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sábado, 22 de novembro de 2025

Cremação: o que é e porque não é sustentável



Cremação é o processo de reduzir um corpo a cinzas usando fogo. É uma alternativa para o enterro convencional e geralmente ocorre depois de um funeral ou uma cerimônia de despedida.

A cremação é realizada em uma câmara pré-aquecida que recebe o corpo e o queima, variando de temperatura entre 870ºC a 980ºC. Ela dura por volta de uma ou três horas e resulta em cinzas e pequenos fragmentos de osso que podem ser guardados.

O procedimento de cremação virou uma alternativa popular para o enterro por ser mais barata — além de ter o custo do enterro, existem também as manutenções do túmulo e do cemitério — e possibilitar às pessoas de ficarem com as cinzas de um ente querido.


Também é possível transformar as cinzas resultantes da cremação em outros objetos. Empresas especializadas conseguem fazer joias, diamantes e até discos de vinil com o material.

Impacto ambiental
Porém, a cremação pode não ser a melhor opção para o meio ambiente e para pessoas que se importam com ele. O método pode muitas vezes ser promovido como uma técnica menos prejudicial ao meio ambiente, principalmente em comparação com o enterro convencional, mas isso não significa que ele se isenta de causar danos ao planeta.

É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono. Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2, ainda assim, avaliando os efeitos em longo prazo, ele tem 10% mais impacto negativo no meio ambiente do que a cremação. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério.

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causam danos ao local. Além disso, os cemitérios ocupam muito espaço e podem requerer o desmatamento de certas áreas para a implantação de túmulos. Na cremação, contudo, existe a liberação de outros gases além do CO2, como o mercúrio e a dioxina. Métodos de filtração de mercúrio podem ser implantados em crematórios para reduzir parte desse impacto.

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe.

Pode parecer que a utilização de água resulta em desperdício, mas não é bem assim. A água da ressomação tem nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimónias e sete vezes menos energia que o enterro.

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil.

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 em Seattle e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.

Outras soluções
Muitos dos métodos eco-friendly não estão disponíveis no Brasil, portanto é difícil se despedir de entes queridos de um modo completamente sustentável. A cremação ainda é uma opção melhor que o enterro convencional, mas a produção de gases do efeito estufa é um problema a ser solucionado.

Existem algumas pequenas soluções para as pessoas que desejam planear um serviço funerário pensando no meio ambiente. Entre elas estão a utilização de um caixão biodegradável feito de papelão ou madeira bio, sem alças de metal. É possível, também, vestir o corpo com roupas de materiais biodegradáveis como algodão.

Fontes
NewsBreak, National Geographic, Calgary Memorial, The Guardian, Cremation Source, Bare e Popular Science

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Cinzas de cremação: onde jogar e outras ideias


As cinzas de cremação são, na verdade, fragmentos ósseos pulverizados resultantes do processo de cremação. A cremação é um processo de redução do corpo de um ser vivo após o falecimento.

Ao longo do tempo, a cremação tornou-se uma das opções mais populares nas alternativas aos enterros convencionais. No entanto, o influxo de pessoas procurando eternizar um ente querido em cinzas também resultou em impactos consequentes do descarte incorreto desses fragmentos.

Em vez de urnas usadas para armazenar as cinzas, muitas pessoas optam por jogar os fragmentos em corpos d’água, como o mar, ou em locais significativos ao falecido. De fato, dados da Inglaterra comprovaram que na década de 70, cerca de 12% das cinzas foram retiradas do crematório – agora são quase dois terços.

Porém, por muitos anos, cemitérios têm enterrado cinzas apenas para descobrir que a vida vegetal circundante não prospera. Mas por que isso acontece?

Do que são compostas as cinzas de cremação?
Como já mencionado, as cinzas de cremação são restos de ossos pulverizados. Durante o processo de cremação, o fogo destrói todos os vestígios de matéria orgânica à base de carbono e todos os fluidos corporais evaporam e escapam pelo escapamento do cremador.

