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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

The Durutti Column & Caoilfhionn Rose - Free From All The Chaos

Melhor som aqui
Letra
Beside the poplar trees, where I like to go.
Away from busy rhythms of the city, to the languid River Mersey.
Beneath the rain filled clouds, the wind carries a song,
Away from all the chaos, into Fletcher Moss.
Walking through the Alpine Gardens, loved by my gran,
Nothing seems to matter here, sitting on Rory's bench.
Beside the poplar trees.
Away from busy rhythms of the city, to the languid River Mersey.
Beneath the rain filled clouds, the wind carries a song,
Away from all the chaos, into Fletcher Moss.

A filosofia do desapego e da Natureza em Free From All The Chaos 
A faixa Free From All The Chaos, lançada no álbum Chronicle XL (2014) de The Durutti Column e com a voz radiante da cantora e compositora Caoilfhionn Rose, é uma obra de profunda ressonância contemplativa. Nascida no ambiente sereno do parque Fletcher Moss, em Manchester, a composição transforma-se num santuário sonoro que explora o impacto da paisagem natural no bem-estar psicológico e na busca pela paz interior. A lírica delicada funciona como um lembrete intimista de que a libertação da ansiedade e do peso das memórias passadas resulta de uma escolha consciente sobre a forma como percepcionamos o presente, utilizando a ligação com a terra e o tempo como meios fundamentais para a regeneração espiritual.

O videoclipe foi realizado por Rich Williams, no Fletcher Moss Park, Manchester. Curiosamente todos os colaboradores vivem na mesma cidade Manchester

A nível filosófico, a canção manifesta uma clara aproximação ao pensamento estoico, no qual a verdadeira tranquilidade, ou ataraxia, não depende da ausência de dificuldades externas, mas sim do domínio sobre a própria mente e sobre a interpretação das circunstâncias. Ao sugerir que a libertação depende do modo como escolhemos sonhar e encarar o tempo que passa, o tema reflete a máxima de que não são as coisas que nos perturbam, mas sim os julgamentos que fazemos sobre elas. Paralelamente, observa-se uma perspectiva fenomenológica da existência, em que o contacto direto com os elementos naturais convida à aceitação da impermanência e à consciência do momento presente como o único espaço onde a verdadeira cura pode ocorrer.

No plano literário, a obra dialoga com o transcendentalismo do século XIX, evocando a tradição de autores como Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson, que viam na imersão na natureza a via primordial para a emancipação do espírito e para a descoberta da autenticidade pessoal, longe do ruído da sociedade. Transparece também a influência do lirismo romântico e contemplativo, próximo da poesia de William Wordsworth, na qual a beleza tranquila do mundo natural serve de bálsamo para as inquietações da alma. Integrada no universo musical de Vini Reilly, marcado historicamente pela melancolia e pelo luto, a voz de Caoilfhionn Rose acrescenta uma dimensão elegíaca e de esperança, onde a brevidade do texto poético condensa uma profunda busca por redenção, serenidade e desapego do caos quotidiano.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Armeria gaditana


Armeria gaditana no jardim botânico Dunas del Odiel, já no final do período de floração e com as pétalas secas. 
Esta espécie ocorria no litoral algarvio mas é possível que se encontre extinta, ou que desapareça nos próximos anos. O site Flora-on refere apenas uma localização conhecida com um indivíduo adulto. Actualmente para a vermos temos de ir a Doñana ou ao litoral de Cádis. 
Afinal, para que serve o Parque Natural da Ria Formosa, se permite que uma espécie emblemática da costa algarvia chegue à beira da extinção, e se não se conhecem quaisquer planos de recuperação ou reintrodução? Qual é a função de um Parque Natural? Conservar património biológico e cultural ou ser convertido num parque temático para turistas, recheado de passadiços e concessões, campos de golfe e urbanizações?

sábado, 9 de dezembro de 2023

Prémio Ernst Haeckel 2024 a Helena Freitas


A candidata proposta pela SPECO ao prémio Ernst Haeckel promovido pela European Ecological Federation (EEF), Professora Helena Freitas, foi a premiada do ano 2024. É o segundo candidato premiado que a SPECO propõe. O primeiro foi atribuído a Miguel Bastos Araújo, no ano 2018.

