Mostrar mensagens com a etiqueta Doomscrolling. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Doomscrolling. Mostrar todas as mensagens

sábado, 18 de julho de 2026

O reflexo de uma geração cobaia: a vida sob o império do algoritmo


O documentário The Guinea Pig Generation: Born Into the Algorithm propõe uma reflexão profunda e, por vezes, inquietante sobre a primeira geração da história que cresceu com um ecrã na mão e um algoritmo a ditar-lhe os passos. O cerne da obra reside na premissa de que os jovens nascidos na viragem do milénio funcionaram, sem o saberem, como cobaias humanas de uma gigantesca experiência sociológica e psicológica gerida pelas grandes empresas de Silicon Valley. Ao analisar o impacto das redes sociais e da inteligência artificial na saúde mental, na socialização e na perceção da realidade, o documentário expõe como estes jovens foram moldados por mecanismos concebidos para viciar, monetizar a atenção e polarizar o discurso público.

A narrativa sustenta-se através de um painel diversificado de entrevistados, que equilibra a perspetiva científica com os testemunhos na primeira pessoa. Entre as principais vozes contam-se psicólogos clínicos especializados em desenvolvimento juvenil, neurocientistas que explicam como os fluxos constantes de dopamina das notificações reconfiguram o cérebro adolescente, e ex-engenheiros e ex-designers das principais plataformas tecnológicas. Estes últimos assumem o papel de arrependidos, revelando os bastidores dos mecanismos de "scroll" infinito e as métricas de validação social que criaram. A par destes especialistas, o documentário dá voz aos próprios jovens da Geração Z - influenciadores digitais, ativistas e estudantes -, que partilham relatos francos sobre a ansiedade de performance, a dismorfia corporal alimentada por filtros e a sensação generalizada de solidão num mundo hiperconectado.

O funcionamento do algoritmo assenta num mecanismo invisível de radicalização que ajuda a explicar como um jovem perfeitamente integrado no mundo real, com uma vida social saudável e uma relação estável, pode adotar posturas políticas extremadas nas redes sociais. Este processo, que afeta profundamente a Geração Z em plataformas como o YouTube, o TikTok, o X ou o Discord, começa com o que a ciência chama de caça à atenção. O objetivo primordial destas tecnologias é manter o utilizador colado ao ecrã pelo maior tempo possível. Como os conteúdos equilibrados, moderados ou puramente históricos tendem a gerar menos retenção, os algoritmos priorizam publicações que despertem emoções fortes, como a indignação, o medo, a polémica ou o orgulho identitário, que disparam imediatamente os níveis de atenção e interação.

É a partir daqui que se ativa o funil de recomendação. Um jovem pode iniciar a sua navegação a ver conteúdos totalmente inofensivos sobre musculação, videojogos, humor ou análises simples à situação económica atual. Contudo, ao detetar esse interesse inicial, o sistema começa a sugerir, de forma gradual e impercetível, conteúdos progressivamente mais intensos dentro daquela esfera. No espaço de poucos meses, o feed de publicações afunila de tal maneira que passa a exibir quase exclusivamente canais de cariz nacionalista e de extrema-direita, fechando o utilizador numa bolha de filtragem isolada do resto do mundo.

O culminar deste processo é a ilusão de consenso. Uma vez preso nesta bolha digital, a totalidade das informações, vídeos e comentários que surgem no ecrã do jovem passa a validar e a reforçar essa visão específica do mundo. Para quem consome este fluxo contínuo, aquela bolha transforma-se na realidade nua e crua, gerando a forte convicção de que os factos ali apresentados constituem uma verdade oculta que a comunicação social tradicional, as escolas ou os próprios pais tentam deliberadamente esconder.
As ideologias nacionalistas e de extrema-direita oferecem algo muito sedutor para esta geração digital: respostas simples para problemas complexos, um sentido de pertença e certezas absolutas. Enquanto a realidade é cinzenta e cheia de nuances, o algoritmo vende uma narrativa de "nós contra eles", de orgulho e de proteção de uma identidade.

