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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Por que razão as mentiras prosperam?


O episódio "A Guerra Contra a Verdade" examina o impacto generalizado e transformador da desinformação na era digital. Rastreando as suas raízes, desde a propaganda à sua rápida disseminação através de algoritmos de redes sociais, o episódio explora os factores que impulsionam as notícias falsas e as suas consequências, como a polarização e a erosão da confiança pública.

Apresentando histórias impactantes, incluindo as eleições nos Estados Unidos, a gripe aviária e a desinformação sobre a COVID-19, com análises de especialistas, o episódio utiliza recursos visuais dinâmicos e infográficos para dissecar esta questão urgente e oferecer soluções.

Saber mais:
E-Livro: Neil Postman (1985) - Amusing Ourselves to Death

Estudo do MIT (2018):  On Twitter, false news travels faster than true stories

Dave Hallmon (2025) - What Huxley, Orwell, and Postman teach us about today’s media culture and consumption

sábado, 10 de agosto de 2024

Ex-diretora do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki morre aos 56 anos


São Francisco, Estados Unidos, 10 ago 2024 (Lusa) – A ex-chefe do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki, que desempenhou um papel fundamental na ascensão da Google, morreu, aos 56 anos, vítima de cancro no pulmão, anunciou o marido na sexta-feira.

Susan Wojcicki passou quase duas décadas ligada às mudanças na Google, mecanismo de busca na Internet lançado na sua garagem, que se tornou um gigante global da tecnologia.

No YouTube, adquirido pela Google em 2006, Wojcicki administrou operações por quase uma década antes de deixar o cargo no ano passado para se concentrar nos seus projetos pessoais, familiares e na sua saúde.

O marido, Dennis Troper, escreveu no Facebook que a esposa lutava contra um cancro do pulmão há dois anos.

“Minha amada esposa há 26 anos e mãe dos nossos cinco filhos deixou-nos hoje”, escreveu.

“Susan não foi apenas a minha melhor amiga e parceira na vida, mas também uma mente brilhante, uma mãe amorosa e uma amiga querida para muitos. A sua influência na nossa família e no mundo foi imensurável”, acrescentou Dennis Troper.

Susan Wojcicki trabalhava na Intel quando os amigos Sergey Brin e Larry Page fundaram a Google na garagem da sua casa, em Menlo Park, Califórnia, em 1998.

Um ano depois, ingressou na empresa como 16.ª funcionária e primeira diretora de marketing.
Na Google, participou da criação do motor de busca de imagens e trabalhou nas aquisições do YouTube e da plataforma de publicidade DoubleClick.

“É difícil imaginar o mundo sem ela”, escreveu o diretor executivo da Google, Sundar Pichai.

Nomeada diretora executiva do YouTube em 2014, Susan Wojcicki introduziu novas formas de publicidade e ajudou a impulsionar o seu crescimento ao lançar um serviço de ‘streaming’ de televisão à medida que os telespetadores recorriam cada vez mais à Internet para programas e filmes.

Também é conhecida por abordar preocupações relacionadas à privacidade das crianças, ao discurso de ódio e à disseminação de desinformação, especialmente durante a pandemia de covid-19.

Grávida de quatro meses quando foi contratada, defendeu a licença parental remunerada.

domingo, 26 de junho de 2022

Nações insulares compram terra devido à subida do nível do mar

Nações insulares estão a usar os seus recursos financeiros limitados para comprar terras em países vizinhos, preparando-se para que os seus territórios sejam cobertos pelos mares, disse à Lusa Heidi Schroderus-Fox, representante da ONU.




De acordo com a diplomata da Finlândia, nações insulares estão altamente frustradas com o lento progresso que está a ser feito na ação climática, porque, para muitas nações com atóis particularmente baixos, "esta é uma questão de sobrevivência".

Heidi Schroderus-Fox, alta representante interina da ONU para os países menos desenvolvidos, países em desenvolvimento sem litoral e pequenos estados insulares em desenvolvimento (SIDS), adiantou, em entrevista à Lusa, que neste momento há ilhéus no Pacífico cujas populações estão a mudar de casa devido ao aumento do nível do mar.

