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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: David Bowie - Heroes


I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day

And you, you can be mean
And I, I'll drink all the time
'Cause we're lovers, and that is a fact
Yes we're lovers, and that is that
Though nothing will keep us together
We could steal time just for one day
We can be heroes for ever and ever
What d'you say?

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day

I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be Heroes, just for one day

We can be Heroes
Just for one day
We can be Heroes

We're nothing, and nothing will help us
Maybe we're lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day

David Bowie e a Origem de Heroes: Entre o Expressionismo e a Guerra Fria
Quando David Bowie compôs e gravou Heroes em 1977, durante a sua célebre estada em Berlim Ocidental, a sua inspiração não se limitou apenas à paisagem urbana dividida pela Guerra Fria ou aos desenvolvimentos da música experimental alemã (como o krautrock de bandas como Neu! e Kraftwerk). Embora Bowie fosse um leitor voraz e frequentador de galerias de arte, a génesis de Heroes bebeu fortemente do clima estético do expressionismo alemão - com forte influência visual de pintores como Otto Mueller (especificamente a obra Amantes entre os muros do jardim) e das atmosferas literárias e decadentistas da Berlim dos anos 1920 que ele tanto estudava através de autores como Christopher Isherwood (Adeus a Berlim) e Alfred Döblin (Berlin Alexanderplatz). Além disso, a sensibilidade trágica de romances como Uma tumba para o Delfín, do escritor italiano Alberto Denti di Pirajno, e o existencialismo moderno moldaram a atmosfera poética de duas pessoas que desafiam a opressão sistémica através de um amor efémero, refletindo indiretamente uma visão nietzschiana de transvaloração e heroísmo quotidiano, onde o indivíduo se ergue contra o niilismo do seu ambiente político e social.

Ler mais:

Música do BioTerra: Lou Reed- Satellite of Love


Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I like to watch things on TV
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of
Satellite's gone way up to Mars
Soon it'll be filled with parkin' cars
I watched it for a little while
I love to watch things on TV
I've been told that you've been bold
With Harry, Mark and John
Monday and Tuesday, Wednesday through Thursday
With Harry, Mark and John
Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Música do BioTerra: The Velvet Underground and Nico "I'll Be Your Mirror" (Warhol film footage); Courtney Barnett (version) e Lou Reed (Spoken Word version)

I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you  [1]

I find it hard to believe you don't know
The beauty you are
But if you don't, let me be your eyes
A hand to your darkness so you won't be afraid

[1]

I'll be your mirror (reflect what you are)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Documentário: A Um Passo da Loucura


O Punk-Rock, frequentemente apontado como filho bastardo ou nota de rodapé do género musical Pop-Rock, nasceu de um intercâmbio (sub)cultural e informal estabelecido em finais da década de 70 do século XX por personagens sobejamente conhecidos que se movimentaram nos espaços de metrópoles como Londres, Nova Iorque, Brisbane ou Manchester.

Assim que o puto ranhoso Punk foi parido, foram muitos, incluindo alguns dos seus principais atores, os que se apressaram a declarar a sua morte. Só que este "morto-vivo sónico" rapidamente se espalhou pelos quatro cantos do mundo. Portugal não foi exceção, assim que explodiu lá fora na "estranja" - os seus fragmentos, qual satélite desgovernado fora de órbita, aterraram por cá. E passados mais de 30 anos teimam em não desaparecer.

O documentário da Antena 3, intitulado "A Um Passo da Loucura", explora as origens e o impacto da primeira vaga do punk em Portugal no final dos anos 70. O vídeo conta com os testemunhos de figuras centrais do movimento, com grande destaque para o lendário radialista António Sérgio, conhecido pela sua influência no programa Som da Frente e pela edição de discos fundamentais, e Paulo Gonzo, que muito antes da sua carreira na música pop foi o carismático vocalista dos Aqui d'el-Rock, a banda pioneira do punk rock português fundada em 1977. Juntam-se a eles membros de outras bandas históricas do circuito nacional, como Os Faíscas, os Minas & Armadilhas e os Raios e Coriscos.

