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segunda-feira, 1 de junho de 2026

História do naturismo na Alemanha: origens e evolução da Freikörperkultur (FKK)


O naturismo na Alemanha - historicamente designado por Freikörperkultur (FKK) ou "cultura do corpo livre" - não nasceu como uma mera preferência de lazer, mas sim como um movimento social, ético e terapêutico de rejeição aos efeitos colaterais da industrialização acelerada do século XIX.

Integrado no movimento amplo da Lebensreform (Reforma da Vida), o naturismo alemão combateu o sedentarismo urbano, o vestuário vitoriano constritivo e a alienação social, promovendo a regeneração do indivíduo através da luz solar, do ar livre e do desportivismo higienista.

Ensaio histórico: a evolução da Freikörperkultur
1. As origens e a Lebensreform (Finais do Século XIX a 1914)
Na viragem do século XIX para o século XX, a Alemanha viveu uma urbanização fulgurante. Em resposta ao crescimento das metrópoles poluídas e densas, surgiram correntes de medicina natural e higienismo que defendiam a helioterapia (cura pelo sol) e os banhos de ar. A prática da nudez coletiva ao ar livre afirmava-se como uma forma de "des-erotizar" o corpo humano, devolvendo-lhe a pureza natural em harmonia com os elementos da natureza.

Em 1898, fundou-se em Essen o primeiro clube formal de naturismo. Poucos anos depois, a expressão Freikörperkultur tornava-se o estandarte de uma filosofia que unia o vegetarianismo, o exercício físico e o desapego das convenções burguesas.

2. A idade de ouro na República de Weimar (1918–1933)
Foi no período intermédio entre as duas guerras mundiais que a FKK se transformou num movimento de massas. A República de Weimar proporcionou a abertura social necessária para o florescimento de escolas de cultura corporal e parques de ar livre (Freilichtparks).

Nesta época, a FKK dividiu-se em duas grandes correntes sociopolíticas:
  • Corrente Proletária / Socialista- ligada aos movimentos operários e ao Sozialdemokratische Partei Deutschlands (SPD), defendia o naturismo como uma ferramenta de igualdade de classes (sem roupas, desapareciam as marcas de estatuto social) e de emancipação dos trabalhadores.
  • Corrente Völkisch / Conservadora: Assente numa visão romântica da raça e da pureza física, encarava a nudez como um meio de fortalecer a "vitalidade germânica".
3. O Regime Nacional-Socialista (1933–1945)
Com a subida do regime nazi ao poder, a atitude em relação ao naturismo foi ambígua e contraditória. Inicialmente, as organizações de naturismo operário e de esquerda foram banidas e perseguidas. Em contrapartida, certas fações do regime assimilaram a estética do corpo nu e atlético como símbolo da escultura ariana. Em 1942, o regime acabou por regulamentar os banhos nus, permitindo-os desde que isolados do olhar público.

4. A Pós-Guerra: As Duas Alemanhas e a Era Contemporânea
Após 1945, o naturismo seguiu caminhos distintos:
  • Na Alemanha Oriental (RDA): o naturismo teve uma enorme adesão popular, em especial nas praias do Mar Báltico. O regime comunista, após reservas iniciais, acabou por tolerar a FKK, que funcionava para os cidadãos como uma válvula de escape de liberdade individual fora do controlo estatal.
  • Na Alemanha Ocidental (RFA): o movimento reorganizou-se formalmente em 1949 com a criação da Deutscher Verband für Freikörperkultur (DFK)
Hoje, a Freikörperkultur está plenamente integrada na identidade cultural alemã, visível em parques urbanos (como o Englischer Garten em Munique), saunas mistas sem fato de banho e praias dedicadas em todo o país.

Principais Promotores do Naturismo Alemão
  1. Karl Wilhelm Diefenbach (1851–1913): Pintor e reformador social. É considerado o pioneiro espiritual da FKK. Defendeu a nudez, o vegetarianismo e a vida em comunidade ao ar livre na sua comunidade de artistas em Höllriegelskreuth.
  2. Heinrich Pudor (1865–1943): Escritor que cunhou o termo Freikörperkultur em 1902. Publicou a obra seminal de três volumes Nacktkultur (1906), articulando a nudez com a higiene e a reforma social.
  3. Richard Ungewitter (1869–1958): Um dos organizadores e propagandistas mais influentes da fase inicial. Autor da obra Nacktheit (1906), vendeu dezenas de milhares de exemplares promovendo o naturismo como solução para a saúde pública e a regeneração moral.
  4. Adolf Koch (1896–1980): Pedagogista e líder do naturismo socialista durante a República de Weimar. Fundou escolas de cultura física em Berlim onde promovia a ginástica em nudez mista para a classe trabalhadora como forma de higiene corporal e mental.
  5. Alice Bloch (1883–1971) e Bess Mensendieck (1864–1957): Pioneiras na articulação entre o naturismo, a ginástica feminina e a postura física, promovendo o corpo livre de espartilhos e de peias morais.
  6. Hans Surén (1885–1972): Antigo oficial militar que popularizou o naturismo nas décadas de 1920 e 1930 com o livro Mensch und Sonne (1924), vendendo mais de 250 mil exemplares e enfatizando a vertente atlética e ao ar livre.
Referências Bibliográficas
  1. Hau, Michael (2003). The Cult of Health and Beauty in Germany: A Social History, 1890–1930. Chicago: University of Chicago Press.
  2. Jefferies, Matthew (2007).Turning to Nature in Germany: Hiking, Nudism, and Conservation, 1900–1940. Stanford: Stanford University Press.
  3. Ross, Chad (2005).Naked Germany: Health, Race and the Nation. Oxford: Berg Publishers.
  4. Toepfer, Karl Eric (1997). Empire of Ecstasy: Nudity and Movement in German Body Culture, 1910–1935. Berkeley: University of California Press.
  5. Ungewitter, Richard (1906). Nacktheit. Stuttgart: Selbstverlag.
  6. Williams, John Alexander (2007). "The Chaste Yawn of the Nudist: Body Culture and Left-Wing Politics in Weimar Germany". Journal of the History of Sexuality, 16(2), 241-274.

sexta-feira, 20 de março de 2026

The Common Root, The Open Field


The sun is a golden carpenter, planed and raw,
Not a thought of God, just the heat upon the stone.
I see with eyes that have forgotten how to name,
Stripping the silk from the corn, the myth from the bone.
I am the keeper of flocks that are only the passing wind,
Content to let the river be water, and the air be thinned.

And so the valley breathes a deep, fern-scented sigh,
Where ancient hemlocks haunt the mist-drenched floor.
There is a poetry in the granite’s edge, the eagle’s cry,
The rhythmic pulse of the river’s wild and hidden roar.
I see the silver birch’s bark, a lily in the gloom,
And the vast, tangled geometry of the mountain’s room.

Yet, look closer—there is a circuit made of sun, 
Where silent cells weave the carbon from the air. 
The plant is not a thing, but a process, a run
A thinking heart that finds the cosmic everywhere.
The earth is a living being, dreaming in the dark,
Waiting for the human soul to strike the inner spark.

I walk the lanes where a poet lost his mind to find his soul,
Naming every nested bird and the trembling of the rye.
The fences steal the common, but they cannot take the whole
Of the vast, unlettered music of the open summer sky.
The badger in the brake, the lady-smock in the dew—
Simple things are the only things that are ever truly true.