Para compreender o alcance desta obra, é fundamental definir quem é, afinal, a Geração Z. Geralmente compreendida como o grupo demográfico de indivíduos nascidos entre meados dos anos 90 e o início da década de 2010 (mais especificamente entre 1997 e 2012) esta é a primeira geração puramente nativa digital. Ao contrário dos Millennials, que ainda se lembram do mundo analógico e da transição para a internet, a Geração Z não conhece uma realidade sem Wi-Fi, smartphones ou redes sociais. Caracterizam-se por uma fluidez cultural notável, uma forte consciência social e ambiental, e uma capacidade inata de processar grandes volumes de informação visual em simultâneo. Contudo, esta mesma hiperconexão tornou-os estatisticamente mais propensos a crises de ansiedade, depressão e isolamento social, sendo os primeiros a herdar os efeitos secundários de uma infância mediada por algoritmos de recomendação que lucram com o tempo que passam agarrados ao ecrã. O documentário acaba por ser um espelho desta dualidade: o retrato de uma geração que possui o mundo na ponta dos dedos, mas que luta diariamente para não se perder no labirinto digital que lhe foi imposto.

Influenciadores digitais ecológicos (ou também chamados eco-influencers ou greenfluencers)
Em Portugal: figuras como a Catarina Barreiros (fundadora do projeto Do Zero, uma das vozes mais ouvidas e respeitadas na sustentabilidade em Portugal), Isabel Barros ou projetos partilhados como as Verdes Marias, mostram como é possível acumular dezenas de milhares de seguidores a falar exclusivamente de ecologia, escolhas conscientes e educação ambiental.  
A nível internacional: figuras pioneiras como Lauren Singer (do famoso blogue Trash is for Tossers, conhecida por colocar anos de lixo doméstico dentro de um único frasco de vidro) movimentam comunidades de centenas de milhares de pessoas globalmente.  

Relacionados
  1. Luzes e sombras da geração mais bem preparada
  2. Há um novo problema a afastar a Geração Z das empresas
  3. Algoritmo português que prevê desinformação viral vence programa universitário
  4. Influenciadores digitais portugueses já reúnem 27 milhões de investimento das marcas
Palestra
Algoritmos: potencial extraordinário ou risco existencial?

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Investigação: como o algoritmo opera na mente de extremistas


O documentário produzido pelo portal Metrópoles aborda o avanço do extremismo violento e da radicalização no Brasil, destacando o papel central desempenhado pela internet, pelas redes sociais e pelos algoritmos das grandes empresas de tecnologia nesse processo. A produção utiliza acontecimentos reais do cenário nacional para demonstrar como cidadãos comuns passam por um processo gradual de doutrinação ideológica online. Entre os casos citados estão a ação de Francisco Vanderlei Luiz, conhecido como "Tio França", autor do ataque com explosivos na Praça dos Três Poderes em novembro de 2024, a Operação Hashtag da Polícia Federal em 2016, que prendeu apoiantes do Estado Islâmico no país, e a Operação Trapiche em 2023, voltada à investigação de brasileiros recrutados pelo grupo Hezbollah.

O enredo explica que o fenómeno da radicalização não ocorre do dia para a noite, mas sim por meio de uma escalada contínua dentro do ambiente digital. O documentário detalha como os algoritmos das plataformas, desenhados para maximizar o tempo de retenção do usuário e gerar engajamento para dar lucro às empresas, acabam promovendo conteúdos polarizadores, chocantes e de ódio. Os grupos extremistas, em particular neonazismo, eugenia e da machosfera aproveitam-se desse mecanismo usando estratégias como a disseminação de memes aparentando inocência, elementos de cultura pop e jogos electrónicos para atrair pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo-lhes um falso sentimento de pertencimento e propósito. Com o tempo, esses indivíduos são direcionados para canais fechados e aplicativos de mensagem criptografados, onde a visão de mundo se torna totalmente distorcida.

