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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Extração de minerais no fundo do mar pode devastar ecossistemas marinhos, alerta estudo


A extração de minerais nas profundezas do oceano pode trazer efeitos devastadores aos ecossistemas marinhos, alertaram cientistas da Universidade do Havai num estudo publicado na revista Nature Communications.

A investigação concluiu que as nuvens de partículas suspensas na água geradas pela extração de minerais no fundo do mar podem privar de alimento os organismos microscópicos que sustentam toda a cadeia alimentar oceânica, com impacto potencial nas pescas e no consumo humano.

Esta extração em mar profundo visa perfurar o fundo do oceano para recolher materiais ricos em cobre, ferro, zinco e outros minerais críticos usados em veículos elétricos, tecnologias digitais e aplicações militares. Embora ainda não tenha começado à escala comercial, vários países estão já a preparar operações à medida que cresce a procura por estes materiais essenciais à transição energética.

Os investigadores estudaram amostras recolhidas em 2022 numa zona do Pacífico situada entre os 200 e 1.500 metros de profundidade. Segundo o estudo, os resíduos libertados durante os testes de extração criaram nuvens de partículas com o mesmo tamanho dos alimentos ingeridos pelo zooplâncton, pequenos organismos que servem de base à cadeia alimentar marinha.

Ao contrário de estudos anteriores centrados nos danos causados no leito oceânico, esta investigação foca-se nos efeitos no ecossistema marinho. Os cientistas consideraram urgente avaliar a profundidade e qualidade adequadas para devolver a água e sedimentos ao oceano.

Brian Popp, autor principal do estudo, defendeu que “poderá nem sequer ser necessário escavar o fundo do mar” e sugere fontes alternativas de metais, como a reciclagem de baterias e equipamentos eletrónicos ou o reaproveitamento de resíduos mineiros.

Já Michael Dowd, coautor do estudo, advertiu ainda que “se apenas uma empresa operar numa pequena área, o impacto será limitado, mas se várias empresas explorarem durante anos, os efeitos podem espalhar-se por toda a região”.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Documentário: The Navigators (2001) by Rob Dawber and Ken Loach


Em South Yorkshire, um pequeno grupo de trabalhadores da manutenção ferroviária descobre que, devido à privatização, as suas vidas nunca mais serão as mesmas. Quando a fiável placa da British Rail é substituída por uma com os dizeres "East Midland Infrastructure", torna-se claro que haverá vencedores e vencidos inevitáveis, à medida que a redução de pessoal e a eficiência se tornam as novas palavras de ordem.

De um momento para o outro, a privatização altera de fundo a vida daqueles trabalhadores, o seu modo de trabalhar, dividindo de forma absurda diferentes depósitos de material e quem lá trabalha. O aumento das horas de trabalho, a redução do número de trabalhadores em cada brigada, a perda de direitos sociais, a ameaça constante de desemprego destroem a solidariedade entre os operários e levam ao ponto de pôr em risco as suas próprias vidas.

A privatização arrasta consigo a precariedade de quem trabalha, com efeito na sua segurança, e põe em causa a própria segurança do transporte ferroviário.

Ken Loach retrata bem a vida dos operários, sem deixar de mostrar que certas camadas intermédias de trabalhadores podem beneficiar com a nova situação e que mesmo alguns operários, perdendo sempre em segurança, podem conseguir, pelo menos temporariamente, beneficiar de salários mais altos ou mais horas extra. São os trabalhadores mais fragilizados, pelo endividamento por exemplo, os primeiros a se dobrar perante a nova realidade.

Ken Loach mostra também que a resistência às novas regras e a exigência de segurança são duramente penalizadas pelo desemprego e pela ameaça de nunca mais encontrar trabalho nas vias ferroviárias.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Aposta na ferrovia devia ter sido feita há 30 anos


Do XVº Congresso da ADFERSIT (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes), que decorreu esta semana na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, saem duas conclusões principais. Por um lado, a prioridade de investir na ferrovia, meta agora suportada pelo PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e estratégica no que diz respeito ao cumprimento dos desafios da descarbonização, mas também essencial para o aumento da competitividade nacional. Por outro, a urgência de vencer esta corrida contra o tempo que, diz Ricardo Paes Mamede, "é uma aposta que devia ter sido feita há 30 anos".