And when the world begins to fray, when the shadows grow too long,
A steady hand reaches out and leads me through the grief.
To love the world is to mourn it, a fierce and ancient song,
Finding the "Great Turning" in the falling of a leaf.
We are the web itself, the pulse of the ancient deep,
Awakening from the long, industrial, lonely sleep.

Finally, there is the white silence of a master’s hand,
Where the word is a body, bare and salt-washed by the sea.
A solar clarity that understands the shifting sand,
And the brief, bright miracle of what it means to be.
Just the earth. Just the light. Just this breath we share—
The common root of everything, blossoming in the air.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Documentário: Young addictions


Está disponível na RTP Play o documentário Young Addictions, que foi dirigido por Alejandra Andrade e Tomás Ocaña, e escrito por Mónica Palomero. Nele recolhi mais uma contribuição, a somar a outras que disponibilizei aqui e aqui, para ilustrar um problema ético de primeira grandeza e de escala global para o qual continuamos cegos, incluindo aqueles de nós que têm responsabilidades educativas.

Refiro-me às estratégias das grandes empresas tecnológicas para tornar os jovens e, mais recentemente, as crianças dependentes dos ecrãs, ao mesmo tempo que os seus donos e funcionários colocam os seus filhos em escolas onde eles não entram.

Essas escolas, cuja imagem de marca é a pedagogia Waldorf, encaixam na ideia comum de escola tradicional e para pobres: salas de aulas convencionais com as mesas dos alunos viradas para a secretária do professor e para o quadro de giz; livros, papel, lápis e outros recursos que se podem manusear; espaço exterior de terra e verde; experimentação de ofícios e artes manuais.

Mas não é só a escola que veda o acesso a ecrãs, também as amas têm de o fazer.

Mais recentemente, a China limitou dentro de portas, para a sua população o uso de uma rede social que criou, incentivando-a fora.

Passo a palavra a alguns dos intervenientes que participaram no documentário

Pierre Laurent (Diretor da Escola Waldorf - Silicon Valley, Califórnia). Este campus está localizado ao funda da rua da Google (…). O Facebook fica a cerca de 10 minutos de distância, A Microsoft a outros cinco minutos e a Apple a 15 minutos. Estamos no coração das grandes empresas de tecnologia. Cerca de 75% dos nossos alunos vêm de uma família em que pelo menos um dos pais trabalha no setor da alta tecnologia. Até aos onze anos de idade, não usamos ecrãs digitais, telemóveis ou computadores. Os alunos não os trazem, nem estão autorizados a tê-los no campus. Dos 11 aos 14 anos podem ter os aparelhos desligados na mochila mas não os utilizam na escola. A partir dos 14 anos podem utilizar alguns computadores, desde que seja de forma produtiva, embora os telemóveis permaneçam nos cacifos durante todo o dia.

Sohe (Aluno da Escola Waldorf). No 7.º ano, quando recebi o meu primeiro telemóvel, tinha 14 anos e era um flip phone, só para telefonar às pessoas (…). Não vejo qualquer utilidade nas redes sociais. Por vezes parece que ficamos um pouco de fora, mas consigo abstrair-me do meu telemóvel

Maia (Aluna da Escola Waldorf). Bem, primeiro comecei por não ter redes sociais para além do Instagram, porque os meus pais me proibiam de o fazer (…). Até hoje, acho-as praticamente inúteis. Posso ficar sem telemóvel durante várias semanas ou meses, sendo que o único problema seria a comunicação com os meus pais ou ir a algum lado que precisasse de utilizar o GPS

Em 2017 enquanto os gurus da tecnologia admitiram proibir as crianças de usar ecrãs, doaram 300 milhões de dólares à Administração Trump para equipar tecnologicamente as escolas New York Times

Robin LeGrand (Diretora da Nanny Connection). Ganhei protagonismo graças aos trabalhadores tecnológicos de Silicon Valley. Eles tendem a ser muito restritivos relativamente aos dispositivos tecnológicos, tanto que no contrato que fazem com a ama há sempre uma cláusula restritiva (…). Estão mais preocupados porque conhecem as coisas viciantes que acompanham os dispositivos. Têm câmaras em casa para poder vigiar tudo, o que também consta no contrato (…). Considero controverso que os funcionários da indústria tecnológica não permitam que os seus filhos usem os dispositivos que desenvolveram. Se sabem que o uso pode ter consequências para os filhos, porque é que estão a desenvolver estas aplicações e dispositivos?

Martha Domínguez (Cuidadora). Assinámos um contrato. Não querem que as crianças utilizem tablets. Não querem que empreste o meu telemóvel às crianças. Dizem que é proibido para os seus filhos, porque não querem que eles fiquem viciados nos tablets. [Somos] muito vigiadas. Existe mesmo uma aplicação para todos os que vivem aqui, chama-se “Neighbours” (…). Tive uma entrevista com uma família Google. A casa deles estava cheia de câmaras (…) os seus cinco filhos foram proibidos de utilizar tablets. Eu disse: “mas se eles trabalham para a Google, porque não ensinam o mesmo aos seus filhos?”

Senado dos EUA, 5 de Outubro de 2021. Chamo-me Frances Haugen. Trabalhava no Facebook. Acredito que os produtos do Facebook prejudicam as crianças, dividem as pessoas e enfraquecem a nossa democracia. A liderança da empresa sabe tornar o Facebook e o Instagram mais seguros, mas não fará as mudanças necessárias porque colocou os seus lucros astronómicos à frente das pessoas. Tenho trabalhado em quatro tipos diferentes de redes sociais, compreendo as complexidades e as nuances destes problemas (…). Pelos nossos filhos, pela nossa segurança pública, pela nossa privacidade e pela nossa democracia

Rob Bonta (Procurador-Geral do Estado da Califórnia) (...). A China impõe restrições à utilização que as crianças chinesas fazem do Tiktok mas estas não estão a ser aplicadas no resto do mundo. Interessa-me saber que razões existem para tal.

domingo, 19 de maio de 2024

Duas coisas devem ser completamente evitadas

Meghan Spielman - Dynamic Hand Woven Textiles

Duas coisas devem ser completamente evitadas durante o treino de ocultismo. Nunca devemos prejudicar ninguém através de atos, pensamentos ou palavras intencionalmente ou não. Em segundo lugar, o sentimento de ódio deve desaparecer em nós, caso contrário ele reaparece como um sentimento de medo; pois o medo é suprimido pelo ódio. Devemos transformar o ódio num sentimento de amor, o amor pela sabedoria.