Neste debate, os intervenientes recordam como o movimento nasceu num Portugal pós-25 de Abril, marcado por uma enorme ressaca política e sede de liberdade, mas onde o país ainda se encontrava culturalmente muito isolado. Eles discutem as dificuldades em obter informação na altura, relembrando como os primeiros discos de bandas como Sex Pistols e Ramones chegavam a conta-gotas, muitas vezes trazidos em viagens de amigos a Londres ou Paris, e como a rádio foi o motor crucial para espalhar essa nova sonoridade. Aborda-se também o choque visual e geracional que o punk provocou na sociedade conservadora da época, com relatos divertidos e nostálgicos sobre a reação dos pais e dos vizinhos às roupas rasgadas, aos alfinetes e aos cabelos curtos.

Um dos pontos mais debatidos é a filosofia do "faça você mesmo". Os músicos enfatizam que, no início, quase ninguém sabia tocar ou cantar, e que o verdadeiro foco era a descarga elétrica, a energia pura e a urgência de comunicar, relegando a técnica musical para segundo plano. Relembram os primeiros concertos caóticos em locais improvisados, como o Liceu Camões, onde o público não sabia bem o que esperar e onde a violência física e a destruição de material faziam parte da performance. Por fim, o painel reflete sobre a curta duração desta primeira vaga, explicando como muitas bandas rapidamente desapareceram ou transitaram para a New Wave e para o Rock em Portugal no início dos anos 80, transformando o espírito destrutivo inicial numa abordagem musical mais sofisticada e integrada na indústria.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Documentário: A Caminho do Leste (Don´t Look Back), 1967


Em Don’t Look Back, D. A. Pennebaker acompanha o jovem Bob Dylan durante uma digressão de três semanas pelo Reino Unido, em 1965. 

Filmado durante o famoso período de transição de Bob Dylan para o rock e para a guitarra elétrica, este documentário acompanha o músico desde a sua chegada a Inglaterra, a 26 de abril de 1965, até ao último concerto da digressão no Royal Albert Hall, a 10 de maio.

O realizador teve acesso aos bastidores, oferecendo um vislumbre da vida pública e privada de Dylan, desde concertos a conversas em quartos de hotel, registando a sua tumultuosa relação com a cantora e compositora Joan Baez durante uma fase crítica da sua carreira musical.

Várias figuras conhecidas aparecem no filme: os agentes de Dylan, Albert Grossman e Bob Neuwirth, os músicos Donovan, Joan Baez, Marianne Faithfull e Alan Price (Animals), e o poeta beat e amigo próximo de Dylan, Allan Ginsberg, entre outros.

O documentário Don’t Look Back (1967), realizado por D.A. Pennebaker, capta Bob Dylan num dos momentos mais cruciais e transformadores da história da música popular: a sua turné de 1965 por Inglaterra. Embora o filme retrate o que seria a sua última digressão inteiramente acústica - com Dylan sozinho em palco acompanhado apenas pela sua guitarra e harmónica -, ele funciona como o registo psicológico, poético e estético de uma metamorfose iminente. O idealismo político e a folk purista do início da década dão lugar a uma urgência agressiva e a um lirismo abstrato, surrealista e profundamente pessoal. Este distanciamento do movimento tradicional é simbolizado no filme pelo afastamento de Joan Baez, a rainha da folk de protesto, e pela rejeição feroz de Dylan em ser rotulado pela imprensa como a "voz de uma geração". Nos bastidores, hotéis e na icónica sequência de abertura de Subterranean Homesick Blues, Dylan já estava a compor e a testar a atitude cínica e a poesia metralhada que definiriam o seu novo som. O choque estético desta transição fica evidente no célebre confronto musical num quarto de hotel com o cantor escocês Donovan Philips Leitch, onde a crueza de "It's All Over Now, Baby Blue" deixou claro que Dylan já operava noutro patamar artístico.

O género musical que nascia ali era o Folk Rock literário, uma fusão revolucionária que levou a complexidade da poesia Beat e do existencialismo para o universo do rock, provando que a música popular podia ser alta literatura. Musicalmente, esta transição consolidou-se nos meses seguintes com a chamada "thin, wild mercury sound" (o som de mercúrio fino e selvagem), caracterizada por guitarras elétricas estridentes e pelo uso vanguardista do órgão Hammond, além de um ritmo frenético e quase falado que antecipou o próprio proto-punk e o garage rock.