O esqueleto humano, em geral, é constituído, principalmente, de carbonatos e fosfatos de cálcio. Ambos esses elementos contribuem para a força e formação dos ossos — que consequentemente sobrevivem às altas temperaturas de câmaras de cremação. Adicionalmente, um baixo percentual de outros elementos, como metais, também pode ser encontrado nos restos humanos.

Em geral, não existem duas amostras de cinzas humanas exatamente iguais em termos de composição elementar, já que ela é influenciada por condições externas, além da dieta e outros fatores.

Por que não se pode enterrar as cinzas de cremação?
Segundo uma investigação realizada pelo site Let your love grow, o enterro de altas concentrações de cinzas de cremação pode ter impactos negativos no meio ambiente. Isso se dá pelo alto pH dos fragmentos, que interagem com o solo e não permitem a liberação natural dos bons nutrientes das cinzas cremadas.

Além disso, as cinzas de cremação também possuem concentrações de sódio em quantidades que variam de 200 a 2 mil vezes mais do que a vida vegetal pode tolerar.

Por outro lado, outros especialistas concluem que, como não resta nenhum material orgânico após a cremação, as cinzas humanas não apresentam nenhum tipo de risco à saúde dos seres vivos ou do meio ambiente.

É proibido jogar as cinzas de cremação no mar?
No Brasil, não há legislação específica sobre o que se pode ou não fazer com as cinzas de cremação. Portanto, jogar as cinzas no mar não é especificamente proibido.

Coincidentemente, algumas instituições realizam serviços memoriais em que as cinzas são espalhadas no mar após serem entregues à família. Entretanto, existem algumas “regras de etiqueta” a serem seguidas antes de espalhar as cinzas em um lugar específico.

Onde não se pode jogar cinzas de cremação?

Segundo à Cremation Society da Grã-Bretanha, a dispersão de cinzas é desencorajada em:
  1. Topos de montanhas, onde as cinzas podem afetar a vida das plantas;
  2. Rios, perto de locais onde as pessoas tomam banho ou pescam;
  3. Menos de um quilômetro a montante de onde a água é retirada para beber;
  4. Dias de vento, quando as cinzas afetam as pessoas que vivem e trabalham nas proximidades.
Além disso, a instituição alerta sobre a possível poluição de outros materiais durante a cerimônia. Por isso, é desencorajada a dispersão de flores de plástico e outros materiais possivelmente poluentes em combinação com as cinzas.

Outros locais

Em contrapartida a essas regras, existem locais em que as cinzas não devem ser descartadas, como propriedades privadas. De fato, alguns anos atrás, o Wall Street Journal postou uma matéria que viralizou nas redes sociais sobre o descarte ilegal de cinzas de cremação em parques da Disney.

“Os atuais e antigos zeladores dos Parques Disney dizem que identificar e aspirar cinzas humanas é uma parte secreta e exclusiva do trabalho [nos parques]. É um trabalho terrível para eles, mas uma libertação catártica para os enlutados, que dizem que tratar os Parques Disney como um local de descanso final é o maior tributo aos fãs fervorosos.

Cinzas humanas foram espalhadas em canteiros de flores, arbustos e gramados do Magic Kingdom; fora dos portões do parque e durante os fogos de artifício; em Piratas do Caribe e no fosso sob os elefantes voadores do passeio Dumbo. Na maioria das vezes, de acordo com os zeladores e funcionários do parque, eles foram dispersos pela Haunted Mansion, a atração [com mais de 50 anos] que apresenta uma misteriosa propriedade antiga cheia de fantasmas imaginários”, diz o autor.

O ato de espalhar cinzas nos parques é estritamente proibido e ilegal, podendo resultar na expulsão e banimento de visitantes.

O que fazer com as cinzas de cremação?
Felizmente, existem diversas maneiras de eternizar as cinzas. Muitas instituições oferecem serviços em que as cinzas de cremação são transformadas em relicários e outros artefatos que podem ser guardados para sempre em memória da pessoa que faleceu.

