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domingo, 5 de novembro de 2023

Novas baterias. Vamos a isso! NASA desenvolve baterias mais seguras e potentes que as de lítio

As tecnologias desenvolvidas pela NASA não se restringem às missões espaciais e vem sendo usadas para desenvolver outros importantes setores, entre eles a aviação. O carbono proveniente das viagens aéreas equivale a cerca de 2% de todas as emissões globais de gases com efeito de estufa e a busca por combustíveis mais sustentáveis e baterias elétricas que possam substituir motores à combustão é um dos desafios da indústria.



A NASA tem uma divisão que trabalha justamente com pesquisa e desenvolvimento de baterias e está a trabalhar em projetos de baterias mais leves e seguras – e muito mais potentes do que as baterias de íões de lítio, usadas hoje nos veículos elétricos.

As baterias de íons de lítio, o atual padrão da indústria automóvel, contêm líquidos que as tornam vulneráveis ​​ao superaquecimento, incêndio e perda de carga ao longo do tempo. Por outro lado, o projeto SABERS (Baterias de Arquitetura de Estado Sólido para Maior Recargabilidade e Segurança) da NASA está desenvolvendo baterias experimentais de estado sólido que não têm estas desvantagens. Além disso, as baterias Até agora, testadas pela equipe conseguiram alimentar objetos a 500 watts-hora por quilograma – o dobro de um carro elétrico.

Dentro da bateria, células de enxofre e selénio empilhadas diretamente umas sobre as outras, sem invólucros, eliminando peso das baterias. Juntamente com as próprias células, múltiplas baterias podem ser empilhadas sem qualquer separação entre elas.

“Este design elimina até 40% por cento do peso da bateria e nos permite duplicar ou mesmo triplicar a energia que pode ser armazenada, excedendo em muito as capacidades das baterias de íons de lítio”, disse Rocco Viggiano, investigador principal do SABERS no Glenn Research Center da NASA em Cleveland.

Armazenar mais energia e diminuir o peso das baterias são dois requisitos básicos para a aviação. No entanto, a quantidade de energia que uma bateria pode armazenar é apenas um lado da equação. Uma bateria também deve descarregar essa energia a uma taxa suficiente para alimentar grandes componentes eletrónicos, como uma aeronave elétrica ou um veículo aéreo não tripulado.

O site da NASA traz uma explicação didática sobre esta questão: “uma bateria poderia ser descrita como um balde. A energia (ou capacidade) de uma bateria é a quantidade que o balde pode conter, enquanto a sua potência é a rapidez com que o balde pode ser esvaziado. Para alimentar uma aeronave elétrica, a bateria deve descarregar a sua energia, ou esvaziar o seu balde, a um ritmo extraordinariamente rápido”.

Para garantir maior potência, novos testes estão a ser realizados com materiais que ainda não foram usados em baterias, mas que que produziram um progresso significativo na descarga de energia. E esses novos materiais vão permitir ainda mais ajustes no design dos equipamentos.

Segurança
A segurança é outro requisito fundamental para o uso de baterias em aeronaves elétricas. Ao contrário das baterias líquidas, as baterias de estado sólido não pegam fogo quando apresentam mau funcionamento e ainda podem funcionar quando danificadas.

Para avaliar a segurança, os pesquisadores testaram as baterias sob diferentes pressões e temperaturas e descobriram que ela pode operar em temperaturas quase duas vezes mais altas que as baterias de lítio, sem tanta tecnologia de resfriamento. A equipe continua testando-o em condições ainda mais quentes.

Segundo a NASA, o principal objetivo do SABERS para este ano é mostrar que as propriedades da bateria atendem às suas metas de energia e segurança, ao mesmo tempo que demonstra que ela pode operar com segurança em condições realistas e com potência máxima.

Em parceria com a Georgia Tech, o projeto SABERS conseguiu utilizar diferentes metodologias. “A Georgia Tech tem um grande foco na micromecânica de como a célula muda durante a operação. Isso nos ajudou a observar as pressões dentro da bateria, o que nos ajudou a melhorar ainda mais os equipamentos”, disse Viggiano. “Isso também nos levou a entender do ponto de vista prático como fabricar uma célula como essa e a algumas outras configurações de design aprimoradas”.

Apesar de ainda estarem em fase de testes, as baterias desenvolvidas pela NASA trazem esperança de uma eletrificação mais sustentável, não apenas para a indústria aeronáutica, mas também para a automotiva. Vale lembrar que a mineração necessária para a fabricação de baterias de lítio e os processos de reciclagem destes equipamentos ainda são um desafio.

