Mostrar mensagens com a etiqueta COP28. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta COP28. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Razan Al Mubarak - Foco e Filosofia

"O futuro do nosso planeta — o nosso futuro — dependerá da nossa capacidade de trabalhar não apenas entre setores, mas também entre geografias e entre culturas." - Razan Al Mubarak

Razan Al Mubarak nasceu em 1979, nos Emirados Árabes Unidos. Razan Al Mubarak é uma líder ambiental e gestora pública reconhecida pelo seu papel fundamental na proteção da biodiversidade e na luta contra as alterações climáticas.
𝐀𝐥 𝐌𝐮𝐛𝐚𝐫𝐚𝐤 foi incluída na lista das 𝟏𝟎𝟎 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐈𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟒 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐢𝐦𝐞, consolidando o seu estatuto como uma voz essencial para o futuro do planeta.
Al Mubarak tem um mestrado em Compreensão Pública das Alterações Ambientais pela University College London e uma licenciatura em Estudos Ambientais e Relações Internacionais pela Tufts University.

Em setembro de 2021,fez história ao ser eleita Presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para um mandato de 4 anos tornando-se a segunda mulher a liderar a organização nos seus 75 anos de história e a primeira do mundo árabe 

Percurso Profissional e Liderança
O seu impacto é sentido tanto a nível nacional como internacional:
  1. Agência do Ambiente de Abu Dhabi (EAD): actuou como Diretora-Geral, sendo a pessoa mais jovem a assumir este cargo. Sob a sua liderança, a agência expandiu significativamente os seus esforços na proteção de espécies ameaçadas e na gestão de recursos naturais.
  2. Fundo Mohamed bin Zayed para a Conservação de Espécies: é  a Diretora Executiva desta fundação, que já apoiou milhares de projetos de conservação em mais de 160 países, focando-se em salvar espécies da extinção.
  3. COP28: em 2023, desempenhou o papel crucial de Campeã de Alto Nível das Nações Unidas para as Alterações Climáticas na COP28, que decorreu no Dubai. Nesta função, foi a ponte entre o governo e os intervenientes não estatais (cidades, empresas e sociedade civil).
Foco e Filosofia
Razan Al Mubarak é uma defensora acérrima de soluções baseadas na natureza. O seu trabalho destaca-se por:
  1. Inclusão: defende que a conservação deve incluir as comunidades locais e os povos indígenas como guardiões da biodiversidade.
  2. Multidisciplinaridade: combina a conservação científica com estratégias económicas e políticas públicas eficazes.
  3. Identidade de Género: É uma voz ativa no empoderamento feminino em cargos de decisão ambiental.
"A conservação não é apenas sobre proteger a natureza de nós próprios; é sobre proteger a natureza para nós próprios." — Razan Khalifa Al Mubarak

Reconhecimento
 Em 2018, o Fórum Económico Mundial nomeou-a Jovem Líder Global do Fórum. Em 2013, a Câmara de Comércio Americana de Abu Dhabi atribuiu a Al Mubarak o Prémio Mulheres nos Negócios.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

COP30: Alto-comissário para os Direitos Humanos critica “inércia fatal” dos líderes


O Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, destacou hoje os “resultados insignificantes” da COP30 no Brasil, alertando para a “inércia fatal” dos líderes que poderá vir a ser considerada um crime contra a humanidade.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) terminou no sábado em Belém, no Brasil, com a adoção de um acordo minimalista, sem menção explícita ao abandono dos combustíveis fósseis, mas saudado por alguns como prova de que o multilateralismo ainda funciona.


Num discurso no Fórum das Nações Unidas sobre empresas e direitos Humanos, em Genebra, Volker Türk referiu que os “resultados insignificantes” da COP30 ilustram como os desequilíbrios de poder corporativos se manifestam na emergência climática.

“A indústria de combustíveis fósseis gera lucros colossais enquanto devasta algumas das comunidades e países mais pobres do mundo”, apontou, destacando como imprescindível responsabilizar os responsáveis pelos danos ligados às alterações climáticas.

Volker Türk pediu ainda aos países que imponham obrigações de diligência às empresas e que promovam reparações por danos relacionados com o clima.

“A resposta inadequada de hoje poderia ser considerada um ecocídio, ou mesmo um crime contra a humanidade?”, questionou.

A China bloqueou discretamente uma linguagem mais incisiva à porta fechada. Os Estados Unidos, o maior emissor e a maior economia do mundo, nem sequer estavam presentes. Quando os principais intervenientes se afastam do Acordo de Paris, o mito do consenso absoluto desmorona-se diante dos nossos olhos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Mais de 30 países dizem que não apoiarão texto da COP30 sem mapa do caminho para abandonar combustíveis fósseis

Turbinas de energia eólica são vistas em frente a usina a carvão na Alemanha

Mais de 30 países pressionaram a Presidência da COP30 nesta quinta-feira (20) ao afirmar que não apoiarão um texto final da Cúpula que deixe de fora um mapa do caminho de transição global para longe dos combustíveis fósseis.

O g1 teve acesso à carta conjunta enviada pelas delegações pedindo que o tema permaneça no rascunho político da conferência.

A cobrança surgiu após circular entre diplomatas que uma nova versão do texto poderia retirar a proposta de iniciar a construção desse mapa, prevista no primeiro rascunho do tema divulgado na última terça-feira (18).

Entenda o termo: “Mapa do caminho” ou roadmap (em inglês) é o termo usado em negociações internacionais para designar planos de ação que estabelecem etapas, prazos e metas concretas rumo a um objetivo comum. Na prática, trata-se de um roteiro político e técnico que define “quem faz o quê, até quando e com quais recursos”.

O movimento ocorre em meio à resistência de grandes produtores e consumidores de petróleo, gás e carvão.

Na carta, países como Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha e outros afirmam que “não podem apoiar um resultado que não inclua um mapa do caminho justo, ordenado e equitativo para deixar os combustíveis fósseis para trás”.

O grupo reúne nações da Europa, América Latina, Ásia e ilhas do Pacífico, muitas delas entre as mais ativas na defesa do avanço da transição energética.

Segundo negociadores, algumas delegações chegaram a cogitar abandonar as conversas caso o mapa do caminho fosse excluído.

A discussão sobre combustíveis fósseis se tornou o ponto central da COP30. O desfecho dependerá de como o mapa do caminho será tratado no texto final, que ainda está em negociação e deve avançar ao longo desta sexta-feira (21) ou para o fim de semana.

Como os mapas do caminho pode aparecer na COP?
A inclusão do tema depende do consenso entre os países participantes.

Desde a COP 28 em Dubai, no ano de 2023, os países concordaram que é preciso fazer uma "transição para longe dos combustíveis fósseis".

No termo em inglês, o texto final cita "transitioning away from fossil fuels", sem detalhar como e quando isso será feito. A COP 29, no Azerbaijão, não apresentou avanços concretos nesta direção.