Fonte: Rudolf Steiner – GA 266 – Lições esotéricas 1: Número 44 – Kassel, 26 de fevereiro de 1909

sábado, 6 de abril de 2024

Música do BioTerra: Pachelbel Canon in D Major - the original and best


Cânone em Ré Maior, é um cânone do compositor alemão Johann Pachelbel. Seu nome original é Cânone e Giga para 3 violinos e baixo contínuo, às vezes também chamado de Cânone e Giga em ré ou Cânone de Pachelbel. Wikipédia

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Poema da Semana - "Nego submeter-me ao medo" por Rudolf Steiner

"Nego submeter-me ao medo,
Que tira a alegria de minha liberdade,
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias. No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo. 
Eu quero viver, não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro.
E não porque encobri meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor.
E não por temer as consequências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só por medo de acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros, pelo medo de que possam impor algo a mim.
Por medo de errar não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de que senão poderia ser ignorado. 
Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim."
Rudolf Steiner

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Jeremy Naydler- The Struggle for a Human Future. 5G, Augmented Reality and the Internet of Things, 2020


E-Livro- download aqui

"Numa investigação feita em 2016 no Reino Unido verificou-se que os adultos passavam em média 54 dias por ano on-line. Em 2006 passavam 42 dias. A tendência é para aumentar, pois “(…) o objectivo das empresas tecnológicas é tornar as interacções virtuais indistinguíveis das reais. O nosso futuro é tornarmo-nos todos “cidadãos digitais”. E à medida que a quantidade de tempo passado on-line aumenta, a quantidade de tempo passada em relação com o nosso meio-ambiente físico diminui. De acordo com o National Trust, em 2016 as crianças britânicas passaram a brincar no exterior metade do tempo que os seus pais passaram. O que estiveram elas a fazer em vez disso? Estiveram a ver filmes ou a jogar jogos de computador. Como, então, podemos esperar que elas cresçam cuidando as criaturas suas companheiras na natureza selvagem, cuidando rãs e aves, esquilos e raposas, montanhas, rios, flores selvagens e florestas? A consequência de despender mais e mais tempo on-line é que o conhecimento das pessoas da, a sensibilidade para com, e a capacidade de se relacionar com a natureza também diminui. Quanto mais nos tornamos “cidadãos digitais”, menos nos sentimos cidadãos do mundo natural"

Sobre o Autor

sexta-feira, 28 de maio de 2021

O que é agricultura biodinâmica?


A agricultura biodinâmica é um método de produção agrícola que relaciona fases da lua e signos do zodíaco.

A agricultura biodinâmica é um modelo de produção agrícola que não utiliza adubos químicos, herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios. Por isso, é muito relacionada e confundida com a agricultura orgânica. O método, criado por Rudolf Steiner em 1924, pode ser entendido como um ramo da antroposofia que pretende entender de maneira mais profunda quais são as relações entre o ser humano, a terra e o cosmos.

A agricultura em si é uma atividade sempre impactante, em maior ou menor grau. Assim, Steiner propôs meios de se restabelecer os equilíbrios rompidos por meio da utilização de preparados biodinâmicos, de maneira que as atividades agrícolas não comprometam todo o sistema. Nesse modelo de agricultura, a propriedade agrícola é vista como um organismo vivo, cuja saúde depende das interações entre os seus elementos dentro e fora da propriedade. Dessa maneira, a biodinâmica procura manter um ciclo de produção que seja condizente com a sua área, as espécies utilizadas e seus ciclos naturais.

O termo “biodinâmico” é composto pelas palavras biológico e dinâmico. A primeira refere-se a uma agricultura inerente à natureza, que impulsiona os ciclos vitais pela adubação verde, compostagem, consórcios, rotações de culturas e integração das atividades agrícolas. A segunda, por sua vez, está relacionada à atuação de forças da natureza, o que, na prática agrícola, ocorre pelo uso de preparados biodinâmicos, do conhecimento dos ritmos astronómicos e da formação da paisagem agrícola.

Signos do zodíaco e fases da Lua
A agricultura biodinâmica relaciona signos do zodíaco e meios de cultivo por meio da utilização de um calendário celestial. De acordo com o biodinamismo, dependendo do signo da época, algumas plantas se desenvolvem melhor que outras. A divisão é feita em quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Os signos de água são mais propícios para plantas em que o caule é utilizado. Os de terra, as raízes; já os de fogo, as frutas; e os de água, as folhas e as flores.

Além disso, as fases da Lua também são levadas em consideração no calendário da agricultura biodinâmica. Agricultores semeiam em lua nova, porque nesse momento a energia da semente está mais interiorizada. Na crescente, a semente começa a se desenvolver; na lua cheia, a planta está em plenitude e, na minguante, é quando eles não podem abusar da colheita.

Adubação biodinâmica
A adubação biodinâmica busca dar condições para que o solo mantenha a sua estrutura, permeabilidade, microbiologia e cobertura de proteção, estando também ligada a uma série de práticas que garantem eficiência da adubação.

Na agricultura biodinâmica, adubos naturais elaborados a partir de plantas medicinais, esterco e silício são preparados e enterrados no solo para serem submetidos às influências da Terra. Eles podem ser pulverizados no solo e nas plantas ou introduzidos em compostos ou em outras formas de adubos orgânicos.

Os preparados são numerados de 500 a 507, como uma forma de facilitar a comunicação internacional. O mais conhecido entre eles é o composto de número 500, que é responsável por auxiliar no desenvolvimento da planta. Segundo agricultores que praticam esse modelo, o preparado é sempre feito no solstício de inverno que é quando as forças de cristalização da terra estão mais acentuadas. Pega-se chifre de animais mortos e coloca-se esterco. Depois, a mistura é enterrada em um buraco para ser desenterrada no próximo solstício.

Segue-se a nomenclatura dos preparados:
500: chifre esterco;
501: chifre sílica;
502: flores de mil-folhas e bexiga de cervo macho;
503: flores de camomila e intestino delgado de bovino;
504: parte aérea de urtiga;
505: casca de carvalho e crânio de bovino;
506: flores de dente-de-leão e mesentério bovino;
507: suco fermentado de flores de valeriana.
Objetivos da agricultura biodinâmica

A agricultura biodinâmica possui diversos objetivos, como:
  • Produzir alimentos de alto valor biológico e nutricional, isentos de produtos tóxicos;
  • Preservar a qualidade do meio ambiente;
  • Elaborar insumos naturais e que não causem prejuízos ao meio ambiente;
  • Valorizar a influência de fenómenos astrológicos na agricultura;
  • Estimular a certificação de produtos biodinâmicos;
  • Contribuir para o bem-estar dos agricultores;
  • Promover a integração entre produtores e consumidores.
Por ser diretamente influenciada por fenómenos astrológicos, a agricultura biodinâmica sofre diversas críticas. No entanto, além de produzir alimentos saudáveis e contribuir para o bem-estar do agricultor, essa prática pode ser considerada sustentável, já que utiliza técnicas benéficas ao meio ambiente.

Referências bibliográficas:

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Desmistificando conceitos: o que é a Antroposofia



A antroposofia foi criada no início do século XX pelo filósofo, educador, artista e esoterista austríaco Rudolf Steiner - também fundador da pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da euritmia. Há até mesmo um Instituto  e uma Faculdade Rudolf Steiner dedicados a disseminar as suas mensagens e ensinamentos.

Segundo a Sociedade Antroposófica do Brasil , ela pode “pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.”

Justamente por ser tão ampla é que ela pode ser aplicada em diversas frentes, como educação, agricultura, arquitetura e até na medicina. A palavra vem do grego e significa “conhecimento humano”, e é feita de conceitos que dizem respeito à capacidade do ser humano moderno de pensar e compreender o mundo.A Antroposofia busca entender a relação que o mundo ao nosso redor exerce sobre nós

Essa busca pela verdade permeia entre a fé e a ciência, mas define basicamente que a realidade é essencialmente espiritual: ajuda-se o indivíduo a superar o mundo material para então entender o mundo espiritual. Esse entendimento é de suma importância pois, segundo a Antroposofia, há um tipo de percepção independente, não atrelado ao seu corpo, que foge do nosso entendimento físico.

