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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Quercus exige avaliação ambiental conjunta dos centros de dados de Abrantes

A Quercus considerou hoje que os dois centros de dados previstos para o município de Abrantes poderão consumir anualmente quase 19 vezes mais eletricidade do que o concelho e exigiu estudos de impacte ambiental para os projetos.

Em comunicado, a associação ambientalista manifesta preocupação com a construção de um segundo centro de dados no concelho, junto à rotunda de Alvega, alertando que a coexistência com o empreendimento já previsto para os terrenos da antiga central termoelétrica do Pego levanta questões sobre os impactes ambientais cumulativos.

“Trata-se de um empreendimento, por si só, excessivo para o território que pretende ocupar, com potenciais impactos ambientais, hídricos e territoriais”, afirma a Quercus, referindo-se a um projeto promovido pelo grupo Hyperion e defendendo a realização de um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) antes de qualquer eventual licenciamento.

O projeto da Hyperion prevê cerca de 151 mil metros quadrados de área de implantação, 287 mil metros quadrados de área de construção e uma ligação elétrica de 200 megavolt-amperes (MVA).

Este centro de dados, o segundo previsto para o concelho de Abrantes, no distrito de Santarém, foi objeto em maio deste ano de uma pronúncia favorável do município, no âmbito de um Pedido de Informação Prévia, não estando então ainda em causa a aprovação definitiva do projeto.

Por sua vez, a Hyperion indicou à Lusa que o empreendimento estava em fase de licenciamento e previu uma entrada em funcionamento em 2029.

Está previsto também outro centro de dados de grande dimensão, promovido pela empresa EDC ONE, nos terrenos da antiga central termoelétrica do Pego, com uma potência anunciada de 300 megawatts (MW), enquanto o projeto da Hyperion prevê 20 MW.

No caso do projeto do Pego, a Câmara de Abrantes declarou o investimento de interesse municipal em setembro de 2025 e aprovou isenções de impostos (IMI, IMT e Derrama) no valor global de 16,2 milhões de euros.

O empreendimento prevê um investimento de sete mil milhões de euros e a criação de 450 postos de trabalho diretos e 700 indiretos até 2030.

“A coexistência de dois projetos desta magnitude no mesmo concelho, ambos dependentes do ponto de ligação à rede na Central do Pego, levanta questões de impactes cumulativos, ao nível do consumo e contaminação de recursos naturais, da pressão sobre solos agrícolas e florestais, e da alteração da paisagem e do ordenamento territorial”, alerta a Quercus.

A nível energético, a associação ambientalista estima que, “num cenário conservador de utilização” média de 30% da potência instalada, o consumo conjunto dos dois centros será de cerca de 841 gigawatts-hora (GWh) por ano, “aproximadamente 5,7 vezes o consumo anual de eletricidade do concelho de Abrantes em 2024”.

“À plena capacidade, o consumo poderá atingir cerca de 2,8 TWh/ano [terawatts-hora], correspondente a quase 19 vezes o consumo anual atual do concelho”, apontam.

Por outro lado, a Quercus alerta igualmente para o consumo intensivo de água dos centros de dados, considerando particularmente preocupante a instalação destas infraestruturas num território sujeito a pressão sobre os recursos hídricos.

“É precisamente neste contexto de recursos hídricos já sob pressão que se pretende instalar mais uma infraestrutura industrial de consumo intensivo de água”, critica, citando o diagnóstico da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para o período 2028-2033, que aponta para um índice de escassez hídrica de 40% no rio Tejo.

Nesse sentido, os ambientalistas exigem a realização de um EIA que avalie conjuntamente os impactos dos dois projetos nos recursos hídricos e na rede elétrica regional, o aumento da temperatura local, áreas agrícolas e florestais e poluição hídrica e sonora, antes que seja emitido um parecer favorável.

“As metas de transição digital e energética não podem atropelar a salvaguarda ambiental e o ordenamento do território”, sustentam.

A Quercus pretende também que seja reavaliada a dimensão territorial da Zona Livre Tecnológica de energias renováveis de Abrantes, alegando que esta abrange mais de metade do concelho.

A regulamentação da Zona Livre Tecnológica de Abrantes foi aprovada em março e destina-se a projetos de investigação, desenvolvimento e inovação relacionados com a produção, o armazenamento e o autoconsumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

O comunicado da Quercus não inclui reações da Câmara Municipal de Abrantes, das empresas promotoras, da Agência Portuguesa do Ambiente ou da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo às preocupações agora apresentadas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Inteligência Artificial e água: a fatura invisível


Tendemos a ver o armazenamento em “nuvem” como um conceito abstrato. Mas cada pergunta que fazemos a um assistente de inteligência artificial (IA) depende de uma estrutura física concreta: um centro de dados onde milhares de servidores trabalham sem interrupção, aquecem e precisam de ser arrefecidos. E, na maioria dos casos, esse arrefecimento faz-se com água que evapora em torres de arrefecimento e não regressa ao sistema. À pegada direta soma-se a indireta: a água consumida na produção da eletricidade que alimenta estas infraestruturas e no fabrico dos chips que as equipam.

Os números começam a ser conhecidos e não são tranquilizadores. Investigadores da Universidade da Califórnia estimaram que o treino do modelo GPT-3 terá evaporado cerca de 700 mil litros de água doce apenas nos centros de dados norte-americanos da Microsoft, e que uma conversa de 10 a 50 interações com um destes modelos consome, em média, o equivalente a uma garrafa de meio litro de água. O mesmo estudo, publicado na Communications of the ACM ("Making AI Less 'Thirsty': Uncovering and Addressing the Environmental Footprint of AI Models"), projeta que a procura global de IA possa representar, já em 2027, uma captação de água entre 4,2 e 6,6 mil milhões de metros cúbicos por ano. É certo que são estimativas, mas a falta de transparência das empresas tecnológicas quanto aos seus consumos reais é, em si mesma, parte do problema.

Poderíamos pensar que esta é uma preocupação distante, já que quase metade dos centros de dados de todo o mundo se localizam nos Estados Unidos, parte deles em áreas desérticas ou semidesérticas. Não é. Portugal está a posicionar-se agressivamente como destino europeu para esta indústria e fá-lo quando grande parte do território do continente vive em situação de escassez hídrica estrutural. O índice de escassez WEI+ para Portugal continental subiu para 34% no período 1989-2015, atingindo 74% na região hidrográfica do Sado e Mira e 66% nas Ribeiras do Algarve, existindo ainda o risco de perdermos 30 a 40% da disponibilidade das nossas massas de água até 2050, num contexto de redução de 25% da precipitação face aos valores históricos (dados do Relatório do Estado do Ambiente / APA). É neste país que decidimos instalar infraestruturas que funcionam 24 horas por dia e cuja sede de água e energia cresce ao ritmo da procura de IA.

O caso de Sines é paradigmático e, em parte, um exemplo a reter. O mega-campus de data-centers em desenvolvimento na antiga zona da central termoelétrica, que poderá atingir 1,2 GW de capacidade, foi desenhado para arrefecer os servidores com água do mar, reaproveitando os canais de captação e devolução da antiga central, sem consumo evaporativo de água doce nos processos de arrefecimento. De acordo com o estudo de impacte ambiental, o consumo de água potável do campus completo ficará limitado a usos humanos (cerca de 275 m³/dia), quando um centro de dados convencional de dimensão equivalente poderia consumir mais de mil milhões de litros de água por mês em arrefecimento, o equivalente a quase 50 mil famílias. A diferença entre uma solução e outra é abissal e demonstra que as escolhas de projeto e de localização importam, e muito. Ainda assim, importa não esquecer que a própria utilização de água do mar tem impactes que não podem ser desvalorizados, desde a afetação de organismos marinhos na captação à devolução de salmoura e de água a temperatura mais elevada, e que exigem avaliação, monitorização e minimização rigorosas.