Com informações da NASA

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

O grafeno aumenta a capacidade das baterias de sódio


Baterias de sódio podem aumentar a sua capacidade em 10 vezes com grafeno

Ter baterias de sódio de alto rendimento pode ser uma realidade, pois investigadores da Universidade Tecnológica de Chalmers desenvolveram um novo conceito para produzir materiais de elétrodos de alto rendimento com recurso ao grafeno.

Este novo tipo de grafeno permite armazenar um dos iões metálicos mais comuns e baratos do mundo, o sódio. Sendo que os resultados obtidos mostraram que a capacidade de armazenamento pode mesmo igualar as capacidades atuais das baterias de iões de lítio.

Mesmo com um bom aproveitamento dos iões de lítio no armazenamento de energia, o lítio é um metal caro, além de grandes preocupações sobre o seu fornecimento a longo prazo, bem como problemas ambientais.

Por outro lado, o sódio, é um metal abundante, de barato e o principal ingrediente encontrado na água do mar, bem como no sal da cozinha. O que faz com que as baterias de sódio sejam uma excelente alternativa sustentável para reduzir a nossa necessidade em matérias primas limitadas. Mas têm um grande desafio… aumentar a sua capacidade!

Aumentar a capacidade das baterias de sódio

O atual rendimento das baterias de iões de sódio não consegue competir com o rendimento das baterias de iões de lítio! Limitação devida ao grafito, pois é feito de camadas empilhadas de grafeno e usado como ânodo nas baterias de iões de lítio atuais.

Os iões são intercalados com o grafito, o que significa que podem entrar e sair das camadas de grafeno e ser armazenados para usar como energia.

Os iões de sódio são maiores que os iões de lítio e interagem de maneira diferente. Não se conseguem assim armazenar de modo eficiente na estrutura de grafito, mas os investigadores de Chalmers descobriram uma forma de resolver esta limitação.

“Adicionámos um espaçador de molécula num dos lados da camada de grafeno, quando essas camadas são empilhadas, a molécula cria espaço entre as camadas de grafeno, criando assim um ponto de interação, aumentando a capacidade da bateria de sódio”, disse Jinhua Su, investigador do Departamento de Ciência Industrial e Materiais de Chalmers.

Dez vezes a capacidade energética do grafito

Normalmente a capacidade de intercalação de sódio no grafito é de 35 miliamperes/hora/grama (mA/h/g-1). O que significa que é menos de uma décima da capacidade de intercalação de iões de lítio em grafito.

Com este novo grafeno, a capacidade passa para 332 miliamperes/hora/grama, aproximando-se do valor do lítio no grafito. Os resultados também mostraram uma reversibilidade total e um aumento de estabilidade do número de ciclos.

A investigação ainda se encontra numa fase inicial, mas os resultados têm sido animadores. Resultados que vêm comprovar que é possível criar camadas de grafeno numa estrutura ordenada que se adapte aos iões de sódio, comparando-os ao grafito.

Este estudo foi iniciado por Vicenzo Palermo, quando era ainda subdiretor da Graphene Flagship, financiado pela Comissão Europeia e coordenado pela Universidade Tecnológica de Chalmers.

Este novo grafeno tem uma função química assimétrica em lados opostos e por isso, chama-se grafeno Jano, em honra ao antigo Deus romano de duas caras, Jano, o Deus de novos começos, associado a portas e portões, e um dos primeiros passos de uma viagem.

Neste caso, o grafeno de Janus correlaciona-se bem com a mitologia Grega, o que pode abrir portas para as baterias de sódio de alta capacidade.

Ainda está longe de ter aplicações industriais, mas os novos resultados mostraram, que podem ser criadas lâminas ultrafinas de grafeno, no pequeno espaço entre elas, um excelente armazenamento de energia de alta capacidade. Claro que será também um projeto de conceito com metal rentável, abundante e sustentável.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

As baterias de sódio


A corrida ao lítio não se justifica e é insustentável: a sua extração é altamente poluente, é um mineral raro, exige mineração e destruição de montanhas, logo é um recurso não renovável. Além disso há um marketing abusivo dos globocratas como Ellon Musk que não olham a meios para vender "green" uma bateria que dura uns 10 anitos e depois para comprar uma nova é uma fortuna. Carro para o lixo, literalmente. Sucede que existem as baterias de sódio. 