Em 20/06/1966, Bob Dylan lançou o disco “Blonde on Blonde” é talvez o mais famoso da sua carreira. O próprio Dylan fala como sendo o “mais próximo ao som que eu ouço na minha mente, esse som fininho de mercúrio selvagem”. São 14 músicas no primeiro disco duplo da história do rock. “Sad-Eyed Lady of the Lowlands”, a ode de 11 minutos de Dylan à sua esposa Sara, também foi a primeira música a ocupar um lado inteiro de um disco: mística e enigmática como a própria Sara Lownds, gravada num só take, essa música é o momento mais suave do disco mais elétrico e eletrizante da carreira de Dylan. O resto é repleto de um cinismo maníaco, um sarcasmo transcendental e uma genialidade dilacerante. É uma obra-prima sem precedentes ou subsequentes, poesia uivada e guitarras hipnóticas que mudaram o mundo da música para sempre. Tudo aqui

Curiosamente, toda esta postura artística e a própria construção visual do documentário alinham-se perfeitamente com os conceitos da Internacional Situacionista de Guy Debord. Ao destruir jornalistas em entrevistas e sabotar as expectativas mediáticas, Dylan operava uma crítica direta ao conceito situacionista do "espetáculo" e à mercantilização da arte. O uso de cartazes manuscritos com trocadilhos e erros propositados no vídeo de abertura surge como um perfeito détournement - a subversão de ferramentas da cultura de massas para criar novos significados críticos -, enquanto a estética documental do Direct Cinema, sem narrador e focada no quotidiano caótico dos bastidores, evoca a experiência urbana da dérive. Sem que Dylan necessariamente lesse os teóricos franceses, Don't Look Back acabou por captar o nascimento do rock de autor moderno e antecipar o espírito de revolta e a urgência contracultural que explodiriam no final dos anos 60.

Embora as filmagens tenham ocorrido em 1965, o longo processo de edição em rolos de 16mm fez com que o documentário só estreasse nos cinemas a 17 de maio de 1967. Pennebaker demorou muito tempo a editar as centenas de horas de filme em rolos de 16mm. Além disso, no final de 1965 e em 1966, a carreira de Dylan explodiu globalmente com a sua fase elétrica e o seu grave acidente de mota, o que mudou o contexto do próprio filme.
Por esta razão, o mês de maio tornou-se o momento ideal para celebrar esta obra fundamental, seja no dia 17 de maio, evocando a sua estreia oficial, seja a 24 de maio, data de aniversário de Bob Dylan, que completou 24 anos precisamente durante aquela histórica e revolucionária digressão britânica.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Encontros improváveis: Bocage e X-Mal Deutshland



Lua-Cheia....inspira-me sombras, noites abundantes, existencialismo, fantasmas, sonhos vividos.

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar o meu coração de horrores.

Bocage

quarta-feira, 17 de junho de 2009

The Raincoats - Don't Be Mean


Letra
[Verse 1]
I saw you out walking down Westbourne Grove
You caught my eye and your arm it rose
It rose in the sky, ever so high
But it wasn't, my dear, to wave to me
It was simply to hail a big black taxi
Which you jumped in as fast as you possibly could
Well, you know, my dear, I'm not made of wood
And my name may be Birch dear, but I'm not a tree
And I, I can see you ignoring me

[Chorus]
And I'm beginning to think
Though I'm open to sway
Even when we're old and grey
I think you might see me and look the other way
Just like you did only the other day

[Verse 2]
We'll sit in the park with our grandchildren dear
And you'll, you'll catch my eye and shout come over here
But it won't be me that you're calling, dear
It'll be your young Jimmy or Jenny or Jack
And, oh, one of us will have near heart attack
Grandad, grandad what's wrong with you
Why, oh, why are we rushing to the zoo?
And you'll say "Shut up Jimmy stop your talking
Grab my hand and keep on walking"