Indo além

Para Steiner, o simples fato de termos consciência do nosso pensar - pois sabemos quando estamos pensando - já demonstra que temos acesso à um outro tipo de consciência, incapaz de ser “rastreada” de maneira física. Num exame, por exemplo, você consegue atestar movimentações cerebrais durante o processo do pensamento, mas não consegue capturá-lo em si.

Em seus escritos, o filósofo definiu a corrente de pensamento como "um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo." Portanto, quem está disposto a mergulhar nessa linha, deve saber que seu objetivo principal é “tornar-se ‘mais humano’, ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e ações; ou seja, tornar-se um ser ‘espiritualmente livre’.”

É fato que o estudioso deixou um grande legado para as diferentes áreas citadas no começo dessa matéria, uma vez que os conceitos dessa filosofia podem ser aplicados de diferentes maneiras. Sua obra toda publicada conta com mais de 350 livros, alguns escritos, e outros frutos de suas mais de 6.000 palestras.

Ele chegou até mesmo a ser presidente da Sociedade Teosófica da Alemanha, corrente que “busca o conhecimento da divindade para alcançar a elevação espiritual”. Mas rompeu com o grupo por considerar que os mesmos não tratavam o Cristianismo e a própria figura do Jesus Cristo com a importância que lhe competiam.

Antroposofia e ciência

Uma das grandes expectativas da Antroposofia é que haja uma renovação das pesquisas científicas, ainda assumindo o antropocentrismo (homem no centro de tudo), mas admitindo também a interferência da natureza. Trazer essa espécie de sensibilidade para os estudos mais complexos pode ser muito vantajoso para a ampliação de teorias, sobretudo na produção de novos medicamentos. Com o aumento dos estudos acerca do tema, aumentou-se também as possibilidades de aplicação - uma delas, no campo da saúde.

E pode-se dizer que isso já está sendo feito. A medicina antroposófica, por exemplo, tem ganho cada vez mais terreno e adeptos, e consequentemente estudos voltam-se para ela. Dentro das práticas dessa medicina, estão incluídos processos terapêuticos como massagens, exercícios, acompanhamento psicológico e alguns medicamentos mais naturais.

A existência dessa corrente aplicada às práticas medicinais geram controvérsias e polémicas, pois não há nenhum estudo científico que comprove sua eficácia, somente testemunhos de pacientes e algumas análises clínicas. O indicado é que as técnicas antroposóficas sejam complementares à outros tratamentos. Você confere no vídeo a seguir, feito pela Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, a explicação do médico Bernardo Kaliks sobre um pouco mais desse universo.

Por fim, os antroposóficos insistem que a corrente não é misticismo, ou seja, “baseado em sentimentos e em visões imagéticas sem que sejam acompanhados de um pensamento cognitivo”, mas sim, “fruto de observações permeadas por um pensamento consciente, e é transmitida sob forma de conceitos”.

Ele também não se denomina como religião, não emprega práticas do mediunismo e não possui caráter secreto. A Antroposofia dispensa o que chamam de moralismo, renega a Teosofia (explicada anteriormente) e não pretende ser uma sociedade fechada, mas sim, uma expansão de conhecimento para todos. E você, acredita que fé e ciência podem andar juntos?

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fernando Paiva, o produtor de 74 anos que trocou os sulfitos por flores de castanheiro

Foto e notícia aqui


Fernando Paiva é um produtor de Amarante que nunca entra nas cogitações para os prémios de melhor viticultor, melhor enólogo ou personalidade do vinho que as revistas da especialidade atribuem todos os anos. A sua produção é pequena (este ano, para a sua marca Quinta da Palmirinha, só vinificou 7 mil litros), não pertence a nenhuma “família vintage” (não me lembro de designação mais elitista do que esta criada pela SIC), anda apenas no circuito mais alternativo do sector e não tem nem dimensão, nem margem financeira para investir em publicidade e eventos sociais. Na verdade, é um ilustre desconhecido. No entanto, há poucos produtores em Portugal com a sua ética de trabalho e a sua determinação em fazer vinhos bons, puros e saudáveis, por filosofia e não por mimetismo. Um verdadeiro “senhor do vinho” e um exemplo tanto para quem começa a dar os primeiros passos neste ramo como para quem já é veterano.

Aos 74 anos, continua a ser o único produtor biodinâmico certificado em Portugal. E por estes dias foi notícia por ter sido o primeiro a usar flor de castanheiro nos vinhos em substituição de sulfitos, o conservante mais usado na indústria vinícola. Com idade para se reformar, parece um jovem sempre disposto a dar um novo passo em frente, na ânsia apenas de fazer vinhos ainda melhores e mais puros.

Já vamos à flor de castanheiro, mas antes vale a pena recordar a sua “história”. Fernando Paiva é um produtor tardio. Tinha 56 anos quando decidiu olhar com mais interesse para os cerca de 3,5 hectares de vinhas que havia herdado dos pais. Acabara de se reformar como professor de História e de Português em Amarante e, após ter participado numa formação, em Celorico de Basto, com um dos gurus da agricultura biodinâmica, o francês Pierre Masson, ficou sensibilizado para a possibilidade de passar a produzir uvas e vinhos num ambiente mais natural, holístico e saudável. No início, teve dúvidas. Questionava-se sobre se a agricultura biodinâmica poderia ser generalizada ao ponto de poder assegurar a alimentação da humanidade. Mas acabou convencido.

Em 2007, depois de alguns anos de aprendizagem, começou a fazer biodinâmica a sério, respeitando todos os preceitos filosóficos e agrários desta corrente. Desde o uso dos famosos preparados 500 (um punhado de bosta que é usado no solo para aumentar a vida microbiana e facilitar a absorção dos minerais por parte das videiras) e 501 (uma mão cheia de cristais de quartzo moídos que são enterrados num corno de vaca desde a Páscoa até ao Outono e que, pulverizado sobre a vinha, depois de ser agitado numa grande quantidade de água durante uma hora, ajuda à frutificação e à maturação dos cachos), à aplicação de macerações hidroalcoólicas de folhas de consolda, urtiga, cavalinha e eucalipto para aumentar a resistência das videiras a certas doenças. Também povoou a quinta de galinhas, para irem oxigenando a terra e comendo as ervas infestantes, e instalou colmeias, para tirar partido do efeito polinizador das abelhas. E passou a respeitar o calendário desenvolvido por Maria Thun com as actividades que devem ou não devem ser realizadas em cada dia do ano, de acordo com as energias cósmicas que chegam à Terra.

A agricultura biodinâmica não se consegue explicar e justificar com o rigor da ciência. É algo mais do domínio da filosofia e da religião: acredita-se ou não. Apesar de ser agnóstico, Fernando Paiva acredita. Uma coisa é certa: todas as experiências conhecidas mostram de forma inequívoca que as vinhas tratadas de forma biodinâmica se tornam mais saudáveis.

Por consequência, os vinhos tendem a ficar também mais puros. Acontece que o caderno de encargos dos vinhos biodinâmicos permite, por exemplo, a aplicação até 120 mg de sulfitos em cada litro de vinho. É um valor muito alto. Num vinho normal, metade desta dose pode ser suficiente. 