Para analisar esse cenário complexo, a reportagem conta com o depoimento de diversos especialistas, autoridades e representantes da sociedade. Agentes da Divisão Antiterrorismo e da Coordenação de Inteligência da Polícia Federal relatam as barreiras técnicas e burocráticas no combate aos crimes virtuais, como a falta de cooperação ágil das Big Techs na entrega de dados e o desafio de identificar potenciais atritos sem violar a liberdade de expressão ou monitorizar indevidamente o cidadão. Pesquisadores de tecnologia e comunicação examinam o funcionamento secreto dos softwares de recomendação e as dinâmicas sociais da polarização política. Representantes da comunidade islâmica no Brasil também são entrevistados e enfatizam de forma categórica que actos violentos e de terror não possuem relação com os ensinamentos do Islamismo. Por fim, depoimentos de familiares de investigados ilustram o impacto devastador que a transformação de um parente radicalizado provoca no núcleo familiar.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Da censura editorial à algorítmica: o legado de "A Manipulação do Público"


A obra "A Manipulação do Público" estabeleceu que a comunicação de massa não serve apenas para informar, mas para moldar o pensamento de acordo com os interesses das elites. Na era das redes sociais, os cinco filtros de Chomsky e Herman não desapareceram; tornaram-se mais rápidos, granulares e, acima de tudo, personalizados.

1. O Algoritmo como gestor de atenção
No modelo original de "A Manipulação do Público", a curadoria do que era "noticiável" residia nas mãos de editores humanos, cujas decisões eram balizadas por linhas editoriais e interesses corporativos claros. Hoje, esse papel de porteiro da realidade foi delegado ao código. O filtro algorítmico não opera com base em critérios de verdade ou interesse público, mas sim na metrificação da atenção.

Como o modelo de negócio das grandes plataformas depende do tempo de permanência do utilizador, o algoritmo privilegia conteúdos que geram conflito e indignação. Estas emoções, por serem neuroquimicamente mais viciantes, garantem que o utilizador se mantenha ligado à plataforma por mais tempo. O efeito secundário desta lógica é a criação de "bolhas" informativas: o sistema entrega a cada indivíduo uma versão da realidade que confirma os seus preconceitos, eliminando o contraditório e tornando o diálogo impossível.

O resultado é uma fragmentação social sem precedentes. A visão sistémica do poder -  necessária para compreender como as instituições funcionam e como podem ser questionadas - é substituída por narrativas polarizadas e personalizadas. Ao vivermos em realidades paralelas, perdemos a capacidade de alcançar um consenso social alargado sobre factos básicos, o que imobiliza qualquer tentativa de resistência coletiva. A "manipulação" moderna não consiste em dizer ao público o que pensar, mas em garantir que os diferentes segmentos do público nunca consigam pensar juntos.

2. A Publicidade de Precisão (Microtargeting): a engenharia das vulnerabilidades
A dependência da publicidade, que Chomsky e Herman identificaram como um filtro vital para a sobrevivência dos meios de comunicação tradicionais, atingiu um novo e inquietante patamar com o advento do Big Data. No modelo do século XX, a publicidade era uma "bomba de fragmentação": uma mensagem única lançada para uma massa uniforme, na esperança de capturar a atenção de uma percentagem do público. Hoje, a manipulação é cirúrgica e individualizada.

Através da recolha massiva de dados — que inclui desde o histórico de compras até padrões de sono e localização — o sistema já não comunica com um "público", mas com perfis psicológicos granulares. O consentimento é agora fabricado através de campanhas invisíveis de microtargeting. Isto significa que duas pessoas sentadas no mesmo sofá podem receber narrativas políticas ou corporativas opostas sobre o mesmo tema, cada uma desenhada para explorar as suas vulnerabilidades, medos ou desejos específicos.

Esta evolução altera a natureza da propaganda. Se antes a manipulação era visível e passível de ser debatida no espaço público, agora ela ocorre na esfera privada do ecrã individual. O perigo reside no facto de estas perceções serem moldadas de forma subliminar; o alvo raramente percebe que a informação que está a consumir foi otimizada para contornar as suas defesas racionais. Ao transformar o cidadão num conjunto de pontos de dados, o filtro da publicidade moderna consegue fabricar um consentimento que não nasce da argumentação, mas da estimulação psicológica pré-consciente, tornando a resistência intelectual muito mais difícil de exercer.

3. O Novo "Flak": o disciplinamento digital e o silenciamento invisível
No modelo original de "A Manipulação do Público", o Flak manifestava-se como uma resposta barulhenta e institucional: processos judiciais, cartas de protesto ou editoriais de ataque agressivo. Na era digital, este filtro tornou-se descentralizado e muito mais sofisticado. Hoje, o Flak opera em duas frentes complementares: o ataque público coordenado e o silenciamento algorítmico invisível.