E é justamente neste ponto que as expectativas sobem em relação à COP30, já que os anos recentes foram fartos em dados apontando o aumento dos eventos extremos.

Os números também mostram que são remotas as chances de alcançar a meta de conter o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial.

E o consenso científico aponta que é preciso frear a emissão de gases de efeito estufa para limitar os efeitos da crise climática.

Também na última terça, um grupo de cerca de 80 países defendeu a importância da adoção de um mapa do caminho para o fim do uso dos combustíveis fósseis.

A defesa de um mapa do caminho foi realizada em entrevista coletiva num dos auditórios da COP30 e foi convocada pela Dinamarca.

Entre os participantes que declararam apoio à iniciativa estavam ministros da Colômbia, do Quénia, do Reino Unido, de Serra Leoa, entre outros.

"A urgência da crise climática não permite desaceleração. A ciência é clara e os impactos são diários e muito caros, particularmente para o sul global", disse a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres.

"Hoje, as pessoas ao redor do mundo estão mobilizando, em uma escala massiva, demandando ação concreta para a justiça climática, particularmente contra a expansão de fronteiras de combustíveis fósseis", acrescentou.

Na coletiva, a delegação alemã também disse que praticamente toda a Europa apoia a iniciativa.

“Vamos fazer uma Mobilização global para nos libertarmos dos combustíveis fósseis”, disse Carsten Schneider, Ministro do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha.

O secretário de Estado para Segurança Energética e Net Zero do Reino Unido, Ed Miliband, também reforçou que a coligação reunida nesta Mobilização expressa um alinhamento raro entre países do Norte e do Sul globais e que o Sul, especialmente, tem insistido que o tema não pode mais ser ignorado.

Ele afirmou que o momento político é favorável e que a COP30 tem a hipótese de avançar a transição para longe dos combustíveis fósseis, retomando o impulso deixado pela COP28 (Declaration on Climate, Relief, Recovery and Peace).



sábado, 17 de maio de 2025

War/No More Trouble feat. Bono



À medida que viajávamos pelo mundo, encontrávamos amor, ódio, ricos e pobres, negros e brancos, bem como muitos grupos religiosos e ideologias diferentes. Ficou muito claro que, enquanto raça humana, precisamos de transcender das trevas para a luz e a música é a nossa arma do futuro. This Song Around The World conta com a participação de Bono, David Broza, Rocky Dawuni, Mermans Mosengo e músicos que viram e superaram conflitos e ódio com amor e perseverança. Não precisamos de mais problemas, o que precisamos é de amor. O espírito de Bob Marley vive sempre.

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently
Discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war

(We don't need) No, we don't need (no more trouble)
No more trouble!
(We don't need no more trouble)

(We don't need) We don't need (no more) trouble!
We don't need no trouble!

What we need is love (love)
To guide and protect us on (on)
If you hope good down from above (love)
Help the weak if you are strong now (strong)

We don't need no trouble (Need no trouble)
What we need is love
(What we need is love sweet love) Oh, no!
We don't need, no more trouble!
Lord knows, we don't need no trouble!

Speak happiness! (Sad enough without your woes)
Come on, you all, and speak of love
(Sad enough without your foes)

We don't need no trouble (We don't need your troubles)
What we need is love now (What we need is love!)
(We don't need) Oh, we don't need no more trouble!
We don't need, no, we don't need no trouble!

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Sobre os cépticos e as alterações climáticas


Vamos lá ver se nos entendemos em relação às alterações climáticas. Há dois tipos de alterações climáticas: as geológicas e as antropogénicas. Quando nada se referir quando falamos de alterações climáticas são as provocadas pelo Homem. A realidade está aí: eventos climáticos extremos, degelo das calotes, ondas de calor em países habitualmente frios (Suíça, p. ex.). São causadas sobretudo pelo uso e abuso de petróleo, gás, carvão e biomassa. Os jactos privados e os cruzeiros contribuem em GT de CO2, aumentando a temperatura global. 1ºC a mais trará consequências desastrosas: secas prolongadas, aumento do nível do mar, etc. 
Os GEE principais são o CO2 e o metano. Entre os GEE, incluir óxidos nitrosos e o insuspeito vapor de água que tem um poder de EE superior aos outros (e que não se pode controlar quando a temperatura atmosférica subir).
Quanto às alterações climáticas geológicas existiram no passado e continuarão a existir, nomeadamente a tectónica de placas e o vulcanismo.
O nosso clima está a mudar e nós somos a causa principal através das nossas emissões de GEE. Os factos sobre as alterações climáticas são essenciais para se compreender o mundo à nossa volta, e para tomarmos decisões informadas sobre o futuro.

Saber mais:
2. Climate Emergency Forum: Adaptação e Mitigação


3. Estudo independente ataca cépticos e confirma que a Terra está mesmo mais quente

Acção Climática Já: mitigação e adptação


A mitigação refere-se aos esforços para reduzir ou prevenir a emissão de gases de efeito estufa. Adaptação é o processo de ajuste aos impactos atuais ou esperados das alterações climáticas. A necessidade de adaptação varia de um local para outro, dependendo do risco para os sistemas humanos ou ecológicos.

Mitigation refers to efforts to reduce or prevent emission of greenhouse gases. Adaptation is the process of adjusting to current or expected impacts of climate change. The need for adaptation varies from one location to another, depending on the risk to human or ecological systems.

domingo, 24 de março de 2024

Ponto de situação da Energia Nuclear no Mundo


Europa, EUA e China
Numa cimeira internacional sobre energia nuclear que decorreu durante um dia em Bruxelas, na Bélgica, 34 nações apoiaram uma declaração de apoio à energia nuclear. Os países apelam aos reguladores para que desbloqueiem totalmente o potencial da energia nuclear, numa declaração que tinha como principal objetivo atrair o apoio dos bancos de desenvolvimento para financiar a sua instalação e manutenção. Além de se comprometerem com a construção de novas centrais nucleares em geral, a declaração também defende a rápida implantação de reatores avançados, incluindo pequenos reatores modulares, em todo o mundo. No entanto, acrescenta que, na Europa, ainda existem alguns países, como a Alemanha e a Áustria, que se opõem ao nuclear e querem que o investimento em energia com baixo teor de carbono se concentre nas energias renováveis. Fontes: AP, Euronews e Reuters.

Alemanha
Um estudo encomendado pelo Serviço Federal Alemão para a Segurança da Gestão dos Resíduos Nucleares, examinou os vários tipos de reatores nucleares em desenvolvimento no mundo, analisando a sua economia, segurança e potencial de resíduos radioativos e conclui que os problemas conhecidos da tecnologia nuclear não são susceptíveis de serem resolvidos pelos novos tipos de reatores. No entanto, políticos dos partidos União Democrata-Cristã da Alemanha (CDU) e Partido Democrata Livre (FDP) propuseram recentemente o relançamento da energia nuclear. Martin Schlak, Der Spiegel.