Para o professor no ISCTE, que participou num dos debates desta conferência, existem vantagens enormes na ferrovia, mas "não tenho expectativa excecional do seu impacto na economia". Mais otimista, Ricardo Mourinho Félix, defende que "não é só o que podemos ganhar, mas o que podemos perder". O vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI) acredita que os atuais desafios do setor dos transportes em geral serão igualmente oportunidades de aumentar a competitividade, apesar dos prazos curtos de financiamento do PRR e da capacidade de execução que "tem limites". Apesar disso, o ex-secretário de Estado salienta a importância de combinar esforços - estratégicos e de financiamento - entre setor público e privado para que todas as metas sejam atingidas. Ligar Lisboa e Porto numa hora e 15 minutos

Uma das prioridades definidas no Plano Ferroviário Nacional é a ligação de alta velocidade entre Lisboa e Porto, um objetivo de que se fala há décadas e que se prevê que permita transportar anualmente cerca de oito milhões de passageiros. "Trata-se de melhorar a mobilidade dos passageiros, especialmente neste troço da linha do Norte que está congestionado em vários pontos", aponta Pedro Moreira, presidente da CP - Comboios de Portugal. No entanto, na perspetiva de Miguel Cruz, "é preciso que esta seja uma alternativa com impacto económico e relevante". O presidente da IP - Infraestruturas de Portugal alertou, contudo, para a importância de que esta ligação não limite as escolhas do local do novo aeroporto, e que a tome em consideração na construção dos respetivos interfaces. Do lado do setor privado, Alberto Ribeiro, administrador do Grupo Barraqueiro, que detém a B-Rail, empresa com negócios na ferrovia, defende que é preciso avançar rapidamente. "Desde 1985 que se fala nesta ligação, sem um centímetro de linha feita, mas acredito que agora há vontade política", reforça.

Em jeito de conclusão, Pedro Siza Vieira, presidente do congresso, destacou as palavras do Presidente da República, que encerrou o primeiro dia de debate. "Este é o tempo de execução e de ultrapassar os impasses num conjunto de áreas dos transportes". Atualmente, disse, o país dispõe de recursos financeiros limitados no tempo, que contribuirão para a eficácia dessa execução. Sobre a nova linha de alta velocidade, acredita que "é o investimento público mais decisivo, transformador e estruturante dos últimos anos", que ajudará a construir uma grande área metropolitana atlântica que permitirá intensificar o transporte de passageiros mas também o de mercadorias, ligando ao futuro aeroporto e, mais tarde, aos portos, e rentabilizando a infraestrutura.

sábado, 20 de novembro de 2021

Planeta vai ter falta de 14 matérias-primas até 2050. Consumo mundial vai provocar escassez



O aumento exponencial do consumo de muitas matérias-primas tem sido um dos fatores mais apontados para a escassez global de produtos e materiais que a economia mundial está a sofrer, segundo um artigo publicado no jornal espanhol ‘El Confidencial’, que enumerou catorze materiais essenciais no avanço tecnológico que não haverá em 2050, isto porque a Terra não tem reservas suficientes para eles.

Ao longo do século 20, a extração mineral cresceu de forma exponencial o que, num planeta limitado, continuar em tal ritmo faria com que os depósitos existentes esgotassem-se em algumas décadas. Agora, no século 21, consumimos na mesma quantidade e, mesmo que sejam encontradas novas jazidas, e com tecnologia mais avançada e eficiente, o pico de produção por parte dos recursos pode ser alcançado antes do final do século 21. A procura por pelo menos 14 materiais essenciais pode ultrapassar as reservas antes de 2050.

Entre eles estão elementos químicos comuns na indústria, como o cobre ou o níquel. Mas também materiais essenciais para a transição energética como o lítio, usado nas baterias dos carros elétricos, o gálio, usado nas lâmpadas LED, ou o cádmio, para os painéis fotovoltaicos. Alumínio, cobalto, estanho, germânio, ferro, índio, prata, selénio, manganésio, magnésio, lantânio, platina ou nióbio são algum dos elementos mais destacados na lista.

“Se analisarmos as matérias-primas essenciais para a transição ecológica e digital e compará-las com as reservas disponíveis, vemos que a procura acumulada supera em várias vezes a oferta das jazidas. Isso significa que nos próximos anos enfrentaremos problemas em toda a cadeia produtiva industrial ”, explicou Alicia Valero, professora de Engenharia da Universidade de Zaragoza e pesquisadora do Circe, o Centro de Pesquisa em Recursos e Consumo Energético.

