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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Interpol - Iron City

Melhor som aqui
Letra
Alone in Central Park when 
Nothing seems to happen 
All my thoughts invaded 
Memories degraded 
We slept too deep  
Now uncertainty fades to progress  
The slow machine  
Paved with traffic 
Seems pleased to take us out 
 
I can feel your love, iron city  
I can build you up, feel for me 
 
Statements I’m glad they don’t mean no 
Gave our son to the 1 and 0 
Then there came a dark thing
Tryna shed this shark skin 
 
I can feel your love, iron city 
I have built you up, feel for me 
I was here before you can’t see me anymore
I have lived a life and I left you there, inside 
 
Think I made some mayhem tonight 
 
Going out in vain for someone I’d remain for 
 
I can feel your love, iron city 
I can build you up, feel for me 
I was here before you can’t use me anymore 
I have saved your life and I left you there, inspired 
 
Who left a crumbling heart 
You left a crumbling star 
Who let the crumbling start 
Who let me take it too far

Minha análise
O Interpol é uma das bandas mais emblemáticas do rock alternativo do início dos anos 2000, tendo-se formado em Manhattan, Nova Iorque, em 1997. Sendo um dos pilares da cena musical que revitalizou a cidade na virada do milénio, a banda norte-americana é mundialmente reconhecida pelo seu estilo focado no post-punk revival e no indie rock. O som do grupo caracteriza-se por uma atmosfera melancólica, guitarras rítmicas entrelaçadas, linhas de baixo marcantes e o vocal barítono e introspectivo de Paul Banks, que frequentemente suscita comparações com Ian Curtis, dos Joy Division. Com o lançamento do single "Iron City", que antecipa o oitavo álbum de estúdio This Mirror Weighs a Ton, a banda expande esta paleta tradicional ao fundir as suas guitarras clássicas com arranjos de cordas, instrumentos de sopro e uma produção muito mais atmosférica.
O significado de "Iron City" afasta-se um pouco das narrativas puramente urbanas e pessoais do passado para abraçar um conceito quase distópico e existencial. Segundo o próprio Paul Banks, a canção funciona como uma conversa conceptual entre a humanidade e uma Inteligência Artificial do futuro que assumiu o controlo, descrita por ele como uma espécie de matriarcado benevolente ou raivoso. A letra alterna entre os humanos a cantarem para essa entidade e a própria máquina a responder, gerando uma reflexão profunda sobre até que ponto a tecnologia moldará a nossa sensibilidade, a solidão e a arte, concluindo que a tecnologia apenas consegue simular aquilo que os humanos já criaram.
Esta bagagem conceptual e abstrata deve-se em grande parte à formação académica dos membros originais, uma vez que Paul Banks se licenciou em Literatura Inglesa e Comparada e o ex-baixista Carlos Dengler estudou Filosofia, ambos na Universidade de Nova Iorque. No campo dos romancistas e escritores, Henry Miller surge como a maior influência na honestidade lírica de Banks, que expressa o tom cru e visceral do autor nas suas músicas e carrega inclusive uma tatuagem em homenagem à trilogia Sexus, Plexus, Nexus. Outras referências literárias de peso incluem Vladimir Nabokov, de quem Banks absorve a elegância e a beleza da linguagem, e Thomas Mann, que inspira a exploração dos comportamentos humanos mais subtis. O lado mais cínico, boémio e urbano das crónicas da noite provém de Charles Bukowski, enquanto o realismo fantástico de Jorge Luis Borges e a sátira sombria de Kurt Vonnegut também deixam marcas na sua escrita.
No que diz respeito à filosofia e à poesia, a influência manifesta-se sobretudo através de uma forte atmosfera existencialista. O niilismo, o isolamento urbano e a busca por significado numa metrópole fria remetem diretamente para o pensamento de filósofos como Jean-Paul Sartre e Albert Camus. As letras do Interpol funcionam assim como pequenos poemas modernos, assemelhando-se por vezes às técnicas de escrita automática dos poetas surrealistas, onde o foco reside mais no fluxo de consciência, no mistério e no impacto sonoro das palavras do que propriamente numa narrativa literal com princípio, meio e fim.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

DeepMind prevê chegada da AGI até 2029 e diz que a sociedade não está pronta para o avanço


O diretor-executivo da Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que a Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês) pode tornar-se realidade até 2029 e alertou que governos, empresas e a sociedade ainda não estão preparados para lidar com a velocidade do avanço da tecnologia. Segundo o próprio, os sistemas atuais de inteligência artificial (IA) já demonstram sinais de capacidades mais amplas e autónomas, num movimento que pode acelerar antes do esperado.

As declarações foram feitas após a conferência anual de desenvolvedores da Google. Hassabis afirmou que os recentes avanços em agentes de IA e sistemas autónomos reforçaram a perceção, dentro da indústria, de que a AGI poderá surgir antes do fim desta década. O executivo ainda considera 2030 como uma estimativa provável, mas disse que 2029 já é um cenário “realista” e que o desenvolvimento pode acontecer a um ritmo ainda mais acelerado.

A AGI é descrita pelo setor como uma forma de IA capaz de igualar ou superar o desempenho humano em diferentes tarefas cognitivas. Para Hassabis, as melhorias observadas nas ferramentas de IA ao longo do último ano não são avanços isolados, mas sim evidências de que a indústria finalmente encontrou um caminho técnico viável para construir sistemas mais sofisticados.

O executivo afirmou que a chamada “era dos agentes” deve ser vista como um primeiro teste de stresse para a sociedade. Esses sistemas conseguem executar tarefas de maneira mais independente, realizando atividades ligadas à programação, produtividade e automação. Segundo Hassabis, os agentes atuais representam apenas uma antevisão do impacto que os futuros sistemas poderão causar quando tiverem capacidades mais avançadas de raciocínio, planeamento e investigação.

Hassabis também afirmou que o ritmo da evolução da IA já apanhou empresas e governos de surpresa. O responsável citou exemplos recentes que envolvem modelos avançados de empresas concorrentes, como a Anthropic, para argumentar que até os especialistas do setor têm sido surpreendidos pela velocidade dos avanços.

Segundo ele, ainda existe uma pequena janela de oportunidade para que a sociedade se prepare para sistemas cada vez mais poderosos, mas essa margem pode diminuir rapidamente nos próximos anos. Diante disso, o executivo reforçou a necessidade de uma ação célere por parte dos governos no que toca à segurança e regulamentação da IA.