Austrália
O Dr. Alan Finkel, presidente do Centro de Excelência ARC para a Biotecnologia Quântica da Universidade de Queensland e antigo cientista-chefe da Austrália, explica que, apesar das recentes posturas políticas na Austrália, o país não está prestes a assistir a um aumento dramático da energia nuclear. "Embora a energia nuclear possa ressurgir a nível mundial e vir a ter um papel na Austrália, neste momento, por muita intenção que haja de ativar uma indústria de energia nuclear, é difícil de prever antes de 2040", afirma. Finkel atribui esta situação aos custos elevados e aos prazos longos, salientando que a Austrália é a única nação do G20 a ter uma proibição legislativa da energia nuclear, que teria de ser levantada antes de se poderem construir reatores. A nação também estaria a começar do zero e é "improvável que a Austrália passe de retardatária a líder", salienta. Finkel afirma que a energia eólica e solar devem ser a prioridade na Austrália e que "qualquer apelo para passar diretamente do carvão para o nuclear é efetivamente um apelo para atrasar a descarbonização do nosso sistema de eletricidade em 20 anos".

quinta-feira, 21 de março de 2024

Energia nuclear para descarbonização da Europa é desnecessária


O prolongamento da vida útil da energia nuclear na Europa é desnecessário para a descarbonização, indica um relatório do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), ontem divulgado.

Segundo as conclusões do EEB, que junta 180 associações ambientalistas de 38 países, as energias renováveis, a poupança de energia e opções de flexibilidade podem substituir a energia nuclear, sendo viável a eliminação gradual da “frota nuclear envelhecida da Europa e alcançar a neutralidade carbónica até 2040”.

O relatório é divulgado na véspera de uma cimeira em Bruxelas sobre energia nuclear, que junta dirigentes políticos e empresas, para debater o papel da energia nuclear na redução dos combustíveis fósseis, aumentando a segurança energética e o desenvolvimento económico.

A cimeira será copresidida pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, e pelo diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi e surge na sequência da inclusão do nuclear na declaração da cimeira da ONU sobre o ambiente que decorreu no final do ano passado no Dubai (COP28), admitindo a energia nuclear como fonte de energia com baixas emissões de dióxido de carbono.

No entanto, de acordo com o relatório do EEB, a construção de novas centrais nucleares é “uma estratégia irrealista para a descarbonização”.

Porque tem custos muito elevados e a construção é demorada está também em debate o prolongamento da vida das atuais centrais nucleares, algo que o relatório do EEB também contraria.

O documento mostra “que a atual frota nuclear pode ser eliminada gradualmente, a par dos combustíveis fósseis, à medida que os países da União Europeia (UE) transitam para um sistema energético drasticamente mais eficiente, alimentado por energias renováveis e apoiado por opções de flexibilidade”.

“À medida que as energias renováveis crescem e a procura de energia diminui, o papel da energia nuclear na Europa torna-se redundante. Veja-se o caso de Espanha, onde o aumento da energia eólica, solar e hídrica fez baixar os preços da eletricidade e obrigou as empresas de energia a suspender a energia nuclear para evitar perdas financeiras”, acrescenta.

O EEB salienta que a frota nuclear da UE está envelhecida, que todas as centrais, exceto duas, foram construídas antes de 2000, e que sem extensões de prazo a maioria das centrais deve encerrar até 2030. Segundo o organismo europeu, a contribuição da energia nuclear para o cabaz elétrico está em declínio na UE e os custos a aumentar.

O relatório conclui que os esforços de descarbonização dos Estados membros da UE devem dar prioridade à redução do consumo de energia na indústria, nos edifícios e nos transportes, ao mesmo tempo que aumentam a implantação das energias renováveis.

Por causa da cimeira, uma coligação internacional de ativistas vai organizar uma manifestação de protesto em Bruxelas. A organização ambientalista Greenpeace UE diz em comunicado que os ativistas protestam contra o que consideram “contos de fadas nucleares”.

Esta semana, mais de 500 organizações de todo o mundo assinaram uma declaração anti-nuclear, defendendo “energia segura, acessível e amiga do clima para todos”, e apelando aos governos para que não desperdicem tempo e dinheiro com esses “contos de fadas”.

Outra organização ambientalista, que junta associações europeias, a “Climate Action Network” (CAN Europe) apresenta também um documento segundo o qual a energia nuclear é “uma perigosa distração” da transição para um sistema energético baseado em energias renováveis, “e ameaça atrasar a urgente eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”.

“Vemos com crescente preocupação o renascimento da energia nuclear”, diz Thomas Lewis, da CAN Europe, frisando que as energias renováveis são o substituto mais barato, mais rápido e mais viável para os combustíveis fósseis.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Petrolíferas europeias e americanas lucram 260 mil milhões de euros desde invasão da Ucrânia

Desde que a Rússia invadiu a vizinha Ucrânia em fevereiro de 2022, as maiores petrolíferas norte americanas e europeias já lucraram perto de 260 mil milhões de euros, revela a mais recente análise da ‘Global Witness’.

O trabalho refere-se às cinco maiores empresas de combustíveis fósseis dos Estados Unidos da América e da Europa: Shell, BP, Chevron, ExxonMobil e TotalEnergies. A organização não-governamental aponta, em comunicado, que essas entidades “pagaram 200 mil milhões de dólares [cerca de 185 mil milhões de euros] aos seus acionistas desde a invasão da Ucrânia, canalizando dinheiro para os investidores enquanto mais de 10 mil civis ucranianos eram mortos e milhões de famílias por toda a Europa tinham dificuldades em manter as luzes acesas”.

Quadro mostra os lucros trimestrais e totais das cinco maiores empresas de combustíveis fósseis nos EUA e na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.Fonte: Global Witness

A ‘Global Witness’ recorda que as empresas de combustíveis fósseis logo em 2022 tinham conseguido “lucros record às custas do aumento dos preços da energia”, tendo entregado aos seus acionistas “uns sem precedentes 111 mil milhões de dólares [cerca de 103 mil milhões de euros] em 2023”.

“No ano mais quente de que há registo, este valor é quase 158 vezes mais do que o que foi prometido às nações vulneráveis na cimeira climática COP28 no ano passado”, diz a organização.

Assim, contas feitas, desde o segundo trimestre de 2022, quando já se sentiam os efeitos do primeiro conflito armado na Europa desde a Segunda Grande Guerra, e até ao quarto trimestre de 2023, a Shell terá registado um lucro total de 59 mil milhões de dólares (cerca de 55 mil milhões de euros), a BP de 35 mil milhões (cerca de 32 mil milhões de euros), a ExxonMobil de 86 mil milhões (cerca de 80 mil milhões de euros), a Chevron de 51 mil milhões (cerca de 47 mil milhões de euros), e a TotalEnergies de 50 mil milhões (cerca de 46 mil milhões de euros).