A primeira frente é a da retaliação instantânea. O filtro da pressão deixou de ser exclusivo das elites para se tornar uma ferramenta de massa através do "cancelamento", de campanhas de difamação e do uso de exércitos de bots. Jornalistas ou figuras públicas que ousem desafiar as narrativas hegemónicas enfrentam uma avalanche de ataques que funciona como uma ferramenta de disciplina social, gerando um clima de autocensura digital permanente.

Contudo, é no mundo dos algoritmos que o Flak assume a sua forma mais insidiosa através do Shadowbanning. Esta ferramenta permite que o sistema discipline vozes dissidentes sem necessidade de as banir formalmente. O utilizador continua a publicar, mas o seu alcance é artificialmente reduzido ou limitado apenas aos seus seguidores mais próximos. É a forma definitiva de censura na era da abundância: não se apaga a mensagem, mas garante-se que ela se perde na imensidão do ruído.

A grande eficácia desta mutação reside na sua invisibilidade. Enquanto o banimento direto gera revolta e cria "mártires" da liberdade de expressão, o shadowbanning neutraliza a influência do indivíduo de forma silenciosa. Ao não receber o retorno habitual, o produtor de conteúdos é levado a acreditar que o seu discurso perdeu interesse ou relevância, minando a sua vontade de persistir. Assim, o sistema não só pune a dissidência, como a torna irrelevante sem nunca ter de assumir o papel de censor.

4. A barreira do custo e as fontes
A observação de que a média depende de fontes oficiais por serem "baratas" ganhou um contorno irónico na Internet. Atualmente, a informação de qualidade está frequentemente protegida por paywalls (muros de pagamento), enquanto a desinformação e a propaganda estatal ou corporativa são gratuitas e de fácil acesso. Isto cria uma desigualdade informacional profunda: quem não pode pagar pelo jornalismo independente acaba por ser o alvo mais fácil para a manipulação através de conteúdos gratuitos de baixa qualidade.

Filtro de "A Manipulação do Público"Adaptação para a Era Digital
PropriedadeConcentração de poder nas Big Techs (Google, Meta, etc.).
PublicidadeEconomia da atenção e exploração de dados individuais.
FontesInfluenciadores, grupos de fachada e Astroturfing.
FlakLinchamento virtual, censura algorítmica e ataques de bots.
IdeologiaPolarização extrema e o "Nós contra Eles" das guerras culturais.
A grande ironia contemporânea reside no facto de termos a ilusão de uma escolha infinita quando, na verdade, os filtros digitais tornaram o comportamento humano mais previsível e manejável do que nunca. O "consentimento" de hoje não é imposto; é extraído através do nosso próprio envolvimento digital.

Esta evolução do modelo de "A Manipulação do Público" revela que a arquitetura do controlo social sofreu uma mutação: passámos de um sistema de exclusão para um de saturação. No paradigma de 1988, o poder exercia-se pela escassez; como o espaço nas colunas dos jornais e o tempo de antena televisivo eram recursos finitos, os filtros operavam decidindo o que era silenciado. No entanto, na era digital, o controlo é exercido pela abundância. O algoritmo raramente se dá ao trabalho de esconder a informação dissidente; em vez disso, soterra-a sob uma avalanche de entretenimento efémero, notícias irrelevantes e ruído constante. O consentimento já não nasce do silêncio imposto, mas de uma distração perpétua que impede a reflexão profunda.

Paralelamente, a dependência de fontes oficiais, que Chomsky identificou como um filtro vital, deu lugar ao fenómeno do Astroturfing. Esta é a versão digital da manipulação de base: criam-se movimentos que aparentam ser espontâneos e populares (grassroots), mas que são, na realidade, orquestrados e financiados por grandes corporações ou interesses políticos. Através de exércitos de perfis falsos e influenciadores contratados, gera-se a ilusão de um consenso esmagador. O efeito psicológico no indivíduo é devastador: ao sentir-se isolado na sua opinião, o cidadão tende a ceder à pressão da "maioria" artificial, um fenómeno conhecido como a espiral do silêncio, agora potenciado por algoritmos.