"E há nações insulares usando os seus recursos financeiros limitados para comprar terras em países vizinhos, preparando-se para que as suas terras natais sejam perdidas no mar. Esse é o caso da nação insular de Kiribati, que compra terras em Fiji no caso de precisar realocar os seus cidadãos devido ao afundamento das ilhas", relatou.

"Essa é a realidade. Está a acontecer agora. As casas das pessoas estão a ser sacrificadas ao mar porque a ação climática global não está a mover-se com a rapidez e ousadia suficientes para evitar uma catástrofe climática", frisou, lamentando que as gerações futuras de ilhéus tenham de ver as suas terras a desaparecer e perguntar porque é que "nada foi feito quando a ciência estava clara e havia tempo para agir".

Heidi avaliou que as escolhas individuais de cada um de nós tem um impacto significativo na vida das pessoas do outro lado do planeta, dando como exemplo a questão da poluição plástica, que tem um enorme impacto nos SIDS.

Para a diplomata, não devemos subestimar nossa própria influência individual na mudança, especialmente porque vivemos num mundo muito interconectado.

"Os SIDS podem ser a última coisa na mente de alguém quando atiram uma garrafa de plástico para uma lixeira, mas essa garrafa de plástico pode acabar no oceano. O plástico marinho é, infelizmente, um grande problema global, e essa garrafa de plástico poderia chegar ao uma nação insular distante onde eles teriam que lidar com a limpeza", indicou.

Em entrevista à Lusa a propósito da Conferência dos Oceanos, que decorrerá em Lisboa entre 27 de junho e 01 de julho, coorganizada por Portugal e pelo Quénia, a alta representante interina da ONU vê o evento como um catalisador para uma nova geração de parcerias oceânicas em prol das pequenas nações insulares, mas também um impulso na recuperação dos setores oceânicos que foram afetados pela pandemia de covid-19.

Através das suas zonas económicas exclusivas, os SIDS controlam cerca de 30% de todos os oceanos e mares e, por isso, a diplomata acredita que investir numa economia oceânica claramente faz sentido do ponto de vista económico.

"Há um argumento claro a ser feito para apoiar os SIDS na promoção de parcerias relacionadas ao oceano. As projeções sugerem que a economia oceânica pode chegar a mais de três biliões de dólares (2,95 biliões de euros) até ao final da década", argumentou.

A espinha dorsal de muitas economias insulares é constituída pelo turismo e pelas pescas. Contudo, a pandemia abalou fortemente esses setores.

Apenas nos primeiros quatro meses de 2020, as viagens internacionais turísticas com destino aos SIDS caíram 47%, de acordo com a Organização Mundial de Turismo da ONU.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Covid-19: Resistam à estupidez


O querer acreditar é a maior força do ser humano. Quando a vontade é muita, somos capazes de acreditar nas coisas mais estúpidas e inverosímeis. E neste momento estamos a transbordar de vontade em acreditar em algo que nos livre deste pesadelo. Roubaram-nos demasiados bens adquiridos, e ninguém gosta de ser roubado. Há os que querem acreditar porque são empresários desesperados, há os que não sabem viver sem festas, há os que estão a morrer de saudades dos abraços que lhes fazem falta e os que simplesmente estão tristes e querem voltar ao tempo em que havia mais sorrisos, e sorrisos a descoberto das máscaras que invadiram a nossa vida. Mas há que resistir. Resistam. Resistam à tentação de querer saber mais do que a ciência. Estão a pôr em risco a vossa vida, dos vossos e de todos nós. É perigoso não resistir à vontade de acreditar em parvoíces. E como a desinformação se espalha mais forte e rapidamente do que o vento, não é fácil ter tempo para desconstruir todas as baboseiras que se dizem por aí.

