o potencial de crescimento existe", porque assim é "mais fácil persuadir" as pessoas a apanhar aviões e voar de outras partes do mundo para vir para Lisboa todos os anos, argumentou.

Paddy Cosgrave salienta que se assistiu a mudanças no ecossistema português: primeiro, os empreendedores eram todos homens, o que hoje já não acontece, e eram todos portugueses, o que também já não é verdade.

"Diria que pelo menos um terço, senão metade dos empresários, são de outros países ao redor do mundo que decidiram" vir para Portugal, apontou.

"Acho que uma das mudanças mais surpreendentes é o número de pessoas que abrem empresas em Portugal, o que diz muito", e quando uma empresa nova decide escolher o país para abrir o negócio, isso "enriquece todo o ecossistema".

Sobre a possibilidade de Portugal criar um 'hub' de inteligência artificial (IA), Paddy Cosgrave salientou que esta é uma área que "obviamente vai ter um enorme papel no futuro da medicina, segurança", em quase todos os aspetos da vida das pessoas.

"Portanto, quanto mais Portugal puder fazer para apoiar investigação de ponta e depois ajudar a agrupar empresas líderes no espaço, acho que acaba por ter um efeito cumulativo positivo no ecossistema", defendeu, embora admita que na área da IA ainda há muitas coisas que não são claras.

"Tenho certeza de que há um futuro, é apenas incerto quão grande será esse futuro e quão grande será o papel que terá para Portugal", rematou.

Quanto as expectativas para a edição deste ano, Cosgrave afirmou que nunca viu tantas pessoas "entusiasmadas" com a Web Summit como agora.

"Acho que as pessoas estão simplesmente animadas por estar de volta", disse, esperando que as expectativas delas correspondam à realidade.

"O que é importante para nós (...) é que garantimos o máximo possível que o evento seja seguro" e que "haja café disponível", disse, a sorrir.


"E, depois disso, toda a magia e toda a 'networking' deverá simplesmente acontecer", concluiu Paddy Cosgrave.

domingo, 15 de novembro de 2020

Como sobrevivem os monopólios dos GAFAM

Fonte: aqui

Em 450 páginas e após 16 meses de investigação, o sub-comité para a concorrência do House Judiciary Committee arrasa o domínio monopolista da Apple, Amazon, Google e Facebook (GAFA) e as suas práticas comerciais.

O relatório “Investigation of Competition in the Digital Marketplace: Majority Staff Report and Recommendations” refere como os CEOs das empresas (Jeff Bezos, Tim Cook, Mark Zuckerberg e Sundar Pichai) deram respostas “frequentemente evasivas e indiferentes, levantando novas questões sobre se eles acreditam que estão para lá do alcance da supervisão democrática”.

Apesar das quatro empresas terem algumas diferenças, “analisar as suas práticas de negócios revelou problemas comuns”, refere o sub-comité.

Elas proporcionaram “benefícios claros à sociedade” mas isso “teve um preço. Elas normalmente gerem o mercado ao mesmo tempo que nele competem – uma posição que lhes permite escrever um conjunto de regras para os outros”, sem as aplicarem a si mesmas, ao mesmo tempo que definem “a sua própria quase-regulamentação privada que não é responsável para ninguém, excepto para si mesmas”.

Como existem actualmente, cada uma das empresas “possui um poder de mercado significativo sobre grandes áreas da economia. Nos últimos anos, cada empresa expandiu e explorou o seu poder de mercado de formas anticompetitivas”.

Para os responsáveis do relatório, “a nossa investigação não deixa dúvidas de que há uma necessidade clara e imperiosa para o Congresso e as agências de fiscalização da concorrência tomarem medidas que restabeleçam a concorrência, melhorem a inovação e salvaguardem a nossa democracia”.

O documento apresenta soluções possíveis para “restaurar a concorrência na economia digital, fortalecer as leis da concorrência e revigorar a fiscalização neste âmbito”.

Poder de mercado das GAFA em análise
Em termos de empresas, o relatório analisa com algum detalhes a sua influência no mercado, áreas de negócio e práticas comerciais.

Nesse sentido, a Google “domina de forma esmagadora o mercado das buscas online em geral”, sendo possível que “capture mais de 87% das buscas nos EUA e mais de 92% em todo o mundo”. E apesar das mudanças como a evolução do desktop para os dispositivos móveis, “a Google manteve esse domínio durante mais de uma década”.

Neste espaço de tempo, a empresa “beneficiou das economias de escala e das vantagens de auto-reforço dos dados, bem como das tácticas de negócios agressivas que utilizou em momentos importantes para impedir a concorrência”. Em resultado disso, a Google “desfruta agora de um poder de monopólio durável no mercado das buscas online” e, devido a vários factores, o seu poder é “imune à competição ou ameaça de entrada” de competidores.