A mudança mais radical, contudo, reside na transição de um sistema reativo para um sistema preditivo baseado na psicometria. Se a propaganda tradicional tentava convencer o público após o facto, o modelo atual antecipa-se. Através da análise minuciosa de cada like, do tempo de visualização e até da velocidade com que percorremos o ecrã (scroll), as plataformas constroem perfis psicológicos que nos conhecem melhor do que nós próprios. Este filtro invisível consegue prever quais as narrativas que nos farão mudar de opinião ou que gatilhos emocionais despertarão a nossa indignação. Assim, o consentimento é "fabricado" de forma preventiva, moldando a nossa perceção antes mesmo de termos consciência de que estamos a formar uma ideia sobre o assunto. No fim, a liberdade de escolha torna-se uma miragem dentro de um sistema que já calculou todas as nossas reações possíveis.

quinta-feira, 26 de março de 2026

How Do We Protect Children from Becoming Addicted to Social Media?


My granddaughter began scrolling on a cellphone when she was around two years old, her index finger repeatedly swiping across its face as if she were already a teenager.

Some of the 18-year-olds in my classes at Berkeley seem to suffer withdrawal symptoms when I ask them to put away their phones.

I see young people in restaurants sitting with other young people, none saying a word to each other as they lose themselves in their devices.

Are they addicted? Yes, if you define addiction as getting such a dopamine rush that they feel compelled to use their cellphones for hours at a time.

How similar is this to a nicotine addiction? And — as was a central question thirty years ago when Big Tobacco was being sued — is Big Tech intentionally designing its product to hook young people?

The answer appears to be that the addictions are quite similar, and Big Tech is just as culpable as Big Tobacco.

On Wednesday, in California, a young woman prevailed in a lawsuit against social media giants Meta Platforms and Google’s YouTube, in which she accused them of designing their apps to be as addictive and harmful to adolescents as cigarettes. Jurors found the tech companies to be negligent in having failed to provide adequate warnings about the potential dangers of their products.

What seemed to persuade the jury were features that Meta and YouTube had built into their software like infinite scroll, algorithmic recommendations, and autoplay videos — designed to get young users to compulsively engage with the platforms.

Internal company documents from Meta and YouTube executives showed they knew of and discussed the negative effects of their products on children.

In fact, this case and many others likely to follow in its wake (more than 3,000 other similar lawsuits are pending in California courts against Meta, YouTube, Snapchat and TikTok) are rooted in the litigation against Big Tobacco thirty years ago, in which plaintiffs argued that the tobacco corporations created addictive products that harmed their users.

I’m old enough to remember when U.S. Surgeon General Dr. Luther Terry issued the first landmark report warning that cigarette smoking causes cancer and other diseases, on January 11, 1964. I was a teenager then, quietly debating with myself whether to look cool by having a cigarette dangling from my lips.

The report, entitled Smoking and Health: Report of the Advisory Committee to the Surgeon General, sparked a national shift in public health — leading in 1965 to mandatory warnings on cigarette packages. The report and the warnings, and the hullabaloo surrounding them, put me off smoking.

Almost sixty years later, in 2024, U.S. Surgeon General Vivek H. Murthy called for adding warning labels to social media, explaining that the platforms were associated with mental health harms for adolescents. She wrote:

“The mental health crisis among young people is an emergency — and social media has emerged as an important contributor.

Adolescents who spend more than three hours a day on social media face double the risk of anxiety and depression symptoms, and the average daily use in this age group, as of the summer of 2023, was 4.8 hours. Additionally, nearly half of adolescents say social media makes them feel worse about their bodies.

It is time to require a surgeon general’s warning label on social media platforms, stating that social media is associated with significant mental health harms for adolescents.”

She’s right. A surgeon general’s warning label would remind parents and adolescents that social media may be unsafe.

Evidence from tobacco studies show that warning labels can increase awareness and change behavior. When asked if a warning from the surgeon general would prompt them to limit or monitor their children’s social media use, 76 percent of people in one recent survey of Latino parents said yes.

But we shouldn’t stop there, and Big Tech shouldn’t be able to use warning labels as a defense to future lawsuits claiming social media addiction among young people.

Meta, YouTube, and other social media platforms must redesign their products to be less addictive to minors. Yet, as with Big Tobacco, they’re unlikely to do this unless liability judgments against them start mounting substantially.

In the 1998 Tobacco Master Settlement Agreement, the major tobacco companies agreed to pay over $200 billion to 46 states, 5 territories, and the District of Columbia to settle lawsuits over smoking-related health costs. The settlement imposed strict marketing restrictions and funded anti-smoking campaigns.