Mas seria um erro descansar sobre este exemplo. Primeiro, porque o litígio que hoje opõe a EDP ao Estado quanto à titularidade das infraestruturas de captação de água do mar em Sines mostra como estas soluções dependem de condições muito específicas, dificilmente replicáveis noutros pontos do território. Segundo, porque a corrida aos centros de dados não se esgota em Sines, multiplicam-se projetos e intenções de investimento por todo o país, incluindo em regiões onde não há mar por perto nem folga hídrica para acomodar novos consumos. Terceiro, porque a pressão sobre a água de todo o conjunto dos projetos de interesse nacional previstos para a zona industrial de Sines representa uma necessidade agregada de água doce na ordem dos 10 hectómetros cúbicos por ano, equivalente ao consumo de um concelho de média dimensão, numa região servida por albufeiras que já abastecem populações e regadio em expansão.

Já não é possível defender um regresso a um mundo sem inteligência artificial, sendo necessário reconhecer o seu potencial em áreas como a gestão da água, desde a deteção de perdas nas redes e a otimização do regadio até à modelação hidrológica que suporta os Planos de Gestão de Região Hidrográfica. No entanto, é essencial assegurar que o desenvolvimento da IA decorra dentro dos limites planetários, respeitando a disponibilidade de recursos naturais, nomeadamente energia, água e matérias-primas, e garantindo que os seus benefícios sociais e ambientais superam os impactos da infraestrutura que a suporta. E isso tem tradução concreta na política da água.

Desde logo, transparência: os consumos de água (e energia) dos centros de dados devem ser públicos, medidos e reportados, instalação a instalação, e não escondidos atrás de médias corporativas ou de segredos comerciais. Depois, planeamento: a decisão sobre onde instalar estas infraestruturas tem de estar subordinada aos balanços hídricos regionais e aos Planos de Gestão de Região Hidrográfica, cujo 4.º ciclo (2028-2033) está em preparação e não pode ignorar esta nova categoria de utilizadores, privilegiando localizações com soluções de arrefecimento sem consumo de água doce, como a água do mar ou circuitos fechados, e o recurso a águas residuais tratadas em vez de água potável. Importa, contudo, ressalvar que o recurso à água do mar e, em particular, a dessalinizada não é isento de impactes, pelo que estas soluções devem ser sujeitas a avaliação de impacte ambiental exigente, sem nunca substituírem a prioridade que deve ser dada à eficiência e à necessidade de redução da procura. A recente Estratégia Europeia para a Resiliência Hídrica, que aponta para uma melhoria de pelo menos 10% na eficiência hídrica na União Europeia até 2030, deve ser o referencial mínimo. Finalmente, hierarquia de usos: em situação de seca, o abastecimento humano e os ecossistemas têm prioridade, e os títulos de utilização de recursos hídricos atribuídos a estas infraestruturas devem prever, desde o licenciamento, mecanismos de redução e contingência, tal como se exige a outros setores.

A água que os nossos rios e aquíferos já não garantem em cada verão não pode ser hipotecada a uma indústria que cresce mais depressa do que a nossa capacidade de a planear. Portugal tem uma oportunidade real de acolher a economia digital pela via certa, mas só o fará se a política da água deixar de correr atrás dos investimentos e passar a estar, de uma vez por todas, à frente deles.

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Iniciativa da UE para Resiliência Hídrica:


domingo, 21 de junho de 2026

O economista Abhijit Banerjee, Nobel da Economia, defende taxar água utilizada para IA

“O projeto da inteligência artificial gerou tanto entusiasmo, que não conseguimos pensar em todas as consequências”, disse em entrevista à agência Lusa, defendendo que “em algum ponto é preciso pensar em como taxar o gasto na IA”.

Neste sentido, considera que se deve pensar no preço da água, sendo que em alguns lugares usam muita água para a IA e até em locais muito secos, pelo que existe uma avaliação errada dos preços e “estão a aproveitar-se disso e a construir centros de dados em lugares um pouco inesperados”.

“Precisamos de uma política sobre preços para todos estes recursos que estão a utilizar”, defendeu, nomeadamente tendo em conta os impactos que esta tecnologia vai ter no mercado laboral e o que Estado vai ter de gastar em termos de compensar os trabalhadores que vão perder o trabalho.

Já existem taxas por exemplo direcionadas às emissões de gases de estufa, como a taxa de carbono, sendo que um modelo semelhante poderia ser utilizado para a água, sugeriu.

“Existem tantos recursos que estão a ser usados para IA”, que estão a provocar danos no resto do mundo, disse.

Os serviços de inteligência artificial (IA) implicam mais água do que outras aplicações, sendo que a geração de 10 a 50 respostas em texto de uma ferramenta de IA generativa requer cerca de meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia.

De acordo com uma nota informativa da plataforma espanhola Maldita, “os serviços de IA exigem mais água do que outras aplicações típicas de ‘data center’ (centros de dados, em português)”, sendo que a geração de imagens por ferramentas de IA implica também mais energia e, consequentemente, mais água.

Abhijit Banerjee recebeu o prémio Nobel da Economia de 2019, em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer. Os três economistas foram premiados pela “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”, segundo a Real Academia de Ciências da Suécia. 

Os trabalhos conduzidos pelos laureados “introduziram uma nova abordagem para obter respostas fiáveis sobre a melhor maneira de reduzir a pobreza no mundo”, adiantou a Academia.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Centros de dados criam "ilhas de calor": impacto ambiental da IA vai para além do consumo de energia


Os centros de dados que alimentam a Inteligência Artificial (IA) consomem enormes quantidades de energia, mas, de acordo com uma nova investigação, têm outro efeito preocupante: criam "ilhas de calor", aumentando a temperatura num raio de até dez quilómetros.

Apesar do rápido crescimento dos centros de dados, subsistem lacunas significativas na compreensão do seu impacto, afirma Andrea Marinoni, professor associado do Grupo de Observação da Terra da Universidade de Cambridge e um dos autores do estudo, que ainda será objeto de revisão por pares.

Marinoni e os seus colegas decidiram analisar um impacto menos estudado: o calor libertado pelas operações dos centros de dados que consomem muita energia, como os sistemas de computação e de refrigeração.

Para tal, analisaram 20 anos de dados de temperatura de sensores remotos e compararam-nos com as localizações dos chamados "hyperscalers" - instalações enormes que albergam milhares de servidores e cobrem mais de um milhão de metros quadrados, a maioria das quais foi construída na última década.

O estudo centrou-se em mais de seis mil centros de dados localizados longe de áreas urbanas densamente povoadas para limitar o impacto de outros fatores, como a indústria ou o aquecimento residencial. 

Os investigadores também excluíram as variações sazonais, como as tendências do aquecimento global, entre outros fatores.

Descobriram que, em média, a temperatura da superfície aumentou cerca de 1,8 graus Celsius após a abertura de um centro de dados. Em casos extremos, o aumento chegou a ser de 9,1 graus Celsius.