“Esta análise mostra que, independentemente do que acontece nas linhas da frente, as grandes empresas de combustíveis fósseis são os principais vencedores da guerra na Ucrânia”, afirma Patrick Galey, investigador da Global Witness.

“Acumularam uma riqueza incalculável à custa da morte, da destruição e da subida vertiginosa dos preços da energia”, critica o especialista, acrescentando que os ganhos estão a ser usados para enriquecer os seus investidores e para alimentar novos projetos de exploração de combustíveis fósseis, “que a Europa não precisa e que o clima não consegue suportar”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Pentagon Pollution Is a Global Embarrassment

Dados do Relatório Pentagon Fuel Use, Climate Change, and the Costs of War


World leaders just wrapped up 2023’s international climate forum, COP28, held in Dubai.

The forum opened on November 30 with an embarrassment for the host country, the United Arab Emirates, when the president of the gathering—who also leads the UAE’s state oil company—was caught using the platform to secretly push fossil fuel deals.

But, Washington also had cause for embarrassment.

After all, the United States is responsible for more cumulative fossil fuel emissions than any other country. And we’re spending more and more resources on a big part of the problem: the Pentagon. The Department of Defense remains the most carbon-intensive institution in the world, responsible for more annual emissions than most countries.

This year, Americans have experienced record-breaking temperatures and dozens of billion-dollar climate disasters, including floods, wildfires, winter storms and hurricanes. The American people deserve safety and security—but plowing more money into the military isn’t going to ensure either.

The United States continues to spend more on its military than the next ten highest spenders combined. Even though the Pentagon recently failed its sixth straight audit, Congress just passed a gargantuan, $886 billion military spending bill.

On top of that massive Pentagon budget, the White House is calling for an additional $106 billion in emergency supplemental funding for military assistance to Israel and Ukraine, and to countries surrounding China—where there is no ongoing war.

With nations at COP28 approving a global climate aid fund to help poorer countries adapt, that number has some added significance: $106 billion is the exact same figure the U.S. owes in climate reparations to other countries for all those historic emissions, one Columbia University researcher estimates.

By contrast, President Joe Biden has pledged just $1 billion for global climate aid—ten times less than an earlier commitment he made in 2021.

Many still applaud Biden’s climate-forward policies, including the historic climate investments made as part of the Inflation Reduction Act. However, these efforts still fall short of what is needed.

We need to shift more of our considerable resources away from the carbon-intensive Pentagon and toward serious efforts to stop rising temperatures and stabilize regions threatened by climate catastrophe. That would make the world— and the United States—a lot safer.

Even a modest $100 billion cut to the Pentagon would be transformative—that’s enough to fund solar power for every household in the country, with billions of dollars left to spare.

When it comes down to what makes us safer, we must look at the state of our planet for future generations. After another year plagued by climate disasters and wars, it’s clear we cannot continue down a course of investing in militarism while neglecting our planet.

As leaders negotiate how to reduce worldwide emissions, they must look critically at their most carbon-intensive institutions. And if the Biden Administration is serious about leaving a positive climate legacy, it should start with the Pentagon.

Apenas 5% dos povos negros da América Latina têm direitos à terra reconhecidos


No último dia 5 de dezembro, durante a Convenção nas Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), realizada em Dubai, Emirados Árabes, líderes afrodescendentes do Brasil, Colômbia e Honduras apresentaram resultados do estudo “Territorialidade dos Povos Afrodescendentes da América Latina e do Caribe em Hotspots de Biodiversidade”.
Esse estudo mostrou que apenas 5% dos povos negros dessas regiões têm reconhecimento legal de seus direitos coletivos à terra e ao território. Esses povos estão presentes em 205 milhões de hectares, englobando 16 países da região. Além disso, dados demonstram que as comunidades de povos negros da América Latina contribuem para a preservação do meio ambiente em seus territórios. Essa foi a primeira análise regional a documentar a presença territorial dos povos afrodescendentes e sua importância para a América Latina e o Caribe em termos de desenvolvimento, mitigação e adaptação às mudanças climáticas e conservação. Consultar o Atlas de Solos da América Latina e do Caribe.
O evento foi encerrado nessa terça-feira (12). O objetivo era convocar os Estados e os parceiros da região da América Latina e Caribe a promover e implementar reformas para o reconhecimento e a titulação dos territórios dos povos afrodescendentes, como forma de garantir um caminho eficaz para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.
A discussão foi organizada pela Rights and Resources Initiative (RRI) e contou com a presença de Susana Muhamad, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia; Omaira Bolaños, da RRI; Jose Luis Rengifo, do Proceso de Comunidades Negras (PCN); Katia Penha, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) do Brasil; Gregoria Jimenez, da Organização para o Desenvolvimento das Comunidades Étnicas (Odeco), de Honduras; e Clemencia Carabali, da Associação de Mulheres Afrodescendentes do Norte do Cauca (Asom).

A diretora do Programa para a América Latina da RRI, Omaira Bolaños conversou com a Agência Brasil:
Agência Brasil: Como o estudo “Territorialidade da Biodiversidade dos Povos Afrodescendentes na América Latina e no Caribe”, apresentado na COP 28, em Dubai, pode contribuir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas?
Omaira Bolaños: É importante destacar que esse é o primeiro estudo a documentar a presença territorial dos povos afrodescendentes e sua importância para a América Latina e o Caribe em termos de desenvolvimento, mitigação e adaptação às mudanças climáticas e conservação. Trata-se de um esforço conjunto entre a RRI, a PCN, a Conaq, o Observatório de Territórios Étnicos e Camponeses (Otec) e outras 20 organizações de base que o acompanham.
A análise revela que há 205 milhões de hectares em 16 países da região com a presença territorial de povos afrodescendentes. Entretanto, apenas 5% têm reconhecimento legal de seus direitos coletivos à terra e ao território. Essa análise também mostra que há mais de 1.271 áreas protegidas dentro ou adjacentes aos territórios dos povos afrodescendentes, 77% das quais têm transformação natural reduzida, o que demonstra a enorme contribuição dessas comunidades na proteção de áreas de alto valor ecossistémico.
O Brasil é um país significativo diante dos dados acima, pois 67% dessas áreas estão localizadas em municípios certificados com a presença de comunidades quilombolas sem titulação coletiva.

Agência Brasil: Que papel as comunidades tradicionais podem desempenhar na mitigação das mudanças climáticas?
Omaira Bolaños: As comunidades são as protagonistas dessa ação. As conclusões do estudo identificam a situação de modo que, a partir desse ponto de partida, há muito trabalho a ser feito para o reconhecimento e a proteção dos direitos das populações quilombolas dentro dos regimes legais de direitos de propriedade coletiva. O meio ambiente é preservado quando os territórios quilombolas são protegidos. A gestão territorial quilombola é conservacionista por excelência.