Este prémio foi atribuído pela primeira vez em 2011 e destina-se a homenagear um(a) ecólogo(a) pela sua contribuição notável para a ciência ecológica europeia.

Partilhamos convosco uma breve resenha histórica do seu percurso académico, profissional e de investigação na área da Ecologia:

Helena Freitas (Famalicão, 1962) obteve uma das primeiras teses de doutoramento em Ecologia em Portugal (1993). O Doutoramento, estudo sobre as respostas das plantas em ambientes extremos, foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, em colaboração com a Universidade de Bielefeld, na Alemanha. Entre 1994 e 1996 realizou um pós-doutoramento na Universidade de Stanford, EUA, com Harold Mooney para melhor compreender o impacto do carbono nas alterações globais, particularmente nas alterações climáticas. Desde então, tem estado envolvida em projetos globais.

Diretora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (2004 - 2012), preparou e coordenou o programa de requalificação deste espaço único de Coimbra e implementou estratégias de conservação. Para além da sua evolução académica no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Helena Freitas ocupa a Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável desde 2014. Dentro desta Cátedra tem implementado e apoiado uma rede de investigadores e instituições nas áreas da biodiversidade, ecologia, conservação e desenvolvimento sustentável.

Ao longo da sua carreira tem contribuído para um melhor conhecimento sobre a ecologia funcional da vegetação mediterrânica e sobre a gestão de espécies exóticas e invasoras como estratégia para minimizar a perda de diversidade dos ecossistemas. Com todos estes conhecimentos adquiridos fundou o Centro de Ecologia Funcional - Ciência para as Pessoas e para o Planeta (cfe.uc.pt) onde ainda é actualmente Coordenadora. Recentemente, lançou o Laboratório Associado TERRA – Laboratório de Sustentabilidade do Uso da Terra e Serviços de Ecossistema.

O conhecimento de Helena Freitas é reconhecido a nível internacional sendo convidada (2019 até agora) para a Assembleia da Missão de Adaptação às Alterações Climáticas, incluindo a Transformação Social, da Comissão Europeia. Actualmente é Ponto Focal Português do IPBES (sigla inglesa para Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços de Ecossistema).

Coordenou ou participou em vários projetos e consórcios nacionais e internacionais, incluindo o Millennium Ecosystem Assessment. Orientou ou co-orientou mais de 30 dissertações de doutoramento sendo autor de mais de 200 publicações científicas internacionais indexadas e de diversas publicações de promoção e divulgação da ciência. Publica regularmente na imprensa nacional e regional, nomeadamente sobre ambiente, territórios e sociedade, planeamento e políticas de desenvolvimento baseadas no conhecimento. Em Março de 2000 foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio.

Esteve também envolvida em organizações não governamentais de ecologia e conservação, tais como: Presidente da Liga para a Protecção da Natureza (2002-2005), fundadora e Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia (2004-2013) e Vice-Presidente da Sociedade Europeia de Ecologia (2009-2012).

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Mais de 90% das espécies de fungos continuam a ser desconhecidas da Ciência


Podemos não vê-los, mas eles estão lá. Formando imensas redes subterrâneas, que podem cobrir áreas muito extensas, vivendo como seres unicelulares ou em grupos, ou ainda exibindo o que conhecemos como cogumelos para dispersarem esporos, os fungos são dos grupos mais diversos de seres vivos.

De acordo com o mais recente relatório do ‘Estado das Plantas e dos Fungos do Mundo 2023’, elaborado pelos especialistas do Real Jardim Botânico de Kew (Reino Unido), existem na Terra perto de 2,5 milhões de espécies de fungos. No entanto, mais de 90% desse total estimado não é ainda conhecido da Ciência, pelo que apenas 155 mil espécies de fungos estão hoje descritas cientificamente.

Dizem os autores do documento que agora é uma corrida contra o tempo para “encontrar, descrever e nomear essas espécies – que podem conter compostos medicinais valiosos ou possuir outras propriedades úteis – numa altura em que a perda de biodiversidade atingiu um ponto crítico”.

“Nomear e descrever espécies é um primeiro passo vital para documentar a vida na Terra”, declara Tuula Niskanen, ex-investigadora sénior do Jardim Botânico de Kew e atual curadora do Museu Finlandês de História Natural, em Helsínquia. “Sem sabermos que espécies existem e sem lhes darmos nomes, não seremos capazes de partilhar informação sobre aspetos-chave da diversidade de espécies, fazer quaisquer avaliações sobre o seu estado de conservação para sabermos se estão em risco de extinção ou explorar o seu potencial para benefício das pessoas e sociedade”, comenta a especialista.