Estes aumentos foram registados em todo o mundo. Na região de Bahio, no México, que se tornou um centro de centros de dados, foi observado um aumento inexplicável da temperatura de cerca de 3,6 graus nos últimos 20 anos. 

Um padrão semelhante foi observado em Aragão, Espanha, onde também se registou um aumento semelhante que não foi observado nas áreas vizinhas.

É surpreendente o facto de os impactos não se limitarem à área imediata das instalações. O aquecimento estende-se a um raio de até 10 quilómetros, afetando mais de 340 milhões de pessoas. Impacto na sociedade poderá ser "dramático"

Os resultados são particularmente preocupantes, uma vez que se prevê um rápido crescimento dos centros de dados nos próximos anos, numa altura em que as alterações climáticas já estão a intensificar as ondas de calor extremas em todo o mundo.

Marinoni adverte que a expansão planeada dos centros de dados "pode ter um impacto dramático na sociedade", afetando o ambiente, o bem-estar dos cidadãos e a economia.

Deborah Andrews, professora emérita de Design Sustentável na London South Bank University e não envolvida no estudo, afirmou que, embora já existam preocupações sobre o impacto dos centros de dados, este é o primeiro estudo a centrar-se especificamente no calor que geram.

A "corrida ao ouro" da inteligência artificial parece estar a sobrepor-se às boas práticas e ao pensamento sistémico", afirmou, sublinhando que o desenvolvimento está a avançar mais rapidamente do que a criação de soluções sustentáveis.

Outros especialistas consideram que é necessária mais investigação para confirmar os resultados. Ralph Hintemann, do Borderstep Institute for Innovation and Sustainability, observou que os dados são interessantes, mas os valores do impacto "parecem muito elevados", acrescentando que as emissões provenientes da produção de energia para centros de dados continuam a ser a maior preocupação em termos de alterações climáticas.

Marinoni espera que o estudo abra o debate sobre a atenuação do impacto da IA: "Talvez ainda haja tempo para considerar um caminho diferente sem afetar a procura de IA e a sua contribuição para o progresso da humanidade".

sexta-feira, 20 de março de 2026

Como os nossos sistemas de água passaram da crise ao colapso


O artigo de Tim Smedley, publicado no portal The New Climate, apresenta uma perspetiva alarmante sobre a transição de uma crise hídrica passível de gestão para um verdadeiro colapso sistémico. O autor argumenta que a humanidade ultrapassou o conceito de "escassez" — que implica uma falta temporária — para entrar num estado de "falência hídrica", onde consumimos o capital natural de água doce muito mais depressa do que a natureza o consegue repor. Smedley explica que o ciclo hidrológico global foi quebrado pela intervenção humana, através da desflorestação, da urbanização excessiva e da destruição de ecossistemas como as zonas húmidas, que funcionavam como "esponjas" naturais. Sem estes filtros e reservatórios biológicos, a água da chuva deixa de se infiltrar no solo para recarregar os aquíferos, resultando em cheias destrutivas seguidas de secas extremas, um fenómeno que ele apelida de "chicote climático".

O texto sublinha que as nossas infraestruturas de engenharia tradicionais, como barragens e canalizações de betão, foram concebidas para um clima estável que já não existe, tornando-as rígidas e incapazes de lidar com a nova volatilidade atmosférica. Para além do volume físico da água, o autor alerta para a "água virtual" — a enorme quantidade de recursos hídricos invisíveis que são exportados por regiões secas sob a forma de produtos agrícolas e industriais, como amêndoas, carne ou têxteis, acelerando o colapso local em benefício do mercado global. Smedley aponta também a poluição por químicos persistentes, como os PFAS, que degrada a qualidade da água restante, tornando a sua recuperação financeiramente inviável para muitas comunidades.

Para evitar o abismo total, o autor defende uma mudança radical de paradigma que ele detalha na sua obra "The Last Drop". Esta mudança envolve a adoção de Soluções Baseadas na Natureza (como as promovidas pela IUCN, o restauro de rios e a implementação de uma "transparência radical" no uso da água. O texto baseia-se em dados de organismos como a UN-Water e nos estudos de Johan Rockström sobre os Limites Planetários, concluindo que a solução não reside em dominar a natureza com mais cimento, mas sim em aprender a viver dentro dos limites biológicos do planeta, restaurando a capacidade da própria Terra de gerir e armazenar a água de forma cíclica e sustentável.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Solar e Agricultura: como os projetos agrivoltaicos apoiam os agricultores e a economia rural?


Os projetos agrivoltaicos são uma solução prática que combina a atividade agrícola com a produção de eletricidade a partir de energia solar no mesmo terreno, permitindo um duplo uso do solo. Com um bom planeamento, os projetos agrivoltaicos asseguram que a terra continue produtiva, gerando novos rendimentos para os proprietários e proporcionando maior estabilidade às comunidades locais.

Estudos recentes indicam que a implementação de projetos agrivoltaicos na União Europeia pode aumentar a eficiência do uso do solo, permitindo manter o rendimento agrícola, promovendo soluções como o pastoreio e a apicultura.
Protegendo a agricultura através da transição energética

A transição energética é um dos maiores desafios da atualidade, e a energia solar assume um papel central nesse processo. Segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA), em 2024 foram adicionados 585 GW de nova capacidade renovável a nível global, representando 92,5% de toda a expansão de capacidade elétrica.

À medida que a energia solar cresce, surge uma questão essencial: como maximizar o uso do solo, conjugando simultaneamente a produção energética e a atividade agrícola?

O que são projetos agrivoltaicos e como funcionam?
Esta tipologia de projetos combina a agricultura com a produção de energia solar no mesmo terreno instalando painéis solares de forma a permitir a continuidade do uso agrícola do solo, seja para pastoreio, culturas específicas ou apicultura.

Exemplos comuns incluem:
  1. Pastoreio de ovinos
  2. Culturas de baixo porte adaptadas à sombra parcial
  3. Instalação de colmeias
A estrutura dos painéis (cerca de 2,5 a 3 metros no ponto mais alto) permite a circulação de animais e a manutenção da atividade agrícola regular, combinadas com a produção de energia solar.

Projetos agrivoltaicos e rendimento agrícola: dados concretos
Estudos internacionais indicam que esta tipologia de projetos permite:
  1. Reduzir a perda de água das culturas, mitigando o stress hídrico em contextos de calor extremo através de sombreamento parcial

  2. Melhorar a produtividade de determinadas culturas sensíveis ao calor extremo
  3. Aumentar a eficiência do uso dos solos
Para agricultores rurais, isto traduz-se em:
  1. Diversificação de fontes de receitas
  2. Redução da dependência exclusiva de ciclos agrícolas voláteis
  3. Maior previsibilidade financeira a longo prazo
Projetos agrivoltaicos e economia rural: impacto local
Para além do rendimento direto para agricultores, os parques solares podem gerar benefícios económicos locais:
  1. Contratação de serviços locais
  2. Receita fiscal municipal
  3. Estabilidade financeira para proprietários de terrenos
  4. Criação de emprego durante construção e operação – o setor solar fotovoltaico é o maior empregador global nas renováveis, representando cerca de 4,9 milhões de empregos em 2022
Promoção de soluções que favoreçam biodiversidade e polinizadores

Apicultura e energia solar: uma parceria natural
Parques solares integrados em modelos agrivoltaicos podem apoiar polinizadores e apicultores locais, integrando apicultura e energia solar na atividade agrícola existente.