Agência Brasil: Embora a população afrodescendente na América Latina e Caribe represente cerca de 30% da população total da região, os direitos das comunidades tradicionais ainda não são reconhecidos por muitos países. O que deve ser feito para reverter essa situação?
Omaira Bolaños: Um evento dessa magnitude, que reúne líderes regionais para apresentar os resultados do estudo sobre a presença territorial dos povos afrodescendentes e sua importância para a América Latina e o Caribe em termos de desenvolvimento, mitigação e adaptação às mudanças climáticas e conservação, já é um passo importante para envolver diferentes governos na necessidade de implementar políticas que reconheçam os direitos de posse territorial dos povos afrodescendentes e sua importância na agenda global e nas metas de mitigação das mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.
Segundo Omaira Bolaños, estudos mostram que quando detêm direito à propriedade, comunidades afrodescendentes aumentam a capacidade de evitar o desmatamento. 

Agência Brasil: As florestas tropicais representam cerca de 87 milhões de hectares nos territórios mapeados dos povos afrodescendentes, muitos dos quais estão localizados em áreas consideradas de biodiversidade. O que pode ser feito para garantir que esses territórios sejam reconhecidos como de grande valor para a preservação do planeta? E que políticas públicas os governos deveriam introduzir para proteger e garantir os direitos das pessoas de ascendência africana, como os quilombolas?
Omaira Bolaños: O Brasil é um país significativo diante dos dados acima, pois 67% dessas áreas estão localizadas em municípios certificados com a presença de comunidades quilombolas sem titulação coletiva. Apenas 1.093.645,1 hectares foram legalmente reconhecidos às comunidades quilombolas no Brasil. Ainda há pedidos de reconhecimento de 2.387.859,7 hectares de terras de comunidades quilombolas pendentes. O Brasil é um dos poucos países com um arcabouço legal robusto e uma estrutura institucional com capacidade para avançar na implementação de políticas de direitos de posse de terra para comunidades quilombolas em nível nacional e subnacional.
Vários estudos demonstram que, quando as comunidades têm direitos legais de posse sobre suas terras, sua capacidade de evitar o desmatamento e proteger a biodiversidade aumenta. Garantir os direitos à terra e aos recursos das comunidades quilombolas é uma das maneiras mais eficazes de avançar em direção às metas do Brasil em relação à mitigação das mudanças climáticas e à proteção da biodiversidade. O estudo mostra o papel significativo que as terras das comunidades afrodescendentes em toda a América Latina têm na proteção dos inestimáveis recursos florestais da Terra.
Esperamos que essa abordagem possa amplificar as vozes da população local e envolver proativamente governos, instituições multilaterais e atores do setor privado na adoção de reformas institucionais e de mercado para apoiar os direitos de posse das comunidades quilombolas, de modo que elas continuem desenvolvendo estratégias que apoiem a sustentabilidade da floresta e protejam a biodiversidade”.

Agência Brasil: Em 11 países, os direitos à terra desses povos foram reconhecidos, mas em outros isso ainda não aconteceu. O que as organizações não governamentais (ONGs) da América Latina e do Caribe ligadas à causa dos afrodescendentes propõem para remediar essa situação?
Omaira Bolaños: Acreditamos que a saída para a crise pode ser identificada pelas comunidades e territórios que sofrem esses impactos. Eles são os protagonistas dessa ação. Uma maneira é conhecer melhor os territórios, inclusive os que estão ao nosso redor. A coalizão para a produção do estudo em 16 países da região com a presença territorial de povos afrodescendentes, um esforço conjunto entre a RRI, o PCN, a Conaq, o Observatório de Territórios Étnicos e Camponeses (Otec) e outras 20 organizações de base que o acompanham, abre caminho para que sejam criadas soluções nas comunidades e nos territórios para problemas complexos.
A coalizão de organizações afrodescendentes e aliados que trabalham juntos nessa estratégia regional baseia-se em um roteiro que define duas grandes ações inter-relacionadas: o mapeamento de seus territórios e o ‘status’ legal do reconhecimento dos direitos de posse sobre esses territórios. Essas duas ações têm o objetivo de informar a cada um dos governos e às comunidades doadoras internacionais e bilaterais onde novas políticas precisam ser criadas ou implementadas e o nível de apoio – nacional ou subnacional – para garantir o avanço dos direitos à terra das comunidades afrodescendentes e quilombolas.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

COP28: Clama-se o fim da era fóssil, mas também se deixam alertas



Nas primeiras horas desta quarta-feira, depois de uma longa noite de intensas negociações, a presidência da 28.ª cimeira global do clima (COP28) anunciou que, por fim, se havia chegado a um acordo.

No documento que avalia os progressos feitos até ao momento para combater as alterações climáticas e o que precisa ainda de ser feito, conhecido como Global Stocktake (GST), o texto volta a fazer referências a um eventual fim da produção e consumo de combustíveis fósseis como a melhor forma de manter o aquecimento do planeta abaixo dos 1,5 graus Celsius face a níveis pré-industriais.

Recorde-se que na segunda-feira, a presidência da COP28 tinha divulgado uma proposta de texto que não fazia qualquer menção ao fim do fóssil e apenas apresentava uma série de ações que os Estados podiam, à escolha, tomar para reduzir as suas emissões. Essa versão gerou uma torrente de críticas, que acusavam os Emirados Árabes Unidos, responsáveis pela redação do texto, de ceder aos interesses dos países e empresas da indústria fóssil e de ignorar os inúmeros apelos a uma linguagem forte e clara que declarasse, pela primeira vez, o fim, ainda que progressivo, da produção e uso de todos os combustíveis fósseis.

Aquela que é a versão final do documento reconhece também que, para limitar o aquecimento global a 1,5 graus, “são precisas reduções rápidas e sustentadas das emissões globais de gases com efeito de estufa em 43% até 2030 e 60% até 2035 relativamente ao nível de 2019”, com o objetivo de se alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, em comunicado, que o acordo “manter-nos-á em linha com os objetivos do Acordo de Paris” e permitirá acelerar “a transição para uma economia mais limpa e saudável”.

Wopke Hoekstra, comissário europeu para as alterações climáticas, saudou também o consenso alcançado, afirmando que este é “o início do fim dos combustíveis fósseis”.

Por sua vez, António Guterres, Secretário-geral das Nações Unidas, que lançou apelos sucessivos ao fim progressivo dos combustíveis fósseis, escreveu na rede social Twitter que a declaração aprovada é “um momento decisivo na luta contra as alterações climáticas” e que “pela primeira vez, existe o reconhecimento da necessidade de se fazer uma transição para além dos combustíveis fósseis”.