Em termos práticos, o que Demis Hassabis quis dizer resume-se ao facto de que a IA superinteligente está quase a chegar. A Inteligência Artificial Geral, aquela que consegue fazer qualquer tarefa intelectual tão bem ou melhor do que um ser humano, pode estar pronta já em 2029, muito antes do que a maioria das pessoas imaginava há uns anos. Além disso, o caminho técnico já foi descoberto. Os avanços recentes, como os agentes que trabalham de forma autónoma, mostram que a indústria já não está a adivinhar e que os cientistas já encontraram a fórmula técnica certa para criar esta superinteligência. No entanto, o mundo não está preparado para esta realidade. O avanço está a ser tão rápido que os governos, as empresas e as leis não estão a conseguir acompanhar o ritmo. Hassabis deixa, por isso, um alerta claro de que temos uma janela de tempo muito curta para criar regras e garantir que a tecnologia é segura antes que ela nos ultrapasse. Em suma, a revolução da IA vai acelerar a um ritmo avassalador e a sociedade precisa de se preparar com urgência.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

The Stargazer Lilies - Perfect World


Letra
Love would rule
Nothing be cruel
No one would hurt
Or feel like dirt
Every soul 
Honest and true
Each  moment 
Fresh and new

Oooooo
In a perfect world
Rainbows swirled
Blue and green twirled
Oooooo
In a perfect world
Space time curled
And rainbows swirled
Oooooo

 Poverty would be no more
As would disease and making war
All mistakes
Could be undone
Above all else
Life would be 

Esta canção é um hino ao idealismo utópico, pintando o retrato de uma realidade onde as falhas fundamentais da condição humana — o sofrimento, a malícia e a irreversibilidade do tempo - foram erradicadas. No seu âmago, a letra explora a pureza moral e emocional, sugerindo que num mundo perfeito a dor psicológica seria inexistente, pois a honestidade e a autovalorização seriam a norma, eliminando o sentimento de "ser lixo" ou a necessidade do engano.

A composição eleva-se acima das questões sociais ao tocar no campo da metafísica, especialmente quando menciona que o "espaço-tempo se curvaria". Esta ideia de que "todos os erros poderiam ser desfeitos" revela o maior desejo humano: a libertação do arrependimento e a capacidade de apagar as consequências permanentes das nossas falhas. Ao abordar a extinção da pobreza, da doença e da guerra, a letra confronta os três grandes pilares do sofrimento terreno, propondo um sistema de salvação absoluta.

Finalmente, ao terminar com a frase suspensa "a vida seria...", a canção sugere que, uma vez removido o ruído do conflito e da escassez, a verdadeira essência da existência é algo tão profundo e transcendente que ultrapassa a própria linguagem. É um contraste vibrante entre a dureza do nosso mundo e um sonho onde o amor não é apenas um sentimento, mas a própria lei que rege a física do universo.

Páginas oficiais
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sábado, 25 de abril de 2026

Apoptygma Berzerk - Eclipse



Melhor som aqui do álbum Welcome to Earth, 2020

[Verse 1]
As we dwell inside the safe zones that we've made
Where nothing but earthly pleasures seems to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions

[Chorus 1]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
And I guess we will be making history
When we all join hands just to watch the sky
(For a moment)

[Verse 2]
Our selfish lives have made us all go blind
One day we'll awake by a bright light on the horizon
In one second every eye will see the same
And this blinding light will draw all our attention

[Chorus 1] 2x

[Chorus 2]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
For the very first time and it's meant to be
We'll forget about ourselves and share the moment
(For a moment)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Razan Al Mubarak - Foco e Filosofia

"O futuro do nosso planeta — o nosso futuro — dependerá da nossa capacidade de trabalhar não apenas entre setores, mas também entre geografias e entre culturas." - Razan Al Mubarak

Razan Al Mubarak nasceu em 1979, nos Emirados Árabes Unidos. Razan Al Mubarak é uma líder ambiental e gestora pública reconhecida pelo seu papel fundamental na proteção da biodiversidade e na luta contra as alterações climáticas.
𝐀𝐥 𝐌𝐮𝐛𝐚𝐫𝐚𝐤 foi incluída na lista das 𝟏𝟎𝟎 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐈𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟒 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐢𝐦𝐞, consolidando o seu estatuto como uma voz essencial para o futuro do planeta.
Al Mubarak tem um mestrado em Compreensão Pública das Alterações Ambientais pela University College London e uma licenciatura em Estudos Ambientais e Relações Internacionais pela Tufts University.

Em setembro de 2021,fez história ao ser eleita Presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para um mandato de 4 anos tornando-se a segunda mulher a liderar a organização nos seus 75 anos de história e a primeira do mundo árabe 

Percurso Profissional e Liderança
O seu impacto é sentido tanto a nível nacional como internacional:
  1. Agência do Ambiente de Abu Dhabi (EAD): actuou como Diretora-Geral, sendo a pessoa mais jovem a assumir este cargo. Sob a sua liderança, a agência expandiu significativamente os seus esforços na proteção de espécies ameaçadas e na gestão de recursos naturais.
  2. Fundo Mohamed bin Zayed para a Conservação de Espécies: é  a Diretora Executiva desta fundação, que já apoiou milhares de projetos de conservação em mais de 160 países, focando-se em salvar espécies da extinção.
  3. COP28: em 2023, desempenhou o papel crucial de Campeã de Alto Nível das Nações Unidas para as Alterações Climáticas na COP28, que decorreu no Dubai. Nesta função, foi a ponte entre o governo e os intervenientes não estatais (cidades, empresas e sociedade civil).
Foco e Filosofia
Razan Al Mubarak é uma defensora acérrima de soluções baseadas na natureza. O seu trabalho destaca-se por:
  1. Inclusão: defende que a conservação deve incluir as comunidades locais e os povos indígenas como guardiões da biodiversidade.
  2. Multidisciplinaridade: combina a conservação científica com estratégias económicas e políticas públicas eficazes.
  3. Identidade de Género: É uma voz ativa no empoderamento feminino em cargos de decisão ambiental.
"A conservação não é apenas sobre proteger a natureza de nós próprios; é sobre proteger a natureza para nós próprios." — Razan Khalifa Al Mubarak

Reconhecimento
 Em 2018, o Fórum Económico Mundial nomeou-a Jovem Líder Global do Fórum. Em 2013, a Câmara de Comércio Americana de Abu Dhabi atribuiu a Al Mubarak o Prémio Mulheres nos Negócios.

sábado, 14 de março de 2026

Waves On Waves x Crimewave - "Desire" (Ft. ACTORS)


A canção "Desire" é uma colaboração que reúne nomes proeminentes da cena underground contemporânea, unindo talentos da América do Norte e da Europa.

Aqui estão os detalhes sobre as nacionalidades e o estilo musical:

Nacionalidades Envolvidas
A colaboração é internacional, envolvendo principalmente artistas dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido:

Waves On Waves: trata-se do projeto do artista Mark Christopher Sevier, baseado em Nashville, Tennessee (EUA). Ele é o mentor por trás dessa estética que mistura o gótico clássico com produções modernas.

ACTORS: uma banda extremamente influente de Vancouver, Canadá. Liderada por Jason Corbett, a banda é um dos pilares do renascimento do post-punk canadense.

Crimewave: geralmente refere-se ao artista Jake Wilkinson, baseado em Manchester, Reino Unido. Sua estética visual e sonora complementa o tom sombrio da colaboração.

A faixa "Desire" faz parte do álbum intitulado "Halloween Summer", lançado oficialmente em 2025.