A criação de prados floridos e zonas de pastoreio solar permite instalar colmeias, monitorizar a biodiversidade e gerar rendimento complementar, contribuindo para reforçar a economia rural.

Como os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores e economia rural?
Os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores ao permitir que continuem a utilizar a terra para a atividade agrícola enquanto geram rendimento adicional através da energia solar. Este modelo diversifica receitas, reduz riscos associados à variabilidade climática e contribui para a estabilidade económica das comunidades.

Energia solar e agricultura: possibilidades de uso duplo do solo
Quando cuidadosamente planeados, os parques solares funcionam de forma a complementar a atividade agrícola, não a inviabilizá-la ou substituí-la. A transição energética pode ser também uma estratégia de revitalização rural.

terça-feira, 3 de março de 2026

O olival Português transformado num activo financeiro

Greenpeace Portugal exige “moratória imediata à expansão do olival superintensivo”


Um relatório de investigação internacional divulgado pela Greenpeace, intitulado "O Campo como Ativo", expõe a face oculta da expansão do olival superintensivo em Portugal. O documento revela que o país se tornou o "porto seguro" para fundos de investimento canadianos e britânicos, que utilizam o Alqueva e milhões de euros em fundos públicos portugueses para substituir a agricultura tradicional por um modelo industrial de lucro rápido e elevado risco ambiental. 
Ao contrário de Espanha, onde o olival tradicional ainda resiste, a expansão em Portugal (liderada por empresas como a Innoliva) foca-se quase exclusivamente no modelo superintensivo. Dos 4.800 hectares geridas pelo grupo na última década, mais de 65% (3.168 hectares) estão em solo português. 
O relatório detalha como o Estado Português, através do IFAP, financiou diretamente esta transição. Um único projeto de um fundo estrangeiro recebeu 6,5 milhões de euros a fundo perdido, a que se somaram mais 3 milhões para lagares industriais de alta capacidade (como o de Carapetal). 
A investigação confirma o impacto devastador na biodiversidade. As colheitas noturnas com máquinas cavadeiras, fundamentais para a rentabilidade destes fundos, provocam a mortalidade em massa de aves, o que forçou as autoridades a suspender a prática, embora o modelo económico destes grupos continue a depender da mecanização extrema. 
O relatório alerta que o modelo superintensivo, embora eficiente "por árvore", consome volumes totais de água por hectare muito superiores ao tradicional, colocando em causa a resiliência hídrica do Alentejo em períodos de seca extrema. 
Para o Diretor da Greenpeace Portugal, "Estamos a trocar pessoas por máquinas e comunidades por folhas de Excel. O Governo gasta milhões em subsídios para um modelo que não fixa um único jovem no Alentejo. 
O que vemos hoje é uma forma de extrativismo moderno: os fundos de investimento a sugar a nossa água e o nosso solo, pagos com os nossos impostos, deixando para trás um território vazio, biologicamente devastador e socialmente abandonado. 
O Alqueva não pode ser o cemitério das nossas aldeias." Toni Melajoki Roseiro acrescenta que “não é agricultura, é extração de valor. Transformaram a nossa oliveira numa franquia industrial onde tudo é uniformizado e mecanizado, controlado à distância a partir de um escritório em Toronto ou Londres. O resultado é um Alentejo mais frágil; ´água sob pressão, território a esvaziar-se e o azeite português tratado como um ativo financeiro, em vez de ser parte da nossa terra.” 
Parte da riqueza produzida no regadio de Alqueva é encaminhada para fundos de pensões de funcionários públicos, Forças Armadas e Polícia Montada do Canadá, bem como da Igreja Mormón.
Perante este cenário, a Greenpeace Portugal exige uma moratória imediata à expansão do olival superintensivo. O governo português tem de escolher: ou continua a ser o facilitador dos fundos de investimento, ou assume o seu papel de protetor do território e da soberania alimentar de Portugal. O campo não é um banco. O campo é a nossa vida.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O Dia Internacional das Montanhas de 2025 destaca as comunidades e os ecossistemas das montanhas do mundo



O Dia Internacional das Montanhas é celebrado em todo o mundo anualmente em 11 de dezembro, e é um dia dedicado ao papel que as montanhas desempenham na manutenção da vida, da cultura e da biodiversidade. As montanhas ocupam aproximadamente 22% da área terrestre da Terra. e são o habitat natural de mais de 1.1 bilião de pessoas em todo o mundo. Elas oferecem rios, alimentos, energia e uma fonte de patrimônio cultural para as populações que vivem tanto em suas encostas quanto em áreas mais afastadas. Este Dia Internacional das Montanhas de 2025 é um momento para lembrar as comunidades de montanha e a natureza que delas dependem; portanto, o foco se volta para a necessidade de sua gestão sustentável para salvar essas áreas delicadas.

Ameaças aos ecossistemas de montanha
Ainda assim, os ecossistemas de montanha estão declinando de forma muito grave em várias partes do mundo. As mudanças climáticas aceleraram o derretimento das geleiras, elas estão recebendo chuvas em épocas nunca antes vistas e estão sofrendo deslizamentos de terra com mais frequência devido ao aquecimento global.

Corte de madeira, extração de minerais e atividades turísticas descontroladas. São exemplos de intervenções humanas que tornam o local ainda mais perigoso para os moradores dessas áreas. fauna e flora da montanha Essas regiões são particularmente vulneráveis, visto que um grande número de espécies está aclimatado a pouquíssimas condições climáticas. É de suma importância que protejamos esses ecossistemas para garantir o abastecimento contínuo de água e o equilíbrio ecológico para milhões de pessoas que vivem rio abaixo.

Comunidades de montanha: a vida em lugares altos
As montanhas não são meramente formações naturais; elas também abrigam civilizações e meios de subsistência distintos. Normalmente, comunidades indígenas e rurais Eles se dedicam à agricultura, à pecuária e ao turismo como fontes de renda. No entanto, estão na linha de frente para sofrer os impactos negativos das mudanças ambientais.[Fonte]

Neste dia, os eventos e projetos giram principalmente em torno do tema de equipar os habitantes com os meios de sobrevivência através da implementação de práticas ecologicamente corretas e do uso de energia renovávele a oferta de educação.

Aumentar a Conscientização e a Ação
O Dia Internacional das Montanhas de 2025 é uma oportunidade para aumentar a conscientização e agir em prol da conservação e do desenvolvimento sustentável de áreas de alta altitude. Muitas organizações promovem a data realizando workshops, organizando mutirões de limpeza comunitários, fornecendo informações educativas e patrocinando atividades de aventura para conectar as pessoas a essas paisagens majestosas. Este dia promove a colaboração global e o apoio mútuo para ajudar a garantir a prosperidade das montanhas. comunidades montanhosas e ecossistemas saudáveis.

Ao celebrarmos este dia, lembramos da importância das montanhas para a vida, a cultura e a regulação do clima da Terra, e que, ao protegê-las, podemos ajudar a garantir que as pessoas e os ecossistemas prosperem nas montanhas do mundo para as gerações futuras.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Que fazer aos cigarros electrónicos usados?


Além dos graves riscos à saúde associados ao uso de cigarros eletrónicos, esses dispositivos também representam uma ameaça significativa ao meio ambiente. O seu descarte inadequado gera uma série de consequências nocivas.