A escassez de matéria-prima tem desencadeado a procura de novas jazidas e a reabertura de antigas minas (também na Europa). No entanto, a dificuldade intrínseca de exploração de depósitos mais distantes e diluídos é agravada por conflitos com as populações locais. Uma importante fonte alternativa de produtos químicos essenciais pode vir do lixo eletrónico. O volume de produtos de tecnologia descartados quase duplicou nos últimos 10 anos e está a encher aterros no Leste Europeu, África, México, Brasil ou China. No entanto, recuperar minerais de um telemóvel antigo é praticamente impossível. “No design desses produtos, as questões estéticas prevalecem sobre os aparelhos muito leves e compactos, mas os materiais são tão misturados, às vezes em quantidades de poucos gramas, que são muito difíceis de reciclar”, garantiu Valero. As tecnologias mais eficientes (e menos energia que consomem) são as menos sustentáveis ​​do ponto de vista dos materiais.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A riqueza mineral do Afeganistão nas mãos do Talibã


Até agora, o Taliban havia se financiado em grande parte com o negócio do ópio e da heroína. Agora eles controlam efetivamente um país que possui recursos valiosos, cobiçados pela China.

Em 2010, um relatório de especialistas militares e geólogos estimou que o Afeganistão tem recursos minerais no valor de cerca de 850 bilhões de dólares: ferro, cobre, lítio, cobalto e terras raras.

Na última década, a maioria desses depósitos não foi explorada. E o valor dessas matérias-primas, entretanto, disparou.

Outro relatório de 2017 do governo afegão estimou a riqueza mineral do país em cerca de US $ 3 trilhões, incluindo combustíveis fósseis.

China intensifica relações comerciais com o Afeganistão

O lítio, usado em baterias para carros elétricos, telefones celulares e laptops, tem uma demanda sem precedentes, com um aumento anual de 20%.

O documento do Pentágono chamou o Afeganistão de Arábia Saudita do lítio e calculou que seus depósitos poderiam ser iguais aos da Bolívia, que está entre os maiores do mundo. O cobre também se beneficiou da recuperação da economia global do ataque do COVID-19.
China e Paquistão mostram interesse

Enquanto o Ocidente ameaça isolar o Taliban após tomar Cabul, China, Rússia e Paquistão podem se preparar para fazer negócios com os novos governantes.

A China é um fator importante na demanda global por matérias-primas. E é provável que Pequim, que já é o maior investidor estrangeiro no Afeganistão, possa liderar a corrida para ajudar o país a construir um sistema de mineração eficiente para atender à sua necessidade insaciável de minerais.

"A tomada do poder pelo Talibã ocorre em um momento em que um suprimento restrito desses minerais se aproxima no futuro previsível, e a China precisa deles", disse Michaël Tanchum, do Instituto de Política Europeia e China, ao DW. Of Security, de Áustria.

O líder talibã, mulá Abdul Ghani Baradar, disse esperar que a China "desempenhe um papel importante na futura reconstrução e no desenvolvimento econômico do Afeganistão". Pequim já expressou sua disposição de manter relações amigáveis ​​e cooperativas com o novo regime afegão.

Problemas de segurança
A media chinesa já descreveu como o Afeganistão poderia se beneficiar da ambiciosa iniciativa de Pequim de construir rotas terríveis, ferroviárias e marítimas na Ásia e na Europa. Mas existem questões de segurança. Um surto de violência contra outros países da Ásia Central pode deixar a rede de oleodutos que abastece grande parte do petróleo e gás da China numa situação vulnerável.

Pequim também teme que o Afeganistão possa se tornar um refúgio para a minoria uigur e que seus interesses possam ser minados se a violência continuar em solo afegão.

O Paquistão também quer se beneficiar da riqueza mineral do Afeganistão. O governo de Islamabad, que apoiou o movimento Taliban quando este assumiu o poder em 1996, manteve laços com o grupo islâmico.

Mas o novo regime do Taliban enfrenta uma difícil tarefa para extrair as riquezas minerais do país. A criação de um sistema de mineração eficiente levará anos, e a economia afegã continuará a necessitar de ajuda estrangeira por muito tempo.

Mesmo que as preocupações com segurança sejam superadas, a corrupção pode continuar a assustar os investidores. Os Estados Unidos e a Europa enfrentam agora um novo dilema. Muitos investidores ocidentais têm relutado em se envolver em projetos de recursos naturais por medo da insegurança e de um quadro jurídico fraco. Se tentarem se dar bem com o Taliban, serão criticados por ignorar os abusos da democracia e dos direitos humanos. Do contrário, os negócios serão feitos pela China e pelos tradicionais aliados do Taliban.

terça-feira, 27 de maio de 2014

It's simple. If we can't change our economic system, our number's up

Almost 45% of the Yasuni national park is overlapped by oil concessions.