Abundante e barato, e com propriedades químicas semelhantes às do lítio, o sódio é um substituto promissor para o lítio nas baterias de próxima geração. Em 2021, dados que tenho, a densidade energética das baterias de lítio continuavam superiores à de sódio. Por enquanto, os dados espelham as diferenças: uma bateria de iões de sódio tem uma densidade energética de 160 Wh/Kg e uma bateria de lítio entre 200 a 250 Wh/Kg. A densidade energética representa a capacidade de guardar energia por unidade de volume. Mas quanto à estabilidade e a segurança das baterias de sódio as tornam especialmente promissoras para os dispositivos electrónicos e carros, onde baterias superaquecidas de íon-lítio às vezes se mostram perigosas.

A China é altamente dependente de importações para satisfazer necessidades em relação ao lítio. Um artigo publicado no site Science Direct em 2017, já apontava o país como o maior consumidor mundial de lítio, a satisfazer 70% das necessidades deste material com importações da Austrália.

A minha questão é a seguinte: como envolver as baterias de sódio: com vidro ou com grafeno? Algum investigador me possa esclarecer? E porque é que as baterias de sódio ainda não estão comercializadas? Obrigado

Saber mais:

domingo, 13 de março de 2022

Grafeno verde. Elvira Fortunato continua a revolucionar a eletrónica com materiais sustentáveis

A investigadora portuguesa dá um novo contributo para reduzir o problema ambiental do lixo eletrónico. Projeto valeu-lhe uma terceira bolsa do Conselho Europeu de Investigação.


Acumulando mais de 250 milhões de toneladas por ano, o lixo eletrónico é o fluxo de resíduos com maior crescimento em todo o mundo e constitui aquele que é, provavelmente, o próximo grande problema ambiental numa sociedade em transformação digital. Pioneira no domínio da chamada eletrónica de papel, a cientista portuguesa Elvira Fortunato tem vindo a destacar-se entre os protagonistas de uma nova revolução tecnológica mais "verde", à base de materiais ecossustentáveis que permitam uma eletrónica amiga do ambiente. Um trabalho que voltou a ser reconhecido recentemente a nível europeu com aquela que é já a sua terceira bolsa do Conselho Europeu de Investigação (ERC), desta vez a premiar um projeto que pretende utilizar o grafeno verde como forma de reduzir o desperdício eletrónico.

Denominado "e-GREEN. Da floresta à eletrónica: grafeno verde", o projeto liderado pela investigadora e diretora do CENIMAT|i3N, laboratório associado da Universidade Nova de Lisboa, propõe "uma nova abordagem sustentável, tanto em termos de materiais quanto de processos" para a produção das placas de circuito impresso - as placas eletrónicas que estão em diversos equipamentos, desde telemóveis a eletrodomésticos.

"O que se pretende com este projeto é substituir as placas convencionais, que são aquelas placas verdes com várias camadas de polímeros. Queremos substituir esses materiais feitos com tecnologias poluentes, e que têm origem fóssil, por materiais à base de papel, celulose. Além disso, evitamos a utilização de cobres e metais como materiais condutores, porque temos uma tecnologia laser que carboniza a superfície destes materiais celulósicos, transformando-a em grafeno. E o grafeno é um material muito condutor, tem propriedades muito boas do ponto de vista elétrico", descreve a cientista, em conversa com o DN.

Com isso, Elvira Fortunato consegue providenciar ao mercado uma solução ao mesmo tempo sustentável e de menor custo. "Um problema que temos com as placas de circuito impresso é a sua reciclabilidade. Temos elevados volumes de milhões de toneladas de lixo eletrónico acumulados por ano. E é um problema que o hemisfério Norte não está a resolver: os países mais desenvolvidos estão a exportar estes resíduos para países na África ou na Ásia, onde se está a utilizar mão de obra muito barata para, através de raspagens e outras técnicas, aproveitar ainda parte desses metais", diz a cientista que ganhou o Prémio Pessoa em 2020.

Urge, portanto, criar alternativas e este projeto é mais uma contribuição de Elvira Fortunato nesse sentido. "Não podemos estar continuamente a usar materiais, neste caso metais, à taxa que utilizamos agora. São materiais caros e são finitos na natureza, vão acabar um dia. Neste projeto, a solução é utilizar materiais de origem renovável. E, por outro lado, a tecnologia também é não poluente. Temos circuitos elétricos feitos à base de celulose em que os condutores são à base de grafeno e são biodegradáveis. Podem ser completamente reciclados e fazer mais pasta de papel e novos produtos à base de celulose. Há desperdício zero."