Mensagem da Canção
A análise temática de "Desire" revela uma obra profundamente mergulhada nas ansiedades da modernidade urbana, utilizando o vazio existencial como pano de fundo para uma narrativa de isolamento. Através de metáforas visuais estéreis, como o "jardim da noite" e a percepção de um mundo em "preto e branco", a letra pinta um cenário onde os indivíduos se movem como sombras, desconectados da realidade vibrante. 

Essa frieza é amplificada na ponte da música, que introduz o conceito de amor "automático"; ao descrever o afeto como algo "sistemático", "digital" e "pós-traumático", a composição sugere que as conexões humanas contemporâneas tornaram-se mecânicas, quase como um subproduto de uma era tecnológica que processa sentimentos em vez de vivenciá-los.

Dentro do contexto maior do álbum Halloween Summer, a faixa deixa de ser um simples lamento romântico para se tornar um hino de sobrevivência urbana. O "desejo" aqui não é apresentado como algo doce ou idílico, mas como uma força visceral e necessária — uma "fiação queimada" que mantém o indivíduo funcionando em meio ao caos das metrópoles. 

Essa dualidade é perfeitamente capturada pela performance vocal: o contraste entre o sussurro melancólico de Mark Christopher Sevier e a entrega mais urgente e cortante de Jason Corbett (ACTORS) mimetiza a oscilação entre a apatia e o desespero. No fim, a música entrega uma sonoridade que é ao mesmo tempo nostálgica e futurista, consolidando a ideia de que o desejo, mesmo quando traumático, é o último vestígio de humanidade em um design social cada vez mais impessoal.

domingo, 1 de março de 2026

Sigue Sigue Sputnik - 21st Century Boy


Out of stereo, video
Sci-fi sex, let's go-go-go
Let's go
Saturn dreams, laser beams
21st century sex machines

Oh, can the Cartier
Toss the Tissot
Timex kid, time to go-go

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy

Siamese, Lebanese
Chinese speaking split TV's
Singapore, El Salvador
Coca Cola...
Mercury, luxury
Shove that Fender fist at me

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
Ladies and gentlemen, Elvis 1990
I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
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Love Missile F1-11
Sigue Sigue Sputnik

Embryo, UFO
Freako, psycho horror show
Hips and lips and beauty queens
Venus ramp, sex tramp
Make-up muck my Vegas vamp

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy

Sigue Sigue Sputnik: affordable firepower!

I am the ultimate product - product - product - pr-pr-pr-pr-product!

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy
G-g-g-g-generation whoopee boy

Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Mm-mmm, I love technology!

A banda era conhecida por ser extremamente futurista (para os padrões dos anos 80) e por misturar elementos que pareciam desconexos na época:
1. Visual inspirado em filmes como Blade Runner e Mad Max, com cabelos coloridos gigantes e roupas de PVC.
2. Eles pegaram a estrutura do Rock 'n' Roll dos anos 50 (estilo Elvis ou Gene Vincent) e a "destruíram" com sintetizadores pesados, batidas eletrónicas e muitos samples de filmes e comerciais.

Provocação: foram pioneiros em vender espaços publicitários entre as faixas dos seus álbuns, o que reforçava a temática consumista e distópica da música.

O nome da música é uma clara homenagem à canção "20th Century Boy" da banda de glam rock T. Rex, mostrando que eles se viam como a evolução tecnológica daquele som.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Por uma Economia da Felicidade e dizer não ao regresso do Fascismo



Podemos ser o país da Europa como o Butão e apostar na Felicidade Interna Bruta. As semelhanças connosco estão na difícil orografia do País, mas Butão é um País muito interior, sem oceano. E nós temos a vantagem de uma ZEE por explorar. O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que se pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. 