Fernando Paiva sempre usou menos. Mas só o facto de ter de usar sulfitos (dióxido de enxofre) colidia de algum modo com o seu afã de fazer vinhos cada vez mais puros e saudáveis. Quando, há três anos, ouviu na rádio que o Instituto Politécnico de Bragança estava a testar em queijos um produto natural feito a partir da flor de castanheiro que conseguia os mesmos efeitos antioxidantes e antimicrobianos dos sulfitos, ligou logo à investigadora responsável, Isabel Ferreira, a propor-lhe experimentar o produto também nos vinhos. O desafio foi aceite e nesse ano Fernando Paiva fez 100 litros com flor de castanheiro. Gostou do resultado e em 2016 experimentou em 600 litros. Em 2017 passou para três mil e na última vindima usou flor de castanheiro no vinho todo.

É num castanheiro situado junto a uma das suas vinhas que, pelo mês de Julho, Fernando Paiva recolhe as flores. Seca-as e depois transforma-as em pó. Na vindima, após desengaçar as uvas, adiciona ao mosto 40 gramas desse pó por cada hectolitro de vinho e não volta a aplicar mais nada (este valor foi estabelecido com base na investigação liderada por Isabel Ferreira). Recentemente, lançou as primeiras 4 mil garrafas de um branco de Loureiro em que só usou flor de castanheiro e garante que o vinho está melhor do que os outros em que usou sulfuroso. As análises realizadas afastaram também quaisquer desvios nos parâmetros físico-químicos e sensoriais do vinho.

Apesar do sulfuroso, ou dióxido de enxofre, já ser utilizado na produção de vinho há milhares de anos e, até agora, não haver melhor, não deixa de ser um conservante sintético. Não é tóxico, se usado nas doses recomendadas, mas também não é totalmente inócuo, podendo causar alergias - daí ser obrigatório colocar nos rótulos dos vinhos a informação "contém sulfitos". Pelo contrário, a flor de castanheiro não é tóxica, nem tem efeitos alergénicos. O que faltava comprovar era o seu efeito antioxidante e antimicrobiano. Os bons resultados alcançados até agora são muito promissores. O único senão de tudo isto teria a ver com os castanheiros: para bem do vinho, seria preciso sacrificar muita castanha. Mas esse é um problema que não se coloca, porque a recolha das flores só é feita após a fecundação.

Resta, então, saber qual será a durabilidade dos vinhos. Se for boa, a descoberta do Instituto Politécnico de Bragança pode ter repercussões extraordinárias na indústria do vinho, uma vez que o mercado valoriza cada vez mais o uso de conservantes naturais. E, se isso acontecer, Fernando Paiva pode finalmente ter o reconhecimento público que merece.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Artigo da prestigiada Ana Primavesi - "A Revolução Verde e o Problema do azoto no Solo" (estudo de caso no Brasil)


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Ana Primavesi

Azoto é o adubo químico mais usado, sempre tentando aumentar a massa verde e nunca a saúde vegetal e nem sempre a produção de grãos. O adubo nitrogenado veio maciçamente com a Agricultura Convencional, que foi introduzida graças a uma combinação entre a indústria química e a mecânica. Foi capitaneado pelo prof. Borlaug e mediado pelo então presidente Kennedy (1961-63).
O problema da indústria era que possuía enormes estoques de produtos químicos altamente venenosos, e uma linha de produção para máquinas pesadas que ninguém necessitava mais porque a guerra terminara. E, se a indústria ia à falência, os EUA afundariam numa crise que poderia ser de difícil recuperação.
Foi combinado assim que a agricultura compraria químicos e máquinas das indústrias, e estas, uma vez recuperadas, iriam pagar impostos elevados. Com todas estas despesas, a agricultura convencional obviamente não iria mais ter lucros e até trabalhar no vermelho, mas o Governo se comprometia a devolver à agricultura parte destes impostos em forma de subsídios, dando início a uma “agricultura subsidiada” combatida em vão pelo governo brasileiro, uma vez que esquece a razão do subsídio.
Instaurou-se a famosa “Revolução Verde”. Para os EUA e Europa, que tinham o problema da indústria, era a solução milagrosa. Indústria e países recuperaram-se rapidamente, mas a agricultura familiar tinha de ser trocada pela agricultura industrial para dar espaço às máquinas..
Milhões e milhões de pessoas migravam do campo para as cidades, onde as indústrias as esperavam ansiosamente. Iniciou-se a época de êxodo rural e o crescimento gigantesco das cidades. Era o início da “sociedade de serviço”. E como este convênio era até milagroso para a indústria química e mecânica, ambicionou-se mais. Resolveu-se levar a Revolução Verde também para o Terceiro Mundo, que nesta época, estava em pleno desenvolvimento.
Milhares de “técnicos” americanos se espalharam pelo mundo afora e incutiram em todos as maravilhas da Revolução Verde, e por mais de 10 anos os EUA treinaram os técnicos do Terceiro Mundo gratuitamente nesta agricultura. E até fundaram-se no Terceiro Mundo organizações estatais, como a EMATER para introduzir a Revolução Verde. (Esta reconheceu seu erro e atualmente luta pela Agricultura Orgânica.)
Como o Terceiro Mundo não era o dono destas fábricas, ele tinha que comprar tanto os químicos como as máquinas pesadas, com créditos que o Primeiro Mundo lhes concedia generosamente a juros entre 20 a 25% por ano, endividando os países violentamente.
Para eles, a Revolução Verde tornou-se somente um dreno permanente de todas as riquezas dos seus povos, fluindo para os países do Norte. Também no Sul a população rural tinha de migrar às cidades graças às máquinas, mas como não possuíam indústrias que a esperavam, foram acolhidos somente pelas favelas. E enquanto o Primeiro Mundo enriqueceu, o Terceiro Mundo entrou num ciclo de miséria do qual, até hoje, não conseguiu sair ainda. A Revolução Verde salvou a industria do Primeiro Mundo mas endividou horrivelmente o Terceiro Mundo.