Sobre os fungos, em particular, Niskanen diz que é “essencial” saber que espécies existem na Terra e “o que podemos fazer por elas, para que não as percamos para sempre”.

Em termos do número de espécies, os fungos são um dos grupos mais diversos, perdendo o primeiro lugar apenas para os animais invertebrados, estimando-se que, no total, existam 8,5 milhões de espécies diferentes, embora só se conheçam, até ao momento, cerca de 1,4 milhões.

Por isso, calcula-se que, ao atual ritmo de descrição de novas espécies, seriam precisos entre 750 e mil anos para os cientistas descreverem totalmente todas as espécies de fungos que se pensa existirem hoje na Terra.

Os fungos podem assumir, assim, múltiplas formas e feitios. Há os multicelulares, que formam filamentos finos chamados hifas, que, juntos e enredados, criam redes conhecidas com micélios, que se estende no subsolo, e os unicelulares, como a levedura, com formas esféricas.

A maioria dos fungos dispersa os seus esporos, que carregam o seu material genético e que darão origem à sua descendência, no ar, no corpo dos animais ou em gotículas de água. Para tal, constroem estruturas, como os conhecidos cogumelos, as trufas ou outras, para libertarem os esporos no ambiente. Existem ainda alguns fungos que criam relações simbióticas com algas, originando líquenes, ‘híbridos’ alga-fungo.

Nesses casos, os fungos absorvem nutrientes dos seus parceiros fotossintéticos, pelo que não dependem de ambientes húmidos para subsistirem.

Estima-se que em apenas uma colher de chá de solo possam estar presentes centenas de espécies diferentes de fungos, pelo que os cientistas dizem mesmo tratar-se de “uma nova fronteira fúngica”, todo um mundo ainda por desvendar que existe mesmo quando por ele não damos. Só desde 2020, foram descritas cerca de 10.200 novas espécies de fungos e ainda há muito trabalho para fazer.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A arquitectura paisagística está há 80 anos a pensar o futuro, mas ninguém a ouve

Francisco Caldeira Cabral foi o propulsor da arquitetura paisagista em Portugal

E se as cheias ou os incêndios não fossem uma tragédia anual? O cenário parece de sonho, mas é uma realidade possível aos olhos dos arquitetos paisagistas. Têm na sua génese muito mais do que a estética. Aprendem sobre anatomia, plantas, sociedade, cultura e tanto mais. A disciplina tem cerca de 80 anos de história e 50 de reconhecimento, apresentando soluções para a gestão equilibrada entre o ser humano e a natureza. O que falta para ser escutada?

Não fosse estar em causa o bem-estar (e até a vida) do ser humano e poderíamos considerar a história da arquitetura paisagista um autêntico filme. Um daqueles em que o “bom da fita” nunca é ouvido. Até ser tarde de mais. E, à imagem de muitos filmes, não falta neste um cliché: o do “eu avisei”. A expressão parece ser utilizada pelos arquitetos paisagistas para demonstrar que há algo com que todos se preocupam agora que, para estes profissionais, já é uma “cantiga antiga”. Mas do que se trata? Das alterações climáticas. Ou melhor, de como a atividade do ser humano exacerbou e acelerou alterações climáticas ao ponto de sofrermos atualmente com fenómenos climáticos extremos, diários, em torno de todo o Globo. Mas tudo poderia ser diferente. Como? Já lá vamos.

Primeiro, reforcemos o “eu avisei”. “O fenómeno parece novo. Fala-se em todo o lado. Faz capas de jornais quase todos os dias. Mas, para nós, arquitetos paisagistas, não é novidade nenhuma. Estavam à espera que acontecesse o quê?” Quem o questiona é Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, investigadora, docente e apaixonada por jardins, que realça que não foi apenas um alerta que a profissão deixou à sociedade, tendo também apontado soluções. “Todos os nossos projetos da altura, por volta dos anos 1980, procuravam dar respostas para que situações extremas com que nos deparamos anualmente hoje não ocorressem.”