Contudo, deve atentar-se na expressão “transição para além dos combustíveis fósseis”, ou ‘transitioning away from fossil fuels’ na redação original em inglês, e como surge no texto.

Isto, porque versões anteriores equacionavam uma linguagem muito mais clara e definitiva, como “abandono progressivo”, ou ‘phaseout’.

Reações menos efusivas vieram de vários lados, incluindo do próprio responsável das Nações Unidas para as alterações climáticas, Simon Stiell.

Salientando os “avanços genuínos” alcançados pela cimeira no que toca a triplicar as energias renováveis, a duplicar a eficiência energética e a operacionalizado o Fundo de Perdas e Danos, Stiell diz, no entanto, que “não virámos a página da era dos combustíveis fósseis”, ainda que afirme que “este resultado é o princípio do fim”.

As reações de desilusão vieram também de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América, que escreveu no Twitter que a decisão a que se chegou é “um marco importante”, “mas é também o mínimo indispensável”.

“A influência do Estados petrolíferos continua a ser evidente em metade das medidas e nas lacunas incluídas no acordo final”, afirmou, acrescentando que “se este é um ponto de viragem que verdadeiramente marca o início do fim da era dos combustíveis fósseis depende das ações que venham a ser tomadas e da mobilização financeira necessária para alcançá-las”.

Mary Robinson, presidente da organização Elders, considera que “o acordo da COP28, embora assinale a necessidade de se acabar com a era dos combustíveis fósseis, peca por não se comprometer com um total abandono progressivo”.

Porém, reconhece que esta versão é melhor do que a anterior e saúda os países por terem sido capazes de encontrarem “terreno comum suficiente no Dubai para manter a ação climática em movimento”.

Recorde-se que Mary Robinson esteve envolvida numa troca de palavras duras com o presidente da COP, Al Jaber, quando esse último afirmou que não havia evidências científicas que sustentassem as declarações de que acabar com os combustíveis fósseis permitiria travar as alterações climáticas. Al Jaber veio depois dizer que o que disse foi mal interpretado.

A organização internacional Oxfam é mais dura nas críticas que faz ao desfecho da COP28. Numa declaração divulgada nas redes sociais, Nafkote Dabi, responsável de alterações climáticas, afirma que “a COP28 foi sem dúvida uma desilusão, porque não pôs dinheiro em cima da mesa para ajudar os países em desenvolvimento na transição para as energias renováveis”.

“E uma vez mais os países ricos renegaram as suas obrigações para ajudar as pessoas que estão a ser atingidas pelos piores impactos da degradação climática”, acusou.

Do lado da Greenpeace, Kaisa Kosonen, que liderou a delegação da organização ambientalista na COP28, declara que “esta não é ainda a decisão de que o mundo precisa ou merece, mas há algumas melhorias com o apelo à transição para além dos combustíveis fósseis”.

A responsável destaca que “o sinal que a indústria fóssil temia está aqui: acabar com a era dos combustíveis fósseis, bem como um apelo para escalar massivamente as renováveis e a eficiência nesta década”. Mas alerta que essas medidas estão “enterradas sob muitas distrações perigosas e sem meios suficientes para alcançá-las de forma justa e rápida”.

Do lado de Portugal, também se ouviram já reações. Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, reconhece como positivo o acordo firmado, mas diz que a cimeira terminou com “sabor agridoce”. Num vídeo publicado na rede social Twitter, diz que “a mensagem principal é muito clara: estamos no fim da era dos combustíveis fósseis”.

Ainda assim, alerta que o texto contém “falsas soluções que nos vão distrair deste objetivo do investimento no triplicar das energias renováveis entre 2022 e 2020 e no duplicar da eficiência energética”.

Salienta ainda “necessidades prementes” no que toca ao financiamento climático e à adaptação, outros grandes temas desta cimeira, avisando que “conseguir uma transição justa é um elemento que ficou aquém do desejável”.

Por parte do Governo português, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, afirmou à agência Lusa que o acordo a que se chegou “fecha com chave de ouro a participação de Portugal na COP” e “dá-nos também uma perspetiva de esperança, que é muito necessária na política climática”.

O governante considera que “do ponto de vista daquilo que é o texto e a sua ambição”, está “muito mais em linha” com o que diz a ciência, com uma linguagem “do fim dos fósseis”.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

A lavagem verde da COP28 por bots



Uma rede de pelo menos 1.900 bots no X (antigo Twitter) promove a COP28 em inglês e árabe, conclui uma análise de Marc Owen Jones, professor da Universidade Hamad bin Khalifa, no Catar. Os bots elogiam os Emirados Árabes Unidos e o presidente da polícia como heróis do clima.

“Identifiquei uma rede de cerca de 1.900 bots no Twitter/X fazendo lavagem verde da COP28. A rede está dividida em “asseclas” e “generais”. Os minions só aparecem para curtir e promover uma série de 'generais'. Os ‘generais’ publicam conteúdo original. Por exemplo, o ‘general’ Mazon é um bot com uma conta 'antiga/poucas', ou seja, foi criada em 2009 (conta antiga), mas só fez 1.352 postagens (poucas). O seu primeiro tweet é de 2022, o que significa que foi apagado e reaproveitado.

E quem são as ‘pessoas’ que gostam do tweet do Mazon? Os asseclas do ‘general’ são todos bots. As contas nesta rede têm uma caraterística distintiva: cada tweet de um general como Mazon recebe cerca de 100 gostos. Os seus rostos são gerados por inteligência articifial.

Esta rede é inteligente. Nem todos os bots retweetam 1.900 vezes. Eles estão divididos em unidades/células - e cada unidade irá gostar de um poste de um general específico, com algumas exceções. Provavelmente para evitar a deteção pelo Twitter/X. Portanto, nesta rede há cerca de 22 generais e 1.878 subordinados. Nem todos os generais são criados iguais e até alguns exibem o selo de verificação, como bint_jumeiraah e BkhetaElbasbosy, cujas contas são antigas, com número semelhante de tweets.

Muitos dos tweets elogiam o chefe do ADNOC e presidente da COP28, Sultan Al Jaber. Outros elogiam os Emirados Árabes Unidos e a COP28 em geral. A rede Atm tem a tarefa de promover a COP28, os Emirados Árabes Unidos e Al Jaber como bons para a catástrofe climática.

Em suma, pelo menos 1.900 bots/contas falsas estão envolvidas na promoção do greenwashing COP28, principalmente em inglês e árabe. Os bots estão ligados a uma rede muito maior de contas falsas, totalizando pelo menos 7.000, aparentemente alinhadas com a política externa dos Emirados Árabes Unidos.”

domingo, 10 de dezembro de 2023

Grandes lobistas da carne e dos laticínios aparecem em número recorde na COP28

Lobistas de empresas agrícolas industriais e grupos comerciais compareceram em número recorde na Cop28 , com três vezes mais delegados representando a indústria da carne e dos laticínios do que no ano passado.