Frequentemente, quando os dispositivos chegam ao fim da sua vida útil, são abandonados como lixo comum em locais públicos, como parques, calçadas ou beiras de estrada. Além do impacto visual, esse descarte irregular pode causar danos materiais — como furos em pneus de veículos — e contribuir para a poluição ambiental.

No entanto, os problemas são ainda mais profundos. Os cigarros eletrónicos contêm metais pesados, como antimónio, níquel e chumbo, que podem infiltrar-se no solo e nos corpos de água quando descartados de forma incorreta. Muitos modelos, especialmente os descartáveis, são alimentados por baterias de íon-lítio, que oferecem risco de incêndio ou explosão se manuseadas inadequadamente, mesmo em aterros sanitários. Além disso, as carcaças de plástico podem degradar-se em microplásticos, agravando a contaminação do solo e da água.

De acordo com as normas ambientais, os cigarros eletrónicos usados devem ser encaminhados para pontos de coleta especializados em resíduos eletrónicos ou para instalações autorizadas a manusear resíduos perigosos, garantindo assim um descarte seguro e responsável.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Relatórios e críticas académicas sobre o REACH

Em complemento ao que já foi dito aqui, sugiro a leitura da seguinte informação. Apesar dos seus progressos, diversos estudos académicos têm apontado limitações importantes que comprometem a sua eficácia ambiental.

Entre as principais críticas destaca-se a lentidão dos processos de avaliação e autorização, que faz com que muitas substâncias perigosas permaneçam no mercado durante anos antes de qualquer restrição efetiva. A qualidade e transparência dos dados submetidos pelas empresas também suscitam dúvidas: análises recentes revelam que mais de metade dos estudos utilizados não seguem padrões regulatórios consistentes.

Outro ponto central é a avaliação insuficiente dos efeitos combinados de misturas químicas. O REACH tende a analisar substâncias isoladamente, ignorando o chamado efeito cocktail, em que misturas de compostos aparentemente inofensivos podem causar sérios impactos sobre ecossistemas aquáticos e terrestres. Investigadores e organizações ambientais defendem a introdução de um mixture assessment factor para refletir melhor a realidade ecológica.

Estudos em ecotoxicologia demonstram que os dados de toxicidade ambiental no REACH são incompletos ou de baixa qualidade, o que dificulta a avaliação da pegada ecológica das substâncias. Isto tem implicações diretas na biodiversidade, na contaminação da água e do solo, e na saúde dos ecossistemas.

Além disso, há disparidades na aplicação entre Estados-Membros, o que fragiliza a coerência da proteção ambiental. A indústria, por seu lado, reconhece o valor do REACH, mas critica os custos e a burocracia associados.

1. Comissão Europeia / ECHA


Socio-economic analysis in REACH. Portal da ECHA que explica como são feitas as análises socioeconómicas para autorizações e restrições.

Evaluation under REACH. Página da ECHA que explica como funcionam os processos de avaliação (compliance check, substance evaluation, testing proposals).


2. Relatórios de avaliação económica ou de custo-benefício

SWD (2018) – Cost and benefit assessments in the REACH restriction dossiers. Este é um relatório da Comissão Europeia (Serviço de Apoio) que analisa os custos e benefícios das restrições propostas sob o REACH (Anexo XVII).

ECHA (2021) “REACH authorisation has positive health and environmental impacts”. Notícia / estudo de impacto socioeconómico que mostra que a exigência de autorização fez muitas empresas substituir substâncias muito preocupantes.

10 REACH Tests (ECHA) — relatório da EEB (European Environmental Bureau) com críticas sobre a metodologia socioeconómica da ECHA e propondo “10 testes” para melhorar a atuação da agência.


3. Críticas Académicas e Impactos Ambientais

1.Santos, A. C. T. e outros. Towards a more effective REACH legislation in protecting human health. Toxicological Sciences. Este artigo discute a lentidão do processo de avaliação/substância e a necessidade de decisões mais rápidas sob o REACH.

2.Spielmann, H. e outros   A critical evaluation of the 2011 ECHA reports on compliance with the REACH and CLP regulations and on the use of alternatives to testing on animals for compliance with the REACH regulation.  Este artigo faz uma crítica aos primeiros relatórios da ECHA sobre conformidade e uso de alternativas a testes em animais.


4. Beyer, Petersen, Song, Ruus, Grung, Bakke, Tollefsen (2014) — Environmental risk assessment of combined effects in aquatic ecotoxicology: a discussion paper. Efeitos combinados de contaminantes aquáticos; relação com REACH, Water Framework Directive (WFD) e Marine Strategy Framework Directive (MSFD).  Aborda desafios ecológicos concretos — misturas aquáticas, biodiversidade, várias espécies de fauna aquática

sábado, 8 de novembro de 2025

Não deve dar pão às aves


Os nossos parques da cidade são habitualmente refúgios para muitos animais, entre eles os nossos adoráveis patos.
Os patos e gansos são geralmente animais mais sociáveis e aproximam-se facilmente dos humanos, sobretudo, quando estes lhes oferecem comida.
Das inúmeras vezes que caminho pelos parques, é fácil presenciar outras pessoas a alimentarem os patos, e, normalmente, fazem-no com pão que lhes sobrou em casa.
Já tive oportunidade de escrever sobre este tema, mas nunca será demais lembrar. O pão não deve ser fornecido às aves como alimento.

Existem vários riscos associados ao fornecerem pão às aves, e quando escrevo “aves”, refiro-me efectivamente a todo o tipo de aves. Até porque, há muito boa gente que, também dá pão aos pássaros.

Primeiro: as aves não precisam que lhes forneçam alimento, elas sabem procurá-lo, e assim deve ser.

Segundo: o pão é um alimento de humanos, altamente calórico, e muito prejudicial para as aves que, ao contrário dos humanos não têm por hábito ingerir alimentos calóricos.

Terceiro: fornecer alimento aos animais, ou, colocar muito alimento inapropriado disponível, cria nos animais selvagens uma espécie de letargia, impedindo-os de procurar o seu próprio alimento, o que deve acontecer em condições naturais.

Quarto: Em casos habituais de distribuição de pão às aves, pode levar a casos graves de desnutrição e à morte das aves.

Quinto: uma das patologias que se podem observar nos patos devido à má nutrição, ou se quiserem, a uma alimentação excessivamente calórica é a designada “Asas-de-Anjo” que impede os patos de voarem e os torna presas fáceis para outros animais e humanos.

Sexto: Cada ave tem as suas necessidades nutricionais. Assim sendo, cada espécie de pato, tem o seu próprio alimento e as suas necessidades nutricionais. Sendo que, uns se alimentam de plantas, enquanto outros consomem vermes e pequenos insectos. Substituir o seu alimento por pão, não é, nem nunca será, adequado à sua nutrição.

Sétimo: O pão é basicamente constituído por hidratos de carbono. Assim sendo, fornecer às aves uma dieta só com base em hidratos de carbono é saciar-lhe a fome e fornecer-lhes um alimento totalmente desadequado, e que desequilibra totalmente a sua nutrição. Esta má nutrição pode inclusive afectar a descendência das aves, uma vez que, a patologia “Asas-de-Anjo” se manifesta nos patinhos, impedindo-os, como disse, de voarem.