A ciência aos cientistas. Eu não imagino que alguém se levante do seu lugar num avião a passar por uma tempestade e tente tirar os pilotos do cockpit: “Sai daí! Eu é que sei aterrar este AirBus 380 no meio desta tempestade.” É isto que estamos a presenciar. Doutorados em patetices a dizer que sabem mais do que toda a comunidade científica. Olham para os números e tiram “conclusões”. E neste grupo estão também médicos (poucos, felizmente) que perigosamente por saberem qualquer coisinha sobre ciência esquecem-se de que a sua ignorância é muito maior do que o pouco que sabem. A ciência tem auto-regulação. Aceita o contraditório. Tem avanços e recuos, comete erros, mas aprende e evolui, e será sempre o mais perto da verdade que vamos estar.

“Morrem mais pessoas de cancro!” Sem dúvida, e mais ainda de doenças cardiovasculares. A mortalidade por doenças não-covid sem dúvida que subiu pelos danos colaterais do controlo da pandemia. Mas esta é uma forma simplista de olhar para um problema extremamente complexo. A pergunta que tem de ser feita é: quantas mais morreriam de causas não-covid, se a pandemia estivesse descontrolada? Há uma tentativa de conspirar a favor de forças obscuras que alimentam a teoria que os serviços de saúde só pensam nos doentes covid. Isto não é verdade! À semelhança de uma guerra (e eu detesto esta comparação) as pessoas morrem mais por falta de cuidados de saúde do que por tiros e bombas, mas enquanto houver tiros e bombas não haverá cuidados de saúde, e por isso quem os mata em ambas as situações é a guerra, é a pandemia.

Dinheiro e felicidade. Tendo em conta a forma como eu vejo a vida, desde o primeiro dia que considerei que a nossa saúde mental e felicidade e a catástrofe social dos que ficaram sem casa e sem alimentar os seus filhos têm de ser contrabalançadas com as consequências de saúde pública, sejam elas covid ou não-covid. Mas o que está em causa, e certamente matéria de grande debate em que eu tenho muitas mais perguntas do que respostas, é que o sofrimento colectivo que estamos a passar e a quebra da economia poderiam eventualmente ser maiores se fingíssemos que o vírus é apenas mais um e nos deparássemos com hospitais a transbordar de mortos. O pânico e o medo que daí também viria seria certamente pior do que o que estamos a viver neste momento.

Avante, Fátima, futebol e discotecas. Grandes ajuntamentos de pessoas ao ar livre com uma dispersão razoável e mais ainda se usarem máscaras parece não oferecer grande risco de contágio. Daí que a gritaria contra e a favor, políticas e religiões a propósito de grandes aglomerados, ainda que na minha opinião possam ser antipedagógicos, parecem ser menos perigosos do que um jantar com dez pessoas em casa com amigos ou familiares. Eu adoro futebol e adoro sair à noite, e talvez por saber o que por lá se passa sou obrigado a compreender a proibição de público e de álcool, porque os comportamentos rapidamente transcendem o razoável em ambas as situações. As escolhas são dificílimas, e as comparações principalmente para quem lhes dói no bolso são infinitas, mas vamos mesmo ter de acreditar que quem decide está a fazer o seu melhor perante um desafio épico.

Numerologistas. Parece que basta ir duas vezes ao site da DGS para nos tornarmos especialistas em números. Mas primeiro é preciso saber muito para se saber ler os números, e mesmo para quem sabe muito há muita coisa que os números não dizem: a solidão em que as pessoas morrem que é quase tortura, a gestão da culpa dos que infectaram os seus familiares e que os levou à morte, a absorção brutal de recursos humanos que esta doença consome e o labirinto logístico que é gerir um hospital cheio de covids e com tudo o resto. É mais difícil do que possam imaginar.

Vamos viver um período de histeria colectiva e muitos terão razão, o que é o mesmo que dizer que será dificílimo democratizar o que é melhor para todos. E por isso peço-vos encarecidamente que não alimentem as campanhas de desinformação, conspiração e negação, porque estas são perigosíssimas e põem a vida das pessoas de que mais gostamos em risco. E ver gente a morrer não é bonito. Acreditem.

Há milhões de pessoas a quem a ciência não chega e morrem infinitamente mais do que nós que nascemos rodeados de um mundo de saberes que salvam vidas. Não os neguem, simplesmente aproveitem-nos e não tentem ter uma opinião sobre como pilotar o avião no meio de uma tempestade.

Há muita vontade em acreditar na estupidez. Resistam.