A minha intenção  da foto do Ventura vestido com fardamento militar era expor o rei "Vai Nú". Ventura na cabeça dele e de Nuno Melo sonham/deliram que se refaça o Golpe de 28 de Maio de 1926. O que aconteceu: militares liderados por Gomes da Costa derrubaram a Primeira República, iniciando a Ditadura Militar que evoluiu para o Estado Novo sob Salazar. O movimento partiu de Braga e espalhou-se pelo país, com adesão em massa das guarnições. 
A Ditadura Nacional e o Estado Novo totalizaram 48 anos de fascismo penosos, de graves atrasos científicos e de escolaridade. Um regime da bufaria e muito sangrento com a Guerra Colonial.                Durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974), cerca de 10 mil militares portugueses morreram nas frentes de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, com números oficiais revistos para cima de estimativas anteriores de 8 mil. 
Civis africanos sofreram perdas muito maiores, estimadas em mais de 100 mil, incluindo massacres como o da Baixa do Cassange (200-300 mortos) e Wiriyamu (385-450).
Repressão colonial e contra-ofensivas provocaram dezenas de milhares de civis africanos mortos. Marcelo Caetano, como muitos à primeira impressão pensam, não foi um ditador fofinho. Nos últimos anos do Salazarismo foi indecente e Marcelo perpetrou mais opressão sobre os países escravizados : 247 em Angola (1970), 128 em Moçambique (1971) e 123 na Guiné (1973).  
​Estimativas totais superam 100 mil, incluindo fuzilamentos, bombardeios e fome induzida.
​
O nosso País é muito seguro. Portugal manteve o 7º lugar no Global Peace Index (GPI) 2025 graças a um desempenho forte em baixa militarização e elevada segurança social. Indicadores positivos chave incluíram despesa militar mínima em percentagem do PIB, baixa participação em missões de paz da ONU e elevada sensação de segurança ao caminhar sozinho à noite.
A maior criminalidade apenas é de pequeno tráfico de droga, pequenos furtos e a violência doméstica. Não quero um País com estereótipos de machão. Quero um País que proteja e une. Um País que acolhe e integra. Um País para a frente, mais pragmático e com melhores salários. Há e é possível a criação de bons empregos em várias áreas, que não seja apenas o turismo e o beija-mão às Cimenteiras, às monoculturas, Navigator e o Grupo Amorim. Que faça urgentemente um TGV Porto-Vigo e outro entre Évora e Madrid. Um novo aeroporto em Lisboa. Um País com maior coesão territorial, sem recorrer apenas a auto-estradas. Isso não é "progresso". É uma medida de maior fuga do Interior para o Litoral. Há que respeitar e fortalecer as comunidades raianas e do interior. Têm direito a viver nesses locais. 
Os think tanks mais influentes e procurados a nível internacional em Portugal incluem o Institute of Public Policy (IPP), o Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS),  destacando-se pela produção de análise académica e debate público sobre políticas europeias e globais.
Avaliações dos think tank baseiam-se em citações académicas (Scimago), impacto mediático e eventos internacionais, onde Portugal tem presença modesta comparado a Bruegel ou Chatham House.
O IPP não figura em métricas científicas como Scopus/Web of Science, dada a natureza não peer-reviewed das publicações.
O IPRI publica em revistas académicas de RI (ex.: Janus), com alguma visibilidade em redes como TEPSA, mas o impacto científico é modesto comparado a universidades, sem posições destacadas em rankings bibliométricos.
Quanto à FFMS tem destaque em dados públicos (Pordata) e estudos sociais, com influência doméstica alta, mas publicações não científicas excluem-na de rankings como Scimago ou InCites, focados em artigos indexados.
A dinâmica migratória portuguesa mudou de forma significativa na última década e, pela primeira vez em várias décadas, há mais jovens portugueses a regressar do que a emigrar. A conclusão é de Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho e ex-ministro da Economia e Socialista que assinou um artigo no Expresso, em 3 de Dezembro do ano passado onde defende que Portugal entrou “numa nova realidade migratória”.  Segundo o economista, a emigração deixou de ser uma viagem sem regresso e passou a ser, para muitos jovens, uma experiência temporária. “Há sempre amigos que já viveram e trabalharam no estrangeiro e decidiram regressar”, observa.
Mas o fenómeno que destaca o ex-ministro da Economia é outro: Portugal tornou-se também um destino para jovens qualificados vindos de países ricos, como Alemanha, França, Itália, EUA ou Reino Unido. Desde 2019, afirma Caldeira Cabral, o número destes jovens que vêm trabalhar para Portugal supera o número de portugueses que emigram para os mesmos países.
Dados recentes mostram que entram anualmente no país cerca de 45 mil estrangeiros oriundos de economias com salários superiores aos portugueses, dos quais 33 mil são cidadãos da União Europeia. Só no último ano, cinco mil norte-americanos, seis mil italianos, quase quatro mil alemães e número semelhante de franceses pediram residência permanente em Portugal — a maioria com menos de 45 anos.
A ideia de que Portugal vive uma fuga de talentos não resiste aos números, argumenta Caldeira Cabral. O professor da UMinho sublinha que, embora tenham aumentado as qualificações dos jovens que emigraram, cresceram ainda mais as qualificações dos jovens que permaneceram no país.
Citando o Boletim Económico do Banco de Portugal, o autor explica que, entre os jovens que emigraram, 30% têm ensino superior, mas entre os que ficaram essa proporção chega aos 38,5%. “A propensão a emigrar é menor entre os mais qualificados, exatamente o contrário da fuga de cérebros”, afirma.
O saldo global também joga a favor de Portugal: nos últimos quatro anos, o emprego de licenciados cresceu 320 mil, enquanto o sistema de ensino superior formou apenas 230 mil. “A diferença — cerca de 90 mil — só pode ser explicada pela imigração qualificada”, sustenta. No mesmo período, terão saído entre 40 e 50 mil licenciados, mas entraram entre 150 e 160 mil.
Para Caldeira Cabral, estes dados demonstram que Portugal deixou de encaixar no modelo clássico de migração “Norte-Sul”, em que trabalhadores se deslocam apenas dos países mais pobres para os mais ricos. O país aproxima-se agora do padrão “Norte-Norte”, típico das migrações dentro da UE: fluxos nos dois sentidos, com saída e entrada de trabalhadores qualificados.
O professor afirma que esta mudança obriga a repensar o debate sobre a emigração jovem. “Se os jovens saem apenas porque os salários são maiores lá fora, como explicar que tantos estejam a voltar?”, questiona. E acrescenta: “Se Portugal não tivesse oportunidades interessantes, porque estaria a atrair jovens da Alemanha, França, Itália ou EUA?”
Entre 2020 e 2023, regressaram ao país mais portugueses do que aqueles que partiram. Só no último ano, 31 mil cidadãos nascidos em Portugal voltaram, a maioria jovens trabalhadores. Para o ex-ministro, esta tendência deve ser encarada como uma oportunidade: “Temos de olhar para os nossos jovens emigrantes não como uma perda, mas como uma força estratégica”, defende, sugerindo que o país os mobilize como “embaixadores” e valorize a experiência internacional que trazem.
Caldeira Cabral recorda ainda que países como Luxemburgo, Irlanda ou Suíça têm taxas de emigração jovem superiores à média europeia — e isso não significa decadência, mas abertura ao mundo. O mesmo, afirma, deve aplicar-se a Portugal.
Com o aumento do número de regressos e a capacidade de atrair talento estrangeiro, o autor defende que Portugal deve abandonar a visão fatalista sobre emigração. “Não devemos ficar a chorar o leite derramado dos que escolhem sair, porque muitos vão mais tarde escolher voltar”, escreve.
A prioridade, conclui, deve ser manter incentivos e criar condições para que regressar a Portugal se torne vantajoso — para os jovens e para o país.              
Há que fazer um esforço político e das instituições e autarquias para terminar em Portugal o que é designado por crony capitalism. Sistemas onde o sucesso empresarial depende mais de relações pessoais, familiares ou redes de proximidade (familiaridade) do que de mérito ou concorrência aberta, favorecendo "sempre os mesmos" grupos conectados por laços de confiança ou lobby. 
Implicações Económicas e Sociais
Esse modelo reduz a concorrência, eleva custos para consumidores e fomenta corrupção, contrastando com mercados meritocráticos.
As oportunidades de trabalho e transparência para atrair os jovens estão aí, sobretudo na área ambiental, numa boa transição verde, o País que exporte novas dinâmicas culturais, que aposte  num plano biocentrado nos oceanos do que apenas preocupado em segurança policial e controle, uma nova urbanidade (e há tanto a fazer e temos tão bons especialistas, idealizando a economia circular, a mobilidade suave, em cidades de 15 minutos, restauro dos serviços de saúde e continuar a investir na literacia digital e científica dos idosos) e na preservação da biodiversidade. 
O património biológico é fundamental neste séc XXI. As políticas globais e capitalistas infelizmente elevam o carbofascismo e exploração das terras raras. É um desafio gigante pois, a Saudi Aramco, empresa de petróleo e gás natural, é a empresa mais rentável do mundo, tendo facturado 105,37 mil milhões de dólares no último ano fiscal.
Contudo a preservação da nossa biodiversidade gera vantagens económicas directas e indiretas, sustentando ecossistemas essenciais para atividades humanas rentáveis. Há que renaturalizar Portugal.
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Valores Directos
Recursos como madeira, peixes, plantas medicinais e produtos agrícolas derivados da biodiversidade geram PIB e emprego, com mercados globais de biotecnologia e farmacêuticos a valerem biliões de dólares anualmente. E um turismo diferente. Um turismo imersivo, já ouviram falar?