Oitavo: O síndrome de “Asas-de-Anjo” ou “Angel-Wing” é comum nos locais onde os patos são alimentados com pão. Este síndrome é uma condição em que as asas das aves crescem para fora, em vez de dobrarem para dentro. Esta condição faz com que os patos percam de forma permanente a capacidade de voarem. Como tal, tornam-se presas fáceis e em última estância pode dizimar as populações de patos.

Nono: quando alimentamos a aves com pão fazemos com que estas se juntem. No caso de algumas das aves presentes se encontrarem com uma infecção provocada por vírus (gripe aviária, por exemplo) ou bactéria, fazemos com que as outras fiquem expostas ao agente infeccioso, e, com que a infecção se dissemine mais rapidamente. Em última análise, podemos estar também a expormo-nos ao mesmo agente infeccioso.

Décimo: As migalhas e resto de pão que se decompõe nos lagos, rios e ribeiros comprometem a qualidade da água desses locais, o que vai afectar toda a comunidade presente nestes locais.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Áreas protegidas em risco na Europa. Trezentos hectares em Melides perdidos para grupo americano



A Europa está a perder áreas verdes a um ritmo de 600 campos de futebol por dia. Esses espaços, que antes abrigavam vida selvagem, capturavam carbono e forneciam alimentos, estão a desaparecer para darem lugar a novas construções, incluindo em Portugal. Uma investigação do jornal britânico The Guardian destaca o caso de Melides, onde um grupo norte-americano comprou quase três centenas de hectares para erguer um resort de luxo no qual várias personalidades estrangeiras já terão adquirido propriedades milionárias.

Pela primeira vez, replicando o que já acontece para medir a desflorestação na Amazónia, investigadores usaram imagens de satélite para avaliar a perda de áreas verdes na Europa ao longo de um período de cinco anos. O que antes era verde é agora cinzento devido à construção de estradas e edifícios, revelou o projeto Green to Grey, uma iniciativa do Guardian que contou com a colaboração de vários parceiros europeus.

Em Portugal, quase 300 hectares de área protegida em Melides, no município de Grândola, foram comprados pelo grupo imobiliário norte-americano Discovery Land Company para construir um resort e um campo de golfe.

O projeto CostaTerra Golf and Ocean Club, cujas propriedades rondam os 6,4 milhões de euros, ainda está em construção mas já terá casas vendidas a algumas celebridades estrangeiras, entre as quais a atriz Nicole Kidman, a duquesa de Sussex, Meghan Markle, e o seu marido príncipe Harry.

O grupo norte-americano que adquiriu os hectares de terreno decidiu, em 2021, encerrar o parque de campismo da Galé, que dava acesso à praia da Galé, em Melides, originando vários protestos ao longo dos últimos anos pelos antigos utilizadores do parque, que estava em funcionamento há várias décadas.

Toda essa área de Melides integra a Rede Natura 2000, uma iniciativa europeia que pretende assegurar a biodiversidade e conservar a natureza em zonas protegidas.

Os regulamentos europeus apenas preveem exceções ao desenvolvimento de projetos em áreas da Rede Natura 2000 em caso de interesse público superior. As autoridades portuguesas, incluindo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), aprovaram a construção do resort, com algumas entidades a destacarem os benefícios económicos que este trará.

No entanto, Ioannis Agapakis, advogado da ONG de direito ambiental ClientEarth, afirmou que um campo de golfe não preenche os requisitos ambientais. "É óbvio que não se trata de um interesse público superior", afirmou, já que "o simples facto de se encontrarem benefícios económicos num projeto não o torna de interesse público superior".

No seu site oficial, o resort CostaTerra promete “o luxo simples da vida europeia” na “última costa atlântica intocada do sul da Europa”.

Em comunicado, o grupo Discovery Land Company garantiu estar a desenvolver o CostaTerra “para ser um modelo de gestão ambiental e de sustentabilidade na região”, prometendo ser a “propriedade mais responsável do seu género”.

Segundo o Guardian, só a manutenção do campo de golfe, que ocupa 75 hectares, implica o consumo de cerca de 800 mil litros de água por dia.

“Todos os aspetos da propriedade, desde a conceção do campo de golfe, passando pelas práticas de gestão das águas pluviais e dos resíduos, até ao desenvolvimento e preservação do habitat e dos corredores de vida selvagem, foram concebidos para satisfazer ou exceder as normas da UE, incluindo as da Rede Natura 2000”, assegurou o grupo.

O projeto Green to Grey conclui que, em toda a Europa, cerca de 9.000 quilómetros quadrados de terreno - uma área equivalente à do Chipre - passaram da cor verde à cinzenta entre 2018 e 2023. Este número traduz-se em quase 30 quilómetros quadrados por semana, ou 600 campos de futebol por dia.

A análise abrangeu 30 países, cobrindo 96 por cento da área do Espaço Económico Europeu (EEE). Os cinco países com as maiores perdas de vegetação entre 2018 e 2023 foram a Turquia, Polónia, França, Alemanha e Reino Unido.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Amazon lança Centro de Excelência Water-AI Nexus


Numa era em que a tecnologia avança a passos largos e os desafios ambientais se intensificam, surge uma aliança sem precedentes, que promete redefinir a gestão dos recursos hídricos globais. A Water Environment Federation (WEF), a Amazon.com, Inc., o The Water Center at the University of Pennsylvania (WCP) e a The Leading Utilities of the World (Leading Utilities) anunciaram hoje a criação do Centro de Excelência Water-AI Nexus. Esta colaboração pretende assegurar infraestruturas de Inteligência Artificial (IA) sustentáveis no uso da água e alavancar o poder da IA na procura de soluções para a crise hídrica global.

O Water-AI Nexus
O anúncio do Centro de Excelência decorreu na Climate Week NYC, o maior evento climático anual nos Estados Unidos, o que sublinha a urgência e relevância da iniciativa. O Water-AI Nexus dedicar-se-á principalmente a duas missões:

  • Água para a IA – para garantir que a infraestrutura de IA utiliza a água da forma mais eficiente possível, com a otimização do consumo dentro das Regiões AWS e Zonas de Disponibilidade que albergam as cargas de trabalho de IA.
  • IA para a Água – aproveitar as vastas capacidades da Inteligência Artificial (e Machine Learning), em plataformas como o Amazon SageMaker e outras, de análise de dados, para resolver desafios urgentes de escassez e gestão hídrica. O que inclui análises preditivas de procura, deteção de anomalias em redes e otimização de processos de tratamento.

Ralph Erik Exton, diretor executivo da WEF, sublinha a importância desta união: “As empresas de água em todo o mundo, enquanto servem comunidades que dependem de serviços de água fiáveis e acessíveis, enfrentam desafios sem precedentes devido às alterações climáticas e a infraestruturas envelhecidas. O Water-AI Nexus vem acelerar a inovação e conectar profissionais da água com especialistas em IA para que desenvolvam soluções que beneficiem ambos os setores, e as comunidades. Esta plataforma colaborativa promove o desenvolvimento de soluções nativas na cloud e a otimização da gestão da água com recurso a dados.”

Boas Práticas Para o Uso Sustentável da Água
Uma das principais iniciativas do Centro de Excelência Water-AI Nexus é a criação de diretrizes e padrões para o uso responsável da água no setor de IA. O objetivo é promover as melhores práticas na indústria e estabelecer critérios de conformidade para a eficiência hídrica em centros de dados.