[Chorus]

[Bridge]
I know that you'll say, you'll say this is all in my mind
And I'm prone to delusions
And things of that kind
Well, now it's been well over a year
And there's no more time for shading a tear
Yes, you left and I behaved badly
But you know at that time
I loved you so madly
Don't be mean, don't be mean (3X)

[Chorus]

[Outro]
Goodbye dear
Goodbye

As The Raincoats, formadas em Londres em 1977, são um dos nomes mais emblemáticos e influentes do pós-punk britânico, distinguindo-se desde logo pela sua identidade multicultural, muito marcada pela fusão entre a sensibilidade artística da cofundadora portuguesa Ana da Silva e a atitude da inglesa Gina Birch. No início da sua carreira, o estilo musical da banda era definido por uma estética puramente D.I.Y. (Do It Yourself), caracterizada por uma sonoridade crua, desestruturada e experimental que desafiava as convenções do punk rock tradicional através de linhas de baixo invulgares, guitarras desalinhadas, a bateria enérgica de Palmolive (Paloma Romero) e o violino estridente de Vicky Aspinall. Historicamente eternizadas como um quarteto feminino - formação que também contou com Ingrid Weiss na bateria -, a estrutura interna do grupo alterou-se significativamente ao longo das décadas, moldando a sua progressão artística até ao regresso na década de noventa.

Com o tempo, a sua sonoridade evoluiu para texturas mais densas e complexas, incorporando elementos de jazz livre e world music, até culminar em 1996 com o lançamento do álbum Looking in the Shadows. É deste registo que faz parte o tema "Don't Be Mean", que apresenta um estilo musical já transformado num indie rock mais maduro, limpo e polido, mantendo contudo a urgência emocional e a honestidade melódica originais. Nesta fase de regresso, a composição criativa da banda tinha-se reduzido ao duo basilar de Ana da Silva e Gina Birch, que recrutaram para estúdio e palco a baterista Heather Dunn e a violinista Anne Wood. Esta colaboração permitiu reestruturar o tradicional quarteto em palco e conferiu uma nova roupagem técnica à faixa.

A letra de "Don't Be Mean", escrita por Ana da Silva, afasta-se das metáforas abstratas dos primeiros anos para oferecer uma mensagem direta e cortante sobre a vulnerabilidade e o desgaste nas relações interpessoais. Trata-se de um apelo frontal à empatia e à rejeição de jogos de poder psicológicos, explorando a dor provocada pela crueza gratuita ou pela indiferença de quem se ama. Esta mensagem de crueza emocional é fielmente transposta para o seu teledisco, cujo significado visual assenta num minimalismo absoluto. Evitando narrativas complexas ou os artifícios visuais comuns na MTV dos anos noventa, o vídeo foca-se em grandes planos das integrantes e na sua performance performativa em formato de quarteto. A simplicidade estética serve o propósito de amplificar a autenticidade e a gravidade do desabafo lírico, despindo a música de qualquer distração mercantil.

Ao longo de toda a sua trajetória, as referências literárias e filosóficas das Raincoats moldaram profundamente a sua identidade artística. Desde o início, o grupo esteve alinhado com o feminismo de segunda vaga e com o existencialismo, rejeitando os papéis de género tradicionais no rock para criar uma linguagem inteiramente nova baseada na vivência feminina real. Na escrita, a influência da literatura modernista e de autores que exploravam a corrente de consciência, como Virginia Woolf e Fernando Pessoa, reflete-se em letras que funcionam como fragmentos de diários e reflexões profundas sobre a identidade, a memória e a alienação urbana. Filosoficamente, a banda também absorveu os ideais da vanguarda situacionista através da ética punk, onde o erro e a imperfeição técnica eram celebrados como formas legítimas e honestas de expressão artística. Na atualidade, essa base conceptual evoluiu para uma postura de maturidade e serenidade, focada na preservação da memória histórica das mulheres na arte, na ecologia urbana e numa reflexão contínua sobre a resiliência e o envelhecimento num mundo crescentemente comercializado.

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Música do BioTerra : Green Day - Working Class Hero


As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and classless and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me