Usando a integração e acordos contratuais, a Google usou “o seu domínio nas buscas para promover o uso do seu browser Chrome em computadores pessoais, portáteis e estações de trabalho”, enquanto nos dispositivos móveis, “impôs um conjunto de termos contratuais restritivos exigindo efectivamente que os fabricantes de dispositivos que usavam o seu sistema operativo Android pré-instalassem o Chrome e a Google Search.

Além disso, a Google paga à Apple uma quantia não revelada, estimada em 12 mil milhões de dólares por ano, para garantir as suas pesquisas nos dispositivos iOS”.

Entretanto, a Apple tem um “poder de mercado significativo e durável no mercado de sistemas operativos móveis e nas lojas de aplicações móveis, ambos altamente concentrados”. O seu sistema operativo iOS é um dos dois dominantes, juntamente com o Android da Google, nos EUA e globalmente.

A empresa “instala o iOS em todos os dispositivos móveis da Apple e não o licencia a outros fabricantes de dispositivos móveis”, mantendo um poder de mercado “durável devido aos altos custos de troca, dependência do ecossistema e fidelidade à marca. É improvável que haja uma entrada bem-sucedida no mercado para contestar o domínio do iOS e do Android”.

Quanto à sua App Store, ela “é o único método para distribuir apps de software em dispositivos iOS”, conseguindo uma posição “inatacável” e, segundo o seu CEO, Tim Cook, “a empresa não tem planos para permitir uma loja de aplicações alternativa”.

Este “poder de monopólio na distribuição do software em dispositivos iOS parece permitir que ela gere lucros supranormais da App Store e dos seus negócios em Serviços”. Cook “estabeleceu uma meta em 2017 para duplicar rapidamente o tamanho do negócio dos Serviços até ao final de 2020” mas essa meta foi conseguida em Julho, “seis meses antes do previsto”.

Relativamente ao ano fiscal de 2019, os Serviços conseguiram quase 18% da receita total e “cresceram mais rápido do que os produtos nos últimos anos, aumentando mais de 41% desde 2017”.

A Apple considera o crescimento desta área de negócios como “um factor importante de suporte às margens gerais da Apple, uma vez que as vendas de hardware desaceleraram ou diminuíram”.

O monopólio do Facebook ocorre nas redes sociais, afirma o relatório, onde consegue um “elevado alcance, tempo gasto e significativamente mais utilizadores do que os seus rivais neste mercado”. E apesar das mudanças tecnológicas, “o Facebook manteve uma posição inatacável no mercado de redes sociais durante quase uma década, demonstrando o seu poder de monopólio”, sendo “improvável” que sofra com “a pressão competitiva de novos participantes ou de empresas existentes”.

O mercado das redes sociais tem elevadas barreiras à entrada de concorrentes, “incluindo fortes efeitos de rede, altos custos de troca e vantagem significativa de dados do Facebook”.

A empresa contrariou ainda a concorrência por “uma série de aquisições de empresas que considerava ameaças competitivas e excluiu selectivamente os concorrentes de usarem a sua plataforma para se isolar da pressão competitiva. Juntos, esses factores levaram o mercado de redes sociais a um monopólio”.
Amazon

Por fim, a Amazon.com detém um “poder de mercado significativo e durável no mercado do retalho online dos EUA. A sua quota real (…) nos EUA é desconhecida fora da Amazon porque ela não informa o volume bruto das vendas de terceiros feitas no seu mercado”. A empresa de pesquisa de mercado eMarketer calcula que a quota de mercado da Amazon seja de 38,7% “mas a sua definição de comércio electrónico é excessivamente ampla”.

A estimativa do sub-comité é que possa chegar aos cerca de 50% ou mais nos EUA, uma percentagem “mais fiável ​​do que estimativas mais baixas de 30-40%”.

O poder de mercado vai dos produtos de retalho – incluindo os seus próprios que concorrem com outros que também comercializa – a toda a indústria do livro, incluindo vendas, distribuição e publicação. Só nos EUA, ela “responde por mais da metade das vendas de livros impressos e mais de 80% das vendas de livros electrónicos”.

A Amazon está ainda a ganhar poder de mercado nalguns mercados online “business-to-business” (B2B) através do Amazon Business.

[act.: respostas ao documento pela Apple, Amazon, Google e Facebook

Billion-Dollar Fines Don’t Hurt Tech Giants, Ex-EU Enforcer Says: Silicon Valley is more worried about being forced to change how it does business than mega antitrust fines, according to the European Union official who pushed through landmark decisions against Microsoft, Intel and Google.