Nesse sentido, foi hoje lançado o guia de boas práticas “Princípios para o Uso Sustentável da Água por Data Centers”, um roteiro essencial para operadores de data centers minimizarem os seus impactos hídricos, mas continuarem a maximizar o avanço tecnológico.

Este guia estabelece quatro princípios essenciais:
  1. Design e localização inteligentes – considerando dados e impacto ambiental),
  2. Otimização operacional – com monitorização em tempo real e automação),
  3. Uso de fontes de água sustentáveis – integrando-se com tecnologias como AWS IoT) e
  4. Reposição de água nas comunidades – alinhado com as metas de responsabilidade social).
  5. A partilha de conhecimento é fundamental pelo WATER-AI NEXUS, e garantem estudos de caso e resultados divulgados em eventos como o AWS re:Invent, e outros fóruns, assim como a colaboração intersetorial – ligação entre empresas de água, desenvolvedores de IA, investigadores e o governo – vai ser incentivada para promover a inovação.
O consumo de água é uma grande preocupação entre os principais desenvolvedores de data centers. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), um centro de dados típico de 100 MW nos EUA consome cerca de dois milhões de litros de água por dia. À escala global, a AIE estima que o sector dos centros de dados consuma actualmente mais de 560 mil milhões de litros de água por ano, podendo este número aumentar para 1,2 biliões de litros anualmente até 2030.

A Amazon adotou várias medidas para tornar o seu uso de água mais sustentável. Em junho, a empresa anunciou que estava a expandir o número de locais que utilizam águas residuais tratadas para arrefecimento de data centers de 20 para 120.

Inovação hídrica da Amazon na Península Ibérica
Na Península Ibérica, o compromisso da Amazon com a inovação na gestão hídrica e energética já é visível. Em março deste ano foram anunciados três novos projetos hídricos na região de Aragão, sede da Região AWS Europa. Com um investimento total de 17,2 milhões de euros, estas iniciativas visam proteger 700.000 residentes de Saragoça contra inundações, modernizar infraestruturas críticas e otimizar o uso da água na agricultura através da Inteligência Artificial (IA).

Os projetos incluem:
  1. Sistemas de alerta precoce baseado na cloud e IA para prevenção de inundações,
  2. Programas de apoio agricultores locais na implementação de IA para maximizar a produtividade e reduzir a pegada hídrica.
  3. Melhorias nas infraestruturas de abastecimento de água em Huesca.
  4. Outro exemplo claro de inovação e tecnologia aplicada na gestão da água é o da SPHERAG. Esta empresa espanhola utiliza soluções de IA, machine learning e IoT da AWS para melhorar a eficiência hídrica no setor agrícola, demonstrando como a tecnologia pode transformar a gestão deste precioso recurso e contribuir para o compromisso global da Amazon de devolver mais água às comunidades e ao ambiente do que utiliza nas suas operações até 2030.
As organizações dos setores da água e da tecnologia são convidadas a participar neste esforço colaborativo em Water-AI Nexus

A Google, a Microsoft e a Meta também adotaram iniciativas para apoiar o uso mais sustentável da água e comprometeram-se a atingir a positividade hídrica até 2030.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Mineração de ouro deixa cicatrizes tóxicas na reserva de Dimonika, no Congo


Acredita-se que estes buracos escancarados no coração da Reserva da Biosfera de Dimonika sejam o resultado da mineração de ouro. Observe esta vasta extensão, recordo que estamos numa reserva estadual,e veja por si mesmo: já não há floresta.
Localizada na República do Congo,a 50 km da costa atlântica, a Reserva da Biosfera de Dimonikacobre 136.000 hectares de floresta. Reconhecida como Património Mundial da UNESCO em 1988,esta área protegida serve como um laboratório vivo: para a conservação da biodiversidade, pesquisa científicae gestão sustentável dos recursos naturais.
Mas, desde a chegada daempresa chinesa City SARLno final de 2023,esta área protegida pode estar perigo. De acordo com os meios de comunicação locais, estas retroescavadeiras já destruíram5 hectares de floresta, o equivalente a sete campos de futebol. Alguns garimpeiros locais receberamc ompensação financeira da empresa para abandonar o local. 
Estes três homens recusaram. Tinham vindo com uma política de dar às pessoas uma pequena quantia [equivalente a 70 dólares] para libertar os lugares para que eles próprios pudessem vir trabalhar. Mas se pudéssemos ficar aqui, trabalharíamos durante décadas. 
Sem terra, esta comunidade local de cerca de 3.000 pessoas também está privada de água potável.O Rio Yanika, que costumava atravessar a área, está agora quase seco. Costumávamos ter fontes de água, fontes de água muito boas. Hoje está tudo amarelo, até tem medo de lavar as mãos nele.
No final de 2024,em resposta às preocupações das comunidades locais, a ONG Congo Nature Conservation recolheu amostras de água. As suas análises laboratoriais mostraram um teor anormalmente elevado de mercúrio. Assim, o nível normal é de 0,00005 mg/l, mas estamos nos 0,007 mg/l, que está bem acimado nível permitido em água doce. Isto é mais de 140 vezes mais do que o habitual.
O mercúrio ficará nos pulmões, no fígado, e, em segundo lugar, pode causar danos às pessoas que consomem essas águas. 
Portanto, é tempo de apontar e interromper a exploração anárquica de ouro nesta reserva de Dimonika. Em Brazzaville, as nossas equipas reuniram com um dos gerentes da empresa chinesa em causa, que negou ser responsável pelos danos. Os danos já eram visíveis antes de chegarmos. É como a chegada de um inquilino: se não houve um inventário feito antes de o inquilino ocupar a casa, e se é feito um inventário só depois de o inquilino já estar alojado, vemo-nos carregando tudo o que veio antes de nós. Os inquilinos anteriores nesta analogia seriam mineiros artesanais do distrito de Mvoutique aqui prospectam ouro há décadas com a autorização das autoridades locais. Alguns recusaram-se a deixar o local diante da empresa mineira e continuam a trabalhar a terra com ferramentas mais rudimentares. O que fazemos num ano, as máquinas chinesas fazem-no numa semana. Com a mineração artesanal de ouro, não conseguimos cortar 10 ou 15 árvores. Com as suas máquinas, arrasam tudo. Então, como vamos alimentar as nossas famílias? E os nossos filhos, como sobreviverão? Perante a escala do desastre, a ministra do Ambiente, Arlette Soudan-Nonault, ordenou a proibição das atividades da empresa em novembro de 2024. Mas, entretanto, a biodiversidade foi severamente danificada, a água está imprópria para consumo e alguns habitantes foram obrigados a fugir.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Gata-Malcata, colaboração transfronteiriça para a mitigação de incêndios florestais e a conservação da água


A Serra da Malcata e a Serra de Gata formam uma região transfronteiriça caracterizada por paisagens, potencialidades e desafios comuns. Ambas as áreas são rurais, pouco povoadas e enfrentam economias frágeis. Esta região foi selecionada como piloto devido à sua classificação como "ecorregião", que denota uma unidade substancial de terra e/ou água, caracterizada por climas únicos, atributos ecológicos e diversas comunidades vegetais e animais.

Em ambos os territórios, prevalece uma consciência coletiva dos riscos ambientais, que impactam o quotidiano da população local. Os riscos ambientais decorrem principalmente das alterações climáticas, que afectam ambas as regiões de forma semelhante, tornando-as profundamente conscientes das suas vulnerabilidades ambientais.

