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quinta-feira, 9 de abril de 2026

The Unbroken Thread


Tentilhão-comum (Fringilla coelebs) @ José Morgado Martins

"The bird is not on the branch, but of it
A momentary flowering of the wood,
A pulse of warm blood singing the sky’s own blue.

She does not stand apart to name the world;
She is the world’s own throat,
Translating the deep, silent sap of the cherry tree
Into a language of air and light.

There is no "I" that watches and no "it" that sings,
Only the single, shimmering web of being
Where the frost of the bark and the heat of the heart
Are one slow-burning fire.

To hear her is to feel the weight of centuries
Of starlight and soil rising through those tiny claws,
A testimony that we are not masters of this place,
But plain members of its magnificent, grieving,
And wildly living body.

When she opens her beak, the universe exhales—
Not for us, but because the song is the only way
For the earth to know the depth of its own belonging."

João Soares, 09.04.2026


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Para ler "A Magia do Sensível" de David Abram


David Abram é um ecologista e filósofo, os seus livros e conferências têm tido uma influência aprofundada no movimento da ecologia. Não é fácil encontrar os livros dele em português. Felizmente existe esta edição da Fundação Calouste Gulbenkian, do seu livro “A Magia do Sensível”.

“Juntamente com os outros animais, as pedras, as árvores e as nuvens, somos personagens dentro de uma imensa história que está a desdobrar-se visivelmente à nossa volta, participantes na vasta imaginação, ou sonho, do mundo.” ~ David Abram

Em "A Magia do Sensível - Percepção e Linguagem num mundo mais do que humano", David Abram convida os leitores a uma jornada profunda por nossas experiências sensoriais, reconectando-nos com o mundo natural que nos nutre. Premiado com o International Lannan Literary Award for Nonfiction, esta obra de filosofia ecológica desafia percepções convencionais ao explorar a relação profundamente enraizada que os seres humanos uma vez compartilharam com o meio ambiente. Tirando de uma rica tapeçaria de influências — que vão da filosofia de Merleau-Ponty ao xamanismo balinês — Abram examina como nossa compreensão da linguagem e da cognição está intrinsecamente ligada aos ritmos da natureza. Através de uma mistura de prosa lírica e exploração intelectual, ele nos instiga a uma reconexão com a terra viva, lembrando-nos da interdependência vibrante que foi negligenciada na vida moderna.