Now, cigarettes are prohibited in most workplaces and public spaces. The Food and Drug Administration restricts tobacco sales to individuals 21 or older. Additional rules under consideration target menthol flavors, and reduce nicotine levels.

We need to protect our kids from social media no less strictly. Why not ban children under 16 from using social media, prohibit its use in schools, and have Big Tech pay for anti-social media campaigns directed at young people?

In December, Australia issued a ban on young people using social media. Malaysia, Spain, and Denmark made similar rules. American children deserve no less.

A jury in New Mexico found Meta liable for failing to protect young people from online dangers, including sexually explicit content, solicitation and human trafficking, on Tuesday in the first trial of its kind and ordered the company to pay a $375 million penalty. Meta said it respectfully disagreed with the jury and would appeal the ruling.

By focusing on the design of Meta and YouTube’s apps rather than the content posted on them, Kaley’s case sought to get around longstanding legal protections, known as Section 230 of the Communications Decency Act of 1996, that have largely shielded social-media companies from being held liable for content on their platforms.

It is a bellwether case for thousands of similar lawsuits in California, which serves as a test of evidence to see how juries reacted. The outcome doesn’t bind other cases but could encourage settlements now that both sides have a better sense of how their arguments might play out with jurors.

During the seven-week trial, Kaley testified that she started watching YouTube videos at age 6 and made an Instagram account at age 9. She uploaded more than 200 YouTube videos before she turned 10 and created 15 Instagram accounts before she turned 15, Kaley and her lawyers said.

Lanier, Kaley’s lead attorney, said that on one day she spent 16 hours on Instagram.

“I wanted to be on it all the time,” she said. “If I wasn’t on it, I felt like I was going to miss out on something.”

Meanwhile, Meta spent hours in cross examination trying to convince jurors that Kaley’s struggles were caused by other factors, including a difficult family life and bullying at school. Meta lawyer Andrew Stanner said notes from six months of therapy appointments didn’t mention social-media addiction or name any social-media apps.

Jurors also heard from Meta executives Mark Zuckerberg and Adam Mosseri. Mosseri, the Meta executive tasked with running Instagram, testified that the app wasn’t “clinically” addictive, and Zuckerberg said his company’s goal was to give users something useful, not addict them.

“We used to give teams goals on time spent and we don’t do that anymore because I don’t think that’s the best way to do it,” Zuckerberg said when he took the witness stand in the second week of the trial.

On Tuesday evening, Meta introduced a new stock option program for senior executives to motivate them to grow the company at an extremely aggressive pace and reach a $9 trillion-plus valuation.

As the punitive-damages phase of the trial got under way in court on Wednesday, the plaintiff’s attorney, Lanier, revealed a jar of M&Ms—415 of them. Each one represented $1 billion of the $415 billion in total stockholders’ equity of Alphabet Inc., he said. As he removed M&Ms one by one, Lanier noted how the jar barely registered a change, symbolizing how inconsequential even a ruling of $1 billion in damages would be to a company of Alphabet’s value.

Luis Li, an attorney representing YouTube, began his remarks by apologizing to Kaley.

“We at YouTube truly, truly hope that there have been things about YouTube that have enriched your life,” he said. He then began delineating how YouTube has instituted features to interrupt scrolling and give parents an indication of how much time their children are spending on their phones.

“They’re not perfect,” he said, adding, “you can’t walk into someone’s phone and turn on all of these features.”

Paul W. Schmidt, an attorney for Meta, referenced testimony from former company employees who, while critical of the company’s practices, said they did not believe it was intentionally trying to harm young people.

“There wasn’t an intention to do harm,” he said.

Meta e Google condenadas em julgamento histórico sobre redes sociais viciantes

Mark Zuckerberg à saída do Tribunal de L.A.

As gigantes das redes sociais Meta e Google foram consideradas culpadas no julgamento histórico que decorreu em Los Angeles sobre os impactos negativos das redes sociais e as suas funcionalidades. Os doze jurados determinaram que as empresas foram negligentes ao desenharem aplicações viciantes – Instagram e YouTube – que prejudicaram crianças e adolescentes e ao não alertarem os utilizadores para os perigos. A decisão deu razão à queixosa, uma jovem de 20 anos designada pelas iniciais K.G.M., que acusou a Meta e a Google de lhe causarem problemas severos de saúde mental, incluindo ideação suicida, depressão e imagem corporal negativa.