O Butão cobra uma taxa turística sustentável (Sustainable Development Fee, SDF) de 100 dólares americanos por dia para visitantes internacionais a partir de 2024, reduzida de valores anteriores mais altos como 200-250 USD. Essa taxa aplica-se por noite de estadia e inclui serviços como visto, tarifa mínima de hotel de categoria superior, refeições principais, guia licenciado, transporte interno e oxigénio de emergência quando necessário.
​
Valor Atual
Crianças de 2 a 11 anos pagam metade (50 USD/dia), menores de 2 anos estão isentos, e cidadãos de nações vizinhas como Índia e Bangladesh têm taxas simbólicas ou diferentes regras. Indianos, por exemplo, pagam cerca de 1.200 NPR (rupees nepaleses) por dia. A taxa financia 100% projetos de desenvolvimento sustentável e é obrigatória para todos os turistas, exceto residentes.
​
Vantagens para o Butão
A taxa preserva a felicidade nacional bruta (Gross National Happiness), limitando o overturismo e protegendo o meio ambiente frágil dos Himalaias. Gera receitas que financiam saúde, educação gratuita, conservação de 72% do território como floresta e infraestrutura rural, mantendo a cultura budista intacta. Isso equilibra economia (cerca de 45% do PIB turístico pré-pandemia) com bem-estar local, evitando massificação vista em vizinhos como Nepal.
Portugal devia fazer o mesmo. 
​
Valores Indirectos
Serviços ecossistémicos como polinização, regulação climática, proteção de solos e purificação de água e rios livres poupam custos em agricultura, seguros contra desastres e tratamento de água, estimados em 125-145 biliões de dólares por ano globalmente. A perda de biodiversidade aumenta riscos económicos, como colapsos de colheitas ou inundações mais frequentes.
A União Europeia definiu 5 objetivos estratégicos para o período 2021-2027, que serão as prioridades do Portugal 2030. Nesse sentido, temos que aproveitar eficientemente os fundos europeus destinados ao País, com transparência, sem capitalismo de cunhas ou clientelismo económico. São eles: 
1. Portugal + Inteligente, investindo na investigação e inovação, na digitalização, na competitividade e internacionalização das empresas, nas competências para a especialização inteligente, a transição industrial e o empreendedorismo.
2. Portugal + Verde, orientado para a transição verde, acompanhando a emergência climática e incorporando as metas da descarbonização, da eficiência energética e reforço das energias renováveis, e apoiando a inovação, a economia circular e a mobilidade sustentável.
3. Portugal + Conectado, com redes de transportes estratégicas, baseada numa forte aposta na ferrovia, potenciando a mobilidade de pessoas e bens, bem como a qualificação dos territórios, garantindo a sua atratividade, competitividade e inserção nos mercados nacional e internacional.
4. Portugal + Social, apoiando a melhoria das qualificações da população, a igualdade de acesso aos cuidados de saúde, promovendo o emprego de qualidade, a inclusão social, seguindo as prioridades estabelecidas no Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
5. Portugal + Próximo dos cidadãos, apoiando estratégias de desenvolvimento a nível local, promotoras de coesão social e territorial, e apoiando o desenvolvimento urbano sustentável, baseado no conceito de interligação de redes, centrada nas necessidades das pessoas.
6. Portugal + Transição justa, para assegurar que a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono se processo de forma justa.

sábado, 11 de outubro de 2025

Sigue Sigue Sputnik - Love Missile F1 11


Letra
US bombs crusin' overhead
There goes my love rocket red
Shoot it up
Shoot it up

Blaster bomb bomb bomb ahead
Multi Millions still unfed
A mondo teeno givin' head
Shoot it up
Shoot it up

Hold Me shake me, I'm all shook up
Psycho Maniac, interbred, shoot it up
Now shoot it up

Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up

Teenage crime now fashion's dead
Shoot it up
There goes my love rocket red
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up

Logo nos primeiros versos — “US bombs crusin’ overhead / Lá vai meu foguete vermelho do amor” —, a música coloca lado a lado a destruição e o desejo, a guerra e o prazer, criando um contraste deliberadamente cínico. A referência aos “bombardeiros americanos” é uma crítica direta ao imperialismo militar dos Estados Unidos, que, à época, realizava operações e intervenções em várias partes do mundo, como Líbia, Nicarágua e Afeganistão.

A canção também retrata de forma incisiva a sociedade midiatizada e espetacularizada. Produzida por Giorgio Moroder — ícone da música eletcrónica e de filmes de ficção científica —, Love Missile F1-11 incorpora samples de filmes, sons de explosão e efeitos de videojogos, antecipando a cultura digital e o remix como nova linguagem artística. Melhor som aqui

Essa colagem sonora e imagética reforça a crítica à indústria cultural, no sentido proposto por Adorno e Horkheimer: a guerra e a violência transformam-se em mercadorias. Tudo se converte em entretenimento — inclusive o medo da destruição nuclear.

A música não denuncia de forma direta; ao contrário, imita o discurso da propaganda militar e publicitária para expor seu absurdo. O refrão repetitivo “Shoot it up” soa como um jargão tanto da guerra quanto do consumo: atire, compre, consuma, destrua.

Lançada em 1986, Love Missile F1-11 surgiu no auge do rearmamento nuclear e da retórica anticomunista de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. O título faz referência direta ao F-111, um bombardeiro estratégico americano utilizado na Guerra do Vietname e em ataques aéreos subsequentes — símbolo máximo do poder tecnológico dos Estados Unidos.

Ao misturar esse ícone da guerra com uma “mensagem de amor”, a banda ridiculariza o discurso belicista e a estética militarizada. O que deveria ser um símbolo de dominação transforma-se em paródia pop — um espelho distorcido da própria cultura que o produziu.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Mudança Global difícil, mas possível


Nem o diagnóstico, nem as soluções apresentadas, são novas, mas vale pela sistematização, um estudo recente (The Earth4all scenarios: human wellbeing on a finite planet towards 2100) elaborado por um grupo de cientistas e especialistas em economia sustentável, liderado pelo norueguês Per Espen Stoknes do Centro para Crescimento Sustentável, e publicado na revista Global Sustainability. Ai é exposto que o modelo económico dominante está a desestabilizar as sociedades e o planeta. O colapso não é inevitável, mas são necessárias mudanças ousadas para inverter o rumo. Não se trata apenas de ajustar políticas. Trata-se de repensar profundamente a forma como produzimos, consumimos, investimos e governamos.

O estudo, feito a partir do modelo Earth4All, combinação de ciência, modelos informáticos e cenários socioeconómicos e ambientais, parte de duas perguntas: o bem-estar humano pode melhorar sem aumentar a pressão sobre o planeta? Haverá tempo para uma transformação real num mundo assolado por crises? A conclusão é que o catastrofismo é evitável, desde que a “transformação económica mais rápida da história” seja acionada, promovendo algumas “mudanças excecionais” em relação aos índices de pobreza, desigualdade, empoderamento, energia e alimentação.

Dessa forma é possível “desviar a economia da sua trajetória atual, melhorar o bem-estar humano global e reduzir tensões sociais. No centro desta turbulência está um modelo económico que foi capaz de gerar crescimento em décadas passadas, mas agora está em erosão e a “corroer os alicerces da sociedade e do planeta.”

O estudo apresenta dois cenários. Continuar na trajetória atual — marcada por respostas tímidas face aos impasses — e enfrentar uma espiral de graves crises interligadas: ambientais, sociais, políticas e económicas. Ou ser capaz de um “grande salto”, uma transformação sistémica que pode travar o aquecimento global, reduzir desigualdades e promover uma prosperidade sustentável.