Fala-se de cheias, incêndios, perda de biodiversidade, recuo da linha de costa, entre tantos outros assuntos que, hoje, são tema recorrente e catalogados como “nova crise”. Aurora Carapinha lamenta que muitos desses projetos inovadores e solucionadores “tenham sido metidos na gaveta”. Problemas que todos os anos são recorrentes poderiam ser mitigados se tivesse havido um trabalho real com a arquitetura paisagista nos últimos anos? “Sem dúvida alguma. E não o digo por arrogância”, remata.

Arquitetura sem teto
E como é que a arquitetura paisagista tem um poder tão grande perante as alterações climáticas e os fenómenos extremos? Porque tem capacidade de prever e gerir mudanças a longo prazo, indica Carapinha. “O Professor Nuno Portas chamava-nos, com muita graça, os arquitetos sem teto. E trabalhar sem teto é o maior desafio que existe, porque é uma arquitetura que está exposta à intempérie, à mudança das estações, à mudança da luminosidade, às diferentes temperaturas. Enquanto na ‘arquitetura com teto’ posso controlar essas variáveis, aqui não.”

E, por isso, o arquiteto paisagista tem de aprender, por exemplo, onde chove, quanto chove, de que forma se comporta e acumula a chuva. Entre outros dados. E, acima de tudo, completa a docente da Universidade de Évora, “o arquiteto paisagista tem de saber como aproveitar essa chuva”. Em suma, além de prever acontecimentos, a disciplina trabalha para que esses acontecimentos sejam aproveitados em benefício do bem-estar humano e do “bem-estar” da natureza. “Eu não trabalho contra a natureza. Trabalho com as dinâmicas dos sistemas naturais. E tenho de ter duas coisas: a ciência para os saber e a arte para os reinventar, criando novos lugares e oportunidades de vida.”

É no balanço entre ciência e arte que se baseia a definição da arquitetura paisagista, que, nas palavras de Caldeira Cabral, figura histórica da profissão, “é a ciência e a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem”. E os equilíbrios parecem ser o ex-líbris. “Equilíbrios que vão além do estético, mas que alcançam dimensões como o equilíbrio económico, ecológico ou social”, afirma Carapinha.

A primazia do económico
Nestes vários equilíbrios, João Ceregeiro, arquiteto paisagista e presidente da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas (APAP), acredita que se encontra a fórmula (ou fórmulas) que poderia solucionar diversos problemas da sociedade. Fórmulas essas que, tal como já frisado por Aurora Carapinha, não são novas para a profissão. “O que hoje se fala de conforto climático, de sequestro de carbono, da economia circular, da economia verde… tudo isso são temas que para os arquitetos paisagistas não são novos, porque estão implícitos na sua própria prática há muitas décadas”, esclarece o dirigente. E, agora, a pergunta de “milhões”.

Porque é que essas tais soluções não foram aplicadas e esses tais alertas escutados? “Porque a prática da arquitetura paisagista não se compagina com aquilo que é a agenda dos decisores políticos e económicos, ela está sistematicamente a ser protelada em função de outras prioridades”, em especial, prioridades economicistas, que não têm uma visão complexa e de longo prazo como a profissão assim exige, denuncia Ceregeiro. Porque construir uma praça viável ou ordenar uma mata ou uma floresta poderá ter um custo no momento presente que só será “devolvido” dali a décadas, e nem sempre se trata de um retorno financeiro – o que parece ser difícil de aceitar para uma sociedade que vive em torno do lucro.

A visão exclusivamente economicista e de prazo limitado é também criticada por Aurora Carapinha. Passemos a um exemplo. E logo dos mais complexos. “O problema dos incêndios é muito mais do que dizermos que há árvores demasiado perto das casas. É uma consequência de anos de desertificação do interior. E se quem vive lá é constantemente colocado à margem da sociedade e vive na pobreza, tem de procurar forma de subsistência, para a qual a solução foi, muitas vezes, a exploração do pinhal. É um rendimento fixo e a curto prazo que, de três em três anos, serve para subsistir a família e para pagar as contas extra. Não podemos simplesmente chegar a um local e arrancar de lá as pessoas ou tirar-lhes a forma de sobrevivência.” Por muito prejudicial que essa forma seja para o ambiente.
Aurora Carapinha considera que o arquiteto paisagista pensa “na complexidade social, económica, cultural, simbólica e ecológica da paisagem”, sendo muito mais do que plantar “a árvore certa”.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Universidade de Coimbra lança site que desvenda ‘segredos’ da botânica com mais de 100 anos

A plataforma, que contém informações taxonómicas e geográficas de potencial relevo para a definição de estratégias de promoção e conservação da biodiversidade em Portugal e vários países lusófonos, foi lançada pela UC com o contributo de mais de mil cientistas-cidadãos, que colaboraram na transcrição das cartas.