Como foi introduzido
O primeiro passo da Revolução Verde era matar os solos: pela calagem corretiva – a aração profunda – e a adubação nitrogenada.
Por quê?
Porque isso acabou com toda matéria orgânica nos solos. E sem matéria orgânica os solos perderam sua vida, que sem alimento não podia existir, Os solos se desagregaram, compactaram e tornaram-se quase impermeáveis. A água das chuvas escorreu, causando erosão – enchentes – secas aos quais, atualmente, se juntam os ciclones e tufões. É um ciclo do qual não saímos ainda, ao contrário, que está piorando cada vez mais e levando muitas partes do Mundo à desertificação. Mas não se consegue produzir em solos mortos sem todo este pacote químico, mais irrigação. Finalmente os solos servem somente de suporte para as culturas, que praticamente se criam em “hidropónicos ao ar livre.”
Como os solos temperados são rasos (40 a 100 cm) e muito ricos (250 a 2.200 mmol) e os solos tropicais são profundos até muito profundos ( até 35 m) mas pobres ( 1-17 mmol na média as vezes chegando até 35 a 70 mmol), parece lógico que necessitam de manejo distinto. Porém, até agora, foram tratados segundo o manejo dos solos temperados.
O que sacudiu o Mundo após a introdução da Revolução Verde eram os desmatamentos em grande escala, a fim de poder instalar as agroindústrias onde atualmente tem umas com tamanho de até quase 300.000 ha e cuja mecanização é total: trabalham com tratores teleguiados, sem tratorista e com análises químicas e adubação já feitos ao passar dos tratores. Mas nem no laboratório, nem no campo a análise química considera o estado do solo ( agregado, com lajes duras, compactado) nem a possibilidade de absorção pelas raízes, que não somente depende do estado físico do solo mas também do equilíbrio entre os nutrientes.
O azoto do adubo químico não é estável no solo, sendo lixiviado quando em forma de nitratos e nitritos ou se perde para o ar, quando em forma amoniacal ou em estado elementar, Também não considera-se que com o aumento da temperatura pelo aquecimento do Globo os nutrientes Ca – Mg – Cu – B se tornam de difícil absorção.
Pelas deficiências minerais, existentes ou introduzidas, uma adubação elevada com N em forma amoniacal, por exemplo(que pode ser aplicada ou induzida pela falta de oxigênio no solo), resulta na deficiência de Cu, Zn, Mn e a toxidez de Fe além da deficiência de K, Ca e Mg. Enquanto o N se perde para o ar, criam-se desequilíbrios minerais que predispõem as plantas a pragas e doenças.
Também aqui age-se muito sumariamente e combatem-se os parasitas sumariamente com “defensivos” de toxidez cada vez mais elevada. Poucos consideram que uma praga ou doença somente pode atacar uma planta quando sua enzima (bactérias possuem somente 1 enzima, insetos 2 e fungos podem ter até 4) consegue digerir a substância presente mas inacabada.
Não existe enzima nenhuma capaz de quebrar uma substância pronta, como proteínas, somente consegue digerir aminoácidos, ou polissacarídeos, somente conseguem quebrar monossacarídeos. E mesmo quando a planta morrer, suas substâncias completas têm de ser rompidas pelas próprias enzimas da planta, para que depois insetos e micróbios possam fazer a decomposição.

Fica óbvio que cada praga ou doença é ligada a uma deficiência : p.ex. Oídio – B , Antracnose – Ca , Brusone – Cu etc. que impede o acabamento de uma substância completa.
As deficiências podem existir : por causa da falta de um mineral nutritivo ou seu desequilíbrio pelo excesso de outro mineral, por ex., uma adubação elevada em azoto provoca p.ex. Botrytis em videiras, Puccinia em cereais, Erwinia em batatinhas, Alternaria em tomates, Pseudomonas em fumo etc. (Bergmann, 1976). E em lugar de combater a deficiência mineral induzida, combate-se a doença por agrotóxicos, que, por sua vez, em base de algum mineral, produzem outros desequilíbrios e outras doenças.
A degradação ambiental, não somente graças ao desmatamento mas também pela lavração do solo e sua exposição ao sol e o impacto das chuvas levou à erosão – enchentes e rios secos (por causa da deficiente infiltração de água no solo os mananciais subterrâneos ficaram vazios).
Por outro lado, a adubação de pastagens com elevada quantidade de azoto produz no segundo ano um pasto exuberante e no terceiro ano uma decadência violenta. Isso porque as forrageiras formam somente raízes superficiais , pequenas, que não conseguem reabastecer seu estoque de nutrientes e morrem finalmente de exaustão, uma vez que o azoto leva a um crescimento forçado. O azoto não é um nutriente isolado, mas somente um dos nutrientes que a planta precisa. E quando o pasto entra em degradação assenta-se não somente a erosão mas também cupins.
Existe uma diferença muito grande entre o azoto químico e orgânico. O azoto químico sempre contribui para o desaparecimento de matéria orgânica por aproximar a relação C / N, e consequentemente promover sua eliminação por micróbios que leva a decadência e compactação do solo. O azoto orgânico, tem como pré-requisito a vida microbiana, que agrega o solo.
Nenhum processo no solo ocorre isolado. Tudo é interligado como o ciclo da vida. A planta capta luz e gás carbônico e absorve água do solo e com isso forma a primeira substância um açúcar simples ( plantas C-3 ) ou um ácido orgânico como o málico.(plantas C-4). As folhas que morrem cobrem o solo, servem aos micróbios de alimento e recambiam os minerais ao solo. Conforme o solo será a raiz, abundante em solo bem agregado ou retorcida e pequena em solo compactado.
Geralmente supõe-se que os micróbios do solo são independentes e somente depende ter um germe e já se desenvolvem. Mas não é bem assim. Nenhuma bactéria ou fungo nasce em solo que não é apropriado.
O azoto acrescido pelo adubo não é estável no solo, e as leguminosas não enriquecem o solo em azoto como se acreditou que podiam comprovar com mais que 1.200 análises de solo com as mais diversas formas de matéria orgânica, a partir de leguminosas até simplesmente palha de arroz. E muitas vezes a quantidade de N no solo era maior após a palha de que após leguminosas. Por que?
Nenhuma planta é atacadista vendendo um produto como N. Cada uma somente fixa N para si mesma. E o que os micróbios não seguram é lixiviado ou perdido para o ar. E a palha às vezes deixou mais N no solo, porque forneceu mais matéria orgânica que não é “nutriente” para as plantas mas somente comida para a vida do solo, que fixa N do ar e mobiliza nutrientes vegetais até de sílica.
Assim cresce a mata Amazônica e assim produzem as culturas orgânicas em solos vivos. Em solos mortos a agricultura orgânica produz miseravelmente, (por isso necessita o “preço acrescido”) em solos vivos produz abundantemente ( 2 a 3 vezes mais do que a melhor agricultura química) e ainda sem nenhuma praga e doença.
A disponibilidade de N no solo depende das bactérias fixadoras (praticamente todos fixam) e seus fagos, especialmente nematóides (em solos mais húmidos) e protozoários (em solos mais secos) que “pastam” os micróbios e liberam seu azoto. Assim, nematoides liberam 30% do N absorvido pelas plantas e de fagos que pastam fungos fornece-se o resto.
Solos vivos com vida intensa mobilizam nutrientes e fixam azoto do ar.

Microrganismos fixadores de N:

Simbiontes : como rizóbios, Bradyrizóbios, Azospirillo, etc.
Bactérias livres: como Azotobacter, Beijerinckia, Closatridium pasteurianum etc.
Somente 8,6 % das leguminosas nodulam.
Tem rizóbios noduladores e rizóbios endofitas (vivem na folha da planta) graças a estas no Brasil a cana-de-açúcar necessita somente 50 kg/ha de adubo nitrogenado, Nos outros países necessita de 150 a 300 kg /ha de adubo nitrogenado.
Como funcionam os rizóbios endofitas: (Seja ciente: a nodulação não é necesssária para fixar azoto) . Os rizóbios saem da raiz da leguminosa e entram na raiz da gramínea seguinte, p.ex. milho, trigo, arroz etc. (Dazzo, 2006). Eles sobem às folhas onde aumentam a fotossíntese e a atividade enzimática. Parece que no arroz do sistema SRI existem também rizóbios endófitas.
Micorrizas aumentam o espaço radicular das plantas pelos micélios. Em raízes onde existem micorrizas e rizóbios, os primeiros fortalecem as plantas enquanto os rizóbios , nas plantas mais fortes, são mais ativos. Inoculam as plantas com micorrizas porém o efeito depende da variedade de micorrizas – da espécie vegetal – e da nutrição vegetal. Mas micorrizas não necessitam ser inoculadas se as plantas são suficientemente abastecidas com os nutrientes mais essenciais para elas. p.ex. Milho =. Cu e Zn, / arroz = Cu, aveia =Mn, videira = B etc.
Não é somente importante a presença de N no solo mas especialmente sua transformação para proteínas. Cada proteína se forma de 3 aminoácidos em base de N e 1 em base de S. Mas nem todos os aminoácidos formam proteínas. Para isso necessita-se de Molibdênio (Mo) . Assim muitas vezes saúvas começam cortar folhas de uma roseira ou de uma árvore mas logo abandonam tudo e vão para outro lugar. Isso porque a jardineira que fez a análise das folhas avisou: estes não prestam, eles tem proteínas. E proteínas nenhuma fungo, bactéria ou inseto conseguem digerir. Não possuem enzima para isso. De modo que aplicando Mo num pasto, campo, plantação frutífera, bosque etc. Contribui-se para a formação de proteínas e impede que saúvas cortem suas folhas.
Mokiti Okada diz: a substância base de toda vida é N – O – H. e que também Rudolf Steiner afirma. Mas como combina isso com o fato que a primeira substância que uma planta forma é um monossacarídeo C – O – H . :
Mas aí o mestre explica: Não existe vida sem proteínas, e não existem proteínas sem azoto.”