É um momento raro de responsabilização de gigantes de Silicon Valley e um desfecho que estabelece um precedente legal importante, já que há vários outros julgamentos com alegações semelhantes marcados para os próximos meses. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, estiveram entre as testemunhas interrogadas durante o julgamento, negando as acusações.

Após deliberar por nove dias, o júri decidiu que K.G.M., que começou a usar o Instagram aos nove anos, tem direito a uma indemnização compensatória de três milhões de dólares. A Meta terá de pagar 70% e o YouTube os restantes 30%. O veredicto é especialmente importante porque a queixosa alegou que as aplicações foram desenhadas com funcionalidades propositadamente viciantes, tais como o ‘scroll’ infinito, ‘auto-play’, algoritmos que servem continuamente conteúdos relacionados e notificações constantes. Os seus advogados compararam as funcionalidades com as características dos cigarros ou casinos digitais. O caso inicial incluía as redes TikTok e Snapchat, mas estas chegaram a acordo antes do início do julgamento.

Além da indemnização, os jurados consideraram que as ações das empresas devem ser punidas, algo que será decidido numa fase separada.

“Esta é a primeira vez na história que um júri ouviu testemunhos de executivos e viu documentos internos que acreditamos que provam que estas empresas deram prioridade aos lucros em detrimento das crianças”, disse Joseph VanZandt, um dos advogados de K.G.M.

Numa declaração conjunta da equipa legal, citada pela rádio NPR, VanZandt considerou que este veredicto é maior que um caso isolado. “Durante anos, as empresas de redes sociais lucraram ao visar crianças ao mesmo tempo que ocultavam as suas funcionalidades viciantes e perigosas”, afirmou. “O veredicto de hoje é um referendo – de um júri para toda a indústria – de que o momento da responsabilização chegou.”

Uma porta-voz da Meta disse que a empresa discorda da decisão e está a avaliar as suas opções legais, enquanto a Google/YouTube optou pelo silêncio.

No dia 24 de Março, um julgamento no Novo México já tinha concluído com a determinação de que a Meta violou a lei estadual ao não incluir salvaguardas para impedir predadores de visarem os seus utilizadores mais novos. Nesse caso, trazido pela procuradoria-geral, o júri decidiu que a empresa de Mark Zuckerberg deve pagar 375 milhões de dólares.

Há pelo menos mais oito julgamentos marcados para os próximos meses, incluindo um caso consolidado com vários queixosos contra a Meta, TikTok, YouTube e Snap no norte da Califórnia. Especialistas legais têm comparado estes casos com os julgamentos contra as grandes tabaqueiras nos anos noventa, que resultaram em restrições severas à publicidade e venda de tabaco.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Laibach - Allgorhythm (feat. Wiyaala) - Allgorhythm


[Intro - Milan Fras]
(Voz cavernosa e ritmada)
There's a lot of talking
When Laibach drops a song
Because we do it raw
Ignoring every law
We're shattering the rules
We're tearing down the walls

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Verso 1 - Milan Fras]
We must keep moving on
The past is dead and gone
No matter what you do
No one cares about your point of view
What matters is the algorithm works for you

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (We all) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Ponte de Chamada - Wiyaala]
All the girls, and all the boys – All go rhythm!
Let's get loud and make some noise – All go rhythm!
Here's a beat you can't escape – All go rhythm!
Step right in and match the shape! – Let's all go rhythm!

[Interlúdio - Milan Fras]
Algorithm... Let's do it!
Algorithm... Slaves to algorithm!

[Refrão Expansivo - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! Algorithm!
All go rhythm!
All go rhythm! Rhythm! Rhythm!
All go rhythm!

[Verso "Massas" - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): All the tired and the poor – All go rhythm!
(Wiyaala): Huddled masses at the doors – All go rhythm!
(Wiyaala): The homeless and the rich – All go rhythm!
(Milan): From all the teeming shores...
(Ambos): Let's all go rhythm!

[Clímax Final - Wiyaala]
Some people go kung fu fighting
Some people go bit-coin mining
Oh yeah!
Some nations go dynamiting
We like to do some crazy rhyming
Yeah!
Wow, wow, wow, yeah...