Veja algumas dessas opções:
  1. Joias memoriais: Algumas joalherias transformam as cinzas em diamantes após a purificação do carbono dos fragmentos. Então, são transformadas em anéis, colares e outras joias;
  2. Tatuagem: Parece macabro, mas alguns tatuadores oferecem a imortalização das cinzas de cremação em tatuagens. Durante esse processo, as cinzas são misturadas com a tinta e marcadas para sempre na pele do recipiente;
  3. Plante uma árvore: Embora as cinzas possam oferecer prejuízos ao meio ambiente ao serem enterradas, algumas instituições oferecem um serviço em que a mistura das cinzas é purificada e transformada em matéria orgânica. Você também pode escolher uma urna biodegradável e enterrá-la junto com as cinzas;
  4. Prensagem de vinil: É possível fazer a prensagem de discos de vinis com as cinzas;
  5. Guarde em um bichinho de pelúcia: Em vez de uma urna, é possível armazenar as cinzas de cremação dentro de bichos de pelúcia, permitindo que você se console ao saber que uma pequena lembrança de seu ente querido está perto de você;
  6. Arte: Faça você mesmo uma pintura memorial para a pessoa que perdeu. Misture um pouco das cinzas na tinta e deixe sua inspiração fluir.
Fontes

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Quais são as opções de enterros sustentáveis?


Os enterros sustentáveis foram criados com o objetivo de criar uma alternativa mais eco-friendly para os enterros convencionais. Existem diversos métodos que prometem serviços funerários menos agressivos ao meio ambiente, mas que nem sempre são considerados enterros, uma vez que não há um enterro de fato. Entretanto, ainda são chamados de enterros sustentáveis pelo que representam — serviços funerários com o propósito de dar uma finalidade ao corpo de um ente querido. 

Enterros tradicionais exercem muito do meio ambiente, juntando diversos tipos de problemas ambientais em um só. Seja pelo espaço das áreas para construção de cemitérios, o concreto utilizado em túmulos ou químicos usados no embalsamento dos corpos, as práticas utilizadas nos serviços funerários podem ser muito agressivas. 

Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério. 

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Já os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causar danos ao local, impulsionando a poluição do solo e a possível contaminação de lençóis freáticos em áreas circundantes.

Além disso, caixões e lápides ocupam espaço e levam até 20 anos para se decompor — é possível que os donos de cemitérios fiquem sem lugar para enterrar novos corpos. Reformas para a reorganização de túmulos podem ser constantes. Isso, infelizmente, pode resultar na abundância de áreas desmatadas e em um impacto ambiental maior ainda.

Concreto
Concreto: o que é, tipos e impactos ambientais
Desse modo, cada vez mais novos métodos são desenvolvidos para diminuir o impacto ambiental dos enterros. Conheça alguns tipos de enterros sustentáveis e outros serviços funerários. 

Cremação
Embora não seja inteiramente sustentável, a cremação é uma opção mais viável que o enterro tradicional. É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono, que comparado aos 39 kg derivados do enterro convencional parece ser grande. Entretanto, ao avaliar os efeitos em longo prazo, é possível dizer que a cremação é mais sustentável, uma vez que o enterro convencional possui 10% mais impactos negativos no meio ambiente.

Outro ponto positivo da cremação é a sua disponibilidade. Além do enterro convencional, a cremação é uma opção popular para serviços funerários e altamente disponível no Brasil. 

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe. 

Em vez de ser desperdiçada, a água da ressomação possui nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimônias e sete vezes menos energia que o enterro. 

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil. 

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 nos Estados Unidos e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.  

Caixão de cogumelo
Bob Hendrikx, um inventor holandês criou um novo tipo de caixão a partir de cogumelos. Inspirado pela falta de alternativas sustentáveis de serviços pós-morte, Hendrikx investiu na criação de um caixão feito de micélio.