O segredo do solo tropical:

Como se explica que os solos mais pobres do Mundo, os amazônicos conseguem criar uma das florestas mais frondosas do Mundo? Se as leis de clima temperado valessem, seria uma região semi desértica. Mas ao contrário, é uma floresta frondosa. Como ?
O segredo da floresta equatorial é:
– solos vivos e ativos,
– biodiversidade máxima (muitas árvores exalam substâncias que impedem o
nascimento de suas próprias semente num raio de até 50 m.)
– proteção contra a insolação direta e o impacto da chuva. Somente 3 a 4% da luz solar
atinge o solo, e muitas vezes a chuva é interceptada pelas folhas, de onde evapora.
– proteção contra o vento (não existe vento nenhum dentro da floresta amazônica)
Sabe-se que o vento leva 51 até 67% da umidade, diminuindo drasticamente o crescimento vegetal. No Ceará, no semi-árido , onde têm bosques que impedem o vento, a agricultura vai bem.
A produção agrícola não é um fator isolado. Tudo na natureza é interligado . É a famosa “ TEIA DA VIDA”, tudo depende de todos. São leis rígidas e imutáveis. E quando queremos “melhorar” um fator rasgamos a Teia da Vida e tudo somente tende a piorar. As leis naturais são imutáveis, modificar é somente destruir. E a natureza se vinga. Assim o azoto orgânico é altamente benéfico, o químico sempre é destrutivo a médio prazo.
Assim, por exemplo, o aquecimento do nosso Globo não é somente pela camada de gases-estufa (CO2 , CH4, N2O). Gases são frios e não quentes. É pelos solos compactados e expostos ao aquecimento do sol (após uma aração, ou numa cultura capinada, tanto faz se é por herbicidas ou por máquinas). O solo aquece e o ar acima dele (até 74ºC). O ar sobe, até como tufão, esbarra na camada de gases e em lugar de se dissipar para o espaço, se distribui pelo Globo. O clima aquece.
Não é tanto por causa dos gases estufa produzidos por carros e aviões, arroz de água, lixo urbano, rebanhos de gado etc. mas é por causa da falta de florestas e uma agricultura que mantém os solos expostos por muito tempo. É a agricultura convencional que acaba com nossos solos, nosso clima, nossa água, nosso Globo.


Saber mais sobre Ana Maria Primavesi

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

The Challenge of Rudolf Steiner


Uma visão histórica da vida de Rudolf Steiner, bem como exemplos de seu legado em todo o mundo, o trabalho atual inspirado por suas ideias - em particular o movimento da Escola Waldorf, agricultura biodinâmica e euritmia.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Agricultura Biológica - a afirmação de um Movimento de reaproximação da Natureza


Perspetiva histórica
A Agricultura Biológica é o modo ancestral de exploração agrícola, mas apenas surgiu como movimento em meados do século XX como reação ao recurso cada vez mais frequente na prática agrícola a químicos de síntese. O uso destes químicos começou com a revolução industrial (séculos XVIII e XIX) mas sofreu um grande impulso no pós-II Guerra Mundial quando os produtos de síntese utilizados no fabrico de munições e na luta química foram transformados em fertilizantes e inseticidas poderosos.
Estes desenvolvimentos conduziram à vulgarização do uso dos fertilizantes e dos pesticidas na agricultura, a par da generalização da irrigação a grande-escala. Foi em resposta estas alterações das práticas tradicionais que surgiu a Agricultura Biológica cujo objetivo é restaurar o equilíbrio perdido como resultado do rápido desenvolvimento tecnológico, que teve custos ambientais.
Em contraste com os métodos agrícolas mais modernos, a Agricultura Biológica apresenta-se uma alternativa “naturalista” que se baseia no uso da rotação de culturas, de estrume e composto como adubo e do recurso a métodos biológicos, culturais e físicos de controlo de pragas, rejeitando o recurso a químicos de síntese com efeitos nocivos para o Ambiente.

A notoriedade da Agricultura Biológica foi crescendo timidamente nas décadas que se seguiram aos seu aparecimento, tendo em 1972 sido fundada a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Biológica (International Federation of Organix Agriculture Movements – IFOAM) que foi a responsável pela criação dos padrões pelos quais se regem as práticas de Agricultura Biológica a nível mundial.
Mas foi a partir da década de 1990 que a Agricultura Biológica começou a ganhar mais notoriedade, acompanhando a crescente consciencialização da sociedade no que diz respeito aos impactos da Agricultura convencional no Ambiente, e simultaneamente o crescente desejo de uma reaproximação da Natureza, que conduziu ao aumento da procura de produtos mais “naturais”.

A atualidade em números
a) A Agricultura Biológica no mundo
Segundo dados do Research Institute of Organic Agriculture e da International Federation Organic Movements (FiBL e IFOAM) relativos a 2010, a área mundial de cultivos de Agricultura Biológica é de 37 milhões de hectares - mais do triplo do registado em 1999, e que corresponde a um total de 1,6 milhões de produtores.
Do total global, 12,1 milhões de hectares (32,8%) localizam-se na Oceânia, 10 milhões de hectares (27,0%) na Europa, 8,4 milhões de hectares (22,7%) na América Latina, 2,8 milhões de hectares (7,5%) na Ásia, 2,7 Milhões de hectares (7,2%) na América do Norte e 1,1 milhões de hectares (2,9%) em África.
A nível local, a Austrália é o país com maior área de cultivos dedicados à Agricultura Biológica (12 milhões de hectares), seguida da Argentina (4,18 milhões de hectares) e dos Estados Unidos (1,95 milhões de hectares).
Globalmente, a área em que se pratica Agricultura Biológica representa 0,9% da área de cultivos agrícolas global, mas nem todas as regiões contribuem da mesma maneira, com a Oceânia a ser o território continental que mais se destaca, onde 2,9% das terras agrícolas são alvo de Agricultura Biológica, seguida da Europa (2,1%) e da América Latina (1,4%), encontrando-se a África (0,1%) e a Ásia (0,2% no extremo oposto).
No que diz respeito aos países/territórios, aquele que mais se destaca no que diz respeito à representatividade da SAU (proporção da Superfície Agrícola Útil – SAU) de Agricultura Biológica relativamente à SAU global, é o das Ilhas Malvinas (35,9%), seguido do Liechtenstein (27,3%) e da Áustria (19,7%).