Já está online o site Cartas da Natureza (http://cartasdanatureza.uc.pt), que desvenda todos os pormenores das trocas de correspondência dos botânicos da Universidade de Coimbra (UC), em finais do século XIX e início do século XX. A plataforma, que contém informações taxonómicas e geográficas de potencial relevo para a definição de estratégias de promoção e conservação da biodiversidade em Portugal e vários países lusófonos, foi lançada pela UC com o contributo de mais de mil cientistas-cidadãos, que colaboraram na transcrição das cartas.

A base de dados “Cartas da Natureza” contém a transcrição pesquisável do conteúdo da correspondência trocada pelos responsáveis do Instituto, do Herbário e do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, entre cerca de 1870 e 1928 (cartas que hoje integram o espólio do Arquivo de Botânica do Departamento de Ciências da Vida da UC). Estas missivas, envolvendo mais de 1100 correspondentes diferentes, contêm informações relevantes sobre localizações históricas de plantas, áreas de distribuição e abundância de espécies, registos de trocas de plantas e sementes, processos científicos de colheita, classificação e taxonomia de plantas e dados para reconstrução do percurso de espécimes de herbário e objetos museológicos nas coleções de história natural da UC.

Todos esses dados, disponibilizados online, foram obtidos com a colaboração voluntária dos cidadãos-cientistas que responderam ao apelo à comunidade lançado em 2019, a partir da plataforma Zooniverse, que agrega interessados em projetos de ciência participativa. Cerca de 1200 participantes – muitos deles estrangeiros – contribuíram para a transcrição de mais de mil cartas, em seis línguas diferentes, num total de mais de 3,8 milhões de caracteres (mais de 640 mil palavras). “Sendo uma quantidade de dados muito grande, esta foi uma excelente oportunidade para pedir a colaboração de voluntários, cidadãos-cientistas, que ajudassem nessa parte do processo de criação do conhecimento. Era uma tarefa exigente, mas absolutamente fundamental. E, incrivelmente, ao fim de um ano, tínhamos o material praticamente todo transcrito”, recorda o Coordenador do projeto Cartas da Natureza e investigador do Centro de Ecologia Funcional da UC, António Gouveia.

“A transcrição torna facilmente pesquisável toda a informação que até aqui apenas estava contida nas imagens digitalizadas das cartas. “Estamos a falar de relações epistolares que relatam a ligação entre os cientistas da Universidade de Coimbra, como Júlio Henriques [grande impulsionador do estudo da botânica em Portugal], e os seus congéneres de toda a Europa, que criavam redes de conhecimento sobre as plantas. Na realidade, esta correspondência, que parece ter um âmbito relativamente local, é bastante global, quer em termos da informação que contém quer em termos dos atores que envolve”, explica António Gouveia.

É também por isso que, passados mais de 100 anos, os ‘segredos’ das cartas agora desvendadas continuam a ter particular relevo científico. “Muita desta informação diz respeito a Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que a poderão utilizar em questões relacionadas com o conhecimento da biodiversidade passada, que pode ter implicações na definição de estratégias de conservação presentes e futuras”, sublinha o Coordenador do Projeto e investigador associado da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável – no âmbito da qual o projeto “Cartas da Natureza” foi desenvolvido, em colaboração com o Jardim Botânico, o Departamento de Ciências da Vida e o Centro de Ecologia Funcional da UC.

Para todos os potenciais interessados – e como reconhecimento pelos participantes que colaboraram de forma voluntária na transcrição – os documentos estão agora disponíveis online, em acesso aberto, para consulta da comunidade científica e sociedade civil. A iniciativa é também mais um exemplo do crescente envolvimento da UC nos domínios da ciência aberta. “Este projeto ilustra, de forma modelar, as inequívocas vantagens do paradigma emergente da chamada Ciência Cidadã, através da qual os cidadãos podem dar um contributo determinante para acelerar o desenvolvimento da ciência e reforçar a sua relevância social”, conclui o Vice-Reitor da UC para a Cultura e a Ciência Aberta, Delfim Leão.

domingo, 26 de abril de 2020

Dia Europeu dos Jardins Históricos


O Dia Europeu dos Jardins Históricos assinala-se, anualmente, a 26 de abril. Este dia foi criado pelo European Route of Historic Gardens (ERHG), em 2020.