À luz destes desafios comuns, este projecto defende o estabelecimento de um espaço transfronteiriço concebido para abordar a mitigação dos incêndios e incentivar as transformações no uso do solo. Esta iniciativa visa não só prevenir os incêndios florestais, mas também contribuir para a conservação da água, explorar fontes de energia alternativas e promover a cooperação internacional.

Visando a construção de uma instituição colaborativa, o projeto procura facilitar a cooperação entre as duas regiões e promover iniciativas participativas. O objectivo central deste esforço conjunto é alavancar as práticas existentes em ambos os lados da fronteira, partilhar o conhecimento disponível de organizações da sociedade civil, investigadores e particulares, e criar uma plataforma para a apresentação de propostas e iniciativas dedicadas ao combate ou mitigação de incêndios e à escassez de água.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O Tribunal Superior da Galiza emitiu uma sentença histórica


Numa decisão histórica, um tribunal espanhol declarou que o facto de não se combater a poluição da água causada pela agricultura industrial viola os direitos humanos fundamentais. A decisão, desencadeada por anos de contaminação tóxica na aldeia de As Conchas, na Galiza, abre um precedente poderoso: as autoridades podem e devem ser responsabilizadas quando a negligência ambiental põe em risco a saúde pública. Este é um ponto de viragem para a Europa - e um reconhecimento claro de que a água potável não é apenas uma questão ambiental, mas um direito humano fundamental.
A Espanha é o maior produtor de carne de porco da Europa, e cerca de um terço das suas explorações suinícolas localizam-se na Galiza. 
Ler mais aqui , aqui e aqui

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Google’s data center energy use grew 27% in one year, plus eight more takeaways from its 2025 environmental report


In Google’s 10th annual report, the company said it reduced emissions even as its data center electricity consumption rose by 27% in one year

‘Tis the season for environmental sustainability reports, it seems, with the GSMA recently releasing its Mobile Net Zero report on telecom operators’ sustainability progress and Google putting out the tenth annual edition of its company environmental report.

The good news across both of those reports? Emissions are down, as telecom and tech companies purchase more clean energy to meet their growing needs. The downside is that those power needs are growing so fast that they need to pick up the pace if they actually want to make progress on sustainability. Available power isn’t keeping up with demand, creating a major bottleneck for cloud, AI and data center proliferation.

The Google environmental report puts numbers out (though some researchers have questioned whether they are accurate), but it also illustrates some of the company’s efforts to push against the prevailing trends in energy type and availability.

Here are nine key takeaways from the 2025 report.

–Power use grew by 27% in just one year. It was up 17% the prior year and doubled over the past four years. The increase should come as no surprise, with the insatiable demand for power-hungry data centers and the scramble across industries to develop and adopt even more power-intense artificial intelligence-based applications. However, the company took pains to note that its “growing electricity needs aren’t solely driven by AI. The accelerating growth of Google Cloud, continued investments in Search, the expanding reach of YouTube, and more, have also contributed to this overall growth.”

–Increased efficiency offset some impacts. Google says that its data centers “are some of the most efficient in the world” and are delivering more than six times the computing power per unit of electricity than they did five years ago. The company credited its hardware engineering progress in creating chips like its Ironwood Tensor Processing Unit (TPU), which it says is nearly 30 times more power efficient than its first Cloud TPU from 2018.

–Emissions are down. Google calculated that it reduced data center emissions by 12% despite the overall increase in data center energy usage, meaning that it is successfully shifting toward less carbon-intense energy sources.

– Water usage was up 28% in one year. Data centers also rely heavily on water use for cooling purposes. Between 2023 and 2024, Google saw its water usage rise 28% to 8.1 billion gallons — which it says would be the equivalent of annual watering for 54 golf courses in the arid U.S. Southwest. It’s trying to balance out those impacts with water stewardship projects that it says helped to safeguard 4.5 billion gallons of water, or about 64% of its usage.

–Clean energy purchases and projects hit a record high. Last year alone, Google said that it signed 60 new clean energy generation contracts to purchase more than 8 GW. That number is the largest annual total in its history and twice what is contracted for the previous year. Google has purchased renewable energy matching 100% of its usage since 2017, and it is working toward its “climate moonshot” goal of 24/7 carbon-free energy (CFE). In 2023, it was at 64% CFE overall and it increased that percentage by 2% to 66% — but notably, some of its data center regions achieved at least 80% CFE.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Biden Boosts AI Despite Energy Dept. Warning



Just before President Joe Biden this week issued a last-minute order designed to boost tech companies’ artificial intelligence buildout, his own Energy Department issued a report warning that data centers’ energy consumption, water use, and emissions are already skyrocketing amid increasing electricity costs, droughts, and climate disasters.

Biden’s Jan. 14 executive order calls for the Energy and Defense Departments to lease federal lands to private-sector companies to “build AI infrastructure at speed and scale.”

“Today’s Executive Order enables an AI infrastructure buildout that protects national security, enhances competitiveness, powers AI with clean energy, enhances AI safety, keeps prices low for consumers, demonstrates responsible ways to scale new technologies, and promotes a competitive AI ecosystem,” Biden said in a statement announcing the executive order.

The AI industry already uses more energy annually than 16.3 million American households, and studies suggest that energy use is increasing electricity prices for American consumers.

The executive order comes just one month after a new Department of Energy report that found energy consumption for data centers — particularly AI data centers — is projected to boom in the coming years, accounting for up to 12 percent of the total U.S. electricity use in 2028.

The report, produced by scientists at the Lawrence Berkeley National Laboratory, found that data center energy use more than doubled from 2017 to 2023, largely due to AI and Bitcoin mining. The spike in energy use comes after years of relatively stable data center energy usage throughout the 2010s.

The kinds of data centers and storage facilities being built have also changed dramatically. Historically, office buildings had on-site storage for their data. That has since changed as many companies have shifted to cloud computing — or off-site, energy-intensive data facilities accessed through the internet.

The report found that in 2023, U.S. data center energy use accounted for 176 terawatt hours — 4.4 percent of all total electricity consumption nationwide, or more than the total amount consumed by all households in California. By 2028, scientists estimate that data center energy use will be between 325 and 580 terawatt-hours per year — roughly 6.7 to 12 percent of all U.S. electricity consumption, or the amount that 30 to 53 million households currently use.

The explosion in data center energy use can impact consumers’ pocketbooks. A November study from the Jack Kemp Foundation, a public policy nonprofit, found that electricity bills could increase by up to 70 percent due to AI data center energy demands.

The data center explosion is also consuming massive amounts of water. In 2014, data centers indirectly used more than 5.6 billion gallons of water for cooling and other energy purposes. According to the new Energy Department report, that indirect water footprint swelled to more than 211 billion gallons in 2023 — more water than 1.76 million U.S. households use per year.

The report’s authors declined to estimate future environmental impacts of the data center boom due to “potential future changes in the electricity mix.” Still, they noted, “With the projected growth of data centers’ energy use in the coming years, indirect water consumption and emissions are also expected to increase.”

Biden’s executive order calls for the new data centers to use clean energy sources, such as geothermal energy. However, the clean energy stipulation may be in jeopardy as President-elect Donald Trump takes office on January 20.

Trump, who received more than $32 million from the oil and gas industry during the past election cycle, has promised to “Drill, baby, drill” in order to expand the use of fossil fuels and roll back climate change regulations.