De resto, "a sustentabilidade tem sido sempre um elemento crítico" no trabalho da cientista. Agora, a ideia do "grafeno verde" convenceu o Conselho Europeu de Investigação a atribuir-lhe uma bolsa Prova de Conceito, no valor de 150 mil euros, para testar a viabilidade comercial no mercado. Uma bolsa que vem na sequência de uma outra maior anterior, uma ERC Advanced Grant que Elvira Fortunato conquistou pela segunda vez em 2019, no valor de 3,5 milhões de euros, a premiar o projeto Digismart, cujo objetivo é revolucionar a forma como os circuitos integrados e componentes eletrónicos são produzidos. Foi através desse projeto que a equipa liderada pela diretora do Cenimat|I3N obteve uma grande variedade de materiais à base de grafeno, materiais de origem renovável - como celulose, nanocelulose e cortiça - utilizando um novo processo baseado em grafeno induzido por laser, que agora mereceu esta nova bolsa."

Elvira Fortunato compara esta tecnologia com as tecnologias laser de remoção de tatuagens. "Nós temos um laser que vai escrever um determinado padrão na superfície do papel. Ou seja, vai carbonizar esse papel. E esse material queimado, que é o produto resultante desta conversão protoquímica (reação química induzida pela ação do laser), é o grafeno. Assim, ficamos com pistas condutoras à base de grafeno", diz.

Este é um grafeno verde, porque "é convertido através das árvores, da celulose extraída das árvores. E é verde também porque a tecnologia é feita à temperatura ambiente, sem quaisquer reagentes, ao passo que o grafeno convencional é produzido a altas temperaturas, na casa dos 1000 graus centígrados, com equipamentos muito caros e com muita complexidade", salienta a investigadora. "Aqui conseguimos ter material mais sustentável e de mais baixo custo. Daí o interesse por parte das indústrias e da própria Comissão Europeia", refere a cientista que revolucionou o papel, reinventando-o como um "material eletrónico".

Especialista em Microeletrónica e Optoelectrónica, a "mãe" do transístor de papel tem na celulose a matéria prima por excelência dos seus projetos, mas não a única, naturalmente. A ecossustentabilidade, contudo, estende-se a todas as escolhas. É por isso que Elvira Fortunato privilegia também alternativas ao silício como semicondutor. "Para fazer um transístor, que é a unidade de base de um circuito integrado, tenho de ter sempre um conjunto de três materiais: isolantes, condutores e semicondutores. O papel é um dos componentes, é um material isolante que pode ainda ser convertido num material condutor, o grafeno, mas depois precisamos ainda de materiais semicondutores, e aí também trabalhamos com outra classe de materiais sustentáveis. Não trabalhamos com silício, mas sim com materiais à base de óxidos metálicos, como por exemplo o óxido de zinco, que é um dos componentes dos cremes cicatrizantes, como o Halibut, os cremes da Mustela ou os protetores solares", explica.

A cientista portuguesa, que já viu o seu nome associado a um possível Nobel da Física, acredita que é viável caminharmos para uma eletrónica 100% sustentável. "Estou convencida que sim. Aliás, não temos alternativa. Isto não é uma opção, é uma obrigação. A população está a aumentar, cada vez mais pessoas vão tendo acesso a equipamentos como computadores, telemóveis, eletrodomésticos, temos o 5G e o 6G, e hoje em dia nada se repara, tudo se muda... Isto não é sustentável. Temos de arranjar soluções", aponta.

Ler mais:
Elvira Fortunato entre as 27 inspiradoras da Europa selecionadas pela UE para o Dia da Mulher

Biografia

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Elvira Fortunato ganha o maior prémio mundial de engenharia



Federação Mundial das Organizações de Engenharia reconhece "excelência profissional e impacto do trabalho" da cientista portuguesa, que há duas semanas ganhou o Prémio Pessoa 2020

A cientista Elvira Fortunato acaba de ganhar o WFEO GREE Award Women 2020, o maior prémio internacional de engenharia destinado a distinguir o trabalho desenvolvido por mulheres engenheiras em todo o mundo. A candidatura foi apresentada pela Ordem dos Engenheiros (OE) e a cerimónia online de entrega do prémio terá lugar a 8 abril. A investigadora é membro conselheiro desta associação profissional.