A celebração deste dia tem por objetivo sensibilizar e valorizar este importante património ambiental que todos partilhamos. Nesta ocasião, queremos realçar os diferentes aspectos que marcam as relações entre todos os jardins históricos: artísticos, botânicos, históricos... Todos eles nos ligam e alimentam!

O conceito de «Jardim Histórico» foi definido na Carta de Florença, destacando a importância e a necessidade de salvaguardar estes espaços.

Documentos
Programa DESCARREGAR
Carta de Florença | International Comitee for Historic Gardens (ICOMOS-IFLA) DESCARREGAR

Links relacionados

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Jardim Botânico da Universidade de Coimbra- o filme!



Um filme de Terra Líquida Filmes.
Imagem: Luís Coimbra
Edição: Pedro Miguel Ferreira
Produção: Fábio Jorge
Realização: Ricardo Espírito Santo
Músicas: Olafur Arnolds "Allt Varð Hljótt" e Rodrigo Leão "A praia do norte"

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Titan Arum- A maior flor do mundo


A maior flor do mundo, conhecida como flor-cadáver, começou a florescer no Jardim Botânico Nacional da Bélgica, um facto que raramente ocorre e de forma inesperada pela terceira vez em cinco anos, nos arredores de Bruxelas.
A Titan Arum cujo nome científico é Amorphophallus tintanum, que significa "pénis gigante deformado", a flor começou a abrir suas pétalas no domingo numa das estufas do Jardim de Meise, fora da capital belga. A flor espectacular, cuja floração geralmente ocorre três ou quatro vezes mais de 40 anos, também conhecido como titan arum ou bunga bangkai, tem um cheiro de carne podre que parece atrair insectos polinizadores, entre os quais os escaravelhos, que garantem a su reprodução. As suas folhas já medem 244 centímetros e poderia continuar a crescer até 5 metros. A Titan Arum vem das florestas tropicais de Sumatra, na Indonésia, onde ela está em perigo por causa da desflorestação.



terça-feira, 13 de março de 2012

Frederick Delius - Winter Landscape


Em cada obra de Delius, a orquestração colorida evoca de forma sugestiva um idílio bucólico nos jardins de uma cidade ou em plenos espaços abertos mais naturalizados.
Os ritmos e a instrumentação subtis criam um sentimento de tranquilidade rural.
Biografia muito completa no wikipedia.

Aproveito para vos informar que actualizei o Dossiê Urbanismo do Bioterra.

Mais sites:
Frederick Delius: Apostle of Nature

quarta-feira, 30 de março de 2005

Hector Zazou - Harar et les Gallas(feat. Ketema Mekonen & Ryuichi Sakamoto)

Zazou adaptou uma canção tradicional etíope, em memória de Arthur Rimbaud. Sublime e sedutora.


Do álbum "Sahara Blue" - 1992; Voz de Ketema Mekonen.

Oferta de Zazou em 1992, Sahara Blue, foi baseada numa ideia de Jacques Pasquier. Pasquier sugeriu Zazou comemorar o 100 º aniversário da morte do autor Arthur Rimbaud através da criação de música com poesia de Rimbaud. Contribuições incluem palavras faladas de Gérard Depardieu, Dominique Dalcan e música de Brendan Perry e Lisa Gerrard dos Dead Can Dance, Tim Simenon, e David Sylvian.
Hector Zazou (11 de julho de 1948, 08 setembro de 2008) foi um prolífico compositor e produtor musical francês que trabalhou, produziu e colaborou com uma série de artistas internacionais. Ele trabalhou nos seus próprios álbuns e de outros artistas , incluindo Sandy Dillon, Mimi Goes, Barbara Gogan, Sevara Nazarkhan, Carlos Núñez, o grupo italiano PGR, Anne Grete Preus, Laurence Revey, e desde 1976 com Sainkho Namtchylak.