[Outro - Todos]
All go rhythm!
Let's all go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
ALL!

Este é o single de impacto que prepara o terreno para o novo álbum de estúdio do Laibach, intitulado "MUSICK", com lançamento marcado para 1 de maio de 2026 pela Mute Records.

A faixa "Allgorhythm", gravada pelos Laibach em colaboração com a cantora ganesa Wiyaala, define-se musicalmente como uma fusão audaz entre o Industrial Marcial e o Afropop, operando dentro de uma estética de vanguarda que o grupo esloveno domina há décadas. O título é um trocadilho semântico direto entre as palavras Algorithm (algoritmo) e Rhythm (ritmo), servindo como o pilar central para uma crítica ácida à contemporaneidade digital. Através de batidas mecânicas e repetitivas que contrastam com a voz orgânica e potente de Wiyaala, a canção explora a transição da humanidade de antigos regimes totalitários para o que o grupo sugere ser a nova "ditadura dos algoritmos". Neste cenário, os cálculos matemáticos e os códigos invisíveis passam a ditar o ritmo da vida, decidindo o que consumimos, como pensamos e de que maneira nos movimentamos socialmente.

O significado da obra aprofunda-se no conflito entre o orgânico e o sintético, onde a presença de Wiyaala simboliza o espírito humano, a terra e o pulso vital em resistência contra uma instrumentação fria e robótica que representa a máquina. Esta dinâmica sugere uma luta pela sobrevivência da essência humana dentro de um sistema técnico que tenta quantificar e automatizar todas as formas de expressão. Fiel à sua veia satírica e provocadora, os Laibach utilizam a estética do controlo para denunciar a uniformização global promovida pela tecnologia. A música transforma o acto de dançar num comando autoritário, sugerindo que a massa moderna, embora se sinta livre, está apenas a seguir ordens programadas por inteligências artificiais num regime de opressão invisível e omnipresente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Artigo da Nature mostra como o feed algorítmico da rede X direciona a visão das pessoas para a direita e extrema-direita


O estudo demonstra que, ao contrário do feed cronológico (onde vês tudo o que as pessoas que segues publicam), o algoritmo filtra e prioriza. Se o utilizador interage com uma publicação de teor radical, o sistema passa a mostrar-lhe mais conteúdo semelhante, o que pode levar a um processo de radicalização gradual por falta de contraditório.

Um ponto implícito no debate atual (e tocado lateralmente no artigo) é a mudança de diretrizes da plataforma sob a gestão de Elon Musk. O estudo sugere que as alterações no código e nas políticas de moderação desde 2022 facilitaram a circulação de discursos que anteriormente seriam filtrados ou banidos, beneficiando desproporcionalmente movimentos de extrema-direita que testam os limites da liberdade de expressão.

A investigação demonstra que o algoritmo do X não é neutro e acaba por beneficiar desproporcionalmente as vozes da direita e da extrema-direita. Isto acontece porque o sistema está programado para maximizar o tempo de utilização e a interação, e os conteúdos típicos destes movimentos — que utilizam frequentemente retórica de indignação, teorias da conspiração ou ataques diretos ao "sistema" e aos adversários — geram níveis de resposta emocional muito elevados. O algoritmo interpreta este conflito como "relevância" e, por consequência, impulsiona essas publicações para um público muito mais vasto do que aquele que as segue originalmente.

Além disso, o artigo destaca que esta amplificação cria um desequilíbrio no ecossistema de informação. Ao comparar o feed cronológico com o algorítmico, os investigadores perceberam que o algoritmo atua como um megafone para narrativas que promovem a polarização afetiva. Ou seja, ele não se limita a mostrar o que o utilizador gosta, mas expõe os utilizadores de direita a conteúdos cada vez mais radicais, enquanto mostra aos utilizadores de esquerda conteúdos que os deixam indignados com a direita, aprofundando o fosso entre os dois grupos. No caso específico da extrema-direita, o estudo sugere que as mudanças nas políticas de moderação da plataforma desde 2022 permitiram que discursos antes considerados marginais ou tóxicos passassem a circular livremente, sendo frequentemente "premiados" pelo algoritmo com alcances multimilionários que as vozes moderadas ou de esquerda raramente conseguem atingir com a mesma eficácia orgânica. Fonte