O galardão foi lançado em 2018 pela Federação Mundial das Organizações de Engenharia (WFEO na sigla inglesa), "para reconhecer e dar visibilidade a mulheres engenheiras excecionais", que tenham demonstrado "excelência profissional e impacto no seu trabalho, que sejam modelos a seguir e líderes na sua área". O objetivo global desta iniciativa é "promover a diversidade, a inclusão e a igualdade de género na engenharia". A WFEO reúne as instituições nacionais de engenharia de 100 países e representa mais de 30 milhões de engenheiros de todo o mundo, sendo membro do principal grupo da comunidade científica e tecnológica das Nações Unidas e associada da UNESCO.

Carlos Mineiro Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros (OE), afirma ao Expresso que "é um orgulho para Portugal" e para a Ordem a "atribuição do prémio a Elvira Fortunato, que traduz a excelência da engenharia e da ciência portuguesas, bem como a sua diversidade". E que "é a prova de que a competência técnica, o talento e a inovação não têm limitações de género ou geográficas, e que em Portugal existem profissionais de topo que competem e estão ao nível dos melhores em termos mundiais”.

"Inspiração para a Comunidade Científica Mundial"

"Para além da alegria por termos apostado numa candidatura vencedora, não posso ignorar que a concorrência era enorme, porque havia 22 candidatas de peso de todo o mundo, o que ainda mais a valoriza", recorda Carlos Mineiro Aires. Na candidatura submetida, a OE destacou "o caráter revolucionário das soluções científicas desenvolvidas pela engenheira portuguesa na área dos materiais e da eletrónica transparente, com a produção dos primeiros transístores de filme fino de óxido, utilizando materiais sustentáveis, totalmente processados à temperatura ambiente". O presidente da OE sublinha agora que o prémio "é também o reconhecimento do percurso técnico e científico ímpar de Elvira Fortunato, tornando-a numa inspiração para a comunidade técnico-científica mundial, em especial para as jovens e mulheres que ambicionam abraçar e progredir na engenharia e na ciência”.

Elvira Fortunato é engenheira de materiais, vice-reitora para a Investigação da Universidade Nova de Lisboa, professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da mesma universidade, diretora do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT) e do laboratório associado i3N - Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação. Há duas semanas ganhou o Prémio Pessoa 2020 e no ano passado recebeu vários galardões, como o Horizon Impact Award 2020 da Comissão Europeia, pelo seu projeto Invisible, ou o Prémio Estreito de Magalhães, do Governo do Chile. A cientista salienta ao Expresso "a importância internacional do prémio da WFEO, porque projeta Portugal a nível global na área da engenharia no feminino".

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Cientistas construíram um dispositivo genial que gera eletricidade a partir de basicamente nada

Fonte: aqui

Pesquisadores da Universidade de Massachusetts em Amherst (EUA) desenvolveram um dispositivo chamado de “Air-gen” que pode gerar eletricidade usando basicamente nada.

A tecnologia é baseada no fenômeno natural de uma bactéria capaz de criar eletricidade com nada além da presença de ar ao seu redor.

“Estamos literalmente produzindo eletricidade do nada. O Air-gen gera energia limpa 24 horas por dia”, disse o engenheiro elétrico Jun Yao.

Geobacter sulfurreducens

A bactéria, Geobacter sulfurreducens, foi descoberta décadas atrás nas margens barrentas do rio Potomac, nos EUA. Os cientistas logo notaram que ela tinha a habilidade de produzir magnetita na ausência de oxigênio.

Mais tarde, descobriram que o organismo notável também podia produzir outras coisas, como nanofios que conduziam eletricidade.

E é graças a esses nanofios de proteínas eletricamente condutivos da G. sulfurreducens que os pesquisadores conseguiram criar seu gerador movido a ar.


Como funciona

O Air-gen consiste em um filme fino de nanofios medindo apenas 7 micrômetros de espessura, posicionado entre dois eletrodos e exposto ao ar.

Devido à exposição ao ar, o filme é capaz de adsorver (sim, com “d” – adsorver significa a adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida) vapor de água a partir da atmosfera, o que por sua vez permite que o dispositivo gere uma corrente elétrica contínua entre os dois eletrodos.

A carga é provavelmente criada pela umidade atmosférica. Segundo os pesquisadores, a manutenção do gradiente de umidade, que é fundamentalmente diferente de qualquer coisa vista em sistemas anteriores, explica a saída contínua de tensão do dispositivo de nanofios.

“Descobri que a exposição à umidade atmosférica era essencial e que os nanofios de proteínas absorviam água, produzindo um gradiente de voltagem no dispositivo”, explicou Yao.