A escolha não é técnica, é política. E ignorar os sinais é perpetuar algo que favorece poucos e sacrifica muitos.
Os investigadores propõem um conjunto de mudanças simultâneas, como erradicar a pobreza com investimentos massivos e cancelamento de dívidas. Reduzir a desigualdade através de impostos progressivos e redistribuição de riqueza. Empoderamento das mulheres com acesso equitativo à saúde, educação e reforma. Alteração dos sistemas alimentares com produção sustentável e mudanças na dieta, ou revolucionar o sector energético com eficiência, eletrificação e energias limpas.

Não são utopias técnicas — são desafios políticos. E é aí que reside o obstáculo: a falta de vontade, visão e coragem para romper com a inércia. E não apenas ao nível dos governos. Os cidadãos precisam de exigir e pressionar mais. É a partir dessa conjugação de fatores que será possível reconfigurar radicalmente a economia, os sistemas energéticos e estilo de vida, de forma a beneficiar tanto as pessoas como o planeta.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Estudo : Unveiling the Plurality of Visions for the Ecological Transition in Europe


O estudo, da autoria de Fátima Alves, Diogo Guedes Vidal e Helena Freitas, contribui para o debate europeu sobre a transição ecológica, evidenciando a sua complexidade sociopolítica. Enquanto o discurso dominante tende a apresentá-la como um processo técnico, linear e universal, esta investigação – baseada em 45 entrevistas em cinco países europeus – revela a existência de múltiplas visões em disputa, moldadas por culturas políticas, desigualdades territoriais, modelos de bem-estar e diferentes formas de relação com a natureza. 
A partir de um trabalho de campo qualitativo e transnacional, destacam-se os seguintes pontos:

👉 A ideia de que bastam mudanças individuais é contestada: a ação ecológica é profundamente condicionada por estruturas sociais, económicas e institucionais.

👉 Defendem-se políticas públicas que enfrentem desigualdades, promovam uma educação transformadora e aprofundem a participação cidadã.

👉 Teoricamente, cruzam-se a teoria crítica, os estudos de futuros e as transições sociotécnicas para propor alternativas mais justas e democráticas.

Mais do que um diagnóstico, propõe-se como um contributo para uma reinvenção democrática da transição ecológica, num momento em que se torna urgente construir futuros mais justos, plurais, empáticos e inclusivos para a Europa.

domingo, 16 de junho de 2024

NamNamBulu - Faces


I once used to be just like you
I used to care for things that didn't matter
And I wouldn't? Mind what I do
I would still believe that things got better

But there came a day when all this changed
Where all of my life was rearranged
Without a warning or a sign
Taken away what once was mine

Don't try, don't waste your time
Long before you feel it
It will start to blow your mind

Decide, before you grow old
If you want to get there, be there, stay
Where you were told

I don't really know why I'm here
Maybe there is someone who can tell me
There are days when I see so clear
When I know what people think around me

Even if I do not know their names
I can sense all their pains
All of the dreams they have inside
All of the fears they try to hide

Don't try, don't waste your time
Long before you feel it
It will start to blow your mind

Decide, before you grow old
If you want to get there, be there, stay
Where you were told

I see a painting on the wall
Showing exactly what I feel
Showing exactly what I feel
How could it know?

I look at faces in a hall
I see the stories that they hold
I see the stories that they hold
Passing me by

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Ética e Inteligência Artificial - Deveriam os Robôs assemelhar-se aos Humanos?



No seu artigo “Questões Éticas na Inteligência Artificial Avançada”, o filósofo Nick Bostrom argumenta que a inteligência artificial tem sim a capacidade de provocar a extinção humana. Ele afirma que a super-inteligência seria capaz de ter uma iniciativa independente, e de fazer os seus próprios planos antecipando-se a nossas possíveis reações.

Em teoria, uma IA super-inteligente seria capaz de produzir praticamente qualquer resultado possível e impedir qualquer tentativa de sabotar o seu plano inicial, podendo surgir assim muitas consequências não-intencionais, não-controladas (ou seja, antes de pensar em desligar a máquina da tomada, ela vai se antecipar a isso e criar uma defesa para que isso não impacte o funcionamento dela). Ela poderia prever e simular milhões de cenários muito mais rápido que nós, protegendo-se assim de uma possível sabotagem humana.

Sabemos que esse assunto não é novo e que inspirou grandes filmes de ficção científica como Matrix, 2001, Her, e muitos outros. Será que o tal futuro dos filmes de ficção chegou?

No entanto, vale ressaltar o lado bom: a super-inteligência também poderia nos ajudar a resolver muitos problemas difíceis, como doenças, pobreza, engenharia, viagem espacial, destruição ambiental, entre muitos outros — podendo também quem sabe nos ajudar a melhorar nós mesmos.

A pergunta que não quer calar é: deveria mesmo a inteligência artificial se passar por um Humano? Isso é “certo”?

O que nos faz Humanos?

Essa também é uma questão muito profunda discutida há milhares de anos, abrange os campos da Filosofia, Antropologia, Biologia, Psicologia, entre outros.

O professor de filosofia Barry C. Smith da Universidade de Londres explica que um dos principais fatores que nos torna humanos é “o fato de que falamos dentro das nossas mentes, além da nossa capacidade de linguagem para fazer tal coisa, isso nos permite conhecer nossas próprias mentes e outras mentes de uma maneira que nenhum outro animal faz”.

Existem uma série de outras teorias e estudos sobre esse assunto, que é um tema sem dúvida bem complexo. Entre outras coisas que nos fazem Humanos podemos destacar:

- Habilidade de sentir Empatia e Compaixão por outros seres
- Nossa Mente e nossa Consciência 
- Nossos sentimentos e emoções 
- Nossa relação com um possível Deus e com o transcendente
- Nossa capacidade de improvisar rapidamente
- Nossa criatividade e intuição

Será que um dia a IA vai evoluir a tal ponto de conseguir ter essas capacidades, da mesma forma que nós evoluímos e adquirimos essas capacidades? Depois do lançamento do ChatGPT confesso que tenho minhas dúvidas.

Tanto Elon Musk quanto Stephen Hawking já se pronunciaram e nos alertaram sobre os potenciais perigos da IA quando usada para o mal. Não precisa ser um historiador para conseguir olhar para a evolução e história humana e ver que somos sim capazes de usar novas tecnologias também para o mal e para a guerra. Infelizmente nosso individualismo tem falado muito mais alto do que nosso senso de coletivismo e isso é muito preocupante.

Acho importante é ter em mente que não queremos uma relação “Homem vs Máquina”, isso tudo não deveria ser uma competição, mas sim uma relação de colaboração, mas será que conseguimos controlar isso?
Só o futuro nos dirá como iremos usar isso para o bem e para o mal, mas uma coisa é certa: a nossa geração irá presenciar grandes mudanças na humanidade, e eu acho isso muito empolgante!

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Jaron Lanier - Social Media is Ruining your Life


Para se libertar, para ser mais autêntico, para ser menos viciado, para ser menos manipulado, para ser menos paranóico… por todas essas razões maravilhosas, exclua as suas contas.