Relativamente à ocupação das terras dedicadas à Agricultura Biológica em 2010, verifica-se um predomínio das prados/pastagens permanentes (23,7 milhões de hectares), seguido das culturas arvenses - 6,1 milhões de hectares (17% do total), dos quais 2,5 milhões de hectares são de cereais, 2 milhões de hectares de forragens verdes, 0,5 milhões de hectares de oleagináceas, 0,3 milhões de hectares de proteaginosas e 0,2 millhões de hectares de produtos hortícolas. As culturas permanentes ocupavam, em 2010, 2,65 milhões de hectares (7%) – a mais importante das quais era o café (0,64 millhões de hectares), seguido do olival (0,5 milhões de hectares), do cacau (0,29 milhões de hectares), dos frutos secos (0,26 milhões de hectares) e, finalmente, da vinha (0,22 milhões de hectares).
Em relação em 2009, verificou-se uma redução de 50 mil hectares na área onde se pratica Agricultura Biológica, o correspondente a 0,1% da área dedicada à Agricultura Biológica, sendo que os únicos continentes onde esta área cresceu foram a Europa e a África.
Esta redução contrasta com o aumento, a nível mundial, de 8,7% da área dedicada à Agricultura Biológica entre 2007 e 2008. Neste período, o país que registou um maior crescimento foi a Argentina, seguido das ilhas Malvinas e, depois, da Espanha.

b) A Agricultura Biológica na Europa
No continente europeu a área de território devotado à Agricultura Biológica cresceu, entre 2009 e 2010, 800 mil hectares (8,7%) atingindo, como já foi referido, um total de 10 milhões de hectares (2,1% da superfície agrícola útil), que representa um universo de 277 362 operadores (em 2009 eram 257 641).
Em 2010 os países com maior proporção de Agricultura Biológica relativamente à Superfície Agrícola Útil (SAU) total eram a Espanha 1,5 milhões de hectares), seguida da Itália (1,1 milhões de hectares e da Alemanha (com mais de 0,99 milhões de hectares), sendo 6 os países em que a proporção de SAU da Agricultura Biológica era superior a 10%: Liechtenstein (27,8%), Áustria (19,7%), Suécia (14,1%), Estónia (12,5%), Suíça (11,4%) e República Checa (10,5%).
Entre 2009 e 2010, os maiores aumentos na área de Agricultura Biológica ocorreram na França, Polónia e Espanha, por esta ordem, que constituem também aos países onde a área de Agricultura Biológica mais cresceu a nível mundial.
No período anterior de 2007-2008, 3 dos 10 países com maior crescimento da SAU de Agricultura Biológica também se situam no continente europeu: Espanha, Reino Unido e Alemanha. Por outro lado, dados do EUROSTAT revelam que no Universo de países da UE a área dedicada à Agricultura Biológica aumentou 21% entre 2005 e 2008.
Em 2008, a proporção dos diferentes tipos de culturas arvenses na UE27 era a seguinte (EUROSTAT):
Segundo o FiBL-IFOAM, a comercialização na Europa de produtos orgânicos em 2010 rondou os 19,6 biliões de euros, sendo o mercado alemão o mais, importante, seguido do francês e do Reino Unido.

c) A Agricultura Biológica em Portugal
As estatísticas da Agricultura Biológica em Portugal disponibilizadas pelo Ministério da Agricultura revelam que, ao contrário do que se verificou na Europa e no mundo em geral, se assistiu, a nível nacional, a um retrocesso do setor nos últimos anos, que é visível tanto na redução do número de produtores agrícolas que a praticam, bem como a área de cultivos que representam entre 2007 e 2009.
Com efeito, os dados oficiais da administração central revelam que, em 2009, eram 1651 produtores que praticavam Agricultura Biológica, o que representa um decréscimo relativamente a 2008, ano em que foram contabilizados 1902 produtores que, por sua vez eram já menos do que em 2007, em número de 1949.
De forma semelhante, de 2007 para 2009 assistiu-se a uma diminuição da área agrícola dedicada à Agricultura Biológica que passou de 233 475 hectares para 214 442 hectares em 2008 e 157 179 hectares em 2009.
Este período de regressão do número de produtores e da área de Agricultura Biológica, acontece após um período de estagnação (2005-2006), que tinha sido antecedido por um período de crescimento desde que há registos (1994) – a exceção é o período 1999-2000 em que se assistiu também a uma estagnação.
A INTERBIO – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica identifica acontecimentos-chave para interpretação destas estatísticas: o primeiro foi a interrupção dos apoios (através da medidas agroambientais) à Agricultura Biológica no ano 2000; e o segundo foi aparecimento dos apoios para a produção integrada, em 2007 que motivou, logo nesse ano, a transferência inúmeros produtores para o sistema de produção integrada, movimento que se acentuou nos dois anos seguintes.
No que diz respeito à importância dos diferentes tipos de culturas observa-se uma importante variação desde 1994 a 2009 como se pode constatar no gráfico seguinte:
No fim do período considerado (2009) verifica-se um claro predomínio das pastagens que ocupam 72% da área dedicada à Agricultura Biológica. O cultivo que, a seguir, regista uma maior representatividade é o olival (9%), seguido das plantas aromáticas (7%), das culturas arvenses e dos frutos secos (4% em cada caso), do pousio (2%), da vinha e da fruticultura (1% em cada caso), não chegando a horticultura a ocupar 1% dos terrenos onde se pratica Agricultura Biológica.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Essential Teachings of Helena Blavatsky and Rudolf Steiner


Allen Pittman e Bryan Lynch fazem uma revisão dos ensinamentos essenciais de duas figuras históricas: Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, especializada nos ensinamentos do Oriente (particularmente o budismo esotérico), e Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, especializado nos ensinamentos do Ocidente (particularmente o cristianismo esotérico). Ambos trabalharam em conjunto e separadamente para incorporar os ensinamentos da Nova Era.

Esta palestra foi apresentada à Rede de Fóruns GBH pela Sociedade Teosófica de Atlanta, uma loja local filiada na Sociedade Teosófica da América e na Sociedade Teosófica Internacional (Adyar). A Sociedade Teosófica é uma organização mundial fundada em Nova Iorque, a 17 de novembro de 1875. A Sociedade procura unir as pessoas; conciliar as religiões, as filosofias e as ciências do Oriente e do Ocidente; e aumentar a consciência da Realidade Interior presente em cada ser humano

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lista de Educadores de referência do BioTerra


Taken near Ryogoku station on the way to the Sumo museum in Tokyo, Japan [aqui]

Alan November
Angela Maiers
Charles Leadbeater
Chris Anderson
Chris Lehman
Clayton Christensen
Clive Shepherd
Dan Ariely
Dan Meyer
Daniel Pink
Dave Cormier
David Truss
David Warlick
Don Tapscott
Etienne Wenger
Ewan McIntosh
Fernando Costa
George Siemens
Graham Attwell
Guy le Boterf
Helen Barrett
Henry Mintzberg
Howard Gardner
Howard Rheingold
Ian Jukes

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Banco ético - já ouviram falar?



Pois Joan Melé  é vice-presidente do Triodos Bank (um dos bancos éticos). Uma das boas propostas para a Paz, além da livre associação, livre opinião...uma economia mais transparente, alternativa, ambientalmente sustentável e justa. Vale a pena ouvi-lo!