Aplicações 

Em estudos anteriores, pesquisadores geraram energia hidrovoltaica usando outros tipos de nanomateriais como o grafeno, mas estas tentativas produziram apenas rajadas curtas de eletricidade, de cerca de alguns segundos.

Já o Air-gen produz uma tensão sustentada de cerca de 0,5 volts, com uma densidade de corrente de cerca de 17 microamperes por centímetro quadrado. 

Não é muito, mas diversos dispositivos conectados poderiam gerar energia suficiente para carregar coisas como celulares e outros eletrônicos de uso pessoal, necessitando de nada além de umidade ambiente – e isso até mesmo em regiões secas como o deserto do Saara.

“O objetivo é criar sistemas em larga escala. Quando chegarmos a uma escala industrial para a produção de nanofios, espero que possamos fazer grandes sistemas que darão uma grande contribuição à produção sustentável de energia”, afirmou Yao, acrescentando que futuros esforços poderiam usar a tecnologia para alimentar casas via nanofios incorporados na pintura de paredes.
Próximos passos

Por enquanto, uma das limitações da tecnologia é a quantidade de nanofios que a G. sulfurreducens é capaz de produzir.

Os cientistas já estão tentando resolver esta questão, contudo o microbiologista Derek Lovely, que identificou a bactéria pela primeira vez nos anos 1980, está conduzindo uma pesquisa na qual modifica geneticamente organismos como o E. coli para desempenhar a mesma tarefa de forma massiva.

“Transformamos o E. coli em uma fábrica de nanofios de proteínas. Com este novo processo escalável, o fornecimento de nanofios não será mais um gargalo para o desenvolvimento dessas aplicações”, afirma Lovley.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Nature. [ScienceAlert]

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Elvira Fortunato - O tempo da descoberta


Não é "eureka" que se ouve no laboratório que coordena, mas sim "funciona". Elvira Fortunato não tinha planeado ser investigadora, mas foi o desejo de criar algo com aplicação e impacto na sociedade e indústria que a levou a optar por estudar engenharia. Viajando até ao passado através dos seus olhos, quando pela primeira vez desvendaram ao microscópio as células da cebola, chega ao presente como a cientista que, ao usar o papel para tudo menos escrever, foi pioneira na criação de um transístor a partir deste material. É desconfiando do tomado como certo e desafiando o convencional que, por meio de técnicas acessíveis e de baixo custo, cria materiais de alto valor acrescentado. Para além do vasto número de publicações e patentes, o seu trabalho foi distinguido por mais de 18 prémios nacionais e internacionais, destacando-se a atribuição do grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo presidente da República em 2010, a condecoração com a medalha Blaise Pascal, pela Academia Europeia das Ciências em 2016 e a obtenção do maior prémio atribuído a um investigador português com o projeto Invisible, pelo European Research Council. Além de investigadora é professora no Departamento de Ciências dos Materiais, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação. Segundo a investigadora, o que faz assemelha-se a estar na cozinha, mas em vez de ovos e farinha usa materiais condutores e semi-condutores. Quanto despe a bata, arrisca-se em aventuras culinárias e, apesar de gostar de Nova Iorque e de viajar muito, não é fã de aviões e as férias ideais são em Portugal.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ted Talks - A bateria de metal líquido, por Donald Sadoway

A bateria de metal líquido está a ser desenvolvida por Donald Sadoway e a sua equipa na Ambri. Esta é a bateria que promete revolucionar as energias renováveis contribuindo para o melhoramento da eficiência das mesmas. Donald Sadoway afirma que a existência de uma bateria entre as renováveis e a rede eléctrica põe fim às actuais variações abruptas no fornecimento de energia, tornando o sistema eléctrico mais eficiente. Com esta tecnologia pode-se armazenar a energia quando esta está disponível para usar quando é necessária, possibilitando assim que se desliguem as centrais em stand-by, que são caras e poluentes e que actualmente são usadas para equilibrar a produção de energia com o consumo da rede. A bateria concebida por Donald Sadoway e a sua equipa além de grande capacidade de armazenamento deve ter um custo de produção reduzido, tornando-a na mais promissora das tecnologias de armazenamento de energia de grande escala.

A Ambri conta com investidores importantes como Bill Gates, Khosla Ventures e a empresa de energia Total.

Entre as vantagens desta bateria estão o baixo custo devido à utilização de materiais abundantes e baratos, a flexibilidade de resposta podendo responder em milissegundos ou lentamente ao longo do tempo e a longa duração devido à utilização de eléctrodos líquidos em vez de eléctrodos sólidos.

Site oficial

Donald Sadoway