O caixão de Hendrikx leva apenas seis semanas para se decompor. Uma de suas preocupações diante dos serviços funerais comuns é de como eles transformam um processo natural em um industrial. De acordo com ele, sem os químicos usados no embalsamento, o corpo vira composto naturalmente, então por que não usar os cogumelos? Esses organismos são, muitas vezes, chamados de “os maiores recicladores”, então conseguem auxiliar na decomposição da matéria orgânica. 

Adicionalmente, o cogumelo é capaz de neutralizar substâncias tóxicas e fornecer nutrição para as plantas que crescem ao seu redor.

Bola de recife
Enterro em bolas de recife é um método desenvolvido pela empresa Eternal Reefs em conjunto com a Reef Ball Foundation e Reef Innovations. A técnica consiste na mistura de concreto com cinzas humanas para a formação de bolas perfuradas que são instaladas em ecossistemas marinhos para a restauração de corais. O método promete a reconstrução de ambientes aquáticos degradados, a partir da criação de novos recifes que podem abrigar diversas espécies marinhas. 

Por outro lado, esse processo contribui um pouco para as emissões de carbono. As bolas de corais são feitas a partir de uma mistura de cinzas resultantes da cremação e cimento — que é responsável por 4-8% de todas as emissões de CO2 do mundo. 

Enterro no céu
O enterro no céu é um método usado, principalmente, no Tibete e foi criado por budistas. Entre as opções de enterro sustentável, essa talvez seja a mais brutal entre elas. 

Esse tipo de serviço envolve o transporte do corpo para os cemitérios onde os abutres locais vêm se alimentar. O processo permite que os restos mortais sejam reaproveitados de volta à cadeia alimentar e, em algumas culturas, é conhecido por impulsionar o karma bom. 

Quintas de corpos
As quintas de corpos foram criadas com base nos trabalhos do antropólogo William Bass. Durante a década de 70, o especialista queria estudar como os corpos se decompõem naturalmente. 

Ele fez isso usando cadáveres, que foram colocados numa “quinta” numa ampla variedade de cenários de decomposição.

Atualmente, o serviço é oferecido no Rancho Freeman na Texas State University, onde estudantes, cientistas e aspirantes a detetives usam cadáveres para estudar ciência criminal, micróbios e tanatologia, o estudo da morte.

Enterro verde 
Entre as alternativas, o enterro verde é o que mais pode ser considerado um enterro sustentável, uma vez que é feito abaixo da terra. Em vez de ser um método a parte, ele é similar ao enterro convencional, mas com algumas práticas menos agressivas que podem efetivamente diminuir os impactos ambientais do serviço funerário. 

A maioria dos enterros feitos antes do século XIX eram feitos desse modo e permanecem sendo feitos por algumas religiões, como o judaísmo e o islamismo.

Algumas práticas do enterro verde incluem: 
  1. Não embalsamar o corpo;
  2. Cova rasa; 
  3. Caixões biodegradáveis, como o de papelão e caixões de madeira; 
  4. Enterro sem túmulos de concreto. 
  5. O embalsamento, por exemplo, não é necessário e é considerado como um procedimento cosmético para a conservação do corpo. Entretanto, alguns cemitérios podem não aceitar esse método de enterro, o que pode ser um obstáculo.
Conclusão 
Muitos dos enterros sustentáveis ainda são métodos recentes, sem muitas práticas disponíveis no Brasil. O enterro verde, por exemplo, é um dos métodos mais fáceis, mas depende dos cemitérios. Para se certificar de que serviço pode ser realizado, pesquise as opções de cemitérios da sua região e pergunte sobre a disponibilidade da prática. 

Até então, a cremação é um dos métodos mais viáveis de serviço funerário.

Fontes: CNN, Funerals.org, The New York Times, Eirene Blog, The Guardian (1 e 2), Green Matters e National Geographic (1 e 2), Guia Funerária

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: The Cure - Funeral Party


A todos portugueses e todas portuguesas que faleceram por Covid-19 e aos seus familiares, os meus pêsames. Os que estão neste momento a sofrer, uma mensagem de esperança que o Covid-19 não provoque mais vítimas mortais.