Let us imagine that in 3030BC the total possessions of the people of Egypt filled one cubic metre. Let us propose that these possessions grew by 4.5% a year. How big would that stash have been by the Battle of Actium in 30BC? This is the calculation performed by the investment banker Jeremy Grantham.
Go on, take a guess. Ten times the size of the pyramids? All the sand in the Sahara? The Atlantic ocean? The volume of the planet? A little more? It's 2.5 billion billion solar systems. It does not take you long, pondering this outcome, to reach the paradoxical position that salvation lies in collapse.
To succeed is to destroy ourselves. To fail is to destroy ourselves. That is the bind we have created. Ignore if you must climate change, biodiversity collapse, the depletion of water, soil, minerals, oil; even if all these issues miraculously vanished, the mathematics of compound growth make continuity impossible.

Economic growth is an artefact of the use of fossil fuels. Before large amounts of coal were extracted, every upswing in industrial production would be met with a downswing in agricultural production, as the charcoal or horse power required by industry reduced the land available for growing food. Every prior industrial revolution collapsed, as growth could not be sustained. But coal broke this cycle and enabled – for a few hundred years – the phenomenon we now call sustained growth.

It was neither capitalism nor communism that made possible the progress and pathologies (total war, the unprecedented concentration of global wealth, planetary destruction) of the modern age. It was coal, followed by oil and gas. The meta-trend, the mother narrative, is carbon-fuelled expansion. Our ideologies are mere subplots. Now, with the accessible reserves exhausted, we must ransack the hidden corners of the planet to sustain our impossible proposition.

On Friday, a few days after scientists announced that the collapse of the west Antarctic ice sheet is now inevitable, the Ecuadorean government decided to allow oil drilling in the heart of the Yasuni national park. It had made an offer to other governments: if they gave it half the value of the oil in that part of the park, it would leave the stuff in the ground. You could see this as either blackmail or fair trade. Ecuador is poor, its oil deposits are rich. Why, the government argued, should it leave them untouched without compensation when everyone else is drilling down to the inner circle of hell? It asked for $3.6bn and received $13m. The result is that Petroamazonas, a company with a colourful record of destruction and spills, will now enter one of the most biodiverse places on the planet, in which a hectare of rainforest is said to contain more species than exist in the entire continent of North America.

The UK oil firm Soco is now hoping to penetrate Africa's oldest national park, Virunga, in the Democratic Republic of Congo; one of the last strongholds of the mountain gorilla and the okapi, of chimpanzees and forest elephants. In Britain, where a possible 4.4 billion barrels of shale oil has just been identified in the south-east, the government fantasises about turning the leafy suburbs into a new Niger delta. To this end it's changing the trespass laws to enable drilling without consent and offering lavish bribes to local people. These new reserves solve nothing. They do not end our hunger for resources; they exacerbate it.

The trajectory of compound growth shows that the scouring of the planet has only just begun. As the volume of the global economy expands, everywhere that contains something concentrated, unusual, precious, will be sought out and exploited, its resources extracted and dispersed, the world's diverse and differentiated marvels reduced to the same grey stubble.

Some people try to solve the impossible equation with the myth of dematerialisation: the claim that as processes become more efficient and gadgets are miniaturised, we use, in aggregate, fewer materials. There is no sign that this is happening. Iron ore production has risen 180% in 10 years. The trade body Forest Industries tells us that "global paper consumption is at a record high level and it will continue to grow". If, in the digital age, we won't reduce even our consumption of paper, what hope is there for other commodities?

Look at the lives of the super-rich, who set the pace for global consumption. Are their yachts getting smaller? Their houses? Their artworks? Their purchase of rare woods, rare fish, rare stone? Those with the means buy ever bigger houses to store the growing stash of stuff they will not live long enough to use. By unremarked accretions, ever more of the surface of the planet is used to extract, manufacture and store things we don't need. Perhaps it's unsurprising that fantasies about colonising space – which tell us we can export our problems instead of solving them – have resurfaced.

As the philosopher Michael Rowan points out, the inevitabilities of compound growth mean that if last year's predicted global growth rate for 2014 (3.1%) is sustained, even if we miraculously reduced the consumption of raw materials by 90%, we delay the inevitable by just 75 years. Efficiency solves nothing while growth continues.

The inescapable failure of a society built upon growth and its destruction of the Earth's living systems are the overwhelming facts of our existence. As a result, they are mentioned almost nowhere. They are the 21st century's great taboo, the subjects guaranteed to alienate your friends and neighbours. We live as if trapped inside a Sunday supplement: obsessed with fame, fashion and the three dreary staples of middle-class conversation: recipes, renovations and resorts. Anything but the topic that demands our attention.

Statements of the bleeding obvious, the outcomes of basic arithmetic, are treated as exotic and unpardonable distractions, while the impossible proposition by which we live is regarded as so sane and normal and unremarkable that it isn't worthy of mention. That's how you measure the depth of this problem: by our inability even to discuss it.