As razões de Jaron Lanier para nos libertarmos das garras venenosas das redes sociais incluem a sua tendência para trazer à tona o que há de pior em nós, para tornar a política aterrorizante, para nos enganar com ilusões de popularidade e sucesso, para distorcer a nossa relação com a verdade, para nos desligar das outras pessoas. mesmo estando mais “conectados” do que nunca, para roubar-nos o nosso livre arbítrio com anúncios direcionados implacáveis. Como podemos permanecer autónomos num mundo onde estamos sob vigilância contínua e somos constantemente estimulados por algoritmos geridos por algumas das empresas mais ricas da história que não têm outra forma de ganhar dinheiro a não ser sendo pagas para manipular o nosso comportamento? Como poderiam os benefícios das redes sociais compensar as perdas catastróficas para a nossa dignidade pessoal, felicidade e liberdade? Lanier continua a ser um optimista tecnológico, por isso, ao mesmo tempo que demonstra o mal que rege os modelos de negócio das redes sociais hoje em dia, também prevê um ambiente humanista para as redes sociais que pode orientar-nos para uma forma mais rica e plena de viver e de nos conectarmos com o nosso mundo.

Página Pessoal

sábado, 28 de outubro de 2023

Uma rara entrevista de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, por António Faria

O escritor Fernando Pessoa expõe-nos as suas ideias sobre os vários aspectos da arte e da literatura portuguesa.

Entrevistar Fernando Pessoa não é fácil. Só é fácil entrevistar os que não pensam, os que não se importam de jogar palavras, ao acaso, atirando-as impudicamente ao vento.
Fernando Pessoa, quer como Fernando Pessoa, quer como Álvaro de Campos – o engenheiro alucinado que comporta o seu segundo eu, e que aparece em toda a parte, enchendo a voz de louvores e raios para a Vida – raios partam a Vida e quem lá ande! -é sempre um voluptuoso do raciocínio, um amante da inteligência, podemos dizer: um criador duma nova Razão. Paradoxal? Sem dúvida. Mas há tantas maneiras de ser paradoxal!

A entrevista que se segue, toda escrita por Fernando Pessoa – nem podia deixar de ser, visto Fernando Pessoa possuir uma sintaxe própria para a lógica própria dos seus pensamentos, misto de seriedade e de ironia, vai decerto prender o espírito dos leitores…

Atenção! Fernando Pessoa vai responder às perguntas que lhe fizemos:

– Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos – político, moral e intelectual?
– A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradição, não envolve contradição nenhuma. Eu explico.

Todo povo se compõe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo é um, esta aristocracia e este ele mesmo têm uma substância idêntica; manifestam-se, porém, diferentemente A aristocracia manifesta-se como indivíduos, incluindo alguns indivíduos amadores; o povo revela-se como todo ele um indivíduo só. Só colectivamente é que o povo não é colectivo.

O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo. Ora ser tudo num indivíduo é ser tudo; ser tudo numa colectividade é cada um dos indivíduos não ser nada. Quando a atmosfera da civilização é cosmopolita, como na Renascença, o português pode ser português, pode portanto ser indivíduo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civilização não é cosmopolita – como no tempo entre o fim da Renascença e o princípio, em que estamos, de uma Renascença nova – o português deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser só portugueses. Passa a não poder ter aristocracia. Passa a não passar. (Garanto-lhe que estas frases têm uma matemática íntima.)

Ora um povo sem aristocracia não pode ser civilizado. A civilização, porém, não perdoa. Por isso esse povo civiliza-se com o que pode arranjar, que é o seu conjunto. E como o seu conjunto é individualmente nada, passa a ser tradicionalista e a imitar o estrangeiro, que são as duas maneiras de não ser nada. É claro que o português, com a sua tendência para ser tudo, forçosamente havia de ser nada de todas as maneiras possíveis. Foi neste vácuo de si próprio que o português abusou de civilizar-se. Está nisto, como lhe disse, a essência da nossa crise.

As nossas crises particulares procedem desta crise geral. A nossa crise política é o sermos governados por uma maioria que não há. A nossa crise moral é que desde 1580 – fim da Renascença em nós e de nós na Renascença – deixou de haver indivíduos em Portugal para haver só portugueses. Por isso mesmo acabaram os portugueses nessa ocasião. Foi então que começou o português à antiga portuguesa, que é mais moderno que o português, e é o resultado de estarem interrompidos os portugueses. A nossa crise intelectual é simplesmente o não termos consciência disto.

Respondi, creio, à sua pergunta. Se V. reparar bem para o que lhe disse, verá que tem um sentido. Qual, não me compete a mim dizer.

– Que pensa dos nossos escritores do momento, prosadores poetas e dramaturgos?
– Citar é ser injusto. Enumerar é esquecer. Não quero esquecer ninguém de quem me não lembre. Confio ao silêncio a injustiça. A ânsia de ser completo leva ao desespero de o não poder ser. Não citarei ninguém. Julgue-se citado, quem se julgue com direito a sê-lo. Resolvo assim todos. Lavo as mãos, como Pilatos; lavo-as, porém, inutilmente, porque é sempre inutilmente que se faz um gesto simplificador. Que sei eu do presente, salvo que ele é já o futuro? Quem são os meus contemporâneos? Só o futuro o poderá dizer. Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo. Esses são apenas os meus conterrâneos no tempo; e eu não quero ser bairrista em matéria de imortalidade. Na dúvida, repito, não citarei ninguém.

– Estaremos em face de uma renascença espiritual?
– Estamos tão desnacionalizados que devemos estar renascendo. Para os outros povos, na sua totalidade eles próprios, o desnacionalizar-se é o perder-se. Para nós, que não somos nacionais, o desnacionalizar-se é o encontrar-se. Apesar dos grandes obstáculos à nossa regeneração – todas as doutrinas de regeneração – estamos no início de tornar a começar a existir. Chegámos ao ponto em que colectivamente estamos fartos de tudo e individualmente fartos de estar fartos. Extraviámo-nos a tal ponto que devemos estar no bom caminho. Os sinais do nosso ressurgimento próximo estão patentes para os que não vêem o visível. São o caminho-de-ferro de Antero a Pascoaes e a nova linha que está quase construída. Falo em termos de vida metálica porque a época renasce nestes termos. O símbolo, porém, nasceu antes dos engenheiros.

Nada há a esperar, é certo, das classes dirigentes, porque não são dirigentes; e ainda menos da proletariagem, porque ser inferior não é uma superioridade. Com razão lhes chamei eu, a estes, subgente, num artigo da antiga Águia – da Águia que voava. Só a burguesia, que é a ausência da classe social, pode criar o futuro. Só de uma classe que não há pode nascer uma classe que não há ainda. Seja como for, avancemos confiadamente. Todos os caminhos vão dar à ponte quando o rio não tem nenhuma.