Estão presentes representantes de algumas das maiores empresas do agronegócio do mundo – como o fornecedor de carne JBS , a gigante de fertilizantes Nutrien, a gigante de alimentos Nestlé e a empresa de pesticidas Bayer – bem como de poderosos grupos de lobby da indústria.

A carne e os laticínios estão particularmente bem representados, com 120 delegados, mas uma análise da lista de delegados feita pelo DeSmog mostra que o número de lobistas que representam os interesses do agronegócio de forma mais ampla mais que dobrou desde 2022, chegando a 340.

Além disso, a análise revela que mais de 100 delegados viajaram para Dubai como parte de delegações de países, o que concede acesso privilegiado às negociações diplomáticas. Este número aumentou de 10 em 2022.

As empresas de carne e laticínios, em particular, estão sob crescente escrutínio devido à poluição proveniente da pecuária, que emite cerca de um terço da produção global de metano, um gás de efeito estufa de curta duração, cuja redução é identificada como o caminho mais rápido para desacelerar o aquecimento global. .

Ben Lilliston, do Instituto de Política Agrícola e Comercial, afirmou: “Com um maior escrutínio sobre as emissões das empresas de carne e laticínios, não é surpreendente que estejam a intensificar o seu jogo para evitar qualquer resultado da Cop que possa prejudicar as suas operações. Mesmo assim, a triplicação do número de delegados é alarmante – demonstra a necessidade urgente de reformas que limitem a influência corporativa nas reuniões da ONU sobre o clima.”

A carne não é a única indústria sob os holofotes. Agricultores, retalhistas e transformadores também geram emissões de gases com efeito de estufa através do desmatamento de árvores, da utilização de fertilizantes sintéticos derivados de combustíveis fósseis e no transporte, embalagem e armazenamento.

Karina Gonçalves David, representante dos pequenos agricultores do Brasil, está preocupada com a presença de empresas poderosas e poluentes. “Se estiverem dentro, têm vantagem. Este lugar trata de soluções para enfrentar a crise climática, mas as empresas estão se apropriando dele para fazer lobby. Eles estão indo na direção oposta.”

Estima-se que as emissões das cinco maiores empresas de carne do mundo sejam significativamente maiores do que as das empresas petrolíferas Shell e BP, enquanto a contribuição de 3,4% da indústria leiteira para as emissões globais induzidas pelo homem é uma percentagem superior à da aviação.

Grupos de lobby da carne também estão no terreno no Dubai, incluindo o North American Meat Institute, que ainda em 2022 afirmava que a extensão do colapso climático provocado pelo homem era “desconhecida”.

Os produtores de pesticidas também compareceram em grande número este ano, um aumento de 30% em comparação com 2022. Juntas, Bayer , Syngenta , BASF e a sua associação comercial, CropLife , que rejeitou as tentativas de promulgar novas medidas climáticas, enviaram 29 delegados.

A indústria de fertilizantes sintéticos também teve um aumento acentuado no número de representantes, com 40 este ano, contra 13 em 2022.

Raj Patel, do grupo de reflexão sobre sustentabilidade IPES-Food, afirmou: “Tal como acontece com o influxo de lobistas do petróleo, as empresas agrícolas industriais estão assustadas. Eles leram a ciência e sabem o quanto os seus negócios impulsionaram a crise climática.”

Os grandes representantes da alimentação e da agricultura estão interessados ​​em desviar as conversas das mudanças alimentares, que estão em discussão na cimeira. No domingo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura divulgará o primeiro projecto do seu plano para alcançar um sistema alimentar global sustentável, que deverá apelar às nações ricas para que reduzam o consumo de carne.

Isto segue a recomendação da Comissão Eat-Lancet, que sugere que as pessoas não consumam mais do que 15,7 kg por ano. Em 2020, o americano médio consumiu 126kg de carne.

Os pequenos agricultores estão preocupados com a possibilidade de serem marginalizados pelo poder do lobby do agronegócio. Um relatório recente mostrou que os pequenos produtores recebem apenas 0,3% do financiamento público internacional para o clima, apesar de produzirem um terço dos alimentos do mundo.

“Os agricultores familiares já estão a implementar práticas mais diversificadas e amigas da natureza, o que o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas da ONU considera necessário”, disse Esther Penunia, secretária-geral da Associação de Agricultores Asiáticos, uma aliança de organizações que representam 13 milhões de famílias. agricultores. “No entanto, as nossas preocupações e as soluções que apresentamos estão a ser abafadas. Lutamos para que as nossas vozes sejam ouvidas acima das vozes daqueles com mais dinheiro e mais poder.”

sábado, 9 de dezembro de 2023

“Numa trajetória desastrosa”: Cientistas alertam para risco de cinco pontos de inflexão da Terra


O aquecimento médio do planeta continua a progredir, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas e pela degradação e destruição da Natureza. Em 2015, em Paris, os governos do mundo acordaram que era preciso agir para impedir que a Terra aqueça mais do que 1,5 graus até ao final do século.

De ano para ano, surgem alertas de novos recordes de temperaturas máximas, de secas intensas, de incêndios devastadores e de tempestades sem precedentes, e, com isso, multiplicam-se o alertas de que é preciso fazer mais, melhor e mais rapidamente.

Apesar de ainda se considerar que nem tudo está para já perdido e que há tempo, mesmo que pouco, e conhecimento suficiente para alcançar esse objetivo, a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente e as ações climáticas tardam em chegar.

De acordo com os mais de 200 investigadores do projeto internacional Global Tipping Points, se nada for feito para contrariar essa tendência, a Terra poderá ultrapassar, pelo menos, cinco limiares naturais, pontos de inflexão em que pequenas alterações podem resultar em transformações rápidas e profundas, e além dos quais consequências negativas para a humanidade e para a Natureza podem ser irreversíveis. E três deles podem ser cruzados já na próxima década.

Num comunicado divulgado pela Universidade de Exeter, que coordenou o trabalho, os cientistas dizem que esta é “a avaliação dos pontos de inflexão mais abrangente alguma vez feita” e explicam que “a humanidade está atualmente numa trajetória desastrosa”.

Entre os limiares que poderão ser ultrapassados nos próximos anos, os cientistas destacam o colapso de grandes mantos de gelo na Gronelândia e na Antártida ocidental, o derretimento do pergelissolo (ou permafrost), a mortalidade generalizada de recifes de corais de água quente e o colapso da circulação atmosférica no Atlântico Norte.

Para Tim Lenton, um dos investigadores, “os pontos de inflexão no sistema da Terra representam ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade” e “podem provocar efeitos em dominó devastadores, incluindo a perda de ecossistemas inteiros e a capacidade para fazer uma agricultura estável, com impactos sociais que incluem deslocações em massa, instabilidade política e colapso financeiro”.