– O que se deve entender por arte portuguesa? Concorda com este termo? Há arte verdadeiramente portuguesa?
– Por arte portuguesa deve entender-se uma arte de Portugal que nada tenha de português, por nem sequer imitar o estrangeiro. Ser português, no sentido decente da palavra, é ser europeu sem a má-criação de nacionalidade. Arte portuguesa será aquela em que a Europa – entendendo por Europa principalmente a Grécia antiga e o universo inteiro – se mire e se reconheça sem se lembrar do espelho. Só duas nações – a Grécia passada e Portugal futuro – receberam dos deuses a concessão de serem não só elas mas também todas as outras. Chamo a sua atenção para o facto, mais importante que geográfico, de que Lisboa e Atenas estão quase na mesma latitude.

– O regionalismo na literatura e na pintura?
– O regionalismo é uma degeneração gordurosa do nacionalismo, e o nacionalismo também. E como o nacionalismo é antiportuguês (sendo bom, cá no Sul, só para os povos latinos e ibéricos), o regionalismo em Portugal é uma doença do que não há. Amar a nossa terra não é gostar do nosso quintal. E isto de quintal também tem interpretações. O meu quintal em Lisboa está ao mesmo tempo em Lisboa, em Portugal e na Europa. O bom regionalismo é amá-lo por ele estar na Europa. Mas quando chego a este regionalismo, sou já português, e já não penso no meu quintal. (O facto de o meu quintal ser inteiramente metafórico não diminui a verdade de tudo isto: Deus, e o próprio universo, são metáforas também.)

– Teriam existido em toda a nossa história literária períodos de criação?
– O nosso único período de criação foi dedicado a criar um mundo. Não tivemos tempo para pensar nisso. O próprio Camões não foi mais que o que esqueceu fazer. Os Lusíadas é grande, mas nunca se escreveu a valer. Literariamente, o passado de Portugal está no futuro. O Infante, Albuquerque e os outros semideuses da nossa glória esperam ainda o seu cantor. Este poderá não falar deles; basta que os valha em seu canto, e falará deles. Camões estava muito perto para poder sonhá-los. Nas faldas do Himalaia o Himalaia é só as faldas do Himalaia. É na distância, ou na memória, ou na imaginação que o Himalaia é da sua altura, ou talvez um pouco mais alto. Há só um período de criação na nossa história literária: não chegou ainda.

– Continuará sendo o lirismo a nossa feição literária predominante?
– Há duas feições literárias -a épica e a dramática. O lirismo é a incapacidade comovida de ter qualquer delas. O que é ser lírico? É cantar as emoções que se têm. Ora cantar as emoções que se têm faz-se até sem cantar. O que custa é cantar as emoções que se não têm. Sentir profundamente o que se não sente é a flâmula de almirante da inspiração. O poeta dramático faz isto directamente; o poeta épico fá-lo indirectamente, sentindo o conjunto da obra mais que as partes dela, isto é, sentindo exactamente aquele elemento da obra de que não pode haver emoção nenhuma pessoal, porque é abstracto e por isso impessoal. Fomos esboçadamente épicos. Seremos inviolavelmente dramáticos. Fomos líricos quando não fomos nada. O lirismo só continuará sendo a nossa feição predominante se não formos capazes de ter feição predominante.

– O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa?
-O Quinto Império. O futuro de Portugal —que não calculo mas sei —está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra, e também nas quadras de Nostradamus. Esse futuro é sermos tudo. Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistámos já o Mar: resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus porque não são portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma coisa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeismo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade.

13-10-1923
Ultimatum e Páginas de Sociologia Política . Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução e organização de Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1980. – 3.
1ª publicação. in Revista Portuguesa, nº 23-24. Lisboa: 13-10-1923.
Fonte: Arquivo Pessoa

sábado, 9 de setembro de 2023

Musica do BioTerra: Roger Waters - Comfortably Numb 2022


Antes do confinamento, eu estava a trabalhar numa demo de uma nova versão de 'Comfortably Numb' como abertura do nosso novo show "This Is Not A Drill". Arrumeio-o sem solos, exceto no final, onde há um solo vocal comoventemente lindo de uma das nossas novas irmãs Shanay Johnson. Pretende ser um alerta e uma ponte para um futuro mais gentil, com mais conversas com estranhos, seja em "The Bar" ou apenas "Passing in the Street" e menos massacre "In Some Foreign Field". Aqui está. O vídeo é de Sean Evans. A mixagem é de Gus Seyffert.

Hello? (Hello? Hello? Hello?)

Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me
Is there anyone home?
Come on now
I hear you're feeling down
Well I can ease your pain
Get you on your feet again
Relax
I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts?

There is no pain you are receding
A distant ship smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons
Now I've got that feeling once again
I can't explain you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb [2x]

Okay (okay, okay, okay)
Just a little pinprick
There'll be no more, ah
But you may feel a little sick
Can you stand up?
I do believe it's working, good
That'll keep you going through the show
Come on it's time to go
There is no pain you are receding
A distant ship, smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
I have become comfortably numb

terça-feira, 1 de agosto de 2023

A arquitectura do palco da Jornada Mundial da Juventude Católica não é original

A arquitetura do melga- palco da Jornada Mundial da Juventude Católica não é original. A duna que o identifica é semelhante a uma das dunas do edifício da sede da empresa Bee'ha, em Sharaf, Emirados Árabes Unidos e inaugurado em 30 de Março de 2022.
Sublinho a contradição de um Estado laico ao canalizar uma grande fatia de meios financeiros para um evento de foro meramente privado, apesar de religioso. Uma Igreja Católica riquíssima, que tem um património construído muito valioso, um parque escolar e académico cujas mensalidades são bem caras e finalmente as receitas inesgotáveis, anuais e mensais, que tem a partir do turismo de Fátima, das beatificações e das visitas a casas-museu de muito(a)s santo(a)s.


Bee'ah HQ, Sharjah, UAE from Zaha Hadid Architects on Vimeo

Inspirados na paisagem desértica que envolve a nova sede da empresa ambiental e de gestão de resíduos Bee'ha em Sharjah, os diferentes elementos do edifício – átrio, auditório, centro e galeria de visitantes, escritórios e cafetaria – organizam-se em duas dunas separadas por um pátio central. A forma do edifício – com área total de 7.000 m² em um terreno de 90.000 m² – foi otimizada para responder aos ventos predominantes e à intensa incidência solar. Com o objetivo de criar um edifício que se possa tornar um modelo de construção sustentável, o atelier optou pela utilização de energias renováveis, materiais de construção reciclados e implementou estratégias de poupança energética, tanto ativa como passiva. A fachada é operável para permitir a ventilação natural durante o meses mais quentes e minimizando a necessidade de infra-estrutura de refrigeração. Os acabamentos exteriores da envolvente do edifício foram concebidos para refletir os raios solares e reduzir o consumo de energia. As duas ‘dunas’ se cruzam e se conectam através de um pátio central que forma um oásis dentro do edifício, e que melhora a ventilação natural e maximiza a luz solar indireta no interior, tanto nos espaços públicos quanto nos administrativos.