A investigação analisou 26 “pontos de inflexão negativos do sistema da Terra” e concluiu que “a atual governança global não é adequada à escala do desafio”, e que a manutenção do estado de coisas “já não é possível”, visto que “rápidas alterações na natureza e nas sociedades estão já a acontecer, e mais estão para vir”.

“Sem ação urgente para travar as crises climática e ecológica, as sociedades serão assoberbadas, enquanto o mundo natural se degrada”, avisam.

Apesar do tom alarmista do relatório, os cientistas acreditam que é possível promover “pontos de inflexão positivos”, que permitam contrair os negativos e manter o planeta numa rota de sustentabilidade.

“Uma cascata de pontos de inflexão positivos salvaria milhões de vidas”, pouparia biliões de dólares em prejuízos provocados por eventos climáticos extremos e permitira “começar a restaurar o mundo natural do qual todos nós dependemos”.

Lenton afirma que ações positivas estão já a ser realizadas, como o fortalecimento da aposta nas energias renováveis, a expansão da mobilidade elétrica e a transição para dietas menos intensas em produtos de origem animal.

Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo e que esteve também envolvida no projeto, considera que ações concretas para evitar os piores cenários “deverá ser o principal objetivo da COP28”.

E os investigadores deixam algumas sugestões para os líderes mundiais: acabar com as emissões dos combustíveis fósseis até 2050, reforçar a adaptação e os mecanismos de financiamento de perdas e danos, coordenar esforços globais para promover pontos de inflexão positivos, criar “uma cimeira global urgente sobre pontos de inflexão” e aprofundar o conhecimento sobre esses fenómenos.

“Resolver as crises climática e da natureza exigirá grandes transições em muitos setores – de mudanças nas dietas ao restauro de florestas”, passando pelo “abandono progressivo do motor de combustão interna”, avisa Kelly Levin, do Bezos Earth Fund, instituição parceira do projeto.

Manifestação este sábado em Lisboa por um "Plano de Desarmamento Climático"


O movimento Climáximo convocou uma manifestação com o título “Resistência Climática” para as 14h00 deste sábado, 9 de dezembro. O ponto de partida é no Saldanha, passando pelo Marquês de Pombal e descendo a Avenida da Liberdade.

Em comunicado e no site, o movimento explica que “a manifestação apela a uma Resistência Climática para reivindicar um Plano de Desarmamento Climático".

Partido às 14h00 do Saldanha, os ativistas descem até à rotunda do Marquês de Pombal “onde vai ser organizada uma Assembleia de Resistência para discutir as prioridades do movimento pela justiça climática para o ano de 2024”.

A manifestação conta com o apoio das seguintes organizações:
CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral
Greve Climática Estudantil – Lisboa
Habita
Partido Ecologista “Os Verdes”
PATAV – Plataforma Anti Transporte dos Animais Vivos
Quercus
Scientist Rebellion Portugal
Sirigaita
SOS Racismo
SPN - Sindicato dos Professores do Norte
STCC - Sindicatos dos Trabalhadores de Call Center
Stop Despejos

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Portugal melhora posição no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas




Portugal ocupa atualmente o 13.º lugar, ou a 10.ª em termos dos países elencados, no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas 2024 (CCPI – Climate Change Performance Index), subindo um lugar no ranking climático face à avaliação do ano anterior.

Divulgado recentemente no âmbito da 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 28), que se realizou recentemente no Dubai, o CCPI é um instrumento que traduz o desempenho das políticas climáticas de cada país e no seu cálculo entram os progressos em matéria de mitigação climática de 63 países e da União Europeia, que representam 90% das emissões no mundo inteiro. As quatro categorias avaliadas são: emissões de gases com efeito de estufa (com um peso de 40%), energias renováveis (20%), uso de energia (20%) e política climática (20%).

Qual foi o desempenho de Portugal?
Portugal é um dos país com bom desempenho no CCPI de 2024, com uma pontuação média em política climática e energias renováveis (ambas no 20.º lugar) e alta em uso de energia e emissões de gases de efeito de estufa (17.º lugar e 16.º lugar respetivamente).

Principais metas e objetivos de Portugal
— De acordo com a Lei de Bases do Clima, o país deve alcançar uma redução de 55% nas emissões até 2030.

— O Plano Nacional de Energia e Clima revisto, mostra um aumento significativo da capacidade instalada de energia renovável até 2030 (principalmente de energia solar e eólica) e inclui ainda a produção de hidrogénio para exportação. Em relação à neutralidade climática o objetivo de longo prazo de Portugal prevê uma antecipação para 2045.

— Portugal pretende atingir uma quota de 80% de energia renovável na produção de eletricidade até 2026.

— Em termos de transportes, Portugal precisa de melhorar os seus esforços, pois poucas cidades têm planos de mobilidade urbana sustentável, o trânsito tem vindo a aumentar e o automóvel continua a ser o meio de transporte urbano e extraurbano dominante, sendo a utilização do transporte público extremamente baixa. As emissões do transporte rodoviário também têm vindo a aumentar.

— Para a indústria, a Estratégia Industrial Verde deve estar pronta até fevereiro de 2024.

— Portugal também precisa de melhorar na agricultura pois este setor regista uma tendência de crescimento das emissões.

Classificações dos restantes países
Tal como nas edições anteriores, os três primeiros lugares do ranking não foram atribuídos, uma vez que nenhum país está completamente alinhado com o objetivo de manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C.

— O país com a melhor classificação continua a ser a Dinamarca que ocupa o 4º lugar da lista, mas o 1º lugar relativamente aos países integrados. A Estónia e as Filipinas ocupam os restantes lugares do pódio.

— Com um ‘alto’ desempenho estão ainda países com a Índia, Noruega e Reino Unido, que apesar de pertencerem ao grupo dos maiores produtores de petróleo, gás e carvão, são distinguidos principalmente por causa da forte aposta nas energias renováveis.

— A Índia, a Alemanha (14.º) e a União Europeia (16.º) são os únicos três membros do G20 com classificação alta, sendo que os restantes recebem uma classificação baixa ou muito baixa, com o Canadá (62.º), Rússia (63.º), Coreia do Sul (64.º) e Arábia Saudita (67.º) nos piores lugares.

— Em 2023, a UE adotou o pacote Fit For 55, com uma série de medidas destinadas a melhorar a legislação climática e energética da UE. O Objetivo passa por alcançar uma redução de 55% das emissões líquidas até 2030 e a neutralidade climática até 2050.

— A Polónia, em 54.º lugar, é o único país da UE com classificação muito baixa.

— O maior emissor mundial, a China, estagnou em 51.º lugar, entre os países de baixo desempenho. Já os Estados Unidos, o segundo maior emissor, ocupa o 57.º lugar da lista.

— O anfitrião da COP28, os Emirados Árabes Unidos, está em 65.º lugar, sendo um dos países com pior desempenho.